quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Olhar pelo buraco da fechadura e voto consciente


Fernando Cartaxo de Arruda, sociólogo


As pesquisas apontam o segundo turno entre Elmano Freitas (PT) e Roberto Claúdio (PSB). O Moroni Torgan (DEM) seguiu sua sina de despencar na hora da decisão final. O Inácio Arruda (PC do B) se inviabilizou ao não descolar sua imagem da antiga aliança junto ao PT e PSB. A travessia só o fez desidratar, pois teve o infortúnio de enfrentar o deserto sem água e mantimentos.


As candidaturas que poderiam surpreender não mostraram suficiente gás e fôlego para sobreviver. É o caso do independente Renato Roseno (PSOL) e do alternativo Heitor Férrer (PDT), único parlamentar na Assembleia a fazer oposição ao governo Cid Gomes. Entre outros obstáculos, tiveram que enfrentar a força do poder econômico, cada vez com custos mais elevados, além do escasso tempo na propaganda eleitoral, que exerce papel estratégico na persuasão do eleitor.


O fiasco da candidatura do Marcos Cals (PSDB) retrata o processo de desconstrução dos tucanato, fruto do habilidoso manuseio do poder pelos Ferreira Gomes. Apartaram-se do líder Tasso Jereissati e, paulatinamente, esvaziaram o partido. É bom lembrar que foi pelas mãos de Tasso a pavimentação da vida política dos irmãos Ciro e Cid Gomes. A apatia de Tasso no processo eleitoral além de refletir-se no baixo desempenho eleitoral, denota o desencanto com o jogo amargo da política.


Sem surpresas, as eleições caminham para o embate duro entre o PT e o PSB. A toada do PT na reta final demonstra que a candidatura ganha musculatura e entusiasmo. E o mito de incompetência construído em torno da administração Luizianne Lins tá sendo desfeito no próprio caminhar da campanha, ao propagar os feitos e os projetos realizados e a realizar.
 

É certo que existe resistência de setores das classes médias e das elites, alimentada por um misto de preconceito e crítica. No caso do PT, o preconceito atinge até o âmbito da personalidade e da intimidade da Prefeita Luizianne Lins; as críticas apontam fragilidades na administração, geradas por expectativas de maior agilidade nos resultados. Nestes aspectos, temos por um lado, o dedo da manipulação da mídia e, de outro, setores das classes médias esclarecidas que sintonizaram com candidaturas que afrontaram o pacto de poder que dominou o Ceará nos últimos anos, unindo um leque indigesto e oportunista que uniu as principais forças políticas (PT e PSB), o eterno fisiológico e sorrateiro PMDB e uma base estilhaçada de partidos que florescem nas sombras dos interesses individuais e de grupos específicos e mal acomodados nos grandes partidos.
 

Apesar de todo arsenal, tem sido impotentes para apagar os rastros reais de realização da administração petista. Dizer que a administração do PT foi inoperante e não realizou políticas sociais e reformas urbanísticas consistentes, é querer engabelar o senso comum da cidade, principalmente das camadas populares, que reconhecem os avanços e também as deficiências. Em certa medida, fracassou a política de comunicação social, deixando impregnar uma imagem maquiada de sua gestão. Os efeitos positivos na avaliação administrativa da cidade começam a serem sentidos com a estratégia de expor as realizações da gestão na propaganda eleitoral. Resta saber se atingirá um patamar de credibilidade confortável para a grande batalha do segundo turno ou se atingirá um ponto de saturação.
 

Até agora, a força do Lula e a administração de Luizianne embalam a campanha de Elmano Freitas (PT), assim como o apoio de Ciro Gomes e da administração do Cid Gomes sustentam a elevação das intenções de votos do Roberto Cláudio (PSB). Essas estratégias funcionaram bem para que ambos alcançassem os votos necessários para o primeiro turno, mas não é garantia para o enfrentamento da disputa final. Os eleitores vão exigir mais dos próprios candidatos, até mesmo porque terão mais tempo e serão os únicos no ringue. Ainda devem surtir efeitos os apoios estratégicos de figuras públicas, mas poderá atingir um ponto de esgotamento. No caso do PT, há expectativa que a presidenta Dilma faça um apoio mais explícito ao candidato Elmano, influenciando de forma decisiva o pleito, motivada pelo fato de Fortaleza ser uma das principais capitais a serem disputados pelo partido. De toda forma, no segundo turno sempre tem peso diferencial as qualidades pessoais, as inovações e prioridades nas propostas e no modo do agir político e de como conduzir a gestão. Não é só um detalhe, mas compõe uma essência que pode definir a escolha do futuro Prefeito de Fortaleza. A concorrência será acirrada e a busca é pelo eleitor mais crítico, que escolheu outros candidatos no primeiro turno. O PSB já começa a ensaiar esse novo tom, buscando dar foco maior no candidato. E as farpas e as críticas ácidas já começam a salivar na boca dos Ferreira Gomes. O clima do segundo turno promete ser turvo e cheio de raios e trovoadas.


A candidatura do PSB tem trabalhado o mantra que falta ideias e vontade de realizar mais. E ancora sua ascensão na popularidade do governador Cid Gomes e do político Ciro Gomes. Em termos de argumentação, aponta alguns gargalos da administração como a questão da saúde e da educação, que na verdade são problemas estruturais da política nacional. A crise da saúde pública tem seu epicentro no baixo financiamento frente à crescente demanda social por atendimento médico-hospitalar. Apesar das dificuldades agravadas com o fim da CPMF, imposto social justo por incidir o seu maior bolo nas camadas sociais mais ricas, o Sistema Único de Saúde tem realizado muitos avanços na assistência, recuperação e promoção da saúde. Daí a questão da saúde pública ser um problema controverso em todas as campanhas municipais do país, independente da coloração partidária e ideológica. Não é um caso isolado, mas sistêmico e de insuficiência de recursos sustentáveis e necessários. A solução só será sanada com o incremento real do investimento, pois universalizamos o direito à saúde e somos um país, dentre os em desenvolvimento, que menos gasta por habitante em saúde. A educação pública também padece de não ser uma prioridade nacional, mas incontestáveis são os avanços significativos realizados e a comunidade começa a sentir os seus efeitos, mesmo que numa velocidade muito aquém do necessário e bem distante do ideal.

