segunda-feira, 3 de novembro de 2008

NENHUMA NOVIDADE NESTE ESTUDO

03/11/2008

Cidade de São Paulo tem mais serviço social em bairros ricos, diz estudo

Estadão.

Os dez distritos da cidade que oferecem mais vagas em programas sociais e educacionais para crianças e adolescentes estão nas regiões centrais e mais bem estruturadas de São Paulo. Já os dez distritos com as mais frágeis redes de proteção ficam nas periferias e concentram número elevado de crianças e jovens em condição de pobreza extrema.

O ranking dos serviços no Município, obtido com exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo, foi encomendado ao Instituto Lidas pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA).

Em primeiro lugar no ranking de atendimento ficou Moema, na zona sul. Entre os mais de 70 mil moradores da área, 53% vivem em famílias cujo chefe ganha mais de 20 salários mínimos por mês, situação que se reflete nos indicadores sociais do bairro.

A situação se inverte em Perus, o último colocado entre os 96 distritos, que tem dez vagas em diferentes tipos de serviços para cada mil moradores de até 18 anos ou 56 vezes menos do que o distrito de Moema. Ao mesmo tempo, 11% de seus jovens estão em situação de extrema pobreza.

E o ranking traz surpresas. O Brás, na região central, é o quarto distrito com menor oferta de vagas, com um índice de 14 vagas para cada mil jovens do bairro. Já o distrito do Grajaú, na periferia sul, com 76 vagas por cada mil pessoas de até 18 anos, fica um pouco abaixo da média registrada na capital.

Para a presidente do CMDCA, Elaine Macena Ramos, o estudo ajuda identificar distorções. "Com esse quadro, temos como ajudar a orientar investimentos do poder público e do terceiro setor e como cobrar melhorias para as populações menos beneficiadas." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Comentário.
Nenhuma novidade neste estudo.
O DEMO, em qualquer parte do Brasil, só governa para os ricos e para os bairros de ricos.

JANGO, A MORTE MISTERIOSA


Crescem os indícios de que o ex-presidente brasileiro João Goulart(1919/1976) pode ter sido mesmo assassinado por agentes da ditadura militar brasileira, como tem sido amplamente noticiado nos últimos tempos.

O governo brasileiro ou, mais precisamente, a ministra Dilma Rousseff(PT-RS), liberou para a família de Jango, como era chamado o ex-presidente, um conjunto de fotos e documentos que levantam ainda mais a suspeitas sobre a causa real da morte dele.

Deposto em março de 1964 por um golpe militar, João Goulart foi vigiado durante todo o tempo e constava na lista de assassinatos da Operação Condor, que visava eliminar os líderes mais influentes do Cone Sul, adversários dos governos ditatoriais.

No aniversário, comemorado com os amigos em março de 1976, havia um agente do Serviço Nacional de Informações, o extinto SNI, infiltrado na fazenda de Goulart. o agente fotografou os convidados de João Goulart. As fotos contêm anotações identificando as pessoas presentes. Há dez fotos feitas na ocasião e mantidas inéditas rubricadas como documentos secretos. Delas, três são publicadas aqui com exclusividade.

Além do presidente Goulart, aparecem na reunião festiva o escritor Edmundo Moniz, ex-militante trotskista, e o jornalista Raul Rauff, assessor de imprensa do ex-presidente, entre outros.

Jango morreu naquele mesmo ano. Exatamente no dia 6 de dezembro de 1976, na fazenda que tinha no município de Mercedes, na Argentina. Oficialmente, foi vitimado por um ataque cardíaco. Há suspeitas, no entanto, que morreu após ingerir comprimidos envenenados, misturados aos remédios que tomava.

No dia 27 de janeiro de 2008, a Folha de S. Paulo publicou reportagem com o depoimento de Mario Neira Barreiro, ex-agente agente de inteligência do Uruguai.Segundo Barreiro, o envenenamento foi ordenado pelo delegado Sérgio Fleury(1933/1979) com o conhecimento do então general-presidente Ernesto Geisel(1908/1996).

Jango morreu no exílio. No dia 15 de novembro, durante sessão especial da XX Conferência da Ordem dos Advogados do Brasil, em Natal(RN), o governo brasileiro reconhecerá oficialmente o pedido de perdão do Estado à família do ex-presidente. Um gesto republicano na data especial da Procramação da República. Bom gesto. Mas a ausência do presidente lula será notada.
Maurício Dias, CartaCapital.
Comentário.

De lamentar que, como sempre, Lula foge dos grandes temas relacionados à ditadura militar.

DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA LEGAL CAI 69%.

Novembro 3, 2008



Amazônia Legal perdeu 348 Km² de florestas em setembro, diz Imazon



Altino Machado
O monitoramento realizado pela organização não-governamental Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) registrou 348 Km² de desmatamento na Amazônia Legal em setembro, o que representa uma queda de 69% em relação a setembro do ano passado, quando o desmatamento somou 1,1 mil Km².

- Além dos 348 Km² de desmatamento , existem 345 Km2 de degradação florestal - afirma o pesquisador Adalberto Veríssimo.

De acordo com o Boletim Transparência Florestal, divulgado mensalmente pelo Imazon, o desmatamento acumulado de agosto a setembro totalizou 459 Km². Em relação ao desmatamento ocorrido no mesmo período do ano anterior (1,7 mil Km²), houve uma redução de 74%.

O desmatamento foi maior, em setembro, no Pará (58%), seguido por Mato Grosso (22%), Rondônia (10%) e Amazonas (7%). Os demais estados contribuíram com cerca de 3% do desmatamento.

Considerando os dois primeiros meses do calendário atual de desmatamento (agosto e setembro de 2008), o Pará lidera o desmatamento com 57% do total registrado no período. Em seguida, aparecem o Mato Grosso (18%), Amazonas (10%) e Rondônia (8%). Segundo o Imazon, esses quatro Estados contribuíram cm 93% do total desmatado no período.

Ao comparar o desmatamento ocorrido em agosto e setembro deste ano com o mesmo do período do anterior, o Imazon constatou a redução de 74% no desmatamento de toda a Amazônia.

- Em termos específicos, essa redução foi mais expressiva em Mato Grosso (-89%), Rondônia (-86%) e Pará (-60%). Por outro lado, houve aumento na proporção de áreas desmatadas nos estados de Roraima (+253%) e Acre (+52%) - alerta o Imazon.

Segundo o Boletim Transparência Florestal, em setembro o desmatamento ocorreu principalmente nas regiões sul e oeste do Pará, em partes isoladas do Mato Grosso, Rondônia e sul do Amazonas.

Do ponto de vista fundiário, a maioria (87%) do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou em diversos estágios de posse. O restante do destamento ocorreu em Assentamentos de Reforma Agrária (6%), Unidades de Conservação (6%) e em Terras Indígenas (1%).

O desmatamento foi mais crítico nos município paraenses de Cumaru do Norte (57 Km²), seguido de São Félix do Xingu (38 Km²) e Altamira (32 Km²).

Sediado em Belém (PA), o Imazon reporta pela primeira vez casos de degradação florestal, isto é, de modo geral, áreas que sofreram intensa exploração madeireira e foram afetadas por fogo florestal de várias intensidades.

- Porém, só concluímos as florestas que estavam intactas em agosto de 2008 e que sofreram efeito da degradação no mês de setembro de 2008. Portanto, não incluímos a degradação florestal acumulada na Amazônia Legal ao longo do tempo - ponderam os pesquisadores do Imazon Carlos Souza Jr., Adalberto Veríssimo e Sanae Hayashi, coordenadores do monitoramento.
Terra Magazine.

2009 DEVE SER "INFINITAMENTE" MELHOR


Manter obras do PAC é 'questão de honra', diz Lula no rádio

Apesar da crise, presidente diz que 2009 deve ser um ano 'infinitamente melhor' diante do número de obras

Agência Brasil

BRASÍLIA - O presidenteLuiz Inácio Lula da Silva se disse satisfeito com o desempenho do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que teve divulgado o quinto balanço na semana passada. Em seu programa semanal do rádio, Café com o Presidente, nesta segunda-feira, 3, ele considerou "uma questão de honra" manter as obras em andamento mesmo com a crise financeira internacional.

"É motivo de muita alegria saber que conseguimos fazer com que o PAC se transformasse em uma coisa importante para o desenvolvimento brasileiro e, mais importante ainda, saber que o governo mantém o controle das ações. A política de acompanhamento coordenada pela ministra Dilma Rousseff [da Casa Civil], junto com os governos estaduais, com as prefeituras e com os ministros de cada área tem demonstrado que essa é a forma mais correta de fazer com que as políticas públicas do governo brasileiro possam ser executadas", disse o presidente.

De acordo com Lula, 2009 deve ser um ano "infinitamente melhor" diante do número de obras do PAC a serem inauguradas. Ele reforçou que, em 2010, grande parte das obras anunciadas pelo governo estarão concluídas.

"Obviamente que muita gente entendia que, por conta da crise financeira internacional, o PAC iria ter uma diminuição nos investimentos, no comprometimento das verbas do governo federal. Isso não vai acontecer. Acreditamos que uma das formas de enfrentar a crise financeira é fortalecer as obras de infra-estrutura e fortalecer o mercado interno."

domingo, 2 de novembro de 2008

O GOVERNO LULA VAI TIRAR DE LETRA, NÃO TENHO DÚVIDA



Dilma Rousseff - “Veremos quem lida melhor com a crise”


Desde que os efeitos da crise financeira global começaram a chegar ao país, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, passou a fazer jornada dupla. Além de coordenar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), acompanha de perto a elaboração e os resultados de cada uma das últimas medidas da área econômica. Dilma Rousseff é o nome preferido, mas ainda não declarado, do presidente Lula para disputar a sucessão em 2010, quando os efeitos da crise serão avaliados pelo eleitor. Na quinta-feira, depois de divulgar um balanço do PAC, a ministra recebeu ÉPOCA para esta entrevista. Ela aposta que o governo Lula vai se sair melhor que o anterior, de Fernando Henrique Cardoso, no enfrentamento da crise e no julgamento das urnas.


