quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O FASCISMO PROSPERA



por Wálter Fanganiello Maierovitch

ROMA. A cada período do dia tem uma manifestação de rua contra o governo Sílvio Berlusconi. Com isso, o tráfego está ruim até para os que usam bicicleta. E nas calçadas tem sempre alguém para pedir a sua assinatura, isto a fim de conseguir quorum para postulação de uma consultação popular, tipo referendo. Em resumo, protesta-se 24 horas por dia e, à noite, têm os debates televisivos, sempre com auditórios cheios.

No particular, Berlusconi e alguns dos seus ministros dão de bandeja motivos para protestos. Mais ainda, a sua ministra para a Igualdade, ex-miss Itália e no passado de modelo com fotos nuas em revistas, anima, com o seu despreparo e foras monumentais, --bem maiores do que o Coliseu--, os programas de humorismo no rádio e na televisão.

O ministro da Justiça, por exemplo, encaminhou à maioria parlamentar berlusconiana um projeto que se transformou em lei e voltado a suspender os processos criminais emcurso contra o primeiro-ministro (Berlusconi), o presidente do Senado, da Câmara e da República. A propósito, e por evidente, apenas Berlusconi é réu em processos criminais. Num deles, a instrução e os debates estavam concluídos. Ou seja, ia sair a sentença, que, em face das provas, os operadores do Direito apontavam para a condenação de Berlusconi, em co-autoria, por tentar corromper juízes.

Como essa legislação “ad-hoc” (contempla Berlusconi), -- que levou o nome de “Lodo Alfamo” (laudo Alfamo, nome do ministro da Justiça) pode ser inconstitucional, a procuradoria de Justiça já postulou a manifestação da Corte Constitucional. Enquanto isso, o parlamentar Antonio di Pietro, que iniciou a Operação Mãos Limpas quando era do ministério Público de Milão, colhe assinaturas de cidadãos italianos. Isto para ter legitimação ao seu pedido de consulta popular sobre a revogação da lei “ad-hoc”, o tal Lodo Alfamo.

A ministra da Educação, por sua vez, conseguiu unir e colocar, contra ela, universitários, pais, e professores nas ruas. Eles protestam contra duas normas. A primeira, nas escolas, prevê um só professor por classe, ou seja, o mestre tem de ser um sabe-tudo em língua italiana e estrangeira, geografia, história, matemática, literatura, filosofia, etc. Para a universidade, a ministra quer reduzir as verbas para pesquisas, cursos de pós graduação, etc.
Não bastasse, veio o racismo. Ou seja, a infeliz idéia de separar, em salas de aulas diversas, os imigrantes dos italianos. A integração cultural, a troca de experiências, a solidariedade, tudo foi esquecido. Berlusconi e a ministra da Educação, com essa forma de racismo, mostram, na verdade e lamentavelmente, temer as diferenças.

Quando os estudantes iniciaram os protestos, Berlusconi declarou, em jornais e televisões, que colocaria a polícia na repressão. No dia seguinte, em face das críticas sobre essa postura neofascista, Berlusconi, que prima pelo caradurismo, afirmou “jamais ter falado em convocar a polícia para reprimir estudantes”.

Ontem, o ministro da Administração pública, que não tem nenhuma competência para questões sobre Justiça e Magistratura (juízes e representantes do Ministério público) saiu a proclamar que colocaria catracas eletrônicas (tornelli) nos fóruns e tribunais. Tudo para controlar o horário de trabalho dos magistrados, que, segundo ele, comparecem poucas vezes, e ficam poucas horas por semana, nas salas de audiências e nos ofícios judiciais. No momento, o sindicato nacional dos Magistrados lavra uma representação, a ser endereçada ao Conselho da Magistratura, sobre a intromissão do tal ministro, que desconhece a separação dos Poderes e o autogoverno da Magistratura.

PANO RÁPIDO. Com a divisão da esquerda e a traição dos centristas, caiu o governo do então premier Romano Prodi. Aí, o centro-direita, com apoio dos neofascistas da Aliança Nacional e dos separatistas da Padânia, elegeram Berlusconi, como primeiro ministro. De quebra e depois de sete anos, foi eleito, para prefeito de Roma, um ultradireitista, ex-integrante da Juventude neofacista.

Aos curiosos, desejosos de saber o que estou fazendo aqui há mais de 30 dias, respondo que o trabalho que faço não tem nenhum vínculo com o governo Berlusconi.

Fonte: Blog do Wálter Fanganiello Maierovitch

O JEITO YEDA CRUZES DE GOVERNAR

Yeda ingressa com ação judicial contra o piso dos professores
Mariza Abreu disse que Estado não tem como pagar o piso nacional


A governadora Yeda Crusius ingressou na tarde desta quarta-feira, no Supremo Tribunal Federal (STF), com uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra o piso nacional dos professores. Ainda nesta tarde, Yeda tem um encontro marcado com o vice-presidente do STF, Carlos Ayres Brito para debater o assunto.

A alegação do Estado é de que serão necessários mais 27 mil professores para substituir aqueles que estiverem em atividades extraclasse, já que a lei dá direito a 30% da carga horária para esse fim. De acordo com a secretária da Educação do RS, Mariza Abreu, o Estado não tem como pagar o piso nacional, pois não são levados em conta os benefícios que os servidores já possuem.

Além disso, a elevação do salário base dos professores para R$ 950,00 exigiria uma mudança completa do orçamento do Rio Grande do Sul. A ação foi assinada por outros cinco Estados. A expectativa da governadora é de que haja a adesão integral de todos os Estados. Ela informou que a ação conta com o respaldo do colégio nacional de procuradores.
Zero Hora.
Comentário.
É assim que os tucanos tratam a educação, enquanto isso, os larápio do DETRAN-RS estão rindo da cara dos bestas.Mas safado mesmo é o povo, que vota nesses trastes.

O GOVERNO LULA ESTÁ TIRANDO DE LETRA

30/10/2008

Mantega diz que Brasil não terá recessão

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a economia brasileira "não deve sofrer" uma recessão, mas "certamente" vai enfrentar uma "desaceleração" e uma queda na arrecadação.Ele fez a afirmação nesta quinta-feira em seu depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
"Não acredito que teremos recessão no Brasil, poderá haver uma queda de arrecadação. Ainda não houve essa repercussão [na arrecadação], mas acredito que haverá", afirmou.O ministro disse que o governo desejava uma certa desaceleração da economia, e que isso agora deve acontecer. "Nós queríamos uma desaceleração e vai haver, certamente, mas não a ponto de desequilibrar nossas finanças."Mantega disse que acompanha "diariamente" a arrecadação do governo e que, por enquanto, não houve redução, mas isso deve acontecer ainda.
O ministro afirmou que as contas públicas do país estão bem. "Vamos fechar ano com contas publicas favoráveis para enfrentar situação fiscal adversa."
Fase aguda passou
Mantega afirmou que a fase mais aguda da crise financeira internacional já passou e que o quadro atual é mais ameno em relação a situação anterior, incluindo a situação do Brasil.De acordo com Mantega, um dos sintomas positivos do fim dessa fase mais aguda da crise é o aumento das operações interbancárias internacionais.O ministro também informou que atuação do Banco Central no câmbio poderá trazer dividendos para o BC já que comprou dólares a R$ 1,60 e atuou nos leilões de venda ao preço de R$ 2,10.
Erros na MP
Mantega declarou que houve falha na medida provisória que permite a possibilidade de a Caixa Econômica Federal ter participação acionária em empresas de construção."Concordo que poderiamos ter sido mais específicos, porque o objetivo é só na construção, e não participação de modo geral [em outras empresas]. Estávamos espremidos pelo tempo, e a medida possui algumas arestas que podem ser consertadas", afirmou Mantega.O ministro e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, participam de debate sobre a crise global na CAE. Entre outras questões, os senadores questionam sobre os efeitos da crise internacional no nível de atividade da economia brasileira.
Agência Brasil.
Comentário.
A turma do contra é grande, mas o Brsail vai tirar de letra.

O JOGO DA VERDADE



Ao contrário do Brasil, onde os jornalões fingem que são imparciais mas apoiam desavergonhadamente o candidato que pode lhe ser útil mais tarde, favorecendo-o no noticiário, nos Estados Unidos o jogo é aberto e franco. Alguns jornais endossam abertamente o candidato que consideram o melhor de seu ponto de vista, sem interesses escusos e promessas de favorecimentos. E procuram ser imparciais no noticiário.

Um dos mais tradicionais e respeitados jornais dos Estados Unidos é, sem dúvida, o New York Times. E o jornal, mantendo uma tradição que vem desde a eleição de 1860, quando apoiou o republicano Abraham Lincoln, divulgou na quinta-feira (23), em seu principal editorial, seu apoio à candidatura de Barack Obama.

Com o título “Barack Obama for President”, logo nos três primeiros parágrafos, o editorial deixa claro as razões que o levaram a essa decisão:

Os Estados Unidos estão maltratados e desnorteados depois de oito anos da fracassada liderança do Presidente Bush. Ele vai sobrecarregar seu sucessor com duas guerras, uma péssima imagem internacional e um governo sistematicamente fraco em sua capacidade de proteger e ajudar seus cidadãos, seja durante as enchentes causadas pelos furacões, nos altos preços dos cuidados de saúde, ou pelos que lutam para manter suas casas, seus empregos, sua poupança e pensões, em meio a uma crise financeira previsível e que poderia ser evitada.