 

Assim como o PT tem obstáculos em alguns segmentos sociais, o PSB dos Ferreira Gomes sofrem uma certa rejeição do eleitor de Fortaleza. O estilo de governar e o destempero verbal não agradam, pois parecem emitir a soberba do poder. Os servidores públicos guardam receio da forma pouco hábil nas negociações e da ausência de valorização das carreiras profissionais, bem como a condução de megaprojetos de intervenção na cidade, tocados ou formulados, sem real diálogo democrático com a cidade, como é o caso do controverso aquário na Praia de Iracema e da tentativa frustrada de instalação do estaleiro na praia do Titanzinho.


Entendo que a questão principal que está em jogo no processo eleitoral é a questão do domínio político e as suas consequências práticas. O alarido em torno da questão da gestão tem sua importância por mexer com o cotidiano das pessoas. Hoje, o conteúdo deste debate é definido pelo marketing e embasado em pesquisas qualitativas. A política eleitoral foi terceirizada e os candidatos atendem ao comando da tecnicidade. Daí não ser estranho para o olhar atento que os candidatos transpareçam trejeitos de artificialismo, doses robotizadas na postura e entonações ensaiadas na voz. Os candidatos têm um pouco da embalagem mercadológica. A única diferença é que não existe o direito do consumidor para propagandas enganosas, como os efetivos produtos de mercado, que não garantida a satisfação se troca a mercadoria. O prazo de validade no mercado da política, na certeza ou no engano, é de quatro anos. Daí que o ato de votar implica muita reflexão e consciência, tendo que se ir além do fantástico mundo da propaganda política.



É visível que o nosso modelo de urbanização está falido. As cidades não suportam o volume de carros que adentram em suas vias; a especulação imobiliária tem reduzido áreas verdes e verticalizado as moradias, adensando o modo de viver e retirando os ingredientes de qualidade de vida. O saneamento básico é precário e os nossos rios e lagoas ainda são depósitos de lixo humano e empresarial. A Prefeitura tem feito ações pontuais nas lagoas da cidade e tentado minorar o descalabro da ausência de esgotamento sanitário e coibir as ligações clandestinas de esgoto em nossas redes fluviais. Hoje, em alguns lugares se discute que essa função do saneamento básico seja municipalizada, não mais papel do estado.

 

Existem medidas paliativas, mas não há enfrentamento concreto e propostas mais radicais para enfrentar a desordem urbana e a sua cavalgada para o caos. É insano querer solucionar o problema do trânsito, por exemplo, sem enfrentar as questões centrais. As ruas e os espaços urbanos não podem ser privilégios para os carros. E quem quer tratar com seriedade e coragem a questão deve priorizar uma política de transporte coletivo e sistema alternativo de ciclovias, que satisfaça as necessidades da população, dando-lhe uma real alternativa de mobilidade racional e taxando a circulação de veículos individuais em áreas específicas. A violência é também outro aspecto inconveniente do cotidiano, uma epidemia que devasta a cidade como as drogas, que tem seu fundo nas profundas desigualdades sociais. A superação desses problemas depende de um conjunto articulado de políticas públicas, mas a função do controle e repressão da violência cabe ao aparelho policial militar e civil do estado. Chega a ser desolador as propostas que querem converter a guarda municipal em um braço armado da polícia militar. O papel do município nessa área é essencialmente preventivo e de promoção da cidadania para desarticular focos de produção da violência.

 

Infelizmente, as pesquisas qualitativas só buscam satisfazer o prisma individualista dos dilemas urbanos. Ninguém, por exemplo, quer perder o cada vez mais questionável conforto do deslocamento do carro individual, mas soluções egoísticas buscam satisfazer desejos pessoais, sem ponderações com a dimensão coletiva dos problemas. É preciso vencer essa irracionalidade. Ainda não conseguíamos qualificar diretrizes urbanísticas que dialoguem com a cidade e seus problemas. As políticas urbanas tem sido uma tragédia em quase todo o Brasil. Daí ser um tormento viver nas grandes cidades e metrópoles. E os debates eleitorais e as plataformas dos programas partidários têm sido débeis, resultando mais em efeitos de perfumaria do que em conteúdos práticos e de transformação de itinerário.

Do ponto de vista administrativo, padecemos de um debate ralo e inconsistente para o enfrentamento do caos urbano e dependemos dos investimentos do Governo Federal para a infraestrutura e o planejamento urbano, que tem que ser readequado dentro da lógica para reconstrução de novo tipo de cidade. E se algum proveito teve de concreto os debates eleitorais é que a cidade de Fortaleza deve se apropriar de um instrumento de gestão que pense estrategicamente a cidade e realize um novo planejamento para o século XXI. E isso, aparentemente, foi incorporado por todos os candidatos. Resta saber como será implantado e em que dimensão atuará. E fundamental: definir a escala de prioridades com que serão acolhidos os problemas. A questão do saneamento básico e tratamento adequado do esgotamento sanitário e industrial tem povoado a cabeça dos gestores e pensadores do espaço urbano da cidade de Fortaleza desde o século XIX. Avanços tiveram, seguidas de paralisia na execução e atualização do planejamento. É bom que os candidatos pelo menos leiam o livro Fortaleza Belle Époque – Reforma Urbana e Controle Social (1860-1930), do historiador Sebastião Rogério Ponte, que traça, com rara competência, todo percurso de como foi pensada a gênese da cidade, quando ela deixou de ser planejada e quais os ideais que moviam esses personagens que fizeram o melhor ordenamento paisagístico que nossa terra experimentou, unindo a beleza estética à questão da higiene ambiental e saúde pública.


Dessa forma, mesmo salientando a questão da gestão, penso que a variável da natureza política, nas atuais circunstâncias, se constitui como elemento fundamental, pois definirá a arquitetura onde se moverão os atores principais da cena política no Ceará, que conduzirão as interfaces políticas no cenário nacional. Daí que o confronto final do PT com o PSB significará uma alteração de rumo na política do Ceará. E o acirramento da disputa inviabilizará as chances de eventuais rearranjos locais entre o PT e o PSB, que ocorreria se o desenho do segundo turno não fosse o de conflito direto. A política nacional se move por outros meandros e pactuações, numa matemática futura que definirá a manutenção ou não da base de apoio ao governo federal na sucessão de 2014. Mas antes mesmo de encerrado o primeiro turno, já se especula de eventual candidatura alternativa à Presidência do governador Eduardo Campos (PSB-PE). É claro que a expansão de poder do PSB nas capitais e municípios simboliza uma nova força ascendente na sucessão de 2014. Seja para uma candidatura própria ou no fortalecimento do seu papel no jogo de articulação das alianças políticas.


