sábado, 2 de fevereiro de 2013

Roberto Gurgel desmoraliza MPF

 

Dez anos depois do Fome Zero, Guaribas supera pobreza extrema

A direita burra, mesquinha e tacanha não engole isso.


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Cidade no sul do Piauí, a 600 quilômetros de Teresina, era a mais pobre do País; atenção dada pelo embrião do programa Bolsa Família erradicou miséria extrema
 

O choro de Reinaldo rola-bosta

 O sabujo mau-caráter não se conforma com a derrota da oposição incompetente e corrupta.

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Com hipocrisia à solta, 'mídiazona' perde no Senado

 



No último primeiro de fevereiro, Renan Calheiros (PMDB/AL) foi eleito presidente do Senado Federal e consequentemente do Congresso Nacional com 56 votos. Contra ele concorreu o senador Pedro Taques (PDT/MT).

Logo os moralistas de ocasião mostraram sua indignação nas redes sociais. Aos sinceros sempre o erro de olhar o específico ao invés do todo. O problema não é nome, é o modus operandi da política nacional que é ruim. A própria existência de senado gera polêmicas que se finge que nada existe.

Pedro Taques, além de candidato à presidência do Senado contra Renan, também foi candidato a novo Demóstenes. Álvaro Dias não aguentou muito tempo nessa tarefa, logo apareceram R$ 16 milhões em seu patrimônio que estavam escondidos. O próprio Taques, também não aguentaria muito tempo.

Ele é acusado de ter ligações com a máfia do combustível em seu estado. Sua esposa advoga para o sindicato dos postos de gasolina do Mato Grosso. Além de ter sido um dos maiores defensores, ao lado de Miro Teixeira – também do PDT – do “empregado” do bicheiro Carlinhos Cachoeira e editor chefe da sucursal de Veja em Brasília/DF, Policarpo Júnior.

Entre as tantas balelas ditas na defesa do elaborador de dossiês do bicheiro estava a d eque não se podia “condenar o mensageiro”. A ironia é que Taques processa o jornalista que deu a informação de seu suposto envolvimento com a máfia dos combustíveis no Mato Grosso.


Taques é tão ético quanto Demóstenes ou o próprio Renan. Renan já foi presidente da Casa, mas renunciou para evitar cassação após denúncias de que um lobista pagava pensão em seu nome em uma relação extraconjugal.

Sem falar a descarada ação de Roberto Gurgel, Procurador Geral da República em formalizar denúncia contra Renan às vésperas da disputa no Senado. Ele teve seis anos para elaborar um documento de 17 páginas. Não há palavras para descrever o quão ridículo é sua passagem pelo Ministério Público.


Essa é a moral do Senado. Queriam cassar Renan, mas ele renunciou e ficou tudo resolvido. O problema não era um lobista pagar suas contas, era ter alguém da base aliada na presidência do Congresso Nacional.

Não se trata de defender esse ou aquele senador e sim questionar a moralidade seletiva alimentada pela “grande imprensa” e que assola a classe média tradicional. Renan foi ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso (FHC). Àquela época ele era apenas um senador alagoano com uma capacidade excelente de articulação. E comandou o resgate do irmão dos cantores Zezé di Camargo e Luciano.

Quase um herói nacional nos patéticos jornalões.

Alguém realmente acha que se Serra tivesse vencido a eleição em 2002 os presidentes do Senado seriam outros senão Sarney e Renan?

O PMDB é o maior partido em parlamentares e prefeitos do país. Já era assim há dez anos atrás. Essa relação intra corporis no Congresso não seria muito diferente do que é hoje.

O vice de Renan é o petista Jorge Viana do Acre. Logo a “midiazona” para de choramingar a derrota no Senado. Se Renan sair, assume um petista. Antes alguém de um partido aliado do que um do próprio partido da presidenta.

Apesar de relativamente barulhenta, a moralidade seletiva da “grande imprensa” e da classe tradicional tem efeitos cada vez menores. Basta olharmos a audiência do ápice da catarse de turma, o Jornal Nacional. Nunca foi tão baixo. Estamos deixando de ser um país de Homer Simpson's, para desespero de nossa elite.
 

