sábado, 6 de agosto de 2011

O PiG de lá tambem não gostou da queda de Jobim

     

Continuando con su habitual defensa y comprensión del golpismo en Latinoamérica (Venezuela, Honduras, Bolivia, Ecuador, etc.), el diario “El País” se lamenta este fin de semana por el cese inmediato del hasta ahora ministro de Defensa de la República de Brasil, Nelson Jobim, quien hace unas semanas criticó duramente a sus compañeros de gobierno, por lo que consideraba “un sesgo notorio del ejecutivo hacia el izquierdismo politico”, lo que de inmediato se tradujo en una decisión presidencial acorde con el comentario. Jobim fue separado de su cargo de manera fulminante, mientras las fuerzas armadas hacían sonar tímidamente sus sables.


No en vano la tradición golpista y dictatorial del ejército brasileño, como el chileno, argentino, uruguayo, paraguayo, etc., hace sospechar que la unidad castrense podría estar requebrajándose ligeramente. Pero no obstante, la presidenta ha sido valiente ante la disidencia del ministro y ha nombrado como sustituto de la cartera de Defensa al que fuera canciller del gobierno, Celso Amorim, ubicado ideológicamente en el ala izquierda del partido de los Trabajadores, al que pertenece la misma presidenta.


Prisa confirma así que sus corresponsales deben situarse periodísticamente en un terreno puramente editorial (que no de crónica objetiva), en el que en lugar de narrar hechos concretos, sin adjetivaciones ni epítetos, preparen a los lectores para el caso de que si hubiera un golpe de estado “a la Micheletti”, se comprendiera la reacción de los militares y la oligarquía brasileña ante el peligro de una radicalización hacia la izquierda por parte del partido gobernante.



Periodismo y golpismo: las claves de la prensa “independiente” española.



Nota.- El administrador del blog promete por la Constitución cubana que no ha comprado ese diario, sino que ha leido la crónica de su corresponsal en Brasil, Juan Arias, en la habitual línea difamatoria y manipuladora de sus colegas en Caracas o La Habana.


Fonte: El Blog de Carlos Tena

A violência pública e privada

Iriny Lopes*


Correio Braziliense - 06/08/2011
Ministra de estado da Secretaria de Políticas para as Mulheres



A violência, quando evidenciada em espaços coletivos, como a recente tragédia na Noruega, que culminou com a morte de mais de 90 pessoas, ou o massacre da escola de Realengo, no Rio de Janeiro, quando um jovem assassinou 12 estudantes e deixou mais 13 feridos, é algo que causa comoção social. A sua visibilidade se dá pelo impacto e pela surpresa perversa que um indivíduo causa em ambientes públicos.

Para além do fenômeno drástico de um ato isolado, seria interessante refletir como a sociedade, ao evitar enxergar e ouvir o drama que se desenha, colabora para o desfecho extremo de casos como esses. Não se trata de justificar o ato violento, mas de ir além da perplexidade inicial e construir coletivamente comportamentos que evitem tragédias anunciadas. Afinal, nos dois episódios se coloca um ingrediente de formação cultural violenta.

No caso de Realengo, a escolha das vítimas em potencial (10 meninas e dois garotos) evidenciou um ódio às mulheres. No da Noruega, um comportamento xenófobo, racista, de aversão a estrangeiros.

Nos dois dramas, os protagonistas elaboraram e produziram seus planos macabros dentro de casa, lugar que se considera privativo. Às comunidades próximas, aos parentes e vizinhos dos homicidas ficam depois a culpa e a pergunta: “E se eu tivesse estranhado o comportamento, observado os sinais de agressividade, teria conseguido mudar o final dessa história?”

O problema dessa percepção é que as pessoas ficam no “se”, no pronome pessoal conjugado no modo condicional imediato e não utilizam a própria experiência para alterar o processo de construção ideológica (porque se trata de uma ideia, de uma formulação) que levou àquela tragédia anunciada.

A violência contra a mulher reúne esses mesmos ingredientes formadores de homens agressivos, mas sofre de compreensão ainda maior, porque ocorre invariavelmente no espaço privado. O erro dessa lógica se localiza no fato dela extrapolar o ambiente familiar e condenar gerações inteiras a um aprendizado de desigualdade de tratamento entre homens e mulheres e de corporificar, como bem lembrou a antropóloga Débora Diniz, em artigo sobre o caso do goleiro Bruno, “uma ordem social perversa”.

Para a antropóloga, “a vida privada não é um espaço sacralizado e distante das regras de civilidade e justiça. O Estado tem o direito e o dever de atuar para garantir a igualdade entre homens e mulheres, seja em casa ou na rua”.

Há cinco anos, em 7 de agosto de 2006, quando da sanção da Lei Maria da Penha, foi deflagrada uma ação de “visibilização” do problema que afeta milhões de brasileiras e seus filhos e filhas, já que, de acordo com dados do Ligue 180, 65% das crianças e adolescentes assistem diariamente a suas mães serem agredidas por seus companheiros, ou namorados (74%) e há mais de 10 anos (40%).

As ruas já sabem que a Lei nº 11.340/06, chamada de Maria da Penha, serve para punir agressores de mulheres. Pesquisa realizada pela Avon/Ipsos (2011) revela que “94% dos brasileiros já a conhecem”, mas poucos (13%) sabem que a legislação vai além da punição e, talvez por isso mesmo, seja considerada pela ONU como uma das três melhores do mundo nessa área.

A Lei Maria da Penha tem a complexidade que o tema exige. Aborda as medidas preventivas, determina responsabilidades para governos e Poder Judiciário, estabelece o funcionamento da rede de atendimento a vítimas e a punição de agressores. Desde sua implantação, mais de 70 mil mulheres obtiveram na Justiça medidas protetivas para sair da situação de risco.

Romper o círculo vicioso da violência urbana também requer um olhar para dentro das casas, onde milhões de brasileiras sofrem espancamentos, humilhações morais, psicológicas e não raramente acabam mortas pelos maridos, companheiros ou namorados. Significa sair da condicionalidade imediata do “se...” e alterar comportamentos, formação escolar e atitude social, não compactuar mais com a dor, que não é alheia. Ela é o reflexo da nossa mais profunda omissão coletiva.

Maia: Amorim poderá ajudar na Comissão da Verdade

LUCIANA NUNES LEAL - Agência Estado
O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), afirmou hoje que o novo ministro da Defesa, Celso Amorim, "terá melhores condições de ajudar na construção dos acordos necessários para aprovação e implementação da Comissão da Verdade". O petista destacou que, mesmo depois de aprovada, será preciso trabalhar para levar adiante a investigação de temas ainda obscuros da ditadura militar.
"É uma matéria polêmica, complexa, que vai necessitar de muita diplomacia. A diplomacia do Celso Amorim pode contribuir para que saia do papel e se transforme em realidade", acrescentou Maia, que está no Rio de Janeiro reunião do diretório nacional do PT.

Em relação ao ministro da Defesa demitido nesta semana, Nelson Jobim, Maia disse que ele foi traído pelo seu próprio estilo, "mais polêmico e mais desprendido" dos cuidados com as palavras. "Não era o estilo mais adequado para o papel que ele desempenhava neste momento", disse o presidente da Câmara.

Marco Maia procurou minimizar a resistência de setores das Forças Armadas à escolha de Celso Amorim. "Não vi nenhuma reação negativa. Temos diferenças entre os militares, é uma organização muito grande. O importante é que na área militar há a questão da hierarquia. Tomada a decisão pela presidenta Dilma Rousseff, tem que ser seguida por todos", afirmou o deputado.