No entanto, os impactos dos resultados das urnas no Ceará será sentido de forma mais imediata. Caso o PSB conquiste a Prefeitura de Fortaleza, isso representará a definitiva hegemonia dos Ferreira Gomes. O acúmulo do poder do Estado e da Capital representa uma força política extraordinária, pois essas máquinas administrativas atuando em sintonia exercem um poder de atração e submissão que podem trucidar e calar qualquer célula política que queira se rebelar ou fazer oposição. O risco que corremos é o da capitulação e adesismo de muitos quadros políticos que se renderão a nova ordem para sobreviver politicamente. Não seduzidos por um projeto político, mas rumo à salvação pessoal e as conveniências do convívio com o poder. O PT pode sofrer os mesmos danos que o PSDB, vendo migrarem parte dos seus quadros para partidos da situação ou se sujeitando como força aliada subserviente a nova primazia política. A nossa democracia, representativa e partidária, é frágil. Requer equilíbrio entre forças que divergem nas ideias e nos projetos, assentadas em espaços concorrentes de poder. As forças exiladas totalmente das máquinas administrativas tendem a minguar e desaparecer, pois os ciclos históricos são de longa duração para reversão de hegemonias recém-consolidadas. Enquanto não ocorrer uma Reforma Política profunda no país, a tendência é que alguns tipos de ciclos de domínios políticos se alonguem.

A eleição do PT tende a manter um equilíbrio de forças no Ceará, pois o governo do estado permanece nas mãos do PSB. E novos pactos partidários surgirão, diante da ruptura com o PSB, que deve se acentuar no calor da disputa eleitoral do segundo turno. É importante o resgate de personagens como Lúcio Alcântara para a cena política, bem como mudanças e qualificação nos quadros da atual gestão municipal. A continuidade do projeto político do PT não pode significar a permanência das mesmas estratégias de gestão, pois os horizontes políticos também serão outros. Os princípios precisam ser consolidados, nunca os mesmos modos de agir e as mesmas mãos a gerir. Fato ainda não de todo esclarecido, mas fundamental para se visualizar essa nova etapa política e o desfecho eleitoral do segundo turno. Há sinalizações que já vivemos as transformações e se desenham novos arranjos nos blocos políticos que disputão os espaços de poder futuros.



Ainda patinamos no incerto e na imaginação de como se acomodará as demais forças políticas diante da polarização PT X PSB. É bom que se discuta os efeitos no território político dos resultados finais das urnas. Pois a realidade eleitoral não se completa só na linguagem administrativa; há a linguagem do poder, que não se pode ocultar ou desconhecer.

 

Entendo que a democracia só é boa quando existe oposição. Acredito que os gestores tendem a desempenhar com maior capricho e seriedade suas funções quando fiscalizados e acompanhados pelo olhar crítico. Os eleitores devem ser sábios quando escolhem os seus representantes, tanto prefeito como vereadores. Temo os políticos que são incapazes de fazer autocrítica e desconfio dos que perdem a cabeça diante da voz da oposição.
 

É verdade, toda unanimidade é burra, como dizia o anjo pornográfico Nelson Rodrigues. E ao eleitor cabe olhar pelo buraco da fechadura antes de votar. E por lá que se observam as nuances, se revelam os segredos e as verdades escondidas ganham as dimensões verdadeiras. Esses devem ser os alimentos do voto consciente, pois foi por esse orifício que o mundo foi desvendado e a alma brasileira despida em forma da prosa rodriguiana.
 

As últimas décadas, os últimos anos e as próximas horas

 


 
 
Quis o destino que a resposta da Presidenta Dilma Rousseff à soberba 'paulista' de Serra acontecesse num simbólico 2 de outubro. Nessa data, há 80 anos, Getúlio Vargas derrotou a secessão da oligarquia de São Paulo, cuja marca de fantasia se atribui o rótulo de 'revolução constitucionalista de 32'.

O tucano que se gaba de já ter disputado sete eleições para cargos executivos, enfrenta um crepúsculo de campanha -talvez de vida pública - perfilando assim no lado que lhe compete na história.

Em 12 de setembro, ao ranger do chão da candidatura que pode marcar a sua despedida política, Serra vestiu a farda da nostalgia separatista. E evocou prerrogativas pré-republicanas sobre o eleitorado de São Paulo.

Como um guardinha de 32, desengavetou a carabina da resistência à construção do Estado nacional, implementada então por Getúlio Vargas. E apontou a mira contra aquela cujo cargo e trajetória política simbolizam a presença de Vargas no Brasil atual.

"Ela vem meter o bico em São Paulo; ela que mal conhece São Paulo, vem aqui dar palpite", disparou o tucano para gozo da mídia oligarca que se esponjou em manchetes nostálgicas.

A filiação da frase foi captada pela Presidenta --gaúcha na formação política, embora mineira de nascimento-- Dilma Rousseff.

Uma saraivada de recados históricos soterrou o tucano na sua resposta. Em um palanque na periferia de São Paulo, junto a um conjunto habitacional, ao lado de um líder operário que ultrapassou as expectativas mais otimistas de Getúlio e se fez presidente por duas vezes, bem como do adversário direto de Serra no pleito municipal, Fernando Haddad, Dilma foi ao ponto.

Deu uma lição de republicanismo ao porta-voz do apartheid conservador nos dias que correm.

Disse a Presidenta :

"Eu morei na Celso Garcia; lutei contra a ditadura aqui; fui presa política em São Paulo. Foi pelas liberdades, pelo direito de cada um dos paulistas e dos brasileiros de meter o bico em todos os assuntos que eu lutei aqui em São Paulo. Devo a São Paulo não só respeito, mas gratidão por ter me protegido. Por isso, quem vai governar essa cidade é muito importante para a presidenta. Eu estou aqui metendo o bico em uma eleição porque para o Brasil, São Paulo é muito importante. E não tem como dirigir o Brasil sem meter o bico em São Paulo"

Em síntese, ela explicou a sinhozinho Malta que, desde Getúlio, São Paulo não é mais uma sesmaria consuetudinária dos endinheirados. Seu povo não compõe um protetorado eleitoral tucano; e ela, a exemplo de Vargas, em 30 e em 50; de Lula, em 2002 e 2006, não se sujeita às regras de quem arrota retórica liberal. Mas dispensa 'aos de fora' - os 'baianos', os gaúchos, os operários, os comunistas - as armas da capangagem política mais convenientes à ocasião.

