sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Atílio Boron: Censura no Facebook

Há alguns dias cometi um "erro imperdoável": criticar asperamente a secretária de Estado Hillary Clinton quando, diante do quinto assassinato de um cientista iraniano, limitou-se a encolher os ombros e dizer que isso era o resultado das provocações de Teerã ao negar-se a suspender o seu programa nuclear.



por Atilio A. Boron



           Iniciativas como a SOPA e a PIPA são tentativas de legalizar o que já estão fazendo

Disse então, e repito agora, que a Clinton é "o elo perdido entre as aves carniceiras e a espécie humana", recordando a sua gargalhada quando lhe comunicaram o linchamento de Kadafi. Mas o meu "erro" foi colocar essa opinião no Facebook: "poucas horas depois foi-me proibido o acesso à minha conta e a ter contacto com os meus mais de sete mil seguidores. O que se seguiu depois é uma história kafkiana, ainda não concluída, para tentar recuperar o acesso à minha conta.

Toda classe de truques e obstáculos foram levantados e ainda hoje, quinta-feira 19 de Janeiro, quase três dias depois do incidente, não pude tornar a utilizar a minha conta. Para cúmulo, jamais pude ter contacto com pessoa alguma do Facebook e todas as perguntas que podia fazer eram estereotipadas e obtinha, de um robot, respostas igualmente estúpidas e estereotipadas. Nenhuma respondia à pergunta crucial: por que me haviam bloqueado o acesso à minha conta do Facebook?

A conclusão de tudo isto é algo que já sabia e que venho dizendo desde há longos anos, em contraposição a ilustres sociólogos e analistas que dizem tontices tais como "a rede é o universo da liberdade, não há centro, não há controle, é democracia em grau superlativo". Estes teóricos da resignação e do desalento parecem ignorar que a web está super controlada – não que vá estar e sim que já está, de fato – e as infames iniciativas legislativas estado-unidenses como a SOPA e a PIPA não são senão tentativas de legalizar o que já estão fazendo.

Como também venho dizendo há anos, nada mais perigoso que um império em decadência: tornam-se mais brutais, imorais, inescrupulosos. Agora, perante o surgimento de uma perigosa onda mundial anti-capitalista na Europa e mesmo nos EUA (com o movimento dos Ocupem Wall Street) que se soma ao que vem ocorrendo na América Latina desde há uma década, os drones e os assassinatos seletivos de líderes tornam-se insuficientes.

Devem cortar a comunicação "a partir de baixo" e "entre os de baixo" porque sabem muito bem que um pré-requisito para a organização da resistência ante – e a ofensiva contra – a burguesia imperial e seus sequazes na periferia é precisamente a possibilidade de estabelecer comunicações e trocar informações entre os oprimidos e as vítimas do sistema.

Sabem muito bem que isso é essencial para frustrar esta onda insurgente, muito mais grave e de maiores repercussões que as que teve na altura o Maio francês. Por isso estão a apertar todos os parafusos. Por isso devemos redobrar a luta para democratizar não só o Estado e as empresas como também as comunicações, a imprensa e, sobretudo, a web.

Não é por acaso que um dos generais do exército estado-unidense declarou numa audiência do Congresso que "hoje a luta anti-subversiva trava-se nos media", um dos quais, talvez o mais importante, é a Internet. Daí tantos controles.
Publicado no Resistir.info

Sessenta anos depois


"O petróleo é nosso". Esta batalha os vetustos donos do poder perderam. Foto: José Vieira Trovão / Ag. Petrobras

Há 60 anos, estudante de Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, cheguei a me sentir pessoalmente atingido pelos editoriais dos jornalões. Mania de grandeza, a minha. A velha e sempre nova academia tornara-se um centro importante das manifestações que agitavam o País consciente à sombra do lema “O Petróleo É Nosso”. Bandeira altiva e justa, desfraldada na perspectiva de um futuro que imaginávamos muito próximo. A mídia reagia enfurecida, clamava contra tamanho atrevimento, forma tola de nacionalismo a ignorar a nossa incompetência e nossos compromissos internacionais.

 
Os jornalões mastigavam fel diante de um duplo desafio: contra as irmãs do petróleo e, pior ainda, contra o império americano em plena Guerra Fria, contra aquele Tio Sam chamado pelo Altíssimo a nos defender da ameaça marxista-leninista. Era a irredutível vocação de súdito-capacho pronunciada com a pompa do estilo cartorial, próprio dos editoriais daquele tempo, e deste até.

Nos jornais de hoje leio que a direção da Petrobras foi trocada pela presidenta Dilma, insatisfeita com a gestão e determinada a controlar mais de perto o desempenho da estatal. Onde será que os perdigueiros das redações colhem informações? Antes de incomodar meus pacientes botões, anoto a observação de um amigo: “Na própria reunião de pauta”. Ou seja, antes de sair a campo, o perdigueiro sabe, pela ordem da chefia, o que haverá de contar aos amáveis leitores.

Da boca de Lula já ouvi a seguinte consideração: “Se o presidente da República conta no máximo com oito anos de mandato, por que o diretor de uma estatal deveria ter mais?” A troca da guarda na Petrobras estava decidida há tempo, mas a presidenta Dilma não tem motivo algum de insatisfação a respeito da gestão de José Sergio Gabrielli. É do conhecimento até do mundo mineral que, sob o comando de Gabrielli, o valor de mercado da Petrobras fermentou de 14 bilhões de dólares para 160, o pré-sal foi descoberto e o Brasil tornou-se o 11º produtor de petróleo do mundo. Segundo The Economist, por essa trilha chega a quinto até 2020.

 
As pedras sabem também que Dilma Rousseff, depois de ocupar a pasta de Minas e Energias no primeiro mandato de Lula, ao assumir a Casa Civil passou a acumular a presidência do Conselho de Administração da Petrobras e manteve estreita ligação com Gabrielli. Talvez a mídia nativa continue aquém do mundo mineral. Reconheça-se, contudo, a sua coerência. Ao longo dos últimos 60 anos, o petróleo ficou claramente nosso e a Petrobras tornou-se uma realidade empolgante, mas a mídia não mudou. Em relação a estas questões, a sua contrariedade se mantém, além de transparente, patética.

 
Por 60 anos a fio, os barões do jornalismo não perderam a oportunidade de tomar o partido do Tio Sam e das irmãs do petróleo até ensaiar a revanche ao propor a privatização da nossa estatal. Devemos atribuir a um milagre o fato de que Fernando Henrique não tenha atendido aos insistentes, poderosos pedidos. Certo é que a tentação o roçou perigosamente. Quem sabe caiba um agradecimento especial a Nossa Senhora Aparecida se os editorialões acabaram por cair no vazio.

Agrada-me recordar 1952 e aquele fervor juvenil. Ali nasceu a Petrobras com a chancela de Getúlio Vargas, figura contraditória de estadista manchada pelo período ditatorial e valorizada pela visão do futuro, partilhada, por exemplo, pela juventude do Largo de São Francisco. Getúlio era então o presidente eleito, empenhado em firmar os caminhos da industrialização inaugurados por obras como Volta Redonda, as Leis do Trabalho, a criação do salário mínimo. A imprensa só enxergava então os riscos da mudança, ameaça para tudo aquilo que representava. A Petrobras seria mais um pecado getulista, a ser pago, juntamente com os demais, pelo tiro que ecoou no Catete na manhã de um dia de agosto de 1954. Ocorre-me que o desespero do suicida tenha aflorado com prepotência ao perceber a resistência insana dos vetustos donos do poder e ao imaginar por isso um futuro bem mais distante do que esperavam os moços do Largo.Mino Carta, editorial de Carta Capital.

Cala a boca, Serra!



José Serra, o famoso bolinha de papel, em artigo publicado no Estadão, danou-se a criticar o ENEM.Zé bolinha de papel chega ao ponto de criticar erros gramaticais e  matemáticos nas provas aplicadas pelo ENEM, esse valioso instrumento de seleção que se constitui no  maior programa de inclusão universitária do mundo, que faz com que o filho do pobre, que antes nem sequer sonhava com a possibilildade de ser universitário, agora tenha acesso ao ensino superior gratuito.

Depois de lido o artigo do Serra fui no bom e velho Google para ver as baboseiras ditas(ou não ditas?) por Serra e um aliado seu, o deputado Túlio Isac(PSDB),  na Assembleia Legislativa de Goiás, e encontrei essas pérolas.Confira os vídeos.Morra de rir.Será que Serra conseguiria passsar na prova do ENEM?