Jobim e Dilma, o ego e a marca



Nem Lula entendeu as declarações de Nelson Jobim. “Tem coisas que a gente não compreende”, disse o ex-presidente ao saber das frases do ainda ministro publicadas na revista Piauí (“A ministra Ideli é bem fraquinha”, entre outras). Por que o então titular da Defesa disse o que, depois, desdisse?


Há quem veja na sequência de declarações polêmicas um plano. Primeiro foi a frase final na saudação aos 80 anos do ex-presidente FHC: “Hoje os idiotas perderam a modéstia”. Depois, a reafirmação de que votara em José Serra e não em Dilma Rousseff para presidente. Finalmente, as críticas às colegas Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann (“nem conhece Brasília”). Mas fatal mesmo foi demonstrar superioridade à chefe no convite a José Genoíno: “Presidenta, quem sabe se ele pode ou não ser útil sou eu.”


Alinhavadas assim, as frases parecem denotar a ação planejada de quem quer sair atirando. Não foram. É preciso entremeá-las com fatos que não tiveram o mesmo destaque: a entrevista com panos quentes no “Roda Viva” (TV Cultura), o desmentido de que tivesse criticado as ministras, a reunião com Dilma no palácio avisando que seu perfil seria publicado na revista Piauí. Jobim trabalhou para ficar, mas sua boca conspirou contra ele.


O que aconteceu, então? Uma sucessão de erros e mal-entendidos. A frase infeliz na homenagem a FHC era uma citação que misturava Nelson Rodrigues e Jose Luis Borges. Era pedante, visava jornalistas (“escrevem para o esquecimento”), mas deu espaço para ser entendida como crítica a seus colegas de governo.


A declaração de voto em Serra foi um arroubo de sinceridade, embora não fosse um segredo. Em outro momento, passaria batida. Na sequência da frase sobre os “idiotas”, pareceu provocação.


O perfil publicado na Piauí é outra história. Quando um repórter da revista (no caso, a experiente Consuelo Dieguez) vai “perfilar” alguém, acompanha o sujeito da reportagem durante semanas, horas por dia, arrancando fragmentos de informação aqui e acolá. As conversas entre jornalista e fonte são tão frequentes que é difícil estabelecer com clareza qual declaração é em “on” (para publicar citando a fonte), qual é “off the record” (sem identificar a fonte) e qual é de “background” (para não publicar, só para dar contexto aos fatos).


É um risco grande para quem tem um cargo a perder. Mas o apelo de ter seu perfil estampado na mesma seção onde já apareceram amigos que Jobim admira, como FHC e Serra, foi irresistível. O ego falou mais alto que o superego.


Do lado de Dilma, a demissão de Jobim corrobora a imagem de “corajosa” que ela está tentando fixar. Na campanha eleitoral, um dos problemas da então candidata era o “branco” que dava nos eleitores quando um pesquisador pedia que eles, espontaneamente, descrevessem Dilma. Não havia marca própria, apenas a herança de Lula.


A ideia de “coragem” combina com a luta vitoriosa de Dilma contra o câncer e sua sobrevivência às sevícias na cadeia. Pode virar sua marca. Fazer uma “faxina” no governo reforça isso. Enfrentar e demitir um ministro como Jobim também.O Estadão.

O anão do orçamento não gostou da escolha de Dilma

Escolha de Amorim foi 'completamente inadequada', diz Sérgio Guerra



É cada uma.Esse tucano safado queria o quê? Que Dilma nomeasse Daniel Dantas para o Ministério da Defesa? Ou Eduardo Jorge? Ou Cícero Lucena? Ou Zé Bolinha de papel? Ou o corno manso? Ou o pai do Valerioduto? Ou Tasso Jereissati? Vai se meter nos assuntos de teu partido corrupto, cabra safado! Dilma não tem que dar satisfação a ninguém, muito menos aos vagabundos, trambiquueiros, corruptos do PSDB.

Gustavo Uribe - Agência Estado
 
SÃO PAULO - O presidente nacional do PSDB, o deputado federal Sérgio Guerra (PE), considerou nesta sexta-feira, 5, que a escolha do ex-chanceler Celso Amorim para substituir Nelson Jobim no comando do Ministério da Defesa foi "completamente inadequada". Na avaliação do tucano, o ex-ministro das Relações Exteriores não aparenta ter perfil ou vocação para atuar à frente da pasta.

"Para mim, não me parece uma pessoa voltada para isso ou vocacionada para essa tarefa", afirmou. "Além disso, ele tem uma posição sobre a política externa que não me parece ser a do atual governo federal." A presidente Dilma Rousseff aceitou ontem a demissão do ex-titular do Ministério da Defesa, que causou constrangimento no Palácio dos Planalto após criticar colegas da Esplanada dos Ministérios e revelar que votou no ex-governador José Serra, do PSDB, nas eleições presidenciais do ano passado.

O presidente do PSDB elogiou o ex-ministro Nelson Jobim e considerou que ele "não cabia" no atual governo federal. "Ele tem um grau de competência, de firmeza e uma qualidade que não é típica na equipe ministerial da presidente Dilma Rousseff", criticou. O deputado federal negou que tenha convidado o ex-ministro para ingressar no PSDB, mas ressaltou que as portas da sigla estão abertas ao ex-titular do Ministério da Defesa. "É evidente que ele seria muito bem vindo ao PSDB", afirmou. "O partido tem respeito e admiração por ele", acrescentou. Em entrevista ao Programa Roda Viva, na última segunda-feira (1), Nelson Jobim afirmou que, caso deixasse o governo federal, iria se dedicar a escrever um livro e negou que tivesse novas pretensões políticas.

A Globo vai partir pra cima de Amorim: isso prova que Dilma escolheu bem!

Num tô dizendo!


por Rodrigo Vianna


Acabo de receber a informação, de uma fonte que trabalha na TV Globo: a ordem da direção da emissora é partir para cima de Celso Amorim, novo ministro da Defesa.


O jornalista, com quem conversei há pouco por telefone, estava indignado: “é cada vez mais desanimador fazer jornalismo aqui”. Disse-me que a orientação é muito clara: os pauteiros devem buscar entrevistados – para o JN, Jornal da Globo e Bom dia Brasil – que comprovem a tese de que a escolha de Celso Amorim vai gerar “turbulência” no meio militar. Os repórteres já recebem a pauta assim, direcionada: o texto final das reportagens deve seguir essa linha. Não há escolha.


Trata-se do velho jornalismo praticado na gestão de Ali Kamel: as “reportagens” devem comprovar as teses que partem da direção.


Foi assim em 2005, quando Kamel queria provar que o “Mensalão” era “o maior escândalo da história republicana”. Quem, a exemplo do então comentarista Franklin Martins, dizia que o “mensalão” era algo a ser provado foi riscado do mapa. Franklin acabou demitido no início de 2006, pouco antes de a campanha eleitoral começar.


No episódio dos “aloprados” e do delegado Bruno, em 2006, foi a mesma coisa. Quem, a exemplo desse escrevinhador e de outros colegas na redação da Globo em São Paulo, ousou questionar (“ok, vamos cobrir a história dos aloprados, mas seria interessante mostrar ao público o outro lado – afinal, o que havia contra Serra no tal dossiê que os aloprados queriam comprar dos Vedoin?”) foi colocado na geladeira. Pior que isso: Ali Kamel e os amigos dele queriam que os jornalistas aderissem a um abaixo-assinado escrito pela direção da emissora, para “defender” a cobertura eleitoral feita pela Globo. Esse escrevinhador, Azenha e o editor Marco Aurélio (que hoje mantem o blog “Doladodelá”) recusamo-nos a assinar. O resultado: demissão.