Economista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 60 anos, a chefe da Casa Civil da Presidência é a principal auxiliar do presidente Lula.


É a gerente do principal plano do governo Lula no segundo mandato: o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Foi ministra de Minas e Energia. Também foi secretária de Energia no Rio Grande do Sul.

ÉPOCA – Os efeitos da crise econômica vão prejudicar o candidato do governo ao Planalto em 2010?

Dilma Rousseff – Vou dizer o que espero de 2010 e acredito que meus companheiros de governo também esperam: que o povo reconheça o esforço feito por este governo para mudar as condições de desenvolvimento, fazer o país crescer e incluir milhões de brasileiros. A característica principal deste governo é que aumentamos a classe média brasileira em quase 20 milhões de pessoas, resgatamos da pobreza mais de 10 milhões de brasileiros. O governo será avaliado pelo que é.

ÉPOCA – Mas a crise será um componente dessa avaliação em 2010.

Dilma – Tenho certeza de que esse componente será favorável ao governo, na visão do povo. Estamos mostrando que sabemos governar na hora mais difícil. Até lá, veremos quem sabe lidar melhor com a crise.

ÉPOCA – A senhora não acha que ela favorece a oposição?

Dilma – Só se fosse uma oposição contra o Brasil. Como a crise pode favorecer a oposição, se ela é contra o país, se o governo está tomando as medidas para enfrentá-la? Desde 2003, construímos as condições para ter o melhor desempenho que este país já teve diante de uma crise dessa proporção. Quando começamos a acumular reservas, muita gente criticou, diziam que estávamos loucos. Isso foi possível porque mantivemos a inflação sob controle, fizemos superávit primário (a economia entre a arrecadação de impostos e os gastos do governo), enviamos ao Congresso as medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Foi isso que nos permitiu tomar as medidas preventivas agora.

ÉPOCA – O país foi abalado pelas crises no governo Fernando Henrique. Por que não seria no governo Lula?

Dilma – Há muita gente achando que o Brasil hoje é o mesmo país de antes de 2003, quando ocorreram crises até pequenas se comparadas à atual. Eram crises de bilhões de dólares. A atual é de trilhões. Essas pessoas apostam que o governo vai falir, como faliu naquele período. Mas não vai. Naquela época, se havia crise, o governo quebrava, porque a dívida pública estava denominada em dólares e explodia. Não havia reservas suficientes e tinham de recorrer ao FMI e adotar políticas extremamente restritivas, ampliando a recessão que a própria crise já trazia. Naquela época, as crises implicavam uma apatia do governo. Ele estava quebrado, não tinha instrumental para agir e acabava realimentando a crise. Hoje, é completamente diferente: para começar, o governo não quebrou.

ÉPOCA – E por que não quebrou? Quais são as diferenças?

Dilma – A primeira grande diferença é nossa robustez macroeconômica. Temos a inflação sob controle, as contas externas são robustas, acumulamos US$ 215 bilhões em reservas. Estamos fazendo um superávit primário maior até que a meta estabelecida. Fizemos superávits durante todo esse período. Apostamos no crescimento do mercado interno. A economia brasileira tem hoje mais condição de sustentar o crescimento diante de uma recessão na economia real de países desenvolvidos. E diversificamos bastante as relações comerciais com outros países.

ÉPOCA – A diferença está nas condições macroeconômicas do país?

Dilma – Condições que nós construímos, mas não é só. Há uma diferença de atitude. Sabemos que a crise existe, é real e já nos afetou. Ela nos pega pela escassez mundial de crédito. Mas o governo tem perfeita tranqüilidade para lidar com isso. O presidente Lula não fica choramingando por um probleminha aqui, outro ali. Em vez de ficar apático, ou até de ser uma das maiores partes do problema, como nas crises antes de 2003, o governo hoje é um ator presente no cenário, com muitos instrumentos.

ÉPOCA – Por exemplo?

Dilma – As medidas preventivas tomadas pelo BC e pela Fazenda mostram essa robustez. O uso de reservas para conter a especulação com a volatilidade do câmbio, o emprego dessas reservas diante de um crédito externo seco, quase desértico, a liberação do compulsório para irrigar o crédito. E as políticas setoriais, para a construção civil, a agricultura, com a ação do Banco do Brasil, da Caixa, do BNDES. São instrumentos de Estado para viabilizar o setor privado. Temos R$ 10 bilhões para o Fundo de Marinha Mercante, R$ 3 bilhões para a construção civil. Decidimos manter os programas sociais e os investimentos do PAC. Eles são importantes para nossa economia interna.

ÉPOCA – O ex-presidente Fernando Henrique, entre outros, diz que os gastos do governo criarão um problema fiscal grave, com o cenário de queda da arrecadação.

Dilma – Ainda vamos ter de avaliar. Mas é preciso levar em conta, primeiro, que a economia vai continuar crescendo em 2009, mesmo que haja redução no ritmo. Estamos fazendo seguidos superávits primários e temos o excesso de arrecadação. Poderemos contar com um instrumento apresentado antes da crise, o Fundo Soberano. É um fundo fiscal, a poupança que podemos fazer com o excesso de arrecadação para carregar no tempo. A gente poupa nos dias bons para usar na hora de pior desempenho. O Fundo Soberano foi aprovado pela Câmara. Acreditamos que ninguém pode deixar de aprovar (no Senado) algo que seja o melhor para o país.

ÉPOCA – A oposição aposta no pior?

Dilma – Não sei. Tendo a achar que nenhum cidadão brasileiro consciente aposta nisso. Agora, temo que as pessoas, em suas paixões, podem às vezes perder a razão. Quem aposta no pior é aquele tipo de pessoa que diz: “Ah... Quero ver se esse governo se desempenha bem numa crise”. Asseguro: teremos um dos melhores desempenhos no enfrentamento da crise. E estaremos em melhores condições para receber investimentos que outras economias, quando houver a retomada.

ÉPOCA – Amigos comuns dizem que a senhora e o governador José Serra têm idéias semelhantes sobre economia. Como seria uma disputa com ele em 2010?

Dilma – Respeito muito o governador Serra. Que bom que tenhamos a mesma visão, mas andam imaginando coisas muito prematuramente. Como imaginar é livre, podem continuar imaginando.

ÉPOCA – O que iria diferenciá-los numa campanha?

Dilma – Não vou discutir o que me diferencia do governador Serra, mas não estamos no mesmo projeto. O governador estava no projeto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Eu estou no projeto do presidente Lula.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,15210,00.html

SEM ALARMISMO

2 DE NOVEMBRO DE 2008

Guido Mantega: 'Recessão ou depressão, eis a questão'

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, passou a tarde da terça-feira (28) no Congresso, negociando a aprovação das medidas de combate à crise econômica. Depois de ouvir os líderes da base governista, voltou ao seu gabinete para falar com exclusividade aos jornalistas Octávio Costa e Adriana Nicacio, da IstoÉ.

Para ministro, pior da crise é agora Mantega detalhou o impacto da tempestade financeira no Brasil e nem tocou no copo d’água sobre sua mesa, no dia mais quente da história de Brasília. Só interrompeu para atender o presidente Lula, que ligava pela segunda vez em menos de duas horas para se informar sobre o desempenho das bolsas e do câmbio.

Após a liga ligação de cinco minutos, às 18h40, o presidente ficou sabendo que, naquele dia, a Bovespa fechou em alta de 13,42% e o dólar em queda de 6,23%, cotado a R$ 2,183. Mas soube também que é cedo para qualquer comemoração.

O ministro acredita que a economia mundial vive o seu pior momento. Segundo ele, a crise possivelmente bateu no chão, mas a recuperação será lenta, sem horizonte visível. Para Mantega, o Brasil está resistindo bem. Mas o futuro vai depender do tamanho da encrenca mundial. “Recessão ou depressão, eis a questão”, parodia o ministro, se referindo ao futuro da economia americana.

A crise econômica mundial já está repercutindo no Brasil?

É uma crise mundial que atinge todos os países, porém de forma distinta. Ela tem seu epicentro nos países avançados: Estados Unidos, União Européia e Japão. Mas atinge também os países emergentes.

Nesses países, vai provocar estragos menores, porque eles têm condições mais sólidas. A equação se inverteu ao longo dos últimos anos. No passado, havia os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento. Hoje, os países emergentes, principalmente os dinâmicos, possuem características que lhes dão condições de resistir melhor às crises.

Quais são essas características?

A economia desses países é dinâmica, costuma crescer 4%, 5%, 8% e até 10%. A geração de riqueza é maior do que no Japão, na União Européia e nos Estados Unidos, hoje países envelhecidos. Em segundo lugar, os países emergentes têm um grande potencial de mercado interno.

China, Índia, Rússia e Brasil têm no seu mercado interno uma reserva de valor que pode se expandir e substituir o mercado externo. Mesmo que haja uma desaceleração da economia mundial, esses países poderão aumentar o intercâmbio entre si.

Então, onde os países emergentes podem sofrer o impacto?

Estão sofrendo, agora, o que todos estão sofrendo: problemas de liquidez e de crédito. O sistema financeiro globalizado tem vasos comunicantes para todo lado. No momento em que há uma crise como essa, há reflexo nos países emergentes.

