terça-feira, 31 de julho de 2012

Tucano na lista suja do trabalho escravo

MRV e empregadores ligados à política entram para a 'lista suja'

       
           
Construtora MRV entrou no cadastro de empregadores que exploraram mão de obra escrava por conta de flagrantes ocorridos em Bauru (SP) e Curitiba (PR)

São Paulo – A construtora MRV, empresa do setor de construção de edifícios residenciais que obteve o maior lucro das Américas em 2011, segundo estudo recente da Economatica, foi incluída na "lista suja" do trabalho escravo. O cadastro mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) vem sendo divulgado desde o final de 2003 e reúne empregadores flagrados pelo poder público na exploração de mão de obra em condições análogas à escravidão.


Com as 115 inclusões efetivadas na atualização semestral de hoje (31), a "lista suja" atingiu o número recorde de 398 nomes. Oito empregadores foram excluídos (sete deles em decorrência do vencimento do prazo de dois anos e do pagamento das multas, e um por conta de liminar obtida recentemente na Justiça) e dois reingressaram em decorrência da invalidação de instrumentos judiciais que os mantinham fora da relação.


A entrada da MRV se deve a duas fiscalizações que encontraram grupos de trabalhadores migrantes em condições de trabalho escravo contemporâneo em obras de condomínios no ano de 2011 – Parque Borghesi, na cidade de Bauru (SP), e Spazio Cosmopolitan, em Curitiba (PR). O Ministério Público do Trabalho (MPT) chegou a protocolar uma representação inédita há alguns meses para que a construtora, que lidera contratos do programa federal de habitação popular, Minha Casa Minha Vida, seja investigada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por prática de dumping social.


Também entrou na "lista suja" a Prime Incorporações e Construções S/A, que faz parte do grupo econômico encabeçado pela MRV. Fiscalizações no setor de construção civil resultaram ainda em outras inclusões. A MSKE Construções e Serviços Ltda. entrou para a relação por conta de um flagrante em obras do Minha Casa Minha Vida, em São José do Rio Pardo (SP). E a Eplan Engenharia Planejamento e Eletricidade Ltda. passou a constar do cadastro em função da libertação de nove pessoas em frentes de trabalho de expansão do Programa Luz para Todos, em Guajará-Mirim (RO).


Entre os ingressantes, destacam-se nomes de empregadores ligados à esfera política, como o engenheiro René Pompêo de Pina, que foi secretário de infra-estrutura do estado de Goiás e presidente do conselho da Celg Distribuição S/A, filiado ao PSDB, e o de Janete Gomes Riva, esposa do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Mato Grosso, José Riva (PSD). O sobrinho do deputado federal Carlos Bezerra (PMDB/MT), Emanoel Gomes Bezerra Júnior, também aparece na "lista suja".Brasil de Fato.

Em respeito à verdade factual

Caixa 2 de Furnas teria turbinado Aécio e Alckmin
                      
Caixa 2 de Furnas teria turbinado Aécio e Alckmin
Mensalão para 150 políticos do PSDB e do DEM teria sido extraído da estatal de energia; lista de repasse de verbas, assinada pelo então presidente Dimas Toledo (centro), para as campanhas de 2002, é legítima, segundo laudo da PF; Ministério Público acata



Minas 247 – Na véspera do julgamento mais esperado do Brasil, o da Ação Penal 470, pelo Supremo Tribunal Federal, a partir da quinta-feira 2, o chamado o mensalão, o Ministério Público Federal faz denúncia formal sobre um esquema fartamente documentado para pagar mesadas a servidores e políticos. A estatal Furnas teria superfaturado contratos para dar dinheiro gordo a cerca de 150 políticos durante a campanha eleitoral de 2002, na grande maioria do PSDB e do DEM. Entre eles, figuram os então candidatos Aécio Neves e Geraldo Alckmin.

O colunista Amaury Ribeiro Jr, do jornal Hoje em Dia e autor do best seller A Privataria Tucana, publicou matéria sobre a Lista de Furnas nesta terça-feira 31. A lista teria sido feita pelo próprio ex-presidente e ex-diretor de planejamento de Furnas, Dimas Toledo. Entre os contemplados, além de Aécio e Alckmin, o ex-deputado Roberto Jefferson. Ele próprio já declarou ter recebido R$ 75 mil da estatal, entregues pelo próprio Dimas Toledo.


 
Na matéria, Amaury explica que de acordo com a procuradora República no Rio, Andrea Bayão Ferreira, o mensalão de Furnas provocou o enriquecimento de funcionário públicos, empresários e lobistas acusados de alimentarem os financiamentos ilegais de campanha políticas dos tucanos e de seus aliados com dinheiro público.



Grampos da Polícia Federal com o lobista Nilton Monteiro, que teria recebido a lista de Todelo e tentado negociá-la com adversários do PSDB, mostram a autenticidade do documento. A Lista de Furnas é assinada pelo diretor de planejamento. A PF descartou a possibilidade de montagem na assinatura.

 
O MPF denunciou Todelo e Jefferson, mas aliviou para os caciques tucanos. O argumento seria que "eles são alvos específicos de uma investigação da PF e do MPF sobre os beneficiários da caixinha de campanha alimentada pela empresa estatal".


 
O futuro dos dois está nas mãos da Vara da Fazenda do Rio, para onde foi encaminhada a denúncia. Antes, o deputado Rogério Correia (PT-MG), com base no laudo pericial da Polícia Federal, já havia denunciado o rombo na estatal mineira para eleição de Aécio Neves ao governo do estado em 2002. "Os tucanos só querem investigar os esquemas dos outros, porque esse de Furnas eles tentam abafar até agora", disse Correia ao 247. "Quando fiz a denúncia, tentaram até mesmo cassar o meu mandado, mas a verdade, finalmente, começa a prevalever".

 
O ESQUEMA - Contratos superfaturados com a Toshiba do Brasil e a JPE Engenharia Ltda alimentariam o esquema, segundo o relato de Amaury no Hoje em Dia. As duas empresas foram contratadas sem licitação pela estatal Furnas.

O superintendente administrativo da Toshiba, José Csapo Talavera, afirmou que consultorias feitas por empresas de fachada até 2004 eram esquentadas por notas frias. Executivos da companhia japonesa também confirmaram a existência de um caixa dois para bancar mesada de servidores e políticos. O jornalista Amaury Ribeiro Jr., a partir da publicação da reportagem, está denunciando pressões da irmã de Aécio Neves, Andreia, sobre a cúpula do jornal Hoje em Dia para a sua demissão.

Folha de S. Paulo omite que os tucanos receberam caixa dois de Furnas



A omissão já virou moda no PiG. Depois de o Jornal Nacional omitir que Policarpo Jr. da Veja, preparou um dossiê contra o juiz que está preste a julgar os crimes da Organização Cachoeira, agora foi a vez da Folha de São Paulo omitir que os grande beneficiários da Lista de Furnas foram os tucanos.Eu fico pensando:será que os jornalistas do PiG dormem com a consciência tranquila? Em tempo: Serra recebeu R$ 8 milhões, Alckmin recebeu R$ 9 milhões, Aécio neves recebeu 9 milhões e Azeredo recebeu R$ 5 milhões.



Segue matéria da Folha



Ministério Público oferece denúncia sobre 'lista de Furnas'

 

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro ofereceu denúncia contra 11 pessoas sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro em um suposto esquema de desvios de "milhões de reais", de 2000 a 2008, envolvendo a estatal Furnas Centrais Elétricas.


A denúncia da procuradora Andréa Bayão, que não detalha o total dos supostos desvios, refere-se ao caso que ficou conhecido como "Lista de Furnas", documento que registra supostos repasses de recursos, pela estatal, a 156 políticos durante a campanha eleitoral de 2002.


Apesar do oferecimento da denúncia, em janeiro deste ano, o juiz Roberto Dantes de Paula, da Justiça Federal no Rio, declinou da competência para julgar o caso.