Dilma:“Desenvolvimento será associado à sustentabilidade”



Durante toda a quinta-feira (26), a presidenta Dilma Rousseff cumpriu agenda oficial no Rio Grande do Sul. Nas participações do Fórum Social Temático 2012, Dilma teve um grande diálogo com os movimentos sociais e participantes do fórum, no Ginásio Gigantinho.

 
Ela defendeu a visão do seu governo sobre sustentabilidade e disse qual está sendo a postura do Brasil em relação ao tema no cenário internacional.




Fonte:Sul 21

A gangue tucana foi absolvida da roubalheira da privataria graças a esse pilantra

Juízes usam bem de entidade para pagar dívida pessoal


Lembram-se desse juiz? Não? Pois é o mesmo que condenou o regime cubano no episódio da estudante de Cuba, que recebeu autorização temporária para estudar no Brasil, vejamos como o dito-cujo tratou o regime de Cuba: "Cuba, é, infelizmente, “reconhecida por ser regida por um governo repressor, totalitário e retrógrado, que impõe uma ditadura há quase meio século e que submete seus administrados a graves restrições no que pertine à dignidade humana e aos direitos a esta correlatos". É o mesmo que absolveu os vendilhões do Brasil no episódio da privataria da telefonia do Brasil, sob a alegação de que caberia ao PT provar que o governo de FHC beneficiou o  Banco Opportunity e outras empesas de telefonia.

 
Moacir Ferreira Ramos e Solange Salgado da Silva Ramos de Vasconcelos são acusados de vender a única sala comercial da Associação dos Juízes Federais da 1.ª Região para abater empréstimos com a Fundação Habitacional do Exército.


O Ministério Público Federal (MPF) em Brasília denunciou criminalmente, por apropriação indébita, os juízes federais Moacir Ferreira Ramos e Solange Salgado da Silva Ramos de Vasconcelos - ex-presidentes da Associação dos Juízes Federais da 1.ª Região (Ajufer), entidade que reúne magistrados do Distrito Federal e de 13 Estados. Ramos (presidente da associação entre 2008-2010) e Solange (presidente por dois mandatos, de 2002 a 2006) são acusados de terem vendido, em fevereiro de 2010, sem autorização de assembleia da Ajufer, a única sala comercial da entidade, no edifício Business Point, Setor de Autarquias Sul, em Brasília. O dinheiro da venda, R$ 115 mil, segundo o MPF, foi usado para abater dívidas de empréstimos que os dois magistrados tinham com a Fundação Habitacional do Exército (FHE/Poupex).

Ramos é autor de representação criminal no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a ministra Eliana Calmon, corregedora nacional da Justiça, que o afastou liminarmente da função em novembro de 2010.

O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, cassou a decisão de Calmon, mas, por maioria de votos, os desembargadores do TRF-1 restabeleceram a ordem de afastamento do juiz Moacir Ramos. A juíza Solange continua exercendo suas funções.

Segundo a denúncia, os magistrados "infringiram normas estatutárias da entidade, o que revela a intensidade do dolo com que se houveram, premeditadamente, criando a disponibilidade financeira à custa do patrimônio da entidade, na intenção de se apropriar de recursos que passariam a deter em nome do ente jurídico".
O procurador destaca que o imóvel foi negociado a um valor muito reduzido. Avalia que a venda poderia chegar a R$ 350 mil. "O que se verifica é que a pressa em alienar o bem, para dar destino ilícito no produto do negócio, foi o que justificou sua venda por preço inferior ao de mercado." (O Estado de S. Paulo)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Pinheirinho, a esquerda e a direita



Mair Pena Neto



A tentativa de decretar o fim da história, com o triunfo do liberalismo e a extinção da luta de classes e do que seja esquerda e direita no campo político, vai sendo enterrada pela prática como bom e velho critério da verdade. Não é preciso se debruçar sobre conceitos e análises elaboradas. Basta olhar o que aconteceu no despejo de 1.600 famílias no Pinheirinho, em São José dos Campos, para constatar os evidentes interesses de classe e as diferentes visões políticas.

O que estava em jogo era o destino de milhares de pessoas, pobres e sem teto, que ocupavam há oito anos a área de uma fábrica falida, e os interesses do megaespeculador Naji Nahas, o dono (?) do terreno, que tem contas a prestar ao Estado e à Justiça. Uma questão social, e não de polícia, como a direita sempre a encarou. Basta ver o protagonismo da ação policial em São Paulo. Ela se dá contra estudantes, dependentes de crack, sem teto, sempre em defesa da ordem vigente, da propriedade privada e dos poderosos.

O litígio no Pinheirinho vinha se acirrando com decisões judiciais controversas e passou a ter a presença direta do governo federal, através da Secretaria Geral da Presidência, interessado numa solução negociada, que preservasse as famílias, com a construção de moradias populares no local. O governo federal estava disposto a se associar ao estadual na compra do terreno, numa ação conjunta para encerrar o impasse e evitar a violência prestes a explodir.

Mas não foi esse o entendimento do dono da área - aliás já um bairro, com casas montadas e famílias instaladas -, interessado em faturar mais com a valorização do local, que contou com os préstimos da Justiça estadual e dos governos de São José dos Campos e de São Paulo para atirar dois mil policiais, blindados e helicópteros sobre a massa, numa demonstração desnecessária de selvageria e brutalidade, que macula o estado de Direito e democrático. Justiça (apressada) e polícia (violenta), mais uma vez, se tornaram instrumento dos poderosos contra os desvalidos. E o poder público paulista amparando toda a ação é célere ao enviar os tratores logo após o despejo, demolindo os imóveis sem sequer dar tempo para que muitos retirassem os seus pertences.

A ação policial atropelou as tentativas de solução negociada em curso, que incluíam a presença no local, no momento do despejo, de um representante da Secretaria Geral da Presidência, atingido por balas de borracha. O ministro-chefe da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, tratou de sublinhar as diferenças entre governo federal e estadual: "Esse não é um método nosso, do governo federal. Nós achamos que tinha alguma coisa que poderia ser esgotada ainda no diálogo e, sobretudo, uma saída negociada e humana para as famílias, sem a necessidade daquela praça de guerra que foi armada."

O governo de São Paulo e o PSDB também deixaram clara a sua visão. Decisão judicial não se discute, por mais que não seja a de última instância, envolva vidas humanas e que ainda existam canais abertos para uma solução menos traumática. "O governo de São Paulo agiu em cumprimento de determinação do Judiciário, e a operação foi comandada diretamente pela presidência do Tribunal de Justiça paulista. Enquanto o governo federal só agride, o governo paulista e a prefeitura do município providenciam a ajuda necessária para minorar o sofrimento das famílias desalojadas", disse o PSDB em nota.

Essa distinção na maneira de lidar com conflitos sociais é fundamental para desmascarar os que tentam pregar a não existência entre esquerda e direita, como se tanto fizesse escolher entre uma e outra nos processos eleitorais. Esse é um discurso dissimulado do qual a direita se vale para tentar atrair os mal informados e a pouco politizada classe média ascendente. Mas, no fundo, ela continua a ser a antiga e conservadora tendência, que deseja reduzir o papel do Estado, entregando o país aos mercados, e está sempre pronta a tratar as questões sociais como caso de polícia.


Mair Pena NetoJornalista carioca. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Agência Estado e Agência Reuters. No JB foi editor de política e repórter especial de economia.Direto da Redação.

Desemprego no Brasil cai a 4,7% em dezembro, menor da história


A taxa de desocupação medida pelo IBGE caiu para 6% em 2011, a menor da série histórica iniciada em 2003. Se comparada a esse ano (12,4%), foi reduzida pela metade. O número de desempregados foi de aproximadamente 1,4 milhão, ante 1,6 milhão em 2010.

 
Em relação a 2003 (2,6 milhões), a redução foi de 45,3%. O número de ocupados (estimado em 22,5 milhões, na média do ano) cresceu 2,1% em relação a 2010 (2,5 milhões a mais) e 21,3% sobre 2003, com 4 milhões a mais.

 
Apenas em dezembro, a taxa também foi a menor de todas (independentemente do mês), desde o início da pesquisa, atingindo 4,7%. O número estimado de desocupados (1,1 milhão) caiu 9,5% ante novembro (119 mil pessoas a menos) e 9,4% em relação a dezembro de 2010 (menos 118 mil). O total de ocupados (22,7 milhões) ficou estável no mês e cresceu 1,3% na comparação com dezembro do ano anterior (283 mil a mais).