Ontem, a secessão à bala; hoje, o golpismo conservador calibrado pela fuzilaria interrupta do bombardeio midiático. Não cometerá desatino histórico quem incluir na engrenagem dessa cortina de fogo o circo criado em torno do julgamento do processo 470.

Em alguma medida, neste caso também, são 'os de fora' que estão sendo julgados, sob critérios de uma exceção definida e vocalizada pelos 'de dentro', através do seu aparato midiático.

É o PT que surgiu de baixo em afronta à regra não escrita dos partidos feitos pelo e para o dinheiro grosso comandar a vida do Brasil miúdo.

São lideranças que, ademais das concessões e renúncias --e por mais que às vezes remetam à imagem do cardume exaurido levado pela correnteza depois de vencer os pedrais da piracema-- demarcaram um campo popular de extensão inexistente no Brasil até então. E inédito no mundo redesenhado pela derrocada do projeto socialista, após a queda do Muro de Berlim, em 1989.

Foi o contraponto dessa gênese de vigor paradoxal que atraiu para o PT o olhar da esperança progressista mundial; mas também o ódio tenaz dos que imaginavam ter erradicado 'essa raça para sempre', com o efeito dominó subsequente ao colapso da ex-URSS e o início da supremacia neoliberal.

Três vitórias presidenciais sucessivas abalaram as certezas dos que consideravam questão de tempo destruir a excessão petista dentro das regras do jogo.

Não é preciso ser de esquerda para admitir que esse abalo influencia nesse momento a redefinição das fronteiras da norma, do bom senso e da isonomia no julgamento em curso no STF.

Está no ar, mas é de tal maneira denso que se pode cortar com uma faca: uma engrenagem gigantesca se move para desacreditar por outros meios, aquilo que se consolidou como referência de luta pela democracia social no país e no imaginário do povo.

Não se poupa aqui de reprovação a prática do caixa 2 de campanha. Sobre isso Carta Maior já disse e sublinha: ela amesquinha projetos progressistas, aleija suas lideranças, desmoraliza a soberania do voto popular.O que causa espécie, todavia, é o esforço concentrado para distinguir o caixa 2 cometido pelos ' fora' (a 'companheirada', no tratamento quase racista do jornalismo isento), daquele precedido na natureza e no calendário pelos 'de dentro'.

Tal malabarismo assumiu dimensões e contornos de sofreguidão caricatural na a pulsão condenatória de mídias e togas que nunca antes , 'nem depois', vaticinou o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos em entrevista à Carta Maior - reproduzirão o mesmo tratamento para igual delito.

Quando Vargas derrubou as oligarquias da República Velha que se perpetuavam na Presidência à base do Café com Leite, irritaria sobremaneira aos 'liberais' a legalidade concedida aos sindicatos operários e ao Partido Comunista.

O apoio do novo governo a um aumento salarial reivindicado por uma greve geral que paralisou 200 mil trabalhadores no Estado de São Paulo pode ter sido a gota d'água da 'revolução constitucionalista de 32'.

Muitos estudiosos enxergam nesse entrelaçamento histórico a semente de um conflito entre duas linhagens frontalmente distintas de democracia e de projeto para o país: de um lado, um Brasil ordenado pela democracia social; de outro, uma sociedade circunscrita pela democracia de recorte liberal, vista pelo tenentismo mais aguerrido dos anos 30 como uma farsa.

Os ecos desse conflito ainda comandam a disputa política brasileira no século XXI.

Foi isso que o dedo de Dilma apontou em direção a Serra no discurso desse 2 de outubro encharcado de referências históricas implícitas e explícitas.
 

É de alguma maneira a extensão desse embate que se assistirá nas próximas horas no STF, no julgamento de lideranças petistas, entre elas José Dirceu e Genoíno.

O calendário ordenado com o definido propósito de tornar eleitoralmente desfrutável esse momento autorizará o historiador do futuro a arguir se o que se fez foi um julgamento isento (para além das aparências da isenção). Ou terá sido mais um capítulo da tentativa recorrente, desde 1932, de impedir que os 'de fora' venham meter o bico nos destinos da 'São Paulo ampliada', que é como os 'de dentro' enxergam o Brasil.
Saul Leblon-Carta Maior

Hugo Chávez: o herói do povo no embate final

 

Por Rory Carroll
 
 
 
De certa maneira, é como nos velhos tempos. Multidões cercam o candidato presidencial enquanto ele percorre cidades e aldeias empoeiradas, prometendo uma nova Venezuela. Elas rodeiam o ônibus entoando seu nome, e quando ele aparece gritam e avançam desesperadas para abraçá-lo. Muitos seguram bilhetes – pedidos escritos à mão de um emprego, uma casa, uma operação –, e quando conseguem colocá-los em suas mãos ou seus bolsos quase explodem de alegria. “Ele sabe que as coisas não podem continuar assim. Ele sabe que estamos prontos para a mudança”, gritava acima dos aplausos o estudante Josmir Meza, 25.
 
 
O problema de Hugo Chávez é que ele não é mais aquele candidato. Em 1998 era um desconhecido rebelde, um candidato jovem e atlético que prometia derrubar a ordem estabelecida e “refundar” a Venezuela. Ele era incontível, e disparou para a vitória.
 

Catorze anos depois, porém, enquanto tenta um terceiro mandato na eleição do próximo domingo, é seu desafiante mais jovem, Henrique Capriles, 40, quem eletriza as multidões.
 
 
Em comparação, Chávez, com 58 anos, é uma figura doente e fugidia, que hoje representa o establishment. Ele não deseja explodir o palácio presidencial de Miraflores, uma construção neocolonial cor-de-rosa no centro de Caracas, mas mantê-lo. Depois de dominar a Venezuela como um colosso, liderando sua revolução socialista em avalanches eleitorais consecutivas, ele enfrenta a batalha eleitoral de sua vida.
 