Nestes tempos difíceis, a escolha de um novo presidente torna-se fácil. Depois de quase dois anos enfrentando uma agressiva e feia campanha, o senador Barack Obama de Illinois provou que é a escolha certa para ser o 44 º presidente dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, o senador John McCain do Arizona tem pregado em sua campanha a divisão partidária, de classes e até mesmo, levemente, racista. Sua visão política e de mundo são ultrapassadas. Escolher para vice em sua chapa uma pessoa manifestamente despreparada para o cargo, foi seu ato final de oportunismo e julgamento errado que eclipsou suas realizações de 26 anos no Congresso.

A nove dias do pleito, Obama aparece na frente da apuração. Mas como, perguntará o leitor, a votação não é no dia 4 de novembro? É verdade. Mas vários estados anteciparam a votação para aliviar o movimento que certamente vai haver no dia da eleição.

E uma das particularidades do processo eleitoral americano é que uma pessoa, quando se inscreve para tirar o título de eleitor, tem a opção de declarar-se democrata, republicano ou independente ou deixar em branco esse item. Isso não significa que, marcando uma cruzinha em determinado partido, ele esteja obrigado a votar para sempre naquele partido. Não, ele pode votar em quem bem entender. Mas o sistema sabe qual a preferência partidária de cada votante, embora a contagem oficial só comece no dia da eleição.

Através desse dispositivo, na sexta-feira Obama levava considerável nos Estados de Iowa, Carolina do Norte, Ohio, Nevada e Novo México, todos que elegeram George Bush em 2004. Na Flórida havia uma ligeira vantagem para McCain e no Colorado os dois estavam empatados.

E, pra não dizer que não falei de crise, vale comentar as cartas contendo um pó branco e uma ameaça que foram enviadas a cerca de cinquenta instituições financeiras nos EUA. As cartas saíram todas de Amarillo, no Texas. E devem ter assustado muita gente poderosa, pois o FBI foi acionado e está prometendo uma recompensa de 100 mil dólares a quem der pistas que levem ao misterioso missivista. O bilhete continha o seguinte recado:

Vocês roubaram dezenas de milhares de pessoas e esperavam não ter consequências? É hora da vingança. O pó que você respirou vai lhe matar em dez dias".

Os dez dias ainda não se passaram, mas o FBI garante que o pó é inofensivo.

VOCÊ SABIA?



Quinta, 30 de outubro de 2008,
Sirio Possenti
De Campinas (SP)


Demorei praticamente duas semanas para descobrir quais eram as nove perguntas que a propaganda de Marta Suplicy dirigiu aos espectadores, relativas ao candidato Gilberto Kassab no começo da campanha do segundo turno. Tudo o que eu sabia - de ler lido diversos tipos de textos: notícias, comentários, alusões - era que havia duas perguntas que Marta não deveria ter feito, por serem sobre a vida privada (ou mais que privada) do outro candidato e, especialmente, porque seriam perguntas relativas à sua opção sexual, vindas logo dela, que sempre foi não só liberal, mas também defensora do não constrangimento de ninguém em função de opções sexuais, além de promotora de legislação avançada sobre questões conexas...

As duas perguntas que eu sabia que a propaganda de Marta fazia ao "público" sobre Kassab eram "É casado? Tem filhos?". Mas eu tinha lido que as perguntas eram nove, e apenas no final de semana passado (19/10/2008) vi em uma revista semanal que duas das outras perguntas eram se ele tem problemas com a justiça e se sua vida melhorou depois que entrou para a política. Inclusive, a revista mostra uma imagem que apareceu na TV: ela mostra Kassab em close, e as duas últimas perguntas estão grafadas de forma bem visível sobre seu rosto.

Digitei "é casado" no Google (ainda sou um péssimo buscador, mas eu chego lá). Não li muitas "postagens", mas, das que li, só uma citava um texto que dizia que, ao lado dessas perguntas capciosas, havia outras, e que essas relevantes numa eleição. Apenas um texto, citado por outro! De Dines a Juca Kfouri, todos falaram apenas de duas das nove perguntas (Juca, alusivamente. Escreveu no final de sua coluna esportiva: "Sou casado, tenho quatro filhos e seria um péssimo prefeito").

Minha questão não é eleitoral, nem publicitária. Minha questão é sobre leitura. Creio que há duas maneiras básicas de falar de leitura, de pesquisar sobre leitura. Uma tem a ver com decifração, ou seja, com técnicas, métodos, teorias que permitiriam a um leitor ter acesso aos sentidos dos textos (verdadeiros, profundos, corretos etc. dependendo do que se quer, ou dependendo do campo: jurídico, religioso, filosófico, literário, técnico, comercial, publicitário...).

Outra vertente tem a ver com circulação. A pergunta, no caso, é quais textos circulam onde, quem lê o quê (em que século, nas escolas, nas bancas de jornal, na internet etc.). Uma subdivisão seria: como certos textos circulam: inteiros, aos pedaços, adaptados, em edições originais, traduzidos? E mais: por que, de um texto integral, circulam partes (estrofes, versos, finais, começos, pontos culminantes?). Finalmente - eis a questão - por que, das nove perguntas dessa peça de campanha, duas foram lidas, repetidas, comentadas, interpretadas, tiveram sua autoria discutida etc. e as outras sete nem foram mencionadas?

Vejamos um documento, o início do editorial do Estadão de 25/10/2008: Perguntas que não querem calar são aquelas que, por sua pertinência, clamam por uma resposta. As perguntas que a propaganda da candidata Marta Suplicy levou ao ar contra o seu adversário Gilberto Kassab - "É casado? Tem filhos?" - também não querem calar, mas por motivos que se diriam diametralmente opostos: a indignação que provocaram até mesmo no PT e a duvidosa distinção que acabaram adquirindo...O artigo definido "as" (que grifei) poderia dar a entender que as duas perguntas são todas as perguntas.

Do ponto de vista da decifração, o percurso não é óbvio (interpretações são sempre propostas de interpretação). Mas não importa muito, no caso (talvez isso nunca importe, de fato), a interpretação de um leitor, mesmo se especialista. O que importa é a interpretação que circulou. Ela parte de dois dados prévios: sabe-se que Kassab não é casado e que não tem filhos (e não por que a Veja lhe fez perguntas que partiam desses dois pressupostos, mas porque a família nunca apareceu em público a seu lado etc.).

A maldade atribuída à propaganda, entretanto, não tem nada a ver com a solteirice de Kassab, e sim com suposições que estamos acostumados a fazer, a inferências que a sociedade extrai de certos dados: se não é casado, talvez não seja (ou, mais a seco: não é) heterossexual, ou, diretamente, é homossexual. É por ser este o percurso de interpretação que todos disseram que Marta fez insinuações maldosas, que a propaganda apelou para a baixaria, que se começou a invadir a vida privada quando não era o caso etc.

A questão de fundo, para alguns, seria: "se é homossexual, não pode ser um bom prefeito". Para outros: "se esconde sua opção sexual, deve estar escondendo outras características que podem fazer dele um mau prefeito". "Tem filhos?" poderia parecer uma pergunta redundante. Mas não é. Ela "aprofunda" a anterior, porque ele poderia não ser casado, e mesmo assim ter filhos, se... Essa é a questão.

As perguntas são só perguntas, dirá quem defende a propaganda. Acontece que elas não são feitas no vazio: não só se sabe quais são as respostas (a essas duas perguntas, insisto), como essas respostas estão associadas a sólidos preconceitos em relação aos que, podendo ser casados e ter filhos, não o são e não os têm.

Talvez uma boa explicação para esse fenômeno possa ser encontrada num artigo de Dominique Maingueneau (Citação e destacabilidade), publicado em Cenas da enunciação (S. Paulo, Parábola).

O leitor curioso deve ler esse texto. E esse livro.


Sírio Possenti é professor associado do Departamento de Lingüística da Unicamp e autor de Por que (não) ensinar gramática na escola, Os humores da língua e de Os limites do discurso.


Terra Magazine.


ESTOU MORRENDO DE DÓ, JÁ, JÁ CORTO MEUS PULSOS

Em depoimento, Dantas alega ter sido vítima de 'conspiração'

Ao ser interrogado, banqueiro falou em trama secreta para assassinato, infiltração policial e retaliações
O Estado de S.Paulo

- Conspiração, trama secreta para assassinato, infiltração policial, retaliações, pressões empresariais, espionagem, ameaças e corrupção de agentes públicos são histórias que pontuam o relato do banqueiro Daniel Valente Dantas à Justiça Federal. Interrogado na tarde de 22 de outubro, em sessão de 5 horas, o controlador do Opportunity negou corrupção ativa, crime que a Polícia Federal e a Procuradoria da República lhe imputam – com R$ 1,18 milhão ele teria tentado subornar o delegado Victor Hugo Rodrigues Alves, da PF, em troca do arquivamento de inquérito sobre as atividades do grupo que dirige.