Agora, passada a lua-de-mel com Dilma, a ordem na Globo é partir pra cima. Eliane Cantanhêde também vai ajudar, com os comentários na “Globo News”. É o que me avisa a fonte. “Fique atento aos comentários dela; está ali para provar a tese de que Amorim gera instabilidade militar, e de que o governo Dilma não tem comando”.
Detalhe: eu não liguei para o colega jornalist

a. Foi ele quem me telefonou: “rapaz, eu não tenho blog para contar o que estou vendo aqui, está cada vez pior o clima na Globo.”


A questão é: esses ataques vão dar certo? Creio que não. Dilma saiu-se muito bem nas trocas de ministros. A velha mídia está desesperada porque Dilma agora parece encaminhar seu governo para uma agenda mais próxima do lulismo (por mais que, pra isso, tenha tido que se livrar de nomes que Lula deixou pra ela – contradições da vida real).


Nada disso surpreende, na verdade.


O que surprendeu foi ver Dilma na tentativa de se aproximar dessa gente no primeiro semestre.


Alguém vendeu à presidenta a idéia de que “era chegada a hora da distensão”. Faltou combinar com os russos.


A realidade, essa danada, com suas contradições, encarregou-se de livrar Dilma de Palocci, Jobim e de certa turma do PR. Acho que aos poucos a realidade também vai indicar à presidenta quem são os verdadeiros aliados. Os “pragmáticos” da esquerda enxergam nas demissões de ministros um “risco” para o governo. Risco de turbulência, risco de Dilma sofrer ataques cada vez mais violentos sem contar agora com as “pontes” (Palocci e Jobim eram parte dessas pontes) com a velha mídia (que comanda a oposição).


Vejo de outra forma. Turbulência e ataques não são risco. São parte da política.


Ao livrar-se de Jobim (que vai mudar para São Paulo, e deve ter o papel de alinhar parcela do PMDB com o demo-tucanismo) e nomear Celso Amorim, Dilma fez uma escolha. Será atacada por isso. Atacada por quem? Pela direita, que detesta Amorim.


Amorim foi a prova – bem-sucedida – de que a política subserviente de FHC estava errada. O Brasil, com Amorim, abandonou a ALCA, alinhou-se com o sul, e só cresceu no Mundo por causa disso.



Amorim é detestado pelos méritos dele. Ou seja: apanhar porque nomeou Amorim é ótimo!


Como disse um leitor no twitter: “Demóstenes, Álvaro Dias e Reinaldo Azevedo atacam o Celso Amorim; isso prova que Dilma acertou na escolha”.


O PiG não se conforma com a escolha de Celso Amorim


O PiG, não se conformando com a escolha de Amorim para o Ministério da Defesa, agora tenta criar uma crise institucional  entre Dilma e os milicos.O PiG não percebe que Dilma é a Comandante maior das Forças Armadas e, nessa condição, compete tão-somente a ela a escolha do Ministro da Defesa.Os milicos que se danem.O PiG que se foda!

Inclusão social:o jeito petista de governar

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

PT lidera com 32% a preferência da população brasileira, aponta Vox Populi

Partido dos Trabalhadores amplia preferência popular.



O Partido dos Trabalhadores ampliou sua liderança na preferência do povo brasileiro. Pesquisa Vox Populi, encomendada pela direção nacional do PT, aponta que o partido tem 32% da simpatia da população, um acréscimo de 4% em comparação com levantamento realizado em 2009.


A pesquisa entrevistou 2.200 pessoas em todo o País e foi realizada na primeira quinzena do mês de junho. De acordo com a Vox Populi, 66% dos entrevistados acham que o PT atua de maneira positiva na política brasileira. E 15% afirmam que o PT é o partido que tem os políticos mais honestos, o maior índice entre todos os demais.


A pesquisa apurou também que 72% consideram o PT um partido moderno e com novas idéias, enquanto que um total de 81% o classificaram como um partido forte. Além disso, 48% dos entrevistados afirmam que o PT é a maior agremiação política do Brasil.


O levantamento também avaliou o desempenho da presidenta Dilma Rousseff em seis meses de governo. O resultado total da soma de quem considera o desempenho da presidenta como ótimo, bom e regular positivo ficou em 71% de aprovação popular.


Os resultados da pesquisa foram apresentados durante a reunião da Comissão Executiva Nacional do PT nesta quinta-feira (4), no Rio de Janeiro.


Nesta sexta-feira (5), é a vez do Diretório Nacional do PT realizar a sua reunião trimestral, que também ocorre na capital carioca, no Hotel Novo Mundo (Praia do Flamengo). (Redação Portal do PT)

Lula:não cabe a militares gostar ou não de Amorim

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado
 
BOGOTÁ - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que não cabe aos militares gostar ou não da indicação do ex-chanceler Celso Amorim para ocupar o Ministério da Defesa, no lugar de Nelson Jobim. Lula fez essa declaração ao ser questionado se Amorim conseguirá desempenhar um bom trabalho à frente da pasta, uma vez que militares já manifestaram insatisfação com a escolha. "Não cabe aos militares gostar ou não gostar de uma indicação da presidente da República. Temos que aprender a trabalhar para depois ver se vai dar certo ou não", afirmou, em Bogotá. 
Perguntado se o número de ministros demitidos não é grande para o pouco tempo de governo da presidente Dilma Rousseff, Lula respondeu que é sempre um sofrimento a tomada de decisão para demitir um colaborador. E lembrou, contudo, que em período eleitoral, por exemplo, alguns ministros entram na sala do presidente com a carta de demissão nas mãos para deixar o cargo, sem saber se este é o desejo do mandatário, sob a alegação de que o "dever à pátria" os chamam.
Lula não quis entrar na discussão sobre o motivo que levou Dilma a demitir Jobim, mas entende que a escolha de Celso Amorim foi acertada. "Eu não sei o que aconteceu com o ministro Jobim, mas eu penso que quando se analisa a competência intelectual e o trabalho, não tem pessoa igual ao Amorim no Brasil", disse, lembrando que, se a Dilma convidou Amorim, é porque ela sabe que o ex-chanceler tem condições de fazer um bom trabalho, e se Amorim aceitou o cargo, é porque ele sabe que pode fazer um bom trabalho.
Lula fez essas afirmações em rápida entrevista a jornalistas brasileiros após proferir palestra no evento Nutrição Infantil para Prosperidade de Todos, realizado pela Fundação Êxito, organização não-governamental que trabalha no combate à desnutrição de crianças colombianas.
(O repórter viajou a Bogotá a convite da Proexport, Agência de Promoção do Turismo, Investimento e Exportação do Ministério do Comércio e Indústria e Turismo da Colômbia).

Dilma:Nelson Jobim é 'página virada'

Nelson Jobim (à esq.) deixou o Ministério da Defesa, que será ocupado por Celso Amorim
A presidente Dilma Rousseff afirmou na tarde desta sexta-feira que o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim é "página virada" no governo federal. A declaração foi concedida no aeroporto de Petrolina (PE) a rádios locais.


"Eu reconheço o trabalho que ele [Jobim] deu ao país. Infelizmente, nós esgotamos uma etapa e, por isso, passamos e viramos a página", disse Dilma.



Questionada sobre o sucessor de Jobim, Dilma elogiou o desempenho de Celso Amorim quando ele era ministro das Relações Exteriores. "O Amorim assume o Ministério da Defesa porque ele já deu mostras de ser um brasileiro muito dedicado ao Brasil."