Mídia e Judiciário: relação incestuosa

 


pigimprensagolpista.blogspot.com.br
Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

O pior livro de 2013 está prestes a ser lançado: Mensalão, de Merval Pereira.

Cuidado, pois.

Tratando-se de Merval, não poderia ser outra coisa que não a reunião de seus artigos maçantes e previsíveis ao longo do julgamento. Conteúdo novo? Talvez na próxima.

O livro é importante, não obstante.

Ele mostra a relação incestuosa entre a Globo (e a grande mídia) e o STF. O prefácio é de Ayres Britto, que presidia o Supremo durante o Mensalão.

Pode? Pode. É legal? É. É eticamente aceitável? Não.

O pudor deveria impedir o conúbio literário entre Merval e Britto.

Mas o pudor se perdeu há muito tempo. Em outra passagem amoral, o ministro Gilmar Mendes compareceu sorridente, em pleno julgamento do Mensalão, ao lançamento de um livro de Reinaldo Azevedo em que os réus eram massacrados.

Ali estava já a sentença de Gilmar.

A decência e o interesse público mandam distância entre os dois poderes, a mídia e a justiça. Na Inglaterra, se o juiz Brian Leveson, que comandou as discussões sobre a mídia e seus limites, confraternizar com um jornalista, a carreira de ambos estará encerrada.

No Brasil, é pena, isso não é bem assim.

Conheço Merval há anos. Quando eu começava carreira na Veja, ele foi, durante algum tempo, editor da seção de Brasil. Não virou manchete, porque não tinha elegância ao escrever, o que naquela época era um requisito na Veja.

De lá voltou a seu habitat, o Rio. Seu tento mais espetacular, nestes anos todos de regresso ao Rio, foi ter matado Hugo Chávez numa coluna que, não gozasse ele da imunidade de porta-voz do patrão, podia ter lhe custado a mensalidade que recebe. Seu mensalão, enfim.

Reencontrei-o quando fui integrante do Conedit, Conselho Editorial das Organizações Globo.

Rapidamente, nas reuniões semanais de terça-feira no Jardim Botânico, me impressionei com Merval e Ali Kamel.

Não pelo talento, não pelo brilho. Mas pela capacidade de reproduzir, alguns tons acima, tudo que a família Marinho pensava. Pareciam competir entre si, como se dissessem: “Eu concordo com o João mais do que você!” (Acho graça quando atribuem poder ideológico a Kamel: se seu patrão fosse progressista, ele seria progressista e meio.)

Aquilo evidentemente me incomodou. Uma vez, depois de uma reunião, fui almoçar com Luiz Eduardo Vasconcellos, sobrinho de Roberto Marinho, acionista minoritário do Globo e integrante do Conselho Editorial.

O cardápio, olhando para trás, foi suicida, para mim. Disse a Luiz Eduardo, um bom sujeito, aliás, que me chamava a atenção na reunião o fato de todos os participantes repetirem, basicamente, as ideias da família Marinho.

Onde alguma diversidade, onde algum esboço de pluralismo?

Alguns macaqueavam mais discretamente, outros com exuberância e estridência retórica. Era este o caso de Merval e de Kamel. Minha solidão naquele grupo era imensa, era universal, e não apenas por eu ser de São Paulo.

Merval, em seus artigos, se coloca como um Catão. Talvez um dia nosso Catão possa vir à luz do sol para explicar por que, trabalhando há tantos anos para todas as mídia da Globo, é um PJ – um artifício pelo qual ele e seu empregador pagam menos impostos do que deveriam, e ainda se concedem o direito de fazer sermões sobre moral.

Procura-se uma oposição

oposicao
A tragicômica reação do PSDB ao pronunciamento de Dilma, semana passada – no qual a presidenta anunciou os cortes nas tarifas de energia elétrica e garantiu que não há risco algum de apagão – revela uma crise existencial profunda no partido que já foi, em sua época de “glória”, la creme de la creme das forças democráticas e progressistas. Acusar Dilma de eleitoreira e exigir que não use vermelho por ser a cor do PT, foi vergonhoso. Os tucanos de hoje parecem um amontoado de senhoras invejosas, fuxiqueiras e rabugentas que continuam com seus burros amarrados na margem de lá… no século 20. Se vivo, Mário Covas morreria de desgosto!
 
