quarta-feira, 6 de maio de 2015

Quando o dinheiro vale mais que a honra

Fiquei sabendo hoje que o advogado de Eduardo Cunha é o Antônio Fernando de Souza, aquele mesmo que ofereceu a denúncia no processo do Mensalão, denúncia essa cujo objetivo maior era mandar para cadeia inocentes feito José Dirceu e Genuíno.Como é sabido, não havia nenhuma prova contra esses dois guerreiros do povo brasileiro.Pois bem, Fernando de Souza, que foi tão implacável contra inocentes, resolveu aceitar uma causa contra um sujeito envolvido até o talo com toda sorte de corrupção, nada mais nada menos que 11 processos no rabo.Na verdade, para Antônio Fernando de Souza, o dinheiro vale mais que a honra.

A vergonhosa aprovação da PEC da Bengala




A mídia comercial vendida e alugada e a oposição golpista estão em festa com a aprovação da vergonhosa PEC da Bengala, que ampliou a idade de aposentadoria dos ministros do Tribunais Superiores e do TCU de 70 para 75 anos.

Segundo os apoiadores da Emenda-grande parte da base aliada, e até um deputado do PT- isso tira o direito de Dilma nomear 5 ministros para o Supremo Tribunal Federal.

Bobagem!

Em primeiro lugar, Dilma pouco está se lixando para esse questão de nomeação de ministros para o STF e STJ, tanto é que passou quase 1 ano para indicar um ministro para o lugar de Joaquim Barbosa, o Capitão do Mato. Tanto é que há três vagas abertas no Superior Tribunal de Justiça e Dilma não está nem aí para as nomeações.

Em segundo lugar, dos cinco ministros que vão se aposentar nesses 4 anos vindouro, três foram nomeados pelo PT: Ricardo Lewandowski, Rosa Weber e Teori Zavascki. E dois por governos da oposição:Celso Melo e Marco Aurélio.Se essa torcida toda pela aprovação da PEC da Bengala é porque isso vai evitar que o PT aparelhe o STF, nada justifica essa euforia dos defensores dessa excrescência.

Em terceiro lugar, quem vai nomear esses cinco ministros que vão se aposentar nos próximos 4 anos vai ser Lula. Simples assim. Ou o PIG, Eduardo Cunha, Aécio Neves e cia pensam que alguém vencerá Lula em 2018. Aposto minha vida.De uma forma ou de outra, quem vai nomear mais cinco ministros, quiçá mais 10, é o governo do PT.

A grande verdade é que quem perdeu com a PEC da Bengala foram os juízes, procuradores e advogados que sonhavam em ser ministro nos próximos 4 anos.Quem perdeu foi a sociedade que vai ter que aturar um bando de velho gagá julgando.Quem perdeu foi a sociedade que vai aturar por mais alguns anos o crápula Gilmar Mendes.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Boa noite. Para recordar

Antipetismo avança em instituições de Estado







Breno Altman


Três fatos recentes, desenrolados no coração judicial e repressivo do poder público, desnudam a natureza classista e degenerada do Estado oligárquico.

O primeiro destes eventos foi a prisão preventiva do tesoureiro petista, João Vaccari Neto, por ordem do juiz Sérgio Moro, no curso da Operação Lava Jato.

Além de desnecessária, pois o réu jamais se furtou a atender demandas do inquérito ou obstaculizou seu trâmite, revela-se discricionária. Medidas desse naipe não afetaram a nenhum dos demais tesoureiros de grandes partidos, embora tenham arrecadado doações de valores semelhantes com as mesmas empresas.

O segundo episódio é a investigação tramada pelo Ministério Público do Distrito Federal contra o ex-presidente Lula, em caso de suposto tráfico internacional de influência.

Como é de praxe, a apuração não apresenta qualquer elemento concreto, mas já está difundida por setores da imprensa como fato notório e sabido, em mais uma realização da parceria entre jornalismo de oposição e frações do sistema judicial.

O terceiro capítulo é a suspeição da Polícia Federal sobre pagamentos recebidos oficialmente pelo jornalista João Santana Filho, em contrapartida a serviços prestados na campanha presidencial em Angola.

Apesar da ampla documentação apresentada pelo investigado, profissional responsável pelo marketing na reeleição da presidente Dilma Rousseff, dissemina-se especulação de que seriam verbas de companhias brasileiras envolvidas no escândalo da Petrobrás e destinadas ao pagamento de despesas eleitorais do atual prefeito paulistano, Fernando Haddad.

Estas três situações são apenas retratos atualizados da perversão alojada no Estado.

O Ministério Público, a Polícia Federal, parte da magistratura e outros espaços estão se convertendo em bunkers contra o PT, marcados por abuso de poder e autoritarismo, atropelando leis e direitos constitucionais, a serviço de determinados objetivos políticos.

O que é pior: sob as barbas do próprio partido governante.

Os governos de Lula e  Dilma, em nome de apresentar imagem republicana e evitar críticas de aparelhamento, preveniram quase exclusivamente exageros que seu próprio campo político poderia cometer, concedendo cotas cada vez maiores de autonomia a fortalezas historicamente controladas pelas velhas classes dominantes, sem alterar suas características antidemocráticas.

Afinal, a lógica da conciliação, predominante desde 2003, alimentada por situação parlamentar desfavorável, impunha que a mudança social e econômica não fosse acompanhada pela tentativa de reforma radical das instituições e a substituição de seu comando.

Os inimigos do petismo, beneficiados por este pacto de mão única, tiveram caminho franqueado para abocanhar fatias crescentes dos aparatos de justiça e segurança, assanhadamente partidarizados e coadjuvando estratégia de desestabilização patrocinada por forças conservadoras.

O combate à corrupção, sob a presidência de Lula e Dilma, alcançou patamares jamais vistos na história brasileira, com amplo portfólio de providências legais, administrativas e orçamentárias.

Mas a facilidade de movimento dos grupos reacionários, no interior dos sistemas de coerção, acabou por permitir que se apropriassem deste avanço civilizatório para fabricar campanha permanente contra o PT e seus dirigentes, sempre tabelando com parceiros na mídia corporativa.

Ao não se libertar desta armadilha, o governo silencia diante de malfeito à democracia, agredida por terrorismo judicial nascido nas entranhas do Estado.

A impunidade de policiais federais que faziam abertamente campanha por Aécio Neves, por exemplo, ao mesmo tempo em que lideravam investigações da Operação Lava Jato, serve de estímulo a outros malversadores da função pública.

Talvez o cenário não seja propício a decisões práticas e imediatas que revertam a anomalia. O mínimo que se pode esperar, porém, é que o governo, através do ministro da Justiça, desmascare publicamente manobras que violam preceitos republicanos e ofendem a Constituição.

PT, ideologia e política, direita inimiga do Brasil, esquerda no poder e luta pelo socialismo



O negócio é o seguinte: o Brasil está a passar por um processo de profundas mudanças, que vai durar, até se completar, muitos anos, quiçá, décadas. Este processo é o mais complexo, o que gera mais reações e o que mais revolta os "bem-nascidos", os ricos, os que controlam os meios de produção, aqueles que são chamados de "elites" e fazem parte da plutocracia ou servem a ela, como seus executivos ou nos papéis de servidores públicos de alto escalão e peças-chave dos interesses da burguesia, a exemplo dos delegados aecistas da Polícia Federal, de promotores do Ministério Público e de juízes, principalmente os dos tribunais superiores, como o STF, o TSJ e o TSE, sem generalizar, evidentemente.

