quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Crescem rumores sobre a saída de Jobim ainda nesta quinta


Estou pagando para ver.



Crescem rumores sobre a saída de Jobim ainda nesta quinta
           
São Paulo - Os rumores de que Nelson Jobim deixará o Ministério da Defesa crescem em Brasília. O estopim foi a divulgação de trechos da entrevista concedida há um mês à revista Piauí e divulgada nesta quinta-feira (4), com críticas a ministros e à própria presidenta Dilma Rousseff. A decisão teria sido tomada em reunião do núcleo político do governo.


Além de Dilma, participaram da reunião a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann – ambas foram alvo de comentários de Jobim. Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria-geral da Presidência, é apontado pelo jornalista Tales Faria como responsável por entregar uma cópia da íntega da entrevista. A ministra de Comunicação Social, Helena Chagas, também participou do encontro.


O ministro não foi comunicado ainda por estar em viagem oficial em Tabatinga (AM), a 1,1 mil quilômetros a oeste de Manaus. Ele está acompanhado de Michel Temer, vice-presidente, e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A missão envolve a assinatura de um acordo para criar da Comissão Binacional Fronteiriça (Combifron) e a adoção do Plano Binacional de Segurança Fronteiriça. A notificação ocorreria tão logo Jobim se encontrasse com a presidenta.


Segundo O Globo, a presidenta estaria disposta a ler a íntegra apenas mais tarde, mas já teria tomado a decisão de promover a troca na pasta da Defesa. Ela teria ficado especialmente incomodada por afirmações relacionadas à indicação de José Genoíno (PT-SP), suplente de deputado federal, para ocupar um cargo de assessor de Jobim. Na entrevista, o ministro da Defesa deu sua versão do episódio. Dilma teria questionado se Genoíno poderia ser útil à pasta, ao que Jobim alega ter respondido: "Quem sabe se ele pode ou não ser útil sou eu".


Nos últimos meses, o ministro acumula um saldo de desgastes e declarações embaraçosas a respeito do governo. Mas desde que assumiu, em 2007, ainda durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, possui um histórico de polêmicas. No mês passado, anunciou ter votado em José Serra (PSDB) na eleição presidencial de 2010 – quando o tucano disputava o cargo com a hoje presidenta Dilma. Antes, fez críticas à terceira edição do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), insinuou que estaria cercado por "idiotas", foi apontado como nome "confiável" dentro do governo pela estrutura diplomática dos Estados Unidos, entre outros episódios.

Acúmulo

Na entrevista cujos trechos foram divulgados nesta quinta, ele ainda distribuiu críticas ao governo em temas como a condução da discussão da Lei Geral de Acesso à Informação. "É muita trapalhada", qualificou. Jobim e o Itamaraty são apontados como os polos favoráveis, dentro do governo federal, à manutenção do sigilo eterno para documentos ultrassecretos do Estado brasileiro que dizem respeito à formação de fronteiras e a episódios como a Guerra do Paraguai (1864-1870).


Outros alvos são duas colegas de Esplanada dos Ministérios. Ideli é taxada de "fraquinha", enquanto Gleisi "nem sequer conhece Brasília". A presidenta e suas duas ministras formam um trio central no Executivo, coordenando politicamente as ações do governo. A divulgação do conteúdo acontece um dia depois de uma reunião entre Jobim e Dilma. A avaliação da cúpula do governo continua a ser a de que as manifestações são "desnecessárias", conforme disseram Carvalho, na semana passada, e Ideli, nesta quinta.


A nomeação de Genoíno é citada como um episódio de desgaste na relação entre Jobim e Dilma. Na segunda-feira (1º), Jobim disse ao programa Roda Viva, da TV Cultural, que tem "prazer" em exercer o cargo e que pretende seguir no posto. Entre militares, é dada como certa sua saída, já que teria havido um acordo entre o ministro e o ex-presidente Lula no sentido de garantir sua permanência apenas por alguns meses. A opção de manter polêmicas frequentes com declarações à mídia reforça as especulações a respeito de sua substituição.


Michel Temer é um dos nomes cotados para substituir Jobim na defesa, em uma saída semelhante à adotada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2004. Na ocasião, José Alencar, então vice, acumulou o cargo no lugar de José Viega Filho, como forma de garantir uma boa relação com setores militares.

Cláudio Puty:Jobim cria crise para evitar Comissão da Verdade

As críticas de Nelson Jobim às ministras do núcleo do governo federal, Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffman (Casa Civil), repercutem além do Planalto. Para o deputado federal Cláudio Puty (PT-PA), o ministro da Defesa parece estar se sentindo desconfortável com a iminência da criação da Comissão da Verdade.

"O Nelson Jobim está criando uma crise por causa da Comissão da Verdade. Se ele está se sentindo desconfortável, o que deveria fazer é entregar o cargo", afirma Puty.


Entre outras coisas, a comissão vai investigar oficialmente casos de violação aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988.

Após constranger o governo declarando ter votado em José Serra nas eleições de 2010, o peemedebista afirmou à revista "Piauí" que a ministra Ideli Salvatti "é muito fraquinha" e que a chefe da Casa Civil "sequer conhece Brasília".


Nesta manhã, o Planalto avaliou que o melhor para o governo é que Jobim formalize um pedido de exoneração. Avalia que a demissão do ministro pela presidente poderia transformá-lo em vítima.


Dilma discutiu o assunto com ministros do Planalto. E esperava conversar com Jobim ainda hoje.


Segundo a Folha apurou, ministros que haviam defendido sua permanência no ministério agora apoiam sua saída.


A situação do ministro já havia ficado insustentável nos últimos dias após a declaração de voto. A revelação foi feita no programa "Poder e Política - Entrevista", conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues no estúdio do Grupo Folha em Brasília. O projeto é uma parceria do UOL e da Folha.


A presidente Dilma Rousseff espera que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, antecipe-se e peça demissão do cargo.


Jobim também causou constrangimento ao Planalto recentemente, na solenidade de homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, disse ser preciso tolerar a convivência com "idiotas", que "escrevem para o esquecimento". Ele explicou ter se referido a jornalistas, mas petistas entenderam como recado ao governo.

A ex-guerrilheira está se cagando de medo de Jobim

    

Visivelmente irritada, a presidente Dilma Rousseff se reuniu na manhã quinta-feira (4) com os ministros Ideli Salvatti (Relações Institucionais), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Helena Chagas (Comunicação Social) para discutir novas declarações dadas pelo titular da Defesa, Nelson Jobim, que pode perder o cargo nas próximas horas. A nova polêmica que o envolve são críticas ao núcleo do governo em declarações à revista “Piauí”


À publicação, Jobim chamou de “atrapalhada” a política do governo para divulgação de dados sigilosos e chamou a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, de “fraquinha”. Ele disse ainda que a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, “nem sequer conhece Brasília”. O ministro da Defesa se reuniu com Dilma na quarta-feira (3) e não entregou o cargo depois de outras declarações polêmicas.


A um assessor próximo da presidente – e que se diz “cauteloso” sobre as chances de demissão do ministro ainda hoje - Dilma afirmou que se pudesse “arrumaria um cargo para o Jobim na Amazônia e deixaria ele por lá”. O ministro da Defesa viajou ao Estado para assinar um plano de Defesa Nacional. Ele está acompanhado do vice-presidente, Michel Temer, e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Jobim deve retornar à noite.

Na semana passada, o peemedebista afirmou ao programa "Poder e Política - Entrevista", uma parceria da Folha de S.Paulo, Folha.com e UOL, que votou em seu amigo José Serra nas eleições presidenciais de 2010 e que o tucano teria tomado as mesmas medidas de Dilma para afastar suspeitos de corrupção do Ministério dos Transportes.


Palacianos apelidaram Jobim de "ministro da Surpresa". Depois de ser chamado por Dilma para explicar declarações que deu no aniversário de FHC, o peemedebista disse ao UOL e à Folha de S.Paulo que votou em Serra. Na quarta-feira, novamente chamado a se explicar, não avisou sobre a entrevista que deu à revista Piauí.