O crédito em dólar seca. E uma parte dos empresários brasileiros se financia lá fora. Também afeta o comércio exterior, pois há problemas com os adiantamentos de contratos de câmbio, o ACC. E há ainda uma evasão de recursos para os países avançados. Sai dinheiro da bolsa e dos fundos.

Além disso, há reflexo no comércio exterior.

Por enquanto, no caso do Brasil, ainda não houve reflexo comercial. Mas poderá haver quando a queda da demanda internacional resultar numa queda da demanda por commodities. O Brasil tem uma vantagem em relação à China. Nossa abertura externa é pequena. Nossas exportações representam apenas 13% do PIB. A abertura chinesa é de 37% do PIB.



Se o comércio internacional cair 10%, para nós significará uma queda de 1,3%. Haverá também certa substituição pelo mercado interno, que está sobrando. A demanda doméstica cresceu 8,7% no último trimestre de 2007. Era exagerado, tanto que tomamos medidas para reduzir a demanda.



O problema imediato do Brasil é a escassez de crédito?
É crédito em dólares e crédito em reais. Quanto aos dólares, houve fechamento das linhas. E, no caso dos reais, alguns investidores tiraram dinheiro de bancos e da bolsa, o que baixou o valor dos ativos. O terceiro problema é o dos derivativos.



Quando há saída de capitais do País, com o desmonte das aplicações estrangeiras, estimula-se a valorização do dólar. E quando o dólar dá um salto, como ocorreu, ele dá prejuízo para os empresários que tinham feito apostas cambiais do lado errado.

O sr. ficou surpreso com essas operações das empresas?

Fiquei. O mercado derivativo de mercadorias é normal, tem mais de cem anos e existe no mundo todo. Foi feito para viabilizar o hedge, a proteção de determinados valores.

Depois surgiram derivativos de câmbio e de índice. Parte das operações não é realizada em bolsa, mas no mercado de balcão. Quando é feita por instituição financeira aqui no Brasil, é registrada na Cetip, órgão oficial. Mas quando é feita por uma subsidiária de uma empresa no Exterior, não há registro. A operação é fechada lá fora. O mercado é criativo.

O problema está aí.

Sim, mas a impressão que eu tenho, e quase certeza, é que as principais operações especulativas com derivativos envolveram as três empresas que já anunciaram as perdas: Sadia, Aracruz e Votorantim. A Sadia já cobriu as perdas na BM&F e a Votorantim também. A Aracruz está negociando com os bancos, em via de resolver o problema.

Mas o sr. já falou em mais empresas e prejuízos de até US$ 20 bilhões.

Apenas repeti uma entrevista do presidente da BM&F. Deixei isso bem claro. Não há um dado preciso. Ele estimou o volume de operações em US$ 20 bilhões. Esse é o tamanho da nossa encrenca.

O presidente Lula ficou espantado com esse número?

O presidente tem se informado com detalhes sobre tudo que está acontecendo na economia brasileira. Ele sempre me liga de onde estiver, até mesmo da África, para eu dar um quadro da situação para ele, pelo menos duas vezes ao dia. Ele acompanha o quadro econômico minuciosamente.

O sr. faz a leitura dos dados para o presidente e ele tem reagido como?

Eu faço a leitura. A questão dos derivativos não é um fato gravíssimo. Temos que dar a verdadeira dimensão. É um fato perturbador, que atrapalha um pouco, mas é um fato bastante limitado. Houve um pouco de exagero, de excesso de algumas empresas. A diferença é que essas empresas são sólidas.

Quando o presidente liga para saber da economia, ele pergunta sobre a bolsa e o câmbio?

O presidente tem uma visão geral da economia e um quadro muito preciso da economia lá fora e aqui. Se surgir um problema em tal lugar, a gente analisa e ele acompanha. Ele não toma nenhum susto, ele sabe muito bem onde essa crise é gerada, qual a responsabilidade dos Estados Unidos e dos agentes financeiros, que erraram na dose.

Como foi seu encontro com o presidente Bush na reunião do FMI?

Não tive uma longa conversa com o Bush, porque ele chegou no meio de uma reunião do G20, que eu presidia. Enquanto outros oradores falavam, nós fizemos alguns comentários. Bush falou que gostava muito do presidente Lula, que queria mandar um abraço para ele. Depois eu fiz uma exposição, com o presidente Bush do lado, e ele balançava a cabeça concordando.

Até mesmo com seus comentários sobre os fundamentos sólidos da economia brasileira?

Eu disse que não só haverá um impacto menor nos países emergentes como eles terão a responsabilidade de reequilibrar a economia mundial, dando um dinamismo que os países avançados não têm condições de dar. Nós, os países emergentes dinâmicos, temos de fazer o papel anticíclico e contrabalançar a redução do crescimento dos países avançados. O Bush concordou.

Sente-se, no Brasil, impacto negativo no comércio e na indústria, apontando para redução na demanda. Quais são as conseqüências da crise na economia real?

Nós tivemos uma retração forte do crédito e o crédito é o que dá oxigênio à atividade econômica, então a máquina dá uma parada. O que aconteceu no mês de setembro nos Estados Unidos foi um travamento de crédito violento, o credit crunch, que realmente secou os mercados. Isso nos atingiu.

Temos que ter o tempo necessário para recolocar o oxigênio na economia. Acionamos um mecanismo poderoso, que foi a liberação dos depósitos compulsórios. Desde que o quadro piorou, nas últimas três semanas, estamos trabalhando intensamente e tomando medidas que começam a ter efeito agora.

O sr. poderia afirmar que o pior da crise já passou?

Me parece que o pior da crise é o momento que estamos vivendo hoje. Agora, pior do que isso? Acho que não. Não posso dizer que estamos no fundo do poço, porque essas coisas são inesperadas. O Brasil está reagindo bem. Nenhuma empresa, nenhum banco quebrou por causa da crise.

Há luz no fim do túnel?

Sem dúvida, mas a situação dos Estados Unidos ainda é um ponto vital. Eles vão enfrentar uma retração econômica forte. Recessão ou depressão, eis a questão para a economia mundial.

Existem divergências entre o senhor e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles?
De forma alguma. Quem diz que há divergência entre mim e Meirelles está dizendo uma rematada bobagem. Tudo é feito a quatro mãos. Os problemas foram surgindo e nós temos equacionado bem. Nossa sala de situação, com o Banco Central e o Ministério do Desenvolvimento, está funcionando.



Fonte: IstoÉ

JÁ QUE O TEMA EM MODA É A CRISE FINANCEIRA INTERNACIONAL, NÃO CUSTA NADA RECORDAR O PASSADO

BATALHA PELA INFORMAÇÃO

Palast explica por que suas reportagens não saem nos EUA e como vê o jornalismo hoje.
Maurício Stycer

Greg Palast, jornalista profissional, nasceu em Los Angeles, mora em Nova York, vive rodando os Estados Unidos atrás de boas histórias, mas só consegue ver o resultado de seu trabalho na Inglaterra, ou onde mais alguém se disponha a publicar as suas reportagens. Em casa, considera-se banido. "Atualmente, a reportagem investigativa é praticamente um crime nos Estados Unidos", diz.

Para quem não o conhece - e ele ainda é praticamente desconhecido no Brasil -, o seu discurso pode soar persecutório ou paranóico. Mas quem se der ao trabalho de ler A Melhor Democracia Que o Dinheiro Pode Comprar, que a editora W11 lança por aqui até o fim do mês, entenderá por que Palast se tornou uma espécie de persona non grata nas principais redações da imprensa americana.

Dono de um faro invejável para detectar fraudes, escândalos, manipulação, golpes baixos, esquemas e artimanhas ilícitas nas mais altas esferas, seja do governo americano, britânico ou brasileiro, seja nas grandes corporações transnacionais, Palast é um repórter no sentido original do termo: "A primeira missão de um jornalista é maltratar os que estão no poder".

A definição também serve para ele justificar o fato de o seu livro ser tão ralo em revelações sobre a administração Clinton - justamente um governo que foi pródigo em escândalos, e não apenas os de caráter sexual - e ter como alvo principal a família Bush: o pai George, os filhos George W. e Jeb, além de amigos dos três instalados no comando de empresas com negócios que interessam ao clã.

Palast assume abertamente os seus pontos de vista ao longo das reportagens e, com freqüência, manda a objetividade às favas. É um tipo de jornalismo que pode causar espanto no Brasil. Aqui, jornais e revistas seguem, mais ou menos, o padrão consagrado pela imprensa americana, segundo o qual todo repórter deve buscar, em seu relato, ser o mais objetivo possível. "Deixo claro onde estou", diz, em entrevista a CartaCapital (confira na edição impressa).

Isso significa que, ao ler uma reportagem de Palast, o leitor pode ter certeza, por exemplo, de que ele não tem nenhuma simpatia pelo papel que os Estados Unidos, a potência hegemônica, exercem no mundo. Muito pelo contrário. Para o jornalista, as ações de organismos internacionais, como o FMI, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio, só atendem aos interesses do governo americano e das grandes corporações multinacionais.

Bem-humorado, desbocado, mas sempre cercado de documentos e boas fontes de informação, Palast não coloca panos quentes nem está preocupado em ser sutil. Um bom exemplo é um capítulo especial de A Melhor Democracia Que o Dinheiro Pode Comprar incluído na edição brasileira, que CartaCapital antecipa nesta edição (confira na edição impressa).