 
Segundo os dados divulgados nesta quinta-feira (26), o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (11,2 milhões) também ficou estável em relação a novembro e aumentou 6% ante dezembro de 2010, o correspondente a 638 mil postos de trabalho a mais. Na média do ano (10,9 milhões de trabalhadores), o instituto registrou recorde na proporção em relação ao total de ocupados: 48,5%, ante 46,3% em 2010 e 39,7% em 2003.

 
O rendimento médio anual foi estimado em R$ 1.625,46 (aproximadamente três salários mínimos, lembrou o IBGE), crescimento de 2,7% ante 2010. De 2003 a 2011, o poder de compra aumentou 22,2%. Apenas em dezembro, o rendimento médio atingiu R$ 1.650,00, o valor mais alto para o mês em 10 anos.

A massa de rendimento dos ocupados estimada para 2011 chegou a R$ 36,9 bilhões, aumento de 4,8% ante 2010 e de 47,9% na comparação com 2003. Em dezembro, esse indicador foi estimado em R$ 37,8 bilhões, crescimento de 0,7% sobre novembro e de 3,4% ante dezembro de 2010.

 
A taxa média de desocupação caiu nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, também registrando os menores índices anuais. A menor foi a de Porto Alegre (4,5%), seguida de perto pela de Belo Horizonte (4,9%) e chegando a 5,2% no Rio de Janeiro, 6,2% em São Paulo, 6,5% em Recife e 9,6% em Salvador, que pela primeira vez teve taxa anual abaixo de um dígito.

Em todas as regiões, os trabalhadores com carteira assinada no setor privado representaram aproximadamente metade da população ocupada, variando de 43,9% no Rio a 52% em São Paulo. Isso fez com que também aumentasse o número de contribuintes para a Previdência: no ano passado, 71% dos ocupados contribuíam, ante 68,4% em 2010 e 61,2% em 2003.
A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) teve a metodologia alterada pelo IBGE no final de 2002. Por isso, as comparações anuais só podem ser feitas a partir do ano seguinte.

Meia mais aqui: Rede Brasil Atual


O Brasil do preto, do pobre e da prostituta



Ouvia muito dizer na minha adolescência que a Justiça no Brasil, quando tratava de matéria penal, só servia pra ferrar o pobre, o preto e a prostituta.

Hoje, já com os meus quarenta e poucos anos, nada mudou.Tudo continua como dantes.

O caso da reintegração da posse da comunidade de Pinheirinho é um exemplo eloquente que nada mudou.

Uma juíza sem nenhuma sensibilidade social mancomunado com o presidente de um Tribunal cuja grande parte de seus membros está envolvida até a cloaca com toda sorte de malfeito, ao invés de darem proteção possessória a uma comunidade carente, preferiram privilegiar a posse de um bandido de alta periculosidade.

É triste, lamentável  ver a mioria dos juízes do Brasil, em pleno Século 21, ainda com essa visão conservadora que o direito de propriedade deve se sobrepor ao direito de o cidadão ter a posse de um imóvel, ter um lar para morar.

Esses juízes que agem como agiu a magistrada que concedeu a reintegração de posse ao megamafioso Naji Nahas devem ter em mente que o direito de propriedade não é absoluto.O direito a uma moradia digna é muito mais importante que o direito de propriedade. E assim como o direito de propriedade também tem  matriz constitucional(art. 6º da CF).

Se o)a) juiz(a) que proferiu o despacho reintegrando Nagi Nahas na posse lesse a Lei de Introdução ao Código Civil veria que estaria embasado legalmente caso indeferisse o pedido.


O art 5º da LICC é claro quanto a esta questão:


 Art. 5º - Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum.



Bem se vê que a lei, em caso como o ocorrido em Pinheirinho, protege o cidadão despossuído.De registrar que essa lei é de 1942, muito antes da Constituição Feferal de 1988.

A bem da verdade, poucos juizes leem a Lei de Introdução ao Código Civil, pois se lessem não profeririam uma decisão jogando milhares de pobres na rua da amargura.

É chegada a hora de a presidente Dilma tirar do papel um dos artigos do Programa Nacional de Direitos Humanos, o que prevê realização de audiências públicas, antes que um juiz decida se concede liminar para reintegração de posse.

Tremei, tucanos ladrões!

Amaury Ribeiro Jr. prepara outro livro e Privataria pode virar filme

 
Por Jornal Sul 21


 
Felipe Prestes _Sul 21 - Com jeitão caipira – até certa semelhança com o personagem Nelson da Capitinga – e a fala confusa, afobada, o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, autor do best-seller A Privataria Tucana, revelou que já investiga mil coisas e que deve escrever um novo livro. Entre os temas que ele demonstra interesse – em terceira pessoa – está a famigerada Lista de Furnas. “A gente está trabalhando nisto sim. Tem alguns focos aí. Tem a Lista de Furnas. Sempre que a Veja começa a inventar que algo é falso é porque está pegando fogo. A gente quer saber se é verdadeiro”.

 
Ao lado do deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), proponente de uma CPI na Câmara dos Deputados para apurar as denúncias contidas no livro, Amaury participou de entrevista coletiva na tarde desta quarta (25), no Sindicato dos Bancários, em Porto Alegre, onde ambos participariam de debate sobre as privatizações. O jornalista explicou que o novo trabalho deve levar tempo. “O Protógenes sabe como é inteligência financeira. Tem que seguir a movimentação do dinheiro”, explicou.

 
Entre as informações novas que tem apurado, Amaury revelou que muitas são contadas por integrantes do PSDB. “Tucanos têm falado comigo”. O jornalista disse que uma das coisas que lhe confidenciaram foi que um grande jornal de São Paulo queria entrar na farra das privatizações sem gastar um tostão. “Um jornal de São Paulo queria entrar nas privatizações sem pagar nada. Queria cobrar pelo lobby que estava fazendo”.

 
Amauri também revelou que negocia com mais de uma empresa os direitos do livro para virar filme. — Quem vai fazer o papel do Serra? – brincou um integrante do sindicato, arrancando risadas do jornalista e do deputado.

 

“Esta CPI nasce com um diferencial”, diz Protógenes



O deputado Protógenes Queiroz se mostrou confiante com a concretização da CPI, cujo pedido deve ser analisado no início do ano legislativo em fevereiro. O parlamentar revelou que o pedido conta com 206 assinaturas (são necessárias 171) e que quem já assinou não pode retirar seu apoio, porque o pedido já foi protocolado. Só uma manobra da diretoria da Casa poderia evitar a comissão. “A expectativa é real. Há um compromisso da Câmara dos Deputados”, disse.

 
Protógenes acredita que esta CPI não será bloqueada, mesmo que a CPI do Banestado, em 2004, cujos documentos foram importantíssimos para a obra de Amaury, tenha sido abafada em um “acordão” entre os blocos de oposição e situação. “A CPI do Banestado é diferente desta. É só olhar o histórico das duas. Está já nasce com um diferencial, com documentos publicados, com um debate público muito grande, com muitos pedidos de instalação e surge logo no início de um ano legislativo. Dentro do Congresso nunca teve isto”, disse o deputado. Ele disse ainda que deputados de oposição têm apoiado a investigação, porque “não têm compromisso histórico com o conteúdo da CPI”.

 
O ex-delegado da Polícia Federal explicou que a CPI não deve revisar o processo de privatizações, mas sim os prejuízos que causou aos cofres públicos e a terceiros. “Não se trata de revisar as privatizações, mas de analisar os prejuízos decorrentes destes processos. Tem pessoas que ficaram milionárias da noite o dia no país e ficou por isto mesmo. E outras empobreceram”, afirmou.

 
Protógenes contou que o objetivo da comissão deve ser identificar as “irregularidades e ilícitos e sugerir a recomposição dos prejuízos”. “A União vai ter que estudar como compor no orçamento a indenização a estas pessoas”. O parlamentar não descartou, contudo, que o Estado reverta alguma privatização. “Outro ponto é que se algum serviço desta estatal tiver fraude tão desproporcional, tão imensa, entendo que tem que voltar para o Estado”.



Amaury diz que “a roubalheira foi muito maior” do que aparece no livro



Amaury, que fez reportagens sobre a CPI do Banestado, afirma que, de fato, o acordão ocorreu quando se descobriu que ninguém menos que o então presidente do Banco Central – autoridade máxima nas questões financeiras no país – Henrique Meirelles também utilizava os serviços de um doleiro investigado pela comissão de inquérito. “Todo mundo sabe que houve acordão. Eu falei isso e ninguém nunca contestou. Descobriram que o presidente do Banco Central estava operando com um doleiro. Isto faltou colocar no livro. Foi uma matéria que foi de colegas da Isto É e ganhou Prêmio Esso de Economia”.