Série de polêmicas


Jobim já tinha se explicado a Dilma há pouco mais de um mês, quando foi ao aniversário de 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ele sugeriu que a atual ocupante do Palácio do Planalto tem um estilo autoritário. Em outras declarações, o ministro elogiou a presidente e disse que sua relação com ela é “ótima”.

Antes da reunião, também em entrevista ao “Poder e Política – Entrevista”, Ideli afirmou que Jobim tem dado declarações "desnecessárias" e deveria se "conter um pouquinho”. O peemedebista foi mantido no cargo no início do atual governo por conta da insistência do antecessor de Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Jornalista mau-caráter


O jornalista que escreveu esta matéria é um mau-caráter.Liberdade de expressão não deve ser confundido com libertinagem.O jornalista tem que que ter responsabilidade na hora que vai escrever uma matéria.A liberdade de expressão não vai a ponto de o jornalista escrever matéria acusando alguém sem ter prova do que acusa.Dilma tem mais é que processar esse vagabundo para que ele prove que seu governo está ajudando a OI.O que me revolta é que, enquanto o governo gasta fortuna com um jornalismo podre, imundo, grande parte dos meios de comunicação não recebe nada ou quase nada, cito a Agência Carta Maior, a revista CartaCapital,  Caros Amigos, a Rede Brasil.Se o Brasil fosse governado por Hugo Chavez essa sabujo já estaria castrado, para nunca mais acusar os outros sem ter um mínimo de prova.

Náutico e Sport na Série B: a culpa é de Lula





Por Cristiano Ramos*


Negócio sensacional é andar de táxi. No intervalo de dois bairros, o taxista atualiza você sobre quase tudo que está na boca do povo. Depois de andar com uns três na semana, então, é possível até saber o top ten dos assuntos mais comentados. Nessa lista, já faz um tempinho que está a culpa de Lula. E qual culpa tem o ex-presidente? Várias:

– Tá vendo que trânsito, amigo? É culpa do Lula!

– Não agüento shopping, aquilo virou um inferno, quem mandou votarem no Lula?

– Morar no Recife anda os olhos da cara e mais os braços, Lulalá!

O raciocínio é sempre o mesmo: presidente petista (e melhor seria dizer FHC e Lula) manteve a economia no rumo certo e aumentou poder aquisitivo da massa. Gente recebendo seu primeiro cartão de crédito, comprando o primeiro carro, apartamentinho próprio... Mas eis que, na semana em que o Corinthians ainda sonhava em contratar o argentino Tevez, um desses taxistas me solta acusação inédita:

– Náutico e Sport têm mais é que ficar onde estão, tem cabimento irem pra Série A? Pra quê, segurar lanterna? Lula acabou com a gente!

Ele depositava na conta do bom momento brasileiro o abismo cada vez maior existente entre os clubes de ponta do Sul e Sudeste e os demais do País. “Quanto é a folha do Corinthians, professor, sabe dizer?”, e eu chutei, quase certo, “Uns 5 ou 6 milhões”. “Por isso que digo, o que vamos fazer no meio desses tubarões? Passar vergonha?”, ele respondeu satisfeito, certo que já provara sua tese. Nem precisei informar que as equipes de maior destaque no Nordeste gastam, em média, somente 1/5 desse valor pago pelo Corinthians, pelo Flamengo, São Paulo, Internacional... Tampouco foi necessário informar que as cotas de TV e demais fontes também giram em torno dessa proporção.

O que valia lembrar (se o táxi não houvesse chegado em meu destino) era que o ex- presidente não foi menos generoso em projetos e liberação de verbas para o Nordeste (pelo contrário), e que Pernambuco tem crescido mais que seus vizinhos, mais que o País (um ponto percentual acima do PIB brasileiro). Em 2009, chegamos a crescer o dobro do que conseguiram os baianos, por exemplo.

O buraco, portanto, é bem mais embaixo, e ele não aumenta quando chove (como nas ruas do Recife); esse fosso cresce em ritmo de velocista jamaicano, faça sol ou temporal. O Estado vai de vento em popa, o futebol é que não acompanha.

Além das desigualdades regionais históricas, há diferenças óbvias no tratamento da CBF e do Clube dos 13, na quantidade de torcedores (consumidores), diferenças nos espaços de mídia – que resultam das conquistas de títulos, do fato de as cabeças de redes de comunicação estarem lá, e de tantas outras questões.

E todos nós temos responsabilidades nessa equação, do colunista ao taxista, do presidente do clube ao comentarista esportivo. Driblar essas diferenças requer mais racionalidade. Eles podem se dar ao luxo de repetirem erros, nós não! Não temos recursos para contratar como as equipes do Sul e Sudeste, mas basta o treinador perder três seguidas e já queremos que ele seja demitido, que mais dinheiro saia dos cofres para trazer sujeito que provavelmente não fará milagre algum.

Quando Governo pensa alguma política fiscal para nossos times, logo vem a reclamação, que é dinheiro público jogado fora. Ora, quantas empresas recebem incentivos governamentais? Mesmo sem gerar tantos empregos diretos e indiretos como o futebol, mesmo sem ter tantos consumidores (de produtos e ingressos), sem carregar essa identidade geográfica que faz do sucesso do clube uma publicidade espontânea para a cidade, para o Estado.

Durante bastante tempo, pernambucanos falavam sobre Suape. Anos se passaram desde o anúncio definitivo do estaleiro e da refinaria. E, ainda assim, marcamos toca, deixamos de preparar mão-de-obra e infra-estrutura. Da mesma forma, não estamos aproveitando a expectativa de mais duas décadas de grande crescimento econômico para Pernambuco, nem fazendo da Copa do Mundo uma alavanca para que nossos clubes saiam fortalecidos dessa transição.

Dia desses, falei com um amigo sobre a validade de um congresso sério, grande, para debater as demandas do futebol pernambucano e como aproveitar essa boa fase da economia do Estado para achar soluções. “Que bobagem, levar jogo de bola tão a sério”, ele me disse, pouco antes de se lamentar por não ter ido à Comic-Con, evento dedicado aos amantes dos quadrinhos, da ficção científica, cultura pop e afins...

O futebol pernambucano fica geralmente assim mesmo: uns não o levam a sério, e os que lhe dão importância – ou até vivem dele – mais falam do que agem. Este colunista não escapa à crítica, diga-se! Faz tempo que não pago anuidade do meu time, que não dedico maior paciência aos treinadores quando a derrota vem, não mobilizo os colegas de imprensa para procurar saídas. No máximo, trocava ideias com os taxistas, até começar esta jornada semanal no Blog do Torcedor.

Uma coisa prometo, pelo menos: se a coluna Na diagonal falhar ou atrasar (como é o caso deste texto, que quase não saiu), não vou acusar o Lula. Se bem que...

* Cristiano Ramos é jornalista e assina a coluna Na diagonal, que é publicada no Blog do Torcedor todas as quartas-feiras.

Os tais caquinhos do velho mundo

Uma charge de um cartunista holandês, publicada no jornal Landsmeer e reproduzida pelo diário português Público, foi o que mais me chamou a atenção numa breve passagem de nove dias por Portugal. Nela, representantes da União Européia fazem empréstimos uns aos outros, mas a sombra de seus movimentos revela punhaladas entre eles.


A charge cumpre perfeitamente seu papel crítico de mostrar que a ajuda das instituições européias da zona do euro aos países periféricos, como o próprio Portugal, Grécia e Irlanda, não se deve a nenhum instinto de solidariedade continental e sim ao temor de um contágio fatal, capaz de derrubar a própria União Européia e de ameaçar a paz naquela parte do mundo envolvida em uma história de guerras.


O "auxílio" europeu aos países em crise começou com medidas draconianas e humilhantes, que tinham muito mais um caráter de retaliação do que de ajuda. O historiador português José Pacheco Ferreira, em artigo no Público, afirmou que se não fosse o medo do alastramento da crise grega, "seria com algum prazer que alguns países veriam a Grécia (e Portugal) chegar à bancarrota", porque as medidas tomadas continham "uma clara sanha punitiva contra os mentirosos, preguiçosos e corruptos gregos".


