quarta-feira, 5 de novembro de 2008

UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL



O MUNDO RESPIRA ALIVIADO


A era Bush finalmente chegou ao fim tendo provocado muitos estragos nos Estados Unidos e no mundo. A eleição do candidato democrata Barack Obama é um alívio, porque durante oito anos a Casa Branca foi ocupada por um esquema hediondo. Espera-se agora que o cosmopolita Barack Obama pelo menos tire o dedo do gatilho, para que o mundo possa respirar um pouco mais aliviado.

John McCain, mesmo tentando se apresentar descolado de Bush, quando indicou a tal Sarah Pallin de vice, na prática assinou sua sentença de morte política. Foi melhor assim.

Para se ter uma idéia de que tipo de político, mesmo descolado de Bush, representa McCain, vale registrar a grave denúncia de João Vicente Goulart sobre o assassinato do pai, o Presidente João Goulart.

Segundo João Vicente, Jango teria sido envenenado em uma operação conjunta dos serviços de inteligência brasileiro, uruguaio e argentino coordenado pela CIA, cujo chefe no Uruguai na época era Frederick Latrash, posteriormente assessor direto do Senador republicano John McCain. McCain ainda por cima esteve no Chile onde manteve conversações na moita com o aliado Augusto Pinochet.

Vale lembrar que Jango se viu obrigado a abandonar o seu exílio no Uruguai ao ser ameaçado de morte. Quando estava na Argentina e já se preparava para fixar residência na Europa, um agente do serviço secreto uruguaio, Mario Neira Barreiro teria trocado os remédios de Jango por um veneno que poderia ser detectado se fosse feita em 48 horas uma autopsia. Mas isso não aconteceu porque as autoridades impediram. O próprio Barreiro, que se encontra preso, por cometer outros crimes, em uma penitenciária gaúcha foi quem confessou o delito ocorrido em agosto de 1976.

Como lá se vão 32 anos ficará muito difícil comprovar materialmente o crime, salvo outra confissão. Como ex-agente da CIA, Latrash é protegido nos Estados Unidos e dificilmente será interrogado sobre o fato, como já foi pedido e não respondido.

Não se pode silenciar diante de fatos como este que envolve a suspeita de uma ação conjunta de ditaduras com o respaldo do governo dos Estados Unidos, mais precisamente quando era Secretário de Estado Henri Kissinger, uma figura sombria que foi beneficiada pela impunidade e certamente votou em McCain-Sarah Pallin. Neste caso, tanto para Latrash como para Kissinger, os crimes compensaram.

Mas nem só de eleições nos Estados Unidos vive o mundo. A crise financeira, que segundo especialistas ainda não mostrou toda a força, vai ser mesmo paga pelos de sempre, ou seja, os cidadãos contribuintes trabalhadores. Os banqueiros, o pessoal do agronegócios na hora agá, como sempre acontece, acaba sendo beneficiado pelo mesmo Estado que combateram ao longo do período em que a economia mundial flanava em céu de brigadeiro.

O que todos se perguntam é o que vem por aí? Daqui mais algumas semanas a mídia entrará na fase das previsões para 2009. Desde já, os maiores órgãos de imprensa brasileiros estão se ajustando ao esquemão de retorno do tucanato. Trocando em miúdos: de agora em diante, com crise ou sem, a palavra de ordem na mídia é de apoio integral a dom José Serra, Este, claro, vai querer aprofundar o que foi plantado e seguido em parte pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No esquema de dom Serra, retornam figuras como David Zylberstein, também conhecido como “o petróleo é vosso” (frase utilizada por ele em conversa com representantes de multinacionais do setor petrolífero), Armínio Fraga, Pedro Malan e assim sucessivamente.

Um ensaio foi tentado no Rio de Janeiro com Fernando Gabeira, mas não deu. Desta vez, não será de se estranhar a continuidade do atual presidente do Banco Central, Henrique Meireles, também um tucano.

Os analistas de sempre naturalmente serão convocadas para esta cruzada, que no final das contas resultará na consolidação do Brasil como um país talhado a servir apenas os interesses do grande capital.

Mas como até outubro de 2010 muita água vai rolar debaixo da ponte, por mais que a mídia conservadora queira, o jogo eleitoral não está selado, até porque nem mesmo uma boa de cristal pode prever o cenário daqui a dois anos.

Ah, sim: curioso, em sites da extrema-direita brasileira que pululam na Internet, Barack Obama é combatido como se fosse um Fidel ou Chávez. É que os defensores da tortura e assassinatos nos anos de chumbo já estão se sentindo desprotegidos por perderem um aliado como Bush ou o próprio McCain. Um filósofo reprovado na USP que o diga.
Mário Augusto Jakobskind, Direto da Redação.

BOA NOITE

ACONTECIMENTOS NOTÁVEIS


O mundo produziu, nos últimos sete anos, acontecimentos, notadamente na América Latina, fantásticos, extraordinários, dignos de nota.

O primeiro deles, e o mais importante, foi a eleição de Lula. Ninguém nunca imaginou que um torneiro mecânico, sem ter nem sequer a 8ª série, um autodidata, chegaria a governar 180 milhões de brasileiros. E Lula chegou, desbancando toda elite intelectualizada que governou o Brasil nos últimos 500 anos, e, ainda por cima, governando, não obstante os erros, muito melhor que toda a elite que o antecedeu. Hoje, Lula ostenta uma popularidade invejável, fruto do ótimo governo que vem fazendo nesses últimos seis anos.

O segundo deles foi a eleição de Michelle Bachalet para governar o Chile. Fato raro de ocorrer, num mundo ditado pelo machismo.

O terceiro deles foi a eleição de Evo Morales para governar a Bolívia. Assim como no Brasil, a elite boliviana nunca imaginou ser governada por um índio. Hoje, a contragosto dos poderosos, Morales governa a Bolívia como nunca antes outro presidente governou. Goza também de popularidade invejável.

Por fim, os americanos, um povo sabidamente racista, elegeram um negro para dirigir o destino dos Estados Unidos durante os próximos anos. A vitória de Obama é motivo de orgulho para toda comunidade negra do mundo. Não há paralelo na História dos EUA.

Não tem preço ver esses fatos ocorrendo no mundo, um mundo onde ainda existe, lamentavelmente, muito preconceito, muito racismo.

O povo desses países está de parabéns.

RÁPIDO E CERTEIRO

Assuntos pendentes - rápidos comentários

1) Governo Serra é tão ruim que está exportando sua incompetência para fora de São Paulo. As polícias civis de outros estados estão planejando greves em solidariedade a seus colegas paulistas. O PCC continua a crescer e agora domina o fornecimento de drogas para o Rio de Janeiro. Com agravante: vem obrigando, sob ameaça de interrupção do fornecimento de coca e maconha, os traficantes cariocas a comprarem crack, introduzindo esse veneno nas ruas do Rio de Janeiro, até pouco tempo atrás livres disso. A morte de Eloá teria obrigado qualquer governador de qualquer outro estado a rebolar bonito para responder à opinião pública, pedindo desculpas às famílias, anunciando medidas de modernização da polícia, etc. Em São Paulo, não. A tragédia terminou com final feliz, com os órgãos de Eloá "salvando vidas".

2) A recente rodada de privatização das rodovias paulistas foi comemorada com pompa pelo jornalões do estado. No domingo, porém, o repórter Agnaldo Brito consegue furar o bloqueio pró-Serra e publica reportagem na Folha mostrando que o processo irá criar 61 novos pedágios e aumentar fortemente o custo do transporte inter-estadual. Há aumentos previstos de mais de 400% em alguns trechos, o que irá implicar em lucros exorbitantes para as companhias responsáveis e aumento do custo para o setor produtivo nacional, já que, por São Paulo, passa grande parte da produção brasileira. Sem contar a facada nos cidadãos.

3) Gilmar Mendes respondeu à declaração de Dilma Roussef de que tortura é crime imprescritível dizendo que terrorismo também o é. Está certo, Excelentíssimo. Mas, segundo a ONU, a guerrilha urbana e rural que lutava contra a ditadura militar não se enquadrava no conceito de terrorismo, mas de insurgência, visto que a ordem democrática foi rompida em 1964 pelo golpe militar. Na ânsia de defender os torturadores e os direitistas, Mendes cometeu um deslize conceitual gravíssimo. Mendes está virando vilão de história em quadrinho.

VAMOS VER NO QUE VAI DAR


Justiça determina quebra do sigilo fiscal do filho de Covas

Investigado sob suspeita de integrar esquema na CDHU, Mario Covas Neto diz ver má-fé
Ministério Público apura desvios de R$ 38 milhões em contrato de 1996 entre empresas de vigilância e a companhia de habitação
LILIAN CHRISTOFOLETTIDA REPORTAGEM LOCAL
A Justiça do Estado de São Paulo determinou a quebra do sigilo fiscal do advogado Mario Covas Neto, filho do governador Mario Covas (PSDB), morto em 2001. Contra Zuzinha, como é conhecido, pesa a suspeita de ter participado de um desvio de cerca de R$ 38 milhões dos cofres da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), do governo paulista.Procurado pela Folha, Zuzinha diz que a acusação é uma aberração e que, nos últimos 12 anos -quando teria ocorrido o desvio-, nunca foi sequer questionado pelas autoridades sobre os fatos. "Isso é má-fé do Ministério Público. É frustrante e irritante ficar numa situação como essa, defendendo-se de algo que não existe."O juiz Randolfo Ferraz de Campos, da 14ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, também determinou a quebra dos sigilos bancários e fiscais do ex-presidente da CDHU Goro Hama, do ex-diretor Ruy Mendes Reis Júnior e das empresas de segurança privada Power (ligada à Tejofran) e Gocil.A investigação da Promotoria da Cidadania começou em dezembro de 2006, depois que o Caex, órgão de apoio operacional do Ministério Público, concluiu um laudo apontando suposto superfaturamento e fraude num contrato firmado entre a CDHU e as duas empresas de segurança.Pelo acordo, assinado em 1996, a Gocil e a Power tinham de fornecer vigilantes para obras e terrenos de conjuntos habitacionais construídos pelo governo. O contrato terminou em 1999 -Covas administrou o Estado de 1995 a 2001.Zuzinha não teve cargo público nem trabalhou nas empresas. Para o Ministério Público, há forte indícios de que ele tenha atuado como lobista para favorecer a Power e a Gocil dentro do governo.À Justiça, o promotor Silvio Marques, responsável pelo caso, apontou ligações pessoais entre Zuzinha e um dos donos da Power, Antonio Dias Felipe, que é padrinho de casamento dele e foi um dos colaboradores nas campanhas de Covas.O promotor informou ainda ter colhido depoimentos de testemunhas que relacionam Zuzinha ao um suposto interesse em beneficiar as empresas. Foi ouvido o ex-deputado federal Afanázio Jazadji (DEM), que diz ter ouvido do próprio Reis Jr. que Zuzinha dava proteção aos "esquemas".A Promotoria sustenta que a quebra do sigilo fiscal e bancário de todos os suspeitos, de 1995 a 2000, é fundamental para saber se houve pagamento de propina ou enriquecimento ilícito -todos são apenas investigados, não há nenhuma acusação formal contra eles.