"Tenho certeza de que ele [Amorim] vai prosseguir no trabalho importante realizado pelo ex-ministro Jobim e vai acrescentar um reforço especial, na medida em que a gente sempre tem que melhorar. A gente não pode nunca se contentar com o que conquistou", afirmou Dilma.


DECLARAÇÕES


À revista "Piauí" Jobim disse que a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) é "fraquinha" e que Gleisi Hoffmann (Casa Civil) "sequer conhece Brasília".


O então ministro, no entanto, negou na tarde de ontem que tenha se referido de forma pejorativa ao trabalho das ministras.


A situação de Jobim já havia ficado insustentável nos últimos dias após a declaração de que votou em José Serra nas eleições de 2010. A revelação foi feita no programa "Poder e Política - Entrevista", conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues no estúdio do Grupo Folha em Brasília. O projeto é uma parceria do UOL e da Folha.


Ele também causou constrangimento ao Planalto recentemente, na solenidade de homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, disse ser preciso tolerar a convivência com "idiotas", que "escrevem para o esquecimento". Jobim explicou ter se referido a jornalistas, mas petistas entenderam como recado ao governo.


MINHA CASA, MINHA VIDA


Em visita a Juazeiro (BA), também nesta sexta-feira, Dilma entregou 1.500 apartamentos de um conjunto residencial do programa "Minha Casa, Minha Vida". A obra, que custou R$ 61 milhões, ainda tem poucos moradores e não tem água nas torneiras.


"O lugar é ótimo, mas não tem água nem para beber ou tomar banho", disse a moradora Maria de Fátima Oliveira dos Santos, 28. "Tenho que buscar em baldes com os vizinhos ou comprar água mineral", afirmou ela.


Santos se mudou para o apartamento 101 do bloco 40 na terça-feira (2), com seus dois filhos, de 7 anos e 3 meses de idade. Segundo ela, a promessa é de que o abastecimento seja normalizado até segunda-feira (8).folha

Lula critica países ricos

Cristiane Bonfanti
Correio Braziliense - 05/08/2011

Bogotá — O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem o desempenho dos Estados Unidos e dos países da Europa em meio à crise financeira. Diante das turbulências, ele ressaltou que os emergentes estão virando o jogo na economia mundial. Lula considerou "impressionante" como, em momentos em que a América Latina passava por dificuldades, os EUA sabiam intervir e dizer o que deveria ser feito. Agora, eles caíram no atoleiro. "Quantas vezes disseram a nós o que podíamos ou não gastar?", questionou, durante a abertura do 1º Fórum de Investimentos Colômbia-Brasil, na capital colombiana.

Lula ressaltou que, agora, os países da América Latina têm de cuidar de seus mercados. "Chegou o momento de pensarmos em nós. Não que a gente não queira levar em conta os parceiros ricos, mas temos potencial de crescimento. O grande orgulho dos EUA era consumir até o que não precisava e, agora, eles não consomem sequer o que precisam", disse. Ele destacou que, em 2008, o mundo não tinha ideia das dimensões que a crise na Europa tomaria. "Não era possível imaginar que a pequenina Grécia provocaria o estrago que causou."

Para o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, as perspectivas são boas, mas é preciso tomar cuidado. "Nos próximos 15 anos, 68% do crescimento da economia mundial virá de mercados emergentes. Mas, sem dúvida, a situação das economias mundiais tem efeitos sobre os nossos países", constatou. A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse que os presidentes dos países da região estão muito atentos à situação na economia mundial. "Temos conseguido, até agora, evitar que essa crise desarticule nossos êxitos recentes na macroeconomia e na redução das desigualdades sociais. Mas a década atual só será a da América Latina se todos os nossos países souberem aproveitar essa oportunidade", ressaltou.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, apontou a valorização das moedas como um problema para as economias locais. "As políticas dos EUA e da Europa nos tocam de alguma forma, pois atingem as exportações e cerceiam a capacidade de geração de emprego", disse. "O que é importante é a presença dos empresários, o relacionamento com os investidores, que vão tornar o processo mais fácil na América Latina. Essa pode ser a nossa década."


A repórter viajou a convite do BID


USO DE RESERVAS EM INFRAESTRUTURA
Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem que os países da América Latina destinem uma parte de suas reservas internacionais, que hoje somam ao menos US$ 700 bilhões, para investir em infraestrutura. "Hoje, só o Brasil tem US$ 342 bilhões em reservas. A Argentina tem US$ 50 bilhões. Elas estão depositadas nos títulos norte-americanos, rendendo uma merreca", afirmou. A seu ver, a América Latina poderia criar um mecanismo, como um fundo garantidor, para usar parte desse dinheiro em áreas estratégicas. "Precisamos de hidrelétricas, estradas e melhoria das telecomunicações. Se é verdade que a Colômbia e o Brasil têm o tanto de gás que dizem possuir, precisamos de uma estratégia para usar a riqueza do nosso continente."

Demissão de Jobim: antes tarde do que nunca

 
Finalmente, Nelson Jobim foi demitido do Ministério da Defesa. O episódio derradeiro da sua presença no governo foram novas declarações desastradas e provocadoras, em que achincalha o desempenho de duas ministras do núcleo político do governo, precisamente aquelas que a presidente nomeou em junho último, numa trabalhosa reorganização da equipe ministerial após a queda de Antonio Palocci da Casa Civil.

A defenestração de Jobim já era esperada e mesmo reivindicada ao menos pelas forças progressistas que apoiam o governo Dilma, como apoiaram o de Lula, na expectativa de que se realizem mudanças de fundo no país no sentido da ampliação da democracia, da defesa da soberania nacional e na promoção da justiça social.

Nelson Jobim foi um fiel servidor do governo neoliberal e conservador do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que o indicou depois para o Supremo Tribunal Federal.

Em 2007, num ambiente de insegurança e comoção nacional criado por dois desastres aéreos e pelo caos na aviação civil, que no Brasil está sob comando militar, e em meio a uma campanha de desmoralização do então ministro da Defesa, instrumentalizada pela mídia e por setores oportunistas dentro do próprio governo, Lula nomeou Jobim para a pasta, que a assumiu com teatralidade e histrionismo. Tendo percorrido longa trajetória como civil, ex-deputado, ex-ministro da Justiça, ex-integrante da Suprema Corte, assumiu ares de caricata figura em trajes de caserna e campanha.

À frente de uma área sensível, pois o militarismo nunca foi extirpado da vida republicana brasileira, mesmo depois de decorrido mais de um quarto de século desde o fim da ditadura militar, Jobim incompatibilizou-se com o sentimento e as aspirações democráticas das forças progressistas, ao assumir, dentro do governo, o papel de principal ponta de lança dos militares para inviabilizar a revisão da Lei de Anistia, que permitiria a punição de sicários, assassinos e torturadores. O ex-ministro também fez o que pôde para dificultar a instalação de uma autêntica Comissão da Verdade, instrumento indispensável para promover reparações e a justiça em relação aos crimes cometidos durante os chamados anos de chumbo. Os seus despautérios foram de tal ordem, que chegou a fazer declarações em que era indisfarçável o sentimento de regozijo pela destruição de documentos que revelariam crimes da ditadura.