É neste clima de diferenças e desconfiança mútua que se processa a tentativa de solução da crise européia, cujo desfecho ainda é imprevisível. A beleza de Portugal no verão é afetada pela sombra do futuro incerto e pela sucessão de anúncios de medidas impostas pela troika (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Européia), que punem a população.


O mais grave é que o esforço gigantesco que o país faz para honrar os empréstimos e condicionamentos da troika não garante que poderá ir ao mercado se financiar depois de cumprir suas obrigações. O mesmo mercado que levou Portugal e o mundo a um grande impasse ainda asfixia o país com taxas de juros astronômicas, que inviabilizam as negociações.


Foi diante dessa incerteza que a reunião de emergência dos chefes de Estado e de governo da zona do euro concordou em ampliar a assistência do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, antes recusada, e a rebaixar as taxas de juros e a elevar os prazos de pagamentos dos empréstimos que castigavam os países periféricos. Portugal, Grécia e Irlanda (e talvez Espanha e Itália, em breve) poderão se financiar às mesmas taxas que a Alemanha se financia no mercado e terão um prazo maior de amortização dos empréstimos.


O fundo de estabilidade europeu passa a atuar de maneira preventiva para ajudar com linhas de crédito os países que cumprem suas metas orçamentárias, mas são vítimas da especulação do mercado. Não se sabe se essas medidas chegaram a tempo e se vão resolver o problema, mas ao menos mudaram ligeiramente a relação credores/endividados.


Estar em Portugal nesse momento causa certa dor de ver um país refém de mandamentos impostos de fora e que tantos males já provocaram pelo mundo durante a hegemonia neoliberal. O processo de privatização imposto pela troika reduz significativamente o papel do Estado na economia e o leva a perder seus principais mecanismos de intervenção.


Depois de ver o Brasil enfrentar a crise mundial graças ao controle dos bancos públicos e sua utilização na garantia de créditos, é triste ver Portugal abrindo mão de empresas estratégicas e debatendo até a privatização da Caixa Geral de Depósitos, seu maior banco e principal financiador das pequena e médias empresas, grandes geradoras de emprego no país.

Mair Pena NetoJornalista carioca. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Agência Estado e Agência Reuters. No JB foi editor de política.Direto da Redação

Para não esquecer:o governo mais corrupto da História do Brasil

Aprendendo com a Lei Cidade Limpa de Serra


Arturas Zuokas, prefeito de Vilna, capital da Lituânia, organiza uma curiosa campanha pela educação no trânsito em sua cidade. Eleito em fevereiro deste ano para o cargo para o qual já ocupou entre 2000 e 2007, ele realizou um vídeo de conscientização para motoristas que estacionam seus veículos ilegalmente na cidade. Na verdade, o público-alvo era um pouco mais específico: há meses a prefeitura recebia reclamações de carros de luxo estacionados em ciclovias da capital.

 
Zuokas, que antes de entrar para a política foi repórter de guerra, aparece no filme em cima de um blindado que esmaga uma Mercedes Benz estacionada em uma cliclofaixa. “Isso é o que acontecerá se você estacionar seu carro em local proibido”, diz o prefeito em tom ameaçador.

 
Diante de um ator que faz às vezes de dono endinheirado do possante – vestido de modo que facilmente seria confundido com qualquer capanga do filme Scarface – Zuokas é ainda mais enfático: “Da próxima vez, estacione seu carro em um lugar apropriado”.

 
Foi precisamente o carisma de Zuokas que lhe garantiu o retorno a prefeitura da cidade. Seu adversário no pleito de fevereiro, o conservador prefeito Raimundas Alenka, era bem avaliado pela população da cidade e tinha bom trânsito entre membros do EAPL, partido que representa a minoria polonesa no país. “Mas faltava a ele o carisma político que Zuokas tem”, escreve o Centre for Easter Studies.

 
Os cidadãos de Vilna escolheram por um candidato lembrado por modernizar a cidade em seu primeiro mandato, com a construção de pólos comerciais. Durante a campanha, entretanto, ele foi acusado de, com isso, priorizar o interesse de círculos específicos do empresariado da capital.

 
Veja o vídeo da campanha do prefeito contra os carros que estacionam em local proibido:


 

Governo libera R$226 milhões para integração do São Francisco

rio são francisco

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, apresentou nesta terça-feira (2), em Brasília (DF), balanço do andamento das obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco, que beneficiará 12 milhões de pessoas no semiárido nordestino.

Bezerra informou que houve reajuste de 36% em relação aos custos iniciais, o que acrescentou recursos de R$ 771 milhões às obras.

O ministro garantiu, entretanto, que não há sobrepreço nem superfaturamento em nenhum desses contratos. De acordo com ele, a elevação do custo é resultado da variação dos índices de preços do setor da construção civil que, desde o período das primeiras licitações, contaram com uma variação de 39%.“Os preços de serviço foram aprovados por órgãos de controle”, afirmou.

Bezerra informou, ainda, que desde 2007 até 30 de junho deste ano, foram empenhados R$ 3,7 bilhões, sendo que R$ 2,4 bilhões já foram pagos.

Somente em 2011, foram liberados R$ 226 milhões; a estimativa do governo é investir outros R$ 800 milhões até o fim do ano para alcançar uma execução orçamentária semelhante à de 2010, que foi R$ 1,034 bilhão. O empreendimento deverá ser concluído até o fim de 2015.

Com informações do Blog do Planalto

Deu no Financial Times:"o Brasil se encontra na "invejável posição de observador das loucuras do mundo desenvolvido"


Enquanto isso, a oposição incompetente e corrupta fica só com tro lo ló.Vai trabalhar, vagabundo!


O Brasil se encontra nos últimos meses na "invejável posição de observador das loucuras do mundo desenvolvido", mas ainda enfrenta o desafio de "como administrar seu próprio sucesso", segundo afirma artigo publicado nesta quarta-feira pelo jornal econômico britânico "Financial Times".


"Um esforçado mercado emergente há uma década, o Brasil é hoje uma imagem de estabilidade macroeconômica e política comparada com seu antes subjugador parceiro do Norte e as antigas potências coloniais da Europa", observa o jornal.


O texto observa que o pais é hoje credor dos Estados Unidos, tem mais de US$ 327 bilhões em reservas em moedas estrangeiras, uma economia em crescimento e o desemprego em seu nível mais baixo.


"Ainda assim, com o mundo desenvolvido mostrando tendências antes associadas com os mercados emergentes, o desafio para o Brasil é como administrar seu sucesso", diz o artigo, assinado pelo correspondente do jornal em São Paulo.


Medidas


O texto comenta que o governo brasileiro já tomou várias medidas para tentar conter o fluxo excessivo de divisas, que fortalece o real e reduz a competitividade da indústria brasileira, reduziu o Orçamento para conter o excesso de gastos públicos e também elevou por cinco vezes neste ano as taxas básicas de juros para evitar a inflação fora de controle.


Além disso, o governo também adotou medidas para conter o crédito e o crescente endividamento da classe média. O jornal observa ainda que a presidente Dilma Rousseff vem promovendo demissões no Ministério dos Transportes em resposta a denúncias na mídia de direita de corrupção.


Apesar de isso tudo, o artigo afirma que ainda restam muitos desafios ao Brasil - "um mercado de trabalho reduzido, um sistema de educação fraco e a falta de trabalhadores capacitados estão elevando os salários enquanto a infraestrutura precária eleva os custos", relata o jornal.


"(O Brasil) precisará manter a vigilância para garantir que não semeie as sementes da próxima crise durante o presente período de prosperidade"


O artigo diz ainda que os níveis de endividamento das famílias parecem insustentáveis e que o Brasil precisa "tomar cuidado para não enterrar sua nova classe média sob tanta dívida que quando o próximo período de retração chegar, ela volte à pobreza".


O jornal complementa a lista de problemas ao afirmar que "o custo dos negócios é proibitivo, em parte por causa dos altos impostos e custos trabalhistas" e observa que "embora os preços das commodities tenham aumentado, os volumes de exportação não aumentaram" e que o Brasil vem usando principalmente essa fonte de recursos do boom das commodities para aumentar a quantidade de importações.


