Estatais investiram R$ 53 bilhões em 2008; maior valor desde 1995
O Ministério do Planejamento divulgou o balanço final dos investimentos (execução de obras e compra de equipamentos) realizados pelas empresas estatais em 2008. Os números apresentados esta semana mostram que a crise financeira mundial, que começou a afetar a economia brasileira no fim do ano passado, não atrapalhou a aplicação recorde dessas entidades no acumulado do exercício. O montante desembolsado em 2008 foi o maior dos últimos 14 anos (veja série histórica). Desde pelo menos 1995 (em valores atualizados), as entidades públicas não aplicavam tanto em investimento. Foram cerca de R$ 53,2 bilhões desembolsados no ano passado, quantia 20% superior à de 2007, quando a marca registrada também já havia sido a maior no mesmo período.
Os investimentos das estatais representaram, inclusive, o dobro dos realizados pela União em 2008 (R$ 26,1 bilhões), que inclui obras e projetos tocados pelo governo federal, incluindo o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Do montante global investido pelas empresas públicas, cerca de 82% foi financiado com recursos de geração própria. Apenas o grupo Petrobras, que possui 24 entidades vinculadas, foi responsável por R$ 46,9 bilhões investidos, ou seja, 88% da quantia total aplicada pelas 72 estatais (incluindo as entidades ligadas ao grupo Petrobras) que tiveram programação de dispêndios aprovada no orçamento 2008. O setor de energia, o mais beneficiado com recursos dos investimentos, recebeu ao todo R$ 50,6 bilhões no ano passado.
O ritmo de investimentos da maior estatal brasileira deve persistir. Há duas semanas, a Petrobras anunciou seu plano de investimentos para o período de 2009 e 2013, com previsão de US$ 174,4 bilhões, cerca de R$ 400 bilhões. Já no orçamento global aprovado para 2009, estão previstos para as estatais brasileiras R$ 79,3 bilhões para investimentos.
Apesar do recorde, a verba investida pelas estatais em 2008 representou menos de 80% da dotação anual prevista em orçamento (R$ 67,3 bilhões). De um total de 700 projetos e atividades, 135 não saíram do papel. As estatais ligadas ao Ministério da Defesa (Infraero - Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária e IMBEL - Indústria de Material Bélico do Brasil) tiveram um dos piores desempenhos orçamentários. Dos R$ 2,2 bilhões previstos (terceira maior quantia autorizada para as pastas), apenas R$ 376,9 milhões foram efetivamente aplicados, ou seja, 17% do total.
Para o economista Paulo Brasil, vice-presidente do Sindicato dos Economistas do estado de São Paulo, os investimentos realizados pelas estatais são fundamentais para combater a crise financeira mundial, pois diminui os seus efeitos e busca, “mesmo que timidamente”, uma situação de crescimento enquanto a economia mundial se retrai. “Se as decisões a serem tomadas resultarem em efeitos positivos, a economia brasileira dará um grande passo para se consolidar ainda mais no ranking das economias mundiais”, afirma.
Segundo Paulo Brasil, em razão de uma política mais austera e mais regulamentada, os efeitos da crise na economia brasileira são menores do que nos países de primeiro mundo. “Porém, seus efeitos começaram no final de 2008 e se intensificarão ao longo do ano de 2009 no Brasil. Em cenários de crise, é fundamental que o governo assuma a função de ser o incentivador da economia, destinando parte significativa de sua arrecadação a investimentos”, acredita.
O economista explica que os efeitos da crise em relação aos recursos gerenciados pelo governo têm lapso temporal diferente dos demais, pois a arrecadação originada de taxas e impostos é resultado de fatos já ocorridos. “Ainda no final do exercício de 2008, houve constantes recordes de arrecadação. De certa forma, isso esclarece o porquê do ritmo dos investimentos não terem sido afetados imediatamente após o estouro da bolha. O governo manteve a sua meta, de forma correta, em manter o ritmo de investimentos a que se propôs, diga-se de passagem, ainda muito aquém do que a economia necessita para se fortalecer e crescer no mesmo ritmo de outras economias emergentes tais como a China e a Índia”, destaca.
Em relação à execução orçamentária de 79% nos investimentos das estatais em 2008, Paulo Brasil acredita que o resultado, aquém do ideal, é resultado da morosidade de utilização dos recursos por possíveis excessos de burocracia ou ineficácia na conclusão dos processos licitatórios e de execução das obras. “Tanto os processos licitatórios como as demais etapas de conclusão de uma despesa não se atêm ao princípio da eficiência e eficácia dos gastos públicos”, explica.
Para este ano, Paulo Brasil acredita que o ritmo de investimentos do governo poderá ser afetado pela crise. “Diversos economistas e entidades especializadas já projetam uma desaceleração do ritmo de crescimento da nossa economia, o que tem repercussão direta e imediata no nível de arrecadação. Vale ressaltar também que o governo se comprometeu de forma significativa com o custeio da máquina administrativa, principalmente com gastos com pessoal em função da reestruturação de diversas carreiras públicas”, lembra.