O juiz sustentou que a estatal Furnas é uma empresa de capital misto e, por esse motivo, compete à Justiça estadual analisar a denúncia, que está sob segredo de Justiça.


Entre os 11 denunciados estão o ex-diretor de Furnas Dimas Fabiano Toledo, o lobista Nilton Monteiro e o ex-deputado federal e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson. Os outros denunciados são funcionários de empresas supostamente envolvidas no caso.

A lista foi divulgada por Monteiro em 2006. Sua autenticidade, contudo, sempre foi contestada pelos citados na relação, a começar por Toledo.


A cópia da lista, que chegou primeiro à Polícia Federal, tem divergências da lista original. Ambas foram periciadas pela PF e a Procuradoria, ao oferecer a denúncia, se baseou nos relatórios da polícia.
Um trecho do laudo da PF diz que a lista original não tem evidências de montagem ou alterações e que foram "constatadas diversas convergências" entre a assinatura contida no documento e as fornecidas por Toledo para comparação.


A PF, contudo, faz uma observação com relação à assinatura: diz que "não se pode afirmar isso [autenticidade] com certeza".


Na denúncia, o MPF aponta a "autenticidade formal do documento", citando como possível prova o fato de Jefferson, em depoimento, ter confirmado um dado da lista: o recebimento de R$ 75 mil para sua campanha eleitoral, pagos por Toledo.


A denúncia foi encaminhada à Justiça Estadual do Rio em março deste ano. A peça judicial, da qual a reportagem obteve cópia, foi divulgada nesta terça-feira (31) pelo jornal mineiro "Hoje em Dia".

Sabujo da Folha reconhece que a imprensa já julgou e condenou

julgamento na imprensa

Janio de Freitas: imprensa já julgou e condenou

 
O julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal é desnecessário. Entre a insinuação mal disfarçada e a condenação explícita, a massa de reportagens e comentários lançados agora, sobre o mensalão, contém uma evidência condenatória que equivale à dispensa dos magistrados e das leis a que devem servir os seus saberes.

 
Os trabalhos jornalísticos com esforço de equilíbrio estão em minoria quase comovente.
Na hipótese mais complacente com a imprensa, aí considerados também o rádio e a TV, o sentido e a massa de reportagens e comentários resulta em pressão forte, com duas direções.

 
Uma, sobre o Supremo. Sobre a liberdade dos magistrados de exercerem sua concepção de justiça, sem influências, inconscientes mesmo, de fatores externos ao julgamento, qualquer que seja.


 
Essa é a condição que os regimes autoritários negam aos magistrados e a democracia lhes oferece.

Dicotomia que permite pesar e medir o quanto há de apego à democracia em determinados modos de tratar o julgamento do mensalão, seus réus e até o papel da defesa.

O outro rumo da pressão é, claro, a opinião pública que se forma sob as influências do que lhe ofereçam os meios de comunicação.

Se há indução de animosidade contra os réus e os advogados, na hora de um julgamento, a resposta prevista só pode ser a expectativa de condenações a granel e, no resultado alternativo, decepção exaltada. Com a consequência de louvação ou de repulsa à instituição judicial.

 
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, reforça o sentido das reportagens e dos comentários mais numerosos, ao achar que "o mensalão é o maior escândalo da história" -do Brasil, subentende-se.

 
O procurador-geral há de ter lido, ao menos isso, sobre o escândalo arquitetado pelo brilho agitador de Carlos Lacerda em 1954, que levou à República do Galeão, constituída por oficiais da FAB, e ao golpe iniciado contra Getúlio Vargas e interrompido à custa da vida do presidente.

 
Foi um escândalo de alegada corrupção que pôs multidões na rua contra Getúlio vivo e as fez retornar à rua, em lágrimas, por Getúlio morto.


Como desdobramento, uma série de tentativas de golpes militares e dois golpes consumados em 1955.

 
O procurador Roberto Gurgel não precisou ler sobre o escândalo de corrupção que levou multidões à rua contra Fernando Collor e, caso único na República, ao impeachment de um presidente. Nem esse episódio de corrupção foi escândalo maior?


E atenção, para não dizer, depois, que não recebemos a advertência de um certo e incerto historiador, em artigo publicado no Rio: "Vivemos um dos momentos mais difíceis da história republicana".

 
Dois inícios de guerra civil em 1930 e 1932, insurreição militar-comunista em 1935, golpe integralista abortado em 1937, levante gaúcho de defesa da legalidade em 1961, dezenas de tentativas e de golpes militares desde a década de 1920.

 
E agora, à espera do julgamento do mensalão, é que "vivemos um dos momentos mais difíceis da história republicana".

Janio de Freitas

Dilma e Chavez assinam acordo de vendas de jatos da Embraer

Dilma e Chavez assinam acordo de vendas de jatos da Embraer

A presidenta Dilma Rousseff iniciou as atividades desta terça-feira (31), que terão como ponto alto a solenidade de ingresso da Venezuela no Mercosul, recebendo o presidente Hugo Chavez no Palácio do Planalto, para assinatura de contratos entre a Embraer e a estatal venezuelana Conviasa para vendas de jatos de seis aviões da Embraer.

 
A cerimônia, que começou logo após às 10 horas, durou poucos minutos. A Venezuela vai comprar da Embraer seis aviões modelo E-190 no valor de US$ 270 milhões. O contrato prevê a opção para a compra de mais 14 aeronaves, podendo alcançar um total de US$900 milhões. As primeiras aeronaves serão entregues no final deste ano.

Hugo Chávez, juntamente com os presidentes do Uruguai, José Mujica, e da Argentina, Cristina Kirchner, participam da Cúpula Extraordinária do Mercosul, que oficializará o ingresso da Venezuela no bloco como membro pleno.

Da redação Vermelho de Brasília

PT quer ir à Justiça para expor Haddad na Globo

Por Haddad, PT ameaça ir à Justiça contra GloboFoto: Edição/247

O PT ameaça recorrer à Justiça Eleitoral caso a TV Globo mantenha a intenção de só abrir espaço diário em seus telejornais às campanhas dos dois candidatos mais bem posicionados na disputa pela Prefeitura de São Paulo.

 
O partido quer pressionar a emissora a assegurar a Fernando Haddad a mesma visibilidade que terão José Serra (PSDB) e Celso Russomanno (PRB), que lideram as pesquisas de intenção de voto.

 
Pela proposta original da Globo, noticiada na semana passada pelo "Painel", os demais concorrentes só apareceriam em dias alternados no "Bom Dia SP" e no "SPTV".

 
"Seria um tratamento desigual e privilegiado, o que a lei eleitoral proíbe. Não exigimos que o tempo de cada um seja cronometrado, mas é preciso haver o mínimo de equilíbrio", afirma o advogado do PT, Hélio Silveira.

 
A emissora prometeu apresentar uma proposta alternativa hoje em reunião com os principais partidos. A reportagem procurou a Globo, mas não houve resposta até a conclusão desta edição. Segundo um editor, ainda não havia decisão sobre o novo modelo a ser sugerido às siglas.


 
DEBATE

Os candidatos aceleraram a preparação para o primeiro debate na TV, dia 2, na Band. Serra foi orientado a não polarizar, mesmo quando cobrado pela gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), seu aliado. Ele defenderá o governo, mas não negará deficiências da cidade. Se apresentará como o candidato que irá resolvê-las.


 
Aliados de Russomanno dizem que ele evitará confrontos para dissipar as especulações sobre dobradinhas com Serra ou Haddad.


 
No PT, a principal preocupação é com a duração das falas de Haddad, que é considerado prolixo. Ele fez treinos de concisão para evitar respostas pela metade.

 
"Estava acostumado a dar aulas de quatro horas", brinca o petista, que promete não atacar os rivais.

 
Gabriel Chalita (PMDB) também quer adotar o figurino paz e amor, mas deve investir na associação de Serra ao desgaste de Kassab. "Não há como não criticar a prefeitura."Folha.

