segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

BURACO TUCANO:FALTOU DENUNCIAR OS TUCANOS GRAÚDOS. COMO SEMPRE

05/01/2009

Ministério Público denuncia 13 por homicídio culposo por cratera no Metrô de SP
Rosanne D'Agostino
Do UOL Notícias
Em São Paulo


O Ministério Público de São Paulo apresentou denúncia nesta segunda (5) por homicídio culposo contra 13 pessoas no caso da cratera aberta na linha 4 - Amarela do metrô paulistano, que causou a morte de sete pessoas em janeiro de 2007. Tragédia causou sete mortes em 12 de janeiro de 2007


A denúncia, obtida com exclusividade pelo UOL, aponta técnicos do Consórcio Via Amarela e do Metrô como responsáveis pelo acidente, por negligência e imprudência na realização da obra, o que contribuiu para a tragédia.

A peça, assinada pelo promotor de Justiça Arnaldo Hossepian Junior, responsável pelo caso na área criminal, foi encaminhada à juíza da 1ª Vara Criminal de Pinheiros, que decidirá se abre ação penal contra os acusados. As penas para o crime vão de 1 ano e 4 meses a 6 anos de prisão (em concurso formal, soma-se a pena dos crimes cometidos contra as sete vítimas).

Entre as falhas cometidas pelos acusados, o MP-SP aponta deficiência do plano de gerenciamento de risco, já que o entorno não foi devidamente interditado para o trânsito de veículos e pedestres nos primeiros sinais de ruptura. "A morte das sete vítimas poderia ter sido evitada, independentemente do desmoronamento", afirma a denúncia.

Em nota, o Metrô afirma que "continuará a colaborar intensamente com as autoridades e informa que irá se pronunciar tão logo tenha conhecimento oficial do resultado do inquérito". O Consórcio Via Amarela informou que deverá se pronunciar assim que tomar conhecimento oficial da denúncia.

A denúncia

O Ministério Público levou em conta laudos realizados pelo Instituto de Criminalística, pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e pelo consórcio, composto pela Engenharia Ltda. (Grupo Odebrecht), Construtora OAS Ltda, Alstom Transport S.A. e Construtora Queiroz Galvão S.A. As investigações duraram quase dois anos.

Em agosto, laudo do Instituto de Criminalística descartou a hipótese de que o desabamento da estação Pinheiros tenha sido uma fatalidade, conclusões que contrariaram análise feita pelo consórcio. Enquanto o IC apontava uma série de causas, como as explosões para a abertura dos túneis, o consórcio culpou a presença de uma rocha acima do túnel, de 15 mil toneladas. Laudo do IPT também refutou o consórcio, afirmando que gestão, falhas no projeto e falta de acompanhamento dos sinais de que poderia haver um deslizamento. Mais sobre a tragédia no metrô em SP


Segundo as investigações, já em dezembro foi constatada movimentação anômala, "o primeiro indício de que a obra não seguia de forma regular", mas nada foi feito para evitar acidentes. Além disso, embora o maciço rochoso tenha sido descoberto e citado pelo consórcio, "essa constatação foi simplesmente desprezada quando da elaboração da memória de cálculo [cálculos para a execução da obra]".

"Não obstante a certeza de que o estado de instabilidade estava cristalizado logo nos primeiros dias do mês de janeiro, situação essa que determinou a reunião do dia 11 [de janeiro], já relatada, com a deliberação de realização de reforço nas paredes, as detonações de explosivos no subterrâneo, necessárias para o avanço das escavações, prosseguiram sem nenhuma ressalva", diz a denúncia, sobre encontro em que engenheiros e geólogos envolvidos na execução da obra concluíram que seria necessário reforçar das paredes do túnel com "tirantes", para evitar desabamentos.

Assim, diz o MP-SP, a obra deveria ter sido reavaliada, porém, "ao contrário, decidiu-se pelo aumento da velocidade de escavação, o que se revelou pela quantidade de metros escavados em apenas nove dias".

Pelo consórcio, foram denunciados Fábio Andreani Gandolfo, diretor do contrato firmado com o Metrô, responsável pelo "acompanhamento da obra com a realização de reuniões periódicas"; José Maria Gomes de Aragão, engenheiro de minas e responsável pela execução das obras; os engenheiros Alexandre Cunha Martins e Takashi Harada (terceirizado), responsáveis pela gestão do projeto; o projetista Murilo Dondici Ruiz, o engenheiro Alberto Mota e o geólogo Osvaldo Souza Sampaio, assistentes-técnicos; e Luis Rogério Martinati, que coordenava os assistentes.

Pelo metrô, são alvos da denúncia Marco Antonio Buoncompagno, engenheiro e gerente de construção/projeto da linha 4; José Roberto Leite Ribeiro, responsável pelo departamento de construção civil; Cyro Guimarães Mourão Filho, coordenador da fiscalização de campo da linha 4; e os fiscais de obra Jelson Antonio Sayeg de Siqueira e German Freiberg.

GOVERNO LULA VOA EM CÉU DE BRIGADEIRO


Investimentos da União batem recorde em 2008



O ano de 2008 parece realmente ter sido positivo para o presidente Lula. Além da popularidade recorde apontada em pesquisas, alguns números orçamentários também fecharam o ano a favor do governo. Os investimentos da União (execução de obras e compra de equipamentos), por exemplo, foram uns dos destaques. Os órgãos públicos federais (excluindo as estatais) investiram R$ 26,1 bilhões, a maior marca desde pelo menos 2001, penúltimo ano de governo Fernando Henrique Cardoso (em valores atualizados). O montante foi superior, inclusive, ao registrado em 2007 (R$ 19,2 bilhões) – até então recorde dos últimos seis anos – o que representou um crescimento de 36%. Clique aqui para ver a série histórica.

Os principais investimentos foram nas áreas de transportes, cidades e defesa. Apenas o Ministério dos Transportes foi responsável por desembolsar 23% de toda a quantia investida em 2008, com uma cifra de pouco mais de R$ 6 bilhões (incluindo os chamados restos a pagar – dívidas de anos anteriores roladas para exercícios seguintes). Já o Ministério das Cidades aplicou 18% do valor global da União, ou seja, R$ 4,8 bilhões.

O Ministério da Defesa, por sua vez, investiu R$ 3,9 bilhões no ano passado (veja tabela).Apesar da aceleração em 2008, o ritmo alcançado pelo governo Lula ainda ficou aquém do que estava efetivamente autorizado em orçamento para uso no decorrer do ano. Os R$ 26,1 bilhões investidos equivaleram a pouco menos de 55% da dotação prevista, que era de R$ 47,9 bilhões. Melhor foi a execução dos empenhos (reservas orçamentárias). Mais de R$ 36 bilhões foram empenhados em 2008, ou seja, 76% do que estava autorizado (veja tabela).

Para tentar “salvar” esses recursos previstos em orçamento não pagos efetivamente durante todo o ano, o governo federal realiza o empenho. Apenas em dezembro, por exemplo, foram empenhados R$ 14,2 bilhões para investimentos. Com isso, no total ficaram pendurados para 2009 como “restos a pagar” quase R$ 28 bilhões de 2008 e R$ 12,8 bilhões herdados de anos anteriores. Para o economista Roberto Ellery, da Universidade de Brasília, o excesso de restos a pagar aponta para uma falta de planejamento adequado. “Do ponto de vista das finanças públicas o excesso de restos a pagar pode comprometer a execução de novos projetos do governo, incluindo o PAC”, afirma.

As despesas globais da União com juros, encargos, amortização e refinanciamento da dívida, por sua vez, diminuíram em 2008. Esses itens consumiram R$ 611,7 bilhões em 2007, enquanto no ano passado os gastos caíram para 559 bilhões, uma redução de R$ 63 bilhões. Com essa diminuição das despesas do Orçamento Geral da União com juros e com o aumento da receita, que bateu recordes durante todo o ano, a equipe econômica do governo teve mais munição para aplicar recursos em investimentos. No entanto, o custeio da máquina pública voltou a subir no ano passado. As despesas com pessoal e encargos sociais cresceram 13% entre 2007 e 2008, passando de R$ 125,6 bilhões para R$ 141,9 bilhões. Em 2009 o aumento pode se repetir, pois algumas medidas provisórias que tratam de aumento salarial para setores do funcionalismo público foram aprovadas no Congresso no final do ano. Já os gastos correntes da União, que incluem itens como luz, água, telefone, segurança, material de consumo, etc., pularam de R$ 411,3 bilhões em 2007 para R$ 468,2 bilhões em 2008, um crescimento de R$ 55 bilhões.

Leandro KleberDo Contas Abertas

BOA NOITE

A CAUSA PALESTINA É NOSSA

5 DE JANEIRO DE 2009

O que vinha sendo planejado há meses, como estratégia eleitoral do primeiro-ministro Ehud Olmert, virou, com respaldo da mídia ocidental e seus “especialistas em Oriente Médio", uma compreensível reação aos foguetes lançados por militantes do Hamas contra território israelense. Trata-se de pura falácia, propaganda ideológica barata que trata uma ação de extermínio como se fosse o confronto de forças simétricas.


Por Gilson Caroni Filho, na Carta Maior



A ofensiva militar ao território de Gaza obedeceu a um cálculo frio de custos e benefícios. Os mais de 500 mortos até agora, sendo 87 crianças, tiveram seus destinos traçados em outubro de 2008, quando o partido governista submeteu à apreciação do Parlamento sua dissolução e a proposta de eleições antecipadas.

Além de uma disputa parlamentar acirrada, o ataque à Faixa de Gaza é um recado ao futuro governo estadunidense. Para as lideranças israelenses não há como sobreviver sem um projeto expansionista. A sorte dos dois é indissociável da manutenção da barbárie no Oriente Médio. Sionismo e imperialismo são as duas faces de uma mesma moeda. Obama deve assimilar isso como ensinamento da Torá. Hillary lhe pode servir como excelente guia.

A hegemonia política do fundamentalismo sionista é responsável pelo emprego de métodos de guerra que são comparáveis aos utilizados por outras potências coloniais, ao longo da história, contra a população civil que resistiu à opressão. Transformar o terrorismo de Estado em política aceitável tem sido a tarefa do jornalismo ocidental. Um trabalho tão recorrente quanto a punição coletiva de um povo se mostra aceitável para as “boas consciências” ocidentais.