O jornalista acredita que novo acordão poderá ocorrer, mas com o objetivo de que a CPI nem seja instalada. “Se instalar, a casa vai cair. O que eu mostrei aqui foi pequeninho, foi o que eu consegui pegar. A roubalheira foi muito maior”, disse. Revelou também que já entregou documentos para a PF e que se a CPI não sair entrará com uma ação no Ministério Público.

 
Amaury afirmou que o julgamento do Mensalão pode ser um exemplo de algo que desmotive a base governista em atacar seus adversários. O jornalista disse que vai haver movimentos populares em todo o país pressionando pela criação da CPI quando o Congresso sair do recesso. Ele avaliou que a repercussão do livro é muito grande, porque as privatizações afetaram diretamente a vida de muitas pessoas, o que ele tem percebido em suas andanças pelo país para lançar o livro. “Achei que o livro não faria este sucesso, porque trata de economia. Andando pelo país percebo que as privatizações afetaram a vida das pessoas. Acabaram com a vida de algumas pessoas”.

Ele também avaliou que o livro mudou o quadro político nacional. “Até a publicação, os tucanos eram heróis que viviam caçando ministros. Percebi que serviu também para unificar esquerdas, que perceberam que o inimigo era outro”. O jornalista revelou que ficou nervoso com a reação que poderia sofrer com o livro, mas que a resposta dos denunciados no livro foi pífia. “Eu fiquei nervoso, mas quando vi que as acusações para desqualificar o livro eram fraquinhas demais, a sensação foi de nocaute”.



Jornalista diz que não recebeu nenhum processo após o livro

 
“Nenhuma. Nenhuma. Nenhuma”. Assim Amaury Ribeiro Júnior garantiu que não recebeu qualquer notificação de processo contra si em decorrência do lançamento de A Privataria Tucana. Ele disse que foi processado pelo presidente do PT, Rui Falcão, antes de lançar o livro, por um depoimento que deu na Polícia Federal, acusando o dirigente de ter sido a fonte de Veja para o “caso do dossiê”. “O Rui Falcão me meteu um processo, gastei R$ 10 mil com advogados. A ação é tão fajuta que ele vai ter que pagar tudo. Eu fui prestar depoimento na Polícia Federal e contei a história da briga interna que aconteceu. Ele mandou também um criminal, que o juiz mandou trancar, de tão ruim que era a inicial”, disse.

 
O jornalista também fez troça dos demais envolvidos no livro, os acusados de terem se beneficiado com propinas durante as privatizações do Governo FHC. Parte importante dos documentos que obteve para escrever o trabalho jornalístico foi com autorização judicial por exceção da verdade, depois de ser processado pelo ex-presidente do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio. Assim, Amaury parece confiante de que não será processado novamente. “Agora o pessoal está com medo deste negócio de exceção da verdade”.

Ministério das Cidades reforça recusa de prefeitura em negociar


Em meio ao bate-boca entre instâncias municipal, estadual e federal na reintegração de posse do assentamento Pinheirinho, o Ministério das Cidades empreendeu ataques a prefeitura de São José dos Campos, de Eduardo Cury (PSDB). Para o órgão, desde 2006 ficou claro que o governo do município tinha papel imprescindível na resolução do impasse habitacional. Mas nunca apresentou propostas para que se chegasse a um acordo.

Morador, com tudo que sobrou depois de reintegração de posse no Pinheirinho. Foto: Maíra Kubík Mano

Em 2011, foram retomadas as negociações com participação da Secretaria Geral da Presidência e da Secretaria Estadual de Habitação de São Paulo. “Novamente a prefeitura não capitaneou ou se mostrou empenhada na construção de uma alternativa de provisão habitacional”, afirma o Ministério, por meio de nota.

A mesma situação, segundo eles, se repetiu em 2012, quando o acordo chegou a ser redigido. Uma minuta de termo de cooperação foi entregue pela associação a vara cível de São José dos Campo. Nela, a União se comprometia com recursos e o estado com os custos de elaboração de projetos. Mas a prefeitura não deu qualquer tipo de retorno, de quem dependia a desapropriação ou indicação de área para atendimento das famílias.

A reintegração de posse no assentamento Pinheirinho ocorreu entre o domingo 22 e a quarta-feira 25 de janeiro. Quase 2 mil famílias foram despejadas, sem outra alternativa para moradia. Os ex-moradores se dividem entre abrigos provisórios na região. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, algumas famílias se mudaram para casas condenadas pela própria prefeitura, que atribui à Justiça toda responsabilidade pelo ocorrido.

Na terça-feira 24, o líder do PSDB em São Paulo, Alberto Goldman criticou o governo federal pela interferência no caso. O principal alvo da nota é o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que no dia da operação disse que a ação atropelou a negociação intermediada pelo governo federal. “Ao politizar um assunto que se transformou em drama que sensibiliza a todos nós (…) o ministro ignorou o princípio da separação entre os poderes e a autonomia dos entes federativos.CartaCapital

O presente tucano nos 458 anos de SP: violência e limpeza social



Nesta quarta-feira (25), a cidade de São Paulo completa 458 anos. Há 18 o estado paulista é governado por homens do PSDB. Na capital, o partido quase repetiu o feito. Governando desde 1985, nem sempre na cabeça, o PSDB só perdeu a prefeitura para Jânio Quadros (86-88), Luiza Erundina, (89-92), e Marta Suplicy (2001-04). O presente tucano nos 458 anos de São Paulo? Truculência policial na USP, limpeza social na Cracolândia, incêndios no Moinho, no Jaguaré, e assassinatos no Pinheirinho.


 
Por Carla Santos


Todos estes feitos "para o bem dos paulistas", como Naji Nahas e outros ricos, teve a façanha de acontecer em um único mês.

Com exceção do misterioso incêndio no bairro do Jaguaré, ocorrido em novembro do ano passado, todos os demais "presentinhos": gás de pimenta, bala de borracha, gás lacrimogêneo e demais equipamentos de tortura, foram dados ao povo paulista no mês de janeiro.


Incêndio criminoso no bairro de Jaguaré: Nos vídeos abaixo podemos verificar o quanto os "presentes" enviados pelo governo dos PSDB em São José dos Campos conseguiram colocar em xeque qualquer ideia de humanidade que ainda pudesse pairar sobre a Polícia Militar do estado:

O Dia Seguinte from Cinema de Rua on Vimeo.

Na USP, na Cracolândia ou no Moinho, o tom dos "bons modos", regado com tortura e violência, bandidas conhecidas dos brasileiros mais pobres mesmo antes da ditadura militar, é recorrente. Não se trata de um lapso, é uma política, é uma prática orientada e estimulada, através da impunidade, a todas as corporações policias do país.

Para mostrar que a questão social não é caso de polícia, para denunciar que as pessoas não merecem serem desumanizadas, para exigir justiça, dezenas de entidades protestam na manhã desta quarta-feira, na Praça da Sé, centro de São Paulo.

Mas o melhor presente que a cidade pode ganhar de aniversário chegará atrasado. Que os 458 anos de São Paulo entrem para a história como a data que marca o fim da era tucana na capital paulista e o início da ruína do PSDB por todo o estado.

Um dia todo império tem seu fim. A dignidade é palavra urgente e não pode esperar. Daqui até outubro, mês das eleições municipais, nossa resposta virá das ruas para as urnas. Venceremos! Portal Vermelho

Assim na África, assim no Pinheirinho



Pedro Estevam Serrano



Por sugestão de Fabio Konder Comparato e iniciativa de Marcio Sotelo Felippe, ambos juristas da melhor qualidade técnica e humana, passou a circular na web um abaixo assinado reivindicando a apuração pela Comissão de Direitos Humanos da OEA, a Organização dos Estados Americanos, do ocorrido na execução de ordem judicial de reintegração de posse na área de Pinheirinho no Município de São José dos Campos.
Medida mais que meritória, necessária e urgente.
A forma autoritária e violenta com que a ordem judicial foi concedida e executada, desconsiderando tentativas concretas de negociação entre ocupantes e o governo federal, estarrece profundamente pela desconsideração com os seres humanos que lá residiam.
Não houve qualquer preocupação, pela jurisdição concedente da ordem de reintegração, com a dimensão social e humana da questão, neste aspecto se pondo às textilhas com o sistema de valores positivados em nossa Constituição.

A adequada ponderação entre o principio estipulador do direito de propriedade e os da preservação da vida, integridade física, moradia e dignidade humana, não deixam outra alternativa se não reconhecer que a garantia da propriedade, no caso concreto, não pode se dar sem as cautelas necessárias para preservação mínima da integridade e dignidade dos ocupantes, o que não houve de forma alguma no ocorrido.