Hugo Chicaroni, lobista, e Humberto Braz, ex-presidente da Brasil Telecom, são réus no processo. Os dois teriam agido a mando de Dantas. A eles, afirma a PF, coube a missão de assediar o policial. Alvo maior da Satiagraha, investigação sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e fraudes fiscais, o banqueiro rechaça com veemência a acusação. Afirma ter conhecido Chicaroni no dia da primeira sessão judicial, em agosto, e que apenas “mantém bom relacionamento profissional” com Braz.

Dantas havia recebido orientação expressa da defesa para se calar na audiência, mas decidiu, por conta própria, responder às perguntas do juiz Fausto Martin De Sanctis, que preside a ação penal. Disse que, em dezembro de 2007, “escutou que existia operação sendo articulada contra o interrogando (Dantas) pelo dr. Paulo Lacerda”.

Paulo Lacerda foi diretor-geral da PF no primeiro governo Lula e até 2007, quando assumiu a chefia da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) – cargo que perdeu no auge da Satiagraha. O banqueiro disse ter ouvido que Lacerda “iria pôr um par de algemas” nele. “O interrogando acredita ser vítima de conspiração, termo mencionado por um jornalista e por Daniel Lorenz de Azevedo, diretor de Inteligência da PF”, registra o depoimento. “Acredita que há dinheiro privado nesta operação, corrompendo agentes públicos.” Sobre Protógenes Queiroz, delegado que criou Satiagraha e foi afastado quando acusou superiores de boicote à investigação, o controlador do Opportunity declarou: “Esta autoridade policial possui intenção deliberada em me prejudicar.”

ASSASSINATO

O banqueiro destaca que, uma semana depois de ter sido solto, Braz lhe telefonou e pediu “encontro com urgência”. Era um fim de semana. Os dois se reuniram à tarde. Braz teria dito que estava na mira de um plano de assassinato e que sobre o banqueiro recairiam suspeitas. “Ele (Braz) dizia possuir três fontes confiáveis e recusou-se a revelar seus nomes, com exceção apenas de que uma delas era um segurança da Brasil Telecom”, depôs. Dantas diz que o ex-presidente da BrT disse-lhe que “tudo não passou de uma montagem e que nada havia pago, mas ele não chegou a dizer quem teria feito a montagem”.

O banqueiro falou do caso Kroll, história de espionagem no submundo das teles da qual ele seria protagonista. “Tomei conhecimento de fraude montada que gerou o caso Kroll, do qual sou réu. Tais informações são fruto de uma delação premiada na Itália, por pessoas que trabalharam na Telecom Itália. Fiz representações ao procurador-geral da República que não geraram conseqüências.”

CARTA

“Tomou conhecimento em 2004, em carta encaminhada por Mauro Salles, consultor da Brasil Telecom e da Opportunity Zain, que havia posição contrária aos interesses do interrogando por parte de Gushiken e dos fundos Previ”, registra o depoimento. “Ainda lhe foi dito que legalidade não seria freio para quem está no poder e que eles iriam fundo. Foi dito que, uma vez preso, a repercussão reverteria em seu desfavor nos tribunais.”

Afirma ter recebido notícias de “infiltração de policiais para serem corrompidos pelo Opportunity, com o conhecimento de juízes, para eventual pedido de prisão preventiva diante das provas devastadoras”.

Sobre seu patrimônio, “não tem condições de descrevê-lo, não sabendo dizer quanto tem aplicado no País”. Não listou imóveis das companhias e do fundo imobiliário do qual é investidor e que chamou de “um Opportunity alguma coisa”.

Informou que possui companhia no exterior, cujo nome não se recorda, que é acionista de companhias internacionais que administram fundos. “Não sabe dizer o patrimônio pessoal, nem mesmo sobre valores.”

Disse que trabalha muito, possui vida sem ostentações. “Seu trabalho consiste em estudar o mercado, as tendências, as mercadorias, para que a sua atividade não vire um jogo.”
Comentário.
Sai pra lá mafioso safado. Devolve o que roubaste do erário público.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

FORA, BANDO DE ENTREGUISTA!

29 DE OUTUBRO DE 2008

Saudosos do Proer, tucanos não se conformam com MP 443


Após a publicação da Medida Provisória 443, a oposição saiu reclamando que, ao contrário do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), as ações adotadas pelo governo Lula possibilitam que os bancos públicos participem do controle acionário de bancos privados que, eventualmente, venham a ter problema de liquidez. “O critério mais transparente seria um semelhante ao Proer, em que o governo financiaria bancos privados para comprarem outras instituições. Agora está se partindo para a estatização sem licitação”, disse o deputado Paulo Renato de Souza (PSDB-SP).


Segundo o parlamentar tucano, “a negociação era no mercado. Agora, o governo vai comprar diretamente o banco. Estão injetando dinheiro público diretamente na veia. O Proer era um programa com início, meio e fim”.

Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), o Estado ter controle sobre o sistema financeiro é “um passo atrás”, bom mesmo era o Proer, instituído por Fernando Henrique em 1995, que tinha início, meio e fim: “sanear” os bancos para possibilitar a concentração e a desnacionalização do setor. O programa consumiu oficialmente R$ 20,359 bilhões, mas os cálculos feitos pelos economistas Pedro Saínz e Alfredo Calcagno, da Cepal, apontam um total de R$ 43,4 bilhões. Em ambos os casos, em números da época.

Foi com base nesse “critério transparente” que o Excel Econômico foi transferido compulsoriamente pelo BC ao espanhol BBV pelo valor de um real, com o restante sendo lançado como prejuízo, e o Bamerindus, tomado pelo inglês HSBC.

Parlamentares do DEM, linha-auxiliar do PSDB em assuntos econômicos, também reclamaram do "poderamento" do Estado. O líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN), propôs ao ministro da Fazenda Guido Mantega a fixação de limite de um ano para a vigência da Medida Provisória 443. O DEM quer ainda fixar limite de recursos que serão usados e estabelecer critérios para a definição de instituições que poderão ser compradas. Além disso, o partido insistirá em deixar com o Tesouro Nacional, e não com o Banco do Brasil e com a Caixa Econômica Federal, as aquisições autorizada pela MP. O líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), ironizou a proposta. Segundo ele, para dar prazo à MP a oposição vai ter que "combinar com o mercado" a data para o fim da crise.

"Não vamos dar prazo de validade porque não temos prazo de validade para a crise. Se a oposição combinar com o mercado internacional e tiver prazo de validade da crise nós também colocaremos prazo de validade nos mecanismos brasileiros", alfinetou Jucá.

O senador Antonio Carlos Júnior (DEM-BA), filho de ACM, foi mais explícito. Para o parlamentar, dar tal poder a esses bancos (BB e Caixa) "é politicamente perigoso e pode ser economicamente desastroso", já que estaria envolvido dinheiro público.


Contudo, problema mesmo para a oposição é o fato de que os bancos privados estrangeiros, verdadeiro farol para os tucanos e assemelhados, estão agora todos no limbo, com suas montanhas de derivativos valendo tanto quanto uma nota de três dólares.

A grita dos tucanos e demistas ganhou força depois que o jornal O Estado de S. Paulo, porta-voz do conservadorismo da elite paulista e do sistema financeiro deu a ordem em editorial: "A reviravolta no cenário de bonança, entre outros efeitos, obrigará o presidente a governar, como diz o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), e desafiará a oposição a assumir finalmente esse papel, o que a rigor só aconteceu na era Lula quando a questão em jogo dizia respeito à corrupção. Agora, caberá ao bloco oposicionista formular alternativas para circunscrever até onde é possível o contágio da crise, começando pela apresentação de mudanças substanciais à MP 443, a que dá ao Banco do Brasil e à Caixa o poder de comprar instituições financeiras e empresas em geral", ordena o Estadão.

Lula defende papel do Estado como regulador

Na contra-mão dos neoliberais tucanos e demistas que têm alergia ao protagonismo do Estado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (28) que "chegou a hora da política", ao defender papel do Estado como regulador do sistema financeiro. Em Salvador, onde participou da 9ª Cúpula Brasil-Portugal, Lula se colocou contrário aos que defendiam o liberalismo econômico sem a interferência do poder público.


“Teve uma época, por muito tempo, em que os políticos andaram de cabeça baixa diante do neoliberalismo. O que estou defendendo não é o Estado se intrometer na economia, mas é o Estado que tenha força política para regular o sistema financeiro”, disse o presidente no pronunciamento que fez, ao lado do primeiro-ministro de Portugal, José Socrates.


“Fomos eleitos, assumimos compromissos com o povo, e o Estado, diante da crise mundial, volta a ter papel extraordinário, porque todas essas instituições que negaram o papel do Estado na hora da crise procuram o Estado para socorrê-las da crise que elas mesmo criaram”, afirmou Lula.


Lula enfatizou que os setores da economia devem concentrar seus esforços em ganhar dinheiro com a produtividade. “O sistema financeiro tem obrigação de ganhar o seu dinheiro em coisas que gerarão empregos, produtos, riqueza. Não podemos permitir que o sistema financeiro mundial brinque com a sociedade. Não podemos admitir que alguém fique rico apenas trocando papéis e poucas vezes se gerou um paletó, uma bota e um alfinete”.


O primeiro-ministro de Portugal, José Socrates, apoiou a colocação do presidente Lula e disse que em Portugal a ação do governo foi a mesma tomada no Brasil, com o objetivo de minimizar os efeitos da crise na economia interna: a de dar mais liquidez aos bancos.