Mais uma vez o governo israelense, com total apoio dos Estados Unidos, pratica uma aventura bárbara e criminosa, ditada por interesses e conveniências estratégicas. Conta para isso com a cumplicidade covarde das ditaduras e monarquias árabes. As demais potências, como já destacou José Arbex Jr, em artigo para Caros Amigos, “mesmo tendo seus interesses contrariados pela política expansionista da aliança Washington/ Tel Aviv, não têm vontade política nem se sentem com força para impor qualquer limite legal"

Como já tivemos oportunidade de escrever na Agência Carta Maior (O Holocausto Palestino-08/02/2008), desde o massacre no Sul do Líbano, em 82, passando pelo sufocamento de duas intifadas, não é o terrorismo de fanáticos que Israel persegue. Na região conflagrada, o movimento palestino era o mais progressista projeto de resistência, o mais prenhe de valores da modernidade. O mais rico em termos culturais. As pedras dos jovens árabes defenderam da insanidade uma herança cara ao Ocidente. Querer reduzi-los ao Hamas e outros grupos de motivação religiosa é, com apoio logístico da mídia internacional, distorcer a realidade para ocultar contradições mais profundas. Mentir com insistência até que a inverdade assuma ares de realidade inconteste"

Para o historiador Oswaldo Coggiolla “na Faixa de Gaza são visíveis as razões para a resistência dos palestinos. Com uma população de mais de 1 milhão de habitantes, a Faixa de Gaza, chamada de "Soweto de Israel", não é um estado e não foi anexada a Israel. As forças de defesa de Israel controlam toda a fronteira. Se os moradores de Gaza quiserem sair dessa área, precisam obter uma permissão dos israelenses. Muitos palestinos - nascidos a partir de 1967 - nunca saíram da faixa, uma tripa de terra situada entre o deserto de Neguev e o mar Mediterrâneo, que mede 46 km de comprimento e 10 km de largura, aproximadamente"


Em um contexto dessa natureza qual a única forma possível de ação a um povo destituído de qualquer direito? Sem qualquer possibilidade de ser reconduzido a uma unidade territorial que nem de longe lembre a idéia de Estado?


Quando o presidente Shimon Peres rejeita a possibilidade de trégua e diz que o Hamas precisa de “uma lição real”, reafirmando que não tem qualquer interesse em reocupar a Faixa de Gaza, vem à memória a famosa fala de Itzak Rabin na Guerra dos Seis Dias, como comandante do Exército:” Não temos o objetivo de anexar qualquer terreno palestino, sírio ou egípcio. É o caso de se perguntar qual a lição real a ser extraída? A quem interessava que o conflito israelense-palestino, que tinha um caráter nacional, se transformasse em conflito religioso que atinge todo o mundo mulçumano?

Oslo e Mapa da Estrada foram elaborações frustradas pelo extremismo sionista. Em novembro do ano passado, durante a Conferência de Annapolis (EUA), o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, concordaram em realizar um esforço negociador para alcançar um acordo até o final de 2008. Em janeiro de 2009.agentes da ONU informam que a ofensiva terrestre israelense piorou a crise humanitária em Gaza.

Ou assumimos a causa palestina como nossa ou assumimos o papel de integrantes de uma força de ocupação que nega nossos melhores discursos. Não há meio-termo.

LIÇÃO DE DIREITO ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL

PGR opina por extinção de ação do PSDB contra crédito extraordinário


A PGR (Procuradoria Geral da República) enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) o seu parecer sobre a Adin (ação direta de inconstitucionalidade) 4047, ajuizada pelo PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) contra a Medida Provisória 409, de 28 de dezembro de 2007, que abriu crédito extraordinário em favor de diversos órgãos do Poder Executivo, no valor de aproximadamente R$ 750 milhões.

Assinado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, o parecer é pela extinção da ação, sem a resolução do mérito. Ele será analisado pelo ministro Joaquim Barbosa, relator da ação no STF.

Segundo informações da assessoria da PGR, no parecer, o procurador-geral explica que o Poder Judiciário não pode examinar os requisitos de relevância, urgência (a não ser nos casos de evidente abuso por parte do chefe do Poder Executivo, o que não se verificou no processo) e imprevisibilidade, os quais, em conjunto, autorizariam a abertura de crédito extraordinário por meio de medida provisória.

Para ele, os requisitos de relevância e urgência se revestem de caráter político e de gestão pública, cuja apreciação cabe aos Poderes Executivo e Legislativo.

Sobre a imprevisibilidade das despesas que motivaram a abertura do crédito, Antonio Fernando salienta que o Supremo tem de retomar a tese que não admite a sua averiguação por meio de controle abstrato de constitucionalidade, “pois tal investigação, como vinha se posicionando o STF, demanda análise de fatos que não decorrem objetivamente do ato impugnado (a medida provisória)”.

Outra questão apontada no parecer foi o fato da Medida Provisória 409, na opinião do procurador-geral, ser um ato de efeitos concretos, que não se submete à fiscalização abstrata de inconstitucionalidade.

Apesar de sustentar essa posição, o estudo admite que o Supremo possui um novo entendimento sobre a matéria. No julgamento das Adins 4048 e 4049, a Corte passou a admitir, como objeto de fiscalização abstrata de constitucionalidade, medidas provisórias e leis com caráter exclusivamente formal, apesar de seus efeitos concretos. Essas ações também foram propostas pelo PSDB e em impugnação à medida provisória que abriu crédito extraordinário a órgãos públicos.

“É inviável o controle abstrato de constitucionalidade de medida provisória ou de lei que possuam aspecto estritamente formal, sob pena de transformar-se a ação direta, que é processo de índole eminentemente objetiva, em instrumento para dirimir situações concretas”, sustenta Antonio Fernando.

O procurador-geral explica que os créditos extraordinários são destinados a atender as despesas que especifica, sendo, portanto, certos os destinatários da norma e determinado o seu objeto, o que evidencia a concretude dos efeitos da Medida Provisória nº 409, que foi convertida na Lei nº 11.670/2008. A lei foi incluída no objeto da ação, pois ela manteve o teor da medida provisória e pelo fato de a conversão não convalidar eventual irregularidade na abertura de crédito extraordinário.

“No entender do Ministério Público, não há como ser conhecida a presente ação, haja vista o ato impugnado (a medida provisória) não dispor dos requisitos da generalidade, abstração e impessoalidade, o que o torna insubmisso à fiscalização concentrada de constitucionalidade, conforme vinha reconhecendo o Supremo Tribunal Federal”, sustenta, como conclusão, o parecer.

A Adin

Para fundamentar a Adin, o partido alega que a medida provisória ofende o artigo 167, parágrafo 3º, da Constituição Federal, que só admite a abertura de crédito extraordinário para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública.

O PSDB argumenta, ainda, que somente nesses termos encontraria amparo na ressalva contida no artigo 62, parágrafo 1º, inciso I, alínea d, da Constituição, que proíbe a edição de medida provisória em matéria orçamentária.

Segunda-feira, 5 de janeiro de 2009, Última Instância.
Comentário.
Isto é o prenúncio que a ADIN contra o Fundo Soberano ajuizada pelo consórcio DEMO-PSDB-PPS também, se depender da PGR, vai para o lixeiro, junto com os partidos que a ajuizou.

QUE CRISE É ESSA?

5/1/2009
Inflação registra queda na quarta semana de dezembro, indica pesquisa da FGV


Por Redação, com ABr - de São Paulo


O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), registrou queda de 0,52% na quarta semana de dezembro – número 0,09 ponto percentual inferior ao resultado da terceira semana do mês, que foi de 0,61%. Com esse resultado, o IPC-S fechou 2008 com alta de 6,07%, taxa superior a registrada em 2007, quando o índice fechou o ano com alta de 4,6%.

O grupo Alimentação foi o que mais contribuiu para o recuo com a taxa passando de 0,88% para 0,60%. Nesse caso os principais destaques foram as hortaliças e legumes (variaram de 11,48% para 9,55%), adoçantes (de 0,37% para -1,14%) e laticínios (0,66% para 0,25%).

Também registraram recuo os grupos habitação (0,44% para 0,36%), com destaque para Tarifa de Eletricidade Residencial (de 0,48% para 0,29%), educação, leitura e recreação (de 0,39% para 0,37%), destacando passeios e férias (de 2,10% para 1,09%), além de vestuário (de 0,56% para 0,52%), com os calçados como principal fator de contribuição para a taxa (de -0,28% para -0,66%).

Entre os grupos que apresentaram alta estão os transportes (de 0,57% para 0,72%) e despesas diversas (de 0,31% para 0,37%). As contribuições mais expressivas em cada uma dessas classes foram dos itens ônibus urbano (de 0,65% para 0,99%) e alimento para animais domésticos (de -1,21% para 0,78%).

O grupo saúde e cuidados pessoais repetiu a taxa registrada na última apuração – 0,71%. Os destaques em sentido ascendente e descendente foram: artigos de higiene e cuidado pessoal (de 1,07% para 1,21%) e medicamentos em geral (de 0,12% para -0,05%), respectivamente.

NADA DE CRISE

Vendas da Petrobras Distribuidora aumentam 11,3%


Por Redação, com ABr - de Brasília


O bom desempenho da economia brasileira, principalmente nos primeiros sete meses de 2008, fez com que a Petrobras Distribuidora (BR) fechasse o período de janeiro a novembro do ano passado com vendas 11,3% superior a de igual período de 2007, ganhando 0,7 ponto percentual de um mercado de comercialização de derivados onde ela já detinha mais de 34%.

– O ano de 2008 foi excelente para o mercado de combustíveis e, particularmente, para a BR. De janeiro a novembro, comparado com o mesmo período de 2007, houve um aumento nas vendas no varejo de 9,1% para o total do mercado. Mas nós, da BR, conseguimos crescer ainda mais: 11,3%. Isto significou um ganho de 0,7 ponto percentual de market share [participação no mercado] – disse o presidente da distribuidora, José Eduardo Dutra.

No período, segundo Dutra, o mercado como um todo demandou 89 bilhões de litros de combustíveis líquidos – incluindo o etanol e o biodiesel –, mas sem levar em conta o coque, produtos asfalticos e o gás natural comercializados exclusivamente pela subsidiaria da Petrobras.

– É lógico que isso é conseqüência direta do crescimento da economia, que tem reflexos no mercado de combustíveis, incrementando a venda de gasolina e também a dos óleos diesel e combustível – avaliou o presidente da distribuidora.

Dutra destacou o crescimento do consumo de óleo diesel “bem maior do que a inflação”. Segundo ele, as vendas do produto aumentaram 7,8%.

BOA NOTÍCIA PARA OS VELHINHOS

Aposentadoria em meia hora começa hoje


O Ministério da Previdência Social promete dar início hoje à concessão de aposentadorias por idade a trabalhadores urbanos em apenas 30 minutos. A ideia é que, caso o segurado tenha alcançado as condições mínimas para receber o benefício, já saia da agência com a resposta do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em meia hora.

Embora muitos trabalhadores possam não acreditar nessa promessa, o governo garante que é possível conceder a aposentadoria nesse tempo, mesmo que, pela regra antiga, muitas pessoas chegassem a esperar meses na fila para ter o benefício concedido.

Para garantir o prazo de 30 minutos, a Previdência Social começará a usar os dados contidos no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), da Receita Federal do Brasil e do Ministério do Trabalho e Emprego. Esse sistema possui a relação de todos os vínculos empregatícios e contribuições pagas à Previdência pelo segurado.

A diferença é que, antes, cabia ao próprio segurado levar as carteiras de trabalho (CTPS) ou carnês de recolhimento de autônomos à agência para comprovar o tempo de contribuição. Agora, quando alguém chegar à agência para dar entrada no pedido do benefício, o servidor vai acessar o CNIS e identificar se o requerente realmente preenche as condições mínimas para receber a aposentadoria. Na mesma hora, a pessoa poderá conceder o benefício.

Documentos

De qualquer forma, o Cadastro ainda pode ter falhas, pois ainda está em fase de aprimoramento. Portanto, a recomendação é para que o segurado confira as informações obtidas na agência para constatar se não há erros de valores. Se o sistema identificar que não aponta determinado registro trabalhista, será necessário apresentar documentos para comprovar aquele vínculo.