Ultimamente, Jobim pavimentou o caminho que levou à sua demissão fazendo afirmações que atestam sua condição de estranho no ninho num governo que tem no horizonte as transformações políticas e sociais. Fez juras de amor a FHC, em cuja festa de aniversário aludiu ao estilo supostamente suave do ex-presidente, em contraste com uma propalada conduta reprovável da atual mandatária no trato com auxiliares. E ainda fez cavilosas afirmações sobre “idiotas” que teriam perdido a “modéstia”, irritando setores do petismo, pois a interpretação que ficou no ar era que ele aludia a quadros do partido de Lula e Dilma. Para cumular a sua opção pela demarcação de campos com as forças progressistas, fez ruidosas afirmações de que votou em José Serra na última disputa eleitoral, em que o ex-governador de São Paulo foi derrotado por Dilma Rousseff. O menoscabo com as ministras Gleisi Hoffman e Ideli Salvatti revelado na última quinta-feira foi, assim, uma gota d’água para a saída de Jobim do governo.

Há um tom geral de lamento da mídia em relação à demissão de Nelson Jobim. “Bom ministro”, “botou a casa em ordem”, “o verdadeiro ministro da Defesa”, teria sido “traído” pelo “temperamento” e por ter “tropeçado nas palavras”. Estas são as primeiras abordagens vindas a público nos panfletos televisivos, radiofônicos e nas páginas impressas dos jornalões.

Nelson Jobim no ministério era um dos bolsões de conservadorismo no seio de um governo que lida com imensas pressões e ainda é tímido na realização das mudanças necessárias para o avanço democrático e progressista do país. Sua demissão, embora tardia, é salutar e a nomeação do ex-chanceler Celso Amorim como seu substituto é uma boa notícia. Editorial Vermelho

O PiG quebrou a cara


Engraçado é que o PiG fez tanta confusão, no Caso Jobim, para criar instabilidade no Brasil e agora vai ter que engolir Celso Amorim que, seguramente, foi a melhor escolha feita por Dilma para dirigir o Ministério de Defesa.O que se vê hoje no PiG é crítica contra a escolha de Dilma.Bem feito!

A importância da escolha de Celso Amorim


Celso Amorim foi, de longe, a melhor escolha para Ministro da Defesa. Militares que eventualmente tenham manifestado contrariedade – nas matérias do Estadão – não têm a menor ideia sobre a importância desse movimento.

Dado o avançado da hora que Amorim foi anunciado novo Ministro, é impossível que jornalistas – mesmo setoristas – tenham ouvido um número representativo de militares. Ouviram aqueles com quem tinham maior afinidade política.

A reestruturação da Defesa passou por uma primeira etapa, de conceituação do seu papel. O grande organizador foi Roberto Mangabeira Unger; e a implementação tocada por Nelson Jobim.

Faltava à Defesa consolidar sua perna externa. E uma dessas pernas centrais são os grandes acordos internacionais. No seu período de chanceler, a estratégia diplomática de Amorim se baseou, em muitos momentos relevantes, na visão estratégica de Defesa. A razão de ter apoiado o Irã foi a de preservar, para o Brasil, o direito de enriquecer urânio.

Hoje em dia, a transferência de tecnologia militar depende não apenas de compras da França, mas de acordos com China (para satélites), Argentina, países de fora da órbita da OCDE.



No período de Amorim-Guimarães a política externa do Itamarati sempre se pautou pelos conceitos de Nação, autodeterminação, não-alinhamento, todos muito caros aos militares. As relações acumuladas por Amorim com países das mais diversas extrações políticas serão preciosas para a consolidação de uma política integrada de Defesa.

Não tenho a menor dúvida de que e elite militar - aquela que pensa estrategicamente o papel da Defesa - viu com bons olhos essa indicação.

Fonte: Blog do Nassif

Por que Dilma ganha com a saída do fanfarrão

O Jobim pode ser arrogante. O Jobim pode ser oportunista. O Jobim pode ser uma espécie de Fouché brasileiro, na sua capacidade de servir a tucanos e petistas ao sabor das conveniências. O Jobim, além de tudo, maltrata um dos nobres sobrenomes brasileiros. Jobim é nome de maestro, nome de poeta. Não deveria ser nome de minsitro fanfarrão.

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador


Jobim pode ser tudo isso: arrogante, oportunista e fanfarrão. E muito mais. Mas uma coisa ele não é: bobo. Ninguém acredita que um homem experiente, que já passou pelos 3 poderes da República, teria sido “infeliz” em seguidas declarações “desastradas”.

O que move Jobim?

Augusto da Fonseca, no “Festival de Besteiras da Imprensa”, testa uma hipótese: Jobim quer comandar a oposição. Por isso, Dilma teria tolerado tantas bobagens ditas pelo fanfarrão. Tudo o que ele quer é ser demitido, pra sair como vítima de uma presidenta que “maltrata” aliados (?!). A hipótese de Augusto é que Jobim esteja preparando o terreno para voltar ao leito original: um peemedebista a serviço do demo-tucanismo, a serviço de Serra.

Pode ser... Mas, pergunto eu ao Augusto, por que Jobim teria resolvido agir agora? A eleição de 2014 não está longe demais? Parece cedo para fazer o papel do melindrado que salta para o barco do tucanismo.

Vou testar outra hipótese: Jobim era o principal articulador da concorrência para compra dos aviões da FAB. No governo Lula, tudo apontava para os “Rafalle” – aviões franceses. Jobim era o fiador dessa escolha, a maior concorrência para compra de aviões militares no mundo. Não era pouca coisa. Não era pouco dinheiro em jogo.

No governo Dilma, os concorrentes do Rafalle (suecos e norte-americanos) parecem ter voltado ao páreo. Jobim teria sido colocado de escanteio na negociação? A súbita verborragia do (ex) ministro — que (com um não de atraso) resolveu declarar voto em Serra, além de atacar o núcleo da coordenação política do governo Dilma — parece indicar que há algo no ar além dos aviões franceses…

Seja como for, a saída de Jobim deixa uma gostosa avenida aberta para o verdadeiro partido de oposição, a velha mídia brasileira. Sem Jobim, o “caosaéreo” já pode voltar às manchetes. Também surge uma chance de prolongar a tal “crise entre os aliados do governo”. Jobim fora do governo, fora de um ministério poderoso, é chance para muita fofoca, para muita intriga a mostrar que a aliança com o PMDB “não vai bem”.

A velha mídia vai deitar e rolar. E daí? E daí, nada.

Na minha modestíssima opinião, Dilma ganha muito ao se livrar de Palocci e Jobim. Os dois eram parte da face mais “atucanada” desse governo — que começou titubeante em muitas áreas. Ainda mais porque já se confirma: Celso Amorim será o novo ministro da Defesa. Sai o Jobim que se apequena diante de embaixadores estrangeiros, entra o Amorim que comandou a política externa independente sob Lula.

Além dessa ótima notícia, surgem aos poucos outros sinais positivos no governo:

– Dilma mostra que vai defender a economia brasileira da guerra cambial; não se renderá à lógica idiota dos comentaristas liberais; o governo vai intervir (e já começou a intervir) para defender indústrias e empregos;


– Dilma faz a autocrítica por se afastar de sua base original; mostrou isso ao se unir de surpresa a sindicalistas que estavam no Palácio — Dilma pediu desculpas por não ter incluído as centrais no debate sobre a nova política industrial.


Livre dos atucanados, firme na defesa da indústria (e dos empregos), e caindo na real sobre quem são os verdadeiros aliados: essa é a Dilma de agosto. O que parece “crise” (nas manchetes da velha mídia e nas “reportagens” do JN de Ali Kamel) pode ser o começo de nova fase de governo. Dilma se fortalece — na opinião pública — ao se livrar de “aliados” como Jobim, Palocci e “a turma do PR”. E vai-se fortalecer mais se fizer movimentos para reorganizar sua base de apoio original (na sociedade).



Dilma precisará dessa força para enfrentar as “crises fabricadas”, os ataques da velha mídia e as turbulências da economia mundial. Forte, e com a economia em ordem apesar dos sacolejos no mundo, Dilma poderá olhar para Jobim e tirar a conclusão lógica: essa é uma ausência que preenche uma lacuna!