VIVA A DEMOCRACIA! VIVA O DEMOCRATA, DE LÁ, CLARO!

Obama faz história e conquista a Casa Branca

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

WASHINGTON (Reuters) - O democrata Barack Obama conquistou a Casa Branca na terça-feira, após uma extraordinária campanha de dois anos, derrotando o republicano John McCain e fazendo história ao se tornar o primeiro negro a ser eleito presidente dos Estados Unidos.

Obama tomará posse como 44o presidente dos Estados Unidos em 20 de janeiro de 2009, tendo pela frente enormes desafios, como a crise econômica, a guerra do Iraque e a reforma do sistema público de saúde. Seu vice será o senador Joe Biden.

A vitória de Obama foi projetada pelas redes de TV às 2h de quarta-feira (hora de Brasília), com o fechamento das urnas na Costa Oeste. Mas a derrota de McCain já parecia evidente com o andamento da apuração em Estados importantes, especialmente Ohio e Pensilvânia. A Flórida também acabaria com o democrata.

A vitória de Barack Hussein Obama, 47 anos, filho de um negro do Quênia com uma branca do Kansas, é um marco na história dos EUA, 45 anos após o auge do movimento dos direitos civis liderado pelo pastor Martin Luther King.

"Ela já estava vindo havia muito tempo, mas nesta noite, por tudo o que fizemos hoje, neste momento definidor, a mudança chegou à América", disse Obama a 125 mil eufóricos simpatizantes reunidos na festa da vitória no Grant Park, em Chicago.

"O caminho pela frente será longo. Nossa escalada será árdua. Podemos não chegar lá em um ano ou em um mandato, mas América, nunca estive tão esperançoso do que nesta noite de que chegaremos lá", afirmou.

Obama, senador em primeiro mandato por Illinois, comanda uma goleada eleitoral democrata, que também ampliou a maioria do partido na Câmara e no Senado, numa demonstração de repúdio do eleitorado aos oito anos do governo republicano de Bush.

McCain, 72 anos, senador pelo Arizona e ex-prisioneiro de guerra no Vietnã, telefonou para Obama para cumprimentá-lo e elogiou a campanha instigante e inédita do adversário.

"Chegamos ao final de uma longa jornada", disse McCain a simpatizantes. "Peço a todos os norte-americanos que me apoiaram que se juntem a mim não só em cumprimentá-lo, mas em oferecer nossa boa-vontade ao nosso próximo presidente."

A vitória de Obama motiva festas em todo o país, da Times Square, em Nova York, à Igreja Batista Ebenezer, em Atlanta, onde Martin Luther King pregava.

"Esta é uma grande noite. Uma noite inacreditável", disse o deputado John Lewis, da Geórgia, que em 1968 foi brutalmente agredido pela polícia de Selma, Alabama, durante uma passeata pelo direito ao voto para os negros.

O pastor Jesse Jackson, ativista do direitos civis e duas vezes pré-candidato a presidente na década de 1980, participou da festa em Chicago, com lágrimas nos olhos.

ECONOMIA

Numa campanha dominada até o final por notícias ruins na economia, a liderança de Obama e suas propostas sobre como lidar com a crise desequilibraram a disputa a seu favor. As pesquisas de boca-de-urna mostraram que a economia era a principal questão da campanha para 60 por cento dos eleitores.

Obama promete reduzir impostos para norte-americanos de classe média e baixa, cobrando mais dos que ganham acima de 250 mil dólares por ano. Com esse discurso econômico, conquistou Estados onde há grande eleitorado operário, como Ohio.

O democrata venceu também em Flórida, Virgínia, Iowa, Novo México, Nevada e Colorado, todos eles Estados que haviam votado em George W. Bush em 2004. Obama também confirmou a preferência democrata para a Pensilvânia, último Estado onde McCain ainda alimentava esperanças de uma virada.

Obama vencerá com mais de 300 delegados no Colégio Eleitoral, bem acima dos 270 necessários. Com quase dois terços das urnas apuradas em todo o país, Obama tinha 51 por cento dos votos populares, contra 48 por cento de McCain.

A votação encerra uma épica campanha de dois anos, marcada por uma rápida ascensão de Obama, até então um obscuro senador recém-eleito, e uma acirrada disputa pela indicação partidária contra a senadora Hillary Clinton.

Paralelamente a isso, McCain recuperou uma candidatura que parecia perdida e conseguiu a indicação republicana, chegando a liderar as pesquisas em alguns momentos --até que em setembro a crise em Wall Street deslocou a balança definitivamente em favor de Obama, mais bem avaliado pelo eleitorado em questões econômicas.

A campanha republicana ainda tentou reagir acusando Obama de ser "socialista" por querer redistribuir renda, ou de ser "camarada" de terroristas.

Mas, num ambiente de hostilidade aos republicanos, McCain sofreu para se distanciar de Bush. As pesquisas de boca-de-urna indicam que três quartos dos eleitores acham que os EUA vão no rumo errado.

Na disputa pelo Congresso, os democratas também obtêm bons resultados. Dificilmente, porém, conseguirão "roubar" nove vagas dos republicanos no Senado, formando a cobiçada "superbancada" de 60 integrantes, o que impediria a oposição de realizar obstruções regimentais.

Ainda há algumas disputas em aberto, mas os democratas preservaram todas as suas vagas e tiraram cinco dos republicanos --inclusive de políticos de destaque, como John Sununu (New Hampshire) e Elizabeth Dole, esposa de Bob Dole, candidato republicano a presidente em 1996.

Os democratas também ampliaram sua bancada na Câmara em cerca de 25 deputados, o que lhes garante uma ampla maioria.

UMA ÓTIMA RESPOSTA AO MINISTRO-EMPRESÁRIO

04/11/2008

Dirceu diz que é absurdo chamar de terrorista quem lutou contra a ditadura militar

da Folha Online

Em post publicado em seu blog, o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) diz que é um absurdo chamar de terroristas os grupos que se manifestaram contra a ditadura no Brasil. Ontem, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, afirmou que os crimes de terrorismo são imprescritíveis, assim como os delitos de tortura.

Mendes comentava as manifestações da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) de que os torturadores do período de regime militar (1964-1985) não são beneficiados pela prescrição.

Sem citar Mendes, Dirceu afirmou que petistas e tucanos "lutaram contra a ditadura em organizações armadas". "Por nós e por eles, e por todos que não viram outra forma de luta, de ação de resistência à ditadura naquele momento, é que eu afirmo que é um absurdo classificar como terroristas os que se opuseram à ditadura. A considerar assim, ministros e secretários de Estado foram acusados de terrorismo", diz ele em seu blog.

A discussão faz parte da polêmica que veio à tona com a discussão sobre a aplicação da Lei de Anistia. Os ministros Tarso Genro (Justiça) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) defendem a criminalização daqueles que cometeram o crime de tortura na ditadura.

Ao comentar o assunto, Mendes disse ontem que repudiava as tentativas de ideologização e politização desse tipo de debate. "Essa discussão sobre imprescritibilidade é uma discussão com dupla face, porque o texto constitucional também diz que o crime de terrorismo é imprescritível", disse Mendes.

Presa e torturada na ditadura militar, Dilma disse na semana passada que o crime de tortura era imprescritível. "Eu, pessoalmente, como cidadã e indivíduo, acho que crime de tortura é imprescritível", disse a ministra no programa de rádio 'Bom Dia, Ministro'.

Em seu blog, Dirceu diz que a discussão se a lei perdoou os crimes de tortura e de terrorismo vai além da anistia. Ele pergunta se "eram terroristas os que se levantaram contra um Estado terrorista, que derrogou pela força a Constituição de 1946, revogou as prerrogativas da magistratura, extinguiu os direitos e garantias individuais, pôs fim às eleições diretas para presidente da República, governador, prefeitos de capital e áreas de segurança nacional, e de um terço do Senado, implantou a censura prévia, institucionalizou a tortura e o assassinato político, extinguiu o direito de greve, de organização e de manifestação".

E questiona se Nelson Mandela também é terrorista." Ele mesmo responde: "Evidentemente que não". "Espero que a Justiça ao examinar um dia essa questão, antes de mais nada decida que o regime que vigorou no país com base no golpe de Estado de 1964 era ilegal e inconstitucional e os que lutaram contra ele, os que se insurgiram contra a tirania, tinham direito líquido e certo de fazê-lo, reconhecido pela carta das Nações Unidas."

AGU

A discussão ganhou novos contornos após a AGU (Advocacia Geral da União) emitir um parecer no qual considera perdoados pela Lei da Anistia os crimes de tortura cometidos na ditadura.

O parecer da AGU foi anexado ao processo aberto em São Paulo a pedido do Ministério Público, que pede a responsabilização dos militares reformados Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir Santos Maciel, comandantes do DOI-Codi nos anos 70, por morte, tortura e desaparecimento de 64 pessoas. A posição da AGU criou uma crise no governo.

Tarso e Vannuchi criticaram publicamente a decisão do órgão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu ontem por cerca de meia hora com Tarso e com o advogado-geral da União, José Antônio Toffoli.

Após o encontro, Tarso sinalizou que a AGU deverá rever o parecer. "Essa correção deverá ser feita de maneira técnica", afirmou Tarso. "[O parecer] foi elaborado de forma profissional e técnica, definido pela AGU", disse ele, informando que não houve interferência do Palácio do Planalto nem de outros órgãos federais.

Explicações

No último dia 27, a Organização Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) exigiu do governo brasileiro explicações sobre a responsabilização dos crimes de tortura ocorridos durante a ditadura. O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, apresentou as justificativas do Brasil à OEA.

A entidade não-governamental Cejil (Centro de Defesa de Justiça e Direito Internacional) encaminhou requerimento à OEA questionando a posição do governo brasileiro, no qual afirma que o Brasil estaria descumprindo acordos internacionais.

Com Folha de S.Paulo.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

DEPUTADOS REJEITAM DESTAQUE AO PROJETO DO FUNDO SOBERANO

4 DE NOVEMBRO DE 2008



Por 223 votos a 83 e quatro abstenções, os deputados rejeitaram o destaque do PSDB ao projeto de lei que cria o Fundo Soberano do Brasil (FSB). A investida tucana foi contra o substitutivo do deputado Pedro Eugênio (PT-PE) que aloca recursos no fundo oriundos da emissão de títulos da dívida pública. O FSB servirá para o governo investir em projetos estratégicos de empresas brasileiras no exterior. O texto agora vai para a votação no Senado onde a oposição tentará novamente modificar.