 
A bem da verdade, é eleitoreiro sim, o governo petista. Agrada o povo e recebe voto em troca. Como sempre deveria ser: toma lá, dá cá! Melhorou minha vida? Ganhou meu voto! Piorou? Dançou! Diminuir o custo da energia – que diminui o da indústria, que gera mais vendas, que geram mais empregos, que geram crescimento econômico e progresso – é ruim para quem cara-pálida? Como alguém, em sã consciência, pode discordar disso? O que esperam que o PT faça em 2014? Que não use este argumento contra eles na campanha eleitoral?
 
 
O trágico é que o país precisa, sim, de uma oposição. É isso que fortalece uma democracia. O debate de ideias, o contraponto. Porque a unanimidade é cega e burra. A oposição precisa estar estruturada em argumentos e não em estratégias destrutivas que miram adversário político, mesmo que atinjam os interesses da nação.
 
 
Diminuída nas Urnas a cada dois anos, a oposição vive à beira de um ataque de nervos há dez. Na divisão de forças políticas que sobreveio ao governo FHC, o PT atraiu os setores mais progressistas da sociedade, fez coligações e montou maioria parlamentar que deu sustentação ao governo Lula e todas as mudanças que já cansamos de enumerar. (A criminalização disso pelo STF, na 470, é inconstitucional. Ficará para a história como a maior lambança da justiça brasileira, segundo juristas de A a Z.).
 
 
À oposição restaram os reaças conservadores, remanescentes da ditadura militar. Gente que passou a maior parte daquele período locupletando-se nas esferas governamentais, sob o olhar conivente da justiça e da mídia. Ao longo da última década, por absoluta falta de ideias e renovação humana, demos e tucanos trataram de sobreviver, pequenos e mesquinhos, dentro do cenário político. A imprensa, vendo sua inépcia, assumiu o comando das ações de oposição ao governo federal. Mas nosso oligopólio midiático também amarga decadência galopante. Perdem credibilidade e força manipulativa a cada dia que passa. Resultado de um jornalismo que Marilena Chauí classifica de obsceno. Some-se a tudo isso, o crescimento da Internet, a blogosfera e redes sociais.
 
 
O PiG ainda pauta o debate, já que domina os meios de comunicação. Mas não consegue resultados nas Urnas. “Eu soube pela imprensa”, é frase comum nos meios políticos. Quando o correto seria a imprensa saber através dos políticos as coisas da política. Muitas vezes o fato nem existe, apenas querem criá-lo. Exemplo disso são os fuxicos que fazem circular desde a posse em 2011, sobre supostos desentendimentos, ciúmes e até traições, entre Lula e Dilma. Não cola: ambos são a face da mesma moeda. São co-autores do mesmo projeto social em curso no país. Lula e Dilma reúnem-se periodicamente, por horas. Devem rir dos coitados das redações que são obrigados a assinar as besteiras que o patrão manda publicar. Outro dia mesmo, um editorialista da Folha confessou seu complexo de vira-latas, usando a tragédia do incêndio em Sta Maria: “Enquanto o Castelão, em Fortaleza, pretende inaugurar uma nova fase no entretenimento de massa no Brasil, vendendo ao mundo a ideia de que o país tem capacidade organizacional para eventos de grande porte, a realidade mostrava sua cara na boate Kiss.”
 
 
Já repararam? Não há, na ditadura midiática, uma única frase construtiva em relação à organização da Copa! Será que ninguém diz nada construtivo? Ou os chefes de redação dos jornalões e TVs barram qualquer matéria que fale bem do Brasil em tempos de governos petistas?
 
 
Como se vê, oposição e sua imprensa se recusam a acreditar no Brasil. A premissa dos donos do PiG é que somos vira-latas e assim devemos permanecer para a eternidade. Porque, no fundo, seu jornalismo é vira-latas de longa data. E agarra-se em nós, como um obeso se afogando. Quem vai querer salvar?
 