“Concordo com o presidente Lula quando ele diz que chegou a vez da política. Esse é um momento decisivo e Portugal e Brasil querem ação, não inação, fingir que nada aconteceu”, afirmou o chefe de Estado de Portugal, ao se referir às ações para o combate à crise econômica.


Para Socrates, a crise mundial funcionou como um divisor de águas. Ele ressaltou que não se trata de uma crise cíclica e sim de uma crise grave, “que acontece apenas uma vez na vida de cada pessoa”.

“Existe um antes e um depois da crise mundial. Antes, existia um pensamento único de que qualquer intervenção do Estado seria de forma burocrática, com finalidade de aumentar imposto. Hoje há o entendimento de que é necessária a ação da política para construir essa nova ordem mundial econômica de uma globalização mais justa”, ressaltou.

Da redação,
Com agências

OS MIDIOCRATAS E A DERROTA ELEITORAL DE MARTA



As derrotas de 26 de Outubro: as lições do fracasso

por MAURO CARRARA

As lições de uma eleição decidida pela negligência da esquerda e pelo empenho dos midiocratas

Primeiramente, por razões óbvias, é necessário definir o que é esquerda neste contexto. Inclue-se aqui o PT, o PCdoB e uma pequena parcela do PSB. O PPS constitui-se hoje em sigla lucrativamente alugada à direita. PSOL, PSTU e PCO orbitam na nebulosa região do fanatismo, do cinismo invejoso ou da insanidade militante.

Portanto, tomemos como referência aquelas agremiações que podem ser seriamente entendidas como esquerda no Brasil. Foram dolorosas suas derrotas (todas da agremiação de Lula) em São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Juiz de Fora e, especialmente, em Santo André, reduto histórico do Partido dos Trabalhadores.

Há, de certo, ingredientes diferentes em cada uma das disputas. No entanto, apresentam-se também elementos comuns que podem lançar luzes sobre o malogro pontual dos vermelhos.

1) O Brasil caminha celeremente para um cenário de tripartidarismo. De um lado, a esquerda. De outro, a direita, representada, sobretudo, pela dupla PSDB-DEM. Ao centro, consolida-se uma massa fisiológica (ainda que tendente à direita) que oferece seus préstimos a quem melhor pagar.

2) Em cidades como São Paulo, o eleitorado também costuma se dividir em três. A esquerda tem a simpatia de 30% dos paulistanos. A direita tem seus 30%. Outros 40% são disputados a cada confronto. O que se verifica, entretanto, é que a ala destra midiocrata tem estabelecido um diálogo freqüente e eficaz com significativa parcela desse eleitorado de centro.

3) Nesses processos, que se repetem em outras cidades, o anti-petismo tende a alinhar todos os "inimigos" da esquerda na prova do segundo turno. Os números da apuração mostraram que Marta Suplicy mal conquistou os eleitores de Soninha, a moça seduzida por José Serra num camarote do Parque Antarctica.

À parte essas considerações, é necessário que se leve em conta o papel determinante da mídia na definição das eleições. Mais descarada do que em outras ocasiões, a imprensa paulista e paulistana trabalhou diuturnamente para desconstruir a imagem de qualquer candidato que se apresentasse sob a legenda do partido de Lula.

No caso da terra bandeirante, os principais difusores de opinião, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, trabalharam disciplinada e obedientemente para incompatibilizar a candidata petista com o eleitorado.

O "relaxa e goza" foi repetido mil vezes pelos articulistas. Pintou-se a loura como arrogante, fútil e até como esposa infiel. Tudo que era particular foi incluído no processo de injúria e difamação.

No entanto, a primeira indagação de cunho pessoal lançada contra o candidato Kassab gerou um escândalo conveniente e hipócrita. A revolta dos midiocratas foi imediata e para lá de estridente.

Em Agosto de 2.008, por exemplo, o articulista Contardo Calligaris, da Folha, disse o seguinte à revista Imprensa:

- Não estamos falando apenas da divulgação do imposto de renda, mas inclusive com quem ele [político] transa. Isso interessa a todos a partir do momento que é candidato.

Já em Outubro, no calor da disputa pela Prefeitura, mudou de idéia:

- Para a maioria, menos desavisada do que parece, essas perguntas assinalam que as campanhas de Marta e de McCain estão dispostas a uma boa dose de indignidade moral para se manterem em vida.

Para esse tipo de funcionário do publisher José Serra, a coerência não tem a mínima importância. Se necessário for para atender seu chefe, o articulista pode bem defecar na cabeça de seus leitores. Faz parte desse tipo de jogo de sabujos.

O jornalismo da Folha nos brindou com inúmeros outros exemplos dessa estratégia de esculacho informativo.

No dia 24 de Outubro, por exemplo, a versão eletrônica do jornal tratou alucinadamente da carta enviada pela Prefeitura a famílias que seriam despejadas.

O título deveria entrar para os anais do cafajestismo midiático:

- Marta arma pegadinha para Kassab em debate com suposta carta de despejo.

O termo "pegadinha" leva o leitor a acreditar que se trata de uma farsa, numa referência que coloca sob suspeita a candidata. Afinal, é isso que as pessoas entendem da expressão. "Pegadinha" é a tramóia lúdica de Sérgio Malandro. Coisa de enganar. Coisa de iludir.

Em seguida, utiliza o termo "suposta" para descaracterizar a denúncia. Os vassalos tecladores da Folha nem se deram ao trabalho de checar a informação. Os assessores de imprensa do DEM talvez fossem mais cuidadosos do que os folhistas em questão dessa importância.

No dia seguinte, o mesmo UOL reconheceu a autenticidade do documento num texto truncado, ilustrado por um Kassab sorridente em meio a um bando de correligionários, numa festa no bairro da Liberdade. A Folha, tal qual porta-voz do candidato, afirma sonsamente que a carta foi coisa do "quarto escalão" da Prefeitura.

Opus Estadão

Para liderar a campanha de Kassab, o Grupo Estado precisou submeter-se a um radical processo de modificação na cobertura da área de Cidades.

Desde Abril, o editor-chefe José Roberto Gazzi (ex-editor de Cidades) trabalhou para transformar a redação em uma espécie de agência de publicidade. A estratégia principal foi exagerar o impacto das obras de Kassab e, ao mesmo tempo, esconder tudo que lhe fosse negativo. No Estadão, os jornalistas obraram estimulados por mimos generosos ou coagidos pelo implacável chicote.

A supervisão desse trabalho esteve a cargo de Carlos Alberto Di Franco, numerário da Opus Dei, emissário no Brasil da ultra-conservadora Universidade de Navarra e diretor do curso Máster em Jornalismo. Estranhamente, deu as costas a seu colega de seita, o alquimista desempregado.

Entre outras atividades, Di Franco costuma aliciar jovens jornalistas e conduzi-los a cursos de "aperfeiçoamento" na Espanha. O ferrenho defensor da moral e dos bons costumes, discípulo do Monsenhor Escrivá, continua respeitado pela família Mesquita, mesmo depois que foi encontrado em trajes sumaríssimos vagando assustado pelas margens do Rio Pinheiros.

O Estadão tratou de informar com timidez ou simplesmente ignorar todos os lances da prisão do fiscais mafiosos da Mooca, na Zona Leste. Os líderes do grupo eram o braço direito do subprefeito e um dedicado cabo eleitoral de Kassab. Boa parte das matérias levantadas pelos repórteres acabaram na lata de lixo do editor-chefe, usuário permanente do chamado "telefone azul", linha de conexão direta com o governador José Serra.

A negligência vermelha

O processo de desconstrução da imagem da esquerda tem como referência também a incapacidade das lideranças em oferecer respostas rápidas e assertivas às falsidades e deturpações produzidas pelos midiocratas.

Logo após o embate entre policiais civis e militares, diante do Palácio dos Bandeirantes, o editor-chefe de todos veículos de comunicação foi à TV imputar ao PT e à CUT a responsabilidade pelo conflito.

Ora, se o governador usa som e imagem para acusar uma entidade, o que se espera dos caluniados? Qualquer manual básico de guerrilha informativa dirá: valha-se do mesmo "canal" (a TV) e desminta o acusador no tom indignado que a situação exige.

O presidente do PT estadual (que é jornalista!!!), entretanto, preferiu emitir uma notinha escrita para rebater as acusações. Se estivesse alerta e soubesse lidar apropriadamente com o problema, deveria ter convocado uma coletiva de imprensa. Assim, diante das câmeras, poderia contestar o governador.

A burocracia interna, a desmobilização da militância e a ausência de uma política de comunicação efetiva têm produzido sérios danos à esquerda brasileira, especialmente ao PT.

As respostas são lentíssimas. Por vezes, não há resposta alguma. Os midiocratas afirmam o que bem entendem, sem contestação. Muitas vezes, os próprios petistas se orgulham (ridiculamente) de aparecer na Folha ou no Estadão, o que apenas empresta credibilidade a seus algozes.

Até recentemente, parte dessa campanha difamatória permanente era combatida no boca-a-boca, na atuação determinada da militância. Esses grupos de abnegados, entretanto, remanescentes da excelente (e antiga) política de nucleação por bairros, desapareceram. O PT de base foi substituído pelo PT parlamentar e pelo PT das altas instâncias partidárias.