 
Propriedade e direito de propriedade, como já esclarecido exaustivamente por nossa melhor doutrina jurídica, não se confundem.

Propriedade é um conceito filosófico e politico, ilimitado “a priori” como qualquer conceito ideal.

Direito à propriedade é a forma e os limites com que a propriedade é estabelecida numa ordem normativa concretamente. Ou seja: é conceito limitado, seja por limites explícitos a ele inerentes positivamente, como sua função social determinada na Constituição, como também por outros direitos que, no caso concreto, com ele entrem em tensão ou colisão.

O direito de propriedade, portanto, em nosso sistema normativo, não é absoluto nem ilimitado.

Os direitos fundamentais dos ocupantes foram radicalmente inobservados seja pelo Poder Judiciário que concedeu a ordem de reintegração, aliás com fundamentos evidentemente truculentos e nada ponderados, seja pelo Poder Executivo Estadual, que não demonstrou qualquer preocupação humana e social na execução da ordem.

 
Com o mal funcionamento da jurisdição brasileira no que toca a observância dos direitos fundamentais do homem no caso em apreço, dá-se por cumprido o requisito formal necessário à atuação da Comissão e da Corte de Direitos Humanos da OEA na questão, razão pela qual merece estímulo por parte da cidadania qualquer medida que provoque esta mesma atuação.


O caso irá se increver em mais um capitulo na triste história da evidente esquizofrenia fascista que caracteriza o Estado brasileiro no que toca aos valores democráticos e de garantia dos direitos fundamentais.

Se, de um lado, as nossas elites, com todas as limitações de eficiência que se podem argumentar quanto ao funcionamento estatal, são reconhecidas e têm assegurados os direitos fundamentais e os valores democráticos estabelecidos em nossa Constituição, ao nosso povo pobre só lhe são estipuladas, de fato, obrigações.

O povo pobre brasileiro só recebe do Estado obrigações e violência.

A ausência real de universalização dos direitos fundamentais da pessoa humana em nossa sociedade é o sintoma claro de uma cultura fascista, genocida e esquizoide que ainda existe em meio a nossa ordem democrática e pela qual todos somos em alguma medida responsáveis
Há um fosso social que separa drasticamente essas duas personalidades de nossa Sociedade e do seu Estado esquizofrênico.
De um lado o estado democrático e civilizado que reconhece e garante direitos mínimos a sua cidadania consumidora e incluída e de outro o estado fascista e genocida que expressa sua soberania pelo domínio absoluto e violento da vida nua de seus servos pobres, titulares apenas de obrigações, sem direitos, sem dignidade existencial.
Tal conjuntura desalentadora se intensifica quando consideradas as condições de reprodução do capital no mundo contemporâneo.

 
Como bem destaca Giorgio Agamben, os antigos exércitos de reserva de mãos-de-obra do capitalismo industrial, destinados ao desemprego naquele momento histórico, no capitalismo contemporâneo se transmutaram em verdadeiros exércitos de exclusão da vida.

 
Por sua desnecessidade na reprodução intensa de capital que caracteriza a contemporaneidade são destinados a morte física ou à mera sobrevivência em vida nua, desprovida dos elementos de dignidade que compõe o conceito de humanidade. Assim na África, assim no Pinheirinho.

 
Aos setores de nossa sociedade que defendem patamares mais civilizados de convivência social não há outra atitude a tomar se não a de denunciar e litigar intensamente contra tal situação, que se expressa de forma dramática na tragédia do Pinheirinho.CartaCapital

O socialismo de Eduardo Campos não é o de Miguel Arraes

 
 
Estou sendo cobrado pelas redes sociais e pelo meu e-mail pessoal porque não me manifestei sobre o confronto entre a PM de Pernambuco e os estudantes desta capital quando da realização de protestos contra o aumento do transporte coletivo.
 
Eu não posso comentar o que não vi.
 
Nem fiquei sabendo dos referidos protestos.Passei quase todo o mês de janeiro de licença.No lugar onde passei  minhas férias havia uma lan hause para uma população de mais de 10 mil moradores.Lá, TV só pega através de parabólica.E, como sabido, nesse tipo de transmissão não passa as notícias locais, só nacional.Para comprar um jornal é preciso acordar cedo, coisa que, sincerramente, não gosto de fazer.
 
Portanto, nunca poderia comentar o que não vi, não li e nem fiquei sabendo.
 
Agora, se os fatos ocorreram na forma mostrada pelas redes sociais, é lamentável o ocorrido.
 
Um político que se diz de esquerda nunca, jamais poderia(nem pode) botar a polícia para bater no cidadão.Polícia existe para prender bandidos e não para usar cassetete contra trabalhadores, moradores de rua, sem-tetos e estudantes.
 
Mas Eduardo Campos nunca me enganou.Votei nele, por duas vezes, por causa da aliança entre o PT e o PSB.Não fosse esse fato, não teria votado.
 
Eduardo Campos se diz socialista mas não é.A entrega de alguns hospitais públicos para serem geridos pelo IMIP, uma Oscip que tem como diretor o Secretário Estadual de Saúde, é a prova cabal que de socialista ele não tem nada.Um dos hospitais geridos pelo IMIP é o HDH-Hospital Dom Helder Câmara.Quem mora por aqui vá até esse hospital e veja o forma como os pacientes são tratados.Um parente meu, de 80 anos, passou 20 dias para ser submetido a uma cirurgia no fêmur.E não é só ele que sofre, várias pessoas com quem tive reclamavam do tratamento dispensado pelo mencionado hospital.Ouvi, inclusive, comentário que tudo lá funciona na base da "peixada".Quem tem padrinho político sempre leva vantagem.
 
Mas não é só.Já li um artigo de um dos auxiliares de Eduardo Campos dando conta que Campos pretende privatizar a COMPESA.Segundo esse auxiliar, não se trata de privatização, mas de uma PPP entre o Estado de PE e algumas empreiteiras.
 
Além disso, Eduardo Campos não tem nenhum consistência ideológica.Eduardo vive flertando com Aécio Neves, Beto Richa com Kassab e com o diabo a quatro, com o intuito de se cacifar para alçar voos mais altos na política.
 
 
Definitivamente esse jeito de Eduardo Campos governar não me agrada, por isso assim como falo mal de Geraldo Alckmin falo mal de Eduardo Campos.Eu não tenho vocação para defender quem usa a PM para bater no cidadão nem quem privatiza o patrimônio público.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Lula, o terror dos tucanos, está na área

Pinheirinho, nova fronteira da luta política



Pinheirinho saiu das manchetes e o núcleo duro da grande imprensa continua tentando aliviar a barra do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, mas a injustiça fala mais alto. As denúncias vem caindo sobre o colo dos repórteres. E não estão no Portal da Transparência. Por exemplo, confiram esse vídeo. Não é o repórter que aborda a moradora, e sim esta que parte para cima dos jornalistas, desesperada, chorando muito:



Hoje o Elio Gaspari publica um texto lamentável, culpando as lideranças do Pinheirinho pela violência sofrida pelos moradores. Também culpa o governo federal, omitindo que autoridades locais atropelaram acordos que vinham sendo discutidos com a União, sem contar que a ação foi deliberadamente ocultada de todos os envolvidos, justamente para que houvesse o “ato consumado”. A PM temia inclusive um choque com forças federais, então tudo foi feito para que não houvesse chance de defesa.

 
Não estou dizendo que o governo federal não tem culpa no cartório. A União tem sempre culpa também, por tudo. Mas a dispersão de responsabilidades apenas beneficia o principal responsável, o responsável direto: o governador Geraldo Alckmin.

 
Na blogosfera, o comentário que mais chamou atenção veio de Ricardo Boechat, âncora da Band, que faz acusações duríssimas contra o governador Geraldo Alckmin pela falta de sensibilidade social. Boechat lembrou a Alckmin que não adianta ir à Igreja, ler a Bíblia, e depois permitir que sua PM pratique uma barbárie contra pessoas pobres e indefesas. O jornalista também rechaçou a ideia de que havia “espertos” em Pinheirinho. “Quem é esperto não iria morar em Pinheiro. Isso é balela. Lá pode ter um esperto ou outro, como em qualquer lugar, mas a maioria é gente pobre e trabalhadora”.