Serviço Secreto de FHC monitorou militantes antineoliberalismo


Documentos sigilosos do governo FHC, já desclassificados, indicam que militantes e políticos de esquerda, do Brasil e do exterior, foram monitorados pelo serviço secreto quando participavam de atividades antineoliberalismo. “Me assusta saber que um governo tido como democrático tutelou de forma ilegal pessoas que participavam de eventos pacíficos, que não representavam nenhuma ameaça à segurança nacional”, afirmou à Carta Maior o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.


Brasília - Documentos sigilosos do governo Fernando Henrique Cardoso, abertos à consulta pública no Arquivo Nacional, indicam que militantes e políticos de esquerda que participavam de seminários, encontros e fóruns contra o neoliberalismo foram monitorados pela Subsecretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), o órgão que substituiu o Serviço Nacional de Inteligência (SNI), em 1990, até a criação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), em 1999.


Como a maioria dos documentos desclassificados são os de nível reservado e se referem apenas ao período 1995-1999, não é possível precisar o grau deste monitoramento. Pela nova Lei de Acesso à Informação, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em maio, os documentos reservados são liberados decorridos cinco anos, os secretos, 15 e os ultrassecretos, os mais importantes, somente após 25 anos. Mas o acervo já disponível deixa clara a linha de atuação do serviço.


Há registros que fazem referências explícitas às informações colhidas em revistas e jornais, prática tida como recorrente no serviço que perdera status e orçamento após o fim da ditadura. Mas outros revelam espionagem direta. O seminário “Neoliberalismo e soberania”, por exemplo, promovido pela Associação Cultural José Marti, a Casa da Amizade Brasil-Cuba, no Rio de Janeiro, de 5 a 9 de setembro de 1999, foi integralmente gravado em 12 fitas cassetes, entregues ao escritório central da SAE.


Chiapas



Em julho de 1996, o serviço deu especial atenção à realização, em Chiapas, no México, do Encontro Internacional pela Humanidade e contra o Neoliberalismo. “A significativa presença internacional de ativistas de esquerda transforma a região em novo polo de atração revolucionária latinoamericana”, dizia o documento produzido pelo escritório central da SAE. Os relatórios também contêm pautas de discussões, análise de conjuntura e listas de participantes brasileiros.


O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, figura nesta lista. “Me assusta muito saber que um governo tido como democrático tutelou de forma ilegal pessoas que participavam de eventos absolutamente pacíficos, que não representavam nenhuma ameaça à segurança nacional”, afirmou à Carta Maior. Na época secretário nacional de Comunicação do PT, o ministro disse recordar-se que não divulgara sua participação no evento. “É possível até que a SAE tenha contado com o apoio de algum serviço secreto de outro país”, acrescentou.


Mesmo fazendo a ressalva de que tais procedimentos poderiam não ser de total conhecimento do presidente à época e que as informações sobre a natureza do trabalho da SAE no período ainda estão incompletas, o ministro avalia que a simples menção do nome de uma pessoa que participou de um evento democrático em documentos oficiais do serviço secreto é uma prática condenável. “O que a gente espera do serviço secreto de um governo democrático é que ele esteja atuando para defender as fronteiras do país, evitar ameaças externas, e não para monitorar pessoas que estavam lutando pelo aprimoramento da democracia”, acrescentou.


O coordenador do Projeto Memória e Verdade da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Gilney Viana, na época deputado federal pelo PT, foi outro fichado por participar do evento em Chiapas. Ex-preso político da ditadura por dez anos, ele sabia que seus passos foram ostensivamente seguidos pelos agentes secretos até a extinção do SNI, mas ficou chocado ao saber que continuou a ser alvo durante um governo democrático. “Eu até compreenderia que os Estados Unidos estivessem monitorando o evento de Chiapas, mas o serviço secreto brasileiro realmente me surpreendeu”, disse.


Belém



O II Encontro pela Humanidade e contra o Neoliberalismo mereceu atenção redobrada por ter sido realizado em território brasileiro. Mesmo as etapas preparatórias do evento, que ocorreu em Belém (PA), de 6 a 11 de dezembro de 1999, estão registradas na SAE. Um relatório antecipa a mensagem do subcomandante Marcos, do Exécito Zapatista para Libertação Nacional do México, para o evento. Há relações de participantes e descrição dos assuntos debatidos nas etapas preparatórias de pelo menos Belém, Salvador, Brasília e Macapá.

O lançamento do evento, patrocinado pela prefeitura de Belém, também foi documentado. No relatório da SAE, há a informação de que os organizadores queriam incrementar a geração de recursos por meio da venda de objetos com a logomarca do evento, a realização de shows com artistas locais bem como com as inscrições. Entre os participantes do II Encontro, estão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a filósofa Marilena Chauí, o sociólogo Chico de Oliveira e o ex-governador do Rio Leonel Brizola, além dos escritores José Saramago e Luiz Fernando Veríssimo.

Foro de São Paulo



Considerado à época o principal organismo aglutinador de partidos e entidades de esquerda do continente, o Foro de São Paulo, criado em 1990 pelo PT com o apoio do então presidente cubano Fidel Castro, também teve suas atividades amplamente monitoradas. A 6ª edição, realizada em El Salvador, em julho de 1996, está registrada em relatório sobre as atividades internacionalistas do PT.

A 7ª edição, que aconteceu em Porto Alegre (RS), em 1997, foi ainda mais espionada. O pacote de documentos realtivos ao evento inclui relatórios setoriais produzidos pelos grupos de trabalho, lista completa de presenças e até fotos dos participantes. São citadas lideranças de esquerda, nacionais e internacionais. Entre os brasileiros, o ministro Gilberto de Carvalho, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro e o deputado estadual gaúcho, Raul Pont (PT).

Em relatório específico, a SAE observou que, durante o evento, o então ex-prefeito da capital gaúcha Tarso Genro havia lançado o livro “O orçamento participativo – a experiência de Porto Alegre”, escrito em parceria com o então secretário de formação do PT, Ubiratan de Souza, classificado como “ex-militante da VPR”.

Os relatórios relativos à 8ª edição, que ocorreu no México, em 1999, registraram as presenças de vários brasileiros, como o atual líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) e do hoje assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.


Grupo do México



O 4º Encontro do Grupo do México, realizado em Santiago, no Chile, nos dias 10 e 11 de maio de 1997, foi registrado pela SAE em relatório como o “marco do surgimento de uma política que transcende a esquerda”. De acordo com o serviço secreto brasileiro, “o Grupo do México é formado por representantes de partidos de centro-esquerda e teve sua origem a partir do PNUD, com o objetivo de buscar a construção de um projeto econômico para a América Latina, alternativo aos padrões neoliberais”.

Na documentação, estão descritos os principais pontos de unidade entre os presentes e há uma lista com os nomes dos brasileiros presentes. Entre eles, o ex-presidente Lula, seus ex-ministros petistas José Dirceu e Mangabeira Unger, o ex-governador do Rio, Leonel Brizola (PDT), os ex-deputados Vivaldo Barbosa (PDT-RJ) e Zaire Resende (PMDB-MG), além de Marco Aurélio Garcia e Tarso Genro, entre outros.


Attac no Brasil



O diretor-presidente da Carta Maior, Joaquim Palhares, também foi citado em documentos da SAE, principalmente por ter sido, em 1996, ao lado do ativista Chico Whitaker, um dos fundadores no Brasil da Associação pela Tributação das Transações Financeiras para ajuda aos Cidadãos (Attac), criada na França, com o objetivo de instituir um imposto sobre transações financeiras internacionais. “Muitos militantes de esquerda ainda tinham a impressão de estarem sendo monitorados mesmo após a ditadura. Mesmo assim, a confirmação desta prática causa indignação”, afirma.

Crítica contundente da ciranda financeira de capitais voláteis alimentada pelo neoliberalismo, a Attac foi preocupação constante para a SAE. A visita ao Brasil do presidente internacional a entidade, o ativista francês e diretor do jornal Le Monde Diplomatique, Bernardo Cassen, entre 1 a 5 de março de 1999, foi acompanhada com atenção. Os relatórios do serviço informam que Cassen proferiu palestras em cinco capitais brasileiras (Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre), nas quais apresentava os objetivos da organização, traçava o histórico da crise econômica mundial, defendia a adoção da chamada Taxa Tobin para a taxação do capital especulativo internacional e exortava as plateias a lutarem contra o projeto neoliberal.