Não esqueçamos também que muitos membros da Receita Federal também trabalham em prol dos interesses do grande empresariado, de partidos conservadores e de oposição, como o é, sem sombra de dúvida, o PSDB, partido que jogou ainda na década de 1990 a social democracia no lixo e que há mais de 20 anos é o legítimo representante da sociedade de classes imposta por um sistema de capitais que favorece apenas 1% da população, casta esta que tem o apoio, inacreditavelmente, de coxinhas de classe média, que, lamentavelmente, repetem e repercutem como papagaios de piratas os valores e os princípios de uma burguesia cujos princípios se resume a um só: explorar ao máximo a classe trabalhadora e resolver os antagonismos e conflitos sociais com os porretes das polícias e da imprensa de mercado, em forma de manchetes, manipulações e mentiras.

Sabedora de que os tempos são outros, a grande burguesia, que integra o establishment em termos mundiais, percebeu que somente por intermédio dos partidos de direita não conseguiria combater um partido do tamanho e força do PT, histórico, socialmente orgânico, ligado umbilicalmente à classe trabalhadora, cujo líder é um político carismático, de esquerda, trabalhista e socialista. Tudo o que a direita historicamente escravocrata e violenta deste País detesta, e, por sua vez combate, sem trégua, os políticos e os partidos populares que conquistaram o poder central desde quando o estadista Getúlio Vargas "apeou do cavalo" a República Velha, por meio da Revolução de 1930.

O PT, ao conquistar o poder, com disposição para fazer as reformas necessárias para que o povo brasileiro tenha acesso a uma vida de melhor qualidade e o Brasil se desenvolva sua economia, em setores como infraestrutura, saúde e educação, mexeu em um vespeiro sem tamanho e com poder para tentar todo tipo de golpes baixos, inclusive apostar na "intervenção militar", um eufemismo hipócrita e barato para se tentar um golpe militar e utilizado, de forma cínica, pelos coxinhas fascistas que andaram a perambular, ridiculamente, as ruas das capitais deste País, porque, seis meses após as eleições presidenciais vencidas pela quarta vez consecutiva pelo PT, políticos derrotados, como o tucano Aécio Neves, juntamente com seus aliados exemplificados nos partidos de oposição, nas mídias de mercado e em setores públicos, como o MP e o Judiciário, ainda não conseguiram digerir a derrota.

Enquanto isto, o Governo Trabalhista de Dilma Rousseff luta para não ficar parado e ter seu programa de governo engessado por uma direita que se recusa, terminantemente, aceitar um Brasil democrático, justo, que inclua as pessoas ao invés de excluí-las, como sempre se fez desde quando os portugueses aportaram em Porto Seguro, na Bahia. Lula e Dilma apenas estão a dar sequência ao que foi interrompido, abruptamente e violentamente, em 1964, quando as "elites" brasileiras traíram a Pátria brasileira ao se aliar aos Estados Unidos para derrubar João Goulart, do PTB, um presidente constitucional, eleito legalmente, com maioria de votos, inclusive com mais votos do que Jânio Quadros, que renunciou.

Naqueles tempos os candidatos a vice-presidente eram eleitos pelo voto direto. Jango também teve mais votos do que Juscelino Kubitschek, em 1955, seu colega de chapa, mais conservador politicamente. Fatos esses indiscutivelmente históricos e que, sobretudo, evidenciam que a esquerda e os trabalhistas quando tem em seus quadros líderes nacionalistas compromissados com o Brasil e seu povo, torna-se quase que eleitoralmente invencível. Ponto. E por quê? Porque não tem como a maioria da população brasileira, que pertence às classes populares, não diferenciar, não perceber quando um político é ligado aos seus interesses do que aquele candidato que visivelmente é compromissado com a banca, ou seja, com os interesses da burguesia, das classes privilegiadas e dos poderosos conglomerados econômico-financeiros nacionais e internacionais.

E é exatamente esta realidade que acontece quando políticos nacionalistas e que tentam distribuir renda e riqueza experimentam, a seguir: tentativas de impeachment; golpes jurídicos; golpes de estado; ataques diuturnos por intermédio de manchetes e matérias da imprensa empresarial e alienígena dos magnatas bilionários; seletividade lamentável, criminosa e nada republicana da PF, da Justiça e do MP, quando se trata de fazer o "jogo" da oposição burguesa, ao apurar, investigar, denunciar, julgar e punir com prisão apenas os membros de governos trabalhistas e populares, porque o que está realmente em jogo é a permanência do Brasil como um País atrasado e que atende somente às demandas da Casa Grande ou a continuidade dos avanços sociais, econômicos e financeiros, conquistados pelos cidadãos brasileiros nos últimos 12 anos.

Não se trata meramente de conquistas aleatórias, porque elas tiveram seu início, efetivamente, no já longínquo ano de 1930 e continuaram a ser realizadas e concretizadas até 1954, quando o trabalhista Getúlio Vargas se matou com um tiro no coração. O tiro que adiou por dez anos o golpe militar, que ocorreu em 1964, com o propósito de estancar os avanços sociais e econômicos que já estavam a acontecer. Após a tomada do País pelos militares e empresários, o Brasil ficou à mercê dos ditames casuísticos e vampirescos do mercado por longos 38 anos, quando o trabalhista e socialista Luiz Inácio Lula da Silva conquistou, por intermédio do PT e de seus aliados, a Presidência da República.


O cargo mais alto e importante do Brasil voltou a ser ocupado por um presidente popular, mais do que popular, por um mandatário saído, realmente, do ventre do povo brasileiro, que é muito melhor, muito maior e incomparavelmente mais chique e corajoso do que a burguesia e a pequena burguesia (coxinhas) juntas, de modos e matreirices bregas e mequetrefes, rastaqueras e violentos, além de entreguistas, racistas e classistas, porque, irremediavelmente, sectários e patrimonialistas, subservientes e subalternos, pois traidores da Pátria, bem como portadores de inenarráveis e incomensuráveis complexos de vira-latas.

A resumir: as "elites" que a burguesia e o establishment norte-americano e europeu não querem se transformar jamais, porque apesar de ideologicamente reacionárias, ao menos são nacionalistas e historicamente lutaram pelo desenvolvimento de seus países e povos. Coisa que não acontece com a medíocre e incompetente Casa Grande tupiniquim, pois simplesmente, mas, com efeito, ela nunca pensou o Brasil e jamais vai pensá-lo, porque sua alma é escravocrata, mesquinha e predadora. Coitado do País que possui em suas terras uma classe dominante tão medíocre e irresponsável como a brasileira.

Os donos do status quo, que não sonham e que secularmente tentam diminuir a amplidão dos sonhos daqueles que lutam por um Brasil mais democrático e com inclusão por meio de justiça social. Engana-se aquele que pensa que a evolução dos povos e das sociedades possa ser cristalizada ou congelada. Tentar barrá-la é antinatural e não convém à natureza dos seres vivos que formam o conjunto da humanidade. Quem pensa dessa forma rasa, mesquinha e que destoa, inapelavelmente, da verdade histórica da humanidade, está a dar um tiro no próprio pé. Por isto, vos direi: a retomada do poder por políticos e lideranças trabalhistas e esquerdistas significa a evolução da sociedade brasileira, que há mais de 12 anos elege governantes compromissados com o desenvolvimentismo, teoria e prática efetivada por políticos, economistas, administradores e pensadores que acreditam que as necessidades e as demandas humanas estão acima dos números e dos índices tão vergonhosamente colocados acima dos sonhos e das expectativas humanas pelos neoliberais, os fanáticos e fundamentalistas do mercado, os monetaristas senhores da guerra, em todas suas estúpidas formas e ações, bem como aqueles que tem como princípio moral e ideológico o péssimo, mas sábio adágio popular, que resume de forma simples e inteligente o que essa gente, sem eira nem beira, realmente pensa, apesar de suas mirabolantes "fórmulas" para enganar os trouxas, os afoitos, os desinformados, os apressados e os coxinhas: "pimenta nos olhos dos outros é refresco".