"O Brasil pode se sentir orgulhoso de si mesmo com justiça. Mas precisará manter a vigilância para garantir que não semeie as sementes da próxima crise durante o presente período de prosperidade", conclui o artigo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Doutor Lula participa de fórum de empresários na Colômbia



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca na quarta-feira (3) para uma viagem de três dias à Colômbia. Na quinta-feira (4), ele participa da abertura do 1º Fórum Empresarial Brasil-Colômbia na companhia do presidente colombiano, Juan Manuel Santos.

O presidente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Luis Alberto Moreno, também participa da abertura.

Em nota, a assessoria do petista afirmou que o encontro deve reunir centenas de líderes empresariais e autoridades do governo de ambos os países.


Os governadores Geraldo Alckmin (São Paulo), Sérgio Cabral (Rio de Janeiro), Eduardo Campos (Pernambuco) e Cid Gomes (Ceará), além do ministro Paulo Bernardo (Comunicações) estão confirmados como palestrantes, diz a nota. Entre as empresas brasileiras que estarão representadas no evento estão Petrobras, Natura, Grupo Gerdau, Itaú Unibanco e Votorantim, entre outras.


BOGOTÁ


Na quinta-feira à noite, Lula será recebido pelo presidente colombiano para um jantar. O ex-presidente também se reunirá com centrais sindicais da Colômbia e o vice-presidente do país.

Durante a viagem, Lula receberá o título de cidadão de Bogotá e, sexta-feira (5), será palestrante na cerimônia de entrega de um prêmio da Fundación Éxito, que destaca projetos sobre alimentação infantil.

O ex-presidente retorna ao Brasil na sexta-feira.Folha

Mídia: as mudanças virão das ruas



Esperava-se que os acontecimentos envolvendo o tablóide “News of the World” – que se espraiam não só para outros veículos do News Corporation, mas também para outros grupos de mídia na Inglaterra e, talvez, em outros países – provocassem algum tipo de reflexão crítica por parte da grande mídia brasileira, seus parceiros e defensores.

O que temos visto, no entanto, é uma postura quase agressiva de, sem mais (1) atribuir o ocorrido a ação criminosa de apenas alguns indivíduos que não representariam um comportamento rotineiro da grande mídia; (2) insistir que os fatos não podem servir de exemplo para a defesa da regulação do setor ou comprovar a ineficiência da autorregulação; e (3) acusar aqueles que discordam de pretenderem amordaçar a imprensa e cercear a liberdade de expressão.

Na verdade, a postura da grande mídia brasileira e de seus parceiros e defensores não deveria constituir surpresa. O histórico de rejeição sistemática à democratização do setor e de recusa ao diálogo tem sido uma de suas características. Hoje, tornou-se trivial executivos dos grandes grupos midiáticos darem declarações e/ou entrevistas acusando dispositivos da Constituição de 88 de serem normas autoritárias e de censura. Mas, no caso presente, o grau de resistência a enxergar o óbvio – que tem sido objeto de reflexões em todo o planeta – é realmente assustador.

Questões sem resposta


Por que a idéia de qualquer regulação do setor, a exemplo do que existe em outros países democráticos, incomoda tanto a grande mídia brasileira?

Por que o único critério para aferir a universalidade da liberdade de expressão é a não interferência do Estado no mercado oligopolizado de mídia e não a pluralidade de vozes que tem acesso ao espaço público?

Por que, diante de qualquer proposta de regulação, ressurge o argumento clássico liberal de que o melhor remédio é sempre mais liberdade quando se sabe que esse remédio, muitas vezes, sufoca o debate público e impede a manifestação exatamente das vozes que se oporiam ao discurso dominante?

Por que o debate dessas questões continua interditado na grande mídia brasileira que oferece espaço apenas para seus parceiros e aliados e não enfrenta o contraditório de suas posições?

Onde está a resposta?


A resposta a essas questões talvez esteja no poder de facto que a grande mídia consegue articular em torno de si mesma. Seus interesses estão de tal forma imbricados com aqueles das oligarquias políticas e de setores empresariais que permanecem intocáveis. E mais: são apresentados e justificados publicamente em nome de liberdades que são bandeiras verdadeiras da democracia.

Infelizmente, continuamos muito distantes do verdadeiro exercício democrático. O liberalismo brasileiro sempre foi excludente e continua tendo pavor de qualquer tentativa republicana do Estado no sentido de permitir maior participação popular na formulação e fiscalização das políticas públicas, em particular, nas comunicações. Por isso a idéia dos conselhos de comunicação – nacional, estaduais e municipais – é combatida de forma tão virulenta.

A consciência que vem das ruas


O que a grande mídia não consegue mais controlar, todavia, é o aumento da consciência sobre a importância do direito à comunicação nas sociedades contemporâneas. A exemplo das explosões populares que tem ocorrido em outras partes do planeta, sintomas do fenômeno começam a ocorrer aqui mesmo na Terra de Santa Cruz, com a fundamental mediação tecnológica das TICs.

Para além do entretenimento culturalmente arraigado – simbolizado pelas novelas e pelo futebol – cada dia que passa, aumenta o número de brasileiros que se dão conta do imenso poder que ainda está na mão daqueles que controlam a grande mídia e que, historicamente, sonega e esconde as vozes e os interesses de milhões de outros brasileiros.

É o aumento dessa consciência que vem das ruas que explica as pequenas e importantes vitórias que a sociedade civil organizada começa finalmente a construir em níveis estadual e local. O melhor exemplo parece ser a aprovação pela Assembléia Legislativa da Bahia do Conselho Estadual de Comunicação Social – o primeiro do país – que deve ser instalado em agosto, com participação majoritária dos movimentos sociais e dos empresários. Existe possibilidade real de que outros conselhos, já previstos nas constituições estaduais, sejam instalados em breve.

Esse parece ser o único caminho possível para a democratização da comunicação no nosso país: a consciência da cidadania. Esse caminho independe da vontade da grande mídia e de seus parceiros e defensores. Esses continuarão encastelados na sua arrogância, cada dia mais distantes das vozes excluídas que vem das ruas e que, felizmente, não conseguem mais controlar.

A ver.


Venício Lima é professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Regulação das Comunicações – História, poder e direitos, Editora Paulus, 2011.Fonte:PT

Cerimônia de lançamento do Plano Brasil Maior

Dilma: o governo não irá se pautar por medidas midiáticas no combate à corrupção

É isso aí.



Logo após o lançamento do Plano Brasil Maior, nesta terça-feira (2/8), no Palácio do Planalto, a presidenta Dilma Rousseff concedeu uma rápida entrevista aos jornalistas. Entre outros temas, ela falou sobre a estratégia brasileira para o enfrentamento à crise econômica internacional e sobre a importância do Brasil Maior. Leia os trechos da entrevista:

Jornalista: De que maneira o Brasil pode enfrentar essa crise [financeira mundial]?

Presidenta Dilma Rousseff: Com essas medidas [contidas no Plano Brasil Maior] e com todas as outras que nós vamos tomar daqui para frente. Nós não temos a pretensão de ter, com essa medida, resolvido os problemas. Essas medidas são o nosso primeiro passo em direção a aumentar a competitividade do Brasil, a partir da inovação, da exigência de agregação de valor e do combate a práticas fraudulentas reais no que se refere à concorrência.
Jornalista: o Supersimples vai sair essa semana?
Presidenta Dilma Rousseff: Não, na outra semana. Na próxima terça-feira, a gente lança o Supersimples [alterações no regime especial de arrecadação de tributos junto a microempresas e empresas de pequeno porte].

Jornalista: E a desoneração da folha, já tem previsão de quando começa?
Presidenta Dilma Rousseff: Não, nós iremos fazer como está lá na proposta. Nós vamos fazer um acompanhamento. Vamos criar uma comissão tripartite – empresários, trabalhadores e o governo – e acompanhar as medidas para nos assegurar, sempre, que não terá efeitos sobre a previdência. Então, isso requer que a gente tenha bom senso e cautela na adoção [das medidas].
Jornalista: A população brasileira está muito preocupada em relação a casos de corrupção.
Presidenta Dilma Rousseff: Nós combateremos sistematicamente. O governo não irá abraçar nenhum caso de corrupção. Mas o governo também não irá se pautar por medidas midiáticas no combate à corrupção. Nós combateremos efetivamente.