 
Roni Chira
 

Um mensalão com provas

 

 
Rajoy, até tu? Foto: Dominique Faget/AFP
 
Álvaro Lapuerta e Luis Bárcenas, ex-tesoureiros do Partido Popular que hoje governa a Espanha, coletaram dezenas de milhões de euros de empreiteiros e os distribuíram como bônus a dirigentes do partido, de 1989 a 2009, em valores de até 15 mil euros por mês, diz o jornal El Mundo
 
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Os beneficiários, segundo anotações de Bárcenas divulgadas por El País em 31 de janeiro, incluem a secretária-geral Dolores Cospedal, José María Aznar, Rodrigo Rato e o próprio Mariano Rajoy, que de 1997 a 2008 recebeu 6,3 mil euros trimestrais.
 
 
Em 2011, ele aprovou uma anistia fiscal que permitiu a Bárcenas, que chegou a manter 22 milhões na Suíça, “lavar” 10 milhões de euros. Dolores Cospedal nega tudo em nome do partido, mas o presidente do Senado, Pío García, um de seus integrantes, admitiu ser verdadeiro um empréstimo contabilizado nas mesmas anotações.Carta-Capital

O corno manso II

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Depois de levar chifre de Andressa Mendonça, que preferiu o contraventor Carlinhos Cachoeira, o senador Wilder Morais (DEM-GO), assume seu romance com a modelo Vanessa Gualberto; boa troca?
 

JN murcha feito bolinha de papel

: William Bonner e Patr�cia Poeta apresentam o Jornal Nacional
 
 
Audiência média em janeiro, de 24,5 pontos, foi a pior da história e caiu impressionantes sete pontos em relação ao mesmo período do ano passado; fórmula do telejornal apresentado por William Bonner e Patrícia Poeta, voltada para o "Homer Simpson", começa a dar sinais de esgotamento, num país onde o fluxo de informação é cada vez maior

 

A vergonhosa parceria entre Ayres Britto e Merval Pereira

 
 
Como já é de conhecimento de todos, Merdal Pereira escreveu um livro sobre o mensalão.É uma coletânea dos artigos que ele escreveu nas páginas de O Globo sobre o mencionado esquema.Merdal Pereira só escreve livro assim, junta um monte de merda escrito por ele e transforma em livro, foi assim-com apoio das organizações Globo- que ele chegou à ABL. Pois bem.Até aqui nada demais, Merdal Pereira é useiro e vezeiro em falar mal de Lula, Dilma, Dirceu e do PT.O que me deixa indignado é saber que quem prefaciou o livro foi o ex-ministro Ayres Britto, aquele que é sogro de um lobista do STF.Sinceramente, é de uma falta de vergonha, de ética sem limite um ex-ministro do STF prefaciar um livro de um jornalista da laia de Merdal Pereira, um jornalista que faz 12 anos que usa seu espaço no jornal O Globo para falar mal do governo petista.Se Britto tivesse um mínimo de caráter teria rejeitado o pedido de Merdal. Isso só faz provar ainda maisque o julgamento do mensalão foi político, que foi julgado durante a eleição por conta de uma inédita parceria entre o Supremo Tribunal Federal, que teve como líder maior Ayres Britto, e o PiG.O Brasil não precisa somente de controle da mídia, precisa, acima de tudo, de controle do Poder Judiciário.O Brasil não pode se dar ao luxo de pagar a um ministro aposentado para ficar levantando bola, puxando o saco de jornalista picareta.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Renan derrotou os fracassados de sempre

 
 
Eu não morro de amores por Renan Calheiros, aliás, desde os tempos de Fernando Collor que o tenho como uma baita canalha, agora, francamente, que foi bom ele ter vencido Pedro Traque, Eduardo Campos, Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos, Cristóvam Buarque, Aécio Neves, Álvaro Botox Dias, Aloísio Nunes, Ramdolfe, Agripino Mala e caterva, foi. Não tem preço ver essa gangue maldita sendo derrotada no voto.Essa gente não quer moralizar o Brasil, quer simplesmente derrotar Dilma na eleição de 2014.Só que tomaram no cu, e sem cuspe.Bem feito!