O gato e a raposa


O gato e a raposa

O mundo está em crise, as razões estão diante dos nossos olhos, escancaradas. A causa recente remonta a menos de três anos atrás, quando foi declarada a falência do neoliberalismo, criminosa e tresloucada invenção pela qual em vez de produzir bens e serviços o homem passa a fabricar dinheiro.


A raposa e o gato são os inspiradores do neoliberalismo e muitos entre nós, habitantes do globo terráqueo, somos herdeiros de Pinóquio, capaz de acreditar que moedas são sementes de árvores de florins, sertércios, coroas, dracmas. Se quiserem, dólares, euros, reais. Verificou-se no fim de 2008 que não é bem assim, nem por isso a raposa e o gato sofreram o merecido castigo. Castigo? Nem mesmo foram afastados dos seus postos de comando da especulação desenfreada.


Já citei neste espaço, e mais de uma vez, o documentário Inside Job, premiado com o Oscar no começo deste ano. Obra-prima do melhor jornalismo, penetra nos gabinetes acarpetados dos senhores do poder de Tio Sam e exibe, instalados na sala dos botões decisivos, a raposa e o gato. Tranquilos, têm explicações para tudo. Impávidos, me arriscaria a dizer.


Agora a crise recrudesce. Surpresa? Quando Pinóquio chegou ao local em que havia enterrado sua moeda, encontrou um buraco em lugar da árvore sonhada. Só mesmo ele para se espantar. Não é lícito que arregalemos os olhos. Tampouco os senhores do mundo diante de sua própria, irresponsável hipocrisia. Repito, e sublinho: criminosa.


Falei da causa recente. Há outra, cevada décadas afora, política e social. E por ela somos todos culpados, não somente a raposa, o gato e um boneco de pau. Globalizamos, com empáfia e jactância, os piores defeitos do homem. De um lado, preconceito, ganância, prepotência, crueldade. De outro, a resignação, às vezes ignara, do mais fraco. Globalizamos a lei da selva.


Leio em La Repubblica o magistral artigo de um dos maiores jornalistas italianos, Eugenio Scalfari, fundador do jornal e, antes dele, do semanário L’Espresso, também chamado como conselheiro, à época da fundação posterior, do El País. Recorda uma entrevista de Enrico Berlinguer, grande figura do comunismo italiano e mundial, realizada há exatos 30 anos.


Ponto central da entrevista, recorda Scalfari, foi a seguinte frase de Berlinguer: “A questão moral não se exaure no fato de que, em havendo ladrões, corruptos e concussores nas altas esferas da política e da administração, torna-se necessário identificá-los denunciá-los e prendê-los. A questão moral (…) coincide com a ocupação do Estado por parte dos partidos da maioria”. E mais adiante: “A partir do governo, os partidos da maioria ocuparam o Estado e todas as instituições (…) as empresas públicas, as autarquias, os institutos culturais”.


Na ocasião de uma pergunta incômoda, o líder comunista admitiu que por não ter sido governo, seu partido ganhara uma espécie de salvaguarda ao lhe faltar a oportunidade de roubar. O tempo mostraria que os herdeiros do PCI, atingido o poder, não deixariam de se portar como os demais. Haverá quem diga: eis aí, é também a história do PT, o partido que esqueceu os trabalhadores.


É e não é, pelo simples fato de que, no meu entendimento, o Brasil não pode ser medido pelo metro do chamado Primeiro Mundo rebaixado a uma ignorada divisão. A questão moral é certamente a origem da crise mundial, o big-bang de um enredo trágico, a decorrer do fracasso dos princípios e dos valores, de sorte a empurrar o planeta no sentido do mais arraigado obscurantismo conservador.


Vendeu-se a ideia do definitivo enterro da ideologia como se a assertiva não fosse, ela própria, ideológica. Sim, o socialismo real malogrou clamorosamente por ter desaguado em tirania, e, como diz Scalfari, “de esquerda ou de direita, a cor da tirania é postiça”. As esquerdas não lograram sair do atoleiro, a resistência que haviam representado feneceu, os partidos perderam sua razão de ser. A reação é a da negação da política, “reação doentia, anarcoide, exposta a todas as tentações”, define Scalfari.


O Brasil vive uma ambivalência. A crise não nos exclui, não somos a ilha de prosperidade cantada pelo ditador Geisel quando do primeiro choque do petróleo. Ao mesmo tempo, recomendo observar que não passamos pela Revolução Francesa. Os nossos partidos foram clubes recreativos dos donos do poder, com exceção do PT, que acabou por trair suas premissas. O desequilíbrio social enfim globalizado por aqui é vetusto e endêmico. Donde a diversidade. De todo modo, receio que gatos e raposas continuem a mandar no jogo. Onde quer que os olhos alcancem.

Mino Carta

Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde. redacao@cartacapital.com.br

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Pesquisa mostra que 71% avaliam governo Dilma como positivo e que o PT é o partido preferido dos brasileiros

     

Pesquisa encomendada pelo PT ao Instituto Vox Populi identificou que 71% dos brasileiros avaliam de forma positiva o governo da presidente petista Dilma Rousseff.


O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira (4) pelo presidente da legenda, Rui Falcão, durante reunião da Executiva do PT, no Rio de Janeiro. A pesquisa ouviu 2.200 entrevistados de todo o país, na 1ª quinzena de junho.


Os detalhes sobre os 29% que avaliaram o governo de forma negativa não foram anunciados. A pesquisa, segundo petistas, é para “consumo interno” –para a legenda avaliar a imagem do partido e da presidente.


Partido da presidente Dilma Rousseff e da maior bancada na Câmara dos Deputados, o PT realizou uma pesquisa interna na primeira metade de junho deste ano para aferir sua popularidade seis meses depois da saída de Luiz Inácio Lula da Silva do Palácio do Planalto.


Segundo a sondagem do instituto Vox Populi, com 2.200 entrevistas, a legenda é a preferida de 32% dos brasileiros –um avanço de quatro pontos percentuais na comparação com a última medição feita pela sigla, em 2009.



O PT ainda não avaliou os motivos pelos quais a pesquisa qualitativa mostrou aumento nas preferências entre 2009 e 2010. Ainda de acordo com a sondagem, 72% dos entrevistados sabem o significado da legenda do Partido dos Trabalhadores –somando aí simpatizantes e antipáticos às ideias do partido.


*Com informações da Folha, Estadão, Jornal da Tarde, Jornal do Comercio, CartaCapital, etc

Sabuja queria que Dilma trocasse Jobim por José Serra

Veja o que escreveu uma tal de Vera Magalhães, colunista e blogueira do Uol.

Ora, a sabuja queria o quê? Que Dilma trocasse um ministro sugerido por Lula por um inndicado por FHC, o corno manso? Faça-me o favor, sabuja!

Dilma troca ministro de Lula por ex-ministro de Lula

Eduardo Knapp/Folhapress



Sete meses depois de ter deixado o Ministério das Relações Exteriores um tanto magoado pelo fato de não ter sido confirmado no cargo por Dilma Rousseff, Celso Amorim está de volta ao governo, no comando da Defesa.

Com a escolha, Dilma substitui um ministro herdado de Lula por um que ela não quis manter do legado do anterior.

Até aqui, era mais ou menos consensual a avaliação de que Dilma trocaria, aos poucos, a equipe de seu antecessor por nomes de seu próprio escrutínio.

Foi essa a lógica a nortear as escolhas de Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti, por exemplo.

