domingo, 5 de setembro de 2010

Pó pará, Serra!


Por Marco Aurélio Weissheimer - de São Paulo

O corregedor-geral eleitoral, ministro Aldir Passarinho Junior arquivou nesta quinta-feira a representação da coligação O Brasil Pode Mais, do candidato José Serra (PSDB), que pedia a cassação do registro da candidatura de Dilma Rousseff (PT) à presidência da República. Na representação, a coligação de Serra acusa Dilma e outras seis pessoas (o candidato ao Senado por Minas Gerais, Fernando Pimentel, os jornalistas Amaury Junior e Luiz Lanzetta, o secretário da Receita Federal Otacílio Cartaxo, e o corregedor-geral da Receita Federal, Antonio Carlos Costa D’Ávila) de “usar a Receita Federal para quebrar o sigilo fiscal de pessoas ligadas ao candidato Serra, com a intenção de prejudicá-lo em benefício da campanha da candidata Dilma”.

Como se sabe, Serra não apresentou nenhuma prova para sustentar essa grave acusação. Ou, nas palavras do ministro Aldir Passarinho Junior, não apresentou “concreta demonstração” de que a candidata Dilma Rousseff teria se beneficiado dos atos. Além disso, o ministro não reconheceu a existência de “lesividade na conduta capaz de desequilibrar a disputa eleitoral”. Os fatos narrados, destacou ainda o ministro, podem “configurar falta disciplinar e infração penal comum que devem ser apuradas em sede própria, que não é a seara eleitoral”.

Mas Serra já havia atingido seu objetivo: criar um factóide que, graças aos braços midiáticos de sua campanha, ganharam as manchetes dos grandes jornais e uma edição do Jornal Nacional de quarta-feira que, pelo seu evidente caráter manipulatório, lembrou aquela feita no famoso debate entre Lula e Collor. Em queda livre nas pesquisas, sem programa, sem discurso e mudando de linha a cada semana, o candidato José Serra partiu para o vale-tudo. Queria que o episódio ganhasse manchetes para ele usar no horário eleitoral. Conseguiu isso. Esse é, no momento, o programa que o candidato tucano tem a oferecer ao Brasil.

A estratégia desesperada pode ter o efeito totalmente inverso ao esperado. Maria Inês Nassif escreveu no Valor:

“É tênue a separação entre uma acusação – a de que Dilma é a responsável pela quebra de sigilo – e a infâmia, no ouvido do eleitor. Quando a onda está contra o candidato que faz a acusação, um erro é fatal. Essa sintonia não parece que está sendo conseguida. O aumento da rejeição do candidato tucano, desde o início da propaganda eleitoral, é alarmante.”

Pior ainda: além do aumento da já crescente rejeição ao candidato tucano, o episódio pode expor a montagem de uma farsa (e de um crime) com cúmplices espalhados em várias redações brasileiras. A farsa: a campanha de Dilma teria quebrado o sigilo fiscal da filha de Serra. O crime: as acusações desprovidas de prova e fundamento dirigidas contra a pessoa da candidata. O PT anunciou hoje que decidiu entrar com duas ações judiciais contra Serra e uma contra o presidente do PSDB, Sérgio Guerra.

A primeira medida é uma representação no TSE, com base no artigo 323 do código que regula as eleições. O crime previsto é imputar fato sabidamente não praticado pelo adversário para atingir objetivos nas eleições. Neste caso, segundo José Eduardo Cardozo, secretário geral do PT, Serra e o PSDB sabem que o PT e a campanha de Dilma Rousseff não tiveram qualquer participação na quebra de sigilo de pessoas ligadas aos tucanos, mas assim mesmo fazem acusações. Além desta, o partido decidiu entrar com outra ação judicial contra José Serra por calúnia, difamação e injúria. A última medida é a representação na Procuradoria Geral da República contra Sérgio Guerra, por crime contra a honra devido às repetidas declarações de Guerra, acusando o PT e Dilma de serem os responsáveis por quebras de sigilo fiscal.

A estratégia pode custar caro a Serra. Além das ações, começaram a circular informações nesta quinta-feira, dando conta das incríveis “coincidências” entre a data em que teria ocorrido a violação do sigilo da filha de Serra e a da guerra que o ex-governador de São Paulo travou com o ex-governador de Minas, Aécio Neves. Essa guerra tem uma trama novelesca, envolvendo confusões policiais em festas, acusações de agressões, chantagens e investigações especiais realizadas pelos dois lados em disputa. Pois ambas as coisas, a quebra do sigilo com uso de procuração falsa e o ápice da guerra Serra-Aécio ocorreram no mesmo mês, setembro de 2009.

Conforme foi amplamente noticiado, o jornal Estado de Minas estaria, neste período, preparando uma “investigação especial” sobre Serra. O jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou no Estado de Minas, anunciou o lançamento de um livro sobre os bastidores do processo de privatizações. Esse trabalho atingiria Serra e aliados. Em novembro de 2009, o blog de Juca Kfouri publicou uma nota afirmando que Aécio teria agredido a namorada em uma festa. A virulência desta guerra pode ser atestada em um inacreditável artigo de Mauro Chaves (jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e pintor, conforme ele mesmo se apresenta), publicado no jornal O Estado de São Paulo em 28 de fevereiro de 2009. O recado do artigo, que critica as aspirações políticas de Aécio Neves, está resumido no título “Pó Pará, governador?” A expressão aparece na última linha de modo inteiramente abrupto, como quem não quer nada:

O problema tucano, na sucessão presidencial, é que na política cabocla as ambições pessoais têm razões que a razão da fidelidade política desconhece. Agora, quando a isso se junta o sebastianismo – a volta do rei que nunca foi -, haja pressa em restaurar o trono de São João Del Rey… Só que Aécio devia refletir sobre o que disse seu grande conterrâneo João Guimarães Rosa: “Deus é paciência. O diabo é o contrário.” E hoje talvez ele advertisse: Pó pará, governador?

Curiosamente, o jornal O Estado de Minas, ligado a Aécio, deu pouquíssima repercussão ao caso da filha de Serra. O mesmo ocorreu com o Correio Brasiliense. Ambos os jornais pertencem ao mesmo grupo, os Diários Associados. Ao contrário da imensa maioria dos jornalões brasileiros, não julgaram o tema relevante. Coisas da nossa brava imprensa, não é mesmo?

Nada disso importa a Serra, o homem que Pode Mais. O ex-governador de São Paulo é conhecido por isso: acredita que pode qualquer coisa. Pode? O povo brasileiro dará a resposta. E, pegando carona na expressão do articulista do Estadão, ele poderá dizer:

Pó pará, Serra!

Marco Aurélio Weissheimer é editor-chefe da agência Carta Maior

Economia impulsiona candidatura Dilma para vitória no primeiro turno



Por Redação Correio do Brasil - de São Paulo

A pesquisa divulgada neste sábado pelo Instituto Datafolha para a Presidência da República mostra que a candidata Dilma Rousseff (PT) está com 50% das intenções de voto e José Serra (PSDB) com 28%. Já Marina Silva, do PV, tem 10%. Excluindo-se os 4% de votos nulos e brancos e os 7% de eleitores que ainda não sabem em quem vão votar, Dilma tem 56% dos votos válidos o que lhe daria vitória no primeiro turno. Segundo o doutor em Ciência Política, Diretor Acadêmico e Professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Aldo Fornazieri, ainda há espaço para que a candidatura da candidata petista cresça mais na preferência do eleitor.

– Os analistas têm que se convencer de forma definitiva que existe um dado objetivo de realidade que impulsiona a candidatura Dilma para frente. Não é esse ou aquele programa de televisão que vai fazer com que haja uma alteração significativa na intenção de voto – afirmou.

Na pesquisa anterior do instituto, divulgada no dia 25 de agosto, Dilma aparecia com 49%, Serra com 29% e Marina com 9%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, o quadro se manteve estável desde então. A candidata petista tem a maioria das intenções de votos nas cinco regiões do país, com destaque para o Nordeste, onde vence com 61% dos votos. Serra ainda mantém margens mais confortáveis no no Sul e Sudeste, onde aparece com 31% e 33% das intenções de votos respectivamente. Já Marina Silva encontra maior receptividade no Norte e no Sudeste, com 10% e 12% das intenções de voto respectivamente.

Já na divisão de gênero, Dilma tem mais receptividade entre os homens, com 56% das intenções de votos. Entre as mulheres, o percentual cai para 46% das intenções de voto. O quadro é o diferente de Serra, que tem mais de votos entre as mulheres (29%) do que entre os homens (28%). Marina tem 10% de votos femininos e 9% de masculinos. A pesquisa mostra ainda que 81% dos eleitores que declararam seu voto estão totalmente decididos sobre o seu candidato, enquanto 18% afirmaram que ainda podem mudar de voto.

Em um segundo turno cada vez mais improvável, a pesquisa mostra que Dilma teria 56% dos votos e Serra 36%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com número 27.903/2010.

O marketing de guerra: agressividade que tira votos



Um movimento de intenção de votos foi constatado tanto pelo Datafolha quanto pela diária do Vox Populi, com pesquisas realizadas na semana do "escândalo" da Receita. Curiosamente, há um indício que passou despercebido até pelos blog-jornalistas mais críticos.

por Weden, no blog do Nassif

As pesquisas mostram que a diferença aumentou "levemente" entre Dilma e Serra. Pode ser apenas uma variação "dentro da margem de erro". Mas podem ser também os primeiros indícios de que o eleitor que restou a Serra não está aprovando esta história de radicalização do discurso.

Mais uma vez o grande problema de Serra é ouvir quem não deveria. Serra precisava estancar a queda. Como quase conseguiu. Além disso precisava roubar uns 8 pontos de Dilma, o que tornaria bem provável o segundo turno.

A missão não era fácil, mas parece que para Serra nada é tão ruim que não possa piorar.

Não foram poucos os jornalistas e correligionários que pediram a Serra que elevasse o tom. Segundo eles, isso sim seria fazer oposição.

Num dos mais infelizes artigos já produzidos na grande imprensa, o editorialista do GLobo Luis Garcia,por exemplo, implorava que Serra desse "um ou dois murrinhos" na mesa. Em palavras menos delicadas, isto significou um apelo para que Serra "partisse pra porrada".

Como designou Fernando Rodrigues, Serra acabou aceitando a sugestão da "ala maçaranduba" do PSDB (e da imprensa).

Isso geralmente não dá certo. Lula assustou eleitores durante três eleições com uma retórica mais dura. Quando amenizou o discurso, a aceitação foi mais natural - lógico, que só isso não explica sucessos e insucessos, mas é fator a ser levado em conta.