Perdidos e tontos

Poucos meses antes da eleição, a região Brás-Mooca sofria com a já citada livre ação da máfia dos fiscais. Ainda assim, o subprefeito local ganhou uma elogiosa matéria de capa, com 9 páginas, na revista Planeta Mooca, que tem tiragem de 10 mil exemplares. Eduardo Odloak, membro veterano da Juventude do PSDB, é ali tratado como um superstar pop. Nada se relata de suas ligações com a máquina da extorsão no comércio popular.

A esquerda distrital e municipal, entretanto, não apresentou qualquer contestação à cobertura laudatória. Subestima-se, hoje, tremendamente, o poder de persuasão da chamada imprensa de bairro. Nela, tanto na Capital, como em cidades do ABC, como Santo André, as forças conservadoras atuam de maneira ativa, comprando espaços editoriais para enaltecer seus representantes ou para enxovalhar a esquerda.

Entre perdidos e tontos, um ou outro ainda recorda a necessidade urgente de se constituir um "UOL vermelho" ou um jornal impresso que se proponha a oferecer informação limpa e variada. Afinal, não se pode pensar num veículo destinado a tratar exclusivamente de política.

Um dia antes da eleição paulistana, o Corinthians sacramentou seu retorno à elite do futebol nacional. Ao mesmo tempo, o Palmeiras perdeu de 3 a 0 para o Fluminense. São fatos importantíssimos no contexto do esporte, especialmente para os milhões de torcedores jovens que foram ler sobre esses jogos nos portais de Internet da Folha, do Estadão e da Globo.

Nesse momento, foram logo bombardeados por toda a campanha midiocrata a serviço dos candidatos conservadores. Ali, as manchetes tinham caráter imperativo, escoradas nas pesquisas de opinião: "Kassab deve ser eleito".

Na Itália, onde a esquerda enfrenta uma crise sem precedentes, acumulam-se inúmeros equívocos políticos e também uma desmobilização dos núcleos sindicais e cooperativos de militantes. Gramsci foi quase esquecido e não há um projeto pedagógico para a formação de novas lideranças. Os vermelhos lá são velhos, fenômeno que começa a se reproduzir também no Brasil.

Ainda assim, há pelo menos dois jornais de alcance nacional a serviço das idéias transformadoras, ambos com sites na Internet. Aqui, nem isso. Nada. Coisa alguma. Um vácuo de palavras. Vivemos uma ditadura informativa liderada por truões como Reinaldo Azevedo, Mainardi e outros pilantras bem remunerados. Enquanto isso, na sala de controle, os perdidos e tontos, órfãos da mídia, contentam-se apenas com migalhas .

Fonte: Vi o Mundo

O QUE É NOVIDADE É A PENA A FONTE DA INFORMAÇÃO


29 DE OUTUBRO DE 2008

Ex-jornalista da Globo denuncia operação pró-Serra 2010


No seu blog, o ex-jornalista da Globo Rodrigo Viana diz que leitores e ouvintes mais atentos perceberam na demissão do âncora da CBN no Rio de Janeiro, Sidney Rezende, os preparativos para a cobertura das eleições 2010. ''A moto-serra dos tucanos vai passar sobre várias cabeças no jornalismo global'', diz Viana, referindo-se a demissão de profissionais que supostamente não concordariam com uma cobertura favorável à candidatura do governador de São Paulo, José Serra, à Presidência da República em 2010.

“CBN demite âncora independente – Operação 2010 já começou?”, questiona no título do comentário postado. Ele diz não conhecer o jornalista Sidney Rezende pessoalmente, mas que era considerado pelos colegas “como um jornalista que exercia sua independência, apesar de a CBN também estar sob os tentáculos de Ratzinger - o agente das sombras do jornalismo global, o homem que articula a candidatura Serra.”

Rodrigo Viana afirmou que conversou com um âncora da CBN, que pediu para não ser identificado, que teve sua cabeça pedida pelo governador de São Paulo. Serra não teria gostado “de entrevista feita pelo âncora com um economista, questionando a forma como a Prefeitura de São Paulo – na época administrada por Serra - investia suas sobras de caixa.”

“Esse outro âncora conseguiu preservar a cabeça sobre o pescoço. E segue fazendo bom jornalismo. Até quando?”, volta a questionar.

O jornalista também coloca em evidência a demissão de Luiz Carlos Braga da Globo de Brasília e diz que a operação desencadeada lembra o que foi feito em 2006. “Há dois anos, às vésperas da eleição presidencial, a Globo livrou-se do comentarista Franklin Martins (ele conta os bastidores completos, numa bela entrevista à revista Caros Amigos) porque este não fechava com a linha oficial da emissora de sentar a pancada em Lula, e dar aquela mãozinha pros tucanos”, lembra Viana.

Após a demissão de Franklin Martins, Viana se coloca na lista de outros jornalistas que foram “limados” por discordarem da conduta jornalística da emissora na cobertura das eleições. Constam dessa relação Luiz Carlos Azenha, Carlos Dornelles e o editor de política Marco Aurélio Mello.

''As Organizações Globo estão demitindo todos os jornalistas moderados, isentos. Será um tiro no pé se a Lucia Hippolito assumir o lugar do Sidney. Primeiro porque ela é de São Paulo, agora mora no Rio e sempre morou na zona sul e não conhece o subúrbio, zona norte, oeste, etc, ao contrário do Sidney que morou em Bangú. Segundo porque todos sabem que as opiniões dela não são isentas, sempre com viés partidário tucano”, comentou Stanley Burburinho, um leitor do blog rodrigoviana.com.br

Sem detalhes, diretora nega motivação política

No mesmo espaço, a diretora executiva de jornalismo da emissora, Marisa Tavares, negou a motivação política da demissão. Num curto comunicado, ela diz que a direção da CBN tomou a decisão baseada “em novos desafios que surgiram para a programação e agradeceu a Sidney Rezende pela dedicação à emissora.

“Gostaria apenas de observar que todos os profissionais da CBN compartilham os mesmos valores e trabalham para, diariamente, levar a seus ouvintes e internautas um noticiário isento e de credibilidade. O próximo responsável pela ancoragem do CBN Rio não se distanciará minimamente deste código que pauta nossa conduta”, diz a diretora.


De Brasília,

Iram Alfaia , Portal Vermelho

EXEMPLO DE TRANSPARÊNCIA


CGU vai auditar 60 prefeituras em todo o País


A Controladoria-Geral da União (CGU) realizou nesta manhã mais um sorteio de municípios e estados que serão fiscalizados quanto à aplicação dos recursos repassados pela União. Foram escolhidos 60 municípios e 8 estados. A análise dos recursos começa na próxima semana. Primeiro, os técnicos da CGU levantam os dados; depois vão até as localidades realizar auditorias. Também foram selecionados outros 10 municípios que receberão orientação e capacitação por meio do programa de fortalecimento da gestão pública.
Durante a fiscalização nos municípios, os auditores da CGU visitam obras, fazem checagem de documentos e de bens, além de conversar com gestores públicos e com cidadãos para saber como os programas do governo federal estão sendo desenvolvidos. Até o momento, a CGU já fiscalizou, por meio desse programa lançado em abril de 2003, a aplicação de pelo menos R$ 9 bilhões em recursos federais em 1,4 mil municípios e outros R$ 7 bilhões em recursos repassados a estados.Durante esse período, os fiscais já descobriram centenas de irregularidades. As fraudes mais comuns são em licitações.
Entre outras auditorias realizadas pelo órgão, mais de 1,8 mil agentes públicos desonestos já foram excluídos, segundo o ministro da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage. De acordo com Hage, também foram declaradas inidôneas mais de meia dúzia de empresas. A média de municípios com irregularidades oscila entre 70% e 75% de acordo com a própria CGU.
Hage reconheceu que o ideal seria que todos os municípios fossem fiscalizados, todavia, ressaltou que o órgão não possui corpo técnico suficiente para fiscalizar de uma só vez todos os municípios brasileiros. “As nossas equipes não conseguem mais que isso”, afirmou. No entanto, Hage ressaltou que também há fiscalizações da CGU por meio de denúncias, representações do Ministério Público e operações policiais. “Além dos sorteios dos municípios e dos estados, todos esses trabalhos acontecem ao mesmo tempo”, afirmou.Este ano, nas cidades com mais de 20 mil habitantes serão fiscalizados os recursos destinados à área de organização agrária, energia e gestão ambiental. Já nos municípios com mais de 100 mil habitantes, o alvo dos auditores será o setor de assistência social. A escolha dos setores também foi feita por meio de sorteio.Entre os municípios sorteados na 27ª edição do Programa de Fiscalização, o mais populoso é Barra Mansa, no Rio de Janeiro, com 176,5 mil habitantes. Já Santa Cecília do Sul, no Rio Grande do Sul, é a cidade com o menor número de habitantes: 1,8 mil. São Paulo e Bahia terão 10 municípios auditados, cinco cada um deles, o maior número de cidades escolhidas entre os 27 estados (veja tabela).
A cerimônia de abertura do evento contou com a presença do ministro-chefe da CGU e do presidente da União Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacom), Fernando Antunes, que discursaram sobre a importância do sorteio dos municípios como forma de inibir a corrupção e incentivar a participação da população. O ministro da Controladoria ressaltou que o programa de fiscalização dos municípios é inédito no mundo inteiro. “Não tem paralelo, nem similar em qualquer parte do mundo”, atestou Hage. “Não existe nada mais importante que a defesa do Estado e do dinheiro público”, completou.Os sorteios foram realizados nos mesmos equipamentos que a Caixa Econômica Federal utiliza para o sorteio das loterias, inclusive, o locutor oficial da CEF, Walter Miranda Júnior, foi quem conduziu o sorteio.
Amanda Costa e Leandro Kleber, Do Contas Abertas .
Comentário.
Nunca antes neste país se viu uma CGU tão atuante, tão imparcial.Agora é assim, roubou vai ser processado e julgado, não importa a filiação partidária do corrupto.