O Ministério da Previdência Social informa que, ao longo do ano, outros benefícios também passarão a ser concedidos em 30 minutos, de forma gradativa(JT).

O PERIGOSO JOGO DA GUERRA

Mário Augusto Jakobskind

E chegamos a 2009, um ano que os futurólogos encontram dificuldades para prever o que vem por aí. Neste início de temporada, em meio a uma crise econômica de alto risco, o mundo assiste a um novo banho de sangue no Oriente Médio. Ao apagar das luzes da desastrosa era Bush e na antevéspera de uma eleição em Israel (fevereiro), o governo de Ehud Olmert decidiu ampliar a caça aos palestinos, uma prática corrente na região há pelo menos seis décadas. Israel recebeu o sinal verde de Washington para bombardear a Faixa de Gaza, governada pelo grupo fundamentalista islâmico Hamas, eleito democraticamente pelos palestinos, numa região em que, diga-se de passagem, eleições são fatos raros.

Deixando de lado os problemas internos palestinos, a disputa entre o Hamas e o Fatah, um cessar fogo de seis meses, que não prevaleceu em toda a plenitude, terminou oficialmente em dezembro. No mesmo dia que o cessar fogo foi firmado, Israel bombardeou túneis, mas a mídia ignorou o fato. Israel utilizou como pretexto para a nova etapa de caça aos palestinos os foguetes do Hamas, a maioria deles artesanais e alguns poucos de melhor operacionalidade, lançados contra o seu território. Pretextos são pretextos, se não fossem os foguetes Kassam seria outra coisa qualquer.

Para tentar entender este sangrento conflito que parece não ter fim, é preciso lembrar que os atuais habitantes da bombardeada Faixa de Gaza (área menor do que Porto Alegre) são filhos, netos e bisnetos de palestinos que foram expulsos de suas terras em Israel ou então saíram por recomendação de governos árabes que imaginavam derrotar o inimigo sionista em pouco tempo. Cada lado tem a sua versão. É possível que ambos estejam certos. A realidade é que nestes 60 anos, palestinos perderam seus lares e vagam em áreas superpovoadas, como Gaza, ou em outras partes do mundo, como, por exemplo, o Chile, onde se encontra a maior colônia palestina no exterior de que se tem notícia.

Outro fator que não pode deixar de ser mencionado é a criação dos assentamentos (colônias) judaicas em território palestino. Sai ano entra ano, os sucessivos governos israelenses aceitam como fato consumado a ampliação desses assentamentos, provocando constantes confrontos, para não falar de um muro (da vergonha) que separa Israel de áreas palestinas. E tudo isso sob o olhar complacente de democratas e republicanos que ocupam a Casa Branca ou a Câmara de Representantes.

A direita israelense, hoje representada tanto pelo partido Kadima, Trabalhista ou Likud, disputa a preferência dos eleitores na base do radicalismo contra os palestinos, a base da solução final. Agora mesmo, é difícil imaginar que Olmert, a chanceler Tzipi Livni e o Ministro da Defesa Ehud Barack tenham decidido de uma hora para outra os bombardeios. Pela envergadura das operações militares, inclusive as incursões terrestres iniciadas no último sábado , está claro que Israel já tinha se preparado há meses. E nada foi feito sem consultas a Washington, de quem Israel é caudatário. Circula inclusive informação segundo a qual o serviço de inteligência russo detectou que porta-aviões estadunidenses no Mediterrâneo estariam ajudando Israel, que aproveitou o embalo dos foguetes Kassam, que são lançados já há tempos, para justificar os bombardeios e incursão terrestre.

Do lado palestino, depois de tantas décadas de sacrifícios e injustiças, apareceu o Hamas como uma resposta à desagregação do Fatah, enfraquecido por uma série de circunstancias, desde a corrupção em suas hostes até a falta de resultados concretos nas negociações com Israel. Eleito, o Hamas entendeu que a resposta ao belicismo de Israel seriam algumas incursões com seus foguetes artesanais ou através de atentados com homens bombas e a retórica sobre a liquidação do Estado inimigo. Só que na prática essa estratégia deu munição aos setores mais belicistas do establishment israelense. Tanto que os partidos que disputam os votos na próxima eleição de fevereiro colocam como ponto principal de suas plataformas a “resposta” ao Hamas, pouco se lixando se a estratégia de liquidação do grupo acarreta morte de crianças, mulheres e civis de um modo geral. Como o Hamas também se alimenta desta forma, na prática os bombardeios o favorecem, pois assim conseguem mais apoio popular.

E, para finalizar, muita gente se pergunta: como explicar o silêncio do presidente eleito Barack Obama em relação aos bombardeios, quando alguns imaginavam que ele resolveria o problema? Teria alguma relação com eventual conselho do seu chefe de gabinete Rahm Emanuel, um cidadão israelense, cujo pai, Binyamin Emanuel integrava um grupo terrorista judaico, o Etzel, da mesma família do Irgun, cuja especialidade era matar palestinos já nos anos 40?

Em suma, como diria o poeta e roteirista francês Jacques Prévert, quelle connerrie est la guerre (que babaquice é a guerra). E para alcançar a paz, israelenses e palestinos teriam de conviver. Mas diante de tanta disseminação de ódio resta saber se a paz ainda é possível. E será que as atuais lideranças, tanto israelenses como palestinas querem a paz ou preferem fazer o jogo da morte?
Direto da Redação.

domingo, 4 de janeiro de 2009

JORNALISTA DA BBC CONTA COMO PASSOU A NOITE SOB ATAQUE EM GAZA




Tanques israelenses atravessaram a fronteira e entraram em Gaza

O jornalista da BBC Hamada Abu Qammar relata o que viu do ataque israelenses à Faixa de Gaza na noite de sábado para domingo.

Qammar é morador da Faixa de Gaza e tem parentes no campo de refugiados de Jebaliya, onde forças israelenses e militantes do grupo palestino Hamas entraram em choque. Israel não está permitindo que jornalistas estrangeiros cruzem a fronteira para a Faixa de Gaza.

Confira abaixo o relato de Qammar.

Na noite passada (sábado), onde eu moro, na parte central da Faixa de Gaza, nós ouvíamos bombas, artilharia e também tiros disparados de helicópteros.

Eu estava observando tudo do topo da casa do meu irmão. Era assustador. Eu também fui para a rua na nossa área. Ela estava virtualmente vazia.


"Um dos seus vizinhos ouviu na rádio local que meu primo morreu, mas eu não consegui confirmar a informação porque não consegui falar com ninguém".


Nós estamos preocupados com os ataques aéreos, especialmente porque os israelenses advertiram uma família que mora aqui perto que eles pretendem destruir a sua casa.

As pessoas aqui ficaram chocadas e entraram em pânico após os primeiros ataques aéreos, há uma semana.

Agora, alguns estão deixando suas casas, não apenas no norte, mas em outros lugares também, onde há algum prédio do Hamas ou mesquita por perto.

Eu vi algumas pessoas se mudando, eles em geral buscam abrigo com parentes e vizinhos.


Eu estou tentando fazer meus filhos pararem de chorar.


Eu acabei de falar com um dos meus primos. Ele vive a cerca de 300 metros do campo de refugiados de Jebaliya. Ele disse que há muitos militantes prontos para disparar contra tropas israelenses, que não estão longe da estrada de Salahuddin, a principal via que liga o norte ao sul.

Ele disse que os militantes estão fazendo muita fumaça para esconder os seus movimentos.

Ele disse que há atiradores, forças especiais e tanques israelenses próximos ao populoso campo da Faixa de Gaza.

Se eles entrarem no campo, as pessoas estão preocupadas que a situação vai piorar ainda mais.

Ele tem dois filhos e há mais 15 pessoas na sua casa. Eles têm um quarto pequeno e estão todos amontoados ali, tentando se manter a salvo. Eles estão com muito medo.

Outro primo meu mora no campo. Um dos seus vizinhos ouviu na rádio local que meu primo morreu, mas eu não consegui confirmar a informação porque não consegui falar com ninguém.

"Durante toda a noite passada, não havia jeito de dormir, com os bombardeios, e não havia jeito de entrar em contato com nossos parentes".

Muitos dos telefones, especialmente no norte, não estão funcionando. É uma situação muito difícil, mas o que nós podemos fazer? Eu não posso nem ir ao escritório da BBC, as tropas israelenses dividiram a Faixa de Gaza.

Essas coisas estão tornando a vida muito difícil das famílias em Gaza, especialmente se elas estão tentando se comunicar entre si.

Nós vivemos com preocupação. Durante toda a noite passada, não havia jeito de dormir, com os bombardeios, e não havia jeito de entrar em contato com nossos parentes. Eu tenho duas irmãs que moram no campo de refugiados de Jebaliya e elas também estavam tentando deixar as suas casas.

Eu estou tentando fazer meus filhos pararem de chorar. Eu tento fazer com que eles brinquem, eu estou com eles agora. Eu só quero que eles ignorem o que está acontecendo ao redor deles. Eles dormiram um pouco durante a noite, mas o som dos bombardeios continua os acordando.

Eu disse ao meu filho que tudo está acontecendo longe daqui, mas ele mesmo disse ter visto dois helicópteros acima de nós. Ele tem seis anos de idade. Ele sabe a diferença entre helicópteros, aviões não-tripulados, F16s... tudo isso.


Colaboração o amigo Gustavo Santos.

AINDA SOBRE A MONSANTO

A Era de Frankenstein

Eduardo Galeano

Em seu romance Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley havia profetizado a fabricação de seres humanos em série. Em tubos de ensaio de laboratórios, os embriões se desenvolveriam de acordo com sua futura função na escala social, desde os alfas, destinados ao mando, até os ipisilones, produzidos para a servidão.

Setenta anos depois, a biogenética nos promete, como presente do recém-nascido milênio, uma nova raça humana. Mudando o código genético das gerações futuras, a ciência produzirá seres inteligentes, belos, saudáveis e talvez imortais, de acordo com o preço que cada família possa pagar. James Watson, prêmio Nobel, descobridor da estrutura do ADN e chefe do Projeto Genoma Humano, predica o despotismo científico. Watson se nega a aceitar limite algum para a manipulação das células humanas reprodutivas: nenhum limite à pesquisa, nem ao negócio. Sem papas na língua, proclama: "Devemos nos manter à margem dos regulamentos e das leis".
Gregory Pence, que dita a cátedra de ética médica na Universidade de Alabama, reivindica o direito dos pais a escolher os filhos que terão, "da mesma forma que os criadores fazem cruzamento buscando o cão mais adequado a uma família".

E o economista Lester Thurow, do Massachusetts Institute of Tecnology, exitoso teórico do êxito, se pergunta quem poderia negar-se a programar um filho com maior coeficiente intelectual. "Se o senhor não fizer isso" -- adverte -- "seus vizinhos farão, e então seu filho será o mais bobo do bairro".

Se a sorte nos acompanhar, as estufas da futura geração irão gerar super-crianças parecidas a esses gênios. O melhoramento da espécie humana já não irá exigir os fornos a gás onde a Alemanha purificou a raça, nem a cirurgia que os Estados Unidos, a Suécia e outros países realizaram para evitar que fossem reproduzidos os produtos humanos de baixa qualidade. O mundo fabricará pessoas geneticamente modificadas, como já fabrica alimentos geneticamente modificados.