Intitula-se Sua Excelência Robert Rubin, presidente do Brasil, e analisa como o então presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, sustentou a moeda brasileira diante do dólar de forma totalmente irreal, com vistas à sua reeleição. A vitória eleitoral de FHC, afirma Palast, foi assegurada pela ação do secretário do Tesouro americano - "que governou de fato como presidente do Brasil sem precisar perder uma única festa em Manhattan".

Rubin, diz o jornalista, ajudou a manter a moeda brasileira em alta costurando o apoio de organismos internacionais ao País. O real, que seria desvalorizado pesadamente logo depois da vitória eleitoral, escreve Palast, "permaneceu em alta antes da eleição porque os Estados Unidos deixaram clara sua intenção de substituir as reservas perdidas por um pacote de empréstimos do FMI".

Em apoio à sua tese, Palast recorre a uma fonte insuspeita, o economista Jeffrey Sachs, da Universidade Harvard. O jornalista cita o economista dizendo que "Washington queria a reeleição de FHC" e, para isso, o governo americano e o FMI evitaram uma desvalorização controlada da moeda antes da eleição, incentivaram "vigorosamente" taxas de juro acima de 50% e deram seis meses aos financistas americanos para vender os títulos e moeda do Brasil em condições favoráveis.

"Sachs desmentiu essa informação, mas eu gravei a nossa conversa", conta Palast. O jornalista recorre com freqüência a artifícios que lembram os de um detetive: usa gravadores escondidos, nomes falsos e disfarces para obter informações.


Foi assim ao realizar uma de suas reportagens mais espetaculares, em 1997, a serviço dos jornais britânicos Guardian e Observer. Seu objetivo era mostrar como membros do gabinete do governo Blair, na Inglaterra, praticavam o que se chama de tráfico de influência, ou seja, "barganhavam políticas por propina, dinheiro por acesso". Para provar, Palast criou uma empresa de fachada nos Estados Unidos. Por que nos Estados Unidos" "Se o governo britânico estava vendendo o seu país, a América empresarial estava comprando", justifica.

A "empresa" de Palast procurou grandes lobistas, que apregoavam ter acesso a informações privilegiadas dentro do governo Blair, e mostrou como, de fato, havia promiscuidade nas relações entre integrantes do alto escalão e empresas privadas.

O "empresário" Palast manifestou interesse em "derrubar restrições ambientais" na legislação britânica, levando um dos lobistas a oferecer não apenas informações privilegiadas, mas também a possibilidade de influenciar decisões do governo. Para isso, apresentou o jornalista a um assessor de Blair, que se dispôs a ajudar Palast.

Quando o escândalo, conhecido como "Lobbygate", estourou, os defensores de Blair exigiram que Palast mostrasse as fitas nas quais o jornalista garantia haver o registro de todas as conversas que publicou no jornal. Por uma trapalhada, que Palast conta em detalhes no livro, as fitas demoraram a surgir, levando o Mirror, um jornal sensacionalista inglês, a publicar uma foto do jornalista na primeira página, com a manchete "MENTIROSO". "Um sujeito careca e de aspecto desagradável " eu " sob uma manchete de dez centímetros de altura. Pensei: mas que merda!!!" O caso levou à demissão de um dos lobistas e a inúmeros desmentidos do governo Blair.

Abusado e provocador, a postura de Palast lembra um pouco a do cineasta e escritor Michael Moore, diretor do premiado Tiros em Columbine, igualmente um crítico do governo americano e das grandes corporações. Os dois são amigos, mas os métodos e os resultados do trabalho que fazem são totalmente diferentes.

O populista Moore, como bem o intitula a revista New Yorker, é uma espécie de megafone dos descontentes, uma voz ativa na divulgação de denúncias e críticas ao governo Bush e a empresas privadas, mas com freqüência apenas reproduz informações obtidas de outras fontes. Palast, ao contrário, é um investigador, um descobridor de informações " e, não por acaso, é uma das fontes que Moore cita em seus textos e discursos.

Palast e Moore se unem em torno da convicção absoluta de que a eleição de Bush, em 2000, foi fraudada. Este é o tema, por sinal, da peça de resistência de A Melhor Democracia Que o Dinheiro Pode Comprar. Ao longo de 80 páginas, o jornalista descreve todas as suas investigações e as dificuldades que teve para noticiar os resultados a respeito da disputa entre Bush e Gore na Flórida.

O jornalista dedica-se a mostrar como o governo da Flórida, chefiado por Jeb Bush, em flagrante desrespeito à legislação, cancelou ou impediu o direito de voto de milhares de pessoas " a maioria com perfil de votantes no Partido Democrata.

Eram, em sua maioria, ex-condenados pela Justiça de outros Estados " cujos direitos políticos, reza a lei, são restabelecidos automaticamente depois do cumprimento da pena", negros e pobres. Ocorreu, como disse, uma "limpeza étnica no registro de eleitores da Flórida".

Paralelamente à descrição de suas descobertas, Palast descreve as dificuldades que encontrou para publicá-las na imprensa americana, ainda a tempo de influenciar o resultado das eleições.

A certa altura, o aflito Palast ouviu de um repórter do Washington Post: "Você tem que publicar essa história, Greg, imediatamente". E, então, escreve ele no livro, "em vez de me conduzir para a sala de redação do Post, pediu para que eu ligasse para a The Nation, uma espécie de centro de refugiados para notícias prenunciadoras de tempestades".

Alguém poderá objetar: que interesse tem ler sobre uma eleição passada, já decidida" Responde Palast, com base na experiência que acumulou na apuração do que ele chama de "roubo" em 2000: "A eleição de 2004 talvez já esteja decidida".

No capítulo que dá título ao livro, Palast se dedica a apontar as relações entre "os Bush e os bilionários que os amam". É uma farra, em que aparecem os nomes da Chevron, reverendo Moon, a Barrick Corporation (mineradora com interesses em vários países), a família Bin Laden e, last but not least, a GTech.

Sim, a empresa envolvida no escândalo Waldomiro tem laços antigos com a família Bush. A história se passa em 1997, quando Bush era governador do Texas e a GTech estava prestes a perder a concessão para explorar as loterias do Estado, um negócio de centenas de milhões de dólares. Palast mostra como o governo estadual se empenhou para manter a GTech no comando da operação, apesar das acusações de propina e favorecimento contra a empresa.

O caso também envolve um lobista da GTech, Ben Barnes, que era vice-governador do Texas em 1968, à época em que o hoje presidente dos Estados Unidos foi destacado para prestar o serviço militar na Guarda Nacional " uma força defensiva, cujos soldados não eram enviados ao Vietnã.

Uma fonte de Palast, mantida no anonimato, teria se disposto a dizer em juízo que Bush fez um acordo com Barnes porque o lobista "podia confirmar que ele havia mentido durante a campanha (ao governo do Texas) de 1994". Na ocasião, Bush afirmou que seu pai não o ajudou a ingressar na Guarda Nacional. O tema promete reaparecer nesta campanha de 2004.

Palast deve vir ao Brasil no próximo dia 22. Na ocasião, ele promete fazer revelações sobre as suspeitas ligações brasileiras de uma outra empresa americana, já envolvida no escândalo da apuração das eleições na Flórida. A julgar pelo teor de A Melhor Democracia Que o Dinheiro Pode Comprar, vale a pena ouvir o que ele tem a dizer.


OUTROS ALVOS

Revelações e temas quentes relatados no livro

Ouro " Uma investigação sobre os negócios da empresa mineradora Barrick e suas ligações com a família Bush acabou levando Palast à Tanzânia. A empresa conquistou uma concessão bilionária no país, mas viu-se acusada de, ao tomar posse da área, com a ajuda da polícia local, ter causado a morte de cerca de 50 mineradores, enterrados vivos. A Barrick nega veementemente todas as acusações e uma das fontes de Palast em Dar es Salaam acabou presa.

Equador " Um documento confidencial do FMI, obtido por Palast em 2000, lista 167 condições impostas pelo Fundo para emprestar dinheiro ao país sul-americano. Parece "o projeto de um golpe de Estado financeiro", diz ele.

Argentina " "Era uma noite agradável de 2001 quando recebi o telefonema: a economia da Argentina estava morta". Mais adiante, ele escreve: "Os entendimentos e memorandos provam que o Banco Mundial e o FMI puxaram o gatilho, agindo como leões-de-chácara dos credores internacionais seqüestradores de ativos".

Wal-Mart " Palast afirma que, contrariando sua política interna, a rede de varejo tem como fornecedores uma empresa, na China, que usa os serviços de presidiários. O jornalista é direto: "Como a Wal-Mart saberia que seus fornecedores com fábricas nos campos de concentração da China usam trabalho escravo" Não há como".

Monsanto " Em 1999, o jornalista mostrou no Observer o conteúdo de um documento confidencial que indicava as relações privilegiadas da empresa, envolvida em experiências com hormônios geneticamente modificados para crescimento bovino, com altas autoridades de organismos internacionais e de governos de países como o Canadá.
Comentário.

Muito bom o livro citado no texto.

ASSALTANTES DO POVO



por Mauro Santayana


Os bancos são úteis para os depósitos e transferências, mas os benefícios trazidos nestas atividades não são tão grandes a ponto de compensar os males que produzem

O presidente Juscelino Kubitschek rompeu com o Fundo Monetário Internacional há 50 anos. Muitos o acusaram de irresponsabilidade, alegando que o país quebraria. O Brasil não quebrou, e deu o grande salto, com a Petrobras, a construção de Brasília, as rodovias e as hidrelétricas. O reatamento com o Fundo, depois, deu-se em outro nível: mesmo os imperialistas sabem respeitar os que se fazem respeitar.