BOA NOITE

XÔ, BANDO DE CARPIDEIRA.

O imprensalão, através de seu representante maior no seguimento de jornal, publica no dia de hoje, na coluna de um dos líderes da Turma do Cupim, um comentário acerca de uma matéria que circulou no FT, diz o seguinte :"Lula está chateado, contrariado. Depois que caiu a ficha da gravidade da crise, culpa especuladores pelos problemas. A política de juros altos talvez tenha sido feita além da conta. Muita gente séria apontava erro de dosagem. Agora, presidente, não adianta chorar as pitangas", Lula enfrenta o seu mais importante teste econômico. Se fracassar, poderá ver a alta popularidade ir pelo ralo", diz o colunista Kennedy Alencar.
Masssssssss, vejamos o que diz o FT.
29/10/2008
Queda do real ameaça teoria de Brasil "descolado" da crise, diz "FT"
da BBC Brasil

A noção de que o mercado de capitais do Brasil está "descolado" do resto do mundo foi destruída nos últimos meses, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal britânico "Financial Times".

O real se desvalorizou frente ao dólar e o índice da Bovespa caiu para menos de 30 mil pontos na segunda-feira pela primeira vez em três anos, o que o tornou um dos cinco mercados mundiais com pior desempenho nos últimos seis meses, diz o jornal.

Analistas citados pelo "FT" associam a situação à influência de fatores externos e locais, como a queda no preço das commodities, fatores que parecem disfarçar, segundo o jornal, a crença de que o Brasil "está muito melhor posicionado para resistir a turbulências globais do que há uma década, quando chegou à beira do calote depois que as crises russa e asiática provocaram ataques contra sua moeda."

O jornal explica uma série de mudanças positivas ocorridas 'desde então", dizendo que "o governo agora é credor líquido do resto do mundo" e que "a recente desvalorização do Real, na verdade, reduz o peso da dívida soberana, em vez de elevá-la, como no passado".

Além disso, afirma o diário, "o Brasil tem mais de US$ 200 bilhões em reservas de moeda estrangeira para se defender de ataques especulativos".

"Mas as reformas que produziram essa resistência maior incluíram uma reforma nos mercados de capital do Brasil que os deixou muito mais integrados com o resto do mundo do que antes."

O "FT" lembra que entre os anos de 2004 e 2006, cerca de 70% do dinheiro investido veio de fora do país, e com o desenrolar da crise, esses investidores "correram para retirar seu dinheiro".

"Desde junho, investidores estrangeiros já retiraram cerca de US$ 23,5 bilhões da Bolsa de São Paulo."

Mas para o "FT", o governo agiu rápido para aliviar o medo causado pela queda no preço das commodities, a desaceleração do crescimento no Brasil e em todo o mundo no ano que vem, e o temor de que centenas de empresas brasileiras sofram prejuízos por ter apostado erroneamente no câmbio.

O jornal cita a liberação de crédito para empresas, o leilão de dólares e a compra de ações de bancos particulares por bancos estatais por parte do governo, como medidas para aliviar os efeitos da crise.

"Mas o sentimento dos investidores está, em última instância, a mercê de fatores que vão além do controle do governo", conclui a reportagem.
Comentário.
Como se vê, não há na matéria nada que justifique esta masturbação catastrófica do imprensalão.

BRIGA DE TUCANOS GRANDES



Aécio diz que vai disputar prévia do PSDB para escolha do candidato de 2010


da Folha Online

O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), disse hoje estar disposto a disputar prévias para escolha do candidato do partido para a eleição presidencial de 2010. Aécio é um dos nomes fortes do PSDB para encabeçar a chapa tucana. Mas o PSDB tem outro nome forte para a disputa de 2010: o governador de São Paulo, José Serra.

"Eu estou decidido a disputar qualquer prévia. O que eu tenho a dizer é que a prévia é um instrumento à disposição do partido e que deve ser regulamentado. Se chegarmos a um entendimento no ano que vem, melhor ainda porque houve um consenso das bases do partido", disse ele após participar de um congresso com prefeitos eleitos em Minas.

No entanto, ele disse que as prévias só devem ocorrer se houver disputa. "Se chegarmos a algum entendimento, e isso é possível também, não há necessidade de prévias. Mas elas não podem ser descartadas. Acho mais, acho que elas devem ser regulamentadas internamente pelo diretório nacional do partido para que estejam à disposição do PSDB. Se houver a necessidade de ouvir as bases em razão da existência de mais de um candidato postulando a indicação do partido, o que é absolutamente legítimo."

Ontem, o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), defendeu que o partido lance candidatura própria em 2010 e acenou para Aécio. "Deveríamos aproveitar o momento para preparar um nome nacional. Toda vez que se avizinha eleição presidencial, ficam três ou quatro na disputa. Eu acho que tinha que preparar agora um único nome nacional", afirmou.

Raupp não descartou que Aécio Neves migrasse para o PMDB caso os tucanos escolham Serra como candidato do partido à Presidência da República. "Só não precisamos dessa nacionalização do candidato se o Aécio se filiar ao PMDB", disse Raupp.

Hoje, Aécio negou a intenção de se filiar ao PMDB. Mas afirmou que tem a disposição de costurar uma aliança ampla incluindo o PSDB, o PMDB, o DEM e o PPS.

"Eu estou no PSDB, feliz no PSDB e acho que o PSDB pode se construir, quem sabe com o próprio PMDB, obviamente com os democratas que já estão conosco há algum tempo, com o PPS, com alguns outros partidos, uma aliança ainda mais ampla para conduzir um novo projeto. Acho que o meu papel é muito mais de aproximação do PMDB do que qualquer outro", disse Aécio.

A TURMA DA BOQUINHA


Oposição perde 910 prefeituras desde início da era Lula


O período de poder do presidente Luiz Inácio Lula da Silva representou uma desidratação municipal dos partidos de oposição. Em relação ao mapa eleitoral municipal de 2000, quando o tucano Fernando Henrique Cardoso ainda era o presidente, PSDB, DEM e PPS, atualmente as principais legendas da oposição, já encolheram em 910 prefeituras. A maior redução aconteceu com o DEM, que deve comandar a partir do próximo ano 532 cidades a menos do que fazia em 2000, quando ainda se chamava PFL.

Esses números apontam claramente a volatilidade da política nacional, onde grande parte dos políticos se alia automaticamente aos principais núcleos de poder do País, independentemente de ideologia. Assim, o PMDB, que se manteve na base de sustentação do governo federal durante as gestões de Fernando Henrique e de Lula, conseguiu preservar nos últimos anos sua condição de partido com o maior número de prefeituras. Enquanto era aliado de Fernando Henrique em 2000, os peemedebistas conquistaram a gestão de 1.257 cidades.

Na eleição seguinte, em 2004, houve uma queda por conta da demora do partido em aderir completamente ao novo governo petista. O PMDB perdeu 200 prefeituras, mas mesmo assim ainda venceu em 1.057 cidades. Agora, completamente afinado com o governo Lula, o partido voltou a se fortalecer, com vitórias em 1.203 municípios.

Para a oposição, ao contrário, o afastamento do Palácio do Planalto significou a redução de sua capilaridade municipal. Em 2000, quando ocupava a Vice-Presidência da República e era o segundo partido mais forte do governo Fernando Henrique, o então PFL ganhou em 1.028 cidades. Quatro anos depois, caiu para 790. Desde então, já com o nome novo (DEM) e um discurso muito forte de oposição ao governo federal, a queda foi mais drástica ainda, com a vitória em apenas 496 cidades, embora tenha vencido em São Paulo - a maior de todas. Um desempenho pior, por exemplo, que o modesto e governista PP, que ganhou em 549 municípios.

Entre os tucanos, a queda foi menos sensível até por conta dos importantes governos regionais controlados pelo partido, como São Paulo e Minas Gerais, e pela expectativa de poder para a sucessão presidencial de 2010. Mesmo assim, os tucanos perderam 204 cidades desde 2000. Menor dos três partidos de oposição, o PPS também sentiu na pele os efeitos de ser ou não aliado do governo. Em 2000, tinha 166 prefeituras. Com a vitória de Lula, o PPS se juntou à base aliada. Assim, saltou em 2004 para 306 prefeituras. Mas o PPS rompeu com o governo nesse mesmo ano. Na oposição, o PPS voltou a encolher, caindo agora para 132 prefeituras.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Comentário.
Duvido um petista sair do PT para ir para o DEMO, PPS, PSDB ou PMDB.Só sai se for por expulsão, como no caso de Heloísa Helena, Babá e outros.Ou então por perda de espaço político, como ocorreu com Soninha, que foi pro PPS(por sinal, tá com um pé no DEMO), e com Paulo Rubem(PT-PE), que foi para o PDT.

