sábado, 13 de dezembro de 2008

UMA HISTÓRIA REAL, EMOCIONANTE

Eles não sabem o que falam

Sábado, 13 de Dezembro de 2008

-"Parem o Trem !!! Parem o Trem !!!".....Peço a todos os passageiros que façam agora um momento de silêncio em honra aos mortos e aos vivos, sobreviventes da terrível tragédia que se abateu sobre nós naqueles chamados "anos de chumbo" de sofrida e triste memória.

A exatos 4o anos em 13 de dezembro de 1968, era promulgado no Brasil o AI-5 (Ato institucional n° 5) que dava todo o poder ao Estado para sequestrar pais e mães de família, de torturar, de humilhar e de matar cidadãs e cidadãos brasileiros além de instituir a censura aos meios de comunicações, aos meios artísticos e às mentes de toda a nossa nação durante o período daquela amaldiçoada ditadura militar, uma terrível e longa noite que perdurou por 20 anos. Fatos isolados não fazem a história, isso é certo, porém este foi o princípal ato do arbítrio e da ânsia de mandar e desmandar a qualquer custo e a qualquer preço.

Eu era uma criança neste dia e ainda não entendia porque meu vizinho foi tirado a força de dentro de casa em uma madrugada, ou ainda pior, quando o pai do meu melhor amigo sumiu de uma vez para nunca mais voltar, aquilo se fixou na minha mente infantil como um longo pesadelo que durou até eu chegar na adolescência onde comecei a entender e a trilhar os caminhos da resistência. Aos 20 anos, no ano de 1977 entrei com a cara e a coragem no movimento estudantil como um arremedo de Dom Quixote, querendo vingar as mortes do Alexandre Vannucchi Leme, do Manoel Fiel Filho e do Vladimir Herzog, traze-los de olta a vida como se esses fossem meus irmãos ou meus pais ou ainda, e aí sim, meus ídolos e verdadeiros heróis. Como "liderzinho" naquele movimento fui preso por quatro vezes, todas por desacato àquelas "autoridades", o que hoje me me rende do novo amigo "Cloaca", tais prisões como fruto das minhas "ideologias exóticas".

A primeira prisão foi por conta de junto com o Aldo Rebelo (então presidente da UNE) ter feito parte da comissão de negociação para a evacuação pacífica da Praça Ramos, cercada por tudo quanto é tipo de cachorro do então "cachorro" e secretário de segurança Cel. Erasmo Dias, fui preso por desacato à sua autoridade, por eu ali ter coberto a minha cabeça com o casaco para me livrar do seu perdigoto, o homem xingava, gritava e babava e eu reclamei. A segunda prisão foi quando da invasão da PUC pela cavalaria da PM e eu embora não estudasse lá (estava em uma reunião do Mov. Estudantil) para tentar causar um tumunto e escapar enfiei uma '"brochura" enrolada (e proibida) na "baixa" de uma égua da cavalaria, fui pego a força desta vez. A terceira foi em uma panfletagem do lado de fora do estádio da Vila Euclides, em São Bernardo durante uma das famosas assembléias dos metalurgicos, desta vez eu apanhei bastante. Depois de rodar por muito tempo em um camburão, chegamos em cinco companheiros vendados não em uma cela mas em uma sala bem grande, vazia e de janelões fechados que depois descobri que era do prédio do DOPS na Rua Mauá. O "carcereiro" pediu que cada um de nós permanecesse calado em um canto da sala e em absoluto silencio até que podessemos ser "entrevistados" por alguém "superior".Depois de umas seis horas ele voltou e eu estava sentado no centro e completamente esquecido da sua "recomendação", depois do primeiro pontapé para que eu me lembrasse, respondi a ele:

-"Voce tem que voltar pra escola e aprender geometria, se a sala é quadrada e estamos em cinco, quer que eu fique onde, em qual do teu canto imaginário?"

Aquela "sugestão educacional" me custou muitas porradas, chutes "precisos", afogamentos em um tanque sujo e fétido e também um cigarro várias vezes aceso e apagado no meu ombro direito e cuja cicatriz carrego até hoje. Sem contar uma das minhas pálpebras que de noite custa a fechar. A quarta prisão foi também por desacato, desta vez a uma patente mais "leve", um sargento da ROTA e mulato que prendeu um companheiro negro por achar que ele era "suspeito", como (na opinião dele ) qualquer outro negro já que estava parado. Na verdade ele estava conosco panfletando na esquina da Libero Badaró com o Largo São Francisco..O que eu disse para aquele "milico racista" eu não conto porque hoje isso me daria uma outra e justa cadeia por preconceito racial, coisa que eu nunca tive.

A minha pequena experiência não foi nada diante de tanta estupidez e brutalidade daqueles assassinos, mas eu pude ver e constatar pelo lado de dentro o terror assombroso daquelas masmorras. Eu nem apanhei muito, exceto por conta de algumas "divergencias geométricas", tudo porque naquela época eu namorava a filha de um juíz de 1ª instância (não digo quem é, nem de onde é, já que jurei a ele nunca citar o seu nome) que me tirava das "canas" assim que avisado (tínhamos a nossa rede de informação) enquanto rasgava minhas "fichas de hospedagem" para apagar quaisquer "vestígios" de "estadia'. Apesar de ele me incentivar e até chegar a se declarar meu "fã", sabiamente aconselhou a sua filha a não prolongar o tal namoro. Na época eu trabalhava em Santo André, estudava na Barra Funda (Fac. Osvaldo Cruz) e morava em Santana e só participava de todas as manifestações do Mov. Estudantil por conta das inúmeras "consultas médicas" marcadas e abonadas pelo meu chefe que sabia de tudo e dizia e queria "não saber de nada". Trabalhei, estudei, militei e ofereci minha alma e o meu coração a uma causa da qual jamais me apartarei (e nem seria possível).