A pedido dos mesmos partidários da porrada, Alckimin já em desespero foi a um debate em 2006 como um "delegado de porta de cadeia", segundo a expressão de Lula. A imprensa amiga comemorou o novo "ethos" daquele que humoristas apelidaram de Picolé de Chuchu.

O resultado foi catastrófico: Lula aumentou ainda mais a vantagem poucos dias antes das eleições.

Eleitor não gosta de quem bate, e nem gosta de quem se faz de vítima. Justamente o duplo equívoco de Serra nesta semana que termina.

Olhando os números, percebe-se por exemplo que o nível de rejeição aumentou no Datafolha.

Descendo a porrada, o que Serra pode conseguir mesmo é descer abaixo dos 25%. O que não seria ruim para sua carreira.

Seria humilhante.

E o show de cinismo continua


O show de cinismo dos tucanos não para por aí.Veja também quem está surfando na onda dos tucanos.

Aliado de Serra, Jader Barbalho também explora assunto

Também candidato ao governo do Pará, Jader Barbalho (PMDB), que apoia a candidatura de Serra, também explorou o episódio em seu programa na TV no horário eleitoral.

O peemedebista, que teve seu registro de candidatura barrado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), afirmou em seu programa de sexta-feira (3) que já denunciou várias vezes “o aparelhamento de órgãos e instituições federais” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo PT. "É lamentável. Esse já é o quinto, sexto, sétimo, oitavo caso de violação de sigilo fiscal", disse o candidato. Folha.Com

Assessor de Yeda Cruzes quebrou sigilo de petistas


O PiG virtual, a contragosto, já que não tem mais como escapar de publicar a verdade, informa que o promotor que dirige o inquérito sobre a quebra dos sigilos de Tarso Genro e de Paulo Paim confirma que o assessor da tucana Yeda Cruzes acessou, violou os dados dos petistas referidos.Mas isso é o de menos.Inacreditável é saber que o coordenador da campanha de Yeda disse que vai explorar, no guia eleitoral da tucana, a quebra do sigilo dos tucanos paulistas.Haja desfaçatez, haja cara de pau, haja falta de vergonha na cara deses tucanos malditos.

Promotor confirma que dados do PT eram acessados no RS

Sargento Cesar Rodrigues de Carvalho espionou dados do diretório do Partido dos Trabalhadores

PORTO ALEGRE - O promotor de Justiça Amilcar Macedo confirmou neste sábado que dados de diretórios do Partido dos Trabalhadores (PT) eram acessados pelo sargento Cesar Rodrigues de Carvalho, que trabalhava no setor de inteligência da Casa Militar do governo do Rio Grande do Sul até o final de agosto e na Secretaria de Segurança do Estado desde então.

O militar também espionou informações de um ex-ministro do governo Luiz Inácio Lula da Silva e de um senador, de diferentes partidos. Os nomes não foram revelados, mas possivelmente sejam os de Tarso Genro (PT) e Paulo Paim.

Carvalho foi preso preventivamente na sexta-feira por suposta participação em esquema de extorsão de exploradores de caça-níqueis mediante repasse de informações antecipadas sobre ações de fiscalização. A investigação apontou que entre as informações do Sistema de Consultas Integradas do Estado que o sargento acessava também estavam dados de um partido e de diversos políticos.

Em nota divulgada na sexta-feira, a Casa Militar informou que vai requisitar informações ao Ministério Público e Polícia Civil para análise e possível instauração de inquérito policial-militar. O secretário de Segurança Pública, general Edson Goularte, admitiu que o sistema "às vezes é mal usado por pessoas que têm a senha autorizada" e afirmou que haverá sanções "àqueles que porventura tenham feito uso inadequado" da ferramenta. A governadora Yeda Crusius e o PT ainda não comentaram o caso.

Cadê o conteúdo dos sigilos quebrados?


Ontem, durante o comício realizado em Guaralhos, Lula fez alguns questionamentos pertinentes.Lula indagou aos tucanos e ao PIG o seguinte: Cadê o sigilo? Cadê os dados dos sigilos?.Pois é, ninguém vê, ninguém viu o que contém na conta dos tucanos trambiqueiros.Os subujos do PiG, tão diligentes na questão relacionada ao sigilo, não fazem o menor esforço para mostrar para sociedade o que há de tão importante nas contas dos tucanos traquinos.Muita gente gostaria de saber tamanho da fortuna de EJ, Ricardo Sérgio, Verônica Serra, etc.Veja que ocorreu a mesma coisa em relação ao Esquema dos Sanguessugas.Os sabujos do PiG passaram mais de 4 meses falando dos aloprados, no entanto, silenciaram eloquentemente acerca do conteúdo do dossiê, que mostra, entre outros fatos, José Serra abraçado e elogiando os líderes do referido esquema.Sempre é assim, o PiG se apega a um delito menor com objetivo de ocultar, em benefício de Serra, uma delito muito maior.

sábado, 4 de setembro de 2010

Serra entra com novos pedidos para cassar Dilma


Serra não se conforma com a derrota nas urnas.Como já sabe que vai perder nas urnas, Serra fica apelando para o Poder Judiciário.Não se conformando com a absolvição de Dilma pelo TSE, Serra tenta de novo, por via obliqua, cassar a candidatura de Dilma.Veja que os argumentos da nova ação são os mesmos da ação que teve o pedido arquivado pelo TSE.Serra, só para dizer que não quer a cassasão de Dilma, usa o Ministério Público Eleitoral para fazer o que ele não tem coragem de fazer.Fato é que Serra não tem peito para pedir diretamente a cassação de Dilma Rousseff, por isso usa o MP.Se o MP não for conivente com a armação de Serra, seguramente vai arquivar os pedidos.

Serra vai à Justiça para apurar quebra de sigilo

A informação foi divulgada durante entrevista coletiva, da qual participaram o presidente do PPS, Roberto Freire, o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, o vice na chapa do presidenciável José Serra, Índio da Costa, e o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

Serão dois pedidos. O objetivo da representação endereçada ao MPE será o de investigar o episódio pela ótica jurídico eleitoral. A ação terá como base a suposta filiação do falso procurador de Verônica Serra, Antonio Carlos Atella Ferreira, ao PT, além de reportagem que acusou o PT de ter pago as despesas do jornalista Amaury Ribeiro Jr. para a produção de dossiês contra José Serra.

A outra representação será apresentada ao MPF contra o secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, e o corregedor geral da Receita Federal, Antonio Carlos Costa D'Ávila Carvalho. Para a coligação, Cartaxo e D'Ávila cometeram atos de improbidade administrativa e obstrução da investigação desses fatos. "Se trata de uma estratégia de despistar (a apuração dos fatos), na qual ambos acobertam os responsáveis maiores desses crimes", comentou Álvaro Dias.

O senador ressaltou, durante a entrevista, que as representações não têm motivo eleitoral, mas "da defesa da Constituição, pois está ocorrendo a banalização de crimes contra os direitos individuais".

Responsáveis. A coligação de apoio ao presidenciável José Serra centrou fogo no presidente Lula e no ministro da Fazenda, Guido Mantega, pelo episódio. "Eles são as principais autoridades responsáveis pela Secretaria da Receita Federal. O presidente da República tem responsabilidade político-administrativa", comentou o senador Álvaro Dias.

"Compete às principais autoridades do País não permitir que esses crimes absurdos ocorram", disse Freire. Na avaliação dele, Mantega "admite, em público, que a Receita Federal é incontrolável. Há acessos e quebra de sigilo de cidadãos", afirmou, acrescentando que "qualquer camelô pode vender (informações de dados pessoais de cidadãos), nas principais capitais do País". "Essa é uma situação coerente a uma republiqueta", comparou.

Ainda segundo Freire, Lula prevaricou ao não coibir ações criminosas vinculadas à Receita Federal logo no início deste ano, quando foi alertado pelo então governador de São Paulo, José Serra, de que havia indícios de que alguns dados fiscais da filha dele, Verônica, poderiam estar sendo veiculados ilegalmente em alguns blogs.

Perguntado por que a coligação apresentou queixa formal à Justiça, em relação à quebra de sigilo de Verônica, só depois de oito meses - a menos de 30 dias para as eleições - o grupo de apoio a Serra foi taxativo. "No começo do ano, havia apenas indício de crime. Agora, existem provas concretas, inclusive, confessadas pela Receita Federal", comentou Dias. AE.

De Lula para Serra:mentira tem pernas curtas

Até um dos braços do PiG condena golpismo de José Alagão Serra

A RECEITA, O CANDIDATO E O CASUÍSMO"

Carlos José Marques, diretor editorial-IstoÉ
No terreno da eleição, projeto político foi um tema colocado de lado, esquecido como uma bobagem que não rende voto. Vale mais desmoralizar o adversário. Ao menos parece ser assim que pensa o tucanato, guiado pelo presidenciável José Serra. Ele tomou como bandeira de campanha um episódio execrável – a quebra do sigilo fiscal de sua filha Verônica Serra – e partiu para o ataque ensandecido contra a rival Dilma Rousseff. Sem nenhuma prova cabal ou elo concreto de envolvimento direto da adversária, apontou Dilma como culpada por tudo. Fez mais: pediu a impugnação de sua candidatura. Chamou-a de “fraude”. Lançou a pecha de “fascistas” sobre petistas. Chegou a chorar teatralmente durante discurso em palanque. Um espetáculo claro de casuísmo eleitoreiro que não condiz com a saudável disputa de ideias para vencer nas urnas. Pode-se entender a indignação de um pai com o crime cometido contra a filha. Mas daí a partir para ilações infundadas, concluindo que a responsabilidade é da opositora, vai uma longa distância. A leviana incursão serrista deixa transparecer o oportunismo. Nessa nova vertente de estratégia de campanha, Serra dá a entender que, se não pode ganhar no voto democrático, aceita vencer apelando. Partiu para o tapetão como aquele time que discorda do resultado. E nas pesquisas vai seguindo atrás. Em entrevista nesta edição, o correligionário e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – que, embora tenha sido o mentor do real e pai da estabilidade, foi sumariamente “esquecido” pelos tucanos nos programas eleitorais de tevê – diz que a campanha de Serra não está sintonizada com o País. As idas e vindas de seu antigo amigo e parceiro, que ora vincula a imagem a Lula, ora critica seu governo, incomodam FHC e deixam nele a impressão de uma campanha perdida.

O vazamento de dados da filha foi pego como tábua de salvação da candidatura de Serra. Mas o episódio da Receita Federal – que, de mais a mais, sempre pareceu um queijo suíço quando o assunto foi zelar pela privacidade dos contribuintes e pela guarda de informações sigilosas – não pode ser classificado como único. Ocorre há décadas, como problema crônico. Não faz muito tempo, era possível comprar calhamaços de CPFs no balcão do camelô da esquina. Desde os idos dos anos 70 o problema de quebra de sigilo fiscal vem seguindo como uma endemia, passando por sucessivos governos – de várias colorações partidárias –, sem solução. A Receita chafurda em um sistema falho, que dá margem a esquemas de corrupção financeira, em vários escalões, e que agora serve de arma política na cena da eleição.