Alguns setores da esquerda, no entanto, estão jogando um pouco de fumaça no episódio, ao fazer uma crítica generalizada às desocupações que ocorrem no Brasil, como um todo. Não é bem assim. Desocupar terrenos para construção de uma estrada, uma hidrelétrica, uma estação de metrô, um estádio de futebol, atende a uma função social maior, e na maioria dos casos há pagamento de indenizações e exaustivas negociações para que as famílias deixem o local. Chegou-se ao cúmulo de comparar Pinheirinho a Belo Monte, o que é uma estupidez. Belo Monte vai gerar bem mais emprego do que a quantidade de índios que moravam nas proximidades; haverá indenização em dinheiro, programas sociais, e não há policiais adentrando a aldeia pela madrugada, espancando gente, nem tratores derrubando as casas com tudo dentro. A desocupação é feita de maneira ordenada, pacífica, lenta, ao longo de meses. Não é uma ação militar de “Choque e Terror”, como se Pinheirinho fosse um amontoado de talibãs terroristas.


A truculência é tanta que o governo se apressou em demolir as casas sem mesmo esperar que os moradores retirassem seus pertences.

 
E como prevíamos, o PSDB como um todo abraçou a ação tucana em Pinheirinho. É bom porque as coisas agora ficam mais claras.

Por falar em Belo Monte, uma amiga me perguntou se os atores da Globo irão fazer um vídeo de protesto à violência em Pinheirinho… Cade o pessoal da Gota?

Nenhuma cidade teria metrôs, museus, avenidas, viadutos, trens de superfície, estádios, sem promover desocupações. O problema não é desocupar, é como a ação é realizada. No caso de Pinheiro, além de truculência, falta de planejamento, artimanhas para ludibriar acordos, açodamento, há um vazio aterrador no próprio sentido da ação. Para quê?

O caso de Pinheiro é um absurdo porque a desocupação não teve nenhuma finalidade urbanística, industrial ou pública. Tratou-se apenas de restituir o terreno à massa falida de um especulador condenado, Naji Nahas. O sujeito quebrou a bolsa do Rio, foi preso na Satiagraha por envolvimentos nos esquemas de lavagem do dinheiro da corrupção, e mesmo assim o governo de SP e sua Justiça se dão ao trabalho de pôr seus interesses acima de qualquer ponderação humanitária ou social.

Outra crítica que tenho lido é sobre a exploração política do caso. Isso existe mesmo. Mas essa não é uma característica da democracia? Alguns setores acham que vivemos ainda numa ditadura, e que se pode brutalizar seis mil pessoas, jogá-las em abrigos infectos, sem banheiros, sem água, sem colchões, demolir suas casas com tudo dentro, e ainda assim não se pode protestar? E qual a melhor forma de protesto que não o protesto político? O que é mais democrático e pacífico do que pressionar um governador truculento e autoritário através de uma confrontação política?

A mídia e segmentos da direita tentam continuamente criminalizar a política, com isso deixam transparecer os vícios adquiridos na ditadura, quando qualquer protesto social era considerado subversivo, ou a serviço do “partidão”.

É interessante acompanhar o comportamento dos repórteres. Quando há uma “crise política”, eles perseguem ministros e a própria presidente da república em toda parte, acuando-lhes com as mesmas perguntas. Não fazem a mesma coisa com Alckmin, ou com qualquer político tucano.

As manifestações da OAB, duríssimas, contra a desocupação de Pinheirinho, são registradas em notinhas. Se fossem contra o PT, converter-se-iam em manchetes garrafais.


Pinheirinho tornou-se um marco da luta política no Brasil, uma chance de estabelecer um confronto de visões de mundo, entre aqueles que ainda consideram o problema social uma questão de polícia, e os que almejam construir soluções através do diálogo e da ação política concreta.

 
A oposição vive acusando o lulopetismo de ter “cooptado” os movimentos sociais. Eles tem ódio do governo ter ouvido os movimentos, atendido alguns de seus pleitos. Agora sabemos (ou melhor, lembramos) a sua verdadeira opinião sobre a maneira como esses movimentos devem ser tratados. Na base de porrete, gás lacrimogênico, tratores. Podemos ter a certeza que governos tucanos jamais “cooptarão” os movimentos sociais. Eles preferem “a solução final”.



Atualização: Matéria recente do site Espresso SP sobre a situação no Pinheiro


Artigo de Miguel do Rosário, no O Cafezinho



Obs: foto e texto pescado no Facebook

Repúdio: Entidades criticam postura de jornalistas da Globo

Representantes de entidaidades sociais e professores de universidades do estado de São Paulo publicaram, no início da semana passada, carta de repúdio contra comentários feitos pelos jornalistas Caio Blinder e Diogo Mainardi, na edição de 15 de janiero passado, do programa Manhattan Connection, da Globo News.

De acordo com a carta, os comentaristas justificaram o assassinato de cientistas iranianos como uma forma de evitar mais mortes e intimidar outros cientistas que trabalhem para o governo do Irã, a quem chamou de “Estado terrorista”.

O comentaristas da Globo News se referiram ao atentado, com uma bomba, que matou o cientista Mustafa Ahmadi Roshan, de 32 anos, em Teerã, capital iraniana. Roshan é o quinto cientista nuclear iraniano morto em um atentado terrorista nos últimos dois anos.

Leia a carta na íntegra:


Srs. Diretores da Rede Globo


 
Causa profunda surpresa, indignação e perplexidade assistir a um programa de vossa emissora em que jornalistas, comentaristas e palpiteiros assumam a defesa explícita da prática de assassinatos como meio válido de fazer política. Isso foi feito abertamente, no dia 15.01.2012, por Diogo Mainardi e Caio Blinder, ambos empregados da Rede Globo (o trecho em questão pode ser acessado pelo link:


Depois de fazer brincadeiras de gosto muito duvidoso sobre a sua suposta condição de agente do Mossad (serviço secreto israelense), Caio Blinder alegou que os cientistas que trabalham no programa nuclear iraniano são empregados de um "estado terrorista", que "viola as resoluções da ONU" e que por isso o seu assassinato não constituiria um ato terrorista, mas sim um ato legítimo de defesa contra o terrorismo. Trata-se, é óbvio, de uma lógica primária erudimentar, com a qual Mainardi concordou integralmente.

Parece não ocorrer a ambos o fato de que o Estado de Israel é liderança mundial quando se trata em violar as resoluções da ONU, e que é acusado de prática de terrorismo pela imensa maioria dos países-membros da entidade. Será que Caio Blinder defende, então, o assassinato seletivo de cientistas que trabalham no programa nuclear israelense (jamais oficializado, jamais reconhecido mas amplamente conhecido e documentado)? Ambos - o "agente do Mossad" Caio Blinder e Diogo Mainardi – se associam ao evangelista fundamentalista estadunidense Pat Robertson, que, em abril de 2005, defendeu em rede nacional de televisão, com "argumentos" semelhantes, o assassinato do presidente venezuelano Hugo Chávez, provocando comentários constrangidos da Casa Branca.

Ao divulgar a defesa da prática do assassinato como meio de fazer política, a Rede Globo dá as mãos ao fundamentalismo - não importa se de natureza religiosa ou ideológica - e abre um precedente muito perigoso no Brasil. Isso é inaceitável.

Atenção: não defendemos, aqui, qualquer tipo de censura, nem queremos restringir a liberdade de expressão. Não se trata de desqualificar ideias ou conceitos explicitados por vossos funcionários. O que está em discussão não são apenas ideias. Não são as opiniões de quem quer que seja sobre o programa nuclear iraniano (ou israelense, ou estadunidense...), mas sim o direito que tem uma emissora de levar ao ar a defesa da prática do assassinato, ainda mais feita por articulistas marcadamente preconceituosos e racistas.

Em abril de 2011, o mesmo "agente do Mossad" Caio Blinder qualificou como "piranha" a rainha Rania da Jordânia, estendendo por meio dela o insulto às mulheres islâmicas. Mainardi é pródigo em insultos, não apenas contra o Islã mas também contra o povobrasileiro.

Se uma emissora do porte da Globo dá abrigo a tais absurdos, mais tarde não poderá se lamentar quando outros começarem a defender, entre outras coisas, a legitimidade de se plantar bombas contra instalações de vossa emissora por quaisquer motivos, reais ou imaginários - por exemplo, como forma de represália pelas íntimas relações mantidas com a ditadura militar no passado recente, pela prática de ataques racistas contra o Islã e o mundo árabe, ou ainda pelos ataques contumazes aos movimentos sociais brasileiros e latino-americanos.

Manifestações como essas do "agente do Mossad" Caio Blinder e Diogo Mainardi ferem as normas mais elementares da convivência civilizada. Esperamos que a Rede Globo se retrate publicamente, para dizer o mínimo, tomando distância de mais essa demonstração racista de barbárie. Agradecemos a atenção.