O que veio a seguir foi ajudar e assistir de corpo presente aqui no Colégio Sion à fundação do PT e a consequente não conclusão do meu curso de engenharia química, interrompido no 4° ano por mudança "às pressas" para Porto Alegre, de onde voltei mais tarde em 1987. Tive tres "casamentos"(meu 3° e definitivo já dura 17 anos), duas lindas filhas ( que já me julgaram e me absolveram ) e um sòmente e único partido, a quem dediquei mais da metade da minha vida e ao qual dedicarei todo o resto.

Hoje e nesse mesmo instante, me encontro aqui "vendendo bilhetes de viajem" aos passageiros do "PTrem das Treze" por não poder mais estar e andar nas ruas já que eu "cumpro prisão domiciliar" e desta vez sem cometer nenhum delito por conta de uma "distrofia muscular progressiva" ora agravada e aguardando pesquisa com células tronco.

A "minha nova revolução e missão" é tentar fazer rir, detonar "Demo-tucanos", destruir PIGs, desmoralizar o "inimigo" e me abrir aos amigos sem nenhum constrangimento, culpa ou medo de ser julgado "piegas". Fiz questão de me apresentar tanto para rememorar esta data fatídica como e principalmente para melhor e mais me aproximar dos tantos amigos que já fiz nesses sòmente 40 dias de "bloguezinho de sacanagens" e quero aprender com todos voces, se puderem, de como me comportar nessa nova e inédita tarefa.

Tudo isso dito para ainda poder fazer minhas, as palavras contidas no texto de um antigo e velho amigo da família e extraordiordinário JORNALISTA, o Ricardo Kotscho que ontem em seu blog, o "Balaio do Kotscho" disse o seguinte:

"É bom que todo mundo lembre agora o que foi aquele período mais tenebroso da ditadura, não só para que ele nunca mais se repita, mas para que alguns veículos e muitos colegas parem de falar em ameaças à liberdade de imprensa cada vez que se ousa contestar ou apenas discutir o seu trabalho.

Eles não sabem o que falam ou não lembram o que foi a ditadura militar. O Brasil vive hoje o seu mais duradouro período de plenas liberdades públicas e, se alguma ameaça persiste ao livre trabalho dos jornalistas, ela não vem do governo central, como naquela época, mas dos próprios responsáveis pelos meios de comunicação."
Comentário.
Emocionante a História do amigo Enio, do Ptrem das Treze. É por causa de gente como Enio que, hoje, o Terror pode mandar os milicos, os tucanos, o DEMO, os jornalistas vendidos e alugados do PIG SIFU.Acesse o ótimo blog de Enio, e assista aos vídeos postados :http://optremdastreze.blogspot.com/2008/12/eles-no-sabem-o-que-falam.html

,."

4 comentários:

necolima disse...

Pois é, sr. terror...
Deve ser muito triste para pessoas como o Enio ver agora o Delfin Neto ser transformado em conselheiro economico do Presidente Lula.
Ver o Presidente lula cercado de pessoas que sem qualquer remorso o apunhalariam na primeira oportunidade, caso tivessem ( tomara que não tenham nunca!!!).
Ver aliados como Juca, Renan, Gedel, que certamente assinariam A-5, A-6, 7, 8...

Mas... o Que fazer???
É preciso garantir a governabilidade!
( com licença, acho que vou vomitar)

TERROR DO NORDESTE disse...

Sr. Neco Lima, vire o disco. Esse papinho não cola mais.O senhor quer o quê, hein? Golpe de esquerda? Que Lula chute o pau da barraca? Se não quer uma solução radical, faça o seguinte: ao invés de o senhor criticar Lula faça um trabalho de conscientização do povo.

Enio, o "Picador de Bilhetes" disse...

Gilvan
Primeiro agradecer teu carinho e palavras comoventes mas exageradas, e dizer que os grandes e verdadeiros heróis desta Pátria infelizmente tombaram em combate, nós apenas sobrevivemos pra contar tais histórias, alguns como o Serra e o FHC, fugiram daqui covardemente e se "gabam" até hoje de serem "Exilados Políticos", ninguem os mandou embora, eles foram por se "borrarem" e por terem quem os bancase com dinheiro na época. Nunca pegaram uma "cana" (ainda).
Se me permitir, devo dizer ao Sr. Neco Lima, que parte do nosso sonho foi realizado. O antigo sonho de ver toda essa gente por ele citada, estar hoje de joelhos e servindo a um Operário e Torneiro Mecânico. Basta ver o ocorrido nas últimas eleições o desespero de TODOS os partidos, incluindo TODOS da oposição distribuindo santinhos de ponta a ponta do país com fotos de seus candidatos grosseiramente "photoshopadas" ao lado do Estadista e Presidente do Povo Lula.

Mais uma vez, muito obrigado e espero estar sempre ao teu lado em eterna gratidão.

E VIVA O TERROR DO NORDESTE !!!

TERROR DO NORDESTE disse...

Enio, perfeita a sua análise, principalmente em relação o Sr. Neco Lima.Não tem preço ver estes coronéis, estes saudosistas da ditadura lambendo os ovos de Lula.Enio, digo sem nenhum favor, você entrou na lista das pessoas admiradas por mim.