Ao contrário de Juscelino, o governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso foi o mais submisso de todos os republicanos. Muitos observadores – este jornalista entre eles – mostraram que o Consenso de Washington consolidaria o assalto do Estado pelos banqueiros. O Brasil era o país perfeito para resistir ao projeto de Wall Street: suas leis não permitiam a pirataria financeira nem empréstimos privilegiados a empresas estrangeiras e defendiam a empresa brasileira, o sistema bancário, o subsolo, a água, a floresta e a navegação de cabotagem. O país tinha condições de dizer “não”. Mas o governo preferiu abrir todas as cancelas para os predadores. Fernando Henrique fez o Brasil agachar – e foi preciso eleger Lula para que voltasse a se levantar.

Estava claro, para quem se dispusesse a pensar um pouco, que a liberdade para o mercado financeiro, sedento por lucros cada vez maiores, levaria à recessão – mas grande parte dos meios de comunicação, azeitados pelos donos do dinheiro, disseram o contrário: que iríamos nos equiparar ao Primeiro Mundo em poucos meses. Ficamos expostos e enfrentamos várias crises financeiras naquele governo. Banqueiros de Wall Street, agindo em tempo real, organizaram o sistema criminoso mais sofisticado do mundo. Asfixiaram países inteiros, criando crises periódicas a fim de ganhar bilhões. Como a cobiça é sem limites, passaram a fazer o mesmo em seu próprio país.

“Os bancos são úteis para os depósitos e transferências, mas não vemos que os benefícios trazidos nestas atividades sejam tão grandes a ponto de compensar os males que produzem na artificiosa fundação da desigualdade da riqueza e, a partir disso, da igualmente manipulada desigualdade do poder. Se o presente sistema expandir-se e perpetuar-se, a grande massa do povo trabalhador pode perder toda esperança de adquirir qualquer propriedade.” Essa foi a conclusão da comissão de cidadãos de Filadélfia que, em 1829, examinou o comportamento dos banqueiros da Pensilvânia. Dela faziam parte empresários, advogados e dois dirigentes sindicais, William English e James Ronaldson.

Iniciava-se o governo do general Andrew Jackson, o primeiro presidente norte-americano que optaria pelos pobres contra os ricos e pelos agricultores e pequenos industriais contra os banqueiros. Jackson era de família pobre de imigrantes da Irlanda e não chegou a conhecer o pai. Adolescente, participou da guerra pela independência, e foi no exército que ascendeu socialmente. Chegara à Presidência contra quase todos. Os ricos não gostavam dele, os intelectuais o desprezavam, os políticos o viam como um brega. Autodidata, seu grande inimigo, John Quincy Adams, dizia que Jackson tinha dificuldades de soletrar o próprio nome. “Mas o povo gostava dele”, diria Roosevelt, no século seguinte.

E com razão: Jackson enfrentou banqueiros em favor do povo e se reelegeu. Houve uma grande crise bancária, mas os Estados Unidos saíram dela fortalecidos. Jackson deixou que os banqueiros quebrassem – e de sua quebra surgiu um sistema mais sadio. Esse sistema se abastardou com a criação do Banco Central dos Estados Unidos, em 1913. “Com a criação do FED (Sistema de Reserva Federal, o Banco Central deles), o sistema democrático norte-americano encontrou seus limites”, escreveu o analista William Greider, no grande livro sobre o banco (The Secrets of the Temple). Os banqueiros substituíram o povo para constituir os governos.

O desprezo dos arrogantes ao presidente Lula – que foi o primeiro a receber o importante Prêmio Quixote, na Espanha – faz lembrar a história do velho Jackson.
Colaboração da amiha Nancy Lima.

O TRISTE FIM DE UMA CIDADE

Indignação.

Foi este sentimento que tive ao chegar à cidade de Barreiros(PE), minha cidade natal.
A bela e encantadora Barreiros está arruinada.

É lixo por todos os lados, ruas esburacadas, servidores sem receber há quase 4 meses, falta merenda nas escolas, hospital sem ter ao menos esparadrapo, pior, sem ter comida para os enfermos.

Tudo isto por força e graça do prefeito Cleto Gilberto(DEM-PE), um meliante que chegou a condição de prefeito, após 4 derrotas(sempre pelo PFL) seguidas, graças ao consórcio DEM-MP-PJ, que cassou o mandato do então prefeito eleito, por sinal, o vencedor da eleição do último 5 de outubro, graças também ao desgoverno do DEMO, seu maior cabo eleitoral.

Mas boa parte dos barreirenses sabia que Dr. Cleto(é assim que ele gosta de ser chamado, mesmo não sabendo nem sequer a diferença entre uma gripe e uma pneumonia) faria um péssimo governo.

Cleto Gilberto é médico, que exerceu durante a ditadura militar o cargo de presidente do então INPS, tendo perdido o cargo por conta de ter sido acusado de meter as mãos na grana do referido Instituto de Previdência. Só escapou da degola porque, à época, não havia uma CGU atuante nem uma Polícia Federal independente. Se fosse nos dias de hoje, certamente ele estaria preso.Faz mais de um mês que Dr. Cleto está foragido da cidade, não por medo da Justiça, porque ele sabe muito bem que esta só existe para punir o pobre, mas porque se ele andar pela ruas de Barreiros a população, mas precisamente os servidores públicos, vai tirar o couro do escroque, tamanha é a revolta.

Pelo que se vê, não tinha como um vagabundo deste fazer um governo eficiente, honesto.

Pelo que eu vi, a reconstrução de Barreiros vai demorar uns 60 anos ou mais.É triste, é lamentável.

BOA NOITE

sábado, 1 de novembro de 2008

UMA BREVE PARADA

Meus 50 leitores e leitoras amáveis e assíduos(as), vou dar uma pausa.

Estou viajando para o interior do estado de Pernambuco e só volto amanhã à noite.

Abraços.

FOLHA DE SÃO PAULO NÃO PRESTA

Um dia na vida da Folha de S. Paulo

De como um dos maiores diários do país vem se especializando em inverter o sentido dos fatos. O jornal torce os fatos porque está torcendo pelos mesmos, em vez de tentar retratá-los com a maior precisão e contextualização possível.

Bernardo Kucinski

O dia é quinta, 30 de Outubro de 2008. Mas podia ser qualquer outro. Nessa quinta, o desprezo da Folha pelos seus leitores superou-se com a reportagem “Luz para Todos não cumpre a meta de dois milhões". Minha mulher, que já vinha se aborrecendo com a Folha, fechou as páginas, irritada: “Esse jornal pensa que somos idiotas”.

Começa pela foto que encima a história, uma cena de escuridão no Congresso Nacional, que não tem nada nadinha a ver com o programa Luz para Todos. Depois vem o título, enorme, em quatro colunas, numa página nobre do jornal, chamando de fracassado um programa que os números da reportagem revelam estar sendo um dos maiores sucessos do governo Lula.

O Luz para Todos atingiu até a semana anterior à publicação da matéria, nada menos que 1, 744 milhão de famílias. São famílias, por definição, localizadas em regiões remotas, pequenos vilarejos que as concessionárias não serviam por não ser econômico.

Mesmo se ficasse só nisso, já seria um feito excepcional. Não só pelo número absoluto de famílias e comunidades beneficiadas, mas também pelo fato de quase 90% da meta ter sido alcançada - meta essa que já era bastante ambiciosa.

Foi tão forte o desejo de narrar um fracasso que o repórter excluiu do seu argumento sobre o não cumprimento da meta deste ano o fato relevante de que o ano ainda não terminou. Só lá em baixo, no pé da reportagem, separadas propositalmente do argumento principal da narrativa, está a informação de que já há mais R$ 13 bilhões em contratos fechados, sendo R$ 9,4 bilhões do governo federal, R$ 1,6 bilhão dos governos estaduais e R$ 1,9 bilhão das concessionárias. O sucesso é tanto que o Ministério de Minas e Energia já pensa em ampliar a meta em mais 1,1 milhão de famílias entre 2009 e 2010. (1)

Na mesma edição, a Folha relata outro retumbante “fracasso” do governo Lula. “Gastos do governo com o PAC caem 70%”. O título é de quatro colunas ocupando também o topo de página. Um gráfico de pagamentos do PAC revela investimentos crescentes ao longo do ano, exceto pequena redução em junho, e as quedas que deveriam justificar o título, em setembro e outubro.

De pronto está a desonestidade do título. Gastos só caíram nos últimos dois meses. E mais: caíram de forma brusca. A explicação está lá, escondida, no meio da própria reportagem: as chuvas de setembro e a greve dos servidores do Departamento Nacional de Infra-estrutura (DNIT) que “bloqueou pagamentos e todas as demais fases da gastos durante três semanas...” (2). Um título mais preciso seria na linha de ”greve paralisa obras do PAC”. Mas esse título não serviria ao propósito aparente de retratar um governo inoperante e incompetente.

Manipulação de números repetiu-se no título de página inteira ”Diminuem as vendas em supermercados”. O segundo parágrafo, aliás atropelado, diz que “a queda nas vendas em setembro, além de ser sazonal, ocorreu porque, em agosto, houve queda nos preços de alguns alimentos, o que resultou em alta no consumo daquele mês...”

Afinal, se em agosto os preços caíram, significa que o povo estocou, com isso comprando menos em setembro? Além dessa confusão, o jornal admite que comparou dois meses incomparáveis. Agosto teve 31 dias e cinco finais de semana. Setembro teve apenas 30 dias e quatro fins de semana. Os fins de semana concentram as idas aos supermercados para as compras maiores do mês.