Por tudo isto e por causa disto, o sapiente povo brasileiro, mesmo se não conhecer a fundo a história deste poderoso País de língua portuguesa, sabe o que faz quando escolhe suas opções. E por quê? Porque este povo varonil, como afirma o hino, conhece profundamente as suas dores e as dificuldades pelos quais passou e vai passar. Por causa deste motivo, e somente isto basta, porque é tudo, que a direita não consegue vencer as eleições presidenciais, mesmo a ser dona de uma parafernália midiática agressiva, manipuladora e mentirosa, uma verdadeira máquina de moer reputações e destruir, sem trégua, aqueles que ela considera seus inimigos econômicos e políticos.

A burguesia e seus cupinchas replicadores de suas ideias e valores viciados e distorcidos compreendem a situação e estão desesperados, porque Lula, se estiver bem de saúde, vai concorrer às eleições de 2018. E o povo, como afirmei anteriormente, sabe onde o calo aperta e dói. Sem conhecer com detalhes a história do Brasil, por sua vez compreende que Lula e Dilma são os herdeiros dos legados dos governos Getúlio e Jango, ou seja, voltados aos interesses da Nação, da luta por sua independência e emancipação definitiva do povo, que é o sonho maior de todo brasileiro democrata, nacionalista e humanista, disposto a cortar as amarras, e, com efeito, lutar em prol do desenvolvimento total do Brasil, um País violento e vítima das desigualdades sociais e regionais.

De forma alguma se deve permitir que a agenda direitista, que aposta no atraso e no retrocesso, seja vitoriosa, e, consequentemente, imponha um projeto neoliberal, que se mostrou, em âmbito mundial, um fracasso retumbante, porque propõe e, o pior, efetiva a concentração de renda e riqueza, bem como vincula e subordina a diplomacia e o comércio exterior brasileiro aos interesses estrangeiros. Entretanto, os governos trabalhistas, do PT, tem lutado para que haja mais justiça social no Brasil. É o que está a ser feito. A duras penas, devagar, mas de forma sistemática e consistente. E é exatamente esse processo que a direita quer parar, custe o que custar. É o seu infame papel histórico.

Contudo, certos setores da esquerda ainda não tiveram a compreensão e a dimensão do que os governos trabalhistas estão a enfrentar. Se alguns a tiveram, é porque, de livre escolha, pularam o muro e resolveram, muitos deles até sem querer, aliar-se ao outro lado, o lado da reação conservadora. O "sem querer" não reflete os casos, por exemplo, de Marta Suplicy e do falecido Eduardo Campos, que, deliberadamente, fizeram, sendo que ela está a fazer o jogo da direita. Vaidade, picada de mosca azul e ambição desmedida, que colocaram em risco a eleição de uma presidenta compromissada com o desenvolvimento do Brasil, como Dilma, bem como denota a fogueira das vaidades, o inconformismo e o rancor de uma política petista que retorna para o berço da burguesia e atrai os votos de uma esquerda cor de rosa, desencantada com os tucanos e que na verdade sonha com a social democracia e não com o socialismo científico e real.

Penso no socialismo democrático, porque os tempos de hoje não comportam o socialismo iniciado na segunda década do século passado. Entretanto, o socialismo mantém sua essência, que é exemplificada na luta constante e sistemática por uma sociedade que inclua, onde a renda e a riqueza sejam divididas de forma mais equânime, e que a Judiciário, seguramente um dos pilares de qualquer democracia e nação, deixe de ser um braço da burguesia brasileira e passe a ser um poder da República que atenda aos anseios e à fome de justiça do povo brasileiro, fato este que, irrefragavelmente, não ocorre.

A luta política e pelo poder se dá nesse campo, porque o Executivo e o Legislativo, apesar de suas falhas e defeitos, são poderes abertos, já democratizados, expostos ao público, alvos de críticas e que cortam na carne quando necessário se faz afastar algum membro que "pisou na bola". É o que não acontece com o Judiciário e seus juízes, que querem, nitidamente, transformar o Brasil em uma "República de Toga", juntamente com procuradores e promotores vaidosos e muitos deles irresponsáveis, que estão, sem sombra de dúvidas, a partidarizar o MP e a ideologizar suas ações e a criminalizar a política. É o fim da picada. E quem vai processar essa gente, que, atrevidamente e ousadamente, quer combater um governo eleito pelo voto popular? Um governo cuja presidenta está a pôr na cadeia, por intermédio das investigações e repressões da PF, os ladrões de colarinhos brancos do dinheiro público.

As eleições de 2014 provaram e comprovaram que procuradores, policiais e juízes resolveram desfilar na passarela da política de saltos altos sob as luzes da ribalta. Seria cômico e surreal se não fosse trágico. E quem vai parar essa gente que trabalha como um justiceiro de máscara de filmes de heróis e vilões? Quem? Respondo: os órgãos de controle dessas instituições, que não devem jamais tergiversar sobre o que está escrito na Lei Magna e em seus estatutos corporativos, porque maior do que os homens e as mulheres componentes dessas instituições republicanas é a sociedade, ou seja, o povo brasileiro, único soberano, porque é dele que emana o poder. Ponto.

Todavia, o socialismo não acabou, como pregam os lorpas e os pascácios da direita partidária e midiática, ideologicamente e intelectualmente sofríveis, porque não compreendem nem o que é o liberalismo e o neoliberalismo econômico, que nos países mais avançados sempre preservaram a educação de boa qualidade, equacionaram com maior sensatez a renda, os salários e primaram pela lógica de que bons empregos e melhores condições de trabalho vão permitir, como permitiram, o desenvolvimento de seus negócios e, consequentemente, o desenvolvimento de seus países, o que redunda em um sentimento coletivo de satisfação e paz social.

E é o que o PT tem feito, mesmo a ser de esquerda, porque a lógica dos socialistas democráticos e dos trabalhistas é melhorar as condições de vida da população e favorecer o desenvolvimento, por meio do fortalecimento do comércio interno, de investimentos estrangeiros que agregam valores e conhecimentos e das relações comerciais ampliadas, como fez Lula, político estadista, em parceria com o grande Celso Amorim, chanceler que compreendeu que o mundo mudou com o advento da derrubada das torres gêmeas nos Estados Unidos e com a crise econômica de 2008, que até hoje não foi debelada e que prejudica, e muito, os povos dos países considerados desenvolvidos.

A direita — a burguesia brasileira — é burra, porque nunca colocou em prática o que fez a direita dos países mais avançados. A Casa Grande desta Nação brasileira é pária, subalterna, subserviente e eternamente periférica. Sente-se satisfeita com as sobras dos países ricos e, para manter o status quo, reprime e rouba seu próprio povo, além de se aliar, desavergonhadamente, com os interesses da "gringada", que ela tanto admira, ao ponto de sempre quando tem oportunidade tenta "abraçar o Mickey para dar uma de pateta", enquanto o rato rouba-lhe a carteira. E ela ri e não reage, porque inexiste em nossa burguesia fibra e vergonha na cara. Comporta-se com intolerância e perversidade com os mais fracos e pobres. Por sua vez, abre as pernas para os ricos, ainda mais quando o rico é estrangeiro, de preferência dos Estados Unidos ou Inglaterra.

É uma lástima a direita, pária e apátrida, porque não racionaliza o porquê de pensar o Brasil. Por não racionalizar, nunca teve projeto para o País e não gosta de seu povo inteligente e trabalhador, ao tempo que adora ganhar bilhões e explorar até a último suor aquele que é responsável maior pelos seus lucros exorbitantes: os brasileiros. Esta falta de visão e discernimento, só que de outro jeito e maneira, atinge também certos setores da esquerda, que se bandearam para o campo conservador, inclusive nas crises precedentes à morte de Getúlio Vargas e que se repetiram no Governo de Jango. O Partido Comunista, por exemplo, além de outras siglas de esquerda, combateram Getúlio ferrenhamente, caso similar ao que fez o PSOL, o PSTU e por fim o PSB.