2001, odisséia no espaço: já estamos em 2001 e já comemos comida química, como havia anunciado, há mais de trinta anos, o filme de Stanley Kubrick. Agora, os gigantes da indústria química nos dão de comer. Questão de siglas: depois de produtos como o DDT, que finalmente foram proibidos quando já fazia anos que se sabia que davam mais câncer que felicidade, chegou a vez dos GM, os alimentos geneticamente modificados. Dos Estados Unidos, da Argentina e do Canadá, os GM invadem o mundo inteiro, e somos todos cobaias desses experimentos gastronômicos dos grandes laboratórios.

Na verdade, nem sabemos o que estamos comendo. A não ser por raras exceções, as etiquetas dos alimentos não nos advertem que eles contêm ingredientes que sofreram a manipulação de um ou de vários genes. A empresa Monsanto, a principal abastecedora, não inclui esse dado em suas etiquetas de origem, nem mesmo no caso do leite proveniente de vacas tratadas com hormônios transgênicos de crescimento. Esses hormônios artificiais favorecem o câncer da próstata e dos seios, segundo várias pesquisas publicadas em The Lancet, Science, The International Journal of Health Services e outras revistas científicas, mas a Food and Drug Administration dos Estados Unidos autorizou a venda do leite sem menção nas etiquetas, porque afinal das contas os hormônios apressam o crescimento e aumentam o rendimento, e portanto, também aumentam a rentabilidade e o lucro. Primeiro o que vem primeiro, e em primeiro lugar, a saúde da economia. Seja como for, quando a Monsanto é obrigada a confessar o que vende, como no caso dos herbicidas, a coisa não muda muito. Faz alguns anos a empresa precisou pagar uma multa por causa de "setenta e cinco menções inexatas" nos galões do venenoso herbicida Roundup. Foi a preço de ocasião. Três mil dólares por cada mentira.

Alguns países se defendem, ou pelo menos, tentam se defender. Na Europa, a importação de produtos da engenharia genética está proibida em alguns casos, e em outros, está submetida a controle. Desde 1998, por exemplo, a União Européia exige etiquetas claras para a soja geneticamente modificada, mas é muito difícil levar as boas intenções à prática. O rastro se perde em múltiplas combinações: segundo o Greenpeace, a soja GM está presente em 60% de toda a comida processada que é oferecida nos supermercados do mundo.

Nas manifestações ecologistas, um grande peixe azul ergue um cartaz: "Não se metam com meus genes". Ao lado, um tomate gigante exige a mesma coisa. No mundo inteiro multiplicam-se as vozes de protesto. A atitude européia é resultado da pressão da opinião pública. Quando os granjeiros franceses incendiaram os silos cheios de milho transgênico, por causa do dano notório que trazia ao ecossistema, o agitador camponês José Bové converteu-se num herói nacional, num novo Asterix, que alegou em sua defesa: Quando foi que nós, os granjeiros e os consumidores, fomos consultados sobre isso? Nunca.

O governo francês, que havia metido Bové na cadeia, desautorizou os cultivos de milho inventado pela biotecnologia. Algum tempo depois, a empresa norte-americana Kraft Foods devolveu milhões de tortilhas de milho, marca Taco Bell, sufocada pelas queixas dos consumidores que tinham sofrido reações alérgicas. Enquanto isso, a secretária de Estado Madeleine Albright dizia e repetia na Europa, conforme obrigação prioritária da diplomacia dos Estados Unidos: "Não existe nenhuma prova de que os alimentos geneticamente modificados sejam prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente".

Os europeus têm motivos muito concretos para desconfiar das piruetas tecnocráticas na mesa de jantar. Estão escaldados pela sua recente experiência com as vacas loucas. Enquanto comiam pasto ou alfafa, durante milhares de anos, as vacas haviam se comportado com uma cordura exemplar, e haviam aceitado, resignadas, seu destino. Foi assim até que o sistema louco que nos rege decidiu obrigá-las ao canibalismo. As vacas comeram vacas, engordaram mais, ofereceram à humanidade mais carne e mas leite, foram cumprimentadas pelos donos e aplaudidas pelo mercado -- e ficaram loucas de pedra. O assunto deu motivo a muitas piadas, até que começou a morrer gente. Um morto, dez, vinte, cem ...

Em 1996, o ministério britânico de Agricultura havia informado à população que a ração de sangue, sebo e gelatina de origem animal era um alimento seguro para o gado e inofensivo para a saúde humana.

Eduardo Galeano é escritor uruguaio,
autor de "As Veias Abertas da América Latina".

Comentário.
Apesar de o texto ser um pouco antigo, é bem atual.



NÚMERO DE ESCOLAS TÉCNICAS FEDERAIS CRESCE 150%

Domingo, 04 de Janeiro de 2009


Estão em funcionamento em todo o país 75 novas escolas técnicas federais. Dessas, 53 integram a primeira fase do plano de expansão da educação profissional e tecnológica, lançado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005. As outras 22 instituições de ensino fazem parte da segunda fase do plano, apresentado em 2007. Até o fim deste ano, estarão concluídas as 64 escolas da primeira etapa; as demais 150 (segunda etapa) serão entregues em dezembro de 2010. Estão em funcionamento, no total, 215 instituições.

As regiões Norte e Nordeste receberam 28 das 75 novas escolas, mas esse número deve chegar a 44 até março, quando outras 16 entrarão em funcionamento. "Queremos oferecer mais oportunidades aos jovens e adultos dessas regiões, que historicamente apresentam maior déficit educacional", ressalta o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação, Eliezer Pacheco.

Na implantação das escolas e na definição dos cursos oferecidos foi determinante a vocação econômica de cada região. "Assim, a possibilidade de o mercado absorver os novos profissionais aumenta", explica o secretário. Ao final das duas fases da expansão, em 2010, o país contará com 354 escolas técnicas. O crescimento da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica nos últimos quatro anos é o maior da história do país. As 140 escolas que existiam até 2002 foram construídas no período de 93 anos iniciado em 1909. O número total de novas escolas representará crescimento de 150%.

Além disso, a política de expansão prevê estratégias de interiorização, valorização profissional e abertura de oportunidades para jovens e adultos. "Quando todas as escolas estiverem concluídas, as matrículas da rede terão saído de 160 mil, em 2003, para 500 mil", afirma Eliezer Pacheco.

Estudos comprovam que grande parte da evasão escolar de jovens do ensino médio ocorre por falta de perspectivas. Os últimos dados disponíveis, de 2005, demonstram que 10% dos estudantes do ensino médio abandonaram as salas de aula. Além disso, a taxa de repetência para o mesmo período é de 22,6% entre estudantes do ensino médio. "A evasão e a repetência em cursos técnicos são muito menores do que em cursos regulares", ressalta Eliezer.

Leia a matéria completa no Portal do MEC,
Blog do Ale Porto.
Colaboração da amiga Nancy Lima.

O IMPRENSALÃO ESTÁ PERDIDO

Os parlamentares da oposição em férias - convenhamos isso é uma benção-, a mídia fica perdida. Sem a malcheirosa matéria-prima dos ferozes e virulentos políticos que diariamente enchem o saco de todo mundo com suas verborragias nas tribunas do Congresso, a mídia está sem assunto. O Estadão, atordoado ainda com a alta popularidade do Presidente Lula, publicou uma matéria requentadissima sobre suas viagens internacionais. Diz a matéria que o Presidente Lula dedicou no segundo mandato 138 dias à agenda internacional. A mídia sabe em detalhes o que o Presidente Lula fez nessas viagens, sabe muito bem que elas foram necessárias. Foram assinados acordos bilaterais e multilaterais de cooperação, de investimentos, de exportações, etc. Agora a presença do Brasil é obrigatória nos grandes eventos internacionais, e na maioria das vezes os governos e organismos internacionais exigem o comparecimento do Presidente Lula. Leiam o que diz o coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional da USP e presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais, Gilberto Dupas: "O Brasil vem acentuando seu papel protagonista - seja porque se tornou ator internacional mais relevante, seja porque o G-20 solicitou mais presença ou porque, com a crise econômica e a posse de Barack Obama, nos EUA, o Brasil é visto como capaz de ajudar a construir consensos. Lula se transformou, pessoalmente, em figura emblemática lá fora", avalia ele. "No exterior, entre as elites, ele(Lula) é visto como um centro de referência, de democratização do poder. Essa circulação internacional, longe de desgastá-lo, acentuou essas características. Tensões na América Latina - como os atritos entre a Bolívia e a Petrobrás e o entrave entre a Odebrecht e o Equador - também explicam a agenda reforçada na vizinhança", diz o professor. Segundo ele, o momento exigiu essa movimentação. O que é motivo de orgulho para o Brasil, a mídia transforma em crítica e ainda compara com as viagens feitas por FHC. FHC só fazia suas viagens internacionais de recreio, e na volta lançava pacotes que prejudicavam o povo brasileiro, além de aumentar a divida externa com empréstimos junto a bancos internacionais e ao FMI. No mandato de FHC a dívida pública saltou de R$ 65,8 bilhões para R$ 960 bilhões. No governo Lula, a dívida externa caiu de US$ 214,9 bilhões, em dezembro de 2003, para US$ 169 bilhões (dos quais só US$ 83 bilhões são de dívida externa pública) em fevereiro de 2006. O governo federal quitou com dois anos de antecedência a dívida com o Fundo Monetário Internacional - FMI. Não dá para comparar o governo Lula com a o governo de heranças malditas de FHC. Mas, voltando ao assunto viagens internacionais, o Estadão deveria informar ao leitor, ao público, por que o Serra faz tantas viagens internacionais. Vai aos EUA, vai ao Japão, a Londres, como fez em 2008, em plena época de definição do candidato do seu partido a prefeito, e nenhuma explicação é dada, e nem cobrada pelos jornalões de SP. O povo sabe muito bem o que o Presidente Lula vai fazer nas suas viagens ao exterior. Sabe o que ele fala, com quem conversa, o que conversa, quais os acordos que assina, quais os benefícios que essas viagens trazem para o Brasil. E o Serra, o que faz no exterior? Com quem se reúne? O que conversa, o que assina? Está endividando o estado de SP com empréstimos internacionais? Se alguém souber o que ele faz nas viagens internacionais, por favor conte, o povo quer saber, o povo tem o direito de saber. Por que a mídia esconde as viagens do Serra ao exterior? Quantas viagens Serra já fez ao exterior desde que foi eleito prefeito e governador de SP? Alguém sabe? Jussara Seixas. www.por1novobrasil.blogspot.com

BOA NOITE

MONSANTO ESCANCARADA


Livro-reportagem expõe abusos da Monsanto. Baseada em três anos de pesquisas e investigações, a jornalista francesa Marie-Monique Robin desmascara as atividades da empresa estadunidense: subornos, contrabandos e manipulações
Hideyo Saito

(09/12/2008)

Contrabando de sementes transgênicas para sua introdução clandestina no Brasil. Manipulação de dados científicos em seu proveito. Propostas de suborno a entidades sanitárias reguladoras.
Esses são alguns dos fatos narrados no livro “O mundo segundo a Monsanto”, da jornalista francesa Marie-Monique Robin, cuja edição brasileira foi lançada na segunda-feira, 8 de dezembro, no Anfiteatro de Geografia, na USP, com a presença da autora. A obra é resultado de três anos de pesquisas e entrevistas em diversos países, entre os quais o Brasil, que permitiram à autora traçar as atividades da Monsanto, empresa estadunidense fabricante de organismos geneticamente modificados (OGM), atribuindo-lhe responsabilidade por iniciativas como as mencionadas no início desta nota.