Só o ajuste sazonal do número de dias de cada mês daria uma “diminuição” de 2,2% no faturamento de setembro em relação a agosto. E mais: lá adiante, em outro parágrafo, está escrito que o preço médio de uma cesta com 35 produtos caiu 1,25% em setembro, em relação a agosto. E nem consideramos ainda que setembro teve um fim de semana a menos. Portanto a queda de 5,6% no faturamento foi inferior ao que se deveria esperar pelo menor número de dias, menor número de fins de semana, e preços menores dos alimentos. O oposto do que o titulo dá a entender.

É isso que se chama inversão dos sentidos, truque que vem se tornando especialidade desse jornal. Na história do Luz para Todos o objetivo aparente é passar a idéia de um governo que não cumpre promessas e na reportagem da redução do ritmo do PAC, o objetivo é caracterizar um governo incompetente.

Há uma outra dimensão ainda mais interessante nessas manipulações: as duas reportagens saíram na véspera do evento em que o governo prestaria contas dos programas, quando o correto seria usar as informações para questionar a prestação de contas, não deixar o governo falando sozinho. Isso seria bom jornalismo. Por que o jornal se antecipou?Sua intenção aparente e nada modesta foi a de esvaziar a prestação de contas do governo. Ou seja: o jornal quis pautar a agenda nacional e/ou negar ao governo seu potencial de pautar essa agenda.

O jornal torce os fatos porque está torcendo pelos fatos, em vez de tentar retratá-los com a maior precisão e contextualização possível. A matéria do PAC é mais uma de toda uma torcida do jornal contra o programa, desde o seu início.

Já a reportagem sugerindo falsamente que o povo está comprando menos comida, além de usar como referência um dado (faturamento) que interessas apenas aos proprietários dos supermercados, faz parte de uma nova e preocupante torcida da Folha: a torcida para que a crise dos bancos chegue logo ao Brasil. Esse catastrofismo vem marcando a cobertura de toda a mídia. Mas também nisso a Folha vem se superando.

(1) No dia seguinte, a Folha voltou ao assunto em pequena nota na qual a ministra Dilma Rousseff, diz que faltarão apenas 100 mil famílias para a meta deste ano. Ou seja o programa terá cumprido 95% de sua meta. Mesmo assim, o jornal manteve a narrativa do fracasso.

(2) Também nesse caso a Folha voltou ao assunto no dia seguinte com o titulo: “Planalto culpa greves por ritmo menor de obras.” O jornal não contesta o argumento. Ao contrário, reforça-o dizendo que “conforme o jornal informou ontem, a greve de três semanas no DNIT paralisou todas as etapas dos gastos em obras de conservação, manutenção e construção de rodovias, responsáveis pela maior parcela dos investimentos do PAC.”



Bernardo Kucinski, jornalista e professor da Universidade de São Paulo, é colaborador da Carta Maior e autor, entre outros, de “A síndrome da antena parabólica: ética no jornalismo brasileiro” (1996) e “As Cartas Ácidas da campanha de Lula de 1998” (2000).

PALAVRA DA FUTURA PRESIDENTA DO BRASIL II


01/11/2008


Dilma afirma que crimes de tortura são "imprescritíveis"

da Folha de S.Paulo, em Brasília

Presa e torturada durante a ditadura militar, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) afirmou ontem que considera "imprescritíveis" os crimes de tortura cometidos no país.

Dilma falou sobre o tema ao ser questionada sobre o fato de a AGU (Advocacia Geral da União) ter emitido um parecer no qual considera perdoados pela Lei da Anistia os crimes de tortura cometidos na ditadura (1964-1985).

Ela criticou indiretamente o texto do órgão, subordinado à Presidência. "Eu, pessoalmente, como cidadã e indivíduo, acho que crime de tortura é imprescritível", disse a ministra no programa de rádio "Bom Dia, Ministro".

O parecer da AGU foi anexado ao processo aberto em São Paulo a pedido do Ministério Público, que pede a responsabilização dos militares reformados Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir Santos Maciel, comandantes do DOI-Codi nos anos 70, por morte, tortura e desaparecimento de 64 pessoas. A posição da AGU criou uma crise no governo.

Os ministros Tarso Genro (Justiça) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) criticaram publicamente a decisão do órgão. Agora, eles planejam uma estratégia para derrubar o texto e forçar o ministro José Antonio Dias Toffoli (AGU) a formular outro texto.

O presidente Lula, que estava ontem em Cuba, disse que tentará resolver o caso na volta ao país: "Segunda vou conversar com a AGU e com o Vannuchi e verei o que é preciso fazer para evitar qualquer transtorno".

Ontem, questionada se a AGU errou, a ministra da Casa Civil fez uma crítica indireta ao órgão, sugerindo que não cabe a ele, e sim ao Judiciário, entrar no mérito da prescrição ou não dos crimes de tortura: "A AGU está fazendo a função dela. E eu não tenho como avaliar se ela cumpriu ou não cumpriu a sua função, ou se era necessário ou não era necessário ela entrar nesse aspecto. Mas eu acho que, de qualquer jeito, não caberá à AGU se posicionar sobre isso, mas sim ao Judiciário".

Dilma militou em organizações que defendiam a luta armada contra o regime militar: Colina (Comando de Libertação Nacional) e VAR-P (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Torturada, ela permaneceu na prisão entre o início de 1970 e o final de 1973.

Por ora, segundo a Folha apurou, não há intenção da Presidência de rever o texto, que não representa uma opinião pessoal de Toffoli. A AGU se manifestou no processo porque a União é ré: o Ministério Público pede, além da punição aos militares, a abertura dos arquivos da ditadura.

O órgão classificou de "improcedente" o pedido dos procuradores. Após ter criticado a AGU, o ministro Tarso Genro defendeu Toffoli: "O ministro Toffoli não tem nenhuma posição favorável à proteção de qualquer violência aos direitos humanos. Ele disse que em hipótese alguma estava defendendo o Ustra, muito menos a tortura". A Advocacia Geral da União, sem querer alimentar a discussão, não quis se pronunciar.

O JEITO DEMOCRTAS DE GOVERNAR


Novo projeto prevê plebiscito sobre pedágio urbano em SP

Texto tira das mãos do prefeito a decisão; Gilberto Kassab falou que jamais colocaria a medida em prática


SÃO PAULO - O projeto que institui o pedágio urbano no centro expandido de São Paulo voltou à Câmara Municipal com uma nova roupagem. De autoria do vereador Carlos Apolinário (DEM), que já havia apresentado o projeto de lei anteriormente, o novo texto tira a decisão das mãos do prefeito e prevê um plebiscito para decidir sobre o pedágio.

Durante toda a campanha para a Prefeitura, Kassab afirmou que jamais colocaria em prática a medida enquanto fosse prefeito. O plebiscito seria realizado até seis meses depois da aprovação do projeto. Segundo o vereador, daria tempo para a população discutir o projeto e opinar de forma esclarecida.

Com a cobrança do pedágio, afirma Apolinário, a Prefeitura poderia deixar de cobrar pelo transporte coletivo, que passaria a ser gratuito. Em suas contas, o vereador estima uma arrecadação de R$ 2 bilhões por ano, com o pedágio a R$ 4. De acordo com o vereador, toda novidade suscita críticas, mas ele acredita na aprovação da proposta.
AE.
Comentário.
É este o jeito DEMO de governar.Isso é coisa de quem tem medo de sair do armário.

BRASIL NO RUMO CERTO

01/11/2008 -

Conta de juros do setor público cai à metade com alta do dólar e dívida é a menor em 10 anos em relação ao PIB

Conta de juros do setor público cai à metade com alta do dólar

Despesa passa de R$ 12,5 bi para R$ 6,1 bi em setembro e resultado é o melhor para o mês


Lu Aiko Otta - O Estado SP

A alta do dólar provocada pela crise financeira internacional fez com que a conta de juros paga pelo setor público no mês de setembro atingisse seu menor nível em sete anos: R$ 6,142 bilhões. Para se ter uma idéia, no mês anterior essa mesma conta havia ficado em R$ 12,527 bilhões.

A queda na despesa de juros e a forte arrecadação tributária fizeram com que as contas públicas tivessem o melhor setembro da história, segundo os registros do Banco Central, iniciados em 1991: superávit de R$ 3,863 bilhões no conceito nominal, que considera inclusive as despesas com juros. Sem contar com os juros, o saldo (chamado primário) chega a R$ 10,005 bilhões.

A explicação para o efeito positivo do câmbio sobre as contas públicas está numa operação feita pelo Banco Central, chamada swap cambial reverso.

“É uma operação em que o Banco Central aposta com o mercado que a taxa de câmbio vai se desvalorizar, ou seja, que o dólar vai subir”, disse o chefe-adjunto do Departamento Econômico, Túlio Maciel. “No final do contrato, paga-se a diferença entre a variação do juro e do câmbio.” O juro usado nessas operações é o Depósito Interfinanceiro (DI), que funciona como uma referência para o custo do dinheiro no mercado.

Segundo Maciel, até agosto o governo tinha perdas com o swap cambial reverso, porque o dólar estava em queda. Com a crise, o comportamento do câmbio se inverteu e o Banco Central passou a ter ganhos expressivos, estimados em R$ 6,5 bilhões no mês, na forma de juros.

Assim, caiu a despesa global de juros e as contas do setor público tiveram bom desempenho. No final de setembro, o estoque de operações de swap estava em R$ 39,9 bilhões.

Esse efeito do dólar sobre os juros tende a ser menor nos próximos meses, porque com a crise o governo inverteu a mão das operações de swap. Assim, passou a apostar na queda do dólar. Essa medida tem por objetivo dar ao mercado liquidez em dólares, garantindo a moeda no mercado futuro a uma determinada cotação.