Ouça abaixo íntegra da entrevista da presidenta Dilma Rousseff ou leia aqui a transcrição:

Brasil está preparado

Marcelo Portela

O Estado de S. Paulo - 02/08/2011
Para Fazenda, acordo nos Estados Unidos afasta incerteza de curto prazo, mas não resolve problema de longo prazo


O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse ontem que o Brasil está preparado para um agravamento da situação econômica dos Estados Unidos e de países da zona do euro. Em palestra a empresários na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), ele apenas citou o embate para elevar o teto da dívida dos EUA.


Tombini mencionou de forma geral os problemas vividos pela economia dos EUA, com "crescimento sistematicamente revisado para baixo", altas taxas de desemprego e política fiscal com "baixo grau de manobra", além da necessidade de aumento do teto de endividamento público. E lembrou ainda a crise de países europeus, como a Grécia.


"O Brasil está preparado caso haja uma agudização do cenário internacional, que se deteriorou ao longo deste ano, ainda que isso não seja a nossa visão central sobre o que deve ocorrer com a economia global", ressaltou o presidente do BC.


Segundo Tombini, a principal arma do País para um eventual recrudescimento desse cenário "cada vez mais complexo" é a reserva em moeda estrangeira, que chegou a US$ 345 bilhões em junho. "Isso nos dá capacidade de prover liquidez em moeda estrangeira em momento de maior estresse da economia global."


Outros fatores que, na visão do presidente do BC, favorecem o Brasil são a reversão das medidas que o governo teve que tomar em 2008 para amenizar os efeitos da crise financeira mundial, um mercado interno "robusto" e o sistema de câmbio flutuante capaz de "absorver choques externos".


Tombini ainda enalteceu as medidas adotadas pelo governo para conter a valorização do real, garantiu que o câmbio permanecerá flutuante, mas deu a entender que novas ações podem ser adotadas, caso permaneça a tendência de enfraquecimento do dólar que, segundo ele, causa "grande preocupação".


Dúvidas. O secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Márcio Cozendey, afirmou ontem que o acordo fechado em torno do aumento do limite de endividamento dos Estados Unidos ainda deixa muita margem para dúvidas. Segundo ele, o acordo afasta a incerteza de curto prazo, mas não resolve definitivamente o problema de longo prazo, de sustentabilidade da dívida american. Por isso, previu Cozendey, o debate político continuará nos próximos meses.


O secretário disse que é cedo para avaliar o impacto do acordo na economia brasileira, mas avaliou que há duas possibilidades. Uma delas é se, mesmo com o acordo, as agências de classificação de risco decidirem rebaixar a nota dos títulos da dívida dos Estados Unidos, o que pode desvalorizar ainda mais o dólar.


O pacote também tem um impacto contracionista, o que pode atrasar mais a recuperação dos EUA, além de afetar o câmbio. Para o secretário, é uma situação muito difícil porque o ajuste fiscal americano é necessário, mas não pode ser forte demais a ponto de "matar a economia". "Não sabemos o que vem até o fim do ano, quando os comitês (do Congresso) definirão os cortes."

O Brasil com Dilma vai avançar ainda mais

Plano de estímulo industrial desonera folha de pagamento


 
O governo federal anunciou nesta terça-feira (2) os principais pontos da nova política industrial. O plano inclui a devolução de PIS/Cofins para exportadores de manufaturados, a criação de um fundo de financiamento a exportação, um projeto piloto para desonerar a folha de pagamento em setores com mão de obra intensiva, além de um regime tributário especial para o setor automotivo.


O anúncio estava previsto para as 11h30, mas os dados foram publicados antes no site "Brasil Maior", no portal do Ministério do Desenvolvimento.


Um dos objetivos do plano é compensar a queda do dólar. Na semana passada, a moeda atingiu a cotação de R$ 1,543, a mais baixa dos últimos 12 anos. A desvalorização do dólar é considerada prejudicial às indústrias locais: ainda que favoreça a importação de máquinas, encarece os produtos nacionais no exterior e barateia produtos importados concorrentes.


O governo vai zerar a folha de pagamento para os setores calçadista, têxtil, de móveis e de software. A ideia para compensar a perda na arrecadação é incidir uma taxa de 1,5% sobre o faturamento das empresas. Para as empresas de software, o tributo será de 2,5%. O governo não anunciou se esse imposto será sobre o faturamento bruto ou líquido.


"Isso significa que esses setores terão um ganho. Essa desoneração é importante para regularizar o emprego e combater a informalidade. Essa medida tem um impacto neutro na Previdência Social", afirmou o ministro Guido Mantega (Fazenda).


No setor automotivo, há a programação de um novo regime setorial, com um pacote de incentivo tributário como contrapartida ao investimento, agregação de valor, emprego, inovação e eficiência. Estão previstos também regimes regionais, acordo do Mercosul e compras governamentais.


Os setores de bens de capital, materiais de construção, caminhões e veículos comerciais leves serão beneficiados pela prorrogação por 12 meses do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados.


O projeto prevê a devolução de PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) para exportadores de manufaturados e a criação de um fundo de financiamento a exportação, inovação e investimento.


Para as micro e pequenas empresas, haverá a ampliação de capital de giro, via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), com novas condições de crédito e prazo. Os investimentos contemplados vão subir dos atuais R$ 3,4 bilhões para R$ 10,4 bilhões, com taxas de juros de 10% a 13% a.a (ao ano). O prazo de financiamento passa de 24 para 36 meses.


Para um dos principais gargalos da economia, a falta de qualificação da mão de obra, foi anunciada a criação do Programa BNDES de Qualificação. Com orçamento de R$ 3,5 bilhões, o programa dará apoio à expansão da capacidade de instituições privadas de ensino técnico e profissionalizante reguladas pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura).


O governo vai criar também um marco legal para inovação. Esse projeto vai permitir a inclusão de projetos de entidades de ciência e tecnologia privadas sem fins lucrativos na utilização dos incentivos da Lei do Bem.


DEFESA COMERCIAL


O plano prevê ainda a intensificação de algumas medidas de defesa comercial, como antidumping e salvaguardas. Entre elas está a extensão de direitos antidumping ou de medidas compensatórias a importações cujo objetivo seja reduzir a eficácia de medidas de defesa comercial em vigor no Brasil.
O governo vai indeferir a licença de importação no caso de falsa declaração de origem, após investigação. Além disso, vai fortalecer a fiscalização administrativa dos preços das importações, para identificação de casos de subfaturamento.


BOICOTE


As centrais sindicais decidiram boicotar o lançamento da nova política industrial do governo. O sigilo da presidente sobre os detalhes do plano não excluiu as centrais. Reunidas na noite da segunda-feira (1º), com os ministros da área econômica do governo, as centrais sindicais, incluindo a CUT, mais próxima aliada do governo, foram informadas da linha geral do plano, mas saíram sem ter acesso a detalhes como percentuais ou setores específicos de desonerações.Leia mais


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Jobim afinou?


Depois de levar um gelo da presidenta Dilma Rousseff, durante evento no Planalto, na sexta-feira, o ministro Nelson Jobim (Defesa), alvo da ira de petistas e membros do governo ao afirmar que votou no tucano José Serra nas últimas eleições, decidiu recuar. Durante gravação do programa Roda Viva, da TV Cultura, ele não poupou elogios à chefe, a quem chamou de “extraordinária” e com quem jurou manter uma relação “ótima”.
 
“Eu não tenho nenhum problema com ela. Estou no governo porque me dá prazer”, afirmou Jobim, o mesmo ministro, que, no mês passado, durante o aniversário de Fernando Henrique Cardoso – de quem também foi ministro – declarou ter saudade de seu tempo na Presidência, quando, diferentemente dos tempos atuais, não estava cercado de “idiotas que hoje perderam a modéstia”.