Leandro Kleber
Do Contas Abertas
O Ministério do Planejamento divulgou o balanço final dos investimentos (execução de obras e compra de equipamentos) realizados pelas empresas estatais em 2008. Os números apresentados esta semana mostram que a crise financeira mundial, que começou a afetar a economia brasileira no fim do ano passado, não atrapalhou a aplicação recorde dessas entidades no acumulado do exercício. O montante desembolsado em 2008 foi o maior dos últimos 14 anos (veja série histórica). Desde pelo menos 1995 (em valores atualizados), as entidades públicas não aplicavam tanto em investimento. Foram cerca de R$ 53,2 bilhões desembolsados no ano passado, quantia 20% superior à de 2007, quando a marca registrada também já havia sido a maior no mesmo período.
Os investimentos das estatais representaram, inclusive, o dobro dos realizados pela União em 2008 (R$ 26,1 bilhões), que inclui obras e projetos tocados pelo governo federal, incluindo o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Do montante global investido pelas empresas públicas, cerca de 82% foi financiado com recursos de geração própria. Apenas o grupo Petrobras, que possui 24 entidades vinculadas, foi responsável por R$ 46,9 bilhões investidos, ou seja, 88% da quantia total aplicada pelas 72 estatais (incluindo as entidades ligadas ao grupo Petrobras) que tiveram programação de dispêndios aprovada no orçamento 2008. O setor de energia, o mais beneficiado com recursos dos investimentos, recebeu ao todo R$ 50,6 bilhões no ano passado.
O ritmo de investimentos da maior estatal brasileira deve persistir. Há duas semanas, a Petrobras anunciou seu plano de investimentos para o período de 2009 e 2013, com previsão de US$ 174,4 bilhões, cerca de R$ 400 bilhões. Já no orçamento global aprovado para 2009, estão previstos para as estatais brasileiras R$ 79,3 bilhões para investimentos.
Apesar do recorde, a verba investida pelas estatais em 2008 representou menos de 80% da dotação anual prevista em orçamento (R$ 67,3 bilhões). De um total de 700 projetos e atividades, 135 não saíram do papel. As estatais ligadas ao Ministério da Defesa (Infraero - Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária e IMBEL - Indústria de Material Bélico do Brasil) tiveram um dos piores desempenhos orçamentários. Dos R$ 2,2 bilhões previstos (terceira maior quantia autorizada para as pastas), apenas R$ 376,9 milhões foram efetivamente aplicados, ou seja, 17% do total.
Para o economista Paulo Brasil, vice-presidente do Sindicato dos Economistas do estado de São Paulo, os investimentos realizados pelas estatais são fundamentais para combater a crise financeira mundial, pois diminui os seus efeitos e busca, “mesmo que timidamente”, uma situação de crescimento enquanto a economia mundial se retrai. “Se as decisões a serem tomadas resultarem em efeitos positivos, a economia brasileira dará um grande passo para se consolidar ainda mais no ranking das economias mundiais”, afirma.
Segundo Paulo Brasil, em razão de uma política mais austera e mais regulamentada, os efeitos da crise na economia brasileira são menores do que nos países de primeiro mundo. “Porém, seus efeitos começaram no final de 2008 e se intensificarão ao longo do ano de 2009 no Brasil. Em cenários de crise, é fundamental que o governo assuma a função de ser o incentivador da economia, destinando parte significativa de sua arrecadação a investimentos”, acredita.
O economista explica que os efeitos da crise em relação aos recursos gerenciados pelo governo têm lapso temporal diferente dos demais, pois a arrecadação originada de taxas e impostos é resultado de fatos já ocorridos. “Ainda no final do exercício de 2008, houve constantes recordes de arrecadação. De certa forma, isso esclarece o porquê do ritmo dos investimentos não terem sido afetados imediatamente após o estouro da bolha. O governo manteve a sua meta, de forma correta, em manter o ritmo de investimentos a que se propôs, diga-se de passagem, ainda muito aquém do que a economia necessita para se fortalecer e crescer no mesmo ritmo de outras economias emergentes tais como a China e a Índia”, destaca.
Em relação à execução orçamentária de 79% nos investimentos das estatais em 2008, Paulo Brasil acredita que o resultado, aquém do ideal, é resultado da morosidade de utilização dos recursos por possíveis excessos de burocracia ou ineficácia na conclusão dos processos licitatórios e de execução das obras. “Tanto os processos licitatórios como as demais etapas de conclusão de uma despesa não se atêm ao princípio da eficiência e eficácia dos gastos públicos”, explica.
Para este ano, Paulo Brasil acredita que o ritmo de investimentos do governo poderá ser afetado pela crise. “Diversos economistas e entidades especializadas já projetam uma desaceleração do ritmo de crescimento da nossa economia, o que tem repercussão direta e imediata no nível de arrecadação. Vale ressaltar também que o governo se comprometeu de forma significativa com o custeio da máquina administrativa, principalmente com gastos com pessoal em função da reestruturação de diversas carreiras públicas”, lembra.
Leandro Kleber
Do Contas Abertas
ÔÔÔÔ Terrorzinho...
ResponderExcluirPor que agora vc só fala nessa mula sem cabeça que ninguem deve acreditar?
Essa tal de crise não existe! É tudo invenção do PIG!
Se for pra ficar lendo essas coisas vou pra folha de São Paulo, aquele Diário Oficial do Serra...
PS- Parece que não estás fazendo a tarefinha de casa.
Lembre-se: Todos os dias, EM JEJUM, perfilhar-se frente ao retrato dele e repetir pelo menos três vezes: "Não há crise! Não há crise! Não há crise!".