Nos documentos produzidos, também constavam os nomes dos militantes identificados nas plateias de Cassen. Do escritório da SAE em Belo Horizonte, por exemplo, chegou o informe das participações de Lula, então presidente do PT, do coordenador do MST, João Pedro Stédile, do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, do geógrafo Milton Santos e do cientista político Cezar Benjamin, entre outros. Os ex-presidente Lula tinha suas atividades relatadas pela SAE, tanto pela sua militância antineoliberalismo como por ser o principal adversário político de FHC.

Viagens a Cuba



Mesmo com o fim da guerra fria e da ditadura, as viagens de brasileiros a Cuba continuaram a ser alvo de preocupação do serviço secreto. Principalmente quando se cruzavam com a luta antineoliberal. De 21 de julho a 21 de agosto de 1996, foi realizado, em Cuba, o curso de formação sindical “Neoliberalismo e Globalização da Economia”. Informes registram a participação de brasileiros, entre eles os sindicalistas Adriano Torquato, Francisco Nascimento Araújo, José Nunes Passos e Nonato César.

Há relatório de alerta para a realização em Cuba, em 1997, do Seminário Internacional sobre o Neoliberalismo, promovido pela Federação Mundial da Juventude Democrática, com a presença de militantes do MR8. No relatório pós-evento, está relatada a participação de 1,2 mil trabalhadores de 453 organizações sindicais, políticas e acadêmicas de 63 países. Do Brasil, participaram cerca de 300 sindicalistas, incluindo representantes da CUT. Há menção detalhada dos participantes. Um informe exclusivo apontava, por exemplo, o embarque de dois vereadores de Montes Claros (MG): Aldair Fagundes (PT) e Lipa Xavier (PCdoB).


Outro informe alertava que a edição seguinte seria realizada no Brasil, em 1999. O evento, organizado pela CUT, no Rio de Janeiro, de 1 a 3 de setembro de 1999, também foi documentado pelo serviço, que apresentou os textos integrais da declaração da Federação Sindical Internacional, do discurso do delegado de Cuba, Pedro Ross Leal, do delegado da França, Freddy Huck, e a proposta da CUT, entre outros.


Atividades internacionais do MST



Em 1996, a SAE acompanhou a participação integrantes do MST no seminário “Crisis del Neoliberalismo Y Vigências de las Utopias em La America Latina”, na Argentina, entre os dias 8 e 13 de outubro. Antes do embarque dos militantes sem-terra, um informe produzido pelo escritório central já alertava sobre a viagem.

Também em 1996, o serviço registrou a participação do coordenador do MST, João Pedro Stédile, no seminário América Livre, em Buenos Aires, com Emir Sader e Frei Betto.

Atividades rotineiras



Sader é citado também por sua participação em eventos comuns, como o lançamento do livro “O século do crime”, dos jornalistas José Arbex Junior e Cláudio Tognolli, em São Paulo, no dia 7 de agosto de 1996. Conforme o relatório da SAE, os autores “enfatizaram que a proliferação e o crescimento das máfias foram estimulados pela era neoliberal”.


O mesmo ocorreu com o deputado estadual gaúcho Raul Pont (PT), monitorado tanto quando participava de eventos internacionais, como o Foro de São Paulo, quanto em atividades rotineiras. A SAE registrou, por exemplo, que em novembro de 1995, quando era vice-prefeito de Porto Alegre, Pont foi recebido por papeleiros da Associação Profetas da Ecologia, na companhia do teólogo Leonardo Boff. “Eu me lembro vagamente que visitei essa cooperativa, que tinha o apoio da prefeitura e realizava um trabalho pioneiro em reciclagem de lixo”, relatou à Carta Maior.


De acordo com o relatório da SAE, o registro do evento se deu porque Boff relacionava os problemas ambientais do planeta à adoção crescente do modelo neoliberal. “Esta foi uma das atividades mais pacíficas de que já participei. Não havia nada que indicasse perigo ao governo da época. É difícil acreditar que esse tipo de coisa ocorria no governo do príncipe da sociologia”, disse.

Estudos sobre a doutrina



Um documento produzido em 1997 pelo escritório central da SAE justifica a importância dada ao tema neoliberalismo. Conforme a interpretação dos arapongas oficiais, o neoliberalismo é a teoria econômica criada após a segunda guerra como anteparo a expansão do comunismo no mundo. Teve a Inglaterra e os EUA como seus principais defensores e caracteriza-se, basicamente, pelo livre comércio, austeridade nas contas públicas, privatização, crescimento do sistema financeiro e fortalecimento do mercado.


Os agentes da SAE se debruçavam também sobre obras relativas ao tema produzidas por intelectuais de esquerda. O professor da Universidade de Nova York, James Petras, que já tinha suas atividades monitoradas pelo SNI desde a ditadura, recebeu atenção especial.


O livro “Latin American: The left strikes”, sobre a atuação das esquerdas latinoamericanas em contraposição ao neoliberalismo e à globalização, liderados pelos Estados Unidos, foi objetivo de relatório específico, principalmente porque destacava que as esquerdas latinoamericanas já haviam encontrado uma nova e eficiente forma de atuação. Os exemplos citados na obra são o MST, no Brasil, os Zapatistas, no México, as organizações camponesas, no Paraguai, e os plantadores de coca, na Bolívia e na Colômbia. Todos eles movimentos monitorados pelo sistema.


Em 1999, a SAE voltou a dividir com todo o sistema de inteligência o conteúdo de um outro livro de Petras, o recém lançado “Neoliberalismo, América Latina, Estados Unidos e Europa”. Um documento produzido pelo escritório do Rio de Janeiro resumiu os capítulos da obra e ainda relatou atividades correlatas promovidas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Antes disso, o serviço secreto registrou a visita de Petras ao Brasil para o lançamento da obra, ocorrido em 20 de maio de 1999, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

(*) Colaborou na pesquisa histórica Rafael Santos


Carta Maior

Caso Andressa fará CPI convocar chefe da Veja

Espero que os petistas não se acovardem.Nessa eu sou Collor desde criancinha.

                      
Caso Andressa fará CPI convocar chef0e da Veja




“Está colocada a relação do jornalista com a organização criminosa”, disse o deputado Paulo Teixeira (esq.), vice-presidente da comissão; pedido para ouvir Policarpo Júnior (centro) vinha sendo defendido por Fernando Collor (dir.) e brecado pelo relator Odair Cunha (esq.); comissão também sofria pressão dos grupos de mídia Abril, Globo e Folha


A tentativa de chantagem feita por Andressa Mendonça, esposa de Carlos Cachoeira, contra o juiz Alderico Rocha Santos, deverá provocar a convocação do jornalista Policarpo Júnior, diretor de Veja em Brasília, pela CPMI do caso Cachoeira. Segundo o magistrado, Andressa disse a ele que Cachoeira encomendou um dossiê sobre sua vida ao jornalista Policarpo Júnior. “Se você soltar o Carlos, não soltamos o dossiê”, teria dito.


De acordo com o deputado Paulo Teixeira, vice-presidente da Comissão, o fato prova a relação entre o jornalista e o grupo de Cachoeira. “Com os acontecimentos, está colocada a relação do jornalista com a organização criminosa”, afirmou. “Já iremos discutir a convocação na primeira reunião da CPMI”.


 
Na edição desta segunda-feira, o Jornal Nacional noticiou a chantagem feita por Andressa, bem como seu objeto (o dossiê que seria publicado em Veja), mas omitiu o nome da revista e do jornalista.