Não perceberam que se alinhar às vozes da direita por causa de doutrinas e de espaços por poder é o caminho para o túmulo de governos populares, trabalhistas ou de esquerda, conforme o caso de cada presidente. É tudo o que a direita quer. E quando ela consegue seus objetivos, a primeira coisa que os direitistas fazem é perseguir, cassar, exilar, torturar e até mesmo matar seus adversários esquerdistas, inclusive aqueles "tontos" que com os reacionários compartilharam o combate aos governantes trabalhistas que chegaram ao poder.

O gaúcho Luís Carlos Prestes, o comunista mais notório da história do Brasil, disse uma vez, no tempo em que ele deu apoio ao PDT de Leonel Brizola, que muitos anos depois ele percebeu essas tolices da esquerda quando se divide e faz coro, inadvertidamente, com a direita. O PT tem projeto de País. A verdadeira direita sabe disso. Por causa disto é que o Partido dos Trabalhadores é tão combatido. É isso aí.


Davis Sena Filho

Davis Sena Filho é editor do blog Palavra Livre

Para salvar Beto Hitler, mídia venal “demite” Francischini




Os donos dos meios de comunicação e seus jornalistas bandidos merecem ser queimado no fogo do inferno.Que raça miserável, bajulador de governo truculento e corrupto.Imagine se o governo fosse do PT. Ah! Cadê Álvaro Dias, que não dá um pio? Não dá porque agiu do mesmo modo de seu comparsa quando governou o PR.


 Blog do Esmael - Desde a manhã de ontem (3) trama-se no Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná, a queda do secretário da Segurança Pública, Fernando Francischini, o Batman, apontado como responsável pelo massacre contra os professores no último dia 29 de abril.


O jornal O Estado de S. Paulo, o Estadão, edição desta segunda-feira (4), coloca Francischini na "corda bamba" ao responsabilizá-lo pelos excessos da Polícia Militar na semana passada. A reportagem cita o deputado federal Valdir Rossoni, presidente regional do PSDB, como porta-voz do governador Beto Richa (PSDB) para o pedido de demissão do Batman.

"Francischini está deitado no caixão, com algodão no nariz. A demissão é questão de horas. É o método Beto Richa de exonerar auxiliares", avaliou para o Blog do Esmael um deputado governista.

O jornal Folha de S. Paulo, também edição de hoje, imputa a culpa do massacre a Francischini, mas exime o governador do PSDB de qualquer responsabilidade pela violência policial contra os professores.

Entretanto, o jornalista Ricardo Noblat, d'O Globo, faz leitura diferente em seu blog. Aponta o governador Beto Richa como culpado pelo massacre. Ele cita os apelos do prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para que o tucano parasse de atirar bombas contra os professores.

Resta saber: Francischini, responsável ou não, assumirá a bronca sozinho ou vai arrastar junto o mandante do massacre contra os professores?

Pocurador ligado aos tucanos acusa Stanley Burburinho de falsear fatos

 
A reação, na página pessoal do Facebook do procurador da Lava Jato, originou uma onda de questionamentos sobre a parcialidade do MPF
 
 
 
 
 
 
 
Jornal GGN - O blogueiro Stanley Burburinho iniciou uma onda de questionamentos que dominou a página pessoal do Facebook de Deltan Dallagnol, procurador da República membro da Força Tarefa criada para as investigações da Lava Jato. 
 
Sem o cuidado com a imparcialidade pregada em resposta a Stanley, o membro do Ministério Público Federal do Paraná utiliza as redes sociais para posicionar-se favorável às prisões preventivas, já republicou notícias contra o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco e defendendo que a soltura dos empreiteiros traz a sensação de impunidade - posição manifestada em reportagem de O Globo.
 
A última publicação de Deltan Dallagnol, no entanto, não passou sem reações. Ao escrever "Associação dos Magistrados Brasileira defende mudança no sistema de recursos, contra a corrupção", e compartilhar matéria da Folha de S. Paulo, o blogueiro disparou uma sequência de perguntas ao procurador.
 
Duas horas depois, Stanley disse: "deixei 4 perguntas na página do procurador Dellagnol do MPF e da Lava Jato, mas não estou conseguindo mais ver. Será que ele apagou? Por favor, confira neste link: https://www.facebook.com/deltan.dallagnol/posts/886349061408804 e veja se você consegue ver os meus comentários. Parece que ele apagou". 
 
Mas antes de ver seus comentários apagados, o blogueiro havia feito uma captura da imagem da tela. Compare que nas imagens, o comentário que Dallagnol não apaga é o da internauta Solange Rosa Katona, que está em ambas fotografias:
 
 
Abaixo, a transcrição das perguntas que incomodaram o procurador da República:
 
1) Sr. Procurador, se o PSDB, PMDB, PP e PT receberam doações das mesmas empresas investigadas na Lava Jato, na mesma eleição, por que o Sr. não pediu a prisão dos tesoureiros do PSDB, PMDB, PP, mas só pediu a prisão do tesoureito do PT?
 
2) Sr. Procurador, se os depoimentos da Lava Jato estão sob sigilo de Justiça, quem vaza as delações para a TV Globo? Estão investigando para punir o vazador?
 
3) Sr. Procurador, o doleiro Youssef da Lava Jato é o mesmo doleiro Youssef que foi o doleiro do escândalo do Banestado e o juiz Moro da Lava Jato é o mesmo juiz do inquérito do escândalo do Banestado e o Procurador do MPF da Lava Jato, Fernando Carlos Lima, é o mesmo Procurador do escândalo do Banestado que, segundo matéria da revista IstoÉ de 2003 neste link: "Raposa no galinheiro - Procurador Santos Lima, casado com ex-funcionária do Banestado, tentou barrar quebra de sigilo de contas suspeitas" acusa que o mesmo Procurador Fernando Santos Lima engavetou o inquérito do escândalo do Banestado por 4 anos e meio e a esposa dele na época trabalhava no Banestado?
 
4) Sr. Procurador, por que se recusam investigar a corrupção na Petrobras antes de 2003, ano que Lula tomou posse, apesar do delator premiado Barusco ter dito que já recebia propina desde 1996? Se investigar a corrupção na Petrobras antes de 2003, chegaria no escândalo do Banestado quando enviaram, ilegalmente, 124 bilhões para contas em paraísos fiscais?
 
O resultado da manifestação de Stanley Burburinho foi uma reação em massa de internautas, questionando a parcialidade do Ministério Público Federal do Paraná sobre as investigações, as prisões preventivas, os vazamentos seletivos de informações, e demais contradições.
 
Depois de apagar diversos comentários, Deltan respondeu: "Caros, esse não é um espaço de disputas partidárias. A investigação do MPF é técnica, imparcial e apartidária, doa a quem doer". O procurador ainda completou: "perguntas como as feitas, falseando fatos, não têm interesse em esclarecimentos, mas sim em tentar dar um olhar partidário para uma investigação apartidária, o que tira o foco do que é mais importante, que é combater a corrupção seja qual for o partido ou a pessoa envolvido", fazendo referência ao blogueiro.
 
Internautas exigiram respostas a Stanley Burburinho. Uma delas alertou que a exclusão já corria pelas redes sociais e que ficaria "feio" para o procurador se continuar apagando as "perguntas que lhe são incômodas". Acompanhe alguns comentários:
 

Ministério Público poupou Aécio Neves

:
Pois é.Esses membros do Ministério Público, comprados pelo PSDB e satélites, não viram nada na acusação feita pelos delatores relacionada à Aécio, porque, segundo esses bandidos de toga, Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa não apresentaram provas da acusação. Já em relação à delação que envolve o PT, e os demais partidos envolvidos, esses safados deram como provada. Para mim, tanto bandido quanto esses corruptos do Esquema da Lava Jato são os investigadores da Operação, salvo algumas exceções.Os caras fazem de tudo para blindar o PSDB. Veja que um comparsa de Aécio Neves foi flagrado com 500 Kg de cocaína e o caso morreu. Isso é uma vergonha.Sinto nojo de viver num país feito este, onde um Ministério Público e um Poder Judiciário partidarizados fazem o quer bem querem.Pior:não parece ninguém para botar essa gangue de toga no seu devido lugar.