Energia e política



 

 
EMILIANO JOSÉ       

O descontrole da oposição

 

É cor-de-rosa choque

Cynara Menezes

 

Na falta de uma “crise no setor elétrico”, a oposição brasileira decidiu enveredar por uma nova vertente: a crítica de moda. Os estilistas do PSDB gastaram horas para decidir se era ou não vermelho o terno que a presidenta Dilma Rousseff usou durante o pronunciamento em cadeia de rádio e televisão no qual anunciou o corte nas tarifas de luz.
 
 
A representação do PSDB faz alusão aos tons da campanha presidencial de 2010, mas erra: o terno usado na tevê não era rubro. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
A representação do PSDB faz alusão aos tons da campanha presidencial de 2010, mas erra: o terno usado na tevê não era rubro. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
 
 
Até o meio da semana, os tucanos tinham certeza de que Dilma usara vermelho. Em consequência, protocolaram uma representação na Procuradoria-Geral da República sob o argumento de que o objetivo subliminar seria promover o partido da mandatária do País, o PT. “A presidenta Dilma usou roupas vermelhas no pronunciamento oficial em uma clara referência às roupas vermelhas utilizadas na campanha de 2010 e nos programas partidários, fazendo alusão à cor do seu partido”, acusa o documento.
 
 
Já seria risível, mas ficou pior. A roupa não era vermelha, mas cor-de-rosa. “Inclusive combinava perfeitamente com o batom, da mesma cor”, disse uma fonte do Palácio, tão interessada nas últimas tendências do mundo fashion quanto o tucanato. O cabeleireiro da presidenta, Celso Kamura, foi taxativo. “Sem dúvida, rosa chiclete Ping-Pong.” Um conhecedor profundo de paletas de cores talvez batesse o martelo sobre a nuance exata do terninho: goiaba. Uma cor em voga neste verão. Dilma, pelo visto, está por dentro.
 
Petistas? Na internet, a pergunta: o PSDB também vai interferir nos figurinos de Michelle Obama e Angela Merkel? Fotos: Maria Tama/ Getty Images/ AFP e Bertrand Langlois/ AFP
Petistas? Na internet, a pergunta: o PSDB também vai interferir nos figurinos de Michelle Obama e Angela Merkel? Fotos: Maria Tama/ Getty Images/ AFP e Bertrand Langlois/ AFP
 
 
Coube ao novo líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio, a incômoda tarefa de ir à Procuradoria, na terça-feira 29, entregar a representação contra as roupas de Dilma. “Entendemos ser vermelho, mas é um detalhe pequeno que faz parte de um contexto. Ela pode usar a cor que bem entender, só quisemos mostrar a mudança no comportamento dela. É a primeira vez que aparece nessa cor, porque em pronunciamentos anteriores, como no último, ela vestiu preto com uma renda branca por cima”, disse o deputado, aparentemente um conhecedor do guarda-roupa presidencial.
 
 
Além do terno de Dilma, o PSDB protestou contra as letras utilizadas no programa, “parecido”, segundo o partido, com a tipologia usada na campanha presidencial de 2010. A oposição cita em particular a “grafia do sobrenome” Rousseff. E contra o que viu como abuso na utilização da rede nacional de rádio e tevê. “A convocação de redes obrigatórias de rádio e de televisão somente pode ser realizada quando necessária para preservação da ordem pública, da segurança nacional ou no interesse da Administração”, diz a representação, amparada no Regulamento dos Serviços de Radiodifusão.
 
 
Para Sampaio, houve “mudança de padrão” no pronunciamento em relação às falas anteriores. “A presidenta Dilma fez clara antecipação da campanha eleitoral. Agiu de maneira a condenar a existência da oposição e tratou a oposição como sendo pessoas que não amam o País”, queixou-se o deputado. “O conceito de República foi abandonado”, bradou o presidente do PSDB, Sérgio Guerra.
Não bastasse o daltonismo, a amnésia dos tucanos é flagrante: o apelo ao “republicanismo” é discurso fácil, mas em junho de 2002, em pleno ano eleitoral, o então presidente Fernando Henrique Cardoso convocou rede nacional para anunciar o pagamento da reposição das perdas que os trabalhadores brasileiros tiveram no FGTS em razão dos planos Verão e Collor, o que beneficiou 35 milhões de cidadãos.
 