 
No entanto, a relação entre Policarpo e Cachoeira é antiga. Num grampo, o bicheiro se vangloria de ter produzido todos os furos de reportagem publicados pelo jornalista. Isso inclui, por exemplo, o vídeo em que Maurício Marinho aparece recebendo uma propina de R$ 3 mil nos Correios – o que detonou o processo do mensalão. Em outra conversa, Cachoeira e Policarpo falam diretamente sobre como uma reportagem de Veja poderia levar à queda do então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento.


 
Na CPMI, a única voz que vinha insistindo pela convocação de Policarpo Júnior era o senador Fernando Collor (PTB/AL). No entanto, a blindagem ao jornalista foi comandada pelo relator Odair Cunha, que não colocou em votação os requerimentos pela convocação do jornalista. Além disso, dirigentes dos principais partidos políticos sofreram intensa pressão dos grupos Abril, Folha e Globo para que a CPI do caso Cachoeira não se transformasse em CPI da mídia.


Da redação, com informações de Brasil 247.

Ministério Público confirma autenticidade da lista de Furnas e denuncia parte dos envolvidos


Só faltou denunciar os tucanos corruptos, os grandes beneficiários do Esquema de Dimas Toledo.


A procuradora da República no Rio Andrea Bayão Ferreira denunciou o ex-diretor de Planejamento de Furnas, Dimas Toledo, e um grupo de empresários e políticos acusados de participarem da chamada Listas de Furnas – a caixinha de campanha clandestina que funcionou na empresa estatal durante o governo de FHC. A denúncia reúne um arsenal de documentos da Polícia Federal e da Receita Federal que, além de atestar a veracidade, comprova a existência de um "mensalão" organizado por Dimas na estatal.


De acordo com a procuradora, o mensalão de Furnas provocou o enriquecimento de funcionários públicos, empresários e lobistas, acusados de alimentarem os financiamentos ilegais de campanha políticas dos tucanos e de seus aliados com o dinheiro público. Segundo a denúncia, o esquema era custeado pelos contratos superfaturados assinados pela estatal com duas empresas : a Toshiba do Brasil e a JP Engenharia Ltda. As duas foram contratadas sem licitação pública para realizar obras no Rio . " O diretor Dimas Toledo reproduziu, em Furnas, o esquema nacional que ficou conhecido como ' mensalão' – um esquema de arrecadação de propina – na ordem de milhões, custeado mediante o superfaturamento de obras e serviços", diz a procuradora na denúncia.


A lista


A lista de Furnas, assinada pelo próprio Dimas Toledo, traz o nome de políticos que receberam doações clandestinas de campanha da empresa estatal em 2002. Entre os beneficiados estão os ex-governadores de São Paulo e de Minas Gerais, e outros 150 políticos.


Réus confessos


Os próprios executivos da Toshiba do Brasil – uma das empresas que financiavam o esquema – confirmaram a existência de um caixa dois que sustentava mesada de servidores e políticos. O superintendente Administrativo da empresa japonesa, José Csapo Talavera, afirmou, por exemplo, que os contratos de consultoria fictícios das empresas de fachada, até 2004 , eram esquentados por um esquema de "notas frias".


Escuta quente


As escutas da Polícia Federal desmentem que o lobista Nilton Monteiro teria tentando falsificar a lista. Pelo contrário. "Durante a intercepção das linhas telefônicas usadas por Nilton Monteiro, nada foi captado que indicasse a falsidade da lista, ao revés, em suas conversa telefônicas, inclusive com sua esposa, sustenta que a lista é autêntica", diz a procuradora.
Jefferson confirmou


Um dos políticos citados na lista, o ex-presidente do PTB e ex-deputado Roberto Jefferson(PTB) também confirmou à PF a veracidade do documento. De acordo com o depoimento anexado à denuncia do MP, Jefferson disse ter recebido, na campanha para deputado federal em 2002, R$ 75 mil da estatal. A grana foi entregue pelo próprio Dimas Toledo a Jefferson num escritório no centro do Rio.


Peritos


Mas a prova cabal de que a lista de Furnas é mesmo verdadeira acabou sendo fornecida por peritos da Polícia Federal. Em depoimento à PF, além de confirmarem a autenticidade da assinatura de Dimas Toledo, os peritos descartaram a possibilidade de montagem.


Chantagem


De acordo com a denúncia, a lista com o nome de políticos que receberam doações clandestinas da estatal teria sido elaborada pelo próprio Dimas Toledo, que pretendia usá-la para manter-se no cargo. O próprio diretor da estatal teria entregue o material ao lobista, que tentou l negociá-la com os adversários políticos do PSDB.


Trânsito


Dimas Toledo confirmou que o lobista tinha trânsito livre na estatal. Dimas disse ter, inclusive, marcado um encontro do lobista com o departamento jurídico da estatal.


Indiciamento


Além de Jefferson, o MPF denunciou Dimas Toledo, mas deixou de fora caciques do PSDB citados, sob o argumento de que eles são alvos específicos de uma investigação da PF e do MPF sobre os beneficiários da caixinha de campanha alimentada pela empresa estatal.FALTOU DENUNCIAR OS TUCANOS CORRUPTOS.



Vara da Fazenda


O destino de Dimas e de outros operadores de Furnas será julgado pela Vara da Fazenda do Rio. Apesar de Furnas ser uma empresa estatal, a Justiça Federal do Rio encaminhou a denuncia do MPF à Justiça Estadual Fluminense.



Enviado por Nassif

Só faltava essa:FHC, o governo mais corrupto da história do Brasil, pede que o STF ouça a opinão pública na hora de julgar o mensalão


 
 
Fernando Henrique Cardoso, no dia que saiu documentos sigilosos dando conta que seu governo perseguiu políticos de esquerda que eram contra o neoliberalismo, no dia que saiu a matéria informando que o MP denunciou parte dos envolvidos no Esquema de Furnas, publica um video pedindo que o STF ouça a opinião pública na hora que estiver julgando o mensalão.


Mas que autoridade moral tem FHC para pedir punição dos outros?

 
O Governo FHC foi o governo mais corrupto da história do Brasil.Foi no governo FHC onde ocorreram os maiores casos de roubos de dinheiro público, a começar pela privatização das teles, da Vale.O que foi roubado, via PROER( R$ 111,3 bilhões) do povo brasileiro não se encontra paralelo na história deste país.Some-se a isso, a roubalheira no antigo DNER, na SUDAM, na SUDENE. FHC comprou vários deputados para aprovar a Emenda à Reeleição, teve seu governo envolvido até a medula no escândalo do TRT, do bandido Lalau.FHC teve seu filho filho, Paulo Henrique Cardoso, denunciado pelo Ministério Público de participação no episódio de superfaturamento da construção do estande brasileiro na Feira de Hannover, em 2000.FHC recebeu R$ 500 mil reais do Valerioduto de Azeredo, conforme noticiou CartaCapital.FHC foi o único presidente réu em ação popular, pela venda lesiva da Vale do Rio Doce.FHC, junto com Bresser Pereira, arrecadou, na eleição de 1998, R$ 10 milhões de reais em caixa dois.Esquema que ficou conhecido como a Planilha de Bresser.

E veja que tudo isso ocorreu mesmo sem seu governo ter sido investigado.


Um dos primeiros gestos de FHC ao assumir a Presidência, em 1995, foi extinguir, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, instituída no governo Itamar Franco e composta por representantes da sociedade civil, que tinha como objetivo combater a corrupção. Em 2001, para impedir a instalação da CPI da Corrupção, FHC criou uma falsa Controladoria-Geral da União, que não controlava nada, órgão que se especializou em abafar denúncias.

Mas não para por aí. O governo FHC não havia o Portal da Transparência, não havia uma Polícia Federal independente, havia um Procurador Geral da República que não apurava nada contra o governo, não havia uma CGU na forma como é hoje, que é implacável com os corruptos.
A despeito de tudo isso, ainda vem esse safado pedir que o STF ouça a opinião pública na hora de julgar o mensalão.Ouvir a opinião pública, o PiG ova! O STF tem que julgar de olho nas provas dos autos.O STF não pode julgar como quer e deseja o PiG e parte da opinião pública idiotizada.



Assista ao vídeo e veja quem foi o goveeno mais corrupto da história do Brasil.