A volta de Amorim ao tabuleiro contraria essa expectativa e denota a escassez de nomes para uma pasta de manejo complexo, como a Defesa.

Além disso, causa estranhamento a reabilitação de Amorim depois da guinada dada por Dilma à condução da política externa --principalmente no que tange às questões de direitos humanos --, que rendeu, inclusive, críticas do próprio ex-chanceler em entrevista à Folha em março.

Jobim já era.Agora é Celso Amorim

Nelson Jobim deixa o Ministério da Defesa; Celso Amorim é confirmado

Ponto para Dilma.Uma feliz escolha.

     

Após uma série de críticas e constrangimentos públicos ao governo de Dilma Rousseff, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, entregou seu cargo nesta quinta-feira (4). Ele, que estava no Amazonas em missão oficial, foi chamado a antecipar seu retorno a Brasília.


O ministro das Relações Exteriores do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Celso Amorim, foi confirmado em seu lugar, segundo informações oficiais do Palácio do Planalto.


Dilma ficou irritada com as últimas declarações de Jobim à revista "Piauí", quando o agora ex-ministro chamou de “atrapalhada” a política do governo para divulgação de dados sigilosos e chamou a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, de “fraquinha”. Ele disse ainda que a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, “nem sequer conhece Brasília”.


Pela manhã, a presidente esteve reunida com Ideli, Gleisi, Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) e Helena Chagas (Comunicação Social) para discutir a permanência de Jobim. Antes da reunião, Ideli afirmou que Jobim tem dado declarações "desnecessárias" e deveria se "conter um pouquinho”.


A um assessor próximo, Dilma teria dito que se pudesse “arrumaria um cargo para o Jobim na Amazônia e deixaria ele por lá”. O peemedebista foi mantido no cargo no início do atual governo por conta da insistência do antecessor de Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva.


Ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e titular das pastas da Justiça e da Defesa em governos diferentes, Jobim estava em baixa com a presidente Dilma. Em sete meses, o peemedebista foi afastado de debates jurídicos no Palácio do Planalto, sumiu das reuniões de avaliação política e repassou o comando da aviação civil a outra pasta.Folha.


Um juiz no olho da corrupção


O juiz Carreira Alvim, preso durante a Operação Hurricane, lançou o livro Operação Hurricane - um juiz no olho do furacão com denúncias gravíssimas contra a Polícia Federal.O referido livro está à venda na livraria da Folha, que vende todo tipo de merda.Pois bem. A Justiça Federal acaba de desmanchar todos argumentos do citado juiz e reconhece que a Polícia Federal agiu corretamente e que  o mesmo é corrupto.

Juiz reconhece corrupção de desembargador do Rio


Por Marcelo Auler


Mais do que simplesmente condenar o advogado carioca Silvério Luiz Néri Cabral Júnior (OAB-RJ 117117) e o pernambucano Antonio José Dantas Correa Rabello (OAB-PE 5870) a seis anos de reclusão cada um por lavagem de dinheiro proveniente de crime contra a administração pública, a sentença do juiz Erik Navarro Wolkart, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, confirma que o desembargador federal José Eduardo Carreira Alvim — aposentado compulsoriamente pelo CNJ — se corrompeu vendendo decisões judiciais no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo).


A condenação dos dois advogados foi divulgada pela coluna de Ancelmo Gois, em O Globo. Mas a decisão do juiz transcende à simples punição aos réus. É a primeira sentença nas mais de 40 ações penais geradas a partir das investigações da Operação Furacão, ocorrida em 2006. Tornou-se, ainda, a primeira decisão judicial que reconhece o crime de corrupção cometido pelo desembargador. Curiosamente, este reconhecimento ocorreu em um processo (2007.51.01.806865-4) que não aparece nas consultas processuais do site da Justiça Federal do Rio, não analisava o crime de corrupção e que, por tramitar na primeira instância, não poderia julgar o desembargador com direito a foro especial. A decisão à qual a ConJur teve acesso com exclusividade, misteriosamente continua mantida em sigilo pela Justiça.


Carreira Alvim é sogro de Silvério Cabral Júnior, cujo pai é o também desembargador federal aposentado, do mesmo TRF, Silvério Cabral. Como demonstrou a denúncia formulada em 2007 pelo procurador da República Marcelo Freire, entre 2003 e 2006, o advogado pernambucano depositou R$ 1,069 milhão na conta bancária do escritório de Cabral Júnior. Este dinheiro, segundo concluiu o juiz Wolkart na sentença, “correspondia à sua cota e a de seu sogro, na condição de intermediador de atos de corrupção em favor dos interesses do escritório de advocacia Correa Rabello, frente ao desembargador federal José Eduardo Carreira Alvim”.


O desembargador, em abril de 2007, foi denunciado no Supremo Tribunal Federal pelos crimes de corrupção passiva e formação de quadrilha. Junto com o ministro (atualmente, aposentado) do Superior Tribunal de Justiça Paulo Medina; do também desembargador federal do TRF-2, Ricardo Regueira (falecido em julho de 2008); do juiz do Tribunal Regional do Trabalho Ernesto da Luz Pinto Dória; e do procurador regional da República João Sérgio Leal Pereira são acusados de se associarem à máfia que controla a exploração dos jogos eletrônicos no Rio, negociando decisões judiciais. Em novembro de 2008 a denúncia foi acatada pelo Plenário do Supremo e o desembargador passou a ser réu em um processo que também corre em segredo de Justiça. Segundo a acusação, o dinheiro pago a Carreira Alvim também foi intermediado pelo genro.


Tanto Carreira Alvim como Medina, em agosto de 2010, foram aposentados compulsoriamente pelo CNJ. O plenário entendeu que as acusações contra eles tiraram de ambos a "conduta irrepreensível na vida pública e particular", exigência prevista na Lei Orgânica da Magistratura. Ou seja, os conselheiros preferiram não esperar por uma condenação judicial para afastá-los de vez da magistratura. A sentença do juiz Wolkart, portanto, transformou-se na primeira decisão da Justiça a reconhecer que houve corrupção.


Extra petita


Embora tenha surgido a partir das apurações realizadas pela Polícia Federal na Operação Furacão, o processo em que Silvério Cabral Júnior e Correa Rabello acabam de ser condenados, não trata das negociatas com a máfia dos jogos eletrônicos do Rio. Tampouco refere-se a crime de corrupção.


A partir da descoberta de vultosas quantias repassadas por Rabello a Cabral Júnior demonstradas pela quebra do sigilo bancário dos dois, o procurador Freire, espertamente, apegou-se no crime de lavagem de dinheiro. Como crime antecedente (aquele que gera o recurso obtido ilegalmente para ser lavado), citou a corrupção descoberta em gravações da Polícia Federal, nas quais ambos negociam decisões de Carreira Alvim nos processo de interesse do advogado pernambucano. Isto fica claro no Relatório Policial ao qual a ConJur teve acesso e que se encontra anexado à Ação Penal. Nestas gravações, como destacou o procurador Freire na denúncia, constata-se o advogado carioca patrocinando “os interesses escusos do segundo acusado perante o Tribunal Regional Federal da 2ª Região”.


Embora não tenha sido discutida neste processo a corrupção que o jovem advogado carioca intermediava para o sogro, ficou claro que o modus operandi do caso citado é o mesmo que envolveu a máfia do jogo. Como vice-presidente do TRF, o desembargador Carreira Alvim deu liminar na Medida Cautelar Inominada 1.388 concedendo efeito suspensivo a um recurso que nem sequer sabia se era Especial ou Extraordinário, pois ele ainda não tinha sido protocolado. Isto é, ele suspendeu o efeito de uma decisão do próprio TRF-2, com base em um recurso ao STJ contra a mesma decisão, mas que sequer tinha sido apresentado.