HÁ SEMPRE OS QUE TORCEM CONTRA. INCRÍVEL!

Concreto judicial

Mais de 900 ações dificultam andamento de obras do PAC


Desde que foi anunciado, em janeiro de 2007, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) — menina dos olhos do governo Lula — foi alvo de 923 ações judiciais. Um terço desses processos foi ajuizado de abril a setembro deste ano. Os números são da Advocacia-Geral da União e serão divulgados no seminário A Judicialização do PAC: Impactos ao Desenvolvimento do País, que ocorre entre 5 e 7 de novembro, em São Paulo.

A crescente demanda jurídica em torno de obras de infra-estrutura não é novidade. Uma das reclamações mais comuns de empresas envolvidas em grandes empreendimentos é a de que muitas vezes a Justiça atrasa a conclusão dos trabalhos e acaba por provocar prejuízos a todos os envolvidos no negócio.

Diante do fato, a AGU decidiu fazer o seminário para discutir formas de composição extra-judiciais dos conflitos em torno do PAC. Foram convidados atores do Judiciário, da administração pública e da iniciativa privada para identificar os principais entraves ao bom andamento dos projetos.

“O ideal é que se esgotem as vias administrativas de negociação antes de levar a questão ao Judiciário”, afirmou à revista Consultor Jurídico o advogado-geral da União, José Antônio Dias Toffolli. Para ele, “na maioria das vezes, é melhor compor e aceitar uma derrota parcial do que submeter o conflito à Justiça”.

O advogado-geral da União lembra que muitas vezes o que trava o andamento das obras são disputas das empresas em torno da licitação. “As obras de transposição do Rio São Francisco ficaram paradas seis meses por causa de litígio judicial entre empresas privadas”. Para Toffolli, o setor privado também tem de evitar ajuizar demandas que só servem para atrasar o andamento dos projetos: “A maior parte das liminares suspende as obras por alguns meses, mas acaba derrubada”.

Trincheira da União

Apesar de querer estimular o acordo, a AGU tem obtido sucessivas vitórias em torno dos projetos de infra-estrutura do governo. Para evitar que o PAC empaque na Justiça, formou uma equipe composta por 14 advogados públicos que cuidam exclusivamente dos processos relacionados com o pacote de obras de Lula.

“Não há nenhuma liminar hoje em vigor que impeça as obras já iniciadas”, afirma o procurador federal Marcelo de Siqueira Freitas, que faz parte do GPAC — Grupo Executivo de Acompanhamento das Obras do PAC. O procurador ressalta que há alguns projetos parados por conta de disputas em torno de desapropriação, mas as obras já iniciadas que foram contestadas na Justiça estão todas em andamento.

O GPAC centraliza as informações do contencioso e faz a consultoria jurídica prévia dos contratos para garantir que os editais estejam bem amarrados juridicamente.

Parte dos processos que a União e suas autarquias têm de enfrentar em torno das obras do PAC é exatamente por conta do novo modelo de contrato de concessão, no qual ganha o leilão a empresa ou consórcio que oferecer o menor preço de tarifa a ser cobrado do consumidor. Antes, a concessão era dada a quem oferecesse o maior valor de direito de outorga. O novo modelo foi bastante questionado.

Para Mauro Hauschild, diretor da Escola da AGU e coordenador do seminário que será feito em São Paulo, a discussão entre juízes, empresários, autarquias, agências reguladoras, órgãos de controle de contas e membros do Ministério Público servirá também para aperfeiçoar os modelos de contratos e evitar ações desse gênero.

“Também será fundamental criar um canal comum de diálogo. A idéia é: quando a Justiça determina a suspensão de uma obra, nós paramos a obra, mas em seguida sentamos juntos para discutir como sanar o problema em vez de deixar o projeto parado”, afirma.

Hauschild acredita que o encontro pode evitar problemas futuros. “Seremos responsáveis pela organização de uma Copa do Mundo e possivelmente uma Olimpíada. Eventos desse porte exigem grandes obras de infra-estrutura que não podem ficar paradas por falta de comunicação.”

Campeãs de audiência

A maior parte dos processos que afetam o PAC é por problemas na desapropriação das áreas em que serão feitas as obras. Das 923 ações em juízo, 561 são por esse motivo.

O governo determina a desapropriação com motivo de interesse público por meio de decreto. Em seguida, faz a avaliação e oferece o valor que acha justo ao proprietário da área desapropriada. Se o dono concorda com o valor, não há processo. Se não concorda, entra na Justiça contra a desapropriação. Essa é a razão mais comum das ações contra a União, suas fundações e autarquias.

“Há também casos em que se discute a utilidade pública da área, mas são mais raros. O maior motivo de disputa é o valor da indenização pelas áreas desapropriadas”, conta o procurador Marcelo de Siqueira Freitas.

O procurador também afirma que, apesar de serem ajuizadas em menor número, as ações que mais dão trabalho e nas quais as discussões são mais acaloradas são as que envolvem supostos danos ambientais. E, nestes casos, a maioria das ações é proposta pelo Ministério Público.

Veja os tipos de ações que envolvem as disputas em torno do PAC:


Ação de Desapropriação — 561
Ação Ordinária — 177

Ação Civil Pública — 87

Ação Possessória — 54

Ação Cautelar — 18

Mandado de segurança — 18

Ação Popular — 8

Total — 923 processos


Revista Consultor Jurídico, 29 de outubro de 2008.
Comentário.
Pelos tipos das ações, percebe-se claramente que boa parte da Turma do Cupim está por trás do entravamento das obras do PAC.Por sinal, esse filme é novo, teve início em 2003.

ENQUANTO ISSO, JOSÉ SERRASSUGA SÓ PENSA NA ELEIÇÃO DE 2010

29/10/2008

Delegado diz que greve em SP pode durar mais 720 dias


Um dos principais líderes da maior greve da história da polícia de São Paulo alerta: a paralisação só vai acabar quando uma ampla reforma da Polícia Civil for colocada em pauta pelo governo paulista.


"O movimento pode durar até o fim do governo, por mais 720 dias. Mesmo não sendo o que queremos", afirma o diretor da Associação dos Delegados de Polícia de São Paulo, o delegado André Dahmer.

Usando termos caros aos governos tucanos, Dahmer fala que a greve da categoria está sendo "proativa", na luta por um "choque de gestão". Ele defende que eventuais mudanças reivindicadas pelo movimento permitiriam a diminuição da ingerência política na definição dos quadros e a ascensão na carreira pautada em critérios técnicos, mais parecido com o que ocorre hoje com a Polícia Militar.

"Uma cidade como Adamantina, com 32 mil habitantes, tem três delegacias, uma seccional, cadeia pública e departamento de trânsito. Miracatu, com a mesma população, tem só um distrito. Cidade Tiradentes, em São Paulo, com 500 mil habitantes, também."

Os efeitos da greve dos policiais já são sentidos na emissão da segunda via de documentos como RG e Carteira de Habilitação nos postos do Poupatempo da capital paulista

O diretor nega que atua por interesses partidários. Com 17 anos de polícia, no ano 2000, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Dahmer era diretor da Secretaria Nacional de Segurança Pública e atuou como coordenador e articulador das ações de segurança nos diferentes Estados.

Em 2002, participou da elaboração do programa de segurança pública do então candidato a presidente pelo PSDB, José Serra. Nessa época, diz ter defendido grande parte das demandas existentes por parte das 18 entidades que integram a atual greve.
As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

PF:SEMPRE IMPLACÁVEL COM BANDIDO

29/10/2008

PF prende bicheiro, policial federal e mais 14 no Rio e em Natal

Folha Online, no Rio

Além do bicheiro Aniz Abraão David, o Anísio da Beija-Flor, outras 15 pessoas foram presas nesta quarta-feira na operação 1357, da PF (Polícia Federal) do Rio. Entre eles, está um agente da própria corporação. O grupo, segundo a PF, participava de um esquema de lavagem de dinheiro do jogo do bicho em Natal (RN).

Anísio é apontado como o chefe do esquema, junto com o policial federal Luciano Delgado Botelho.

O bicheiro, presidente de honra da Beija-Flor de Nilópolis, já havia sido preso durante a Operação Hurricane (furacão), que também desmantelou uma quadrilha envolvida com caça-níqueis.

Botelho era o "mentor intelectual" do grupo e o responsável por transportar parte da renda do jogo do bicho controlado por Anísio para Natal, disse o superintendente da PF no Rio, Valdinho Jacinto Caetano. Lá, segundo Caetano, o policial federal trocava o dinheiro com uma doleira, que que também foi presa.

O agente da PF havia conquistado a confiança de Anísio e, por isso, também detinha pontos de exploração de caça-níqueis no Rio, de acordo com Caetano. A PF afirmou que ele fazia o transporte dos lucros há pelo menos um ano, mas não soube dizer o montante do dinheiro lavado.

"Nós o consideramos sócio de Anísio. Ele subiu na hierarquia do bando, tanto que já era detentor de pontos de caça-níquel", declarou o superintendente.