 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Reinaldo: ou juiz é parte da máfia ou Andressa tentou incriminar Veja perdendo R$ 100 mil

Será que esse cara é normal? Custo muito a acreditar.


Reinaldo: ou juiz é parte da máfia ou Andressa tentou incriminar Veja perdendo R$ 100 mil


Nos últimos dez anos, Veja e Carlos Cachoeira mantiveram estreita parceria. Diversos escândalos foram produzidos em conjunto, em dossiês preparados pelo trio formado pelo bicheiro, pelo policial Jairo Martins e pelo araponga Idalberto Matias. Portanto, a ideia de que Cachoeira tenha encomendado um dossiê contra o juiz Alderico Rocha Santos, que tem o poder de libertá-lo ou mantê-lo na prisão parece plausível. Afinal, seria apenas mais um, entre tantos outros.

Por isso mesmo, ao receber de Andressa Mendonça a insinuação de que o jornalista Policarpo Júnior, chefe de Veja em Brasília, preparara um dossiê contra ele, o juiz Alderico determinou a prisão de Andressa – e ela só foi libertada após garantir o pagamento de uma fiança de R$ 100 mil.

No entanto, segundo o blogueiro Reinaldo Azevedo, primeiro personagem da Abril a se pronunciar sobre o caso, tudo não passa de uma tramoia para colocar a revista no banco dos réus – como seria o desejo da “máfia mensaleira”. Seu texto, publicado há poucos instantes, permite duas leituras. Ou o juiz Alderico Santos faz parte dessa conspiração contra Veja ou Andressa teria bolado uma jogada para envolver a revista no escândalo e, assim, aliviar a situação do seu marido. Um estranho acordo em que ela perderia R$ 100 mil. Leia, abaixo, o texto de Reinaldo:


Faz dois dias, veio a público aquilo que deveria ser uma “bomba” contra Gilmar Mendes: uma suposta lista de gente que teria recebido propina de Marcos Valério. A estrovenga teria sido elaborada em março de 1999 e, pasmem!, assinada por Marcos Valério. Vale dizer: o empresário não só admitiria o crime — no caso, corrupção ativa — como ainda assinaria embaixo. Gilmar aparece ali, em março de 1999, como titular da AGU. Ele só foi indicado para o cargo em janeiro do ano seguinte. Na lista, também está o agora senador Delcídio Amaral (MS), um petista. Mas não um petista qualquer: foi presidente da CPMI dos Correios, que apurou uma boa parte da lambança dos mensaleiros. Em 99, ele nem havia se candidatado ainda a cargo eletivo. Por que alguém se interessaria em, digamos, comprá-lo? Isso fala sobre a seriedade da lista. A “bomba” falhou. Armada por ineptos.Já expliquei  isso aqui:Mendes, antes de ser ministro da AGU, prestou relevantes serviços ao governo Itamar e FHC.Delcidio, antes de se filiar ao PT, desempenhou cargos relevantes no governo FHC.Portanto, esse argumento tosco do comedor de bola de Cahoeira não cola.


O artefato explosivo desta segunda envolve Andressa, a mulher de Carlinhos Cachoeira, e o juiz federal Alderico Rocha Santos. A história que veio a público, se verdadeira fosse, atingiria em cheio a imagem da VEJA e do jornalista Policarpo Júnior. Mas se trata, evidentemente, de uma armação estúpida. Quem está por trás e com quais propósitos, é algo que terá de ser apurado na instância adequada. Vamos ver. A história já começa toda errada.

Segundo Rocha Santos, Andressa insistiu em falar com ele mesmo sem a presença dos seus (dela) advogados. Tanto ela fez, diz, que ele acabou concordando. Já aí, dados os antecedentes da turma, não é doutor?, está dando um primeiro mau passo. Mas ele se precaveu. Só aceitou receber Andressa na presença de uma assessora sua. Tá. Digamos. No curso do bate-papo, ela alega que tem questões pessoais a tratar, que dizia respeito à sua vida pessoal. Solicitou que a assessora saísse, com o que o doutor Rocha Santos concedeu.

O segundo mau passo — este, então, impensável. Se não me engano, e não me engano, este juiz substitui um outro, que se disse ameaçado pela quadrilha de Cachoeira. Considerando que o doutor Rocha Santos não é consultor sentimental, não é conselheiro matrimonial nem pertence à Vara da Família, o que Andressa teria a lhe dizer ou informar que não devesse ser feito pelos trâmites normais? Àquela altura, tudo ali era anormal. Ele tem fama de rigoroso, e nada sei que o desabone. Nesse caso, o procedimento não foi o melhor, certo?



Segundo a versão do juiz, ela então lhe disse que Cachoeira teria contratado Policarpo, da VEJA, para fazer um dossiê contra ele. Caso seu marido não fosse beneficiado por um habeas corpus, o dossiê seria tornado público. É mesmo, é?


Vamos ver…




Numa história que começou toda errada e continuou no erro, o desfecho não poderia mesmo ser grande coisa. O juiz oferece, como evidência de que Andressa esteve com ele e fez a chantagem, imagens de sua presença no prédio da Justiça Federal e um papel em que ela escreveu três nomes que o implicariam em coisas suspeitas. Encaminhou na quinta-feira um relato do que teria acontecido ao Ministério Público. A mulher de Cachoeira prestou depoimento à PF e terá de pagar fiança de R$ 100 mil; caso contrário, pode ter a prisão preventiva decretada.

O papel dos safados é mesmo tentar manchar a reputação das pessoas honradas. Acompanhamos, desde o início da CPI do Cachoeira, as sem-vergonhices que se tentaram contra VEJA, em particular contra Policarpo. Quem não se lembra das supostas 200 ligações havidas entre o jornalista e o bicheiro? Eram duas… Ainda que fossem 2 mil, elas provariam o quê? Provado está, dada a transcrição das gravações, que lá estava um jornalista em busca de informação.


Digo, pois, com alguma ironia, que os vagabundos cumprem o seu papel ao acusar a revista e seu jornalista de conspirações dessa natureza, mas abusam da estupidez dos que lhes dão crédito ao inferir, então, que ambos são idiotas. Por óbvio, nem um nem outro se dariam a tal desfrute. Mas digamos que sim; digamos que essa fosse a ética vigente por aqui. Só tomados por rematada imbecilidade VEJA e Policarpo correriam esse risco, dado o ambiente intoxicado.

Não, não! Eles sabem que revista e profissional são decentes e não fazem esse tipo de jogo sujo. Sabem também que não estão lidando com idiotas. Mas apostam, sim, tudo na ignorância daqueles que lhes dão crédito. VEJA já deu início aos devidos procedimentos legais. O chiqueiro financiado por dinheiro público, no entanto, faz a festa e se encarrega de tratar a história como se verdade fosse.

Quem e o quê estão por trás disso? Qual é a hipótese?



Começo pelo “quê”. É evidente que se trata de mais um passo na inútil tentativa da canalha de atacar a VEJA. O resultado tem sido contraproducente. Mais eles batem e rosnam ,mais a revista e produtos jornalísticos a ela associados se consolidam como referência de milhões de pessoas. Não se conformam.


Não posso dizer com certeza de “quem” é a mão que balança o berço. Posso, no máximo, estabelecer alguns caminhos lógicos. Descarto, por exemplo, que Dona Andressa tenha tido só uma ideia infeliz: “Vou lá, chantageio o juiz, uso o nome da VEJA, ele fica com medo e faz o que eu quero. E vou fazer isso sozinha”. Não, acho que não! Até porque a moça é formada em direito. Pode não ser uma “jurista”, mas idiota não é.

Vamos cuidar aqui de uma hipótese, e tenho o direito de levantar algumas. Tudo tendo ocorrido como relata o juiz, não estaria querendo Andressa provocar justamente o efeito que provocou? Poderia alguém, com pleno conhecimento da parte pantanosa da Justiça e da Polícia, ter convencido o senhor Cachoeira de que o preço de uma aliviada na situação é botar VEJA na linha de tiro? Não sei se foi assim; não estou dizendo que tenha sido assim, mas sustento que se trata de algo absolutamente plausível. Afinal, como diz a canalha mensaleira (sim, ela mesma!), “VEJA tem de ir para o banco dos réus”. A revista incomoda os candidatos a tiranetes do Brasil.