Assinam os representantes e instituições :



- Hamilton Otavio de Souza - Editor Chefe da Revista Caros Amigos

- José Arbex Jr. - Chefe do Departamento de Jornalismo da PUC-SP

- Fabio Bosco - Central Sindical e Popular

- Francisco Miraglia Neto - Vice-Presidente Regional do ANDES-SN

- Reginaldo M. Nasser - Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da PUC-SP

- Marco Weisheimer - Editor da Carta Maior

- Socorro Gomes - Presidente do Centro Brasileiro para a Paz

- Soraya Misleh - Diretora de Imprensa do Instituto da Cultura Árabe

- Soraya Smaili - Vice-Presidente da Associação dos Docentes da UNIFESP

- Boris Vargaftig - Professor Titular da USP, membro da Academia Brasileira de Ciências

- Isabelle Somma - jornalista e doutoranda de Historia Social da USP

Portal Vermelho

Kassab só não foi chamado de santo

Quem nasceu pra Alckmin nunca chegará a Brizola


 
Fernando Soares Campos



Depois de passar uma temporada de sete anos em Recife, retornei ao Rio de Janeiro em 1991. Aqui chegando me hospedei, com mulher e dois filhos, na casa de uma amiga nossa em Anchieta, num assentamento denominado Parque Esperança. O local já contava com parte da infraestrutura necessária à condição de habitabilidade: rede de eletricidade, fornecimento de água e ruas planejadas, mas ainda não asfaltadas. A maioria das casas ainda estava em construção, porém já habitadas. Na parte mais alta do terreno se localizava a sede da associação de moradores, sob a liderança de um rapaz chamado Paulo de Aquino, que, dias depois, eu soube que se tratava de um jovem líder comunitário experiente em invasão de terrenos para assentamento de sem-teto. O Estado do Rio vivia o segundo governo de Leonel Brizola.

 
Quando me apresentaram ao Paulo de Aquino, que todos tratavam por Paulinho, inicialmente não pude distinguir nele o perfil de um autêntico líder comunitário. Desconfiei até que se tratava de um aproveitador, um cara que talvez organizasse as invasões de terra a fim de se apropriar de alguns terrenos para vendê-los. Apesar de ele se revelar a mim como um indivíduo desconfiado de tudo e de todos, identifiquei aí um paradoxo: era extrovertido, extremamente falante. Então, incentivado pela minha amiga, Paulinho me convidou para participar dos trabalhos da associação de moradores a que ele presidia.

 
Arranjaram-me uma sala no prédio da associação, com a tarefa de redigir e editar um jornal comunitário. Eu contava com mesa, duas cadeiras, máquina de escrever, papel e um armário. Também uma jovem estudante da comunidade me auxiliava nos trabalhos. Produzimos o “Fala Povo”, um jornal de oito páginas que uma gráfica-editora da Baixada imprimia em tiragens de mil exemplares. Na segunda edição publicamos as cartas dos leitores, que se manifestaram com as mais variadas sugestões e elogios.

 
Certo dia, Paulinho entrou na minha sala-redação e me disse que queria falar comigo em particular. Pedi licença à minha auxiliar, ela saiu e ficamos a sós. Ele me confidenciou que estava preparando a invasão de mais um terreno. Informou que havia cadastrado cerca de cem famílias, pessoas que o procuravam na esperança de conseguir um lote para construir uma casa. Falou que não podia revelar a localização do terreno a ser invadido, pois isso poderia atrapalhar os planos, adiantando apenas a informação de que não era muito distante dali. “Tudo bem, mas em que posso ser útil?” Aí ele me deu uma aula de como as coisas aconteciam. Pela sua exposição, entendi que não era uma coisa tão simples como eu imaginava. Exigia organização e trabalho duro, pois ele não se limitava à mera invasão, criando um núcleo favelado com vielas que dificultassem a instalação da infraestrutura Nada disso. O que ele queria era produzir mais um loteamento planejado que atendesse às exigências básicas de habitação.

Àquela altura eu já conhecia razoavelmente bem o Paulo de Aquino, e a ligeira má impressão que tive dele quando o conheci já havia se dissipado. Compreendi que se tratava realmente um líder comunitário por vocação. Havia nele, sim, um interesse pessoal, mas legítimo: queria se eleger vereador ou deputado estadual. Era brizolista de carteirinha, falava de Brizola com empolgação e de Luís Carlos Prestes com veneração. Paulinho transitava com desenvoltura por entre políticos da Câmara de Vereadores e da Assembléia Legislativa. Além disso, tinha bom relacionamento com o pessoal do executivo estadual.

 
No dia e hora marcada as famílias convocadas para a invasão se reuniram em frente à associação de moradores, receberam instruções de como deveriam se comportar e só aí foram informadas sobre a localização do terreno a ser invadido. Era em Costa Barros, a cerca de três quilômetros dali, próximo a uma estação da linha auxiliar da Central do Brasil. (Dias depois me falaram que se tratava de uma das propriedades inventariada no rol da massa falida da Coroa-Brastel, sobre a qual incidiam muitos milhões em impostos não recolhidos. Mas eu nunca procurei me certificar da veracidade dessa informação.)

 
Madrugada adentro, o grupo, liderado por Paulinho a seus assessores, partiu para a invasão do terreno. Eu não estava presente, pois havia pernoitado na casa de uma prima minha em Jacarapaguá. Mas a minha mulher participou da empreitada.

 
No dia seguinte, fui direto ao local da invasão. Cheguei lá por volta das dez horas da manhã. Quando desci do ônibus, avistei aquilo que parecia um acampamento de refugiados de guerra. Muita gente já havia armado barracas, tendas e improvisado barracos de madeira, a fim de garantir seus espaços. Comecei a caminhar por entre a turba, observando tudo detalhadamente. Uma mulher conversava animadamente com outra e, ao me avistar, falou para a companheira: “Ih! Chegou o dono do terreno!” Continuei caminhando até encontrar minha mulher, que estava no centro de um lote demarcado por barbantes amarrados a tocos de madeira fincados no chão. “É aqui que vamos construir nossa casa”, disse ela.

 
Além do grupo original, já havia centenas de outras pessoas que aderiram ao movimento. Algumas me falaram que iam trabalhar e, ao avistarem a ocupação, desembarcaram do ônibus e se juntaram aos invasores, pois queriam garantir um lote.

 
Mais tarde encontrei Paulo de Aquino e perguntei: “E agora, como vamos fazer?! Tá uma bagunça dos diabos!” Ele me disse que no primeiro momento era assim mesmo, mas aos poucos tudo seria organizado. Três dias depois ele arranjou, com a Secretaria de Obras do Estado, uma caterpílar, que começou a abrir as ruas. Aqueles lotes demarcados aleatoriamente foram dando lugar a terrenos de 120 m² à margem das pistas abertas. Nesse reordenamento ocorreram algumas disputas, desentendimentos sobre o que é de quem. Mas tudo se resolvia. Em pouco tempo havíamos assentado cerca de 500 famílias. Outras chegaram atrasadas, solicitando um espaço para construírem suas casas. Foram cadastradas para uma possível próxima invasão.
Os ocupantes foram orientados a aguardar o momento em que seria dado sinal verde para que iniciassem as construções em alvenaria. Precisávamos ter a certeza de que não seríamos despejados. Essa garantia veio por parte de assessores do governo Brizola. Eles nos asseguraram que ninguém iria nos importunar. Aí, cada um se virou como podia. Logo, três novas casas de material de construção se instalaram nas imediações do loteamento e, pode crer, prosperaram rapidamente.
Em frente à ocupação foi deixado livre um terreno de uns 3.000 m², a pedido de Paulo de Aquino. Essa área havia sido preservada para a construção de um CIEP. Não demorou muito e apareceram por lá os tratores fazendo a terraplanagem, e as carretas desembarcando os pré-moldados. Em pouco tempo o Brizolão estava pronto. No final do ano recebemos a rede elétrica e em seguida a rede de saneamento básico.

 
Construí uma casa de dois quartos, sala, cozinha, banheiro, área de serviço, varanda, garagem, jardim e pequeno quintal. Plantei mangueira, coqueiro e um flamboyant, que em 1996, quando saí de lá, já estavam crescidos, dando sombra e frutos. Fui morar em Juiz de Fora, onde iniciei um pequeno empreendimento comercial que acabou não dando certo. Em 98 voltei para o Rio, prestei concurso e me tornei funcionário público estadual. Moro hoje em apartamento alugado aqui no Itanhangá. Quando eu ainda morava em Costa Barros, Paulo de Aquino se candidatou a deputado estadual, mas conquistou apenas a primeira suplência dos candidatos que se elegeram por seu partido. Tenho notícias de que hoje todas as ruas daquele assentamento estão asfaltadas. Soube também que muitos moradores fizeram puxadas e meiáguas para abrigar os filhos que cresceram e se casaram.