 
Com os dois lados retratando o voto como um teste existencial para derrotar ou salvar o experimento político e econômico único conhecido como chavismo, as apostas não poderiam ser maiores. Se Chávez perder, seu movimento quase certamente se romperá, decepcionando os apoiadores estrangeiros que saudaram a “revolução bolivariana” como uma vitrine da esquerda. Se ele vencer, os críticos no país e no exterior vão falar em uma queda na autocracia e na disfunção.
 
 
De qualquer maneira, será mais um capítulo no grande drama que é a vida de Hugo Chávez. Como o menino de uma família humilde de Sabaneta, uma cidade minúscula nas vastas planícies conhecidas como “los llanos”, conseguiu se tornar não apenas presidente, mas uma figura global ao mesmo tempo adorada e repudiada, é uma história notável.
 
 
Como as lendas à beira do fogo de cavaleiros, demônios e rebeldes que encantavam o jovem Hugo – ele decorava os poemas, histórias e canções –, sua ascensão é a matéria-prima do mito. Ele foi o segundo filho de pais professores; se fosse menina, pretendiam chamá-lo de Eva, complementando o primogênito que se chamava Adán, mas então lhe deram o nome do pai. Quando chegaram mais filhos (seis, todos meninos), os dois mais velhos foram mandados para morar com sua avó, Rosa, uma mulher boa e diligente que amava os meninos.
 
 
Segundo todos os relatos, Hugo era um menino feliz e falante, que quando não estava na escola jogava beisebol com um taco e uma bola feitos em casa, pintava, lia livros e complementava a renda familiar vendendo as “aranhas” feitas por sua avó – tiras de mamão açucaradas. “Eu saía andando e gritando ‘Aranhas quentes, aranhas gostosas para meninas bonitas!’”, ele lembrou recentemente. Como um adolescente magro, de pés grandes, ele foi apelidado de Pateta.
 
 
Na década de 1960, a Venezuela, que já foi um recanto sonolento da América do Sul governado por ditadores, era uma democracia nascente com receitas do petróleo cada vez maiores e uma fome de modernidade. Uma nova elite e uma classe média cresciam entre os arranha-céus, mas a maioria dos migrantes rurais acabava em favelas nos morros ao redor das cidades.
 
 
Hugo, um talentoso jogador de beisebol, não sonhava com a política, mas em jogar nos grandes times. Ele tornou-se um cadete militar, esperando saltar da academia para os clubes de beisebol de Caracas. Em vez disso, apaixonou-se pela vida militar. “O uniforme, a arma, uma área, a formação cerrada, marchas, corridas de manhã, estudos de ciência militar – eu estava como peixe na água”, ele lembrou mais tarde.
 
 
Enquanto Chávez galgava as fileiras, estudou os textos de Simón Bolívar, o libertador do século 19 que expulsou os espanhóis, assim como filósofos como Nietzsche e Plekhanov. Também notou a extrema pobreza e a desigualdade em meio ao êxito do petróleo. Inspirada pelos líderes militares revolucionários do Panamá e do Peru, e por intelectuais de esquerda venezuelanos, uma ideia começou a se formar: rebelião.
 
 
Apoiadora de Chávez entra no que foi a casa onde Chávez nasceu e que hoje é sede de seu partido em Sabaneta. Foto: Leo Ramirez / AFP
 
 
Durante uma década ele reuniu colegas oficiais em uma conspiração para substituir o que consideravam uma democracia venal e espúria por uma democracia real e progressista. O golpe de fevereiro de 1992 foi um fiasco militar, que permitiu a continuação do governo impopular, mas Chávez transformou seu discurso de rendição na televisão em uma vitória política. Eloquente e galante com sua boina vermelha, ele se apresentou a um país atônito – “escutem o comandante Chávez” – e disse que seus objetivos não haviam sido alcançados “por enquanto”. Ele merecia 30 anos de cadeia, dizia a piada: um pelo golpe, 29 por fracassar.
 
 
 
Perdoado e libertado depois de dois anos, foi adotado como figura de proa por uma coalizão de movimentos populares e partidos de esquerda, e levado à vitória na eleição de 1998, aplaudido não apenas pelos pobres mas por uma classe média cansada dos partidos políticos fossilizados. Com o barril de petróleo a apenas US$ 8, o Estado estava quase falido.
 
 
Poucos fora da Venezuela, até então mais conhecida por suas “misses” e pelo petróleo, sabiam o que fazer desse novo elemento dinâmico, que elogiava Fidel Castro mas disse que não era nem de esquerda nem de direita, mas um seguidor da “terceira via” à moda de Tony Blair. Em poucos anos Chávez se tornou uma das figuras mais polarizadoras e conhecidas do mundo.
 
 
A retórica veemente – ele criticava os ricos como “porcos guinchando” e “vampiros” que saqueavam a riqueza do petróleo – o tornou atraente para os pobres e alienou a classe média e as elites tradicionais. Estas o chamavam de “macaco” ou pior. Em abril de 2002, as elites brevemente o depuseram em um golpe apoiado pelo governo Bush, tentaram novamente com uma greve do petróleo e depois com um referendo. Chávez sobreviveu e tornou-se mais radical, declarando-se socialista e nacionalizando grandes setores da economia. O aumento acelerado dos preços do petróleo despejou bilhões de dólares no Tesouro, que ele usou para fundar hospitais dirigidos por cubanos e outros programas sociais, atenuando a pobreza. Ele criou um império de mídia estatal que promoveu um culto da personalidade e endureceu o controle executivo das forças armadas, do judiciário e do legislativo.
 
 
Chávez chamou George Bush de “burro”, de “Senhor Perigo”, “imbecil” e, durante um memorável discurso na ONU, de “diabo”. Defensores como Ken Livingstone, Sean Penn, Danny Glover e Noam Chomsky lhe renderam homenagem visitando Caracas. Depois de conquistar um segundo mandato em 2006, Chávez ganhou um referendo que aboliu os limites de mandatos e falou em governar até 2021, depois 2030. Isso parece duvidoso hoje. À frente em algumas pesquisas, ele está atrás em outras.
 
 
Chávez continua sendo reverenciado nos “barrios”. “Ele é um presente, ele significa tudo para nós”, disse Aleira Quintero, 55, uma cabo-eleitoral de camiseta vermelha em Petare. Mas mesmo seus seguidores estão cansados dos terríveis índices de criminalidade, da inflação, da escassez de produtos e da infraestrutura em ruínas. Pontes desmoronam, refinarias explodem, blecautes envolvem as cidades.
 