Sou lógico



Sou uma pessoa lógica. Tenho claro que nada disso estaria acontecendo sem os dois maus passos dados pelo juiz Rocha Santos. Na presença de seus advogados, certamente Andressa não faria o que fez. Acho que o doutor Márcio Thomaz Bastos, que defende Cachoeira, não endossa esses procedimentos. Ou estou enganado? Também não teria acontecido se a assessora do meritíssimo tivesse testemunhado toda a conversa. Se tudo aconteceu como o relatado, foi a conveniência de um encontro privado que permitiu o assédio e a divulgação de uma mentira asquerosa.

VEJA vai cobrar na Justiça o agravo. É o que lhe cabe fazer. E vai continuar a noticiar o que tem de ser noticiado. No sábado, houve a tentativa de intimidar um ministro do Supremo; na segunda, um ataque à revista. Comecei a contagem regressiva para que surja uma “bomba” contra o procurador-geral. E assim vai.

O país está sendo assombrado por uma máfia. Denunciá-la, combatê-la e condená-la — viram, senhores ministros do Supremo? — é um dever moral, ético e legal.Que força tem esse vagabundo  para influenciar os votos dos ministros do STF?





Da redação, com informações do Brasil 247 e do Facebook


Veja faz jogo de empurra no escândalo Andressa

                      
Veja faz jogo de empurra no escândalo Andressa


Agência Brasil procura sucursal de Veja em Brasília sobre possível encomenda de dossiê a chefe Policarpo Jr. contra juiz federal; Andressa Mendonça tentou chantageá-lo usando essa informação; Veja Brasília respondeu que o assunto era com Veja São Paulo, dirigida por Eurípedes Alcântar (à dir.); Veja São Paulo botou na conta do Departamento Jurídico da Abril, presidida por Fábio Barbosa (à esq.), que avisou nada ter a declarar; 247 e O Globo igualmente tentaram ouvir a Abril, mas não houve resposta; quem cala, consente?

A julgar pelo ditado popular, Veja é culpada da acusação de ter produzido, por meio do jornalista Policarpo Jr., diretor da sucursal da revista em Brasília, um dossiê com informações negativas sobre o juiz federal Alderico Rocha Santos ou, ao menos, parece ter algo a esconder. A revista, em especial, e a editora Abril, como responsável pela publicação, foram procurados hoje por alguns dos mais importantes veículos de comunicação do País, entre eles 247, O Globo e a Agência Brasil. A intenção comum era saber se tem mesmo fundo de verdade a ameaça que teria sido feita pela mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, contra o juiz, que fica em Goiânia e é o titular do inquérito aberto com acusações contra o contraventor. Ela o procurou para informar da existência de um dossiê, que teria sido produzido por Policarpo a pedido de Cachoeira, no qual constariam informações negativas sobre o juiz. Caso Rocha Santos atuasse pela libertação de Cachoeira, conforme teria dito Andressa a ele, a publicação do dossiê nas páginas de Veja seria evitada.
Apesar da forte demanda por um esclarecimento, Veja e a Editora Abril optaram, até às 18h50, pelo silêncio. A atitude causou estranhamento, uma vez que a publicação e pródiga em requerer informações de suas fontes e costuma fazer fortes cobranças sobre suas solicitações. Agora, no entanto, em sua vez de se posicionar, Veja, dirigida pelo jornalista Eurípedes Alcântara, e a Abril, presidida pelo ex-banqueiro Fábio Barbosa, optaram por uma postura diversa.


Abaixo, notícia distribuída pela Agência Brasil a respeito:


Luciana Lima - Repórter da Agência Brasil - Brasília – Na decisão judicial que determinou buscas e o comparecimento de Andressa Mendonça à Polícia Federal hoje (30) em Goiânia, o juiz Mark Yshida Brandão diz que ela usaria como objeto de chantagem um suposto dossiê que seria publicado pelo jornalista Policarpo Júnior, diretor da sucursal da revista Veja em Brasília.


De acordo com o juiz, nesse dossiê, haveria "informações desfavoráveis" ao juiz Alderico Rocha Santos, titular do inquérito que apura as denúncias contra o empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido Carlinhos Cachoeira, marido de Andressa.


"Narra o magistrado [Alderico Santos] que a requerida [Andressa] noticiou a existência de um dossiê contendo informações desfavoráveis a ele, que seria publicado pelo repórter Policarpo na revista Veja, mas que ela poderia evitar a publicação. Para tal, bastaria que o juiz federal concedesse liberdade ao réu Carlos Augusto de Almeida Ramos e o absolvesse das acusações ofertadas pelo Ministério Público", destaca o texto do juiz Mark Brandão, diretor do Foro da Seção Judiciária de Goiás, durante o plantão judiciário no domingo (29).


Brandão considerou que Andressa teria oferecido ao juiz como vantagem indevida a "ingerência com o jornalista para evitar publicação de dossiê contendo fatos ligados à vida do magistrado".


Hoje de manhã, Andressa foi conduzida de forma coercitiva à sede da Polícia Federal, onde chegou às 9h30. Ela deixou a sede da corporação em Goiânia às 12h15. Durante o depoimento, ela permaneceu em silêncio. De acordo com informações da Polícia Federal, Andressa terá de pagar fiança de R$ 100 mil e está proibida de se comunicar com qualquer investigado no processo, inclusive seu marido.


A Agência Brasil entrou em contato com a redação da revista Veja em Brasília e foi informada que o assunto estava sendo tratado pela redação de São Paulo. Em contato com a redação de São Paulo, a Agência Brasil foi orientada a procurar o Departamento Jurídico da revista. Em São Paulo, o Departamento Jurídico disse que nada tem a declarar sobre o assunto.Brasil247

MPF acredita que Andressa Mendonça é mensageira do grupo de Cachoeira


O Grupo de Cachoeira é integrado por Andressa Mendonça, Policarpo Quaresma,  Demóstenes Torres, Marconi Perillo, Antônio Carlos Leréia. A pergunta que não quer calar:será que os deputados da CPMI do Cachoeira vão ter colhões para ouvir Policarpo e Civita?


 
"Os procuradores do Ministério Público Federal em Goiás Léa Batista de Oliveira e Daniel de Resende Salgado, responsáveis por analisar os resultados da operação Monte Carlo, da Polícia Federal, acreditam que Andressa Mendonça, mulher de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, seria mensageira do grupo criminoso chefiado pelo bicheiro. Ainda segundo o MPF, ela traria informações dos encontros que mantém com o contraventor no presídio e abasteceria as ações da organização criminosa.

Investigado pela operação Monte Carlo, Cachoeira está preso desde fevereiro deste ano e é apontado como o líder de uma organização criminosa de jogos ilegais que teria atuação em órgãos públicos e privados.
Andressa foi conduzida à Polícia Federal na manhã desta segunda-feira (30) para prestar depoimento, suspeita de ter chantageado o juiz federal responsável pelo processo que julga Cachoeira e outros sete réus, Alderico Rocha Santos, na tentativa de obter a liberdade do companheiro e ainda tentar livrá-lo de uma possível condenação.


 
“Isso demonstra que a organização criminosa continua em ação”, afirmou Salgado em entrevista coletiva. Segundo ele, o grupo é “ousado” e tem um “claro parâmetro mafioso”, sendo a chantagem um dos mecanismos de intimidação às autoridades envolvidas nas investigações e futuros julgamentos.


 
Dois inquéritos foram instalados na Polícia Federal a pedido do MPF: um para investigar os bens em nome de Andressa e outro sobre a suposta tentativa de corrupção. A procuradora Léa Batista, que também foi ameaçada pela atuação no processo, disse que desde a semana passada o MPF já vinha investigando a atuação de Andressa como “laranja” dos negócios ilícitos de Cachoeira.