A operação teve origem na PF de Natal, que, em uma investigação sobre o tráfico de drogas na cidade, descobriu a presença constante do policial federal Luciano Botelho. "Se detectou a presença desse agente lá, então começamos a investigar no Rio e descobrimos que o motivo da presença dele lá era o transporte de dinheiro cuja origem era a exploração de caça-níqueis do Anísio."

Botelho era funcionário da Delegacia de Ordem Social e Política da PF no Rio, responsável, entre outras funções, pela segurança de autoridades. Ele e os outros presos estão na carceragem da PF no Rio, na praça Mauá (centro).

Além de Anísio e Botelho, foram presos preventivamente, em Natal, Francisco Javier Rico, José Ivo de Freitas, e, no Rio, a doleira Marlene Bastos Chueke e Maurício Rodrigues Jannotti. Como os pedidos de prisão foram expedidos pela Justiça de Natal, Anísio, Chueke e Jannotti serão enviados para a cidade ainda nesta quarta-feira, segundo a PF.

A PF também cumpriu no Rio nove mandados de prisão temporária, contra Valter de Suoza, Sebastião Neto, José Maurício da Silva, Nagib Suaid, Almir dos Reis, Alexandre Pereira Dias, Cleveland Moraes, Tufi Brassil Neto e uma pessoa que não teve o nome divulgado.

Os agentes também cumpriram 28 mandados de busca e apreensão, mas nenhuma máquina de caça-níqueis foi recolhida, segundo o superintendente da PF.

A Folha Online ainda não conseguiu contato com os advogados de Anísio e dos outros presos.

O nome da operação, 1357, segundo Caetano, vem da forma como os membros do grupo se chamavam: primos.

Carnaval

Solto em dezembro por liminar concedida pelo STF (Supremo Tribunal Federal), Anísio participou este ano ativamente do desfile da Beija-Flor de Nilópolis, escola do qual é patrono e que se sagrou campeã no carnaval de 2008.

Na quadra da escola, foi aclamado e recebido com uma música em sua homenagem, cantada pelo intérprete Neguinho da Beija-Flor.
Comentário.
Não vai demorar para o ministro-empresário soltar todos eles.É questão de horas.

ENSAIO PARA UMA ANÁLISE ELEITORAL


Rareiam análises objetivas sobre a nova configuração eleitoral. A ansiedade ideológica e partidária mancha jornais de azul e amarelo e a esquerda, encurralada nos recantos obscuros (ou nem tanto) da web, entoa hinos de vitória. Por outro lado, creio que as pessoas minimamente esclarecidas já desenvolveram um criticismo saudável para navegar neste nevoeiro.

O linguista Noam Chomsky ensina que é possível se informar através da mídia corporativa, desde que se o faça filosoficamente, com estoicismo, evitando paixões e úlceras. Outra grande descoberta de Chomsky: ouça o que seus adversários têm a dizer. Acredite neles. Deixe-os tropeçar em suas contradições. Em se tratando de imprensa, não existe nada mais constrangedor do que entrar em contradição. Quer dizer, até pouco tempo atrás a imprensa tocava suas contradições tranquilamente. A internet surgiu como um dedo acusador, um gigantesco, ubíquo, onisciente e incansável umbudsman. A internet é o verdadeiro umbudsman da imprensa, visto que por mais que os jornais contratem pessoas idôneas para desempenhar esse papel, todos os conceitos lógicos sobre o homem, sua psicologia e sua inexorável dependência de proteínas, apontam a dificuldade de ser independente perante quem lhe paga o salário.

Há um fato novo político que os analistas ainda não detectaram: a interpretação dos resultados eleitorais escorregou das mãos corporativas da mídia e caiu no colo de blogs e sites independentes. Independência de opinião, lembre-se, não significa apartidarismo ou neutralidade e sim liberdade política, financeira e profissional. Analistas políticos profissionais muitas vezes não são independentes porque dependem da mídia para sobreviverem e, por isso, sacrificam sua liberdade em troca de pão.

Os fatos são os seguintes: a oposição perdeu votos, perdeu cidades, e os partidos da base aliada ganharam eleitorado e ganharam mais cidades. Simples. Se Lula deu um banho em 2006 do jeito que as coisas estavam, agora terá um arsenal partidário e administrativo ainda mais vigoroso para vencer novamente em 2010. As chances de Lula eleger um sucessor, portanto, fortaleceram-se. A batalha pelo poder no Brasil já começou. A mídia tem seu lado, o que tornam as vitórias da esquerda ainda mais saborosas, com implicações sociológicas ainda mais profundas não apenas sobre a economia brasileira, mas também sobre o futuro dos meios de comunicação.

CRISE? QUE CRISE?

29/10/2008 -
Desemprego atinge menor taxa para setembro desde 1998, segundo Dieese
Da Redação
Em São Paulo


O desemprego nas seis regiões metropolitanas do país analisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos) caiu de 14,5% em agosto para 14,1% em setembro. É a menor taxa já registrada para o nono mês do ano desde 1998. Em setembro do ano passado, o nível de desocupação estava em 15,5%.

A pesquisa constatou que existem 2,839 milhões de pessoas desempregadas nas regiões estudadas, 72 mil a menos que em agosto. O contingente de ocupados é de 17,347 milhões.

DESEMPREGO NO BRASIL (%)
Brasília 17,3 15,8
Belo Horizonte 11,4 9,5
Porto Alegre 12,8 11,2
Recife 19,2 20,4
Salvador 21,7 19,7
São Paulo 15,1 13,5
TOTAL 15,5 14,1
Região set/07 set/08

Fonte: Dieese

Foram criados em setembro 130 mil postos de trabalho, número superior ao de pessoas que ingressaram no mercado (58 mil). A pesquisa abrange as regiões metropolitanas de Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo.

O desemprego caiu em todas as regiões analisadas, com exceção apenas de Recife (alta de 6,3%), quando se compara a taxa de setembro deste ano com a do mesmo mês do ano passado.

A maior queda foi em Belo Horizonte (redução de 16,7%). A taxa média das seis regiões caiu 9% nesse tipo de comparação (de 15,5% para 14,1%).

O nível de ocupação aumentou, de agosto para setembro, nos setores de serviços (171 mil novas vagas, alta de 1,9%), construção civil (18 mil postos, elevação também de 1,9%) e indústria (16 mil empregos, expansão de 0,6%). Houve diminuição no comércio (perda de 37 mil vagas, uma queda de 1,3%) e no que no conjunto dos demais setores (38 mil postos a menos, recuo de 2,5%).

O rendimento médio real dos trabalhadores ocupados subiu 1% de agosto para setembro, atingindo R$ 1.171. Já o rendimento dos assalariados, especificamente, caiu 0,4%, para R$ 1.227.
Comentário.
Todos os dias o PIG e a oposição cansada dizem que o Brasil já foi contaminado pela crise finaceira internacional. Crise? Que crise?

ATÉ QUANDO O IMPRENSALÃO VAI POUPAR JOSÉ SERRA?

Propina da Alstom
O volume de propinas pagas pela multinacional francesa Alstom a funcionários estrangeiros pode ter sido superior a US$ 430 milhões. O cálculo é da Justiça suíça, que investiga a suspeita de que a empresa subornou servidores de vários países, incluindo o Brasil, para ser favorecida em licitações de projetos públicos.

Segundo informações divulgadas ontem pelo Tribunal Federal Penal em Bellinzona, na parte italiana da Suíça, a Alstom pode ter pago mais de US$ 60 milhões por ano em propinas entre 1998 e 2007. O suborno era mascarado como "pagamento de consultorias", mas as empresas beneficiadas serviam para lavar e transferir o dinheiro da corrupção.

Os procuradores suíços consideram os pagamentos suspeitos porque muitos deles envolviam empresas que jamais prestaram nenhum consultoria à gigante francesa. Em alguns casos, afirmam, há provas de que o dinheiro acabou nas mãos de funcionários públicos de Itália, Zâmbia e México.

Mas o Ministério Público já havia informado que há pelo menos três investigações em curso, e que uma delas é sobre o uso de bancos suíços para pagar propinas no Brasil.

A principal suspeita envolve o pagamento de US$ 6,8 milhões a integrantes do PSDB, governo do Estado de São Paulo, para ganhar licitação de US$ 45 milhões do Metrô.

Há indícios, segundo os papéis divulgados ontem, de que foram pagas propinas de cerca de 1 milhão de euros (US$ 1,25 milhão) entre janeiro de 2001 e abril de 2003 a um funcionário na Zâmbia. O pagamento teria sido feito por meio de diversas empresas "offshore".

Além disso, duas companhias suíças apresentaram contas de mais de 10 milhões de francos (US$ 8,6 milhões) à Alstom, como parte do esquema de lavagem de propinas.

A Justiça suíça informou que o ex-executivo da Alstom que havia sido preso em agosto, em uma grande operação de busca e apreensão em escritórios da empresa no país, foi libertado no último dia 10, depois de superado o risco de que ele destruísse provas do caso.

A corte não forneceu o nome do executivo, mas ele foi identificado pela imprensa francesa como Bruno Kaelin, que teria coordenado o pagamento das propinas no Brasil e na Venezuela. Kaelin é acusado de gestão fraudulenta, corrupção e lavagem de dinheiro.(Folha)