Dilma continua crescendo

Tracking Vox Populi/Band/iG: Dilma 53%, Serra 24%

No quarto dia de medição, petista oscila positivamente dentro da margem de erro

Dilma Rousseff (PT): 53% (subiu 1 ponto)
José Serra (PSDB): 24% (manteve-se empacado)
Marina Silva (PV): 8% (também não variou)
Brancos e nulos: 4%
Indecisos: 10% (1 ponto a menos que no levantamento do dia anterior)
Outros candidatos: 1%.

Na pesquisa espontânea:
Dilma: 42% (subiu 1 ponto)
Serra: 19% (empacado)
Marina: 6% (na mesma)

Dilma lidera em todas as regiões do país.

Na região Nordeste, tem 70% dos votos contra 15% de Serra e 5% de Marina.

Serra "perde por menos" na região Sul, onde ele soma 30% e Dilma tem 49%.

Nota do PT de São Paulo sobre filiação em Mauá


Diante das notícias veiculadas por órgãos de imprensa acerca da filiação do Sr. ANTÔNIO CARLOS ATELLA FERREIRA ao Partido dos Trabalhadores (Diretório de Mauá – São Paulo), o DIRETÓRIO ESTADUAL DE SÃO PAULO DO PARTIDO DOS TRABALHADORES vem de público esclarecer que:

1. Foi apresentada ao Diretório Municipal do PT de Mauá, em outubro de 2003, proposta de filiação do Sr. ANTÔNIO CARLOS ATELLA FERREIRA;

2. Ocorre, porém, que ao ser escrita ou digitada a solicitação de filiação, o seu nome foi grafado de forma incorreta, encaminhando-se, em decorrência disso, aos órgãos competentes da Justiça Eleitoral, o pedido de registro de filiação em nome de ANTÕNIO CARLOS “ATELKA” FERREIRA;

3. Em decorrência de não existir compatibilidade entre o nome constante do pedido de registro de filiação e os documentos eleitorais firmados em nome de ANTÔNIO CARLOS ATELLA FERREIRA, a Justiça Eleitoral deixou de efetivar o registro da filiação;

4. Desde então, o Sr. ANTÔNIO CALOS ATELLA FERREIRA nunca procurou os Dirigentes do Diretório de Mauá para corrigir a situação da sua filiação junto a Justiça Eleitoral. Da mesma forma, ele nunca participou de qualquer órgão de direção partidária, nem de qualquer evento, seminário, reunião ou atividade promovida pelo Diretório, não tendo nunca cumprido quaisquer obrigações estatutárias estabelecidas para os nossos filiados, nem mesmo sequer comparecido para votar em quaisquer dos nossos processos eleitorais internos;

5. Assim, o Sr. ANTÔNIO CARLOS ATELLA FERREIRA, por não ter tomado qualquer iniciativa para regularizar o registro da sua filiação, acabou por ter o seu nome excluído, pela Justiça Eleitoral, do quadro de filiados do Partido dos Trabalhadores, não tendo ainda em momento algum, ao logo de todos estes anos, participado minimamente da nossa vida partidária. Desse modo, tanto perante a Justiça eleitoral como para o Partido dos Trabalhadores, ele não é considerado como integrante do nosso quadro de filiados.

São Paulo, 3 de 0utubro de 2010

EDINHO SILVA
Presidente Estadual do PT-SP

Brincando com fogo

Desde o início deste ano, os demo-tucanos vem tratando o processo eleitoral como se fosse uma gincana escolar. Longe de serem construtivos para o debate, suas ações e seu discurso mostram total desordem mental e tática. Não estão sendo coerentes nem com sua própria ideologia.

A brincadeira começou na birra de José Serra em não assumir sua candidatura e, ao mesmo tempo, impedir a convenção interna do seu partido. A dúvida ali era se a soberba devia-se à certeza de “já estar eleito” de longa data pelas pesquisas e pela facilidade com que deslizou para a prefeitura e de lá para o governo de São Paulo – ou se, realmente, vivia uma crise existencial, indeciso entre garantir o pássaro da reeleição na mão, sem sair da poltrona de seu gabinete, ou se aventurar a buscar os dois voando fora dos muros midiáticos que separam a aldeia paulista do “resto”. Como vimos, sua “natureza” falou mais alto – coisa que Lula previu de longe, conhecedor da vaidade descomprometida com o Brasil dos paulistas do PSDB.

Enquanto o PT trabalhava com seriedade, apresentando à sociedade a Ministra-chefe da Casa Civil, responsável direta pelo PAC e demais programas em andamento e profundamente íntima de todos seus processos, como legítima candidata a sucessão – Serra inaugurava maquetes e brincava de solista do PSDB, reduzindo seus parceiros de partido a meros coadjuvantes de suas coreografias megalomaníacas.
Depois que Aécio Neves deu uma figa para sua pretensão de tê-lo como vice, Serra e os seus sentiram o drama que se avizinhava. O pastelão cresceu com lavagens de roupa suja em público, com as trapalhadas no episódio “procura-se um vice” e resultou finalmente no que parecia ser o ponto mais alto da comédia: a nomeação do tal Índio da Costa – que Serra mal conhecia – para o cargo de vice. O deslumbrado debutante, focado pelos holofotes midiáticos pela primeira vez, roubou a cena, fez pose de estrela para os fotógrafos, agarrou-se aos microfones e entoou uma verborragia infantil, repleta de palavras de ordem do ensebado cardápio da velha direita. O que dois dias depois lhe rendeu um cala-boca público do próprio partido e o emudeceu para sempre – acessório insosso que é no tabuleiro eleitoral.

A essa altura, Dilma já buzinava, pedindo passagem ao carro eleitoral de Serra para em seguida, engatar uma quarta marcha e passar por fora, assobiando. (E ainda teria muitas marchas para engatar…)

Enfim, quando se começa uma campanha deste modo jocoso, não dando ao processo sucessório a seriedade que sua dimensão impõe, é impossível manter algum respeito como candidato. Serra tornou-se uma espécie Enéas Carneiro invertido. Patina de uma lambança para outra, se reinventando diariamente, sem encontrar identidade convincente por ser uma fraude monumental.

Passou a maior parte de seu governo paulista no colo de um eleitor obtuso e avaliado como favorito para vencer em 2010. Por isso supôs que não tinha obrigação alguma em fazer um bom governo – sequer governar. Preso a estratégias arcaicas, bastaria investir maciçamente em publicidade para manter-se na “crista da onda” midiática e alimentando o ilusionismo de estar fazendo alguma coisa palpável em mais um mandato que não iria cumprir. Estratégia arrogante, que contava com a burrice do eleitor do resto do país – supostamente tão fácil de manipular quanto o eleitor paulista.

Agora, em função das evidências, Serra partiu para o jogo perigoso do golpismo que, ironicamente, é o mesmo que conheceu, do lado oposto, na época de estudante. De vítima em 64, tenta ser o algoz em 2010. Apesar de não sermos mentalmente o mesmo povo, nem país, a disposição ao enfrentamento armado, antes exclusiva de uma minoria de cães raivosos anti-petistas, chegou a se manifestar nos eleitores pró-Dilma nos últimos dias. E isso mostra o quão perigosa pode ser essa trama. Não se sabe, ainda, a quem e até que ponto, Serra conseguirá vender sua “hora da virada” golpista. O que faz dos nossos próximos 30 dias, um período de provação: seremos capazes de resguardar nosso ainda jovem estado de direito democrático, conquistado depois de tantos sacrifícios? Ou sucumbiremos às forças do retrocesso que acenam com a tomada do poder pela força, travestida de tapetão? Será preciso chegarmos a este impasse?

Até agora, o PIG fez a campanha de Serra abertamente e de forma vil, através da manutenção da audiência aos factoides e à retórica enganosa da oposição. Queremos acreditar que o TSE e STF continuarão a não se deixarem contaminar por este jogo rasteiro do PSDB e seus aliados.

Mas, seja qual for o desfecho deste processo, só o fato da mídia brasileira dar voz aos flertes golpistas de um candidato visivelmente desequilibrado – flertes que nos remeteram às terríveis lembranças dos tempos da ditadura – já nos revela, a nós mesmos e ao mundo, como uma democracia frágil, muito distante ainda do ideal que privilegia o debate honesto, plural e civilizado.


Do amigo Roni Chira, do blog O que será que me dá?

Lula: Serra usa a família para justificar o fracasso nas eleições


Sem a presença de Dilma Rousseff, no comício em Guarulhos (SP), na tarde deste sábado (4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o contra-ataque ao oponente José Serra (PSDB), que acusa a campanha do PT de ter quebrado o sigilo fiscal de sua filha, Verônica. Numa referência direta à crise provocada pelo vazamento dos dados na Receita Federal, Lula questionou: "cadê esse tal de sigilo que não apareceu até agora? Cadê o vazamento das informações? Mentira tem pernas curtas. E quando as pessoas começam a mentir descaradamente, quando as pessoas procuram alguém pra responsabilizar nosso fracasso..."


O presidente também comentou sobre o programa dos adversários do PT e atacou Serra: "nossa campanha está tranquila. O programa está tranquilo, maduro. Mostrando cada obra que nós fizemos, os trabalhadores e trabalhadoras.... Do outro lado, temos um adversário, que o bicho anda com uma raiva que eu não sei de quê. O programa deles tá pesado, rasteiro" .


Lula elevou o tom dos ataques ao ex-governador de São Paulo: "É aquele que cai na água e fica se batendo, até morrer afogado". Para o presidente e cabo eleitoral de Dilma, Serra usa a família para justificar o fracasso nas eleições.

"Vamos ganhar a eleição sem ofender uma única vez o nosso adversário. Ofensa é que um torneiro pode governar melhor que os doutores que governaram o país até aqui", encerrou Lula, em seu discurso mais quente na campanha.


Dilma se encontra em Porto Alegre (RS), onde acompanha os exames médicos da filha Paula, que deve ter um filho esta semana. Ela ligou para o presidente Lula na noite desta sexta (3) e avisou que não participaria do comício na periferia de Guarulhos. A petista, líder nas pesquisas, diminuiu o ritmo da campanha nos últimos dias. Terra.

Fala, Lula! Imperdível

Por que a Globo omite o vazamento de dados dos petistas Tarso Genro e Paulo Paim?