A jornalista produziu primeiro um documentário com o mesmo título, que chocou o público europeu ao ser exibido pela TV Arte (franco-alemã), no início deste ano. A versão em livro, preparada em seguida, tornou-se best-seller na França, com mais de 80 mil exemplares vendidos até o momento e direitos de tradução negociados para mais de 10 idiomas e países da Europa, Américas e Ásia.

A edição brasileira tem prefácio da ex-ministra Marina Silva. O lançamento na capital paulista terá a exibição do documentário e, em seguida, um debate com a jornalista francesa moderado pela professora Larissa Mies Bombardi, da Faculdade de Geografia. No dia seguinte, a autora do livro participará de novos atos de lançamento, na Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba, e em um acampamento do Movimento dos Sem-Terra, no interior paulista. Nos demais dias da semana, estará no Rio de Janeiro, em Brasília, onde falará para deputados e senadores no Congresso Nacional, e em Curitiba, para uma audiência com o governador Roberto Requião.

Agente laranja

“O mundo segundo a Monsanto” conta a participação da empresa, sediada em Saint Louis (Missouri, EUA), no Projeto Manhattan, que deu origem à bomba atômica, na produção do agente laranja, desfolhante utilizado na Guerra do Vietnã, e nos atuais organismos geneticamente modificados, que procura apresentar como arma no combate à fome mundial.

A julgar por esse respeitável currículo, é bom que fiquemos sempre de sobreaviso quanto às atividades da transnacional. Basta relembrar o caso do agente laranja, utilizado maciçamente no período de 1962 a 1970 sobre as florestas vietnamitas. O objetivo era desfolhar as árvores, para dificultar o uso das matas como esconderijo pelos guerrilheiros vietcongues. Ocorre que esse produto contém uma variação da dioxina chamada TCCD, que é um potentíssimo veneno. Além de secar as árvores, o veneno acabou contaminando a terra e a cadeia alimentar. As denúncias que apontavam esse efeito na época não surtiram efeito e os Estados Unidos continuaram a despejar toneladas do veneno em solo vietnamita.

O resultado é que, quase 35 anos após o fim da guerra, ainda existem 150 mil “bebês de agente laranja”, que nasceram com pés e mãos deformados, dificuldades de fala e cérebros severamente afetados. Mas o total das vítimas vivas com sérias seqüelas ultrapassa a casa do milhão. Segundo a Cruz Vermelha do Vietnã, é fácil rastrear a origem desses problemas e chegar ao agente laranja. A Monsanto é uma das oito empresas apontadas como co-responsáveis por esse crime contra a humanidade.

Semente contrabandeada no Brasil

O Brasil é contemplado no livro, de forma especial, no capítulo "Paraguai, Brasil, Argentina: a República Unida da Soja", em que a autora relata a introdução clandestina de sementes transgênicas no país. Quando as autoridades brasileiras acordaram para o fato, havia dezenas de milhares de agricultores utilizando a semente geneticamente modificada de forma ilegal. Foi uma política de fato consumado que obrigou o governo Lula a, enfrentando protestos de ambientalistas, legalizar centenas de hectares plantados com grãos contrabandeados.

O livro mostra ainda os perigos do crescimento das plantações de transgênicos no mundo. Ainda mais porque a Monsanto detém 90% das propriedades genéticas das sementes OGM e costuma utilizar seu poderio para obter aval de cientistas, cumplicidade de autoridades reguladoras e silêncio da mídia para não ser atrapalhada em sua trajetória. A denúncia da jornalista francesa recoloca a transnacional no centro do debate sobre os benefícios e os riscos do uso de grãos geneticamente modificados. Marie-Monique Robin conta no livro que tentou ouvir a versão da Monsanto sobre as acusações, mas a empresa preferiu não respondê-las.

Colaboração da amiga Nancy Lima.

sábado, 3 de janeiro de 2009

TUCANO CORRUPTO NÃO CONSEGUE LIMINAR

Acusados de comprar bens com dinheiro público não obtêm liminar preventiva


O prefeito eleit0 e o secretário de finanças do município de Tarauacá (AC), Erisvando Torquato do Nascimento(PSDB-AC) e José Ulineide Benigno Gomes não conseguiram liminar no habeas corpus preventivo impetrado no STJ (Superior Tribunal de Justiça). O vice-presidente tribunal, no exercício da presidência, ministro Ari Pargendler, indeferiu a pretensão de impedir uma possível prisão.

Ao negar o pedido, o ministro considerou que a probabilidade do tribunal estadual deferir a prisão preventiva não dá ensejo ao pedido de medida liminar, pois não há ameaça iminente e objetiva à liberdade.

Segundo informações da assessoria do tribunal, o mérito do habeas corpus deverá ser apreciado depois que forem recebidas as informações solicitadas pelo ministro e o parecer do MPF (Ministério Público Federal). O caso será apreciado pela 5ª Turma.

O prefeito e o secretário são alvos de um inquérito policial para apurar a suposta compra de bens particulares com dinheiro público.

A prisão provisória de ambos foi requerida pela Polícia Federal sob o argumento de que, soltos, eles poderiam prejudicar a produção de provas, intimidando funcionários e produzindo documentos que simulassem uma falsa realidade.

O principal fundamento da defesa foi o de que o Judiciário local estaria na iminência de decretar a prisão dos investigados em flagrante ameaça ao direito de ir e vir deles.

Sábado, 3 de janeiro de 2009, Última Instância.

AS ENERGIAS DO BRASIL


02/01/2009

Luiz Pinguelli Rosa*


Os choques do petróleo de 1973 e 1979 inseriram o planejamento energético no centro da política dos Estados nacionais. No Brasil, foi o tempo da ida da Petrobras para o mar em busca de óleo offshore e do programa do álcool, ambos bem-sucedidos. A queda do preço do barril na segunda metade da década de 1980 retirou a energia do cenário político. Na década de 1990, a doutrina neoliberal dominante se opôs ao papel do Estado na energia, reduzindo-a à dimensão econômica de mercado. O petróleo teve o preço baixo garantido pelo poder americano após o colapso soviético, minimizando as turbulências nas áreas produtoras, como o Oriente Médio. O barril chegou a 10 dólares no fim do século XX, e quem previsse seu aumento era renegado pelo mainstream da economia.

O gás natural, um produto em parte associado ao petróleo, também teve seu preço garantido por contratos. A expansão da energia elétrica foi assegurada pelas privatizações, que a integraram como um bom negócio na economia globalizada, atraindo as grandes empresas transnacionais. Restou ao Estado o papel regulador para dirimir conflitos de interesses.

A desregulamentação da energia foi apenas uma parte do processo de liberalização da economia sob a globalização financeira, cujo resultado, contingente ou necessário, foi a crise mundial de 2008. No caso da energia, somou-se à crise ambiental, com o efeito estufa, outro grande problema político, pois se trata de escolhas da sociedade que não cabe às empresas fazerem sozinhas.

O preço do barril de petróleo subiu de 10 dólares até mais de 20 dólares na virada do milênio. Em 2007, chegou a mais de 70 e, em julho de 2008 alcançou 147 dólares, caindo a seguir para menos de 50 dólares. O gás natural, por sua vez, ocasionou anteriormente problemas entre a Rússia e a Europa e entre a Argentina e o Chile, tanto quanto ou mais do que o ocorrido entre a Bolívia e o Brasil. Na energia elétrica, houve colapsos que desligaram centros urbanos por muitas horas no Brasil e nos Estados Unidos, bem como racionamentos sérios em 2001, por muitos meses ou por todo o ano, aqui e na Califórnia.

A energia voltou a ser uma questão política no mundo. No Brasil, a retomada do desenvolvimento implica dar atenção ao tema. A política do petróleo deve ser integrada em uma política de combustíveis, por sua vez enquadrada dentro de uma política energética, envolvendo também a energia elétrica, na qual se inclui a geração termoelétrica, e as fontes renováveis de energia. Isso ainda deverá ser feito. O Brasil utiliza combustíveis da biomassa renováveis – o álcool, o bagaço de cana, a lenha e o carvão vegetal – e expande o biodiesel, ao passo que, no mundo, os combustíveis usados em grande escala são de origem fóssil, como o carvão mineral, os derivados de petróleo e o gás natural. O consumo do carvão mineral, cujas reservas mundiais são grandes, mantém-se alto em nível, apesar de seu impacto nas emissões de gases de efeito estufa. No Brasil, o consumo é restrito ao coque importado, além de algumas termoelétricas no Sul.

Os efeitos do pré-sal

As projeções das reservas de petróleo não apresentam um encurtamento tão drástico do tempo de vida, como alguns autores previram, tampouco esse tempo é muito longo. Considerando o petróleo convencional, inclusive a recuperação terciária do restante deixado nos poços já explorados, as reservas entrarão em declínio em poucas décadas. Caso se inclua o petróleo não convencional, como os óleos pesados venezuelanos, os de águas extremamente profundas e o xisto betuminoso, o prazo se dilata relativamente. O gás natural, por sua vez, tem reservas para um tempo maior do que o petróleo convencional. Embora haja muitas incertezas, a tendência futura é de preço alto do petróleo, ainda que não deva permanecer na faixa recentemente atingida. Contribui para esse aumento o forte crescimento da demanda da China.

Isso sugere a necessidade de um critério para uso das reservas brasileiras, além da auto-suficiência que se configurou nos últimos anos, graças ao êxito da Petrobras. Elas não eram muito grandes em termos mundiais, o que torna questionável a exportação de petróleo, além daquele para compensar a importação de derivados e petróleo leve para o blend com o óleo pesado nacional no refino. A descoberta do petróleo no pré-sal muda essa situação? Até que ponto? Essas perguntas têm de ser respondidas.

As descobertas do poço de Tupi e, sucessivamente, da área petrolífera do pré-sal sob o mar, ao longo do litoral do Espírito Santo a Santa Catarina, revolucionou a situação do petróleo no País. Não é adequado aos interesses nacionais simplesmente fazer leilões periódicos de blocos para a exploração do petróleo. Concorrem nos leilões grandes empresas estrangeiras – ou, raramente, empresas privadas nacionais – e a Petrobras.

As descobertas têm base no acúmulo de conhecimento da Petrobras sobre a geologia das áreas promissoras. Os defensores da mudança do regime do monopólio constitucional do petróleo, no governo Fernando Henrique Cardoso, argumentavam que as empresas mundiais viriam liderar o setor petrolífero no Brasil. Entretanto, a Petrobras se consolidou. É a líder mundial na exploração em águas profundas no mar. Seus competidores preferem em muitos casos se associar a ela em parcerias.