RUMO AO DÉFICIT ZERO

O efeito do câmbio, porém, não explica sozinho o comportamento das contas do setor público em setembro. O governo central (Tesouro, Previdência e Banco Central) teve um resultado primário positivo de R$ 5,173 bilhões, explicado pelo bom nível de arrecadação. Os Estados e municípios também fecharam a conta com saldo positivo de R$ 1,59 bilhão. A surpresa ficou por conta das empresas estatais, que apresentaram um superávit de R$ 3,242 bilhões, um recorde para os meses de setembro.

Nos 12 meses encerrados em setembro, o resultado primário acumulado é de R$ 128,798 bilhões. No mesmo período, os gastos com juros somaram R$ 165,641 bilhões. Assim, em 12 meses existe um déficit nominal de R$ 36,843 bilhões. Medido como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), é o menor déficit para 12 meses já registrado pelo Banco Central: 1,32% do PIB. A meta do governo é chegar ao déficit nominal zero.


Dívida é a menor em 10 anos em relação ao PIB

A dívida líquida do setor público atingiu R$ 1,127 trilhão em setembro, equivalente a 38,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Em agosto, estava em 40,4% do PIB. Como proporção do PIB, é o menor resultado em dez anos. A última vez que a dívida esteve tão baixa foi em outubro de 1998, de 37,58% do PIB.

Esse é outro reflexo positivo da valorização do dólar. Em setembro, a moeda ficou 17% mais cara. Com o dólar em alta, as reservas internacionais crescem quando convertidas em reais. O mesmo ocorre com outros ativos em moeda estrangeira. “A valorização do dólar impacta favoravelmente os ativos cambiais, principalmente as reservas”, disse o chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel.

Quando comparados com as dívidas do setor público, os ativos mais valorizados ajudam a diminuir o saldo líquido. O efeito cambial foi responsável pela redução de 1,6 ponto porcentual da dívida líquida em setembro, de uma queda total de 2,1 pontos. No ano, a contribuição da alta do dólar é ainda maior: 4 pontos, em uma queda total de 4,3 pontos.

Além do efeito do câmbio, a dívida líquida caiu em setembro por causa do desempenho das contas públicas. O fato de terem encerrado o mês com superávit nominal respondeu pela queda de 0,1 ponto na dívida medida como proporção do PIB.

A expectativa do governo é que a dívida continue em queda este mês. Anteontem, em depoimento no Senado, o presidente do BC, Henrique Meirelles, apresentou uma projeção na qual a dívida cairia para 37% do PIB em outubro. Se confirmado, será o melhor resultado desde setembro de 1998.

PALHAÇADA!


Justiça abre ação de improbidade contra Marta

AE - Agencia Estado

SÃO PAULO - A Justiça abriu ação de improbidade administrativa contra a ex-prefeita petista Marta Suplicy (2001-2004)por supostas irregularidades na permuta de uma escola pública na Vila Nova Conceição, na zona sul, por dois terrenos da empresa Pan American na Rodovia Raposo Tavares. A transação foi realizada nos últimos dias da gestão Marta e a escola só não foi demolida por pressão de moradores e intervenção judicial. No início de 2005, já na gestão de José Serra (PSDB) na prefeitura, o negócio foi desfeito.


A ação foi aberta pelo juiz Luiz Sérgio Fernandes de Souza, da 8ª Vara da Fazenda Pública da Capital, com base em investigação do promotor de Justiça da Cidadania Silvio Antonio Marques. O promotor pede que Marta seja condenada a devolver o valor do prejuízo que teria sido causado ao Tesouro - calculado em R$ 27, 5 mil relativos aos gastos com as horas de trabalho de procuradores e engenheiros públicos empenhados na formalização do procedimento. A ação pede suspensão dos direitos políticos de Marta por 3 a 5 anos e sua condenação ao pagamento de multa de até cem vezes o salário que recebia como prefeita. O juiz considerou que "a ação está instruída com documentos que contêm indícios suficientes dos fatos alegados". Ele determinou a "citação dos réus para que possam, assim querendo, contestar a ação".

Em novembro de 2004, Marta enviou à Câmara projeto sobre a troca da área do município onde funciona a Escola Estadual Martim Francisco, de 8.965 metros quadrados, por dois imóveis da Pan American, no km 18,5 da Raposo Tavares. A prefeitura avaliou o imóvel público em R$ 32,1 milhões e os terrenos particulares em R$ 36,7 milhões.


Mesmo diante do alerta de duas procuradoras municipais, Maria Romeiro Carneiro e Edith Lisanti Frate, de que o imóvel da escola era indisponível, o negócio foi concluído. Elas anotaram, em parecer ratificado pela diretora do Departamento Patrimonial do Município, Tânia Monteiro Mendes, que havia débitos tributários de uma área do terreno da escola cedida por comodato até 2101 a um convento.

Comentário.

O consórcio DEMO-PSDB-MP-PJ continua aprontando das suas.

Veja porque foi aberta ação de improbidade contra Marta:

1-Houve uma frustrada troca, como diz a própria reportagem desfeita por força da pressão popular e "intervenção" judicial(não diz o imprensalão que tipo de intervenção ocorreu), de uma escola por um terreno.

2-O doutor promotor entendeu que os bravos procuradores e os engenheiros da prefeitura de São Paulo doaram até seu sangue empenhados na tentativa frustrada da transação. Segundo a figuraça, o Poder Púbico Municipal gastou 27 mil reais com estas duas categorias que menos ganham na prefeitura, e que por isso Marta deve devolver ao erário público(veja bem, o valor devido por Marta não vai para os procuradores nem para os engenheiros, vai para os cofres públicos) pela maldade que fez.O promotor para ser justo deveria ter pedido que a grana fosse devolvida ao bolso dos procuradores e engenheiros da prefeitura de São Paulo.

3-Que há parecer contrário a troca da terreno público( escola) pelos terrenos privados.Vamos, como diria o "filósofo", por parte:

a)A escola foi trocada por um terreno.Não há nada ilegal nisso, desde que haja a desafetação do bem público e, pelo jeito, a lei que Marta mandou à Câmara Municipal foi no sentido de desafetar o próprio municipal, e que a prefeitura se disponha a construir uma outra escola(a reportagem não informa isso) a troca é legal.

b)O trabalho dos procuradores e engenheiros- Não há nada ilegal nisso também, afinal, eles exercem os cargos para trabalhar mesmo, ainda que o o trabalho fosse ilícito ou irregular.Qualquer cidadão popular devia também entrar com ação contra este promotor por ele ter gasto seu tempo com tal ação.Aliás, e com outros tipos de ações.

c)O parecer da procuradoria municipal-Primeiro, pelo que li a suposta irregularidade se deu por conta de débitos tributários do terreno da escola. Confesso que não entendi essa.Depois, quem trabalha em procuradoria consultiva sabe muito bem que reina neste espaço de trabalho toda sorte de corrente ideológica: do DEMO ao PSOL.

Só me resta dizer que isso é uma grande palhaçada.

O MP fica se metendo onde não é chamado, enquanto isso milhares de crimes estão sendo extintos pelo cutelo da prescrição.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

DIA DAS BRUXAS. FIQUEM COM O BRUXO.


AU REVOIR, NON AMOUR



Luiz Gonzaga Belluzzo


No início da década dos 90, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial anunciaram a nova agenda de reformas para os países em desenvolvimento. Entre as recomendações figurava com brilho e aplomb a abertura da conta de capitais. Os modelos teóricos utilizados pelo Fundo Monetário e pelo Banco Mundial garantiam que a abertura e a desregulamentação financeiras promoveriam a atenuação das flutuações da renda e, sobretudo, do consumo nos países da periferia.

Os modelos tinham como premissa um comportamento anticíclico dos movimentos de capitais, ou seja, a entrada líquida de dinheiro externo seria capaz de atenuar as flutuações do produto, do emprego e do consumo.

Nas últimas duas décadas, não escassearam provas da natureza pró-cíclica dos movimentos de capitais privados, incapazes de se comportar de acordo com as prescrições dos manuais de economia internacional. Explico o pró-cíclico: quando abraçam as moedas frágeis dos países emergentes, os capitais apaixonados exageram nas juras de amor. As moedas se valorizam e reduzem a competitividade das exportações, quando não estimulam perigosas incursões de exportadores em operações estapafúrdias com derivativos. Com o mesmo fervor, os capitais abusam do desprezo no momento em que decidem abandonar a presa. Por isso causam estragos na auto-estima da vítima, que se entrega aos desesperos das crises cambial e financeira. Veja o leitor: nessa hora aziaga, entre os achaques e moléstias que atazanam os mercados, estão a volatilidade indesejada das taxas de câmbio dos emergentes e a inconveniente valorização do dólar e do iene.

A malta de emergentes é testemunha de que, no período de muitos beijos e alguns tapas, os rigores das políticas monetárias empurram a valorização da moeda local, já excitada pela salivação dos que buscam melhores rendimentos. Num ambiente de baixa inflação e ganhos modestos nos ativos de baixo risco e reputação ilibada, os diferenciais de juros inoculam o vírus da euforia cambial, prelúdio da derrocada da moeda nacional, da recessão e do constrangimento às políticas fiscais e monetárias anticíclicas.

Quarta e quinta-feira últimas, George Soros e Martin Wolf, no Financial Times, dissertaram a respeito das políticas adequadas para enfrentar a crise que ora nos atormenta. Wolf detonou os anjos da purificação do mundo: “A noção de que uma recessão rápida purificaria o mundo é ridícula... A única forma de deixar o setor privado se desalavancar, sem falência em massa, é substituindo (os ativos depreciados) pelos ativos que todos querem: a dívida do governo”. No caso, o objeto de desejo, nem tão obscuro, é a dívida do governo americano.