Por que o Jornal Nacional omite o vazamento de dados de petistas, ocorrido no Rio Grande do Sul, estado governado pela tucana Yeda Crusius? A quem interessa a omissão da Globo em não noticiar o fato? Será que a Globo está ganhando dos tucanos para abafar o caso? Será que a TV Globo está ganhando dos tucanos para repercutir, a exaustão, o caso do sigilo fiscal dos tucanos trapaceiros, hein?

Que coisa ridícula!


Chega a dar pena a torcida que o PiG faz para tentar levar Serra para o segundo turno.Esta manchete do Estadão diz tudo:Dilma para de avançar e Serra deixa de cair, indica pesquisa do IBOPE.Que coisa ridícula. Muito mais ridículo é o fato do mesmo portal convocar um "especialista para comentar resultado estagnado".O PiG está matando cachorro a grito.Que ridículo.

Coligação de Dilma pede direito de resposta contra acusação de quebra de sigilo fiscal


A coligação “Para o Brasil Seguir Mudando”, que apoia a candidatura de Dilma Rousseff à presidência da República, ajuizou uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo direito de resposta e interrupção da veiculação da propaganda eleitoral da coligação adversária que menciona a quebra de sigilo fiscal da filha do presidenciável José Serra.

A publicidade considerada irregular pela coligação de Dilma foi veiculada ontem (2) no horário noturno da propaganda eleitoral em bloco de José Serra. Sustenta na ação que durante 5’05” de propaganda “houve a intenção clara de confundir a cabeça do eleitor com uma profusão de fatos, misturados entre si, que não guardam a mínima relação”.

Argumenta que a propaganda ao associar episódios como o “caso dos Aloprados”, “caso Francenildo” e o “Mensalão” com a recente quebra do sigilo fiscal de Verônica Serra tenta demonstrar uma ‘repetição’ de fatos, “agora atribuída à candidata Dilma Rousseff.

Segundo a coligação de Dilma “a propaganda quer fazer crer que quem pratica um ato de violação do sigilo fiscal de alguém, como fizeram ‘adversários’ do candidato José Serra, utilizando-se da máquina pública da Receita Federal, podem ser associados a arrombadores de residências que vasculham gavetas”.

A coligação de Dilma afirma na ação que, desde que foi noticiada a quebra de sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, houve uma série de acusações de Serra na imprensa contra a candidata do PT à presidência, tentando responsabilizar a campanha dela pelos fatos ocorridos.

Tal conduta, argumenta, tenta imputar à candidata e sua coligação a prática de “crime contra a democracia”, “atentado contra a democracia” e “quebra de sigilo”, além de “jogo sujo de campanha”, “espionagem” e “chantagem”. Defende na representação que as acusações incorrem em prática de calúnia eleitoral, injúria e difamação, condutas previstas nos artigos 324, 326 e 325 respectivamente do Código Eleitoral.

Assim, a coligação de Dilma Rousseff pede a concessão de liminar ao TSE para suspender a propaganda contestada e, no mérito, a concessão de direito de resposta no tempo de 5 minutos e 5 segundos no programa eleitoral em bloco de Serra exibido à noite; e a condenação da coligação de José Serra à perda de 10 minutos e 10 segundos (equivalente ao dobro do tempo da propaganda veiculada).

O relator da representação é o ministro Joelson Dias.

Processo relacionado: RP 274413 TSE

Cadê os defensores da liberdade de expressão?


JORNAL JÁ

Como calar e intimidar a imprensa

Luiz Cláudio Cunha no Observatório da Imprensa

“Quando o mal é mais audacioso, o bem precisa ser mais corajoso.” (Pierre Chesnelong, 1820-1894, político francês

Agosto, mês de cachorro louco, marcou o décimo ano da mais longa e infame ação na Justiça brasileira contra a liberdade de expressão.

É movida pela família do ex-governador Germano Rigotto, 60 anos, agora candidato ao Senado pelo PMDB do Rio Grande do Sul e supostamente alheio ao processo aberto em 2001 por sua mãe, dona Julieta, hoje com 89 anos. A família atacou em duas frentes, indignada com uma reportagem de quatro páginas, publicada em maio daquele ano em um pequeno mensário (tiragem de 5 mil exemplares) de Porto Alegre, o JÁ, que jogava luzes sobre a maior fraude da história gaúcha e repercutia o envolvimento de Lindomar Rigotto, filho de Julieta e irmão de Germano.

Uma ação, cível, cobrava indenização da editora por dano moral. A outra, por injúria, calúnia e difamação, punia o editor do JÁ e autor da reportagem, Elmar Bones da Costa, hoje com 66 anos. O jornalista foi absolvido em todas as instâncias, apesar dos recursos da família Rigotto, e o processo pelo Código Penal foi arquivado. Mas, em 2003, Bones acabou sendo condenado na área cível ao pagamento de uma indenização de R$ 17 mil. Em agosto de 2005 a Justiça determinou a penhora dos bens da empresa. O JÁ ofereceu o seu acervo de livros, cerca de 15 mil exemplares, mas o juiz não aceitou. Em agosto de 2009, sempre agosto, quando a pena ascendera a quase R$ 55 mil, a Justiça nomeou um perito para bloquear 20% da receita bruta de um jornal comunitário quase moribundo, sem anúncios e reduzido a uma redação virtual que um dia teve 22 jornalistas e hoje se resume a dois – Bones e Patrícia Marini, sua companheira. Cinco meses depois, o perito foi embora com os bolsos va zios, penalizado diante da flagrante indigência financeira da editora.

Até que, na semana passada, no maldito agosto de 2010, a família de Germano Rigotto saboreou mais um giro no inacreditável garrote judicial que asfixia o jornal e seu editor desde o início do Século 21: o juiz Roberto Carvalho Fraga, da 15ª Vara Cível de Porto Alegre, autorizou o bloqueio online das contas bancárias pessoais de Elmar Bones e seu sócio minoritário, o também jornalista Kenny Braga. Assim, depois do cerco judicial que está matando a editora, a família Rigotto assume o risco deliberado de submeter dois dos jornalistas mais conhecidos do Rio Grande ao vexame da inanição, privados dos recursos essenciais à subsistência de qualquer ser humano.

O personagem de Scorsese

Afinal, qual o odioso crime praticado pelo JÁ e por Elmar Bones que possa justificar tanta ira, tanta vindita, ao longo de tanto tempo, pelo bilioso clã Rigotto? O pecado do jornal e seu editor só pode ter sido o jornalismo de primeira qualidade, ousado e corajoso, que lhe conferiu em 2001 os prêmios Esso Regional e ARI (Associação Riograndense de Imprensa), os principais da categoria no sul do país, pela reportagem “Caso Rigotto – Um golpe de US$ 65 milhões e duas mortes não esclarecidas”.

A primeira morte era a de uma garota de programa, Andréa Viviane Catarina, 24 anos, que despencou nua do 14º andar de um prédio na Rua Duque de Caxias, no centro da capital gaúcha, no fim da tarde de 29 de setembro de 1998. O dono do apartamento, Lindomar Rigotto, estava lá na hora da queda. Ele contou à polícia que a garota tinha bebido uísque e ingerido cocaína. Nenhum vestígio de álcool ou droga foi confirmado nos exames de sangue coletados pela criminalística. O laudo da necropsia diz que a vítima mostrava três lesões – duas nas costas, uma no rosto – que não tinham relação com a queda. Ela estava ferida antes de cair, o que indicava que houve luta no apartamento. Um teste do Instituto de Criminalística indicou que o corpo de Andréa recebeu um impulso no início da queda.

No relatório que fez após ouvir Rigotto, o delegado Cláudio Barbedo, um dos mais experientes da polícia gaúcha, achou relevante anotar: “[Lindomar] depôs sorrindo, senhor de si, falando como se estivesse proferindo uma conferência”. Os repórteres que o viram chegar para depor, no dia 12 de novembro, disseram que ele parecia “um personagem de Martin Scorsese”, famoso pelos filmes sobre a Máfia: Lindomar usava óculos escuros, terno azul marinho, calça com bainha italiana, camisa azul, gravata colorida e gel nos cabelos compridos. O figurino não impressionou o delegado, que incluiu na denúncia o depoimento de uma testemunha informando que Lindomar era conhecido como “usuário e traficante de cocaína” na noite que ele frequentava – por prazer e ofício – como dono do Ibiza Club, uma rede de quatro casas noturnas que agitavam as madrugadas no litoral do Rio Grande e Santa Catarina. Em dezembro, o delegado Barbedo concluiu o inquérito, denunciando Lindomar Rigotto por homicídio cu lposo e omissão de socorro.

Lindomar só não sentou no banco dos réus porque teve também uma morte violenta, 142 dias após a de Andréa. Na manhã de 17 de fevereiro, ele fechava o balanço da última noite do Carnaval de 1999, que levou sete mil foliões ao salão do Ibiza da praia de Atlântida, a casa mais badalada do litoral gaúcho. Cinco homens armados irromperam no local e roubaram a féria da noitada. Lindomar saiu em perseguição ao carro dos assaltantes. Emparelhou com eles na praia vizinha, Xangrilá, a três quilômetros do Ibiza. Um assaltante botou a arma para fora e disparou uma única vez. Lindomar morreu a caminho do hospital, com um tiro acima do olho direito. Tinha 47 anos.

O choque de Dilma

A trepidante carreira de Lindomar Rigotto sofrera um forte solavanco dez anos antes, com seu envolvimento na maior fraude da história gaúcha: a licitação manipulada de 11 subestações da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), uma tungada em valores corrigidos de aproximadamente R$ 840 milhões – 21 vezes maiores do que o escândalo do Detran que submeteu a governadora Yeda Crusius a um pedido de impeachment, quase três vezes mais do que os desvios atribuídos ao clã Maluf em São Paulo, quinze vezes maior do que o total contabilizado pelo Supremo Tribunal Federal para denunciar a “quadrilha dos 40″ do mensalão do governo Lula.

Afundada em dívidas, a estatal gaúcha de energia tinha dificuldades para captar os US$ 141 milhões necessários para as subestações que gerariam 500 mil quilowatts para 51 pequenas e médias cidades do Rio Grande. Preocupado com a situação pré-falimentar da empresa, o então governador Pedro Simon (PMDB) tinha exigido austeridade total.

Até que, em março de 1987, inventou-se o cargo de “assistente da diretoria financeira” para acomodar Lindomar, irmão do líder do Governo Simon na Assembléia, o deputado caxiense Germano Rigotto. “Era um pleito político da base do PMDB em Caxias do Sul”, confessaria depois o secretário de Minas e Energia, Alcides Saldanha. Mais explícito, um assessor de Saldanha reforçou a paternidade ao JÁ: “Houve resistência ao seu nome [Lindomar], mas o irmão [Germano] exigiu”.