Desta vez, diante das câmeras, declarou apenas que “Dilma tem visão de Estado e de futuro”, “tem noção muito clara das tendências do mundo” e que cabe a ela, e somente a ela, decidir sobre seu futuro no governo.


Sobre suas preferências eleitorais, Jobim disse simplesmente que é amigo de Serra, que foi seu padrinho de casamento e com quem já dividiu apartamento e contra quem “não tinha condição nenhuma de fazer campanha contra”.

Se as palavras de Jobim vão convencer a presidenta ainda é uma incógnita. Mas o leitor pode dar sua opinião sobre qual deve ser o futuro do ministro na enquete que está no ar desde a última sexta-feira (clique neste link para votar): o que a presidenta Dilma Rousseff deve fazer em relação a Nelson Jobim?

Seja também amigo do peito, apoie a mulher que amamenta

Paulo Fonteles Filho: Resposta ao jornalista Elio Gaspari


Acabo de ler, em São Geraldo do Araguaia, a coluna “A Bolsa Ditadura não chegou ao Araguaia” do jornalista Elio Gaspari, publicada neste domingo (31) na Folha de S. Paulo – um dos mais proeminentes jornalões do país.


Por Paulo Fonteles Filho*


O jornalista que há anos tem se dedicado ao tema da repressão política brasileira, já na chamada da matéria revela quais as posições que irá defender submetendo centenas de milhares de brasileiros ao consumo de opiniões estranhas e elitistas. Tudo isso acontece no bojo do debate que vai crescendo na sociedade brasileira sobre a aprovação (ou não), pelo Congresso Nacional, da Comissão da Verdade, instrumento fundamental para a elevação da vida democrática do país.

Particularmente chama a atenção o jocoso termo “Bolsa Ditadura”.

O centro do problema ensejado no título é a crença de que reparação às vítimas da quartelada de 1964 é uma mordomia para aqueles que foram duramente perseguidos pelos estreludos generais de então.

As distorções não correspondem ao conjunto de uma ação governamental mais ampla e politicamente importante, de reconhecimento de que durante todo um período histórico os brasileiros, milhares, foram vítimas de um Estado arbitrário e terrorista.

Conteúdo quente em boa letra transforma-se em arma poderosíssima, ensinam os mestres.

No fundo o problema é sempre de reconhecimento. E isso incomoda parcela significativa das nossas elites porque a noção das violações cometidas contra o nosso povo e sua humanidade são tão graves e contundentes que o país não poderá conviver com a impunidade.

Ademais, reconhecimentos “só se podem obter por meio do processo e castigo aos responsáveis”, ensina Juan Mendéz, relator especial da ONU Contra a Tortura.

Talvez, por isso, alguns defendam as “Ditabrandas”, rebaixando as infames câmaras de tortura em cascudos nos meninos travessos brincando de tomar o poder político em dias ensolarados.

O trabalho da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça tem revelado ao Brasil o nível do arbítrio perpetrado pelos que comandaram o país por longos vinte e um anos. E isso incomoda, muito.

Incomoda também a verdade como ela é, sem falsificações.

O jornalista Elio Gaspari nos dá um dado estarrecedor do massacre de “cerca de 60 pessoas”, todos guerrilheiros.

Aqui a questão de fundo é a história oficial.

Tal interpretação elimina por completo o entendimento de que a violência perpetrada só atingiu os jovens combatentes que vieram para a Amazônia lutar pelas liberdades e não alcança o que de fato ocorreu pelas matas paraenses, de que os camponeses foram duramente atingidos.

Não sabe o jornalista de que podemos ter mais de centenas de casos de camponeses fuzilados. Há poucos meses, no escopo deste trabalho de busca aos restos mortais dos heróis do Araguaia – na qual participo – coordenado pelo governo federal, tivemos a informação de que 17 castanheiros foram destroçados em São João do Araguaia em 1974.

Foi preciso doses cavalares de violência contra os amigos do “Povo da Mata” para que a guerrilha fosse derrotada. Naquele terrível processo os camponeses pobres se tornaram inimigos centrais das leis de segurança nacional.

Com o mesmo conteúdo oficial procura estender aos organizadores da guerrilha, o PCdoB.

Diz, para a catarse dos lobos felpudos da direita brasileira, que o principal dirigente comunista brasileiro dos últimos quarenta anos, João Amazonas, havia covardemente abandonado o seu posto de luta. Assim como Arroyo, principal dirigente militar dos comunistas naquela experiência histórica.

Quando ouço tal destempero, fico pensando que nossas elites torceram muito para que Amazonas tivesse sido preso, torturado, retalhado e jogado em vala clandestina para que ninguém o encontrasse como fizeram com o Grabois.

O jornalista parece não se conformar com o fato de Amazonas ter sobrevivido.

Melhor seria se aquele maldito comunista tivesse caído nas mãos da comunidade de informações, não é? Como faria bem ao velhinho bolchevista uma estadia básica na Barão de Mesquita ou na “Casa da Judiaria” , infame câmara de torturas da Base Militar de Xambioá.

Bom, a lógica está desbotada pelo uso sem critérios: matamos moralmente aqueles que não matamos sob tortura. E isso, vai me parecendo coisa de Ustras, Lícios e Curiós, para citar os vivos.

Por acaso agora os representa, Elio Gaspari?

Será por isso que poupas o verdadeiro autor da ação que suspendeu as reparações dos camponeses, o caricato fascista Bolsonaro?

Deves conversar muito com os generais Abreu, Bandeira e Viana Moog através daquelas cartas do além. Foram eles que te pediram para interpretar tão sórdido papel?

Minha mãe, presa e torturada no PIC de Brasília, costuma dizer que os violentos devem tremer no túmulo quando sabem que ministros se misturam ao povo, porque nem ministro, nem presidente deve se misturar à ralé. Ainda mais com camponês amigo de guerrilheiro.

Ela, que peitou o estreludo general Bandeira, grávida deste que vos fala aos ouvidos, fez o comentário à época em que o Tarso Genro esteve na pequena São Domingos do Araguaia no ato de reconhecimento aos pobres do Araguaia.

Agora a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, é alvo da graciosidade do pai do Eremildo.

Deve ser porque a gaúcha, que suava em bicas sob o sol amazônico, se comprometeu em ajudar na luta das centenas de lavradores perseguidos do Araguaia e deu, a esses homens e mulheres destes sertões de nacionalidade profunda, a atenção que eles merecem.

Outra coisa, especulo cá com meus botões, é o fato de que Maria do Rosário está determinada em realizar duas coisas, dentre as tantas que sua pasta enseja: entregar às famílias os restos mortais daqueles que tiveram desaparecimentos forçados e a instalação da necessária Comissão Nacional da Verdade.

Se a ministra gaúcha ficasse em gabinete apreciando chimarrão jamais estaria no corolário gracioso dos oficiais porta-vozes de jornalões.

Ademais, os camponeses não precisam das coletas dos samaritanos de plantão, porque isso para eles é perpetuar as humilhações e indignidades.

Os camponeses exigem justiça e reconhecimento.

A patuléia, nesse caso, adquiriu pessoa e postura.


* Paulo Fonteles Filho é pesquisador da Guerrilha do Araguaia



Portal Vermelho.

A internet e a urna em 2012

 

Tremei, demotucanos!



O Estado de S. Paulo - 01/08/2011


Inversão de papéis: uma pesquisa qualitativa em que os entrevistados foram os pesquisadores. E na casa deles: a sede do Ibope em São Paulo, na última quinta-feira. O tema: o papel da internet nas eleições municipais de 2012. A conclusão? A rede vai influenciar ainda mais o resultado das urnas e o comportamento do eleitor no próximo ano do que já influiu em 2010, entre muitos outros insights.


O encontro foi organizado por Silvia Cervellini, diretora do Ibope Inteligência, a pedido do Estado. Silvia é autora de um dos mais interessantes estudos sobre a eleição de 2010, apresentado no congresso anual da Associação Mundial de Pesquisa de Opinião (Wapor). Junto com Malu Giani e Patrícia Pavanelli (ambas pesquisadoras do Ibope), ela demonstrou como o voto religioso, impulsionado pela discussão sobre legalização do aborto na internet, moldou a reta final da campanha presidencial.