George Soros apoiou as iniciativas do Federal Reserve e do FMI. O banco central dos Estados Unidos já promovia a troca de moedas entre os bancos centrais, providência que na quarta-feira incluiu o Brasil, entre outros emergentes. O FMI aprovou uma linha de liquidez de liberação rápida para países bem-comportados. O Brasil está nessa. Os mercados de câmbio se acalmaram, ao perceber que o governo americano e o Fundo estão dispostos a manter sob controle a súbita e perigosa paixão dos mercados pelo dólar.

Quando os mercados globais cambaleiam e revertem os motores, a macacada busca a segurança dos ativos públicos denominados na moeda de reserva. Pouco ou nada valem as taxas de câmbio flutuantes, agredidas com a mesma virulência que machucam as taxas fixas ou assemelhadas. Em tais circunstâncias, a política de metas de inflação fica encalacrada entre cuidar das tendências recessivas da economia e aplacar o deslizamento do câmbio e seus efeitos sobre os preços domésticos. Escapam da maldição países que cuidaram de prevenir os ingressos abundantes e as saídas desastrosas do capital-dinheiro. As decisões do Fed e do FMI foram providenciais: por estas bandas, a tigrada da bufunfa já gritava em uníssono ser preciso subir os juros e cortar o gasto, ajustar o crescimento da economia brasileira ao tamanho da crise. Recomendam a recessão purgativa.

Na posteridade da crise asiática, os governos e o FMI ensaiaram a convocação de reuniões destinadas a imaginar remédios para as assimetrias e riscos implícitos na movimentação desimpedida de capitais. A palavra de ordem era a reforma da arquitetura financeira internacional. A reação dos mercados e do governo americano – aconselhado pelos sábios Robert Rubin e Lawrence Summers – foi negativa. O FMI enfiou a viola no saco.

Angustiado com as tropelias da finança internacional, o presidente Nicolas Sarkozy, entre outros, evocou Bretton Woods, a reunião de 1944 que deu origem à ordem econômica do pós-guerra. A idéia-força dos reformadores de Bretton Woods sublinhava a necessidade de criação de regras monetárias capazes de garantir o ajustamento dos balanços de pagamentos, ou seja, o adequado abastecimento de liquidez para a cobertura de déficits, de forma a evitar a propagação das forças deflacionárias. Tratava-se também de erigir um ambiente econômico internacional destinado a propiciar um amplo raio de manobra para as políticas nacionais de desenvolvimento, industrialização e progresso social.

Keynes, o delegado da Inglaterra, propôs a Clearing Union, uma espécie de banco central dos bancos centrais. A Clearing Union emitiria uma moeda bancária, o bancor, destinada exclusivamente a liquidar posições entre os bancos centrais. Os negócios privados seriam realizados nas moedas nacionais que, por sua vez, estariam referidas ao bancor mediante um sistema de taxas de câmbio fixas, mas ajustáveis. Os déficits e superávits dos países corresponderiam a reduções ou aumentos das contas dos bancos centrais nacionais (em bancor) junto à Clearing Union.

A despeito de sua rejeição à relíquia bárbara, Keynes aceitou a manutenção do ouro como “âncora” nominal do seu sistema monetário, mimetizando a relação que a moeda bancária mantinha com as reservas metálicas no padrão-ouro clássico. Mas o metal seria uma espécie de “rainha da Inglaterra” do sistema monetário, já que nenhum papel efetivo lhe seria concedido na liquidação das transações e dos contratos – função que seria exercida exclusivamente pela moeda bancária internacional, administrada pelas regras da Clearing Union.

É provável que Keynes não estivesse disposto a colocar em risco a confiabilidade do novo padrão monetário, e muito menos pretendesse “desvalorizar” as reservas-ouro acumuladas pelos Estados Unidos nos anos 20, 30 e 40 (em 1948, os EUA detinham cerca de 72% das reservas-ouro mundiais). Debates travados no Senado revelam que era forte a resistência política dos americanos à abolição do ouro como fundamento da nova ordem monetária internacional.

O plano de Keynes visava, sobretudo, eliminar o papel perturbador exercido pelo ouro enquanto último ativo de reserva do sistema, instrumento universal da preferência pela liquidez. Buscava, portanto, uma distribuição mais eqüitativa do ajustamento dos desequilíbrios de balanço de pagamentos entre deficitários e superavitários. Isso significava, na verdade – dentro das condicionalidades estabelecidas – facilitar o crédito aos países deficitários e punir os países superavitários.

O propósito era evitar os ajustamentos deflacionários e manter as economias na trajetória do pleno emprego. Ele imaginava que o controle de capitais deveria ser “uma característica permanente da nova ordem econômica mundial”, como repetiu seguidamente nos trabalhos preparatórios da Conferência de Bretton Woods. O plano – uma utopia monetária – não só era excessivamente avançado para o conservadorismo dos banqueiros privados, como também inconveniente para a posição amplamente credora dos Estados Unidos, pois anularia o poder de seigniorage do dólar como moeda-reserva. A faculdade de usar sua moeda como meio de pagamento universal conferiu e ainda vem conferindo aos Estados Unidos grande flexibilidade na gestão da política monetária e na administração do balanço de pagamentos.

A solução finalmente adotada na reunião de 1944 ficou mais próxima dos interesses dos credores do mundo. Assim, a Clearing Union perdeu a disputa para o Fundo Monetário, cuja capacidade de provimento de liquidez – em caso de desajustes temporários de balanço de pagamentos – estava limitada pelo valor das cotas dos países membros, calculado pela participação de cada um no comércio internacional. O bancor foi derrotado pelo dólar, que assumiu o papel de moeda-reserva, ancorado na conversibilidade com o ouro à razão de 35 dólares por onça troy.

Já a proposta keynesiana de controle de capitais e do câmbio foi incorporada ao artigo VI dos estatutos do fundo como faculdade concedida aos países que estivessem atravessando problemas agudos de balanço de pagamentos. Os controles cambiais estavam vedados para as transações correntes, salvo no caso de o Fundo declarar uma “moeda escassa”, conforme o artigo VII, o que permitiria aos demais membros impor controles às transações com essa divisa.

O sistema de Bretton Woods nasceu de um compromisso implícito: o benefício da seigniorage concedido ao país emissor da moeda-reserva, os Estados Unidos, foi compensado pela liberdade, atribuída aos demais países membros, de adotar políticas de crescimento e estratégias mercantilistas de comércio exterior.

PALAVRA DE UM GRANDE LÍDER

Fidel: 'Capitalismo quer continuar saqueando o mundo'

Cuba - O ex-presidente cubano Fidel Castro assegurou nesta sexta-feira, em um novo artigo de sua coluna "Reflexões", que "o capitalismo desenvolvido ainda quer continuar saqueando o mundo como se o mundo pudesse suportá-lo", em referência à atual crise financeira internacional.

Castro anotou que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) deu créditos aos bancos centrais de muitos países, aos quais "proporciona dólares em troca de reservas em moeda estrangeira", e assim "garante o poder econômico de sua moeda".

"O Fundo Monetário Internacional (FMI), que é o mesmo cachorro mas com uma coleira diferente, anuncia a injeção de elevadas somas a seus clientes da Europa Oriental", acrescentou Fidel.

"As máquinas de imprimir notas não param, nem o FMI pára de fazer seus empréstimos leoninos", afirmou o líder cubano no artigo, divulgado pela imprensa oficial.

Castro disse que, em paralelo, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) advertiu "que ao ritmo atual de gastos, a humanidade precisaria de recursos de dois planetas em 2030 para manter seu estilo de vida".

"Não é preciso ser graduado em Matemática, Economia ou Ciências Políticas para compreender o que isso significa. É a pior variante.
As informações são da EFE

BOA NOTÍCIA

Apex abre escritório em Cuba; Petrobras assina acordo

Estatal brasileira investirá US$ 8 mi em exploração no mar cubano; contrato terá duração de 32 anos

Agencia Estado

HAVANA - Dirigentes da Petrobras e da empresa Cuba Petróleo assinam nesta sexta-feira, 31, em Havana, um contrato de exploração e produção de petróleo no mar cubano, em região próxima a Varadero, onde a estatal brasileira investirá US$ 8 milhões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da abertura de um escritório da Associação Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), em Havana.

O contrato da Petrobras com a Cuba Petróleo terá duração de 32 anos - sete de exploração e 25 de produção - e valerá para uma área de 1.600 quilômetros quadrados, situada entre seis quilômetros e 12 quilômetros distante do litoral. As pesquisas mostraram que o óleo está a uma profundidade de 500 metros a 1.600 metros. A exploração será feita em zona próxima das únicas reservas cubanas conhecidas em terra. No passado, a Petrobras já investiu em Cuba, em parceria com uma empresa canadense, em outra área, mas não encontrou petróleo.

Após a inauguração do escritório da Apex, o presidente Lula visitará a sede do Estado-Maior da Defesa Civil de Cuba, onde ouvirá relatos sobre os efeitos causados na ilha por dois furacões. De acordo com informação de integrantes da comitiva presidencial, é possível que Lula faça hoje uma visita ao ex-presidente Fidel Castro, que está doente. Se confirmado, será um encontro privativo, exclusivamente entre Lula e Fidel, sem a presença de assessores ou outras autoridades. Para as 18 horas (horário de Brasília), está previsto o embarque de Lula para São Paulo.