O FSB é considerado um importante instrumento para mininizar os efeitos da crise financeira internacional na economia brasileira. O crédito será usado para incrementar a exportação.

Antes, os deputados já haviam rejeitado emenda proposta por Roberto Magalhães (DEM-PE) que permitia ao governo o uso somente de ações preferenciais sem direito ao voto de empresas estatais da União na incorporação de recursos no fundo.

O texto do Projeto de Lei 3674/08, aprovado semana passada, prevê o uso de qualquer tipo de ação, desde que a União mantenha o controle acionário da empresa.

Pedro Eugênio explicou que debateu com especialistas da Casa e do governo sobre o assunto e mantém a opinião contrária à emenda. "No texto já existe a salvaguarda que exige do governo a manutenção do controle acionário da empresa e a maior parte das ações em poder da União são ordinárias (com direito a voto), o que prejudicaria o fundo", afirmou.



De Brasília com Agência Câmara .
Comentário.
Essa oposisão golpista, invejosa, medíocre não ganha uma.

HAJA CAIXÃO DE DEFUNTO


Dia de Finados: Auxílio-funeral custa R$ 57 milhões a União



Entre os benefícios que os funcionários públicos federais têm à disposição, existe um, em especial, que nenhum servidor deseja receber. Aliás, não o recebem, pelo menos diretamente. Trata-se do auxílio-funeral. Morrer custa caro no Brasil. É preciso providenciar o velório, a capela, o caixão, as flores, o cemitério, a mesa de condolência, o carro para remoção e diversos outros detalhes que, juntos, podem chegar à cifra de R$ 10 mil – às vezes até mais. Algumas urnas funerárias, por exemplo, dependendo do modelo, custam sozinhas milhares de reais. Contudo, as famílias dos servidores públicos conseguem evitar, além do desgaste pela morte de um parente, os custos do enterro. Isso porque os serviços funerais são cobertos pela União até determinado valor. Apenas este ano, em um país com dimensões continentais e com cerca de R$ 1,6 milhão de servidores públicos, entre ativos e inativos, as famílias dos funcionários falecidos receberam auxílio-funeral de aproximadamente R$ 57 milhões.
Se contabilizados os últimos sete anos, a conta paga pela União ultrapassa a casa dos R$ 444 milhões (veja tabela). Apenas a título de comparação, o montante representa mais que o dobro do valor aplicado pelo governo federal com o programa de erradicação do trabalho infantil esse ano, R$ 195 milhões.O auxílio-funeral é pago às famílias de servidores ou aposentados da União, quer sejam civis ou militares, para ressarcir o custo do funeral do funcionário falecido. O valor devido à pessoa da família corresponde a um mês da remuneração e ao terceiro que houver custeado o funeral, ao valor da nota fiscal, até esse limite. É obrigatória a apresentação de documentos como a cópia da certidão de óbito, as notas fiscais originais emitidas em nome do requerente, cópias da carteira de identidade e CPF e dados bancários do requerente: banco, agência e conta corrente.
O requerente ainda deve encaminhar, acompanhado da documentação, um requerimento padrão, disponível no site da Advocacia Geral da União (AGU), à Coordenação-Geral de Recursos Humanos, em Brasília. Para quem não mora em Brasília, deve endereçar uma carta para um endereço também na capital federal. Clique aqui para ver o site da AGU e mais informações sobre o benefício.
O órgão federal que mais desembolsou este ano com a conta de auxílio-funeral é o Ministério da Defesa. Entre janeiro e outubro, a pasta pagou R$ 22 milhões com o benefício. Desde 2001, foram cerca de R$ 201,9 milhões. A assessoria de imprensa informou que o órgão abrange funcionários das três Forças (Exército, Marinha e Aeronáutica) e que possui unidades espalhadas por todo o Brasil.
O segundo ministério que mais gasta com o pagamento do auxílio é o da Fazenda. O órgão desembolsou R$ 9,5 milhões esse ano. Desde 2003, a pasta hoje comandada por Guido Mantega já teve despesas com o benefício da ordem de R$ 59 milhões. Os ministérios do Turismo e das Cidades são os que menos gastaram com o item em 2008, R$ 13,8 mil e R$ 15,6 mil, respectivamente.Não é nada comum às pessoas fazerem o orçamento da própria morte.
Por conta disso, o suporte emocional precisa ser redobrado, pois o procedimento burocrático após o falecimento de um ente requer paciência e uma boa reserva financeira. A estudante universitária Verônica Morena Pinheiro perdeu um tio recentemente. Verônica conta que a família preferiu utilizar o serviço de cremação, que é bem mais barato.Contudo, em Brasília, aonde a maior parte da família, inclusive o tio que veio a falecer, mora, não há serviço de cremação.
Por isso, tiveram que ir até a cidade de Valparaíso, no Goiás. “Mesmo com a cremação, foi bastante burocrático. O crematório estava marcado para as 11 horas da manhã. Mas pouco depois das 10 horas nós ainda estávamos presos no cartório resolvendo pendências de documentos”, afirma.Para o economista e professor de finanças públicas da Universidade de Brasília Roberto Piscitelli, os valores pagos com o auxílio-funeral são irrisórios, consideradas as despesas globais da União. "Mas não deixa de ser pitoresco.
Por outro lado, é uma situação muito especial, em geral bastante dolorosa e sofrida, razão pela qual criticar esse benefício não seria muito simpático. Essas despesas existem mesmo e são elevadas", acredita. Segundo ele, que já viveu experiência pessoal familiar, o valor pago pelo cidadão comum brasileiro com os serviços funerais pode custar caro. "Quanto ao auxílio, não há tampouco relatos de fraudes ou coisas do gênero, como em muitos outros tipos de benefícios. É provável que esteja ocorrendo uma desaceleração dessas despesas, em função do 'retardamento' da morte do pessoal desta geração", conclui Piscitelli.
Amanda Costa e Leandro Kleber
Do Contas Abertas

SERRA E A DIREITA



Respondo aos numerosos navegantes que falam de José Serra, bem ou mal, pouco importa. Premissa: fui amigo de José Serra e ainda sou, salvo melhor juízo, embora não o encontre há muito tempo. Para ser preciso, desde os tempos de 2002, quando CartaCapital decidiu declarar seu apoio à candidatura Lula. Pode ser que ele esteja ofendido comigo e com a revista, certo é que não houve briga entre nós. Concordo com quem diz que os jogos ainda não estão feitos dentro das próprias hostes tucanas. Registro apenas que os jornalões já estão em campanha pró-Serra. O Estadão e a Folha de S.Paulo, certamente. Sei que não terá o apoio de CartaCapital: a esta altura do campeonato, para meu desapontamento, tornou-se um impecável representante da direitona paulista.
Blog de Mino Carta.

NUNCA ANTES NESTE PAÍS SE INVESTIU TANTO EM SANEAMENTO

04/11/2008

Acesso a saneamento no Brasil registra maior salto em 15 anos, diz FGV

da Folha Online

Entre 2006 e 2007, o acesso à rede saneamento básico no Brasil teve o maior salto desde 1992, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) em parceria com o instituto Trata Brasil. Em 2006, 53,23% dos brasileiros não possuíam acesso à coleta de esgoto, contra 50,56% em 2007 --menor índice em 15 anos, segundo o levantamento.

Se por um lado os dados são positivos, por outro, o índice ainda está muito aquém do ideal. De acordo com dados da ONU (Organização das Nações Unidas), entre 1990 e 2004, o Brasil recuou quase 20 posições no ranking mundial de acesso a saneamento.

Enquanto em 1990 o Brasil era o 48º país em acesso a saneamento --entre 177 países pesquisados pela ONU--, em 2004, figurava apenas na 67º posição. Para Raul Pinho, presidente executivo do Trata Brasil, a perda de posições pode ser explicada pelo crescimento da população urbana brasileira em comparação com a população rural neste período. "Os investimentos públicos não conseguiram alcançar este crescimento", afirmou.

Para Marcelo Côrtes Néri, chefe do CPS (Centro de Políticas Sociais) da FGV, a queda do número de pessoas que não têm acesso à rede de serviços de tratamento de água e esgoto pode ser um reflexo dos resultados de programas sociais do governo federal como o Bolsa Família e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Saúde

Os números da pesquisa revelam-se mais animadores quando considerados os efeitos sobre a saúde pública. Entre 2006 e 2007, a queda no índice de morbidade entre crianças de 1 a 4 anos de idade --relacionada a doenças infeccionas e parasitárias, diretamente ligadas ao acesso ao saneamento-- foi de 14,1%, contra um aumento contínuo médio registrado entre 2000 e 2006 de 4,1% ao ano.

Neste sentido, o Estado que registrou o maior recuo em relação aos índices de morbidade de crianças entre 1 e 4 anos de idade foi o Maranhão, que teve uma queda de 20,54% em um ano. Na seqüência, surge o Espírito Santo, com 19,95% de queda, seguido por Santa Catarina, com índice 19,78% menor que em 2006. Já o Estado de São Paulo obteve um recuo de 12,87%, contra 8,17% de Goiás --Estado que obteve a menor queda.

Gastos com saneamento

O levantamento também considerou os gastos da população com saneamento básico. De acordo com a pesquisa, o gasto médio mensal do brasileiro com contas de água e de esgoto é de R$ 6,83 por pessoa.

Entre as capitais, Natal é a cidade com a maior proporção de pessoas que pagam contas de água e esgoto --85,64%--, contra 21,27% em Brasília.

Para Anthony Wong, médico e toxicologista do Hospital das Clinicas da USP (Universidade de São Paulo), o dinheiro investido em saneamento básico diminui significativamente os custos com saúde. "Cada real que você investe em saneamento, você diminui em até dez vezes o custo com saúde", afirmou.

Apesar de não possuir dados oficiais, o médico afirmou que os reflexos do aumento ao acesso a rede de esgoto já são sentidos no HC. "Nos últimos dois anos, estamos vendo uma melhora no estado de saúde da população atendida, com uma queda nas doenças causadas pela falta de saneamento", afirmou.

Porém, o médico lembrou que em alguns Estados brasileiros a situação ainda é muito grave. O Estudo mostra que enquanto o déficit do acesso à rede de esgoto chega a 14,44% em São Paulo, no Amapá, 97,36% da população ainda não tem saneamento básico.

Esta é a terceira etapa do estudo, divulgado pela primeira vez em novembro do ano passado. Para tanto, a FGV cruza dados de várias fontes para avaliar as condições de saneamento básico da população brasileira, entre elas a a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

BOMBA!



ESCÂNDALO: JOSÉ SERRA INVESTE R$ 600 MIL EM REFORMA DE ESCOLA, PARA DEPOIS ANUNCIAR SEU FECHAMENTO! Mais uma do Gepeto!!