"Em acordo de delação premiada em troca de redução de pena, doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa indicaram que iriam revelar, entre outros casos, crime de corrupção cometido pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) em estatal do setor elétrico; "Toda e qualquer obra realizada em Furnas possuía comissionamento. Se especula que quem recebia por Aécio Neves era a pessoa de sua irmã", aponta documento assinado no MP; no entanto, à força-tarefa, Youssef não apresentou provas e preservou o tucano; inquérito contra o ex-presidenciável foi arquivado".

Época é panfleto do PSDB

Enquanto Dilma não botar para torar no PIG, cada vez mais aparecerão mentiras.Jornalismo que dá nojo.Prefiro a censura a um jornalismo podre desses.
 


ÉPOCA DE MENTIRAS

Em nota, o Instituto Lula desmentiu matéria divulgada pela revista Época, em sua última edição, que trouxe ataques à honra do ex-presidente. 

Apesar disso, o material foi reafirmado na sexta (1) em nota assinada pelo editor-chefe da publicação Diego Escosteguy

Como o editor reiterou os erros cometidos, cabe-nos buscar aqui restabelecer a verdade.
Conheça as sete principais mentiras da matéria publicada pela revista.

Leia http://goo.gl/ekdraf e http://goo.gl/FwNIa0 e ajude a espalhar a verdade.

#‎ÉpocadeMentiras‬

A miséria da política do PSB


Está nas folhas: o Partido Socialista Brasileiro, que tanto lutou para fixar-se no campo da esquerda, vai fundir-se no PPS, a excrescência reacionária da direita. Transformar-se-ão, os dois, no grande satélite do PSDB, e juntos navegarão na nau dos ressentidos.

A que enxovalhamento moral está sendo levado o partido fundado por João Mangabeira em 1947, e reorganizado por Jamil Haddad, Evandro Lins e Silva, Antônio Houaiss e o signatário em 1985!

 Em nome de quê?

Já não existe o combativo partido que se opôs a Sarney, a Collor, que fez frente a FFHH e à privataria tucana.

Mas tudo é possível esperar de sua atual direção. Tudo que signifique indignidade ideológica. A direção que, por mero oportunismo, aliou-se a Aécio Neves em 2014, antes havia negociado seu apoio a Ronaldo Caiado em Goiás (na ocasião, o partido foi salvo pela salutar reação de Marina Silva, então candidata a Vice-Presidente da República) e ainda antes havia tentado negociar a sigla com o Júnior do Friboi. Essa mesma gente entregou o partido em Santa Catarina ao clã Bornhausen, no Paraná a Beto Richa (cuja obra está estampada nas manchetes) e acolheu em seus quadros, como deputado federal, o inefável Heráclito Fortes.

A fusão, portanto, é apenas o clímax de um processo de grave decadência ético-ideológica. Uma vertiginosa trajetória de declínio político e renúncia moral, orientada pelo ganhar a qualquer custo. 

Uma vez mais – e não pela última vez – os fins justificam os meios, ainda que espúrios.

Essa fusão é moralmente inaceitável, é o ponto final do PSB. É o sepultamento, no seu programa, do socialismo, do nacionalismo e da prática de uma política de esquerda. No entanto, é processo natural no PSB de hoje, que nada tem a ver com o PSB de seus fundadores, que nada tem a ver com o PSB de 1990, no qual recebi Miguel Arraes, e nosso ex-presidente só ingressou no PSB porque naquele então éramos um partido do campo da esquerda socialista. O de hoje, esse que vem sendo moldado desde 2014, nada lembra aquele antigo PSB que abrigou Pelópidas da Silveira e Francisco Julião. Esse PSB que se auto-imola não honra a biografia de Luiza Erundina. Hoje, seu representante conspícuo, seu melhor ícone ideológico, é o Pastor Eurico, ventríloquo da direita mais embrutecida. Em breve, o PSB de Arraes será o partido do Sr. Roberto Freire, já anunciado como seu primeiro vice-presidente.

A fusão é, ademais, um brutal erro histórico, embora seja o segundo momento da opção pelo conservadorismo, quando, com a crise do PT e de outras siglas de nosso campo, tinha todas as condições objetivas, de, como sempre defendi, cumprir o papel de estuário da esquerda socialista e democrática. Ao invés de fazer frente à maré conservadora, o PSB optou por a ela aliar-se.Esse neo-PSB me causa engulhos.

Por tudo isso, por tudo o que foi dito e pelo que ainda precisa ser dito, a fusão é tristemente lógica, pois dá sequência aos vitoriosos esforços de seus dirigentes atuais para jogar a história partidária na lata de lixo e abdicar de seu futuro. Podendo ser o grande leito da esquerda, optou o PSB pelo papel de valhacouto de uma direita espúria. É obra dos que mudam para ganhar, e transformam a política em mero jogo estatístico, ou instrumento de mesquinhas realizações pessoais.
É a miséria da política.

Ora, que esperar de um partido que, ainda se dizendo socialista, vota majoritariamente contra os trabalhadores e consagra a precarização do trabalho? Que esperar de um partido que, dizendo-se socialista, propõe o ensino do criacionismo em nossas escolas? 

De uma forma ou de outra, essa fusão abre caminho para novas fusões, de igual forma indignas mas coerentes, e de igual forma lamentáveis, com outros partidos de direita. Por que não fundir-se, por exemplo, com o DEM de Caiado, e o 'Solidariedade' do 'Paulinho da Força'? O qual, aliás, tentou, muitos anos passados, ingressar no PSB, mas teve seu pleito rejeitado por Miguel Arraes. As razões de Arraes para negar-lhe ingresso são hoje, porém, as razões que devem levar os dirigentes adventícios a procurá-lo.

Num ato de dignidade histórico-política (certamente é pedir muito dos atuais dirigentes), o Congresso Extraordinário do PSB, apressadamente convocado, sem nenhuma discussão com as bases, poderia, numa derradeira homenagem a João Mangabeira, Miguel Arraes, Antônio Houaiss, Evandro Lins e Silva e Jamil Haddad, raspar da sigla o 'S' de socialismo. Poderia ser apenas 'P40′, um nada e um número, ou apenas '40', como muitos de seus dirigentes atuais pleiteiam, há tempos. Um partido sem projeto, sem ideologia, sem caráter, líquido à espera do recipiente que lhe dará forma, espaço para a traficância ideológica. Mas um partido (se essa designação ainda lhe cabe) apto a crescer estatisticamente nesse deserto moral que ora impera na política brasileira, e no qual sua Nomenklatura atual se refastela e goza.