Com a chegada de Lindomar, as negociações com os dois consórcios das obras, que se arrastavam há meses, foram agilizadas em apenas oito dias. Logo após a assinatura dos contratos, os pagamentos foram antecipados, contrariando as normas estritas baixadas por Simon para evitar curtos-circuitos contábeis na CEEE. Três meses depois, a empresa foi obrigada a um empréstimo de US$ 50 milhões do Banco do Brasil, captado pela agência de Nassau, no paraíso fiscal das Bahamas. Uma apuração da área técnica da CEEE detectou graves problemas: documentos adulterados, folhas numeradas a lápis, licitação sem laudo comprovando a necessidade da obra. A sindicância da estatal propôs a revisão dos contratos, mas nada foi feito. A recomendação chegou ao governo seguinte, o de Alceu Collares (PDT), e à sucessora de Saldanha na pasta das Minas e Energia, uma economista chamada Dilma Rousseff. “Eu nunca tinha visto nada igual”, diria ela, chocada com o que leu.

Dilma só não botou o dedo na tomada porque o PDT de Collares precisava dos votos do PMDB de Rigotto para ter maioria na Assembléia. Para evitar o risco de queimaduras, Dilma, às vésperas de deixar a secretaria, em dezembro de 1994, teve o cuidado de mandar aquela papelada de alta voltagem para a Contadoria e Auditoria Geral do Estado (CAGE), que começou a rastrear a CEEE com auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Ministério Público. Dependendo do câmbio, o tamanho da fraude constatada era sempre eletrizante: US$ 65 milhões, segundo o CAGE, ou R$ 78,9 milhões, de acordo com o Ministério Público.

A denúncia energizou a criação de uma CPI na Assembléia, proposta pelo deputado Vieira da Cunha, líder da bancada do PDT em 2008 na Câmara Federal. Vinte e cinco auditores quebraram sigilos bancários e fiscais. Lindomar Rigotto foi apontado em 13 depoimentos como figura central do esquema, acusação reforçada pelo chefe dele na CEEE, o diretor-financeiro Silvino Marcon. A CPI constatou que os vencedores da licitação, gerenciados por Rigotto, apresentavam propostas “em combinação e, talvez, até ao mesmo tempo e pelas mesmas pessoas”. O relatório final lembrava: “É forçoso concluir pela existência de conluio entre as empresas interessadas que, se organizando através de consórcios, acertaram a divisão das obras entre si, fraudando dessa forma a licitação”. O JÁ foi mais didático: “Apurados os vencedores, constatou-se que o consórcio Sulino venceu todas as subestações do grupo B2 e nenhuma do B1. Em compensação, o Conesul venceu todas as obras do B1 e nenhuma do B1. A di ferença entre as propostas dos dois consórcios é de apenas 1,4%”.

O aval de Dulce

A quebra do sigilo bancário de Lindomar revelou um crédito em sua conta de R$ 1,17 milhão, de fonte não esclarecida. O relatório final da CPI caiu na mão de um parlamentar do PT, o também caxiense Pepe Vargas, primo de Lindomar e Germano Vargas Rigotto. Apesar do parentesco, o primo Pepe, hoje deputado federal, foi inclemente na sua acusação final: “De tudo o que se apurou, tem-se como comprovada a prática de corrupção passiva e enriquecimento ilícito de Lindomar Vargas Rigotto”. Além dele, a CPI indiciou outras 12 pessoas e 11 empresas, botando no mesmo balaio nomes vistosos como Camargo Corrêa, Alstom, Brown Boveri, Coemsa, Sultepa e Lorenzetti. No final de 1996, a Assembléia remeteu as 260 caixas de papelão da CPI ao Ministério Público, de onde nasceu o processo n° 011960058232 da 2ª Vara Cível da Fazenda Pública em Porto Alegre. Os autos somam 30 volumes e 80 anexos e mofam ainda na primeira instância do Judiciário, protegidos por um inacreditável “segredo de justiça”. Em fevereiro próximo, o Rio Grande do Sul poderá comemorar os 15 anos de completo sigilo sobre a maior fraude de sua história.

Esta incrível saga de resistência e agonia do JÁ e de Bones provocada pela família Rigotto foi contada, em primeira mão, neste Observatório, em 24 de novembro de 2009 (“O jornal que ousou contar a verdade“). No dia seguinte, uma quarta-feira, Rigotto telefonou de Porto Alegre para reclamar ao autor que assina aquele e este texto.

- Isso ficou muito ruim pra mim, Luiz Cláudio, pois o Observatório é um formador de opinião, muito lido e respeitado. Ficou parecendo que eu estou querendo fechar um jornal. Eu não tenho nada a ver com isso. O processo é coisa da minha mãe. Foi a minha irmã, Dulce, que me disse que a reportagem era muito pesada, irresponsável. Eu nem conheço este jornal, este jornalista…

- Rigotto, a dona Julieta não é candidata a nada. O candidato és tu. A reportagem do JÁ tem implicações políticas que batem em ti, não na tua mãe. E acho muito estranho que, passados oito anos, tu ainda não tiveste a curiosidade de ler a reportagem que tanta aflição provoca na dona Julieta. Se tu estás te baseando na avaliação da Dulce, devo te alertar que ela não entende xongas de jornalismo, Rigotto! Esta matéria do Bones é precisa, calcada em fatos, relatórios, documentos e conclusões da CPI e do Ministério Público que incriminam o teu irmão. Não tem opinião, só informação. O teu processo…

- Não é meu, não é meu… É da minha mãe…

- Isso é o que diz também o Sarney, Rigotto, quando perguntam a ele sobre a censura que cala O Estado de S.Paulo. “Isso é coisa do meu filho, o Fernando”…

- Eu fico muito ofendido com esta comparação! Eu não sou o Sarney, não sou!…

- Lamento, mas estás usando a mesma desculpa do Sarney, Rigotto.

- Luiz Cláudio, como resolver isso tudo com o Bones? A gente pode parcelar a dívida e aí…

- Rigotto, tu não estás entendendo nada. O Bones não quer parcelar, não quer pagar um único centavo. Isso seria uma confissão de culpa, e ele não fez nada errado. Pelo contrário. Produziu uma reportagem impecável, que ganhou os maiores prêmios. Eu assinaria essa matéria, com o maior orgulho. Sai dessa, Rigotto!

Coincidência ou não, um dia depois do telefonema, na quinta-feira, 26, Rigotto convocou uma inesperada coletiva de imprensa em Porto Alegre para anunciar sua retirada como possível candidato ao Palácio Piratini, deixando o espaço livre para o prefeito José Fogaça.

O modelo de Roosevelt

Naquela mesma quarta-feira, 25 de novembro, a emenda ficou pior que o soneto. O advogado dos Rigotto, Elói José Thomas Filho, botou no papel aquela mesma proposta indecente que ouvi do próprio Germano Rigotto, confirmando por escrito ao editor a idéia de parcelar a indenização devida de R$ 55 mil em 100 (cem) módicas prestações. Diante da altiva recusa de Bones, o advogado pareceu incorporar a doutrina do big stick de Theodore Ted Roosevelt (1901-1909), popularmente conhecida como “lei do tacape” e inspirada pela frase favorita do belicoso presidente estadunidense: “Fale com suavidade e tenha na mão um grande porrete”. O suave advogado Thomas Filho escreveu então para Bones: “… em nova demonstração de boa-fé, formalizamos nossa intenção em compor amigavelmente o litígio acima, bem como a possibilidade [sic] de nos abstermos de ajuizar novas demandas judiciais…”.

Certamente para tranquilizar o filho candidato, o advogado reafirmava na carta a Bones que a ação contra o jornal era movida “unicamente” por dona Julieta, que buscava na justiça o ressarcimento pelo “abalo moral” provocado pela reportagem do JÁ, que misturava “irresponsavelmente três fatos diversos que envolveram a figura do falecido”. Ou seja, dona Julieta Rigotto, que entende de jornalismo tanto quanto os filhos Dulce e Germano, não consegue perceber a obviedade linear de uma pauta irresistível para qualquer repórter inteligente: o objetivo relato jornalístico sobre um homem público – Lindomar – morto num assalto pouco antes de ser julgado pelo homicídio culposo de uma prostituta e pouco depois de ser denunciado no relatório de uma CPI, redigido pelo primo deputado, pela prática comprovada de “corrupção passiva e enriquecimento ilícito” na maior fraude já cometida contra os cofres públicos do Rio Grande do Sul. Mas, na lógica simplória da mãe dos Rigotto, uma coi sa não tem nada a ver com a outra…

Para garantir o tom “amigável” entre as partes, o advogado de dona Julieta propôs a Bones os termos de uma retratação pública, suave como um porrete, enfatizando três pontos:

1 – “Dona Julieta nunca teve a intenção de fechar o jornal”;

2 – “a ação não é promovida pela família Rigotto, mas apenas por dona Julieta”;

3 – “retirar o jornal de circulação, para estancar a propagação do dano”.

Tudo isso, incluindo o ameno confisco de um jornal das bancas em pleno regime democrático, segundo o tortuoso raciocínio do advogado, serviria para “tutelar a honra e a imagem de seu falecido filho”. Neste longo, patético episódio, que intercala demonstrações de coragem e altivez com cenas de pura violência, fina hipocrisia ou corrupção explícita, ficou pelo caminho o contraste de atitudes que elevam ou rebaixam. Diante da primeira ação criminal de dona Julieta na Justiça, o promotor Ubaldo Alexandre Licks Flores ensinou, em novembro de 2002:

“[não houve] qualquer intenção de ofensa à honra do falecido Lindomar Rigotto. Por outro lado, é indiscutível que os três temas [a CEEE e as duas mortes] estavam e ainda estão impregnados de interesse público”.

O orgulho de Enedina

Apesar da lucidez do promotor, o caso tonitruante da CEEE não ecoa nos ouvidos surdos da imprensa gaúcha, conhecida no país pela acuidade de profissionais talentosos, criativos, corajosos. Nenhum grande jornal do sul – Zero Hora, Correio do Povo, Jornal do Comércio, O Sul -, nenhum colunista de peso, nenhum editorialista, nenhum blog de prestígio perdeu tempo ou tinta com esse tema, que nem de longe parece um assunto velho, batido ou nostálgico. O que lhe dá notória atualidade não é o ancestral confronto entre a liberdade de expressão e a prepotência envergonhada dos eventuais poderosos de plantão, mas a reaparição de seus principais personagens no turbilhão da corrida eleitoral de 2010.