Deputado aciona Ministério Público contra fechamento de escola públicaSite de Carlos Gianazzi ( PSOL-SP )

01 de Novembro de 2008No último dia 31, através da tribuna da Assembléia Legislativa, o deputado Carlos Giannazi acionou o Ministério Público para que o órgão investigue e impeça a decisão da SEE em fechar a E.E. Mario Casa Santa, na Vila Alpina, zona leste da capital. O anúncio sobre o fechamento foi feito pela Diretoria de Ensino da região logo após o estado ter investido mais de R$600 mil em uma reforma na escola.A ação caracteriza crime de responsabilidade, argumenta o parlamentar, e nada justifica o fechamento de uma unidade pública de ensino na cidade de São Paulo, principalmente num momento em que a rede estadual vive o drama da superlotação de salas de aula e a falta de atendimento da demanda escolar.O deputado também pedirá à Comissão de Educação da Assembléia Legislativa, da qual é membro efetivo, a convocação da secretária estadual de Educação para esclarecer o fato.

MANÍACO DA TESOURA ATACA. E O QUE É PIOR: O PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA “ONG-PARCEIRA” INDG ( indigência? ), WALTER FONTANA, RENUNCIOU A CARGO DE DECISÃO NA SADIA S/A APÓS CAUSAR PERDAS DE R$ 760 MILHÕES À EMPRESA, EM OPERAÇÕES DESASTROSAS NO MERCADO FINANCEIRO!!!
Vejam:
SP inicia projeto para economizar R$ 100 milhões em gastos com dia-a-dia de escolas
Secretaria de Educação de SP

21 de Outubro de 2008
Meta é liberar verba para outros gastos em Educação, dinheiro equivale a 40 novas escolas [ OBS: "Equivale a 40 escolas, não significando que elas serão construídas; será o mesmo se eu dissesse " o valor equivale a 1 bilhão de jujubas ]O governo do Estado chegou em agosto a um ano de implantação de programa de metas e ações. O projeto paulista para os 5 milhões de estudantes da rede estadual (a maior da América Latina) estipulou criação de materiais pedagógicos, novos tipos de recuperação, inclusão de curso profissionalizante no Ensino Médio, enfim, mudanças pedagógicas. Ao iniciar o segundo ano de um plano com prazo para 2010 a Secretaria de Estado da Educação passa a combater profundamente outro problema: o mau gasto de dinheiro público.Neste mês de outubro será lançado o programa Escola de Gestão, parceria com o Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), organização não-governamental considerada a maior consultoria em gestão empresarial do Brasil.
O objetivo é enxugar os gastos das 5.537 escolas espalhadas pelas 645 cidades paulistas, alcançando economia de R$ 100 milhões no primeiro ano. O valor, equivalente a 40 novas escolas de porte médio, será obrigatoriamente reinvestido em Educação.Há três meses o grupo do INDG está na sede da Secretaria, na praça da República. “Os estudos ficaram prontos e verificamos que falta padrão nas compras. O dinheiro é empregado de acordo com as regras, mas em uma rede com 5.537 escolas é preciso ter padrão. Os números são impressionantes. Apenas com ferramentas de gestão será possível gastar menos R$ 700 mil em papéis”, afirma a secretária de Estado da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro.
Financiado por empresários brasileiros, o INDG prevê ações como troca de torneiras com problemas, troca de lâmpadas amarelas por brancas (gastam menos), utilização de telefone via internet e gastos com despesas miúdas (papeis, tonner para impressoras etc). Mas os novos padrões também serão levados para órgãos gerenciais da Secretaria, não apenas para as escolas, como merenda, transportes escolar e sistema de obras.Investimento em iluminaçãoA CPFL ( Companhia Paulista de Força e Luz) , por exemplo, investirá na troca de iluminação de 1.797 escolas com o equivalente a R$ 45 milhões. São lâmpadas “amarelas” que serão substituídas por “brancas”, além de reforma do sistema interno. Das 1.797 escolas, 1.268 estão na área da CPFL Paulista. Outras 529 estão pelo interior do Estado, nas outras regiões atendidas pela empresa.“Estamos repensando a gestão pública, com alternativas de sucesso.
Queremos gastar melhor os recursos, mas sem comprometer a qualidade dos serviços nas escolas. A idéia não é gastar menos, mas melhor. Trata-se de conscientização ambiental também. Evitar o desperdício de recursos como água e luz é um assunto de Estado e cabe à escola cumprir esta função”, afirma a secretária de Estado da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro.Programas do INDG:Pura: Convênio com a Sabesp que possibilitará a troca de torneiras e ajustes no encanamento - início em 350 escolas.Pluz: Convênio com a Eletropaulo que possibilitará a troca de lâmpadas e eventuais reparos na rede elétrica - início em 150 escolas.Pluga: Instalação do Voip - programa que permite que as ligações sejam feitas via internet -, reduzindo amplamente o custo das ligações.
Prob: Estudo e análise dos contratos de obras. O objetivo é elaborar pregões no início do ano, deixando assim estabelecidas as empresas que prestarão serviços ao longo do ano em todas as escolas.Pam: Reavaliação de contratos de merenda.Protrans: Renegociação de contratos de transporte junto às prefeiturasProma: Padronização de materiais de consumo das escolas, adquirindo o mesmo modelo de papel sulfite, por exemplo, levando-se em conta o modelo mais utilizado.Propeq: Padronização de materiais básicos que são utilizados pelas escolas. Com os pregões feitos antecipadamente, os diretores só precisarão solicitá-los junto às empresas ganhadoras do leilão.Metas de redução em um ano:
ITEM DE DESPESA / META DE REDUÇÃO
AGUA E ESGOTOS = 32.079.486
ENERGIA ELETRICA = 14.001.906
TELEFONIA FIXA = 3.408.497
TELEFONIA MOVEL CELULAR = 21.218
GENEROS ALIMENTICIOS = 19.440.770
OUTROS MATERIAIS DE CONSUMO = 19.254.169
DESPESAS MIUDAS E DE PRONTO PAGAMENTO = 1.244.010
MAT.DE ESCRIT.PAPEIS EM GERAL E IMPRESSOS = 713.168
MAT.EDUCATIVO,ESPORTIVO E CULTURAL = 493.385
PECAS DE REPOSICAO E ACESSORIOS = 2.159OUTROS SERVICOS E ENCARGOS -PESSOA JURIDICA = 10.530.072
FRETES E CARRETOS = 696.049
OUTROS COMBUSTIVEIS E LUBRIFICANTES = 102.675 ( Uiiii! Sem lubrificante? )
GASOLINA = 60.13
4ALCOOL = 11.770
OLEO DIESEL = 8.478
SUPRIMENTO DE INFORMATICA = 211.702
LOC.DE MAQ. REPROGRAFICAS S/MAO DE OBRA = 54.181
LOC.MAQ.REPROGAFICAS C/MAO DE OBRA = 4.308
PECAS E ACESSOR.E COMPONENTES DE INFORMATICA = 1.368
MATERIAL DE CONSTRUCAO = 11.474102.350.979
Economia nas escolas em São Paulo Site do INDG - Novembro de 2008

Diretores e professores das 5.537 escolas estaduais instaladas em 645 municípios paulistas aprenderão a evitar o desperdício do dinheiro público ( sic ).

Em conjunto com o Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), conceituada organização de consultoria em gestão empresarial do País, o governo estadual lançou em outubro o Programa Escola de Gestão, com o objetivo de obter economias de até R$ 100 milhões no primeiro ano.O dinheiro poupado terá de ser reinvestido, obrigatoriamente, na Educação. Cada escola terá metas de contenção de gastos, que para serem alcançadas exigirão uma mudança de hábitos de consumo tanto dos profissionais da rede quanto dos alunos, além da adoção de novos padrões de compra e de análise de contratos com fornecedores de material de escritório e com construtoras responsáveis pela manutenção e reformas dos prédios.Instalada durante três meses na sede da Secretaria de Estado da Educação, na capital, a equipe técnica do INDG analisou processos e procedimentos adotados na rede pública.
Concluiu que o problema maior não é o descumprimento das regras estabelecidas para o uso do dinheiro público. O que falta é um padrão único de procedimentos, que precisa ser estabelecido.Uma simulação mostrou, por exemplo, que, se todas as escolas utilizarem o mesmo tipo de papel e o adquirirem apenas de empresas vencedoras dos pregões eletrônicos, será possível a obtenção de uma economia de R$ 700 mil anuais. Em uma das unidades da rede, a direção experimentou instalar bloqueadores de chamada nos telefones, equipamento que permite limitar o tempo de uso e restringe chamadas para celular.
A conta mensal do serviço, que era de quase R$ 1 mil, baixou para R$ 280,00.O resultado do Programa Escola de Gestão poderá assegurar a construção de mais 40 unidades escolares de porte médio no Estado. Com isso, haveria também mais recursos para a capacitação de professores e melhorias salariais e de condições de trabalho, itens extremamente importantes para alcançar melhores níveis de aprendizado na rede pública.Há pouco mais de um ano, o governo estadual pôs em prática um plano de melhoria da qualidade do ensino, estabelecendo dez metas a serem alcançadas até 2010.
O primeiro objetivo fixado é a completa alfabetização de todos os alunos que estejam com 8 anos de idade. Em seguida vem a redução em 50% das taxas de reprovação na 8ª série e o mesmo porcentual no ensino médio, programas de recuperação de aprendizagem e o aumento em 10% dos índices de desempenho dos alunos nas avaliações nacionais e estaduais.O governo pretende, ainda, que até 2010 esteja atendida toda a demanda de jovens e adultos pelo ensino médio com currículo profissionalizante, e que o ensino fundamental de nove anos esteja funcionando plenamente. Por fim, pretende oferecer programas de formação continuada a professores, completar a municipalização do programa de alimentação escolar e realizar obras e melhorias de infra-estrutura nas escolas.
Por orientação do INDG, a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) investirá R$ 45 milhões na troca, em 1.797 escolas do Estado, das tradicionais lâmpadas amarelas por outras que consomem menos energia. A Eletropaulo fará o mesmo em 150 escolas instaladas em sua área de atuação. Um convênio com a Sabesp também permitirá a troca de torneiras e reformas na rede hidráulica de 350 unidades. Os professores, por sua vez, ensinarão aos alunos conceitos práticos de economia de água e luz. Espera-se poupar R$ 46 milhões anuais no consumo das escolas estaduais.Entre as sugestões do INDG está o estudo e análise dos contratos de obras, com o objetivo de promover pregões eletrônicos no início de cada ano, definindo os fornecedores que prestarão serviços em todas as escolas no período.Com a atualização de conceitos e ferramentas administrativas, espera-se aprimorar rapidamente a gestão da maior rede escolar da América Latina, a do Estado de São Paulo, com 5 milhões de alunos.[ PLUS: Quem são os INDGs, os Sweeney Todds que aconselham a Secretaria:
FUNDADORES

Profs. José Martins de Godoy e Vicente Falconi Campos [ 4 ]Conselho de Administraçao
Dr. Walter Fontana Filho (Presidente)
Dr. Marcel Herrmann Telles (Vice-Presidente) [ 1 ]
Prof. José Martins de Godoy
Dr. Jorge Gerdau Johannpeter
Dr. Carlos Alberto da Veiga Sicupira [ 2 ]
Suplentes:Maurício Pedrosa ChavesVladimir Castro Mendes Soares
Diretoria
José Martins de Godoy (Presidente)
Bruno Maldonado Turra (Diretor de Desenvolvimento e Apoio ao Negócio)
Luiz Octávio Barros de Souza (Diretor de Vendas e Apoio ao Cliente)

A QUEM SERVEM OS ATAQUES À ESQUERDA




"Os neocons (neo-consercadores) é o grupo que se organizou para defender uma política externa ativista dos Estados Unidos, de defesa de Israel e de combate ideológico à esquerda em geral. São unidos a direita religiosa ultra-conservadora.