 
Mas, por que estou contando essa história? Porque li um artigo de Luis Nassif, tratando do massacre de Pinheirinho, intitulado “Nem por esperteza, Alckmin demonstrou sensibilidade”.

Vejamos alguns trechos do texto do Nassif:



“Curiosamente, foi Geraldo Alckmin o primeiro político de peso do PSDB a perceber a emergência de novos valores. Ainda na campanha, mostrou as vantagens de programas tipo ‘Minha Casa, Minha Vida’ sobre o modelo autárquico do CDHU. Entendeu a importância da colaboração federativa. Percebeu a relevância de reduzir o estado de guerra com o professorado, praticar o relacionamento civilizado com prefeitura e lideranças de bairro. Até ensaiou algumas ações administrativas colaborativas, juntando várias secretarias de governo e a prefeitura.

 
“De repente, surge a grande oportunidade: 6.000 pessoas morando em uma área de disputa jurídica. Não são aventureiros, não são invasores forçando a barra para conseguir imóveis para futura negociação. São famílias que se estabeleceram ao longo de anos, criando uma comunidade com velhos, crianças, mulheres, mães e pais de família, que levantaram suas casas em regime de mutirão, firmaram-se nos seus empregos, colocaram suas crianças nas escolas, criaram uma comunidade sem nenhuma ajuda do poder público.

 
Seria o momento máximo de inaugurar uma nova era. Um governador minimamente competente teria convocado a Secretaria de Assistência Social, o CDHU, a Secretaria da Justiça e da Defesa, a prefeitura de São José dos Campos, grandes empresas instaladas na região para um plano integrado destinado a encontrar uma solução para a comunidade de Pinheirinho.”

Bom, em campanha, para angariar simpatia e faturar votos, Alckmin até elogia os empreendimentos dos governos Lula-Dilma. Se ele decidir mais uma vez tentar chegar à Presidência da República, vai novamente prometer que, eleito, ampliaria os programas sociais dos governos petistas: Bolsa Família, Prouni, Minha Casa Minha Vida, entre outros. Tem cara-de-pau suficiente pra isso.

 
Mas a verdade é que quem nasceu pra Alckmin nunca chegará a Brizola.

 
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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons


Fonte:Assaz Atroz

O vídeo-síntese que desmente Globo, Estadão, Veja e PSDB



Eduardo  esqueceu que O Estadão ganha bem dos tucanos corruptos, por isso deve defender ardentemente seu patrão.Num país com um presidente corajoso os donos desse jornalismo de esgoto e  seus sabujos já estariam presos e os jornais, TVs e revistas fechados.


"Desde o último domingo, cenas de violência da Polícia Militar contra flagelados do Pinheirinho vão se sucedendo através de fotos e vídeos cada vez mais reveladores. Todavia, três dos maiores veículos da imprensa escrita nacional tratam de ignorar tais provas, fazem defesa ardorosa do governo paulista e acusam PT e PSTU de ansiar por mortes e de acirrar os ânimos.



O Estadão, por exemplo, chegou ao absurdo de afirmar – não sugerir, eu disse afirmar – que os dois partidos de oposição ao governo Alckmin “colocaram mulheres grávidas e crianças na linha de frente do conflito”, apesar da profusão de depoimentos sobretudo das mães de família em prantos afirmando que foram atacadas a bombas, junto com seus filhos – muitos de colo –, dentro de casa.

 
Leia, abaixo, esse editorial odioso, falso como uma nota de três reais, cometido pelo Estadão. Prossigo em seguida.

 
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O ESTADO DE SÃO PAULO

 
24 de janeiro de 2012



Editorial



Confronto esperado

 
A desocupação de uma área de 1,3 milhão de metros quadrados em São José dos Campos, determinada pela Justiça estadual e realizada na manhã de domingo pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM), seguiu rigorosamente o roteiro elaborado pelos movimentos sociais para ganhar as manchetes dos jornais e obter visibilidade política. Conhecida como Pinheirinho, a área pertence à massa falida da empresa Selecta, do Grupo Naji Nahas. Invadida em 2004, ela se converteu numa comunidade controlada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), cujos líderes diziam viver lá cerca de 1,5 mil famílias, num total de 6 mil pessoas.

 
Para dificultar o acesso ao local, os invasores ergueram barricadas com paus, que depois incendiaram, e colocaram idosos, grávidas e crianças na primeira linha de resistência. Por sua vez, a PM empregou na operação um blindado, além de 220 viaturas, 100 cavalos, 40 cães e 2 helicópteros, dando aos movimentos sociais pretexto para veicular pela internet notas de protesto descrevendo a operação de reintegração de posse como um “massacre” de pobres e desabrigados, que teria deixado “mortes” e um “rastro de destruição”.

 
Os invasores atiraram pedras contra policiais, incendiaram uma escola pública, uma biblioteca e oito veículos – entre eles dois carros de reportagem – e ainda tentaram impedir o tráfego na Via Dutra, o que obrigou a PM a intervir novamente. Na madrugada de segunda-feira, alguns manifestantes tentaram jogar um coquetel molotov num depósito de gás e num posto de saúde.

Terminado o embate – que resultou em 1 homem ferido à bala, 8 manifestantes com escoriações e 18 pessoas presas, acusadas de vandalismo – os líderes do MTST passaram a acusar a PM de ter exorbitado. Também criticaram o governador Geraldo Alckmin com o coro de sempre. Dirigentes da OAB, por exemplo, afirmaram que a ordem para a reintegração de posse expedida pela Justiça estadual foi ilegal. O advogado dos invasores, Antonio Ferreira, foi baleado na virilha, no joelho e nas costas com balas de borracha. E o senador Eduardo Suplicy alegou ter ficado “surpreso” com a operação. “A cada telefonema que recebo, ouço relatos de abusos por parte da polícia, jogando bombas”, disse ele.

O comando da PM, no entanto, anunciou que a operação foi inteiramente gravada, alegou que o “fator surpresa” foi crucial para a desocupação da área, afirmou que os moradores não ofereceram resistência e responsabilizou militantes de pequenos partidos da esquerda radical – que nem mesmo moram na área invadida – pelo entrevero. Uma semana antes, vários invasores e militantes posaram para cinegrafistas e fotógrafos equipados com capacetes de motociclistas, porretes, escudos de latão e canos de PVC – além de máscaras, para não serem identificados.

 
Por trás desse lamentável episódio, estão dois partidos que há muito tempo se digladiam para tentar desalojar o PSDB das principais prefeituras do Vale do Paraíba, região onde Alckmin iniciou sua carreira política. Um deles é o PT. Não foi por acaso que, entre as pessoas feridas com escoriações, uma se apresentou como assessor da Presidência da República. Sob o pretexto de intermediar uma solução pacífica, políticos petistas da região acenaram com a possibilidade de o governo federal ajudar na desapropriação da área, financiando um programa habitacional. O outro partido é o PSTU, que prega a substituição do Estado capitalista pelo ” marxismo revolucionário”.

Sem qualquer relevância no plano eleitoral, o PSTU é atuante nos meios sindicais, exercendo influência entre os metalúrgicos e os químicos no Vale do Paraíba, uma das regiões mais industrializadas do País. A exemplo do que ocorreu com o PT, em seus primórdios, o PSTU tem o apoio de movimentos sociais que se especializaram em invadir propriedades particulares para obter na mídia um espaço desproporcional à sua representatividade política. O confronto em São José dos Campos, iniciado com o descumprimento de uma ordem judicial, faz parte dessa estratégia.

 
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A autenticidade dos depoimentos em vídeos, áudios e fotos, deveria bastar – são protagonizados por cidadãs brasileiras tomadas pelo desespero. Aliás, o material tem sido largamente reproduzido aqui. Todavia, um desses vídeos sintetiza a operação e a conduta da Polícia Militar comandada pelo governador Geraldo Alckmin, como se vê na sequência de fotos que encima este post.

 
Quem não viu esse vídeo-síntese aqui ou em algum outro blog pode assisti-lo logo abaixo enquanto reflete que em qualquer país em que não existam categorias de cidadãos cenas como essas provocariam, no mínimo, um escândalo de dimensão nacional, além de fazerem rolar muitas cabeças no governo do Estado, caso não degolassem o próprio governador.Continue lendo e vendo