Além das três, participaram do focus group sobre internet, política e eleição dois outros pesquisadores do Ibope que apresentaram trabalhos diferentes sobre o tema no congresso da Wapor: João Francisco Resende e Rosi Rosendo. Para temperar o debate, o Estado entrevistou o jornalista Caio Túlio Costa, que dirigiu dois dos maiores portais brasileiros (UOL e iG) e foi o arquiteto da bem-sucedida campanha de mídia digital de Marina Silva na eleição presidencial de 2010.


As conclusões a seguir, especialmente se equivocadas, são de responsabilidade do autor. Eventuais méritos são dos entrevistados.


O que. Com mais eleitores online e participando de Orkut, Facebook, Twitter e Google Plus, entre outras redes, a influência da internet tende a aumentar. Os novos hábitos de troca de informações aumentam a virulência dos boatos e notícias. Mesmo quando o fenômeno começa no "mundo real", ele reverbera e é ampliado pela internet. Os casos da "legalização do aborto (Dilma)" e da "bolinha de papel (Serra)" em 2010 são exemplos disso.


"É muito mais fácil atingir um público local", diz Caio Túlio. Mas a influência deve variar de local para local: "Depende muito da infraestrutura da banda larga. Se não será decisiva, (a internet) será um pouco mais decisiva".


Onde. As cidades onde maiores parcelas do eleitorado está online são as mais aptas à internet ter um papel decisivo. Mas não depende só disso. Onde já existem redes pessoais, comunidades atuantes e organizadas, a internet potencializa a mobilização eleitoral. Já para Caio Túlio, "nos grandes centros, tudo indica que a internet será muito mais usada e ajudará muito mais do que ajudou até agora na conquista de votos".


Como. Nas cidades conectadas, os principais instrumentos devem ser: monitoramento de redes sociais, blogs, mobilização via Facebook (que cresce exponencialmente e começa a atingir a classe C), Orkut e Twitter (outras redes podem aparecer ou aumentar em influência até a eleição, como o Google Plus). A magia negra do SEO (técnica que influencia os resultados de buscas em mecanismos como o Google) pode ser usada para beneficiar um candidato ou prejudicar o adversário, associando-o a um fato negativo. O celular, que encontra o eleitor onde ele estiver, também é peça-chave, mas precisa ser usado com moderação para não saturar.


"A internet fura a espiral do silêncio dos meios de comunicação", diz Silvia Cervellini. Temas que normalmente ficam de fora da cobertura dos jornais, rádio e TV aparecem na rede e ampliam o debate, especialmente questões de interesse local. Alguns fazem tanto barulho que acabam pautando os meios de comunicação tradicionais. Isso pode mudar a agenda da campanha municipal em algumas cidades.


"(A internet) será mais usada especialmente na arrecadação de doações de pessoas físicas - que não será espetacular, por conta de características culturais", prevê Caio Túlio.


Quem. Praticamente todas as campanhas terão gente dedicada a mobilizar via internet ("custo é muito baixo"). Mas isso não é tarefa fácil. "É preciso entregar um conteúdo relevante no momento certo", diz Silvia, ou a campanha online pode se voltar contra o candidato, como já se voltou contra algumas empresas que se arriscaram a fazer marketing via blogs e redes sociais sem ter uma boa estratégia.


Por isso, não é trabalho para amadores. "Há experiência que pode ser copiada e disseminada. Mas a maior dificuldade será encontrar profissionais capazes de dedicação exclusiva e inteligente para realizar campanha na internet para cada candidato. Campanha online não é "commodity" nem "prêt-à-porter", é "taylor made" (sob medida)", diz Caio Túlio.


Consequências. Outsiders, candidatos pouco conhecidos e zebras passam a ter mais chances, porque dispõem de uma plataforma de grande penetração e comparativamente barata para alcançar os eleitores. Dependem de um bom discurso (relevância) e de uma boa estratégia (oportunidade). Podem fazer isso desde já, driblando as limitações da legislação, se conseguirem cativar comunidades já existentes na rede e fora dela. Atrair para o debate eleitoral os eleitores 2.0, aqueles jovens com perfil semelhante ao dos "indignados" espanhóis, que estão descontentes com a forma tradicional da política - desde a polarização PSDB x PT até a maneira de cima para baixo para como as decisões são tomadas.


Aumentam o potencial para surpresas e a velocidade das mudanças na corrida eleitoral. Os eleitores online tiveram intenção de voto muito mais volátil na eleição de 2010. Subidas e quedas abruptas ficam mais prováveis, principalmente na reta final.

Fale mal, mas fale do PT

Taxa de sucesso eleitoral da Assembleia de Deus é 3 vezes maior que a do PT


Mas o PiG gosta do PT, viu? Como o sabujo não tem nada de relevante  para escrever, escreve matéria comparativa entre  o sucesso eleitoral do  PT e a Assembleia de Deus, como que isso fosse de interesse da sociedade brasileira.


Vandson Lima
Valor Econômico - 01/08/2011

Reunidos todas às terças-feiras à tarde, 22 deputados federais, de 15 diferentes Estados, discutem como se posicionarão frente a determinadas pautas e que medidas tomarão para defender os interesses de seu eleitorado. Eles não representam um Estado, ainda que sua bancada seja maior ou igual que a de 20 das federações brasileiras. Também não pertencem a um mesmo partido, mas sua força nas urnas os permite até mesmo ir contra a indicação das siglas em questões que lhes são caras. A Assembleia de Deus (AD), maior denominação evangélica pentecostal no Brasil, comemora seu centenário em 2011, e sua bancada, que lidera a Frente Parlamentar Evangélica na Câmara, representa 22,5 milhões de brasileiros.


Antes das eleições de 2010, o deputado federal Ronaldo Fonseca (PR-DF) reuniu-se com José Wellington Bezerra, presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus, para escolher pastores e lideranças da igreja com bom potencial eleitoral. Fecharam a lista em 30 nomes. Conseguiram eleger 22 deles, um percentual assombroso de 73,3% de sucesso. Não há partido político no Brasil com tamanho êxito: o PT, por exemplo, dono da maior bancada da Câmara, lançou 334 candidatos a deputado federal e elegeu 88 deles (26,3%). Dos 73 deputados que compõem a bancada evangélica, os assembleianos são um terço. Seu presidente, o deputado federal João Campos, é seguidor da igreja.



Com seu eleitorado cativo, os parlamentares ligados à AD podem se dar ao direito de contrariar a orientação partidária quando convém ao seu grupo. Segundo Fonseca, presidente subdivisão ligada à igreja na Câmara, "temos um acordo com nossos partidos: se o que está em pauta na Casa atentar para alguma questão moral, temos independência. Foi assim que derrubamos o kit gay". O deputado se refere à suspensão da produção e distribuição do kit anti-homofobia, produzido pelo ministério da Educação para distribuição nas escolas. À época, os parlamentares chegaram a ameaçar adesão à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), movida pela oposição, contra o ex-ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, acusado de súbito enriquecimento. Quase toda a bancada evangélica, 63 parlamentares, faz parte de partidos da base do governo da presidente Dilma Rousseff (PT). "Os partidos sabem que não tem como segurar esses deputados. Falou em aborto, descriminalização da maconha ou casamento gay, os evangélicos votam contra. O PSC é base do governo Dilma, mas nem adianta pedir apoio nessas questões", observa o vice-presidente do PSC, pastor Everaldo Pereira.Para o segundo semestre, os evangélicos devem, novamente na esteira de atuação dos adeptos da Assembleia de Deus, encampar duas pautas. Uma é a elaboração de versão "alternativa" ao projeto de Lei 122, sob relatoria da senadora Marta Suplicy (PT -SP), que criminaliza a homofobia: "Queremos que o empregador possa estabelecer critérios para não contratar alguém. Inclusive por diferenças de religião ou opção sexual", afirma Fonseca, e continua: "Se você não quiser me contratar por eu ser pastor, tudo bem. Mas quero ter o direito de, caso eu tenha uma empresa só com homens, não contratar gay". A outra é promover um plebiscito nacional que substitua a aprovação do Supremo Tribunal Federal, que julgou constitucional a união civil entre pessoas do mesmo sexo. A reivindicação dos deputados evangélicos ganhou fôlego e substância após a divulgação, na semana passada, de pesquisa do instituto Ibope Inteligência, que revelou que 55% dos brasileiros são contra a união estável para casais homossexuais. O percentual de contrários sobe para 77% entre evangélicos.
Por ora, os assembleianos se dizem satisfeitos com a presidente Dilma: "Ela não nos "peitou" quando fomos pra cima, no caso do kit gay. Então está bom", diz Fonseca. "Agora, precisa nos receber. Passaram-se seis meses e a gente só conversa com o Gilberto Carvalho [ministro da Secretaria-Geral da presidência]", observa o pastor Everaldo.