A descoberta no pré-sal gerou a expectativa de acrescentar às reservas nacionais de 14 bilhões de barris outros 30 bilhões ou 80 bilhões. A diferença das estimativas estabelecerá a distinção entre uma posição confortável para atender ao crescimento e à demanda interna e a posição de se tornar um exportador de petróleo.

O Brasil adotou, com a reforma constitucional realizada há dez anos, o sistema de concessões, mas há outras opções, como o sistema contratual com partilha da produção ou prestação de serviços. Nas concessões, o petróleo extraído pertence à empresa petrolífera, que paga taxas, royalties e participações especiais ao governo. Países ricos como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Noruega adotam esse sistema, também utilizado por algumas nações em desenvolvimento. Entretanto, outros emergentes utilizam o sistema contratual, como a China, a Índia e, na América do Sul, a Venezuela. Também a Rússia usa esse sistema. O petróleo produzido não pertence à empresa petrolífera. No contrato de partilha, é repartido entre ela e o país. No contrato de prestação de serviços, em vez da partilha, há a remuneração do trabalho da empresa. Uma possibilidade sugerida no debate é aumentar substancialmente as obrigações pagas pela empresa de petróleo, que chega, em alguns países, a até 80% da receita.

Outra possibilidade é a exploração ser feita pela empresa estatal, o que ocorre, com freqüência, nos grandes produtores de petróleo. Como a Petrobras, embora controlada pela União, tem grande porcentual de suas ações vendido na Bolsa de Nova York e remete muito em dividendos ao exterior, foi posta em discussão a criação de uma empresa estatal responsável pela exploração do pré-sal. A tecnologia detida pela Petrobras, entretanto, teria de ser utilizada pela nova companhia. O petróleo de Tupi está a 6 mil metros de profundidade, abaixo de 2 mil metros de lâmina de água no mar. A exploração em tais condições é cara e exige investimentos importantes. Não há uma solução simples. Infelizmente, a crise mundial tirou a questão do petróleo da prioridade do governo, obstruindo o rico debate público que vinha sendo realizado.

Finalizo esta parte com duas questões. Primeiro: é conveniente para o Brasil apostar todas as cartas na produção de petróleo a ponto de se tornar um grande exportador em detrimento da diversificação da sua produção? Aqui se apresenta o problema da doença holandesa na teoria econômica. A Noruega foi bem-sucedida, mas é um país pequeno que já tinha seus problemas sociais equacionados quando as reservas do Mar do Norte foram descobertas. Segundo: qual o efeito da crise nos investimentos no pré-sal, com a queda do preço do petróleo?

Do problema do gás à questão com o Paraguai


O gás natural tem sido objeto de debate, com destaque para a necessidade de definir melhor sua participação na geração elétrica, inclusive na distribuída fora das redes, bem como para injetar o excedente de energia na rede elétrica como uma usina virtual distribuída. De outro lado, ampliou-se o uso nos veículos, na indústria e nas residências. Esses pontos se relacionam ao problema das relações com a Bolívia após a nacionalização das reservas. No setor elétrico, o novo modelo avançou em relação ao anterior, voltado para a privatização. A criação da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para o planejamento do setor foi importante.

Entretanto, há pontos ainda polêmicos que carecem de debate. Muitas das questões dizem respeito à transição malfeita do antigo para o novo modelo, em decorrência da herança deixada por um processo de privatizações malsucedido e, em particular, pelas seqüelas do racionamento de 2001.

Entre esses pontos, destacam-se: a energia hidrelétrica mais barata está sendo substituída por energia termoelétrica mais cara, o cancelamento dos contratos iniciais das geradoras elétricas federais, determinado pelo governo, que manteve a regulamentação anterior voltada para a privatização, e a manutenção de contratos de termoelétricas onerosos ao consumidor.

No fim de 2006 e 2007, cresceu a preocupação a respeito de um novo apagão. Mas a situação foi diferente da ocorrida em 2001. As chuvas foram favoráveis. Os reservatórios de hidrelétricas tinham níveis em média acima da curva de aversão ao risco, definida como limite a ser evitado. Se as chuvas não forem favoráveis no futuro próximo, com a economia crescendo significativamente, pode haver um risco de racionamento maior que o desejável.

As termoelétricas devem dispor de gás. A Petrobras remanejou o produto de outros usuários para operar as termoelétricas. Tudo isso revela que há problemas no novo modelo a serem corrigidos. Por exemplo, há os consumidores livres, que compraram a energia hidrelétrica barata. As grandes indústrias intensivas absorvem 30% da energia elétrica do País, fora do sistema atendido pelas concessionárias com tarifas altas.

Uma termoelétrica operará em complementação às hidrelétricas, pois não faz sentido verter água enquanto se queima gás, fóssil e importado. Nos contratos usuais, paga-se pelo uso de gás sem interrupção. Foi uma atitude positiva a Petrobras ter começado a importação de gás natural liquefeito por navios, pois pode ser interrompida conforme a necessidade. As termoelétricas estão sendo introduzidas sem considerar o sistema hidrelétrico brasileiro.

Os leilões de energia levaram as termoelétricas a carvão e a diesel, caras e poluentes, emitindo mais gases de efeito estufa. O governo deve dar mais atenção às fontes renováveis, entre elas a geração hidrelétrica, embora deva reconhecer seus problemas ambientais, incluindo emissões de metano.

Quando presidi a Eletrobrás, a empresa assumiu o compromisso de comprar energia de usinas eólicas e de biomassa e de pequenas hidrelétricas do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), totalizando 3,3 GW, e foram feitos investimentos na duplicação de Tucuruí, nas duas novas turbinas de Itaipu e na hidrelétrica de Peixe Angical, em parceria de Furnas com a empresa EDP. Além do projeto do rio Madeira, foi muito reduzida a área inundada no projeto de Belo Monte. Mas concordo que as regras ambientais têm de ser obedecidas. Cabe ao governo convencer a sociedade da qualidade dos projetos.

E discordo da substituição de futuras hidrelétricas por reatores nucleares, como se cogita. Caberia ao Grupo Eletrobrás um papel maior, e a gestão das suas empresas deveria ser realizada por um conselho formado por seus presidentes. Além disso, tais empresas deveriam ser retiradas da partilha dos partidos da base parlamentar.

Passando ao outro desafio, o presidente do Paraguai quer a revisão do acordo de Itaipu. A usina binacional tem dívida de 19 bilhões de dólares com a Eletrobrás e com o Tesouro brasileiro, pois foi o Brasil que construiu a usina e obteve seu financiamento. Essa dívida é amortizada pela tarifa paga pelos consumidores, que, na maioria, são brasileiros.

Metade da energia gerada por Itaipu pertence ao Brasil e metade ao Paraguai, que consome cerca de 5% do que lhe cabe. Pelo acordo, a Eletrobrás compra os restantes 95%, pagando um valor que, por muitos anos, era alto. Uma cota compulsória da energia de Itaipu teve de ser estabelecida no governo Ernesto Geisel para empresas elétricas brasileiras. Hoje não é mais cara, comparativamente, pois a energia elétrica gerada no Brasil encareceu desde as privatizações. O que se paga pela energia de Itaipu (US$ 42/MWh) é da ordem de grandeza do preço previsto da geração pela hidrelétrica de Santo Antônio, a ser construída no rio Madeira (R$ 78/MWh).

Deve-se ter em conta na negociação que, desde a primeira eleição de Lula, algumas concessões foram feitas beneficiando o Paraguai. Na transição, em dezembro de 2002, foi reduzida a quantidade de energia de Itaipu contratada pela Ande, estatal elétrica paraguaia. Com isso, o Paraguai foi favorecido em cerca de 80 milhões de dólares anuais que deixam de ser pagos pela Ande a Itaipu. A taxa de cessão de energia subiu de US$ 1,70/MWh para US$ 2,80/MWh, dando mais 25 milhões de dólares anuais. Finalmente, foi retirado o fator de ajuste da dívida pela inflação americana.

O que não deverá ser admitido na negociação é que a parte da energia de Itaipu pertencente ao Paraguai possa ser colocada no mercado para a Argentina e o Chile, perdendo o Brasil o direito de dispor dela por meio da Eletrobrás. Itaipu supre cerca de 19% da energia elétrica do País. O Itamaraty deve chegar a um bom termo na negociação, como fez no caso do gás natural boliviano.

Biocombustíveis, alimentos e desmatamento


Intensificou-se o debate internacional sobre os biocombustíveis, acusados de contribuir ora para a alta de preços dos alimentos, ora para o desmatamento da Amazônia. Há grandes interesses em jogo, como em tudo o que diz respeito à energia. O presidente da República tem defendido o álcool produzido no Brasil em conferências internacionais.

A vantagem dos biocombustíveis, como o álcool, é que, no crescimento do vegetal, ele absorve da atmosfera o CO2 emitido na combustão do álcool nos carros. Do ponto de vista do aquecimento global, em virtude das emissões de gases que agravam o efeito estufa – como o CO2 produzido na queima de carvão, derivados do petróleo e gás natural –, o álcool de milho pouco adianta como substituto da gasolina. Para se ter uma idéia, a redução das emissões de CO2 é de apenas 20%. Já a cana dispõe de um excedente de biomassa sob a forma de bagaço que é utilizado na produção do álcool. A proporção é invertida: a redução das emissões chega a 80%. E pode ser ainda maior, caso se passe a usar álcool com aditivo ou biodiesel nos tratores e caminhões usados na colheita.

O álcool de milho nos Estados Unidos é subsidiado e, diferentemente do brasileiro, feito de cana, afeta o preço do cereal e reflete em outros alimentos. Ademais, a captura de CO2 do ar no crescimento da cana iguala aproximadamente a sua emissão na produção e no consumo do álcool. Logo, é efetiva para evitar emissões de gases que contribuem para o aquecimento global ao substituir a gasolina.

Em segundo lugar, a disponibilidade de biomassa pode aumentar, ao se evitar a queima das folhagens em virtude da utilização crescente da mecanização na colheita da cana. Isso traz a vantagem de abolir o trabalho árduo dos bóias-frias e, ao mesmo tempo, a desvantagem de reduzir empregos. O excedente de bagaço e as folhagens podem servir para gerar eletricidade para a rede, com substituição do gás natural e de outros combustíveis, até carvão e diesel, que infelizmente vêm tomando o lugar da hidreletricidade na expansão da geração elétrica.

Dois outros pontos favoráveis ao álcool de cana são o menor custo e o menor uso da terra, por conta de sua maior produtividade em litros por hectare, em relação ao álcool de milho. Finalmente, o milho para o álcool nos Estados Unidos acaba por competir com a produção de alimentos, em virtude da área plantada, dos subsídios e do fato de o próprio milho ser um importante item utilizado na alimentação humana e de animais.

A cana, por sua vez, ocupa no Brasil somente 7 milhões de hectares, dos quais 3 milhões são destinados para o açúcar e 4 milhões ao álcool. Já a soja, em grande parte para exportação, ocupa 23 milhões de hectares (Mha). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), temos 152 Mha de área agricultável, da qual só utilizamos 62 Mha, e há 177 Mha de pastagens. Excluídos os 440 Mha de florestas nativas, dispõe-se de 90 Mha para expandir a agricultura sem desmatamento e sem considerar a conversão de pastagens degradadas.