Germano Rigotto, o líder governista que emplacou o filho de dona Julieta na máquina estatal, é hoje o candidato do maior partido gaúcho ao Senado Federal. A ex-secretária Dilma Rousseff, que ficou estarrecida com o que leu sobre as fraudes de Lindomar Rigotto na CEEE, é apontada pelas pesquisas como a futura presidente do Brasil, numa vitória classificada pelo renomado jornal inglês Financial Times como “retumbante”. Tarso Genro, o ex-comandante supremo da Polícia Federal, que executou as maiores operações contra corruptos da máquina pública, lidera a corrida ao governo gaúcho e, certamente, tem os instrumentos para saber hoje o que Dilma sabe desde 1990. O primo Pepe Vargas, que mostrou isenção e coragem no relatório da CPI sobre a maior fraude da história do Rio Grande, é candidato à reeleição, assim como o deputado federal que inventou a CPI, Vieira da Cunha.

É a lógica perversa do interesse eleitoral que explica o desinteresse até dos principais adversários de Rigotto na disputa pelo Senado. O candidato do PMDB está emparedado entre a líder na pesquisa da Datafolha, a jornalista Ana Amélia Lemos (PP) – que subiu de 33% em julho para 44% na semana passada – e o candidato à reeleição pelo PT, senador Paulo Paim – que cresceu de 35% no início do mês para 38% agora. Rigotto caiu de 43% para 42% no espaço de três semanas. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, Ana Amélia bate Rigotto por 47% a 39%. Seus oponentes desprezam o potencial explosivo do “Caso CEEE” porque todos sonham em ganhar o segundo voto dos outros candidatos, o que justifica a calculada misericórdia e o piedoso silêncio que modera a estratégia de adversários historicamente tão diferentes e hostis como são, no Rio Grande do Sul, o PT, o PMDB e o PP.

O que é recato na política se transforma em omissão nas entidades que, ao longo do tempo, marcaram suas vidas na luta pela democracia e pela liberdade de expressão e no repúdio veemente à ditadura e à censura. Siglas notáveis como OAB, ABI, SIP, Fenaj e Abraji brilham pelo silêncio, pela omissão, pelo desinteresse ou pelo trato burocrático do caso JÁ vs. Rigotto, que resume uma questão crucial na vida de todas elas e de todos nós: a livre opinião e o combate à prepotência dos grandes sobre os pequenos, apanágio de toda democracia que se respeita.

A OAB e seus advogados, no Rio Grande ou no Brasil, que impulsionaram a queda de um presidente envolvido em denúncias de corrupção, não se sensibilizam pela sorte de um pequeno jornal e seu bravo editor, punidos por seu desassombrado jornalismo e mortalmente asfixiados pelo cerco econômico surpreendentemente avalizado pela Justiça, que deveria proteger os fracos contra os fortes – e não o contrário.

A inerte Associação Brasileira de Imprensa jamais se pronunciou sobre as agruras de Bones e seu jornal. Só em setembro de 2009, um mês após a denúncia sobre o bloqueio judicial das receitas do JÁ, é que a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do RS trataram de fazer alguma coisa: uma nota gelada, descartável, manifestando solidariedade à vítima e lamentando a decisão “equivocada” da Justiça. A Associação Riograndense de Imprensa, que em 2001 conferiu à reportagem contestada do JÁ o seu maior prêmio jornalístico, só quebrou o seu constrangedor silêncio ao ser cobrada publicamente por este Observatório, em novembro passado. Todos os membros da brava Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo têm a obrigação de conhecer a biografia de Elmar Bones, que nos anos de chumbo pilotou o CooJornal, um mensário da extinta Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre (1976-1983) que virou referência da imprensa nanica que resistia à ditadura.

Bones chegou a ser preso, em 1980, pela publicação de um relatório secreto em que o Exército fazia uma autocrítica sobre as bobagens cometidas na repressão à guerrilha do Araguaia. Algo mais perigoso, na época, do que falar na roubalheira operada pelo filho de dona Julieta na CEEE… No site da Abraji, a entidade emite sua opinião em quatro notas, nos últimos dois anos. Critica o sigilo eterno de documentos públicos, defende o seguro de vida para repórteres em zona de risco, repudia um tapa na cara que uma repórter de TV do Centro-Oeste levou de um vereador e, enfim, faz uma vigorosa, firme, veemente manifestação a favor da liberdade de expressão… no México. Ao pobre JÁ e seu editor, lá no sul do Brasil, nenhuma linha, nada.

A poderosa Sociedade Interamericana de Imprensa, que reúne os maiores veículos das três Américas, patrocina uma influente Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação, hoje sob a presidência de um jornal do Texas, o San Antonio Express News. Entre os 26 vice-presidentes regionais, existem dois brasileiros: Sidnei Basile, do Grupo Abril, e Maria Judith de Brito, da Folha de S.Paulo. Envolvidos com os graves problemas da Paulicéia, eles provavelmente não podem atentar para o drama vivido por um pequeno jornal de Porto Alegre. Mas, existem outros 17 membros na Comissão de Liberdade da SIP, e dois deles bem próximos do drama de Bones: os gaúchos Mário Gusmão e Gustavo Ick, do jornal NH, de Novo Hamburgo, cidade a 40 km da capital gaúcha. Nem essa proximidade livra as aflições do JÁ e seu editor do completo desdém da SIP.

Este monumental cone de silêncio e omissão, que atravessa fronteiras e biografias, continua desafiando a sensibilidade e a competência de jornais e jornalistas, que deveriam se perguntar o que existe por trás do amaldiçoado caso da CEEE, que afugenta em vez de atrair a imprensa. A maior fraude da história do Rio Grande, mais do que uma bomba, é uma pauta em aberto, origem talvez da irritação dos Rigotto contra o editor e o jornal que ousaram jogar luz nessa história mal contada. Os volumes empoeirados deste megaescândalo continuam intocados nas estantes da Justiça em Porto Alegre, protegido por um sigilo inexplicável que só pode ser útil a quem mente e a quem rouba, não a quem luta pela verdade e a quem é ético na política, como fazem os bons repórteres e como devem ser os bons políticos.

O bom jornalismo não é aquele que produz boas respostas, mas aquele que faz as boas perguntas – e as perguntas são ainda melhores quando incomodam, quando importunam, quando constrangem, quando afligem os consolados e quando consolam os aflitos.

A emoção é a última fronteira de quem perde os limites da razão. Elmar Bones tinha ganhado todas as instâncias do processo criminal, quando um juiz do Tribunal de Justiça, na falta de melhores argumentos, preferiu se assentar nos autos impalpáveis do sentimento para decidir em favor da mãe de Germano Rigotto:

“Não há como afastar a responsabilidade da ré pelas matérias veiculadas, que atingiram negativamente a memória do falecido, o que certamente causou tristeza, angústia e sofrimento à mãe do mesmo (…)”.

Dona Julieta Rigotto, viva e forte aos 89 anos, ainda sofre com a honra e a imagem maculadas de seu falecido filho, Lindomar.

Dona Enedina Bones da Costa tinha 79 anos quando morreu, em 2001, poupada assim da tristeza, angústia e sofrimento que sentiria ao ver o drama vivido agora por seu filho, Elmar. Mas ela teria, com certeza, um enorme, um insuperável orgulho pelo filho honrado e corajoso que trouxe ao mundo e ao jornalismo.


Sabujo da Folha diz que foi ineficaz a tentativa do golpe pigdemotucano


04/09/2010

“Receitagate” foi ineficaz para José Serra na TV

Propaganda do tucano já foi vista por quase metade dos eleitores.


Estratégia de usar quebra de sigilos contra Dilma não deu certo .

A manutenção do cenário eleitoral na disputa presidencial tem a ver com o fracasso, por enquanto, da estratégia do PSDB em tentar usar o escândalo da quebra de sigilos fiscais contra o PT.

Não se trata aqui de fazer juízo de valor a respeito do episódio em si –um crime sórdido e possivelmente cometido pela maneira frouxa como a Receita Federal tem sido administrada.

Mas do ponto de vista estritamente eleitoral, a estratégia tucana não funcionou. Houve um bombardeio na cabeça do eleitor sobre o já chamado “receitagate”: o fato de tucanos e a filha de José Serra terem tido seus sigilos fiscais violados criminosamente.

Serra quase só fala disso em entrevistas e em suas propagandas eleitorais em rádio e TV. Foi assim durante toda a semana. Mas na sexta-feira, dia 3 de setembro, uma pesquisa nacional Datafolha concluiu que Dilma Rousseff (PT) tem 50% contra 28% de José Serra (PSDB). Aqui, todas as sondagens anteriores.

Justamente na semana em que os tucanos mais usaram o “receitagate” em seus programas eleitorais a diferença entre Dilma e Serra oscilou de 20 para 22 pontos no Datafolha --uma oscilação favorável a Dilma, mas dentro da margem de erro da pesquisa.

É possível que essa estratégia serrista venha ainda a funcionar até o dia 3 de outubro? Se o caso continuar circunscrito ao que já se sabe, possivelmente o efeito seja muito limitado no resultado final da eleição. O fato de um petista de baxíssimo escalão ter sido um dos que requereu fradulentamente a delcaração de IR da filha de Serra não atinge diretamente a Dilma. Nesse caso, o mais provável é que o PT absorva o impacto negativo, blindando sua candidata ao Planalto.

Até porque a massa mais interessada no processo eleitoral já tomou conhecimento do tema de alguma forma --e não reagiu a favor do tucano. O Datafolha apurou que 51% dos eleitores já assistiram a alguma propaganda eleitoral. A parcela mais bem informada da população (quem tem paciência para assistir ao programa eleitoral) é supostamente a que está mais propensa a se indignar com o “receitagate”. Mas não foi o que se passou.

Eis os dados da audiência do horário eleitoral até agora:

Diretor do Dataserra joga a toalha

Só uma tempestade mudaria maré de bonança de Dilma

Mauro Paulino, Diretor-Geral do Datafolha

Alessando Janoni, Diretor de Pesquisas do Datafolha

(...) Ela já é mais candidata à Presidência do que candidata do presidente. Prova dessa aparente cristalização do voto encontra-se na evolução do conjunto de eleitores que se dizem totalmente decididos sobre seu candidato.

Em dez dias, esse segmento cresceu quatro pontos e alcança 81%.

Hoje, 18% dos entrevistados dizem que ainda podem mudar de candidato. Eram 27% em julho.

Como exercício de projeção, pode-se calcular como ficaria a intenção de voto caso esse estrato dos que cogitam trocar de candidato realmente decidisse fazê-lo.

Dilma ficaria com 46%, Serra com 27% e Marina com 10%. Ainda assim, a petista teria 54% dos votos válidos.

Em condições normais, sem fatos que abalem a concentração do voto de um ou outro candidato, espera-se a manutenção da tendência. Fonte:PiG.

Serra, o inigualável


É de impressionar a forma como Serra usa do cinismo e da cara de pau para contar as mais deslavadas mentiras, a antecipar as mais deslavadas armações que ele faz. Tenho para mim que o Serra não faz nada disso sozinho.