Roberto Amaral

Cientista político e ex-ministro da Ciência e Tecnologia entre 2003 e 2004

 http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/179526/A-mis%C3%A9ria-da-pol%C3%ADtica.htm

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Prefeito do PSDB desvia 100 milhões de reais do SUS

É assim que os corruptos do PSDB tratam as CPIs nos seus governos

CORRUPÇÃO NO GOVERNO RICHA (PSDB)

Posted by Enio Verri on Quinta, 26 de março de 2015

Bob Fernandes: O discurso dos hipócritas que cresceram roubando

Militancia petista está dando show nas redes sociais




A base de apoio da presidente Dilma nas redes sociais conseguiu se reorganizar entre os dois eventos contra a presidente, segundo levantamento realizado pelo Departamento de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV/Dapp) no Twitter em 15 de março e em 12 de abril, dia das grandes manifestações contra o governo. A reação vista no dia 12 conseguiu fazer a hashtag "aceitadilmavez" superar a hashtag "impeachment", que havia suplantado todas as outras em 15 de março.
"As redes estão operando de uma forma diferente agora. É como se a base que elegeu a presidente decidisse parar de recuar, que não pode mais perder espaço", avalia o diretor do FGV/Dapp, Marco Aurélio Ruediger. Para ele, essa mobilização ajudou Dilma a entrar em uma trajetória de estabilização que coincidiu com o movimento de entendimento com o PMDB. A exemplo das ruas, o debate também esfriou nas redes. O número de menções às manifestações mapeado pelo Dapp no domingo foi 40% menor que em março, ou 478 mil contra 760 mil.
Rudieger acredita,  que as posições nas redes sociais estão mais estabelecidas agora do que em março. "A polarização vista no período eleitoral se manteve, mas em março não havia uma resposta de apoio à Dilma", diz, lembrando que o fato de marcarem posição não quer dizer que estejam em sintonia com as pautas do governo. "Em 2013, a pauta era mais difusa, havia uma mistura de temas e de atores. Agora, é mais focada. A inconformidade é com o governo. Há um desconforto imenso com a corrupção, com o uso de recursos públicos", completa.
Como analista, Ruediger avalia que a entrada efetiva do vice-presidente Michel Temer no governo e a atuação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ajudaram no processo de estabilização. Segundo ele, a análise discursiva das postagens mostra que entre o grupo pró-Dilma há a percepção de que é necessário fazer ajustes na economia. "Mas eles firmam posição nos pontos que consideram mais relevantes, como a questão da terceirização. As redes são espaços de debates, mas também de resposta", afirma.
A partir da comparação das manifestações de 15 de março e 12 de abril, e também com as mobilizações de 2013, o diretor do Dapp avalia que está havendo um aprendizado do meio político no trato com as redes sociais. Segundo ele, o debate nas redes, que há dois anos era pautado pela sociedade, começa a seguir também a agenda definida pelas instituições.
"Surgiu uma dialética maior, com o meio político colocando também suas próprias pautas e se deixando pautar, e até mudar de opinião, pelas redes", explicou ontem Ruediger, pouco antes de a bancada do PSDB deixar clara a divisão sobre o projeto de terceirização, provocada pela pressão da opinião pública.
A FGV/Dapp utiliza softwares e metodologias de pesquisa para buscar, coletar e analisar dados extraídos de redes sociais. O processo envolve análise linguística para definir critérios de busca e análise qualitativa interdisciplinar dos dados coletados, além de softwares para gerar novas visualizações dos dados.Os Amigos do Presidente Lula

O povão ama Dilma

Recepção de Dilma em Xanxerê - SC

Um beijo para todos de Xanxerê, SC! Adorei a calorosa recepção que tive hoje! Tenho certeza que juntos vamos reconstruir a cidade e trazer de volta a alegria para esta maravilhosa cidade! <3

Posted by Dilma Bolada on Segunda, 27 de abril de 2015

Uma história pela metade




Os 50 anos da TV Globo foram lembrados ao longo da semana que passou e celebrados no domingo (26/4), com uma festa para centenas de funcionários no Rio de Janeiro. As inserções de um quadro especial no Jornal Nacional, comandado pelo apresentador e editor William Bonner, serviram para apresentar em doses diárias um resumo da história da emissora, com destaque para alguns episódios controversos em que foi protagonista.

Na terça-feira (21/4), por exemplo, Bonner personificou o mea-culpa da Globo por haver tentado ocultar, em 1984, o comício que marcou, em São Paulo, a campanha pelas eleições diretas para presidente da República. A reportagem sobre a manifestação foi aberta, na ocasião, por Marcos Hummel, então âncora do Jornal Nacional, com o seguinte texto: "Um dia de festa em São Paulo. A cidade comemora seus 430 anos com mais de 500 solenidades. A maior foi um comício na Praça da Sé". Quem estava lá sabia que aquele era um protesto contra a ditadura, pelas eleições diretas, realizado sob ameaça das forças de segurança – e não uma festa de aniversário.

No dia seguinte, foi a vez de tratar da manipulação que ajudou a eleger Fernando Collor de Mello na disputa contra Lula da Silva, na eleição presidencial de 1989. Na ocasião, a Globo concedeu um minuto e meio a mais para Collor, com um texto tendencioso no qual escondeu os melhores argumentos de Lula no debate da noite anterior e exibiu seu oponente como um estadista. Na revisão histórica da semana passada, tudo não passou de um erro de edição, e um compungido Bonner lamentou a "falta de equilíbrio" daquela cobertura.

Mas, fora do quadro mágico da tela, a verdade é que a história da emissora está recheada de atos de má-fé e manipulações.

Embora se possa dizer que a mais poderosa rede brasileira de televisão se tornou um pouco mais sutil em sua interpretação da realidade nacional, não há como fugir ao fato de que segue produzindo diariamente exemplos de um jornalismo tendencioso que ancora o conteúdo claramente partidário dos outros grandes veículos de comunicação.

O socorro do BNDES

Como o bicheiro que precisa comprar um título de comendador quando chega a maturidade, a Globo tem necessidade de corrigir, eventualmente, sua trajetória, para que a mão da História lhe seja leve. No entanto, essa espécie de autocrítica conduzida em tom de convescote ao longo da semana não tem peso e seriedade suficientes para um registro nos arquivos do jornalismo, digamos, mais sério.
Essa função foi cumprida, na sexta-feira (24/4), em uma longa entrevista concedida ao jornal Valor Econômico (ver aqui) pelos principais acionistas do Grupo Globo, os irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho, a uma dupla insuspeita de jornalistas, Matías Molina e Vera Brandimarte.

Além disso, o jornal que pertence ao Grupo Globo em parceria com o Grupo Folha também publica uma reportagem sobre bastidores da poderosa organização, com destaque para o processo de reestruturação financeira que evitou sua falência no começo deste século.

Matías Molina, veterano jornalista que ajudou a formar alguns dos melhores repórteres brasileiros de Economia nas últimas décadas, é autor do livro Os Melhores Jornais do Mundo e lançou recentemente o primeiro volume da trilogia História dos Jornais no Brasil. É com esse currículo que ele conduz a retrospectiva dos 50 anos da Globo no Valor.

Mas a leitura da entrevista decepciona em alguns aspectos: a história controvertida da maior potência da imprensa latino americana fica diluída em meio a uma conversa amena à qual faltou rigor crítico. As perguntas servem como alavancas para os irmãos Marinho amenizarem o papel decisivo da empresa em episódios polêmicos da história nacional.

Um de seus momentos mais importantes – o processo de recuperação financeira ocorrido entre 2002 e 2006 – passa quase em branco. Questionado sobre aquele período, quando a empresa teve que vender parte da rede, livrou-se do controle das operadoras Sky e Net e foi socorrida pelo BNDES, os entrevistadores se satisfazem com a resposta de Roberto Irineu Marinho, de que a situação foi resolvida "sem recursos do BNDES ou de bancos estatais".

O socorro do BNDES ao Grupo Globo foi amplamente noticiado na época (ver aqui) e motivou até mesmo um pedido de audiência pública no Senado Federal (ver aqui) e até hoje segue sendo uma das chaves para se entender a relação entre a empresa e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em seus dois mandatos.

Quem sabe nos próximos 50 anos essa história seja contada.

Barbosa bajula a Globo. É candidato?

Cara de gente safada

 
Meio no ostracismo, depois que cumpriu o papel de carrasco no midiático julgamento do "mensalão do PT", o ex-ministro Joaquim Barbosa postou várias mensagens em seu Twitter de bajulação aos 50 anos da Rede Globo. Talvez do seu suspeito apartamento em Miami, nos EUA, ele disparou: "Parabéns à cinquentona TV Globo e aos profissionais que a construíram pedra-sobre-pedra". O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) não fez qualquer menção ao apoio dado pela ditadura na construção do império midiático da famiglia Marinho. Também evitou tocar no complicado tema da sonegação fiscal da emissora ou mesmo cobrar explicações sobre a lista dos sonegadores do HSBC. O carrasco virou santo e elogiou apenas os que "construíram pedra-sobre-pedra" a influente emissora.
 