Para isso eles usam o jornalismo como arma de propaganda: "A verdade factual não interessa a eles. São propagandistas de sua posição ideológica. O jornalismo é apenas um instrumento, um meio." (Azenha)

Agora compare o discurso neocon com seus verdadeiros interesses:

Quais as idéias que eles promoveram?

-- Uma política externa ativista dos Estados Unidos, com o uso do poderio militar sempre que necessário.

Beneficiados: os fabricantes de armas.

-- Ataques aos sindicatos como corruptos ou símbolos do atraso.

Beneficiados: empresas que combateram e combatem a sindicalização -- Wal Mart, por exemplo -- como forma de "flexibilizar" o uso de mão-de-obra, cortar salários e benefícios.

-- Ataques ao funcionalismo público como "ineficiente" e custoso para a sociedade.

Beneficiados: todos aqueles que defendiam a redução da carga tributária na versão implantada por George W. Bush.

-- Ataques aos programas sociais do governo, como o "welfare", que dá ajuda a famílias de baixa renda.

Beneficiados: todos aqueles que defendiam a redução da carga tributária das empresas.

-- Ataques a um sistema nacional de saúde como "socializante".

Beneficiados: indústria farmacêutica e empresas de seguros de saúde privados.

-- Ataques ao Social Security, a previdência social dos Estados Unidos, com pedidos de privatização.

Beneficiados: empresas de previdência privada, como as que administram os planos 401(k), em que as aposentadorias rendem de acordo com as ações na bolsa de Valores de Nova York; através do pagamento de taxas e comissões esse sistema transferiu bilhões de dólares dos trabalhadores para as corretoras de Wall Street.

-- Ataques generalizados ao "governo que pesa nas costas do trabalhador" e pregação do "estado mínimo"

Beneficiados: as empresas que tiveram sua carga tributária reduzida; também tiveram os custos reduzidos por conta da desregulamentação do sistema financeiro; da perda de poder das agências fiscalizadoras do governo, dentre as quais a Food and Drug Administration (FDA), encarregada de alimentos e remédios; a FCC (Federal Communications Comission), que zelava por evitar a formação de monopólios da mídia; a EPA (Environment Protection Agency), encarregada de zelar pelo meio ambiente.

-- Ataques ao feminismo e a todos os movimentos sociais organizados.

Beneficiados: os empregadores, com a desmobilização dos grupos de pressão que defendiam direitos.

De acordo com o ex-presidente Bill Clinton, nos últimos oito anos 90% de toda riqueza gerada na economia americana beneficiou aos 10% mais ricos. Agora vocês entendem a quem serviram os neocons?
Fonte:Blog Vi o Mundo


Colaboração do amigo João Sérgio da Silva Costa.

JOÃO PAULO CUNHA DEVE ESTAR QUERENDO COMPLEMENTAR O CAIXA 2

4/11/2008

Relator quer validade de dois anos para a MP de compra de bancos


Por Redação, com Reuters - de Brasília


O relator da medida provisória que autoriza a compra de instituições financeiras pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, João Paulo Cunha (PT-SP), disse nesta terça-feira que pretende incluir na proposta um prazo de validade de dois anos, renováveis por mais dois.
A sugestão de João Paulo é permitir que o próximo presidente da República decida pela manutenção ou não da MP 443, que será apreciada pela Câmara na quarta-feira.

- A minha idéia é colocar no parecer dois anos renováveis por igual período, menos por causa da crise e mais por estar vinculado a um calendário eleitoral - disse a jornalistas.

Cunha descartou, entretanto, o estabelecimento de um prazo para que os negócios feitos durante a vigência da MP sejam desfeitos.

- Se o negócio é bom, você não precisa desfazer. O que se pode ter prazo é para a excepcionalidade da medida provisória - afirmou.

O relator disse ainda que estuda "com bastante carinho" o artigo que retira a obrigatoriedade de realização de licitação para a compra de bancos públicos pelo BB e pela Caixa.

- Com a incorporação do Unibanco pelo Itaú, criando um grande conglomerado, talvez seja importante a gente ter outros grandes bancos ou outros grandes conglomerados que possam competir nesse mercado cada vez mais concentrado -disse.

Isonomia

Para o líder do PT na Câmara, Mauricio Rands (PE), o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal devem ter as mesmas condições que os bancos privados para participar do processo de consolidação do setor bancário no país.


Um dia após a fusão de Itaú e Unibanco, que criou o maior banco do país, parlamentares manifestaram preocupação de que os bancos públicos fiquem alijados do processo.

A oposição já informou que pretende estabelecer um prazo de validade para a MP, pois considera que sem limites ela facilitaria a estatização do setor. O governo chegou a sinalizar que aceitaria negociar um prazo, mas a fusão do Itaú e do Unibanco mudou o cenário às vésperas da votação da medida.

Segundo Rands, há duas correntes no Congresso em relação ao tema. A primeira acredita que a MP só deve valer enquanto a crise financeira global existir. Já a outra, defende que não haja prazo, o que garantiria aos bancos públicos condições similares às dos bancos privados.

- Sou mais inclinado a que o princípio de isonomia fique mais forte - disse Rands a jornalistas.


Rands e outros líderes da base aliada estiveram reunidos na terça-feira com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que considera a MP positiva para a economia brasileira. De acordo com o líder petista, Meirelles afirmou não ter opinião sobre o prazo de validade da MP e acrescentou que o assunto deve ser conduzido pelo Ministério da Fazenda, que controla os dois bancos.
Comentário.
João Paulo Cunha, com esta posição de ficar aliado dos tucanos e DEMos, deve estar querendo complementar o caixa 2 com recursos de bancos privados. Maurício Rands está certo, tem de haver isonomia.

BOA NOITE

O VÔO DO CONDOR


Não adianta fingir-se de cético ou cínico e pretender que a vitória de Obama não implicará mudanças para o Brasil. Esse é um pensamento, aliás, tristemente egoísta, que não faz justiça ao caráter nacional. Observo as eleições americanas com grande interesse. Primeiro por emoção, depois por ideologia. Quem já leu Luz em Agosto ou Santuário, de William Faulkner, ou viu filmes como Mississipi em Chamas, entre outros, sabe que o racismo nos EUA não se restringe a um preconceito de cor. Ele nasce de uma arrogância profundamente enraizada na cultura, um sentimento de superioridade e ufanismo nacional que só pode ser comparado ao nazismo. Com o agravante de vir acompanhado de um individualismo extremista, competitivo, implacável, que têm levado jovens de quinze anos a metralharem seus colegas e professores.

Os jornais brasileiros abordaram, de maneira extremamente medíocre, a questão de saber qual o candidato seria mais vantajoso para o Brasil, usando como critério principal se haverá redução ou não da tarifa sobre o etanol. Ora, para o Brasil, está evidente que o melhor será um presidente democrata, negro, um verdadeiro representante da esquerda esclarecida, porque o Brasil é um país de negros e um país de esquerda. No Brasil, grupos de extrema direita são raríssimos, insignificantes, enquanto a extrema esquerda domina o cenário estudantil e só não ganhou força nas eleições porque foi engolida pela esquerda average (PCdoB, PT, PSB, PDT) e pela centro-esquerda (PMDB). Toda a América do Sul e Caribe inclinana-se para o lado do poente, e um Obama presidente poderá estabelecer um diálogo muito mais frutífero com irmãos e hermanos ao sul do Rio Grande.

O melhor de tudo, porém, será contemplar a expressão de ventilador enguiçado de dos direitistas tupinambás. Acho que o Olavão, que migrou para os EUA fugir do Lula, vai ter que voltar correndo, rabo entre as pernas. Após a revelação de que o principal líder da direita austríaca, morto recentemente, traiu sua esposa, por vinte anos, com o secretário, nosso filósofo right-wing talvez procure refúgio junto aos gêmeos psicopatas da Polônia, únicos autênticos conservadores do mundo moderno.

Outros, como Ali Kamel e Jabor, astutamente, resolveram posar de progressistas e apoiar Obama. A esquerda nos EUA, claro, é mais chique.

Para se informar em detalhes sobre as últimas horas da campanha presidencial americana, acompanhe o blog do Idelber Avelar. Biscoito Fino e Massas.

O BRASIL SEGUE CRESCENDO

Produção industrial cresce 1,7% em setembro

Agência Brasil


Rio de Janeiro - A produção da indústria brasileira cresceu 1,7% em setembro na comparação com o mês anterior. O resultado, divulgado hoje (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), compensa a retração observada em agosto (-1,2%). Em relação ao mesmo período do ano passado, o setor registrou alta de 9,8%, a mais elevada desde abril (10,0%) nesse tipo de comparação. No ano, a atividade fabril acumula expansão de 6,5% e nos últimos doze meses, de 6,8%.

A Pesquisa Industrial Mensal revela, ainda, que na passagem de um mês para outro houve “alta generalizada”, alcançando 20 dos 27 ramos investigados. A maior contribuição veio de máquinas e equipamentos (9,0%), após a acomodação registrada no mês anterior (-0,2%). Também apresentaram desempenho positivo edição e impressão (8,4%), refino de petróleo e produção de álcool (3,3%), alimentos (1,5%) e máquinas para escritório e equipamentos de informática (9,5%). Em movimento oposto, as principais pressões negativas vieram de outros produtos químicos (-2,3%) e metalurgia básica (-1,7%).

Por categorias de uso, a maior alta foi dos bens de capital (3,7%), que reverteram o recuo do mês anterior (-0,5%). O mesmo movimento foi observado em bens de consumo semiduráveis e não-duráveis (1,5%), que voltaram a crescer após a queda de agosto (-0,3%). Já os bens de consumo duráveis (0,4%) e bens intermediários (-0,1%) ficaram praticamente estáveis.