Duvido que uma pessoa só, sem apoio e assessoria, consiga ser tão idiota assim. Ninguém me convence que o Mainardi, que a turma da Globo, que os babacas da Folha e aquele guru indiano, além do Gilma Mendes e Daniel Dantas não sejam os verdadeiros mentores do besteirol que o Serra vocifera.

Ele, que não é economista e nem engenheiro, agora passa a sedr também a negação do político que ele, em seus devaneios, um dia sonhou ser. Até onde ele conseguirá ir, embalado por uma mídia complacente e o acesso a certas instâncias de poder (como os seus inegáveis vínculos dentro da Receita e mesmo da PF - bases aparelhadas ao longo de muitos anos pelos tucanos e assemelhados).

Do que sobrevive a campanha do Serra? De factóides e debilóides, como esta verdadeira excrecência da vida pública que é o tal do Roberto Jeferson - este sim um desempregado e que desde que deixou de ser deputado sobrevive às expensas do partido (PTB). Ou será que já está em algum conselho de alguma empresa tucana, a exemplo do que ocorre com Roberto Freire?
Vamos ver até quando resiste esta afirmação de que o procurador da filha dele é do PT. Ser´pa que no assalto a sede do PT em Mauá não andaram roubando algumas fichas? Em se tratando de Serra e do PSDB, que ninguém duvide de nada.


Fonte:Blog Passe Livre

Uma hipótese interessante


Num desses sites que existem por aí, apareceu uma hipótese interessante sobre a quebra de sigilo da gangue tucana.Um contador era do PT, o outro do PV.Então, pelo jeito, Dilma e Marina se uniram para derrubar Serra.Quer dizer que o PV é laranja do PT? Dá para acreditar nisso?

Perguntas sem respostas


Sergio Lirio



A respeito das violações de dados secretos, pairam diversas dúvidas. Uma delas: como ligar as criminosas quebras de sigilo à sucessão?

Na quarta-feira 1º, ante as evidências de que tanto a procuração quanto a assinatura de Verônica Serra, filha do presidenciável José Serra, eram falsas, a Receita Federal foi obrigada a reconhecer que o sigilo fiscal da empresária havia sido acessado com base em documento falso. Foi mais um capítulo de um crime que a Receita não conseguiu dimensionar com clareza, que atingiu centenas de cidadãos e que tem alimentado o mais recente capítulo da disputa eleitoral.

É realmente suspeito o fato de cinco personagens ligados a Serra terem o sigilo fiscal violado. Além de Verônica, os ex-ministros Eduardo Jorge e Luiz Carlos Mendonça de Barros, o empresário Gregório Marin Preciado, casado com uma prima do candidato, e Ricardo Sérgio de Oliveira, o homem do “limite da irresponsabilidade” da privatização do Sistema Telebrás, tiveram seus dados violados, segundo a investigação da própria Receita.

Mas, ao lidar de forma pouco transparente com o assunto, o órgão público alimenta as teses mais convenientes para quem ainda tem esperança de alterar o quadro da sucessão. A autarquia poderia se esforçar para elucidar algumas dúvidas: apenas tucanos – e só os ligados a Serra – tiveram seus sigilos quebrados ilegalmente? Há dirigentes de outros partidos? Trata-se de um crime político ou da descoberta de um balcão de venda de informações fiscais de contribuintes indefesos?

São algumas das muitas perguntas ainda em aberto. A revelação do acesso não autorizado à situação fiscal de Verônica elevou ao mais alto decibel as acusações do PSDB contra a suposta chantagem política armada pela campanha de Dilma Rousseff. Serra declarou que a adversária e o PT cometeram um “ato criminoso”. Sérgio Guerra, presidente do partido, afirmou que Dilma e o presidente Lula “atentam contra a democracia”.

Os tucanos entraram com representação no Tribunal Superior Eleitoral com o intuito de cassar o registro da ex-ministra, que lidera com ampla margem todas as pesquisas, e a mídia relembrou o fantasma do “aparelhamento do Estado” e cunhou a expressão “aloprados II”, em alusão à prisão de petistas em um hotel de São Paulo que provocou o segundo turno em 2006. Na quinta 2, o TSE arquivou a representação. O presidente da República disse confiar na Receita e Dilma chamou de levianas as acusações de que as violações são obra de sua campanha.

Até o momento, só muita imaginação e um alto grau de leviandade permitem uma ligação tão linear entre a violação de sigilo e o seu suposto uso como arma suja de campanha – e especificamente pelo comitê de Dilma Rousseff. O que não quer dizer que ela não possa vir a ser provada.

O próprio caso do acesso ao sigilo de Verônica destoa dos demais. Ele ocorreu no fim de setembro do ano passado em uma delegacia da Receita em Santo André (SP). Os outros foram violados no início de outubro em Mauá. Naquela altura, nem Dilma era candidata nem o PT havia montado uma estrutura de campanha, muito menos o intitulado “grupo de inteligência”.

Os dados da filha do presidenciável foram obtidos por um advogado que aparentemente frequenta o submundo da negociação de dados sigilosos, o contador Antonio Carlos Atella Ferreira, dono de quatro CPF e com vários processos no lombo. Em várias entrevistas na quarta 1º, Ferreira admitiu ter solicitado à delegacia da Receita de Santo André as informações de Verônica, mas negou saber que a procuração e a assinatura eram falsas. Declarou-se eleitor de Serra e afirmou não lembrar o nome de quem lhe havia solicitado o serviço (“atendia de 15 a 20 pedidos desses por dia”). “Assinou, mandou para mim, eu tiro. E a Receita tem de entregar. A Receita não é nem a culpada, coitada. Não estou defendendo, mas a funcionária pega uma solicitação e tem de cumprir o ato administrativo”, afirmou o contador à Folha de S.Paulo. É a justificativa da analista Lúcia de Fátima Gonçalves, que liberou os dados mediante a procuração: “Não sou perita criminal. Não lembro a quem entreguei. Mas verifiquei que tinha firma reconhecida”.

Diante de uma funcionária enganada por fraude, como atribuir, neste caso, a culpa à Receita ou vociferar contra o “Estado policial”? E mais: quais as evidências a permitir as ilações de que os interessados em obter os dados de Verônica integrariam (integrariam, pois em setembro, recorde-se, não havia estrutura de campanha) o comitê de Dilma?

É preciso relembrar o noticiário que precedeu a atual celeuma. Em 12 de junho, a Folha de S.Paulo afirmou que entre os papéis de um suposto dossiê montado pelo “grupo de inteligência” sob o comando do jornalista Luiz Lanzetta constavam extratos da declaração de renda de Eduardo Jorge. Nenhuma menção a Preciado, Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio ou Verônica. O jornal, nem nenhum outro veículo, não foi capaz até o momento de responder às seguintes perguntas: quem da equipe de Dilma obteve de forma criminosa os dados dos tucanos? Quando? A candidata autorizou a baixaria ou ao menos soube da operação? Por que, em junho, falou-se apenas em Eduardo Jorge?

No início de junho desenrolava-se uma briga interna no comitê petista entre Lanzetta, indicado por Fernando Pimentel, amigo da presidenciável e ex-prefeito de Belo Horizonte, e o grupo paulista ligado ao deputado Rui Falcão. As facções disputavam o controle da milionária estrutura de comunicação da campanha.

Lanzetta tentava trazer para o comitê o jornalista Amaury Ribeiro Jr., repórter premiado e que trabalhou nas principais redações do País. Seu último emprego fora no Estado de Minas. Nesse diário, Ribeiro Jr. havia iniciado, a pedido da direção, uma apuração dos escândalos da privatização no governo Fernando Henrique Cardoso. Preciado, Ricardo Sérgio e Mendonção, além do próprio Serra e de Verônica, eram personagens na mira. O start da reportagem teria sido dado após uma solicitação do ex-governador Aécio Neves. Informado da existência de uma bisbilhotagem a seu respeito, supostamente conduzida por Marcelo Itagiba, deputado carioca e ex-policial federal ligado a Serra, Aécio teria buscado uma forma de neutralizar o “fogo amigo”. À época, o mineiro ainda alimentava o desejo de disputar a indicação do PSDB à Presidência com o colega paulista.

O jornal mineiro nunca publicou nada, mas Ribeiro Jr. afirma que, diante das informações recolhidas, decidiu escrever um livro sobre os escândalos. Ele promete lançá-lo no ano que vem. Segundo ele, a intenção é “evitar o uso político em ano eleitoral”. Mas um dos capítulos, no qual são citados explicitamente Preciado e Verônica Serra, veio a público em junho e pode ser facilmente encontrado na internet. O repórter, hoje no núcleo investigativo da Rede Record, nega ter se baseado em informações obtidas de forma ilegal. “São todos documentos públicos.”

Outra dúvida sobre o episódio: para ter o efeito eleitoral supostamente desejado, um dossiê contra Serra deveria ser amplamente divulgado e suas informações precisariam ser críveis ou, no mínimo, verossímeis. Em resumo: um meio de comunicação de influência nacional teria de aceitá-lo como verdade e uma onda de jornais, canais de tevê e rádio deveria repercuti-lo amplamente sem maiores objeções. Dia e noite. Espera aí. Não é justamente o que a mídia faz neste momento ao embarcar na teoria de que o comitê de Dilma Rousseff cometeu atos criminosos contra o adversário? CartaCapital

Serra diz que Lula apoia a "bomba atômica"

Este é o sinal claro do desespero de Serra.Daqui a pouco Serra vai dizer que Lula ofereceu asilo a Bin Laden.Serra é o político mais inescrupuloso da face da terra.Serra, nem com o apoio integral do PiG(Veja, Globo, Valor Econômico, IstoÉ, Época, Folha de S. Paulo, Estadão, IG, Terra, Correio Brasiliense, Jornal de Brasília), Serra vai evitar a sua retumbante derrota.

04 de setembro de 2010


O candidato à presidência pelo PSDB, José Serra, criticou novamente a política externa do governo Lula e acusou o presidente de apoiar a "bomba atômica" ao manter relações com o Irã. A declaração ocorreu em Joinville, na noite desta sexta-feira (3), em palestra para empresários locais.

Para o candidato tucano, o governo teria adotado uma linha "partidária" em suas relações internacionais. "O Brasil entrou numa briga e apoiou a bomba atômica, o PT fez isso (...) em sete anos, foram assinados mais de 100 acordos internacionais de comércio entre vários países, mas o atual governo fez apenas um, com um país que desenvolve este tipo de artefato", afirmou.