 
“Assim como o Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, os avanços na saúde e na educação, a reposição do Fundo de Garantia é mais uma realização que outros governos não conseguiram e este governo conseguiu”, vangloriou-se FHC, a cinco meses da eleição presidencial, aquela que levou Lula à Presidência.
 
 
Exaltar as virtudes do Plano Real era frequente nos pronunciamentos de FHC em cadeia nacional durante seu governo. “Nós cuidamos primeiro do real, para que agora o real possa cuidar das pessoas”, afirmou, em 1997. Por causa desse pronunciamento, a oposição, representada pelo PT, PDT, PSB e PCdoB, recorreu à época ao Tribunal Superior Eleitoral. A alegação era idêntica: finalidade “eleitoreira”. A diferença, como de costume, está no posicionamento da mídia. À época de FHC, ninguém via desvios ou intenções ocultas em seu comportamento. Já hoje… A representação do PSDB ancora-se em editoriais e textos da Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e Veja com críticas ao pronunciamento “eleitoreiro” e “partidário” de Dilma Rousseff.
 
 
Os tucanos, ecoados pela mídia e vice-versa, criticaram o fato de Dilma se “vangloriar” da redução na conta de luz e, ao mesmo tempo, “atacar” os que fizeram previsões sem fundamento. Vale ainda a comparação: em seu primeiro pronunciamento em cadeia de rádio e tevê, em 1995, FHC fez o quê? Vangloriou-se do sucesso do Plano Real e atacou os “pessimistas”. “Muitos apostaram que o real iria desmoronar”, disse FHC. “Pois se enganaram.”
 
 
A queixa à Justiça parece uma tentativa de minimizar os efeitos (esses ainda não mensuráveis) do corte nas tarifas de energia sobre a escassa simpatia popular ao partido. Antecipada pelo governo para 24 de janeiro e fixada em 18% no caso das residências e 32%, no da indústria e comércio, o corte nas tarifas foi uma boa notícia da qual o PSDB não só não participou como tentou sabotar. Três estados governados pelo partido – Paraná, Minas Gerais e São Paulo – decidiram não aderir à Medida Provisória que reviu os contratos das concessionárias, mesmo sob as críticas dos industriais, os maiores beneficiados. Mas a redução na conta de luz também ocorrerá nessas áreas.
 
 
No Palácio do Planalto, a notícia de que os tucanos tinham entrado com a representação virou motivo de comemoração. A avaliação geral era de que a oposição vestiu a carapuça ao se identificar como alvo das críticas veladas da presidenta, que em nenhum momento citou nomes ou legendas. E deu a chance de o PT criticar diretamente o principal rival em seu programa eleitoral na televisão, em maio. Uma possibilidade é apresentar o PSDB como o partido “a favor da conta de luz cara”.
 
 
Nas redes sociais, a chacota era mesmo sobre a tentativa de “proibir” Dilma de usar vermelho. A cada aparição de uma celebridade em cores rubras, como a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, no baile da posse, estonteante num longo vermelho, ou a bem menos vistosa chanceler alemã Angela Merkel, repetia-se a piada: “O PSDB vai proibir também?”

A imbecilização do Brasil

 

Há muito tempo o Brasil não produz escritores como Guimarães Rosa ou Gilberto Freyre. Há muito tempo o Brasil não produz pintores como Candido Portinari. Há muito tempo o Brasil não produz historiadores como Raymundo Faoro. Há muito tempo o Brasil não produz polivalentes cultores da ironia como Nelson Rodrigues. Há muito tempo o Brasil não produz jornalistas como Claudio Abramo, e mesmo repórteres como Rubem Braga e Joel Silveira. Há muito tempo…
 
 
Os derradeiros, notáveis intérpretes da cultura brasileira já passaram dos 60 anos, quando não dos 70, como Alfredo Bosi ou Ariano Suassuna ou Paulo Mendes da Rocha. Sobra no mais um deserto de oásis raros e até inesperados. Como o filme O Som ao Redor, de Kleber Mendonça, que acaba de ser lançado, para os nossos encantos e surpresa.
 