De acordo com o IBGE, também houve “alta generalizada” na comparação com setembro de 2007, com elevação da produção em 25 das 27 atividades analisadas e todas as categorias de uso. A pesquisa destaca que este ano o mês de setembro teve três dias úteis a mais do que no ano passado. As altas que mais contribuíram para o resultado foram veículos automotores (20,1%); máquinas e equipamentos (21,4%); farmacêutica (29,6%); e outros equipamentos de transporte (44,4%).

Ainda em relação a setembro de 2007, a produção de bens de capital subiu 25,8%; de bens de consumo duráveis, 14,9%; de bens intermediários avançou 6,6% e de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis, 7%.

MAIS UMA DO EMPRESÁRIO-MINISTRO

Juizes não concedem habeas corpus por "covardia institucional", diz Mendes


William Maia

Para o ministro Gilmar Mendes, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), falta coragem aos juízes de tribunais de instâncias inferiores para conceder habeas corpus em casos de flagrante violação dos requisitos necessários para a decretação de uma prisão.

Ele afirmou que a pressão dos meios de comunicação e de setores da opinião pública, que cobrariam uma punição mais rápida de supostos criminosos, vem provocando uma “covardia institucional” até mesmo no STJ (Superior Tribunal de Justiça). “Por que tem que se chegar ao Supremo para a concessão de habeas corpus?”, questionou, lembrando que a taxa de liminares concedidas pela 1ª e pela 2ª Turma da Corte Suprema varia entre 30% e 50%.

Diante do número elevado de habeas corpus, Mendes protesta: “Vocês acham mesmo que o Supremo Tribunal Federal é assim tão liberal? Ou apenas está corrigindo deficiências das instâncias inferiores?” O ministro destacou que devem ser combatidas as investigações e denúncias “ineptas em grande escala”, de um “sistema de perseguição criminal que precisa ser investigado”.

O presidente do Supremo participou de um debate promovido pelo Iasp (Instituto dos Advogados de São Paulo) e pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso. O tema, sobre o qual também opinaram o ex-ministro Célio Borja e o conselheiro do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) Joaquim Falcão, foi o papel do STF na democracia brasileira.

Mendes citou alguns casos recentes em que a atuação do Tribunal foi importante para resolver impasses causados pela falta de atuação do Poder Legislativo, como a decisão que tratou da fidelidade partidária, impondo que o mandato pertence ao partido e não ao parlamentar. Ele disse que o caso do mensalão influenciou a atuação dos ministros, que diante do intenso troca-troca de legendas, precisaram agir para evitar a possibilidade de uma “mudança paga”.

Ele citou ainda a decisão de aplicar as regras do setor privado para greves do funcionalismo público, que veio na esteira da crise aérea gerada pela paralisação dos controladores de vôo.

Debate

O ex-ministro do STF e da Justiça (governo Collor) Célio Borja argumentou que o principal dilema enfrentado pelo Supremo atualmente é o da “judicialização” da política. Apesar de ressaltar que os ministros da Corte Suprema “têm se comportado rigorosamente à altura das suas responsabilidades”, Borja se disse preocupado com um possível avanço do Judiciário sobre atribuições de outros poderes como o Legislativo, ou de outros campos de atividade social.

Como exemplo citou a ação que pedia a criminalização do uso de células tronco embrionárias em pesquisas científicas. “Assim como o Papa não tem autoridade para dizer quando se inicia a vida, um juiz também não tem, nem o Supremo. Só a ciência é capaz disso”. Portanto, um grande desafio para o STF, em sua opinião, é a “autocontenção”.

Já para o professor Joaquim Falcão, o maior problema do pós-Constituição de 1988 é a harmonização entre os poderes. Falcão argumenta que freqüentemente um poder compete com outro para a formulação de políticas públicas, em vez de atuarem de forma complementar.

Exemplos disso seriam o número excessivo de Medidas Provisórias editadas pelo Executivo e as decisões do Supremo que suprem lacunas deixadas pelo Legislativo.

Segunda-feira, 3 de novembro de 2008.
Última Instância.
Comentário.
A BELEZA É BELA SE PODE SER VENDIDA, E A JUSTIÇA É JUSTA QUANDO PODE SER COMPRADA(Eduardo Galeano).
Mais claro impossível.

O TRIUNFO SOBRE WALL STREET



Maurício Rands (*)


A primeira resposta dos governos mundiais à crise foi a intervenção articulada dos bancos centrais para capitalizar instituições financeiras e ampliar linhas de crédito para fomento à liquidez, constituindo a maior concertação não-militar de governos em toda a História. Como salientou o Nobel Paul Krugman, a ação inicialmente mais decisiva veio do governo inglês do trabalhista Gordon Brown, porque o americano, no fundo, é prisioneiro do dogma de que o privado é sempre bom e o público é sempre ruim.

Os que há pouco cultuavam a desregulamentação dos mercados agora falam de "reformulação do sistema financeiro internacional". Não é coincidência que as ''reconversões'' de liberais conservadores tenham sido mais enfáticas na Europa do Welfare. Sarkozy, liderando uma coalizão de centro-direita na França, disse que o laissez-faire está morto, assim como a idéia da infalibilidade do mercado. A alemã Angela Merkel insiste em uma maior regulamentação dos mercados financeiros.

O diagnóstico da origem da crise parece ser aceito por todos. Nos EUA, os excessos cometidos pelos bancos só ocorreram por lá haver um sistema financeiro mal regulado e pouco transparente, produto do dogma liberal. Tanto no diagnóstico como na receita, a crise produziu um retorno a Keynes.

O Estado precisa intervir. Primeiro, como já ocorre, capitalizando as instituições financeiras para ampliar a liquidez e drenar a economia real, o que dissipa desconfiança de empresas e consumidores. Depois, com estímulo à economia real, investindo em infra-estrutura e serviços públicos, e garantindo a transferência de renda aos desfavorecidos, para que se mantenha o ritmo da atividade econômica.

Haverá reflexos até em países como o Brasil. O Governo do PT e aliados avançou em todas as direções. As reservas saltaram de US$ 16 bi em 2002 para os atuais US$ 207 bi. A relação dívida/PIB saiu dos 52% para os atuais 38%. A inflação sob controle. Saldo das exportações de US$ 190 bi entre 2003 e 2007. O mercado interno (86% da economia) cresceu com os 9,4 milhões de empregos formais criados desde 2003; e mais de 20 milhões de pessoas ingressaram na classe C. O sistema financeiro e as empresas estão sólidos; as contas públicas, equilibradas.

Reconhecem todos a situação mais favorável do Brasil mesmo entre os emergentes. Como o Governo Lula nunca foi prisioneiro do dogma liberal, foi capaz de aumentar a capacidade de consumo e investimento de setores que antes quase não tinham renda, e de articular o PAC, com investimentos em infra-estrutura e serviços públicos da ordem de R$ 503 bi.

Governos de esquerda, como o atual, estão mais bem posicionados para adotar as políticas de ativação da economia real depois da crise financeira. Primeiro, porque suas propostas sempre tiveram o corte keynesiano, agora aceito até por liberais e conservadores que viam o Estado mínimo como panacéia. Depois, porque suas políticas distributivistas de renda estimulam o mercado interno, vital diante da desaceleração externa.

O que impressiona é que diante da falência do liberalismo e da desregulamentação, os partidos de oposição no Brasil insistam com as velhas teses. Imaginam como resposta o mero corte de gastos, a diminuição do papel do Estado. Poderiam consultar a direita européia que acaba de reconhecer o triunfo do Welfare State Keynesiano sobre o liberalismo e o fundamentalismo de mercado de Wall Street. Ou poderiam aprender com Boaventura de Souza Santos: 'o impensável aconteceu – o Estado voltou a ser solução'.



(*) O deputado federal Maurício Rands (PT-PE) é líder do partido na Câmara.
Comentário.
Essa oposição do Brasil, liderada pelo PSDB, só sabe vender o patrimônio público. E de graça.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O PROFESSOR ALOPRADO PIROU DE VEZ



Vitória acachapante das oposições indica reação maciça a governo comunista de Lula



Ter líderes como Serra e Kassab para a população de São Paulo não tem preço!

Os números não mentem nem sob tortura ou ameaça de exílio nas gulags. Claro que a mídia lulo-petista insiste em distorcê-los. Óbvio: pertencem todos ao projeto ( Plano Condor Vermelho ) do PT e Lula. Distorções, chicanas, mentiras, eles não têm escrúpulos em lançar mão das mais perversas formas de remodelagem da realidade, afim de prosseguir com o Plano. A cartilha subversiva prevê estas manobras.

Só que, para seu desespero, a realidade inquestionável e irretorquível se impôs de forma avassaladora. A maior prova disso está em São Paulo, onde a população acudiu em massa à reação democrática e moralizadora, representada pela figura do varão Gilberto Kassab ( do partido dos homens bons. o PFL ), sustentado, por sua vez, pela liderança tranquilizadora do governo José Serra ( cuja avaliação de seu governo escala picos de popularidade ), que não mediu esforços e nem gastos ( necessários ) para furar o bloqueio imposto pela pauta comuno-lulista atéia na imprensa. Nem mesmo a infiltração de agentes em movimentos grevistas ( como é o caso do poderoso subversivo desastibilizador, o Paulinho da Força, desmascarado prontamente por José Serra, diante de câmeras, comprovando o destemor do governador, líder da resistência democrático-liberal- cristã paulista ), seguindo à risca a teoria gramsciana de tomada dos corações e mentes das massas.

Mas, com o ressurgimento do bom e incansável Professor Hariovaldo, seguiremos, ungidos por São Serapião, lutando e denunciando todas as torpezas e práticas largamente empregadas pelos agentes do Plano Condor Vermelho, e pela lastimável e opressora figura do apedeuta vermelho.

http://hariprado.wordpress.com/2008/11/03/vitoria-acachapante-das-oposicoes-indica-reacao-macica-a-governo-comunista-de-lula/

O EMPRESÁRIO-MINISTRO ATACA OUTRA VEZ


Mendes critica greve de 'poder armado' da polícia em SP


O ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou hoje um duro recado a policiais civis de São Paulo que estão em greve há cerca de 50 dias. "Temos que pensar novas formas de protesto. Eu tenho certeza de que não pode haver greve de poder armado. Acho que o texto constitucional não é compatível com esse tipo de situação", alertou Mendes, que participou do seminário Democracia e Estado de Direito: o Judiciário em foco, na sede do Instituto dos Advogados de São Paulo.


O ministro recomendou aos policiais grevistas que deponham suas armas imediatamente. "Eu estou convencido de que um poder ou um grupo armado não pode fazer greve nessa condição. Teria que depor as armas, no mínimo teria que depor por completo as armas. Então, nós temos que fazer um novo aprendizado em relação a isso. Eu não tenho respostas, eu tenho perguntas."