Serra foi duro ao culpar o PT pela invasão de drogas no País. Segundo ele, o Brasil estaria mantendo uma relação de "camaradagem" com a Bolívia, um dos principais fornecedores de drogas na América Latina. "O governo, que age seguindo os ideais do PT, não endurece as fronteiras com a Bolívia (...) sabemos que a droga entra por ali e que nossa cresce padece com o consumo de cocaína e crack. É uma postura de Estado e não político-partidária".

O tucano teceu elogios ao presidente da Colômbia, que no seu entendimento, teria fortalecido o combate ao tráfico de drogas. E prometeu, caso eleito, fortalecer as fronteiras entre Brasil e Bolívia. "Questão de negócios internacionais e de segurança não são temas para fazer politicagem partidária. Infelizmente, nos últimos anos, o País vem se prestando ao papel de ser o único a apoiar uma nação que desenvolve uma bomba atômica".

Serra cumpriu agenda em Santa Catarina na noite desta sexta, onde desembarcou com mais de duas horas de atraso. Ele culpou o "feriadão" pelo atraso e a demora para embarcar no aeroporto de Congonhas. "É um colapso. Estamos á beira de um apagão". Terra.

Serra foi a SC chorar nos braços de Bornhausen


O candidato do PSDB à presidência, José Serra, chorou em comício realizado na noite desta sexta-feira (4) em Joinville (SC) ao comentar a violação do imposto de renda de sua filha. Ele relembrou a prisão ocorrida no Chile, em 1973, e acusou o PT de "terrorismo". "Minha filha nunca se envolveu com política, tem três filhos pequenos para cuidar e não merecia sofrer esse terrorismo. Isso é um atentado, um fato que assusta e ameaça o regime democrático", afirmou.

Serra fez um discurso para cerca de 500 pessoas em um clube da cidade. Ao falar sobre política, ele relembrou o período de exílio após o golpe militar e a prisão ocorrida diante de dois filhos. "Estava com meu filho de um ano no colo. Minha filha, então com quatro anos, viu policiais colocarem um fuzil na minha cabeça e me algemarem. Isso me machucou muito e fez com que eu sempre lutasse pelos direitos humanos".

Em tom bastante emocionado, o ex-governador paulista falou em detalhes de sua prisão e de seu exílio. "Fui duplamente exilado, fiquei 14 anos sem ver minha família e nunca esperava passar por isso novamente até que essa barbaridade veio à tona", disse em meio ao discurso, sem esconder as lágrimas. "Lutei pelos direitos humanos toda a minha vida. Não tenho um questionamento sobre minha vida pública ou mesmo um padrinho. Não merecia passar por isso".

Serra foi acompanhado por lideranças do DEM e do PMDB durante sua passagem por Joinville, o maior colégio eleitoral de Santa Catarina. Apesar do desabafo e de declarações duras contra Lula e o PT, ele afirmou que se eleito, pretende exercer um governo de "união". "Chega de administrações para amigos e compadres. Queremos um Brasil unido, com todas as forças e liderança. Nossa democracia não tem mais espaço para outro tipo de atitude". Terra.

Lula chama Serra para briga

História de Lula é maior do que a de Gandhi, diz ator intérprete de pacifista indiano


Se Serra que, conforme Lula, tem dor de cotovelo por não ter um cabo eleitoral como ele, depois dessa notícia ele vai endoidar o cabeção de vez.


O ator britânico Ben Kingsley considera que a história de vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi "maior" do que Mahatma Gandhi, que liderou a independência da Índia do domínio britânico e reconhecido como um dos maiores pacifistas da história, informou a colunista Mônica Bergamo na edição de hoje da Folha. A coluna completa está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL.

A declaração foi dada após o ator assistir à exibição do filme "Lula, o Filho do Brasil" em Londres nesta semana. "Esse filme é importante para o mundo todo. A história dele [Lula] é maior que a de Gandhi", disse.

Kingsley interpretou o próprio pacifista indiano no filme "Gandhi". A atuação lhe rendeu o Oscar de melhor ator em 1982.

Ataque de Serra é bomba autodestrutiva


imagem que Serra passa não é de um pai indignado, mas a de um candidato sem escrúpulos

“Para subir, você desceu”, diz o verso do cancioneiro. Mas o caso do candidato tucano é outro. Sentindo o cheiro da derrota, “desce” ainda mais ao usar a mentira para tentar impedir o retumbante fracasso pré-anunciado pelas pesquisas. No episódio da quebra do sigilo de sua filha, parte para a calúnia.


por Adalberto Monteiro*


Sem provas, acusa Dilma e pede a cassação de sua candidatura. Por isto, a mensagem que passa não é de um pai indignado, mas a de um candidato sem escrúpulos que não sabe perder e recorre ao tapetão como tábua de salvação. Rima pobre para um gesto medíocre.

O ex-governador dá um cavalo de pau na sua errática campanha. Até aqui, alternava bajulação ao presidente Lula e críticas à candidata Dilma Rousseff. Agora, apresenta-se como um raivoso frenético. Transforma seu programa de TV em um palco, ou picadeiro, como se queira, e na suposta ira de um pai que teve a famí lia ultrajada destila seu veneno. É certo que continua a demonstrar verdadeira “fixação” pelo presidente Lula. Desenterra um nojento episódio da campanha de 1989 para dizer que, hoje, Dilma faz com ele o que Collor fez com Lula. Um verdadeiro “samba do crioulo doido”, como diria o saudoso Stanislaw Ponte Preta.


Aos fatos. O sigilo da filha do tucano foi quebrado. A Receita abriu sindicância. Ontem (2), o presidente da República determinou à Polícia Federal que assuma a investigação e a conclua com a máxima celeridade. E que sejam punidos os responsáveis pelo delito.


Qualquer pai reagiria com veemência. Acontece que Serra, sem qualquer prova, diz que o PT e que a própria Dilma teriam tramado e executado a quebra do sigilo. O PSDB entrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um pedido de cassação do registro da candidatura de Dilma Rousseff. Aqui, a ira paterna do tucano se revela falsa. Sem nenhuma evidência, nenhum indício, de forma categórica, diz que Dilma é uma criminosa. Em 2005, tentaram cassar o mandato do presidente Lula. Agora, em um gesto tresloucado, querem ganhar no tapetão. O TSE já arquivou esse delírio. Mas outras investidas virão.


Serra aproveitou o episódio para atender aos apelos da velha direita golpista que o apóia. Direita que só aceita a democracia na vitória. Golpista porque repele as regras do jogo democrático e não se subordina à soberania do voto do povo. Lula e a esquerda perderam três eleições presidenciais. Aceitaram o resultado, se curvaram à voz das urnas. Serra, neste momento, atende “ao apelo da selva”, isto é, à natureza do campo político que lidera. Para não ser abandonado por completo por essa direita conservadora, parte para o vale-tudo e contamina o cenário eleitoral com a guerra suja. Entre perder com dignidade e perder com as mãos imundas, optou pela segunda.

Veículos do monopólio midiático que vinham descontentes com a campanha do tucano remoçaram a velha paixão que parecia cadente. Jornalistas partidários do tucanato que andavam um tanto tristonhos, ensaiam recuperar o ânimo. Há um alvoroço no quartel da direita. A esperança dos desesperados. Quando cai uma gota de sangue, as piranhas se assanham. Se houve de lá: “Este é o Serra que tem a nossa cara e a nossa essência”. E arrematam: “Agora, vai!”

Eleitoralmente, a “bomba” lançada pessoalmente por Serra contra Dilma Rousseff tem tudo para ter o mesmo efeito daquela do Riocentro. Em vez de atingir o povo, tende a estourar no peito no próprio tucano.

Aguardemos.


*Adalberto Monteiro é presidente da Fundação Maurício Grabois

Fonte: http://grabois.org.br

Datafolha:Dilma avança, Serra continua caindo e sendo o mais rejeitado

Dilma tem 50% e Serra 28%, aponta Datafolha

FERNANDO RODRIGUES

Pesquisa Datafolha realizada ontem e anteontem em todo o país mostra estabilidade no quadro eleitoral: Dilma Rousseff (PT) oscilou de 49% para 50% em uma semana, e José Serra, que estava com 29%, tem 28%. Marina Silva (PV) está com 10%, contra 9% da semana anterior.

É a primeira vez desde o início do horário eleitoral que não há grandes mudanças no quadro da disputa presidencial. As pequenas oscilações foram todas dentro da margem de erro (de dois pontos percentuais).

Os que pretendem votar em branco, nulo ou nenhum são 4%. E 7% estão indecisos. Candidatos de partidos pequenos não chegam a 1%.

Em capitais e regiões metropolitanas ocorre o melhor desempenho de Marina Silva. Ela chega a 14%, contra 27% de Serra e 47% de Dilma.


Se a eleição fosse hoje, pelo Datafolha, a candidata do PT venceria no primeiro turno. Teria mais de 50% dos votos válidos --os dados apenas aos candidatos, descontados os brancos e os nulos.

Nessa conta de votos válidos, Dilma tem 56%. Serra tem 32%. Marina vai a 11%. Os percentuais são semelhantes aos da semana passada: 55%, 33% e 10%.

Num eventual segundo turno, a petista também venceria o tucano por 56% a 36% dos votos.

Haveria 5% votando em branco, nulo ou nenhum e 4% ainda indecisos.

Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados falam em quem desejam votar sem ver uma lista de nomes, Dilma marcou 38% contra 35% na semana passada, indicando que sua tendência de alta continua.

Serra oscilou apenas dentro da margem de erro na sondagem espontânea, indo de 18% para 19%. Marina saiu de 5% e foi a 6%.

Há outros dois indicadores relevantes que foram positivos para Dilma: a taxa de rejeição dos candidatos e a percepção de vitória por parte do eleitorado. A petista é rejeitada por 21% dos eleitores. Tinha 19% na semana passada.

Já Serra, era rejeitado por 24% em julho. Foi a 28% no começo de agosto. Agora, 31% dizem que não votariam no tucano de jeito nenhum.

Marina Silva é rejeitada por 17% --tinha 16% na semana passada.

Quando o Datafolha pergunta quem o eleitor acredita que vai vencer a eleição presidencial de 3 de outubro, Dilma continua sendo a escolhida pela maioria. Hoje, 69% dizem que a petista vai ganhar. Na semana passada, o percentual era de 63%.

Só 15% acham que Serra será o vencedor --pouco mais da metade dos que declaram voto no tucano. No caso de Marina Silva, 1% acredita na sua vitória.

Segundo o Datafolha, 51% declararam ter assistido os programas do horário eleitoral --contra 39% na semana anterior. Isso significa que muitos eleitores tomaram conhecimento dos fatos dos últimos dias, inclusive do vazamento de dados fiscais sigilosos da Receita Federal.

A pesquisa foi feita entre os dias 2 e 3 de setembro, com 4.314 eleitores em 203 cidades. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com número 27.903/2010.