A decisão beneficiava a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) ao lhe assegurar o direito de utilizar o incentivo à exportação instituído pelo Decreto-lei 491/69. Mas ela só vigorou por 24 horas. Alertado pela Procuradoria da Fazenda, o então presidente do TRF, desembargador Frederico Gueiros, cassou-a, por considerá-la irregular. Como lembra o juiz Wolkart na sua decisão, “Recursos Extraordinário e Especial não têm efeito suspensivo (...). Excepcionalmente é possível pedir efeito suspensivo para os casos em que a execução possa ser muito nociva. Para tanto, utiliza-se medida cautelar”. O caso da CSN não era o único. As gravações da Polícia Federal mostraram também uma negociação em torno de um processo do interesse da Cotia Trading.


Para o procurador Freire, com os depósitos bancários que Correa fazia em nome do escritório de Cabral Júnior, os dois estavam “reintroduzindo na economia formal recursos obtidos ilicitamente mediante a simulação de contrato de prestação de serviços” entre os dois escritórios. Desta forma, justificariam o produto da corrupção como se fossem honorários advocatícios, tendo tudo para não despertar atenção. Caracterizou-se assim a Lavagem de Dinheiro prevista na Lei 9.613/98.


A tese de que se tratava de honorários foi defendida pelos dois réus em seus interrogatórios. O curioso é que o advogado pernambucano alegava ter contratado o colega carioca, apesar de seu escritório em Pernambuco contar com uma filial no Rio de Janeiro. Ao justificar o dinheiro como pagamento de honorários, Cabral Júnior frisou que o contrato entre os dois “era verbal, pois havia mútua confiança, entre os dois escritórios”. Correa, no depoimento à Polícia Federal, chegou a afirmar que “muitas vezes o trabalho de parceria era informal, sem necessidade de subestabelecimento de procuração, principalmente quando se tratava de pequenos favores, como dar entrada em petições, tirar cópias, etc.”, como destacou o procurador na denúncia.


Freire, baseando-se no total pago ao longo dos anos, não perdeu a oportunidade de ironizá-lo: “Não é crível que um escritório de advocacia pague mais de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) a outro escritório de forma informal para a realização de pequenos serviços, tais como distribuir uma petição inicial e tirar cópia de autos, fatos que revelam de forma inconteste que o referido contrato de prestação de serviço se trata de uma simulação que pretendia garantir ao denunciado Silvério uma forma de reintroduzir na economia com uma aparência de legalidade recursos obtidos de forma ilícita, tudo isto feito com o indispensável auxílio do denunciado Antônio José.”


Esta tese do procurador foi totalmente encampada pelo juiz que considerou na sentença “inusitada a suposta relação comercial existente entre os dois escritórios, haja vista que a contratação de um escritório por outro se afigura razoável quando um deles apresenta especialização na matéria afeta à causa patrocinada pelo outro, ou ainda quando este não possui sede ou filial no longínquo foro competente para apreciação da causa, sendo possível afirmar que a preferência é feita por escritórios de maior porte e experiência, hipótese não observada no caso em tela”.


Com base em todas estas argumentações, ele considera que “restou absolutamente comprovado que Silvério, genro do desembargador Carreira Alvim, atuava como intermediário nos pagamentos de vantagens patrimoniais indevidas que o escritório de advocacia Correa Rabello, na pessoa do segundo denunciado, efetuava ao desembargador Carreira Alvim, em troca de decisões judiciais favoráveis aos seus clientes”.

O juiz, porém, recusou a acusação do procurador de que os dois réus integravam uma organização criminosa, o que geraria uma agravante, aumentando a pena. Ao sentenciá-los com seis anos de reclusão em regime semiaberto e 100 dias multa — estipulando cada dia multa em um salário mínimo — Wolkart permitiu aos dois réus recorrerem liberdade.

Processo 2007.51.01.806889-7


Marcelo Auler é jornalista.

Revista Consultor Jurídico, 4 de agosto de 2011

 

PF desmonta ‘paraíso fiscal’

A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira 4, oito pessoas – entre elas cinco auditores fiscais e um doleiro – suspeitas de montar um esquema de lavagem de dinheiro e crimes financeiros que resultou, de acordo com a Receita Federal, em um rombo que pode chegar a 3 bilhões de reais.


Foi a maior operação conjunta de combate à corrupção da história da Corregedoria da Receita Federal do Brasil – tanto pela quantidade de servidores investigados quanto pelo valor de crédito tributário que deixou de ser constituído.


Durante a ação, em Osasco (SP), foram apreendidos até agora o equivalente a 12,2 milhões de reais em dinheiro vivo na casa e no escritório de fiscais tributários, numa das maiores apreensões em dinheiro vivo já realizadas em São Paulo. Até o momento, foram apreendidos 7,8 milhões de reais e 2,8 milhões de dólares (4,4 milhões de reais, pela cotação de hoje ) em espécie, além de pedras preciosas. A maior apreensão em espécie da operação aconteceu na casa de um auditor em Alphaville, condomínio de luxo da Grande São Paulo: 2,5 milhões de reais e 2,5 milhões de dólares, encontrados no forro do telhado.


A ação, realizada em conjunto com o Ministério Público Federal em São Paulo, foi batizada como Operação Paraíso Fiscal. Seis mandados de prisão preventiva e dois de prisão temporária foram expedidos pela 2ª Vara Federal Criminal e foram cumpridos pelos agentes federais.


De acordo com a Procuradoria, a quadrilha era especializada em “venda de fiscalizações”, que permitia que autos de infração fossem lavrados com valores menores que os devidos. O esquema possibilitava a ocultação de tributos e dívidas fiscais. Os funcionários estavam lotados na Delegacia da Receita Federal em Osasco.


As investigações começaram com a denúncia de um ex-auditor que chegou à Corregedoria da Receita. Segundo a denúncia, a “venda de fiscalizações” e de informações privilegiadas era feita da seguinte forma: empresários da região de Osasco eram abordados pelos funcionários públicos do esquema, que deixavam de autuá-los em troca de vantagens financeiras.


Segundo a Polícia Federal, os auditores também prestavam “consultoria” para empresas que já tivessem sido autuadas pela Receita Federal, buscando invalidar as autuações fiscais.


A investigação demonstrou que os funcionários públicos residiam em casas de alto padrão, realizavam viagens internacionais com frequência e mantinham contas correntes no exterior. As provas foram obtidas a partir de interceptação telemática e telefônica e o monitoramento de encontros com empresários fiscalizados. A PF aponta que o patrimônio dos investigados era incompatível com a sua renda.

Além das prisões de cinco auditores e de um doleiro, que são preventivas, o filho e a mulher de um auditor foram presos temporariamente. Outros cinco auditores fiscais foram suspensos cautelarmente de suas funções por ordem judicial.


Durante a apreensão, a PF encontrou na casa do delegado-adjunto da Receita Federal em Osasco cerca de 814 mil reais e 232 mil dólares. Com um dos chefes de fiscalização da mesma delegacia foram apreendidos quase 1 milhão de reais e 91 mil de dólares.

Além das prisões, 25 mandados de busca foram cumpridos nos municípios de São Paulo, Osasco, Sorocaba e Barueri.

Ainda de acordo com o MPF, todas as contas bancárias dos investigados estão bloqueadas. Os suspeitos podem ser denunciados formalmente pelos procuradores e responder pelos crimes de corrupção, advocacia administrativa (quando o servidor público usa de informações privilegiadas.