Sobre a saída para neutralizar movimentos desse tipo envolvendo categorias da polícia, o ministro declarou: "É uma questão que terá que ser discutida no Congresso e certamente o Judiciário terá que se pronunciar oportunamente sobre isso. Enquanto não houver lei, saber se de fato é legítima a greve de um poder armado."


Mendes anotou que não se refere exclusivamente à polícia, mas também a outras classes, como a dos juízes. "Uma vez discuti em Portugal greve do Judiciário, que também é um poder, embora não armado, mas um poder soberano. Daí a minha pergunta: é possível um poder com manifesta soberania fazer greve? Os senhores imaginam a greve do Poder Legislativo? No caso da polícia há outros componentes, como os senhores viram, inclusive para a ordem pública. Um órgão incumbido de manter a ordem, passa na verdade a ser um elemento de eventual perturbação", disse. "Temos que avançar no que concerne à greve no serviço público em geral, especialmente nos serviços essenciais", insistiu o presidente do STF.


"Em relação a greves de entes ou de pessoas que encarnam parte do poder de soberania, juiz, promotor e polícia, que tem ainda um adendo porque exerce esse poder armado, devemos ser redobradamente cautelosos. É claro, pode haver protesto, é legítimo o protesto, mas temos que evoluir para um outro padrão civilizatório aqui", afirmou Mendes.


Comentário.


Se policiais civis recebessem auxílio-paletó, auxílio-moradia, auxílio-camisinha não fariam greve. Seguramente.


ISTO EM PLENO SÉCULO XXI.UMA VERGONHA!



Violência contra a mulher: 10 casos por dia em Brasília


“Se você denunciar para a polícia, eu te mato”. Essa é a realidade cotidiana de muitas mulheres. Xingamentos, ameaças e agressões físicas fazem parte da rotina. Dois milhões de casos de violência são registrados anualmente contra a mulher no Brasil, segundo uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo. Em Brasília, a média é de 10 ocorrências por dia. Somente neste ano, até o momento, 2.975 ocorrências foram registradas e 2.598 inquéritos instaurados. Cláudia Pereira Lima, 32 anos, cabeleleira, três filhos, é uma destas vítimas. No último dia 11, por um ato de ciúmes e pela bebedeira, o marido Paulo Ribeiro Lima tentou estrangulá-la. A história de Wesleyde Soares Rodrigues da Silva, 28 anos, foi ainda mais longe. Já no domingo, dia das Crianças, por volta das 20h, Alexandre Francisco da Silva atingiu a ex-mulher com um tiro no peito. Em seguida, tentou se matar com um tiro no ombro. Wesleyde não resistiu ao ferimento. Os dois eram casados há 10 anos e estavam separados há três meses. Eles têm um casal de filhos. O crime aconteceu na casa deles, em Ceilândia.



Em 2001, Wesleyde tinha registrado uma queixa por um puxão de cabelo que recebeu do marido. Mas, logo depois, retirou a ocorrência. Embora representem mais da metade da população brasileira, as mulheres sofrem com desigualdade de condições impostas por uma sociedade que ainda não conseguiu superar a cultura historicamente machista. As relações sociais e o sistema político, econômico e cultural imprimiram uma distinção entre os gêneros. Além disso, a violência doméstica e familiar contra a mulher é responsável por índices expressivos de falta ao trabalho, pelo crescimento da Aids entre a população feminina e pelo baixo aproveitamento escolar de crianças que a presenciam. Para 28% das mulheres agredidas, a violência doméstica é uma prática de repetição. Mais de 30% apontam o abuso físico dentro e fora de casa como o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade e 75% consideram que as penas aplicadas em casos de agressão contra a mulher são irrelevantes. Outro fato grave é o abuso sexual de jovens. Estima-se que uma em cada três ou quatro meninas jovens é abusada sexualmente antes de completar 18 anos.


O Ministério da Justiça registra, anualmente, cerca de 50 mil casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. A delegada-chefe da Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM), na Asa Sul, em Brasília, Sandra Gomes Melo (40), é policial há 14 anos, trabalhou no Presídio Feminino de Brasília e está na DEAM desde fevereiro de 2007. Recebeu o título de cidadã honorária da capital pelo trabalho como delegada. Entre pilhas e mais pilhas de papéis, Sandra tenta despachar todas as ocorrências do dia. Os maiores registros acontecem aos fins de semana, no período da noite e pela manhã.


De acordo com a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), apenas em São Paulo, foram registradas no ano passado 257,3 mil ocorrências de violência. Estes números referem-se apenas aos casos concebidos nas delegacias de atendimento a mulher de São Paulo, sem contar com outros departamentos policiais estaduais. De 2002 a 2007, só em Pernambuco, cerca de 1,4 mil mulheres foram assassinadas, segundo pesquisa realizada pelo Fórum de Mulheres do estado. Em 2007, cerca de 50% dos agressores eram os companheiros das vítimas. Somente este ano, 60 mulheres foram assassinadas no estado, vítimas de violência doméstica.De acordo com Sandra, os registros na delegacia da mulher são bem mais demorados e a atenção é redobrada. Levam cerca de 2 horas, pois todos os detalhes da história precisam ser contados, como as ameaças, os xingamentos e os locais das lesões. Cerca de 90% dos casos são de violência doméstica. Na delegacia, trabalham quatro equipes que se revezam. Sempre há um delegado de plantão, quatro agentes e um escrivão. Os policiais são treinados e capacitados para orientar as mulheres, pois muitas chegam machucadas, desestruturadas, com baixa auto-estima. A delegacia existe desde 1987. É a única especializada em Brasília.


No momento em que a mulher registra a queixa, são oferecidas medidas preventivas, como o afastamento do agressor do lar, possibilidade de ficar na Casa Abrigo, entre outras. Primeiro, ela presta depoimento na delegacia, faz o registro de ocorrência, o inquérito é instaurado no dia seguinte, se não imediatamente, e encaminhado para o Judiciário, que analisa as declarações e intima o autor a depor. Em casos de lesões, a vítima é encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) e se precisar de atendimento médico, os hospitais públicos e privados, parceiros da delegacia, atendem. Quando há ameaças de morte e repetidas agressões pode-se determinar a prisão preventiva do agressor.


No entanto, segundo Sandra, nem sempre as vítimas querem os autores presos. “Em outras ocorrências, a vítima tem certeza que quer a prisão do autor. Já as mulheres agredidas, nem sempre desejam ver seu pai, marido ou filho na cadeia. Criam afeição e têm medo”, ressalta. Para a delegada, a violência é um fenômeno universal. “É ilusão achar que isso só acontece com as classes menos favorecidos. Há muitos casos de pessoas bem estruturadas. Este problema vem da cultura machista da sociedade brasileira. O preconceito contra a mulher é o ponto chave de todas as agressões. Existem casos de mulheres que passam mais de 20 anos em situação de violência e nunca registraram nada”, critica.


O fator essencial para o enfrentamento da violência contra a mulher, segundo Sandra, é mudar o pensamento das vítimas para incentivá-las a denunciar. Além disso, mais policiais capacitados, mais delegacias especializadas, maior eficiência do Judiciário e informação para as mulheres são outras medidas que devem ser tomadas pelo governo. Recursos escassos e gastos abaixo do ideal Não é somente com esses problemas que as mulheres convivem. Os recursos destinados em orçamento federal a políticas voltadas a esse público, no intuito de corrigir as desigualdades, também são insatisfatórios e a aplicação pior ainda. O principal programa de proteção às mulheres deixou a desejar no quesito gastos.


Segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), até o dia 8 de outubro, dos R$ 28,8 milhões autorizados no orçamento deste ano para o programa de “combate à violência contra as mulheres”, apenas R$ 12,4 milhões foram desembolsados, ou seja, 43% do total aprovado. Este valor inclui os “restos a pagar”, dívidas acumuladas em exercícios anteriores (veja tabela). Em relação a todos os 57 programas federais relacionados diretamente à mulher no Orçamento Geral da União de 2007, a execução, com o ano encerrado, foi um pouco melhor. Dos R$ 42,8 bilhões autorizados, R$ 32,9 bilhões foram efetivamente aplicados, ou seja, 77% do total aprovado, incluindo os restos a pagar (veja tabela). Para a diretora do Cfemea, entre os programas voltados para as mulheres, o de combate à violência deveria ter hoje prioridade absoluta. “A lei prevê medidas mais rigorosas àqueles que cometem o crime de violência doméstica, mas sua aplicação precisa ser acompanhada por uma política de enfrentamento efetiva”, explica.


Com as novas regras, as mulheres que são vítimas desse tipo de crime passaram a ter mais coragem de denunciar. Com o aumento das denúncias, muitas delegacias passaram a operar em situação limite pela falta de estrutura. “Precisamos de mais juizados e centros de referência especializados no tratamento de casos de violência doméstica, além de ações educativas e capacitação de servidores. Tudo isso está previsto nesse programa, o que falta é execução”, reclama. Como justificativa da baixa execução do orçamento, o sub-secretário de planejamento da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), Rufino Correia, aponta várias dificuldades para a aplicação dos recursos, como o contingenciamento de verba e a falta de regularidade fiscal dos estados e municípios para cumprir os convênios firmados.



O antes e o depois da Lei A Lei Maria da Penha, que determina punições mais rígidas aos agressores e muda o trâmite das denúncias de violência doméstica, foi sancionada no dia 7 de agosto de 2006 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, as autoridades policiais são obrigadas a encaminhar as queixas para os juízes, no prazo de 48 horas, a fim de que sejam tomadas medidas para garantir a proteção da mulher agredida. Até a promulgação da lei, a violência doméstica não era considerada crime. Somente a lesão corporal recebia uma pena mais severa quando praticada em decorrência de relações domésticas. Agora, configuram no texto da lei as violências de caráter físico, psicológico, sexual, patrimonial e moral.O nome da lei é uma homenagem a uma vítima que se transformou em símbolo da luta contra violência doméstica. Em 1983, o marido de Maria da Penha Maia, o professor universitário Marco Antônio Herredia, tentou matá-la duas vezes.


Na primeira ocasião, deu um tiro e ela ficou paraplégica. Na segunda, tentou eletrocutá-la. Na época, ela tinha 38 anos e três filhas, entre seis e dois anos de idade.A investigação começou em junho do mesmo ano, mas a denúncia só foi apresentada ao Ministério Público Estadual em setembro de 1984. Oito anos depois, Herredia foi condenado a oito anos de prisão, mas usou de recursos jurídicos para protelar o cumprimento da pena. O caso chegou à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), que acatou, pela primeira vez, a denúncia de um crime de violência doméstica. Herredia foi preso em 28 de outubro de 2002 e cumpriu dois anos de prisão. Após as tentativas de homicídio, Maria da Penha Maia começou a atuar em movimentos sociais contra violência e impunidade e hoje é coordenadora de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APAVV) no Ceará.