 
Nos últimos dez anos o País experimentou inegáveis progressos econômicos e sociais, e a história ensina que estes, quando ocorrem, costumam coincidir com avanços culturais. Vale sublinhar, está claro, que o novo consumidor não adquire automaticamente a consciência da cidadania. Houve, de resto, e por exemplo, progressos em termos de educação, de ensino público? Muito pelo contrário.
Nossa vanguarda. Imbatíveis à testa da Operação Deserto

Nossa vanguarda. Imbatíveis à testa
da Operação Deserto

 
 
E houve, decerto, algo pior, o esforço concentrado dos senhores da casa-grande no sentido de manter a maioria no limbo, caso não fosse possível segurá-la debaixo do tacão. Neste nosso limbo terrestre a ignorância é comum a todos, mas, obviamente, o poder pertence a poucos, certos de que lhes cabe por direito divino. Indispensável à tarefa, a contribuição do mais afiado instrumento à disposição, a mídia nativa. Não é que não tenha servido ao poder desde sempre. No entanto, nas últimas décadas cumpriu seu papel destrutivo com truculência nunca dantes navegada.
 
 
Falemos, contudo, de amenidades do vídeo. De saída, para encaminhar a conversa. Falemos do Big Brother Brasil, das lutas do MMA e do UFC, dos programas de auditório, de toda uma produção destinada a educar o povo brasileiro, sem falar das telenovelas, de hábito empenhadas em mostrar uma sociedade inexistente, integrada por seres sem sombra. Deste ponto de vista, a Globo tem sido de uma eficácia insuperável.
 
 
O espetáculo de vulgaridade e ignorância oferecido no vídeo não tem similares mundo afora, enquanto eu me colho a recordar os programas de rádio que ouvia, adolescente, graciosas, adoráveis peças de museu como a PRK30, ou anos verdolengos habitados pelos magistrais shows de Chico Anysio. Cito exemplos, mas há outros. Creio que a Globo ocupe a vanguarda desta operação de imbecilização coletiva, de espectro infindo, na sua capacidade de incluir a todos, do primeiro ao último andar da escada social.
 
 
O trabalho da imprensa é mais sutil, pontiagudo como o buril do ourives. Visa à minoria, além dos donos do poder -real, que, além do mais, ditam o pensamento único, fixam-lhe os limites e determinam suas formas de expressão. O alvo é a chamada classe média alta, os aspirantes, a segunda turma da classe A, o creme que não chegou ao creme do creme. E classe B também. Leitores, em primeiro lugar, dos editoriais e colunas destacadas dos jornalões, e da Veja, a inefável semanal da Editora Abril. Alguns remediados entram na dança, precipitados na exibição, de verdade inadequada para eles.
 
 
Aqui está a bucha do canhão midiático. Em geral, fiéis da casa-grande encarada como meta de chegada radiosa, mesmo quando ancorada, em termos paulistanos, às margens do Rio Pinheiros, o formidável esgoto ao ar livre. E, em geral, inabilitados ao exercício do espírito crítico. Quem ainda o pratica, passa de espanto a espanto, e o maior, se admissível a classificação, é que os próprios editorialistas, colunistas, articulistas etc. etc. acabem por acreditar nos enredos ficcionais tecidos por eles próprios, quando não nas mentiras assacadas com heroica impavidez.
 
 
O deserto cultural em que vivemos tem largas e evidentes explicações, entre elas, a lassidão de quem teria condições de resistir. Agrada-me, de todo modo, o relativo otimismo de Alfredo Bosi, que enriquece esta edição. Mesmo em épocas medíocres pode medrar o gênio, diz ele, ainda que isto me lembre a Península Ibérica, terra de grandes personagens solitárias em lugar de escolas do saber. Um músico e poeta italiano do século passado, Fabrizio de André, cantou: “Nada nasce dos diamantes, do estrume nascem as flores”. E do deserto?
 
 
Por Mino Carta-CartaCapital