Rondônia é o Estado que abriga mais parlamentares ligados à AD, em termos absolutos e proporcionais: três de seus oito deputados federais pertencem à igreja. O PSC, com oito deputados, é o partido preferencial. Na sequência, aparece o PR, com quatro deputados - a sigla tem em suas fileiras muitos evangélicos, mas a maioria é de presbiterianos, como o deputado federal Anthony Garotinho (RJ).


Essencialmente, os parlamentares da AD recorrem a três estratégias na hora de arrecadar fundos para a campanha eleitoral: doações em quantias menores, vindas de simpatizantes; empenho de recursos próprios; ou doações dos próprios partidos, um recurso para escamotear recursos vindos de empresas. Um dirigente partidário, sob a condição do anonimato, explica: "Tem muito preconceito contra o evangélico. Então, as empresas ajudam, mas preferem não serem vinculadas diretamente ao candidato. Doam para o partido e a gente repassa".


Destaca-se entre os recebedores de pequenas quantias o deputado federal Paulo Freire (PR-SP), filho do pastor José Wellington: das 350 doações que recebeu na campanha de 2010, 304 eram em valores de até R$ 400, segundo sua prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral. Zé Vieira (PR-MA) foi quem mais empenhou dinheiro do próprio bolso, nada menos que R$ 310 mil dos R$ 333 mil de sua receita. O campeão em recebimento de repasses partidários foi o deputado federal Filipe Pereira (PSC-RJ). Dos R$ 3,2 milhões que recebeu, R$ 9 mil foram doados pelo presidente regional do PMDB no Rio, Jorge Picciani. O resto veio do PSC. Foi também o maior arrecadador do grupo, cuja média de receita nas eleições foi de R$ 575,2 mil.
 

A luta contra a corrupção desanima

Renato Janine Ribeiro
Valor Econômico - 01/08/2011

Escolhi um título que pode somar vários e até distintos significados. Na verdade, a corrupção nos desanima porque, embora a opinião pública a tolere cada vez menos, e tenhamos visto a demissão de vários acusados de mal-feitos, no Brasil e no mundo, restam três grandes problemas.


O primeiro é a suspeita de que o desvio de dinheiro público esteja crescendo, em vez de diminuir. Falo em suspeita e não em certeza, porque a corrupção, quando bem conduzida, não deixa traços. O tempo todo, lemos denúncias de atos corruptos, mas geralmente se trata de casos pequenos ou que foram descobertos devido a erros primários. É possível que os grandes corruptos jamais deixem impressões digitais. Para dar um exemplo: os sistemas de controle do governo federal checam se o funcionário pagou 8 reais por uma tapioca, mas dificilmente descobrem se ele foi subornado.


Em nossos dias, aumentaram a transparência dos gastos públicos e a indignação com os atos de corrupção. Isso é bom. Na ditadura, vivia-se a euforia com obras faraônicas e o sigilo das contas estatais. Mesmo assim, muitos pensam que a corrupção teria aumentado de lá para cá. Para além da questão factual, difícil de responder, fica a sensação de que algo está errado no regime democrático - se este efetivamente, aqui como na França, Estados Unidos e Itália, não consegue pôr fim à corrupção em larga escala.


Também é grave um segundo ponto: a percepção de que castigo, mesmo, não ocorre. Corruptos não devolvem o dinheiro, não são presos nem sofrem penas maiores. Assistimos agora a uma sucessão de denúncias sobre o governo federal. Dois ministros já caíram, sob a suspeita de práticas não-éticas. Ignoramos se houve mesmo corrupção. Não dispomos de provas para condená-los. Mas a opinião pública sentiu-se informada o bastante para se indignar com suas ações e lhes negar a legitimidade ética, que um homem público deve ter como um de seus maiores capitais. Daí, a demissão deles. Contudo, na série ininterrupta de denúncias que vem desde o governo Collor, passando pelos episódios da reeleição e da privatização das teles (governo FHC) e chegando ao mensalão (governo Lula), o fato é que pouquíssimos, se é que alguns, foram realmente condenados e/ou devolveram o dinheiro desviado. Tudo isso faz pesar, sobre o ambiente político, grande descrédito.


Mas o mais grave é o terceiro ponto. Nos parágrafos anteriores, supus uma clara divisão clara entre a minoria de corruptos ("eles" ou, nos debates políticos, "vocês") e a maioria de gente decente ("nós", "nós", "nós"). Ora, cada vez me convenço mais, lendo as manifestações contra a corrupção, de que a grande maioria delas emana de pessoas absolutamente indiferentes à corrupção. "Nós" não estamos nem aí para a corrupção. "Nós" queremos é instrumentalizá-la para fins políticos. Na maior parte dos casos, o que se lê são acusações severas a corruptos, que imediatamente são ligados a um partido. A bola da vez é o PT, mas poderia ser qualquer agremiação. Como ele tem o governo federal e conta com a oposição de vários grandes jornais, é alvejado. Mas lembrem que Alceni Guerra (PFL), ministro de Collor, e Ibsen Pinheiro (PMDB), que presidiu a votação de seu impeachment, tiveram as carreiras políticas truncadas por acusações falsas de corrupção.


O uso da corrupção como álibi para atacar o outro mostra, não só uma cabal despreocupação com as provas dos malfeitos, mas também um completo repúdio a investigar toda denúncia que afete os políticos do "nosso" lado. Se alguém diz que é preciso apurar todas as denúncias de corrupção, custe o que custar, sofre prontamente um ataque de "nós". Vi a revolta de um facebooker porque um jornalista reputado, discutindo o superfaturamento de obras públicas, pediu em seu blog que também fossem investigados casos do governo paulista. Ora, para o indignado seletivo, a corrupção só valia contra a política petista. O que ele condenava não era a corrupção, era o PT. Se a corrupção fosse de outro partido, não cabia investigá-la.


O que é particularmente grave nessa atitude, que está longe de ser rara? É o descaso pela honestidade. Se a corrupção serve apenas para atacar o outro, é porque falta real empenho em combatê-la, em separar o público do privado. O Executivo federal luta no Congresso para evitar CPIs sobre denúncias de corrupção no governo - mas o mesmo acontece com o governo paulista, que aprovou na assembleia CPIs ridículas, para impedir que se apurem acusações a ele. Pelo menos, desde 2003, os procuradores-gerais da República não hesitam em acusar líderes governistas, como no caso do mensalão. Dizia-se, no governo FHC, que o procurador-geral só engavetava acusações. Infelizmente, a corrupção não é monopólio de nenhum partido. Nem a ética.



Diante disso, nosso quase esquecido Rui Barbosa o que diria? Talvez que, "de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos homens, o homem chega desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto." Porque, aqui, não há meio termo. Ou condenamos a corrupção, ou somos seus cúmplices. Condená-la é condenar todo ato de corrupção, é exigir sua apuração, seja qual for o partido ou o governo que a pratique ou tolere. Quem é seletivo é conivente. E, dado que citei o brasileiro que talvez tenha escrito mais difícil em nossa história, a ponto de hoje ser pouco lido porque não se entende o que ele disse, posso terminar indo para o outro lado, o da telenovela, e dizer que na novela "Insensato coração" é muito bom o nome do blog do jornalista Kleber Damasceno, "Impunidade zero". É disso que precisamos.


Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo. Escreve às segundas-feiras