Marcos Coimbra - Marcos Coimbra
Correio Braziliense - 18/05/2011
Nos últimos 20 anos, o PT virou um partido grande e, para muitas pessoas, um grande partido. O que fizeram tucanos e companheiros nesse período? O que estão fazendo agora? Muita coisa pode ter lhes faltado, mas não o tempo
Sociólogo e Presidente do Instituto Vox Populi
Todo mundo sabe que nunca houve, em nossa história, um partido como o PT. Isso quer dizer que nunca haverá outro igual?
É certo que, idêntico a ele, não teremos nenhum, pois as condições de seu surgimento e consolidação foram únicas e não se repetirão. Como ensinavam os clássicos, os fatos históricos, quando acontecem pela segunda vez, tornam-se farsa.
Daí não se deduz, no entanto, que partidos políticos com alguma semelhança com o PT sejam impossíveis no Brasil. Por que teriam que ser?
É tradicional, na ciência política, a distinção entre partidos “de quadros” e “de massas”, defendida, no início dos anos 1950, por Maurice Duverger. Embora longe de ser exaustiva, é uma classificação que ajuda a entender os tipos mais relevantes de partidos que existem nas democracias.
Para ele, os partidos de quadros apareceram antes. Formaram-se a partir da reunião de pessoas ilustres, que compartilhavam opiniões e se dispunham a atuar em conjunto na vida política. Enquanto as instituições democráticas modernas, como o sufrágio universal, ainda engatinhavam, eles articulavam individualidades, mas de forma tênue. Sua organização era incipiente, cobravam pouco em termos disciplinares e não eram homogêneos na ideologia.
Caracteristicamente, valorizavam a qualidade e não a quantidade de afiliados. O típico partido de quadros decidia en petit comité, em volta de uma mesa (de preferência tomando um bom vinho), deliberando com calma, sem a presença perturbadora das multidões. Neles, “militantes” são figuras retóricas.
Os partidos liberais e conservadores, mundo afora, costumam ser desse tipo. Sua burocracia é irrelevante e serve apenas para assessorar os notáveis. Não existe uma “máquina partidária” que faça exigências.
Partidos de massa, para Duverger, vieram mais tarde, especialmente a partir da expansão do sindicalismo, fenômeno característico do fim do século 19. Eles nasceram quando grandes contingentes da população perceberam que só conseguiriam atingir metas comuns e alcançar reivindicações por meio da participação política estruturada. Cresceram com a força da militância.
Seu próprio tamanho fez com que tivessem que ser mais organizados, disciplinados e coesos. Pelas mesmas razões, precisavam de burocracias internas, para fazer funcionar a “máquina” e se dedicar às tarefas de proselitismo e recrutamento de filiados. O tamanho não era tudo, mas era essencial. Tomavam suas decisões em convenções, nas quais as maiorias tinham que ser (às vezes duramente) construídas.
Não é difícil reconhecer nossos partidos atuais nesses tipos. Na verdade, salvo exceções menores (de legendas que pretendiam ser de massas e que sequer chegaram a ser de quadros, como a quase totalidade dos “nanicos”), o que temos é uma ampla oferta de organizações partidárias de notáveis (ou pseudonotáveis) e uma só de massas.
Ser um partido de massas, em sentido muito próximo do literal, pode não ser a única razão de seu sucesso. Mas o completo desenraizamento das siglas da oposição, a começar pelo PSDB, é, com certeza, uma das causas de suas dificuldades.
Curiosamente, os primeiros estão em dificuldades (salvo os poucos em que o sistema político enxerga haver lideranças emergentes significativas, como o PSB de Eduardo Campos) e o único partido de massas vai bem. Depois de ocupar a Presidência três vezes, crescer no Legislativo e mostrar que tem cacife para ficar mais tempo no poder, o PT esbanja saúde aos 30 anos.
O que fizeram tucanos e companheiros nos últimos oito anos para mudar a situação? O que tinham feito nos oito em que foram governo? O que estão fazendo agora? Muita coisa pode ter lhes faltado, mas não o tempo. Nos mesmos 20 anos, o PT virou um partido grande e, para muitas pessoas, um grande partido.
Hoje, na oposição, as discussões são travadas entre opiniões pessoais, na base do “eu acho isso” e “eu acho aquilo”. É assim que encontrarão o Brasil sem voz, que Fernando Henrique quer representar? É possível que o PSDB nunca venha a ser um legítimo partido de massas, mas está na hora de deixar de ser uma legenda de quadros tão limitada.

Tomara que essa imprensa maldita acabe com esse governo imundo da Dilma. Mulher cínica e traidora.
ResponderExcluirFORA DIMATRAÍRA. PILANTRA.