Em outra mensagem de puxa-saquismo, o ex-ministro exagerou ao afirmar que "a Globo aproximou milhões de brasileiros a outros brasileiros, via língua, cultura, sotaques jamais antes imaginados" - desconhecendo as críticas de várias entidades da sociedade civil à ausência de diversidade regional na emissora global. Em outra postagem, meio na defensiva, Joaquim Barbosa caprichou: "Globo fez pouco, mas já fez mais do que seus concorrentes na ainda discreta porém consistente inclusão dos negros no seu jornalismo". Ali Kamel, o diretor de jornalismo da TV Globo que escreveu um livro negando a existência de racismo no Brasil, deve ter ficado emocionado.
 
Quem não deve ter ficado feliz com as mensagens de Joaquim Barbosa foram as outras redes de tevê, sempre esmagadas e humilhadas pela poderosa rival. Como notou o Portal Imprensa, em seu Twitter "o jurista aproveitou para provocar as emissoras concorrentes. 'Globo merece aplausos na sua política de 'não descartar' suas repórteres mais experientes à medida que elas avançam... em idade!', finalizou, fazendo clara referência à frequente onda de demissões que têm ocorrido em outros canais". Parece até que o império midiático garante os direitos trabalhistas de todos os funcionários - não há qualquer PJ (Pessoa Jurídica) na empresa -, nunca demitiu ninguém e garante um clima de paz nas redações.
 
O ex-ministro Joaquim Barbosa não dá ponto sem nó. No midiático julgamento do "mensalão do PT", ele fez uma dobradinha explícita com a emissora. No seu jornalismo seletivo, que nunca incomodou os tucanos, a TV Globo exibiu inúmeras horas do "fuzilamento" - ajudando a construir no imaginário popular a falsa ideia moralista de que "o PT é corrupto". Já Joaquim Barbosa ganhou os holofotes da emissora e se projetou politicamente - sendo inclusive sondado para a disputa presidencial de 2014. O seu filho também conseguiu um emprego na TV Globo. Será que a bajulação no Twitter nesta quarta-feira (22) revela as futuras ambições políticas do ex-presidente do STF? 
 
 

Altamiro Borges

Altamiro Borges é responsável pelo Blog do Miro - Uma trincheira na luta contra a ditadura midiática

sábado, 25 de abril de 2015

Em xeque, o "choque de gestão" do PSDB


por Miguel Martins publicado 24/04/2015  
 
aecio anastasia

Aécio e Anastasia encerram seu ciclo com despesas superiores às receitas

Implantado pelo ex-governador Aécio Neves, o “choque de gestão”, vitrine dos três últimos mandatos do PSDB em Minas Gerais, ganhou fama por buscar aplicar um modelo de administração pública inspirado no setor privado. O enxugamento da máquina, a bonificação de servidores de acordo com os resultados alcançados e a obsessão pela redução de despesas eram os pontos centrais. Se cumpriu seu papel de atingir o déficit zero ao longo dos anos, ao menos segundo o Tribunal de Contas do Estado, o modelo dá a impressão de ter perdido fidelidade a seus propósitos após a derrota tucana nas urnas em 2014.

Em 6 de abril, a equipe do governador Fernando Pimentel, do PT, divulgou um balanço realizado pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) sobre a situação das contas públicas. A auditoria foi coordenada por Mário Spinelli, convidado para chefiar o órgão após seu trabalho no desmantelamento da máfia dos fiscais que desviou bilhões de reais da prefeitura de São Paulo. Ao contrário do déficit zero previsto no Orçamento enviado à Assembleia Legislativa pelo governo anterior, o diagnóstico apresentado pelos secretários Helvécio Magalhães, do Planejamento e Gestão, e José Afonso Bicalho, da Fazenda, estima um rombo de 7,2 bilhões de reais nos cofres públicos neste ano. O novo Orçamento elaborado pelo governo de Pimentel reduziu em mais de 4 bilhões de reais a perspectiva de receitas, incluiu 2 bilhões em despesas e apontou a existência de uma dívida de 1,1 bilhão herdada da administração anterior.

Sucessor de Antonio Anastasia, do PSDB, o ex-governador Alberto Pinto Coelho, do PP, enviou em outubro do ano passado a peça orçamentária para a Assembleia Legislativa com a previsão de uma receita de 72,4 bilhões de reais e um conjunto de despesas de mesmo valor. Naquela época, o governo federal ainda não revisara a previsão do PIB para 2015. A perspectiva de crescimento foi reduzida de 3% para 2% em novembro de 2014. Como o projeto baseava-se em cálculos superados, o valor de arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, variável conforme a atividade econômica, foi superestimado. Segundo a equipe de Pimentel, previu-se 1 bilhão de reais a mais na arrecadação do tributo. 

Em nota conjunta, o PSDB e o PP mineiros condicionam a distorção no ICMS às mudanças nas projeções macroeconômicas. “A peça orçamentária teve como cálculo os mesmos indíces e indicadores adotados pelo governo federal em seu orçamento”, afirmam os partidos. “Minas teve ainda uma perda de receita da ordem de 3,5 bilhões de reais em desonerações e reduções de repasses pelo governo federal.” Os partidos argumentam ainda que a atual administração não considerou em sua conta os ganhos de ICMS provenientes do aumento das tarifas de energia elétrica, que podem gerar uma arrecadação extra de 1,54 bilhão de reais.

Magalhães reconhece que a estimativa de ICMS pode ter sido sobrevalorizada pela gestão anterior por causa das previsões otimistas de crescimento do governo federal. “É a única distorção que está diretamente relacionada à atividade econômica”, afirma o secretário a CartaCapital. Ainda assim, diz não compreender os motivos de o governo anterior ter superestimado os repasses de estatais em 3,6 bilhões de reais. “O máximo que o estado recolheu em sua história nesse tipo de transferência foi 1 bilhão de reais.”

Segundo o secretário, o rombo foi uma surpresa. Durante a transição, diz, o Sistema Integrado de Administração Financeira saiu do ar e impediu o acompanhamento do escalonamento das despesas. A equipe de Pimentel destaca como motivo principal para o déficit os aumentos concedidos a servidores pela gestão anterior, que incrementaram os custos em 2,7 bilhões de reais. “Uma coisa é buscar atingir o piso nacional dos professores, pois o salário é baixo e trata-se da principal categoria. Mas o aumento para certas carreiras foi desproporcional.”

A CGE iniciou uma investigação de possíveis irregularidades na folha de pagamento e revelou que a gestão anterior cancelou ao menos 806 convênios com cidades do interior, assinados antes das eleições. O órgão afirma que a prática tem responsabilidade sobre a paralisação de parte de 354 obras.

Para contornar a situação, Magalhães afirma ser possível economizar 10 milhões de reais por mês com os gastos da Cidade Administrativa, sede do governo estadual e de suas secretarias, diminuir regimes especiais de tributação e agilizar cobranças judiciais e investigações sobre sonegação. “Não haverá aumento de impostos”, promete. 

O diagnóstico apresenta ainda dados negativos sobre os indicadores sociais em Minas. A equipe de Pimentel afirma que apenas 26% das escolas estaduais possuem estrutura adequada e calcula um rombo de 1,5 bilhão de reais na Saúde. O relatório indica ainda que o número de homicídios cresceu 52,3% entre 2002 e 2012, ante uma média nacional de 13,4%, segundo o Mapa da Violência elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.