O consumo de gasolina nos Estados Unidos é de 10 milhões de barris/dia. A expectativa é aumentar o porcentual de álcool para 20%, algo como 140 bilhões de litros de álcool por ano, considerando 1,3 litro de álcool para cada litro de gasolina. Poderá o Brasil suprir esse mercado? Como o Brasil produz 23 bilhões de barris por ano, teria de ocupar para o álcool uma área seis vezes maior, ou seja, 24 Mha, parte significativa da área agricultável não usada sem desmatar. Não levamos em conta o aumento de produtividade por hectare nem o aumento do consumo interno e outros mercados externos. Apenas uma parte da área disponível é adequada ao plantio da cana e é econômica e socialmente viável para os biocombustíveis, como álcool e biodiesel, ambos em crescimento no mercado interno. Até o momento, o biodiesel no Brasil vem sendo produzido a partir da soja, contrariamente à expectativa do governo. A soja para exportação tem pressionado o desmatamento da Amazônia.

Portanto, a expansão do álcool para o mercado interno não apresenta problema no uso da terra, mas o atendimento do mercado externo potencial necessitaria de área significativa. Devemos levar em conta, ainda, a expansão de culturas para alimentos. Fica a questão: é conveniente para o Brasil se tornar um grande exportador de energia?

A política de combustível do governo incluiu, agora, o biodiesel e deu ênfase ao álcool motor, cujo crescimento acentuou-se pelo uso de motores flexíveis, que permitem a mistura de álcool e gasolina, e pela alta do preço internacional do petróleo. Os motores flexíveis são adaptados e, quando se usa o álcool sem a gasolina, o rendimento cai. O consumo de álcool por quilômetro é maior do que poderia ser em carros a álcool puro, cuja taxa de compressão é aumentada para compensar o menor poder calorífico. Devem-se aperfeiçoar os motores flexíveis para superar essa perda de eficiência. No biodiesel, o problema é a diversidade de matérias-primas, que produzem óleos com características diferentes, alguns com problemas que estão sendo resolvidos. Não há problema na fase atual de adição de até 2% de biodiesel ao diesel. A mamona de pequenos produtores foi estimulada, mas cresceu o uso da soja. Um avanço importante paralelo ao biodiesel foi o uso de óleos vegetais no refino pela Petrobras (Hbio).

*Luiz Pinguelli Rosa é diretor da Coppe/UFRJ. Foi presidente da Eletrobrás

SERRASSUGA DOBRA GASTOS COM PUBLICIDADE EM 2009 DE OLHO EM 2010

Serra vai dobrar gastos com publicidade

Governador de São Paulo, do PSDB, utiliza dinheiro público em 2009 de olho no pleito eleitoral do ano seguinte



29/12/2008

Eduardo Sales de Lima

da Redação

Ano que vem a publicidade dobra, o transporte terá mais dinheiro, e a educação, menos. À primeira vista, é isso que salta aos olhos de quem lê o Projeto da Lei Orçamentária do Estado de São Paulo para 2009, proposto pelo governo José Serra à Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Atendo-se à publicidade, o governo tucano terá a sua disposição R$ 313 milhões para o setor de comunicação social no ano que antecede a eleição para presidente. Quase o dobro do valor de R$ 166 milhões gastos neste ano nessa área.

O líder do governo tucano na Assembléia Barros Munhoz justificou publicamente que o dinheiro não será empenhado para gastos pessoais do governador, mas sim para campanhas publicitárias que têm a intenção de divulgar ações governamentais que necessitam da participação direta do contribuinte, como a Nota Fiscal Paulista.

Mas o deputado Raul Marcelo (Psol/SP) discorda. “Configura-se de forma clara que isso (o excesso de verbas para a publicidade) tem um componente eleitoral para 2010”, afirma.

Ele pondera, ainda, que eticamente, além do objetivo eleitoral, o dinheiro está sendo investido no lugar errado. “Só a cidade de São Paulo tem 1,3 milhão de desempregados; além disso, o Estado possui 1 milhão de terras devolutas, e esses recursos poderiam ser utilizados para fins de reforma agrária” analisa o deputado.

Já o economista Eduardo Marques, compara os números. São R$ 313 milhões empenhados somente para o setor da publicidade em 2009. Com esse dinheiro, seria possível a construção de 156 escolas públicas, ou 6 hospitais de grande porte, ou ainda 10 mil moradias populares. Marques fez parte da assessoria técnica da bancada estadual do PT na Alesp que apresentou, no dia 9 de dezembro, uma análise crítica sobre o total da peça orçamentária para 2009.

Marques, que também integra o Fórum Paulista de Orçamento Participativo, critica – além do excesso de gastos para o setor da publicidade – a ausência da população na elaboração das diretrizes orçamentárias para o Estado. Uma ausência, segundo ele, induzida pelo próprio governo. “Esse governo não fez nada próximo à participação popular, não tem essa característica; e promove audiências públicas com, no máximo, 20, 30 pessoas; e sempre com difícil acesso”, lembra ao Brasil de Fato.

Obras à vista

Ano a ano o Estado de São Paulo quebra recordes de arrecadação, e isso reflete diretamente no orçamento. Para 2007, foram R$ 85 bilhões; no ano seguinte, R$ 98 bilhões; e para 2009, R$ 115 bilhões. Os investimentos passaram de R$ 7,3 bilhões em 2007 para R$ 18,5 bilhões em 2009. O que significa que, com a aproximação das eleições presidenciais de 2010, obras em diversas setores serão tocadas, sobretudo no setor dos transportes.

Conforme a análise do orçamento feita pelos petistas, o governo de José Serra não incluiu nenhuma previsão de aumento para o funcionalismo público, e a educação perderia espaço na distribuição dos recursos para o setor dos transportes. Dados internos do PT prevêem, por exemplo, menos 26% para a manutenção do ensino fundamental e menos 80% para o ensino médio. ( Leia mais na edição 304 do Brasil de Fato).

MP PEDE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO DE EX-MINISTRO DE FHC


MP pede quebra de sigilo bancário do ex-ministro Eliseu Padilha

BRASÍLIA - Suspeito de chefiar um esquema de fraudes em licitações e desvio de dinheiro público na região metropolitana de Porto Alegre, o deputado federal e ex-ministro dos Transportes (1997-2001), Eliseu Padilha (PMDB-RS), pode ter o seu sigilo bancário quebrado. O pedido de quebra de sigilo foi entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, que considerou relevantes os indícios do envolvimento do deputado com as irregularidades.

Padilha é secretário geral do PMDB gaúcho e um dos caciques nacionais do partido.O pedido é extensivo ao deputado José Otávio Germano (PP-RS), também suspeito de envolvimento no esquema, desmantelado em agosto pela Operação Solidária, da Polícia Federal.

Padilha negou as suspeitas levantadas pela PF e disse que não vai comentar o pedido do Ministério Público, alegando que o processo está sob segredo de Justiça. Seu advogado, Eduardo Ferrão, considerou "normal" a quebra de sigilo e lembrou que o cliente já havia colocado à disposição do Judiciário todos os seus dados financeiros. A defesa quer a anulação do inquérito sob a alegação de que Padilha foi alvo de escutas e espionagem ilegais.

Germano também negou a acusação e seu advogado, Aristides Junqueira, que já foi procurador-geral da República, pediu a exclusão do nome do cliente do processo. De férias no Rio, o relator do caso no STF, ministro Marco Aurélio Mello, confirmou pela assessoria que a quebra de sigilo dos dois parlamentares está entre os pedidos de diligência feitos pelo procurador-geral. Mas disse que só dará um despacho em fevereiro, no retorno do recesso judiciário.

Operação Solidária

A operação começou no início de 2008 a partir de denúncias de irregularidades em contratos para construção de rodovias e obras de saneamento, além de superfaturamento em merenda escolar nos municípios gaúchos de Canoas e Sapucaia do Sul. Em agosto, o inquérito foi desmembrado na Justiça Federal, devido ao surgimento de pessoas com foro especial, entre as quais Padilha e Germano.

Com mais de 4 mil páginas até agora, o inquérito já levantou indícios contra vários políticos, servidores e empresários em crimes que vão de lavagem ou ocultação de bens, a formação de quadrilha, corrupção (passiva e ativa) e fraudes à Lei de Licitações (8.666). Pelos cálculos da polícia, pelo menos R$ 5 milhões teriam sido desviados dos cofres públicos com as irregularidades e o dinheiro teria ido parar na conta de laranjas ou no financiamento ilegal de campanhas eleitorais.

Esta não é a primeira vez que Padilha tem problemas com a Justiça. Em 2001, ele foi acusado de envolvimento no escândalo dos precatórios, referente ao pagamento irregular de dívidas da União. Lobistas e funcionários públicos, conforme a polícia, recebiam propinas para acelerar o pagamento dos precatórios devidos pelo extinto Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER), órgão à época subordinado a Padilha.
Fonte: Tribuna de Imprensa.
Colaboração da amiga Nancy Lima.

BOA NOITE

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

POR TRÁS DA FOTO


Mair Pena Neto


Direto da Redacao - Uma foto de divulgação publicada discretamente em algum jornal esta semana não traduziu a importância do fato. Sob um céu de brigadeiro e sobre a água azul em frente à Baía de Guanabara, começava a singrar os mares a plataforma P-51, rumo ao campo de Marlim Sul, na bacia de Campos, para produzir mais 180 mil barris diários de petróleo para o Brasil.

Mas a importância maior da P-51 não está em sua tecnologia ou capacidade de produção. Primeira plataforma de petróleo inteiramente construída no Brasil, ela simboliza a redenção da indústria naval brasileira, com os seus milhares de postos de trabalho.

Não faz muito tempo, com uma visão exclusivamente empresarial de retorno ao acionista e sem qualquer compromisso com o desenvolvimento nacional, a Petrobras construía fora do país todas as suas plataformas. Valia-se para isso de dois argumentos: a falta de capacidade da indústria naval brasileira, sucateada desde os anos 80, e, principalmente, do menor preço conseguido em estaleiros da Coréia e Singapura. Ou seja, a maior empresa do país ao construir os navios e plataformas para a exploração do petróleo brasileiro não gerava um emprego aqui.

Mudar tal situação exigia vontade política, visão estratégica e compromisso com o país. De um governo privatista, que se desfez de várias empresas nacionais importantes e cogitou vender a própria Petrobras não se poderia esperar nenhum gesto nesse sentido.

A mudança política no país, se deixou a desejar nos aspectos macroeconômicos, foi eficiente neste aspecto. A luta que já se desenvolvia por um maior conteúdo nacional nas embarcações da Petrobras triunfou e a indústria naval brasileira renasceu das cinzas. Estaleiros e fornecedores recuperaram-se, voltaram a contratar, fomentaram a economia do Rio de Janeiro e do país e já pleiteiam um conteúdo totalmente nacional de 80% contra os 65% obrigatórios. A P-51 foi totalmente construída no Brasil, mas ainda importou algumas peças não produzidas aqui.

A decisão política do governo brasileiro de privilegiar a indústria nacional impulsionou o setor, que recuperou os níveis de 1970, quando a indústria naval do país era das mais importantes do mundo e vendia navios para o exterior. Os estaleiros empregam hoje 40 mil trabalhadores e a exploração do pré-sal exigiria pelo menos mais 20 mil.