 
Chávez mostrou-se um hábil estrategista político e comunicador inspirado, mas um administrador desastroso, distorcendo a economia com controles contraditórios, criando e dissolvendo ministérios por capricho, lançando e abandonando iniciativas, negligenciando investimentos e manutenção. Apesar das receitas do petróleo recordes, a Venezuela toma bilhões de dólares emprestados para tentar tapar os buracos.
 
Carisma, benesses e controle institucional, para não falar na capacidade de monopolizar as ondas aéreas, ainda poderão conseguir a reeleição, mas Chávez enfrenta dois obstáculos formidáveis.
 
 
Esgotado e inchado pelo tratamento do câncer, às vezes ele tem dificuldade para andar. Em vez dos comícios fogosos de antigamente, suas aparições públicas são raras e muitas vezes melancólicas. “Se eu pudesse, vocês sabem que desceria deste palco e iria andando, como no passado”, ele disse em um comício, com lágrimas nos olhos. Alguns seguidores temem que o câncer seja terminal e que votar em Chávez seja um voto na incerteza e na disputa de poder por ministros e cortesãos não apreciados.
O outro obstáculo é Capriles. Ao contrário de líderes de oposição anteriores, ineptos e estridentes, o governador estadual é um político disciplinado e enérgico na campanha. Um corredor e jogador de basquete, seu apelido é El Flaquito, “o magricela”. Ele aproveitou a iniciativa atravessando o país em visita a 274 cidades e projetando-se como um centrista que manterá os programas sociais de Chávez, enquanto oferece uma administração competente. Para atrair os “chavistas moderados”, ele não chama Chávez de ditador ou mesmo de Chávez. Consciente do poder do nome, Capriles o chama de “o candidato do [partido dominante] PSUV”.
 

Se o presidente vencerá ou não – e dado seu histórico eleitoral seria tolo ou ousado apostar contra ele –, sua fama continuará viva. No poder ou fora dele, não se esquecerá o nome de Hugo Chávez.
 
 
O arquivo Chávez
 
 
Nascimento. Em 1954, na casa de sua avó em Sabaneta, estado de Barinas. Seus pais, Hugo de los Reyes Chávez e Elena Frías de Chávez, eram professores escolares. Chávez foi criado por sua avó, uma católica devota. Formou-se na academia militar em 1975. Melhores momentos. Chávez conquistou a presidência em 1998 com promessas de varrer os corruptos, os partidos políticos enquistados e de ajudar os pobres no país rico em petróleo.
 
 
Piores momentos. Rumores do câncer terminal de Chávez dominaram a campanha eleitoral contra seu jovial adversário, Henrique Capriles.
 
 
O que ele diz. “Eu gostaria que Obama se concentrasse em governar os EUA e esquecesse as pretensões imperialistas de seu país”. Chávez manifestou decepção com o presidente americano em uma rara entrevista à mídia ocidental.
 
 
O que os outros dizem. “Chávez controla o Estado, o exército, o partido e as organizações assistencialistas. Ninguém goza da mesma legitimidade, ninguém pode reivindicar substituí-lo. Se ele deixasse a política haveria vários processos de transição: para encontrar um substituto em curto prazo, um novo líder e um candidato capaz de vencer a eleição. Eles não são necessariamente a mesma pessoa.” Carlos Romero, analista político, sobre a vida na Venezuela sem Chávez.
 
The Observer

PT é favorito em Goiânia, epicentro do Cachoeiroduto

 


 
De Goiás saiu o maior escândalo político de 2012, o Cachoeiroduto. O esquema, chefiado pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, chegou a faturar mensalmente entre 1 e 3 milhões de reais com a exploração do jogo do bicho só no estado, segundo levantamentos da Procuradoria da República.
 
 
 
Além disso, o atual governador goiano, Marconi Perillo (PSDB), responde na CPI do Cachoeira por supostamente ter sido conivente com o esquema e beneficiar o bicheiro.
 
 
As denúncias minaram ainda no primeiro semestre a intenção do PSDB em montar um chapa pura com o pré-candidato Leonardo Vilela (PSDB) ou encabeçada pelo senador cassado, Demóstenes Torres (ex-DEM). Ambos eram acusados de possuir alguma proximidade com Carlinhos Cachoeira. Em face disso, Perillo optou por compor e apoiar a coligação do trabalhista Jovair Arantes (PTB).
 
 
Ao mesmo tempo em que o governador goiano responde na CPI sobre as suspeitas de suas ligações com o bicheiro, ocorre no STF o julgamento do “mensalão” do PT. Com isso, nas vésperas do primeiro turno, a capital de Goiás vive um ambiente em que os dois candidatos mais cotados para assumir a prefeitura – Paulo Garcia (PT) e Jovair Arantes (PTB)- pertencem ou são apoiados pelos partidos envolvidos nos escândalos, o PT e o PSDB.
 
 
O candidato petista, Paulo Garcia, é o atual prefeito de Goiânia e, com uma gestão bem avaliada pela população, parece ter saído imune dos respingos do julgamento do “mensalão” e ter sua reeleição praticamente assegurada. De acordo com uma pesquisa do instituto Fortiori/Jornal Opção, realizada entre 17 e 20 de setembro, Garcia aparece com 56% das intenções de voto contra apenas 16,3% de Arantes.
A menos de uma semana do pleito, os institutos de pesquisa apontam como pouco provável que Garcia caia nas intenções de voto e não vença já no dia 7. Em ascensão contínua nas pesquisas, o candidato do PT aparecia com 26% dos votos válidos, em junho. Desde então, o atual prefeito só apresentou queda nas intenções de voto uma vez – na primeira quinzena de setembro, quando o instituto Fortiori colocava Garcia com 43,5% dos votos e o instituto Grupom com 39,9.
 
 
A margem de erro da pesquisa realizada entre 17 e 20 de setembro é de quatro pontos para mais ou para menos.CartaCapital

Samuel Pinheiro Guimarães:"Nunca vão aceitar que o operário tomou o poder"

 

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A frase foi dita pelo embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, numa referência ao governo Lula, num jantar de desagravo a José Dirceu, na casa do escritor Fernando Morais. Mais magro, e de cabelos longos, o réu que começa a ser julgado nesta quarta-feira, se emocionou ao ouvir do embaixador: “Entre nós aqui há quem tenha lutado com mais vigor e com mais sofrimento para diminuir nossas inaceitáveis desigualdades. Sofreram e ainda sofrem”; destino de Dirceu pode ser, novamente, a prisão

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Um tribunal opinático

 

Bingo! candidatura de Geraldo Júlio pode ser impugnada




Promover bingo para arrecadar fundos de campanha é proibido pela Lei Eleitoral.Pois bem, correligionários de Geraldo Júlio realizaram um bingo, na comunidade do Bode, para arrecadar dinheiro com o fim de injetar na já milionária campanha do candidato de Dudu traição.Por menos que isso João da Costa teve a candidatura impugnada na eleição passada.O máximo que a promotora eleitoral fez foi pedir que a PF abra inquérito policial para apurar o ocorrido no dia da realização do bingo.

Primo de Serra 'perde' ilha na Justiça

 

 

Não esquecer que esse cidadão é uma das pessoas citadas no livro a Privataria Tucana que, inclusive, trata dessa questão.O que é que os petistas estão esperando para começar a CPI da Privataria?

Imagens da costa da ilha em disputa
 
 
Após três anos de indefinição jurídica a respeito da posse de terra sobre a Ilha do Urubu, no litoral baiano, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) reconheceu como legítima a posse da terra para uma antiga moradora. Vandeíta de Jesus Martins dos Santos disputava o terreno com o o empresário espanhol naturalizado brasileiro Gregório Marin Preciado, casado com uma prima do candidato a prefeito de São Paulo José Serra (PSDB).
 
 
O terreno era disputado há pelo menos três décadas pelos integrantes da família Martins e, em 2009, havia sido doado pelo então governador baiano Paulo Souto para cinco pessoas: Maria Antônia, Benedita Antônia, Ivete Antônia, Joel Antônio e Angelina.
 
 
Após esse processo apressado de doação, o imóvel foi repassado, quatro meses mais tarde, por apenas 1 milhão de reais para Preciado. De acordo com a legislação, a ilha só poderia ser vendida pelo quinteto da família Martins após cinco anos de uso.
 
 
Com a posse da ilha, Preciato usou o imóvel como garantia para obter um empréstimo de 5 milhões de dólares no Banco do Brasil. Um ano mais tarde, a ilha baiana foi revendida por 12 milhões de reais para o empresário belga Philippe Meeus.
 
 
Segundo o advogado da causa, César Oliveira, Preciado teria uma escritura fraudulenta da terra e desalojou os verdadeiros posseirosos e herdeiros legítimos da propriedade, cuja escritura é de 1964.
 
 
Oliveira ainda informou que perícias realizadas na época comprovaram que o título de doação foi irregular. A disputa pela posse da Ilha do Urubu é um dos fatos narrados no livro A Privataria Tucana, que faz uma série de denúncias sobre a chamada “Era das Privatizações” no Brasil.
 
 
O advogado afirma que a “decisão do tribunal confirma a denúncia da Privataria Tucana”, e que, no seu entendimento, a justiça foi feita. “Não importa se as pessoas são humildes e se a área vale milhões. Foi isso que a Justiça reconheceu”, refletiu.
 
 
A decisão unânime das desembargadoras Heloísa Graddi, Telma Britto e Lisbeth César Santos assegurou os direitos sobre o uso da ilha para Vandeíta Martins dos Santos de forma quase definitiva, já que não cabe recurso à decisão.CartaCapital

PiG de 2003 desmonta voto de ministros do STF que viajaram na maionese


Não é só jabuticaba que é exclusividade do Brasil. Deve ser o único país no mundo onde o voto de ministros da Suprema Corte "viaja na maionese".

Por acreditar demais no que foi publicado em jornais e revistas golpistas a partir de 2005, nossos ministros do STF se deixaram convencer de que "mensalão" foi compra de votos parlamentar.

Mas se os ilustres magistrados lessem os arquivos desta mesma imprensa, antes de 2005, veriam que era e é absolutamente irreal atribuir a compra de votos, a votação parlamentar nas reformas da previdência e tributária.

A própria revista Exame, da mesma editora da revista Veja, em 28 de janeiro de 2003, já publicava:
Para completar a jabuticaba, o ministro do STF Celso de Mello afirmou ser possível questionar a anulação destas votações, segundo ele "compradas".
 
 
 
 
Exame
 
Os Amigos do Presidente Lula

A suprema caricatura

 

Os réus do mensalão são “bodes expiatórios midiáticos”?

 

Se o voto foi comprado, a votação deve valer?

 

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Desde que o mundo é mundo, a política no Brasil envolve a cooptação de aliados e o STF avaliou que o PT, ao agir desta maneira, comprou votos no Congresso. Pergunta número 1: as votações devem valer? Pergunta número 2: nos governos anteriores e nos estaduais e municipais, os partidos aliados, que são sempre os mesmos, não eram cooptados?

 

Vale a pena ler de novo:o PT pagou o pato

 

O jornalista Maurício Dias, na sua obra A MENTIRA DAS URNAS, CRÔNICAS SOBRE DINHEIRO & FRAUDES NAS ELEIÇÕES, afirma algo que é comum nas campanhas eleitorais:"O financiamento de campanha tem sido, como se sabe, o gerador dos maiores escândalos na política brasileira, porque todos os candidatos se sustentam com a caixinha marginal.Isso tem provocado combates-muitas vezes violentos e fatais-que antecedem a disputa nas urnas.Nesses confrontos, a vitória é alcançada quando se expõe o esquema clandestino de financiamento do adversário".Dias arrola vários casos de caixa dois ocorridos nesses últimos 60 anos, tais como o recebimento pelo IBAD-Instituto Brasileiro de Ação Democrática, que não era um partido político mas agia como tal, que recebeu, no ano de 1963, Rr$ 5 milhões cerca (R$ 100 milhões de reais atualmente) de ajuda financeira dos Estados Unidos para empregar nas eleições brasileiras; A Caixinha do Ademar, que empregou UU$ 2,5 milhões de caixa dois em uma de suas eleições; o telhado de vidro de JK, que relata que JK, em 1955, realizou uma campanha milionária, toda através de caixa dois, cujo tesoureiro era o empresário Sebastião Pais de Andrade, o Tião Medonho; o Boi Indiano Financia o presidencialismo, que relata um caixa dois realizado por João Goulart, que consistia na compra e venda de boi indiano; O Clube do Bilhão de Tancredo Neves, que recebeu 1 bilhão de cruzeiros de vários empresários, dentre eles Mario Garnero, para a eleição indireta em 1985; Caixa Dois de PC, onde foi arrecadado milhões de reais para campanha de Collor de Mello; os R$ 10 milhões de reais da Planilha Bresser Pereira, na eleição de 1998 de FHC, os milhões de reais desviados da BR Distribuidora para campanha de FHC de 1994 e 1998.Enfim, são escândalos de arrepiar.A compra de votos, ao preço de R$ 200 mil reais para cada deputado, para aprovar a Emenda da Reeleição de FHC.
 
 
Não obstante todos esses esquemas de Caixa Dois, nada foi apurado, ninguém foi preso, ninguém responde a processo.Por que ninguém foi punido? Por que, afora o governo Jango, todos esses corruptos tinham( e alguns deles ainda continuam tendo) a proteção da mídia, do Ministério Público Federal e do Poder Judiciário corrompido.
 
 
Agora, só porque o PT se meteu nesses esquemas ilícitos, o PiG, o Ministério Público Federal e o Supremo Tribunal Federal conspiram para que todos os petistas envolvidos no esquema sejam punidos e presos.
Ora, porque o Supremo Tribunal Federal não puniu esses outros políticos, esses outros partidos envolvidos em caixa dois?
 
 
É simples de responder.É porque essa turma(PiG-STF-PGR-Igrejas Católica e Protestante, com exceção, claro) não engole o PT, não engole Lula nem Dilma. o PT tem posições que incomodam esses ministros, esses procuradores, esses jornalistas, esses padres e pastores conservadores, tais como:a defesa dos excluídos, o apoio ao MST, a defesa do aborto e do casamento entre homossexual.O PT faz parte do Foro de São Paulo.Essa turma sabe também que Lula e Dilma e o PT são defensores de Hugo Chavez, Evo Morales, Cristina Kristner, Mujica, Fidel Castro, Fernando Lugo.
 
 
O que me deixa indignado é que o governo FHC saqueou o Brasil sem dó nem piedade e não ocorreu nada com ele.O corno manso está aí, posando de ético.Collor de Mello também saqueou o Brasil e não ocorreu nada com ele.

 
Mas a culpa de tudo isso é de Lula, de Dilma, pois não tiveram peito de enquadrar o PiG, não tiveram peito de levar adiante a CPI das Privatizações e da Privataria Tucana.Lula e Dilma também têm culpa por ter nomeados ministros do STF e Procuradores da República que só fazem o que o PiG determina.O PT também tem culpa, pois não teve peito parra levar, em nome da tal governabilidade, a CPI das Privatizações, nem a CPI da Privatização adiante, também não teve peito para convocar Policarpor Jr. e Civita para deporem na CPI do Cachoeira.

Eles estão julgando com uma faca no pescoço

 
 
Parte dos ministros dos STF, aderindo vergonhosamente a tese do PiG, decidiu que houve compra de votos pelo governo Lula para aprovar projetos de interesse do governo.
 
 
É preciso o julgador ser muito estúpido, muito parcial, muito desonesto intelectualmente para aceitar uma tese maluca dessas.
 
 
Ora, qual razão teria o governo Lula para comprar deputados, muito deles da oposição, para aprovar a Reforma Previdenciária e a Tributária(essas são as matérias que, no entender do STF, foram compradas por Lula)?
 
 
Não tinha(nem tem) o menor cabimento.
 
 
Se o Lula tivesse de comprar deputados teria comprado o ex- deputado Maurício Rands, relator da Emenda da Reforma da Previdência para dar um parecer favorável à matéria.Para quem não sabe, Maurício Rands foi por muitos anos advogado dos grandes sindicatos dos servidores públicos aqui de Pernambuco, tais como a AFREM SINDICAL, O SINDSPREV, O SINDIFISCO.Todos esses sindicatos destituíram Rands da representação judicial por conta da traição dele.Os servidores públicos de Pernambuco ainda hoje não perdoam Rands pelo fato de ele ter dado o parecer favorável  e de ter votado a favor da reforma previdencária.Não consta na lista de Marco Valério que Maurício Rands recebeu recursos financeiros.
 
 
Mais:qual motivo teria Lula para comprar o deputado Paulo Rocha(PT-PA) por R$ 700 mil reais e Professor Luizinho por R$ 20 mil? O que justifica tamanha disparidade entre os valores recebidos?Será que o voto de Rocha era mais qualificado que o de Luizinho?
 
 
 
Essas são apenas algumas razões que derrubam  argumentação dos que consideram que houve compra de votos.
 
 
Não obstante, fingindo ingênuo, os ministros do STF afirmaram que o PT cooptou os partidos envolvidos no esquema para votar a favor do governo.Ora, num governo de coalizão isso é perfeitamente normal.Quando não se forma uma base mediante entrega de ajuda financeira, forma-se mediante entrega de cargo, liberação de emendas, etc.Ou os ministros do STF acham que um partido  apoia um outro sem a devida contrapartida? É ruim! Todos governos que antecederam o governo do PT formavam base na velha política do é dando que se recebe.O PT não inovou nisso.
 
 
A bem da verdade, os ministros decidiram pela tese de compra de votos com uma faca no pescoço, como bem disse o ministro Ricardo Lewandoiski na fase do recebimento da denúncia.Não decidaram espontaneamente.
 
 
Um engraçadinho me disse hoje: mas Terror, o STF decidiu e pronto.
 
 
Ao que eu disse:GRANDE MERDA! Nem eu, nem mais ninguém, sou obrigado a concordar com o que diz a Justiça.O juiz é um ser humano como outro qualquer e pode errar, tanto mais quando julga com uma faca no pescoço.
 
 
Além disso, eu não vejo autoridade moral num Tribunal que tem um ministro acusado de solicitar a companhias aéreas privilégios para amigos e familiares dele, que tem um ministro acusado de receber propina do caixa dois de Eduardo Azeredo, que tem um ministro que tira licença médica pra beber cachaça e é dado a bater em mulher, que tem um ministro que libertou, por motivos inconfessáveis, bandido da laia de Salvatore Cacciola, que tem um ministro que tem uma filha que o usa para fazer lobby a favor de bandidos de toga.