Não é a primeira vez que a maquiagem do choque de gestão desbota. Em 2013, Anastasia criou um site para divulgar as vitórias da política administrativa tucana. O portal foi alvo de críticas por ter manipulado as séries históricas dos dados. Embora apontassem para uma melhora sensível da educação, saúde e segurança pública, cada indicador amparava-se em um intervalo de tempo distinto. 

Se analisados a partir de 2003, nenhum deles superava a média nacional.

Derrotado nas urnas, o PSDB mineiro vê agora sua principal vitrine ser questionada por seus opositores e atingida por um órgão que antes estava sob seu controle. Ser pedra era fácil, dífícil é ser vidraça.

*Reportagem publicada originalmente na edição 845 de CartaCapital, com o título "Em estado de choque"

Juiz babaca devolve Medalha da Inconfidência por causa de Stédile

Magistrado aposentado recebeu a comenda há 33 anos do Governo de Minas Gerais e se indignou com a homenagem ao líder do MST


O juiz aposentado, Mozart Hamilton Bueno, 74 anos, devolveu esta semana, pelo correio, a Medalha da Inconfidência que recebeu do Governo de Minas Gerais no ano de 1982. Em uma carta aberta, o magistrado conta que o motivo que o levou enviar o presente de volta foi a homenagem feita igualmente a João Pedro Stédile, líder do Movimento Sem Terra (MST) na última terça-feira (21) pelo governador mineiro Fernando Pimentel.
 Foto: Governo de Minas / Divulgação
A medalha da Inconfidência é uma comenda oferecida pelo Governo de Minas Gerais durante as comemorações no dia de Tiradentes
Foto: Governo de Minas / Divulgação
No documento, Bueno classificou Stédile como “invasor de propriedades alheias, de incentivador da desobediência civil, da liderança de insurrectos e como comandante de um exército ilegal e nocivo à segurança nacional”. Em outro trecho trecho, pede desculpas ao atual chefe do executivo de Minas e diz que a medalha, a passadeira e o diploma, entregues a ele pelo ex-governador Francelino Pereira dos Santos, seguirão via postal. 

“Não me julgo superior a esse senhor Stédile, mas a minha modesta biografia, a minha devoção ao meu Estado natal, - berço e sacrário da nossa liberdade - recomendam-me não aceitar esse nivelamento, razão pela qual e por imperativo da minha formação cívica, renuncio ao galardão, com pesar, é verdade, mas convicto de que faço o que dita minha consciência”, escreveu.
 Foto: Divulgação
Juiz Hamilton devolveu pelo correio sua medalha após saber que o Governo concedeu a comenda ao líder do MST
Foto: Divulgação
O Terra entrou em contato com o magistrado que vive hoje em Brasília. Por telefone, ele disse que “dói ter que devolver a comenda, mas mais dolorido seria permanecer com ela”. Ele contou também que a própria lei que criou a medalha concorda que, para merecê-la, o homenageado deve ter prestado relevante serviço ao estado de Minas Gerais ou ao Brasil. “Eu te pergunto, esse cidadão Stédile fez o que por Minas? E pelo Brasil?”, questionou. 

O juiz foi diretor do Colégio Tiradentes da Polícia Militar em Barbacena-MG durante sete anos, período em que conseguiu transformar a instituição em modelo para o restante do estado. Só dentro da própria Polícia Militar somou 28 anos de trabalho, tempo interrompido apenas quando foi aprovado no concurso para magistratura em Rondônia em 1985. No estado atuou por dez anos, até se aposentar e se mudar para a capital federal. 


Confira a íntegra da carta enviada ao governador mineiro pelo juiz:
 


Excelentíssimo Senhor
Fernando Pimentel
DD. Governador do Estado de Minas Gerais
"Minas Gerais não aceita a paz morna da submissão"
(Governador Itamar Franco)
Senhor Governador. 

 
No ano de l982 fui agraciado pelo Governo do meu estado com a Medalha da Inconfidência. 
 
Era então, Diretor do Colégio Tiradentes da Policia Militar sediado em Barbacena e Comandante Geral da mesma Corporação o Coronel PM Jair Cançado Coutinho sendo Governador do Estado o Dr. Francelino Pereira dos Santos. 
 
Por indicação daquele Comandante fui agraciado pelo Governador com esta comenda pelos "relevantes serviços prestados" à gloriosa Polícia Militar e ao seu sistema de ensino. 
 
Não sei se tão relevantes foram esses serviços, mas afirmo que durante os sete anos em que dirigi o referido Colégio entreguei-me de corpo de alma à missão e o fiz despontar, coadjuvado por excelente equipe de Especialistas, Professores e Corpo Administrativo, como Padrão em Minas Gerais, segundo avaliação da Secretaria de Educação, e, sem qualquer dúvida, o melhor de Barbacena. 
 
Cheguei à direção daquele Colégio através de uma caminhada pelas fileiras da Corporação, na qual me alistei, em 1.954, com treze anos de idade, como aluno da Escola de Formação Musical do 9º Batalhão, escola essa criada pelo Governador Juscelino Kubitscheck. Nessa caminhada e graças à PMMG logrei alcançar dois cursos superiores, conquistar o primeiro lugar no Estado no Concurso Público para a Cadeira de História, patrocinado pela Corporação e, em seguida, ser nomeado Diretor do referido estabelecimento. 
 
Com dedicação e apoio do saudoso Coronel Walter Rachid Bittar, Chefe do Estado Maior da PMMG e do não menos saudoso Dr. Chrispim Jacques Bias Fortes Secretário de Obras do Estado, edificamos o novo prédio do Educandário, remodelamos a sua administração e implantamos o Serviço de Supervisão Pedagógica. 
 
Foram vinte e oito (28) anos vividos no seio da Corporação, da qual me desliguei para encetar carreira na Magistratura do Estado de Rondônia. 
 
Reconheço, sinceramente, que a comenda a mim conferida, ultrapassa, e muito, os meus méritos, se é que os tenho, mas a recebi com orgulho e a consciência tranquila de quem tudo fez em prol da educação mineira e em especial da juventude barbacenense. 
 
Hoje, assisto no noticiário haver Vossa Excelência conferido igual comenda a um tal Stédile, de quem ouço falar como invasor de propriedades alheias, de incentivador da desobediência civil, da liderança de insurrectos e como comandante de um exército ilegal e nocivo à segurança nacional. 
 
Respeito a escolha de Vossa Excelência por essa atitude, mas me recuso ao nivelamento a que estão submetidos os nomes de grandes brasileiros que também foram distinguidos pelos governadores que lhe antecederam. 
 
No Brasil atual em que a corrupção endêmica é a tônica do noticiário, em que a mediocridade se sobrepõe à criatividade; a esperteza à honestidade, a incompetência à capacidade e o corporativismo partidário aos interesses maiores na nação, sinto quão imerecida se apresenta essa condecoração, eis que grandes nomes do cenário nacional, em todas as áreas da atividade, são ignorados neste momento pelos governantes de plantão. 
 
Prefiro tê-la merecido sem ostentá-la que dividi-la com quem nada fez em prol do Brasil, da ordem pública e muito menos por Minas Gerais onde é ilustre desconhecido. 
 
Nesta oportunidade peço desculpas ao ilustre Coronel PM Jair Cançado Coutinho e ao Governador Francelino Pereira dos Santos por esta atitude, afirmando, contudo que maior que a comenda que me concederam é a gratidão que por eles guardo no recôndito do meu coração. 
 
Não me julgo superior a esse senhor Stédile, mas a minha modesta biografia, a minha devoção ao meu Estado natal, -berço e sacrário da nossa liberdade- recomendam-me não aceitar esse nivelamento, razão pela qual e por imperativo da minha formação cívica, renuncio ao galardão, com pesar, é verdade, mas convicto de que faço o que dita minha consciência.

A medalha, a passadeira e o respectivo Diploma seguem endereçadas ao Cerimonial do seu governo, via SEDEX com aviso de recebimento. 
 
Especial para Terra