  

A procuradora destacou que a mulher de Cachoeira pode ser um “braço do grupo criminoso”, destacando a possibilidade de a investigada não se limitar a transmitir recados de Cachoeira, mas sim integrar a rede de negócios ilícitos envolvendo jogos ilegais. Ela também se comunicaria com outros integrantes do esquema a mando do bicheiro.


“A ousadia da companheira de Carlinhos Cachoeira ao chantagear e ofertar vantagem ao juiz federal, somada às galhofas observadas durante a audiência, mostra o desprezo e a afronta de Carlos Augusto de Almeida Ramos e de pessoas ligadas ao capo do grupo criminoso aos órgãos de persecução e ao Poder Judiciário”, completaram os procuradores.

“Existem provas documentais de que ela [Andressa] teria ameaçado o magistrado, como um bilhete com o nome de algumas pessoas relacionadas a ele.” Não há indícios de que os nomes citados tenham relação com a organização criminosa, por isso não serão alvo de investigação.


Medidas judiciais



Andressa Mendonça está impedida de ter contato, de qualquer espécie, com Carlinhos Cachoeira no presídio da Papuda, no Distrito Federal, onde ele está detido. Uma ordem judicial já foi expedida para que a direção do local tome todas as providências cabíveis.


Outra atitude foi afastar a investigada das dependências da Justiça Federal, onde ela teve o encontro que resultou nas chantagens contra o juiz Alderico Rocha Santos. A mulher de Cachoeira terá que pegar fiança de R$ 100 mil para que ela não seja presa pelo crime de corrupção ativa. O valor deve ser pago em até três dias. O procurador ironizou que a quantia equivale a apenas um quinto do que ela teria gastado para decorar a casa onde mora em um condomínio de luxo em Goiânia.



 O MPF ainda tenta, em fase recursal, restabelecer a prisão dos réus da operação Monte Carlo que foram soltos. De acordo com os procuradores, não há novas provas que possam resultar na prisão, por isso tentam nos tribunais superiores a revogação das medidas que colocaram em liberdade Lenine Araújo de Souza, José Olimpio de Queiroga Neto, Raimundo Washington de Souza Queiroga, Geovani Pereira da Silva, Idalberto Matias de Araújo e Wladimir Garcêz Henrique –todos réus que respondem a processo por suposto envolvimento no esquema.


 Chantagem



Na quinta-feira, o juiz Alderico Rocha Santos comunicou ao Ministério Público Federal que Andressa o procurou em sua sala para pedir que revogasse a prisão de Cachoeira e o absolvesse. Segundo o juiz, nesse encontro Andressa teria noticiado a existência de um dossiê com informações contra ele, que seria publicado pela revista "Veja". Andressa teria dito que poderia evitar a publicação do dossiê caso o juiz absolvesse Cachoeira e permitisse sua liberdade.


O juiz encaminhou ao MPF vídeos com imagens da entrada e saída de Andressa do prédio da Justiça Federal em Goiânia, além de um bilhete manuscrito com anotações dela, contendo nomes de pessoas que estariam supostamente vinculadas ao juiz.

 

Depois, o MPF fez uma representação à Justiça pedindo a prisão preventiva de Andressa e uma busca e apreensão em sua casa. O juiz Mark Brandão considerou que há "indícios de cometimento de corrupção ativa", pois Andressa "procurou diretamente o magistrado para lhe oferecer vantagem indevida".Faltou pedir a prisão de Policarpo Jr.


"A gravidade dos fatos noticiados, decorrente da ousadia e destemor demonstrados pela requerida ao tentar intimidar e chantagear o juiz federal encarregado da condução do processo pertinente à operação Monte Carlo, por si só, exige a imediata aplicação de medida capaz de obstar novas incursões da requerida e proteger o juiz federal Anderico Rocha Santos de qualquer tentativa de intimidação", diz a decisão.


Santos assumiu o processo da Monte Carlo depois que o juiz Paulo Moreira Lima foi ameaçado e pediu para deixar o caso.


Processo



Carlinhos Cachoeira é acusado de chefiar uma quadrilha que comandava jogos ilegais, principalmente em Goiás, e de usar de influência com parlamentares, como o ex-senador Demóstenes Torres, para manipular licitações e facilitar a entrada de empresas supostamente ligadas a ele e outros aliados nos governos do Distrito Federal, Rio de Janeiro e Goiás.


Durante audiência judicial sobre o caso, na última quarta-feira (25) em Goiânia, Cachoeira não comentou as acusações, mas fez declarações de amor a Andressa. Cachoeira disse que seu sofrimento é muito grande e, virando em direção a sua mulher, que estava na plateia, afirmou: "aquela mulher mudou a minha vida". E completou: "Eu te amo".


Andressa respondeu que também o amava. Quando questionado pelo juiz se era casado, disse que era uma pergunta difícil, porque não era casado oficialmente. "Só o Ministério Público me liberar. No primeiro dia, tá?", disse, olhando para Andressa. "Essa declaração eu queria fazer em público", completou. (Com agências Estado e Valor Online)

Ministério Público Federal vai dar entrevista coletiva sobre o dossiê Veja-Policarpo



Após a repercussão de suas declarações ao portal G1 sobre a suposta chantagem contra ele feita por Andressa Mendonça, mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira, o juiz federal Alderico Rocha Santos informou por meio de seu gabinete que não vai mais falar com a imprensa sobre o caso. A orientação é dizer que o Ministério Público Federal em Goiânia está montando uma coletiva de imprensa ainda nesta tarde para passar informações do episódio, o que pode trazer novidades.


A polêmica começou quando o magistrado, responsável pelo processo da Operação Monte Carlo da Polícia Federal – que resultou na prisão do bicheiro -, afirmou que Mendonça pediu um alvará de soltura a Cachoeira para evitar a publicação de um dossiê contra o juiz. Segundo Santos, Andressa disse que o bicheiro usaria documento contra o magistrado para produzir um dossiê com a ajuda do jornalista Policarpo Júnior, repórter da sucursal da revista Veja em Brasília. A revista disse que estuda processar “o autor desta calúnia”.


Mendonça foi interrogada nesta segunda-feira por três horas na Superintendência da PF em Goiânia. Ela permaneceu em silêncio e foi liberada às 12h15 sob a condição de pagar 100 mil reais em dinheiro em três dias como fiança. Caso descumpra a ordem, será emitido um mandado de prisão preventiva.

A chantagem, se confirmada, pode levar a mulher do contraventor à prisão por até 12 anos por corrupção ativa. Por enquanto, ela não pode ter contato com nenhum dos acusados da Operação Monte Carlo, o que inclui seu marido.


A decisão do juiz federal Mark Yshida, também responsável pelo mandado de condução coerciva de Andressa à PF, inclui uma busca e apreensão em sua residência. Essa ação ocorreu às 7 horas da manhã no condomínio Alphaville, onde Cachoeira foi preso, mas não na mesma casa. Foram apreendidos dois computadores, iPads, um celular e documentos manuscritos.


Ao G1 Santos disse ter recebido Mendonça na quinta-feira 26 em uma sala com uma assistente. A mulher de Cachoeira insistiu para que a funcionária deixasse a sala porque queria falar de questões pessoais. Quando já estavam a sós, ela disse ao juiz sobre o dossiê.


O magistrado também afirma ter encaminhado ao Ministério Público um papel com nomes de pessoas escritos por Andressa com quem o juiz teria sido fotografado: o ex-governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB) cassado em setembro de 2009 por suspeita de abuso de poder politico nas eleições de 2006, um fazendeiro do Tocantins e Pará chamado Maranhense e um amigo de infância do juiz conhecido como Luiz, que responderia a processo por trabalho escravo. Ele também encaminhou as imagens da entrada e saída da mulher do prédio da Justiça Federal.


Santos assumiu o caso depois que o juiz Paulo Augusto Moreira Lima pediu para deixar o processo por sofrer ameaças.CartaCapital