A aprovação da Lei Maria da Penha foi uma resposta às expectativas da sociedade. Segundo dados da Central de Atendimento à Mulher de Brasília, oito mil mulheres buscaram informações sobre a Lei e denunciaram maus tratos no período de janeiro a junho deste ano, um aumento de 107,9% em relação ao mesmo período de 2007.No Brasil, existem 407 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs). No primeiro ano da lei, foram criados 47 Juizados ou Varas Especiais de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher pelos Tribunais de Justiça estaduais. Desses, 47% localizam-se no Sudeste.


O Nordeste criou apenas um juizado, em Pernambuco. As regiões Sul e Centro-Oeste foram as recordistas em números de solicitações de medidas de proteção para mulheres em situação de risco. Enquanto a média nacional ficou em 88, o Sul do país registrou 174 medidas e o Centro-Oeste, 194. Segundo a diretora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), Guacira César de Oliveira, a aprovação da lei foi uma grande vitória. “Os impactos sociais e políticos na sociedade brasileira são evidentes. No Poder Público também. Mas os desafios ainda são enormes: a criação dos juizados, o acesso das mulheres aos serviços, o investimento de recursos dos Orçamentos Públicos dos Municípios, Estados e da União são alguns deles”, ressalta.Para a delegada Sandra, antes da lei, o maior problema era o arquivamento do processo. “Muitas registravam e depois cancelavam. È muito desgastante, pois você faz toda a instauração do inquérito, o atendimento a mulher, encaminha ao Judiciário, começa a investigação e tudo isso é arquivado. Com a lei, isso mudou muito, mas ainda existem casos de mulheres que não acompanham o trâmite dos processos. Antes da lei, os casos de ameaça eram os campeões, as lesões corporais em segundo lugar e os xingamentos em terceiro. Depois da lei, os casos de lesões corporais passaram para terceiro lugar”, explica.


Cecília Melo Especial para o Contas Abertas .

A ONDA VERDE E A SUBSTITUIÇÃO DA POLÍTICA PELA MORAL


Foi bonita, entusiasmada e criativa a campanha que se armou em torno de Fernando Gabeira para prefeito do Rio. Pelo papel que cumpriu a blogosfera e pelas novidades na sua composição, teria sido de se esperar um balanço mais detido da candidatura. Não aconteceu, talvez pelo excesso de proximidade emocional, talvez pela falta de instrumentos de quem poderia fazê-lo. Em todo caso, este blogueiro – que por falta de afinidade política nem passou perto de sentir que podia apoiar, mas que quiçá no fundo torcesse secretamente pela vitória de Gabeira – oferece aqui seus dois centavos de análise. A onda verde foi a mais recente articulação de um fenômeno (que pode ter encarnações “legais” e “bacanas”, como Gabeira) próprio da política brasileira dos últimos anos: a constituição de uma frente de classe média que quer reescrever a política com o vocabulário da moral.

Poucas vezes no Brasil se viu tanta insistência em reduzir a diferença política entre dois candidatos a uma diferença ética. A campanha de Gabeira praticamente não falou de outra coisa senão da superioridade moral de seu candidato. Assinalo isso não para negar que esta realmente exista – é evidente que é possível fazer contraposições éticas entre Gabeira e Paes --, mas para sublinhar que a campanha de Gabeira trabalhou o tempo todo com a convicção de que esta contraposição era suficiente, não só no terreno eleitoral mas também no político. Não percebeu quão extremamente classe média é esse valor, e na maioria das vezes se irritava ante a simples análise da longitude geográfica do seu candidato.

Esta desqualificação do outro lado não se limitava à figura de Paes, mas incluía também o seu eleitorado, frequentemente caracterizado como comprável e sujeito ao fisiologismo, por oposição à “metade” que supostamente seria “consciente” no Rio. Este estereótipo sofreu um duro golpe dos números no domingo, ao se revelarem em Copacabana taxas de abstenção que rondavam os 30%, em muito superiores às observadas na Zona Oeste. A “metade” “consciente” do eleitorado carioca brindou seu candidato com taxas recorde de abstenção, num fenômeno que este blog ainda gostaria de ver melhor analisado. Porque o número chave não é o “menos de um Maracanã lotado” que foi a diferença entre Paes e Gabeira. O número chave para a análise são os quase vinte Maracanãs que se abstiveram. Calculando-se proporcionalmente a abstenção no território verde (no eleitorado de Gabeira), seriam, na verdade, uns trinta Maracanãs.

Discordo de gente inteligente que minimizou ou racionalizou fenômenos como o encontrão de Gabeira com a vereadora Lucinha ou a desastrada declaração sobre a feijoada e o samba. Desculpe, mas se você não vê nesses episódios algo que revela uma visão de mundo, é melhor ajustar a lente. Gabeira não disse só “analfabeta política” para caracterizar uma pessoa, o que seria perfeitamente aceitável. Ele associou esse analfabetismo a uma visão “suburbana” da política. É verdade que o fez numa sucessão de orações subordinadas, mas o vínculo causal estava explícito: analfabeta porque suburbana, não adianta negar. Negá-lo é como negar má intenção no comercial de Marta contra Kassab – só é possível com viseira. Que o estopim tenha sido a proposta de um aterro sanitário em Paciência só acrescentava involuntária ironia ao fato.

Da mesma forma, a campanha de Gabeira não compreendeu bem o imenso faux-pas que foi a declaração de que certos sambistas iriam a um evento com Paes por causa da feijoada. Não se trata de discutir se Paes seria capaz de suborno ou se haverá gente que se submeta a isso. A resposta é afirmativa nos dois casos. No entanto, o X da questão não era esse, e sim o singelo fato de que não se insulta o samba e a feijoada assim. O objeto da injúria não era Paes, portanto não adianta retrucar com a cantilena da diferença moral entre os dois candidatos. Os objetos do insulto eram duas instituições supra-partidárias, simbólicas e, sim, sagradas para muita gente. Não se tratava ali de deslizes ou tropeços, mas de episódios reveladores -- que a coalizão verde, por ter refletido pouco sobre sua origem de classe, talvez tenha subestimado.

Os partidos políticos estão tão estraçalhados no Rio de Janeiro que foi possível que um candidato apresentasse como virtude ética o plano de costurar o segundo turno e depois governar sem conversar com os partidos (entendendo-se aqui suas lideranças, candidatos a prefeito no primeiro turno, vereadores eleitos etc.). A proposta não era inédita, mas a compreensão dela como superioridade moral o era. Gabeira se propôs a conversar “com o eleitorado” dos outros candidatos diretamente, sem mediação. A mensagem ética, calculou-se, era suficiente. No domingo, enorme fração do eleitorado respondeu ficando em casa. Ou indo à praia. Ou viajando para a região dos Lagos. Ou indo à feijoada e ao samba porque, como se sabe, na Zona Sul também se faz feijoada e samba, e dos bons.

O problema com a redução da política à moral é a impossibilidade de realizá-la. Você pode se perguntar pelas relações entre esses dois termos, mas não conseguirá reduzir um ao outro. Pela milésima vez: isso não significa que não haja diferença ética entre Gabeira e Paes. É claro que há. Significa que no momento em que você decide responder todas as perguntas políticas com uma afirmação ética, você dinamita a própria ética. “Ser mais ético” é uma locução defectiva como o verbo “inovar”. Se você inova, há que dizê-lo o outro. Quando você é o candidato “da ética”, não pode fazer desse plus a sua única fonte de diferença política, sob o risco de abandonar a própria ética. Afinal de contas, se há algo que caracteriza o sujeito ético é a permanente suspeita de que não está sendo ético o suficiente.

Como dizemos por aqui, you can't have it both ways: se toda a sua diferença política se ancora na diferença moral, você não pode se recusar a aplicar a si mesmo o teste ético pelo qual o outro candidato não passaria – mesmo que o outro seja o candidato das milícias, do establishment da corrupção e do oportunismo. Ao contrário da política, a ética não é uma prática de trocas negociadas.


PS: Para uma avaliação da importância e também do limite da Onda Verde, considere-se os números claramente: dos 4,5 milhões de eleitores, quase 1 milhão se absteve. Dos 3,5 milhões, mais 4,8% votou nulo e 2% em branco. Dos restantes 3,3 milhões, Gabeira obteve 49%. Trata-se, portanto, de 36,5% do eleitorado, um número estupendo, mas bem mais próximo de “um terço do Rio” que de “metade do Rio”. É um número que merece ser comparado ao “piso / teto” de Marta Suplicy em SP, não por equivalência entre as duas pessoas, mas para se entender a política de alianças possível no Brasil hoje.

PS 2: Merece um super parabéns a iniciativa do amigo Pedro Doria em favor de seu candidato. Foi mais uma bela contribuição do seu blog à política. Que o amigo tenha cometido -- sem maldade, claro -- a injustiça de me atribuir "ojeriza irracional" ao Gabeira (numa tarde em que eu aterrizava em Georgetown, a convite de Bryan McCann, para palestrar analítica e elogiosamente sobre Gabeira!) não mudou em nada minha admiração pela dedicação do Pedro à candidatura em que acreditou e que ajudou a construir.

PS 3: Este blog completou 4 anos no dia 28 e o blogueiro completa 40 hoje. Sobre os poderes cabalísticos do 4, claro, Jorge Luis Borges escreveu um belo relato.

COMISSÃO DE ÉTICA ARQUIVA DENÚNCIA CONTRA GILBERTO CARVALHO

03/11/2008

Comissão de Ética arquiva denúncia contra chefe-de-gabinete de Lula por tráfico de influência

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

A Comissão de Ética Pública do governo federal arquivou o processo contra o chefe-de-gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho. Carvalho era acusado de tráfico de influência por suspeita de repassar informações privilegiadas da Operação Satiagraha, desencadeada pela Polícia Federal, ao advogado e ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).

Em nota oficial, a comissão recomenda o arquivamento "por descabimento da abertura do processo ético! por falta de provas e porque não houve "infração ética".

No final de setembro, o relator do caso, Roberto Caldas, recomendou o arquivamento do caso. Nesta segunda-feira, por unanimidade os conselheiros rejeitaram a denúncia feita pelo jornalista Ricardo Pires de Mello e seguiram o relator.

Para preparar o parecer, Caldas examinou todo o material relativo à Operação Satiagraha, inclusive as publicações jornalísticas. Segundo o relator, a comissão só abriria procedimento ético contra Carvalho se houvesse o entendimento de que suas explicações não eram suficientes.

Ao longo do dia, os conselheiros avaliaram se a degravação de parte da conversa entre Greenhalgh e Carvalho poderia ser utilizada como prova contra o assessor já que as interceptações telefônicas eram sigilosas e foram tornadas públicas pela imprensa.