A crise financeira global e a queda no preço internacional do petróleo podem levar a reavaliações, mas a esperança é de que a exploração do pré-sal movimente fornecedores, fabricantes de peças, estaleiros e toda a cadeia do setor em torno de um alto nível de conteúdo nacional.

A foto da P-51 simbolizava toda essa retomada e merecia primeira página. Mas ficou esquecida em algum canto de jornal, certamente mais preocupado com conflitos políticos menores ou deslizes lingüísticos do mandatário da nação.
Primeira plataforma semi-submersível totalmente construída no Brasil, a P-51 será ancorada a uma profundidade de 1.255 metros e a 150 km da costa. Esta plataforma será interligada a 19 poços (10 produtores de óleo e gás e 9 injetores de água) e oleodutos. O inicio da produção está previsto para o próximo mês.

A obra foi pioneira em muitos aspectos, com destaque para a produção do primeiro casco semi-submersível brasileiro e para a operação de deck mating (união da parte superior da plataforma ao casco). Esta sofisticada operação foi concluída em apenas 24 horas, confirmando a capacitação da engenharia naval brasileira.

Com custo aproximado de US$ 1 bilhão, a P-51 foi montada no estaleiro Bras Fels, em Angra dos Reis, gerou mais de 4 mil empregos diretos e 12 mil indiretos e faz parte do Plano de Aceleração do Crescimento do Governo Federal (PAC), do Plano de Antecipação da Produção de Gás Natural (Plangás) e do Plano Diretor de Escoamento e Tratamento (PDET) da Bacia de Campos, sistema logístico estratégico para o escoamento de petróleo e gás produzidos nessa região.


Direto da Redação.


Colaboração da amiga Nancy Lima.


BOA NOITE

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

A FORÇA DA ECONOMIA BRASILEIRA NA ERA LULA

31/12/2008
Mercado brasileiro foi o "menos pior" dos Bric em 2008

O mercado de ações brasileiro foi o que registrou a menor queda em suas cotações em 2008 entre os países do chamado grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China).

Com o encerramento das operações no ano, o índice Ibovespa, da Bolsa de São Paulo, acumulou perdas de 41,2% no ano, como reflexo da crise econômica internacional. A queda foi a maior desde 1972.

Porém os dados mostram que outros grandes países emergentes sofreram um impacto ainda maior.

Entre os Bric, considerados os países candidatos a grandes potências econômicas mundiais no médio prazo, a Rússia foi o país que mais sofreu as conseqüências da crise, com uma queda de 72,4% no índice RTS, da Bolsa de Moscou.

A Rússia, país rico em reservas de gás e petróleo, foi fortemente atingida pela queda dos preços dessas commodities. A cotação internacional do barril de petróleo, que havia atingido o valor recorde de US$ 147 em julho, era negociado nesta quarta-feira a pouco menos de US$ 37.

Na China, o índice Shanghai Composite, da Bolsa de Xangai, caiu 65% no ano, a sua pior queda da história. Na Bolsa de Hong Kong, as perdas acumuladas no índice Hang Seng ficaram em 48% - as maiores desde 1974, após a crise do petróleo.

A Índia foi o segundo mercado dos Bric menos atingido pela crise, após o brasileiro. O índice BSE, da Bolsa de Mumbai, terminou o ano 52% abaixo do seu nível do começo de janeiro.

O desempenho do mercado de ações brasileiro também foi superior ao da vizinha Argentina, que viu o índice Merval, da Bolsa de Buenos Aires, despencar 49,8% ao longo do ano.

Sem descolamento As quedas acentuadas nas bolsas dos principais países emergentes têm sido apontadas como demonstração de que a tese de "descolamento" das suas economias da crise nos países desenvolvidos era infundada.

A comparação com o desempenho dos mercados acionários dos países desenvolvidos, em geral mais atingidos pela crise na economia real, mostra que as quedas nos mercados emergentes foram ligeiramente maiores.

Nos Estados Unidos, principal epicentro da crise que tomou proporções globais no segundo semestre do ano, o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York perdeu 35% no ano, seu pior desempenho desde 1931, quando ainda sofria as conseqüências do grande crash de 1929.

O índice da Nasdaq, bolsa que concentra ações de empresas de tecnologia, teve uma queda um pouco mais acentuada, de 42% no ano - a maior de sua história.

Na Europa, o índice FTSE 100 da Bolsa de Londres registrou uma baixa de 32%, enquanto o índice Dax da Bolsa de Frankfurt, na Alemanha, caiu 40% no ano, sua maior queda em duas décadas.

A Bolsa de Tóquio também registrou neste ano sua maior queda da história, com uma redução de 42% em seu principal índice, o

PEGAR JACARÉ É COISA DE GENTE FINA

Aloha, 2009


Cynara Menezes

Quando me dizem que não existe mais esquerda e direita, contesto com uma frase de Quino, o criador da Mafalda, quando perguntei numa entrevista qual era sua posição ideológica: “De que lado bate o coração?”. Pois meu lado esquerdo do peito deu pulos com a eleição do mulato chamado Barack Hussein Obama para a presidência dos Estados Unidos.

Para mim, a “América” sempre foi o país de Ernest Hemingway, Raymond Chandler e Jack Kerouac. De Easy Rider e dos hippies. De Bob Dylan e Johnny Cash. Do blues. Dos canyons e grandes desertos. De Rip Van Winkle. Dos cookies e tortas de maçã esfriando na janela. Das imensidões geladas que o jovem Tio Patinhas cruzou para garimpar suas primeiras pepitas de ouro. Em suma, um país maravilhoso que, em determinado ponto da história, tomou o caminho equivocado.

Não faz muito tempo, foi nos anos 60, com os assassinatos de Martin Luther King, John e Bob Kennedy. A partir dali a América que eu admiro deixou de existir. Degringolou. Foi piorando, piorando, até chegar ao fundo do poço e virar a terra de George W. Bush. A eleição de Obama me parece uma tentativa de resgatar a “boa” América perdida. Como se os americanos tivessem gritado ao mundo: “Ei, não somos tão imbecis quanto vocês pensam”.

Fiquei impressionada, devo admitir. Eu achava que suas mentes haviam ficado embotadas por tanta comida gordurosa. Adiposidade cerebral, só isso explica terem votado em Bush não uma, mas duas vezes. É quase inacreditável que essa mesma gente tenha elegido um cara cujo único defeito apontado pelos adversários seja ser elitista, intelectualizado, culto demais.
Barack e Michelle Obama, com suas lindas filhas, não só possuem “Kennedy material”, como dizem os gringos, como são negros cosmopolitas que chegam à Casa Branca depois de quatro mandatos de americanos redneck: Bush e o próprio Bill Clinton. Caipiras no pior sentido da palavra.

Surpreendentemente, os americanos resolveram experimentar um conterrâneo fora do comum, para dizer o mínimo: filho de queniano com americana branca, graduado com louvor em Harvard, e, para culminar, com Hussein no sobrenome. Trocaram o “gente como a gente” que Bush representava pela figura do sujeito acima da média, em termos culturais. Obama, não importa a cor de sua pele, é “gente melhor do que a gente”. É o anti-Homer Simpson. Além de tudo, está na cara que sua família come direito.

Mas o que há de mais legal no novo presidente dos Estados Unidos, na minha opinião, o que me enche de esperança de que ele vai ser, sim, essa cocada toda, é um só fato, a quem ninguém deu a devida importância: o cara é havaiano! Pega jacaré na maior categoria!

Acho que todo mundo sabe o que é pegar jacaré. Posicionar-se na onda quando ela está se formando, de tal maneira que você vem deslizando até chegar à praia, usando o corpo como prancha. Delícia. Pois então: não consigo acreditar que alguém que pega jacaré daquele jeito pudesse optar por entrar numa guerra, por exemplo. Quem pega jacaré é gente fina, não faz essas coisas. Alguns lembrarão que já tivemos um presidente desportista, e deu no que deu. Sem querer ofender quem curte aquele troço, mas não se pode comparar jacaré com jet-ski, pelo amor de Deus.

Taí, posso até estar sendo trouxa, mas confio em pessoas que sabem pegar jacaré. Vou pagar para ver. Aloha, 2009.
CartaCapital.

O QUE ESTES CORRUPTOS QUEREM?


Lacerda não poderia assumir outro cargo, diz oposição

Os partidos de oposição ao governo criticaram a criação do cargo de adido policial, em Portugal, para alocar o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda. Para a oposição, Lacerda só poderia assumir outro cargo depois de finalizada a investigação sobre o suposto grampo de uma conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal e do senador Demóstenes Torres (DEM-GO). As informações são do jornal O Globo.

“Uma coisa é muito clara: se Lacerda não serve para comandar a Abin, não serve para representar o Brasil no exterior”, disparou Demóstenes. O senador também afirmou que o novo cargo é uma maneira de contemplar uma figura fundamental na estrutura do governo. “Essa nomeação não deixou ao relento um homem com potencial de ser um homem-bomba”, disse.

O senador pede que a investigação sobre o suposto grampo seja completa. “As denúncias são gravíssimas, de uma relação promíscua entre a Polícia Federal e a Abin para atender a interesses escusos”, disse.

“É mais um capítulo desta história mal contada. Acho tudo muito estranho”, afirmou o senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB. O senador entende que o procedimento adotado pelo governo, ao criar um cargo em Portugal e nomear o ex-diretor, contraria a clareza necessária para apuração de escuta telefônica ilegal entre o presidente da mais alta Corte de Justiça do país e um parlamentar. Guerra também entende ser a nomeação mais uma tentativa para encobrir problemas na Polícia Federal, comandada anteriormente por Lacerda.
Comentáriio.
O que estes corruptos, ladrões safados querem? Só faltava essa. Estes lacaios agora querem se meter nas opções políticas-administrativas privativas do Chefe do Poder Executivo.Vão dar meia hora de cloaca, vão.

BOA NOITE

RECIFE:SAI JOÃO E ENTRA JOÃO

João da Costa faz seu primeiro discurso já como prefeito empossado

João da Costa já fez o seu primeiro discurso como novo prefeito do Recife na Câmara Municipal. Declarou que vai ouvir toda a sociedade para construir um governo e “um projeto econômico que transforme a cidade do Recife, mas que tenha como objetivo cuidar dos mais pobres”, mas “nunca renunciando às nossas bandeiras históricas em defesa da democracia”. O novo prefeito agradeceu aos companheiros de campanha, à esposa Marília e ao filho João Victor e, em memória, aos pais.

Continuando o discurso, João da Costa fez uma homenagem a Paulo Freire, adaptando o poema É sempre Recife. “Olhando para Luciano Siqueira, não posso deixar de homenagear essa geração que teve coragem e ousadia para combater a ditadura, mas também a oportunidade de fazer a gestão pública ao lado de João Paulo”.

O educador Paulo Freire escreveu o poema no período em que viveu exilado em Santiago do Chile. “Recife sempre/ Recife, manhã cedo/ Acordei pensando em ti / Tive medo de ferir / Tive medo de magoar”. “Tarde chegando / As ruas atravessando / A câmara se aproximando / O momento exato chegando / Mil lembranças de ti me tomando”.



Da Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR