quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Brasil instalará rede de estações meteorológicas no Cone Sul


Jornal de Brasília - 02/09/2009


O Brasil vai custear um projeto que prevê a instalação de uma rede de estações meteorológicas nos países do Cone Sul, com o objetivo de obter informações úteis e necessárias para toda a região e para suavizar os efeitos da mudança climática.

As informações foram concedidas à Agência Efe hoje, pelo diretor do Instituto Nacional de Meteorologia, Antonio Divino Moura, que está em Genebra participando da 3ª Conferência Mundial do Clima, organizada pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM).

A conferência conta com a participação de representantes de 150 países, que pretendem chegar a um acordo científico comum para prever os efeitos da mudança climática e disponibilizar informações confiáveis e que permitam uma melhor adaptação ao fenômeno.

"Não se faz meteorologia sozinho. Quanta mais cooperação melhor. Os fenômenos que afetam o Brasil são gerados em outros países. Se melhoramos a rede de observação e tivermos dados de qualidade, poderemos ter informações valiosas para todos", explicou Moura.

O diretor disse ainda que, "com a mudança climática, os fenômenos severos ou extremos se multiplicarão. Necessitamos mecanismos de adaptação. Quanto mais informação melhor".

Até o momento, o Brasil instalou 460 das 500 estações previstas em seu território e, antes do final de ano, quer construir cinco no Paraguai.

"O Paraguai é o país no qual estamos mais adiantados, porque o acordo já está resolvido tanto em nível técnico, quanto diplomático e agora devemos avançar na Argentina e no Uruguai, onde também queremos instalar cinco estações em cada", explicou Moura.

Os dados colhidos por essas estações são enviados a um satélite geoestacionário, que, por sua vez, reenvia a informação em questão de segundos.

"Em seguida, colocamos a informação à disposição de todo o mundo e de forma gratuita na internet, para que todos possam utilizá-la", afirmou Moura.

"Além dos objetivos puramente científicos, ao obter a informação rapidamente, poderemos alertar os serviços da Defesa Civil dos países envolvidos, o que ajudará a mitigar os efeitos perversos de um fenômeno extremo", acrescentou.

Em médio prazo, Moura pretende estabelecer estações de medição no Suriname, na Guiana e na Guiana Francesa.

"Queremos integrá-los de forma duradoura e estes países necessitam cooperação", afirmou.

Por enquanto, não há previsões de ampliação da rede para outros países do continente, como os andinos, "dado que os fenômenos que os afetam são diferentes dos que atingem nossa região e preferimos nos concentrar em prevenir e mitigar os efeitos no Cone Sul", disse.

O projeto, com tecnologia finlandesa, custará US$ 30 milhões no total, pagos integralmente pelo Brasil.

Merecer a nação do pré-sal


Autor: Candido Mendes
Jornal do Brasil - 02/09/2009



RIO - O pré-sal oferece ao “povo de Lula” uma bandeira fora dos moralismos nostálgicos

A discussão do pré-sal, gigantesca nos seus números, leva-nos quase à mudança de escala na prospectiva do desenvolvimento. O presidente quer fazer do novo marco regulatório, nas jazidas petrolíferas profundas, um abrir-se à magnitude do futuro, correspondente à descoberta destes recursos desmesurados.

O que existe ainda de desconhecido só amplia o prognóstico para a aceleração drástica do nosso arranque. Mas não há como subestimar o impacto, sobre as nossas instituições, do regime em que vão atuar as plataformas oceânicas. Importa na mudança do equilíbrio federativo, inclusive diante da base constitucional da paga dos royalties. Reflete-se, ao mesmo tempo, nas estratégias do desenvolvimento social, e diante da enormidade dos lucros a se destinarem aos estados.

De imediato, Lula acautela a destinação mais folgada diante da Carta Magna, em favor da União, no caudal dos dinheiros dirigidos à ciência e tecnologia, tal como declarou ao Conselho da Presidência. Mas em que matriz se definirá este influxo, quando a atual política da área, realisticamente, vai ao complexo empresarial, e à multiplicidade de seus fundos setoriais?

É este o momento em que a universidade poderá se beneficiar desta cornucópia, como agente natural de uma disseminação popular e cidadã, para o conhecimento inovador que reclama o desenvolvimento. Mormente quando vivemos ainda um pobre eufemismo do que seja a pesquisa, no âmbito do terceiro grau brasileiro, tanto é hoje, em 2/3, tarefa do ensino particular. E este não tem as garantias esperadas dos recursos para acudir à sua expansão.

No que permite o pré-sal, o lampejo de Lula assegura a implantação da ciência e tecnologia para alterar a qualidade da nossa prestação educacional, fortalecida, de vez, pelo conhecimento inovador. Em boa hora deu-se conta, também, o governo, da exigência de auxílio realista ao setor que responde por 69% da nossa oferta universitária, castigada pela chamada “lei do calote”, e a responder por um custo suportável pela população das classes C e D, que, pela primeira vez, batem à porta do campus. Mas dos 221 bilhões de que dispõe o BNDES, neste momento, para suas operações, tão-só um bi virá anualmente a esta tarefa.

No sair-se à frente, com a prioridade definida para os lucros do pré-sal, o presidente parece também fugir às armadilhas destas outras prioridades, em que a política do desenvolvimento sustentado pode expor-se ao bom-mocismo utópico, ou à imitação das economias suntuárias do mundo contemporâneo. Não é outra a tentação do ecologismo, suscetível, inclusive, de ganhar, na campanha de Marina Silva, a amplitude de uma discussão nacional para pô-la, de fato, nas suas devidas proporções e, a seu tempo, no catecismo da mudança.

De toda forma, o pré-sal, na nova magnitude que ganhará na política brasileira, oferece nestes dias ao “povo de Lula” uma bandeira fora dos moralismos nostálgicos, ou do pânico por empréstimo das crises internacionais. Sobretudo, é pelo novo poder do Estado brasileiro, ganho ao da própria Petrobras, que se manifestará o avanço mais contundente do Brasil, que sai das marolinhas latino-americanas para se ver como a nação dos BRICs.

* Candido Mendes é cientista político.

Lula afirma que oposição joga contra o país


Folha de S. Paulo - 02/09/2009

Ao comentar resistência ao projeto do pré-sal, ele diz que oposição "está sempre achando que as coisas não devem dar certo"

Petista diz ainda que a decisão de enviar projeto ao Congresso em regime de urgência foi tomada com partidos da base aliada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a oposição pela ameaça de obstruir a tramitação do projeto do modelo de exploração do pré-sal.


"Quem é oposição -e eu fui por muito tempo- está sempre achando que as coisas não devem dar certo, que as coisas devem demorar, porque acham que, se não acontecer, quem perde é o governo. Eu acho que, se não acontecer, quem perde é o povo brasileiro. Não podemos jogar fora essa oportunidade. A gente não pode nem ser precipitado nem ser lento", frisou Lula em evento em Vitória.


Ele disse que o envio em regime de urgência do projeto de lei do pré-sal ao Congresso foi decidido em acordo com os líderes da base aliada e que o governo tem papel "como o de uma mãe, que trata todos [os filhos] com carinho", ao referir-se à distribuição dos royalties que serão cobrados no pré-sal.


"Perguntei se devíamos mandar MP [medida provisória], projeto de lei ou projeto de lei constitucional. Por unanimidade, pediram para fazer projeto de lei com urgência", disse Lula após encontro de empresários brasileiros e alemães.


No regime de urgência, Câmara e Senado têm no máximo 45 dias cada um para votar o projeto. Passado o prazo, a pauta é obstruída (outros projetos não podem ser votados).


Os governadores capixaba, Paulo Hartung (PMDB), de São Paulo, José Serra (PSDB), e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), haviam combinado na madrugada de segunda-feira com Lula que não haveria urgência no encaminhamento das propostas para dar mais tempo aos debates.
Mas Lula comunicou a mudança de planos algumas horas depois e, ontem, também rebateu a argumentação dos Estados. "Já estamos há um ano trabalhando esse projeto, ele não é de agora, é de outubro do ano passado. Agora, a bola é do Congresso, a vez é deles. Quem sou eu, um humilde presidente, para ter qualquer interferência. Os deputados têm que ter consciência de que eles é que vão dizer qual é o tempo que querem para fazer a discussão."


Apesar da mudança de ideia de Lula, Hartung elogiou a proposta final, parabenizou o presidente e o exaltou como um "líder que cultiva a democracia como valor e pratica a política com tolerância".


Na sua vez de discursar, chamando-o de Paulinho, Lula respondeu que "não poderia ter sido diferente". "O papel do governo é como o de uma mãe, que trata todos com carinho, com amor. Não pode faltar nada pra ninguém, e jamais uma mãe ia descobrir um filho para cobrir outro. Tem que aumentar o cobertor ou colocar todo mundo mais juntinho para que recebam a caloria necessária que advém dos recursos", afirmou, referindo-se à distribuição da receita do pré-sal.
"Como a parcela reservada à União será distribuída entre educação, cultura e ciência e tecnologia, o dinheiro "que nunca pensamos ter servirá para fazer uma revolução nos próximos 20 anos no país", acrescentou o presidente.

DESMATAMENTO É O MENOR DESDE 2004

Afinal, de que Marina e os demais Verdes reclamam tanto?


DESMATAMENTO DA AMAZÔNIA É O MENOR JÁ VISTO, DIZ GOVERNO

Folha de S. Paulo - 02/09/2009

Dados confirmam projeção de que taxa de 2009 será a menor em 20 anos, afirma Minc


Em julho o desmatamento acumulado na Amazônia em 12 meses foi o menor desde 2004, quando começou a funcionar o sistema mais rápido de detecção do ritmo das motosserras.

Esse primeiro dado é de um sistema chamado Deter, menos preciso que outro, o Prodes, que calcula efetivamente a taxa de desmatamento e é divulgado anualmente -o resultado do Prodes só sai no final do ano, mas a coleta dos dados vai de agosto de um ano a julho do outro. Os números de ontem confirmam a projeção de que o abate de árvores em 2009 será o menor da série histórica.

"O Prodes vai mostrar um desmatamento provavelmente entre 8.500 km2 e 9.000 km2. Falo isso baseado em projeções anteriores. Vai ser o menor desmatamento dos últimos 20 anos. Tenho certeza absoluta disso", afirmou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.


O Inpe mede o avanço da devastação da floresta desde 1988. Nesse período, a menor taxa foi medida em 91 e superou 11 mil quilômetros quadrados. A expectativa é que o desmatamento neste ano fique abaixo de 9,5 mil km2, ou seis vezes a cidade de São Paulo.


O ministro atribuiu a queda do desmatamento às ações de repressão. Só neste ano, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) bloqueou a produção em mais de 2,6 mil quilômetros quadrados desmatados ilegalmente e aplicou mais de R$ 1 bilhão em multas. "Da queda do desmatamento, 90% foram por causa de pancada", disse.
Minc defendeu o desenvolvimento sustentável como solução para a Amazônia. "Desmatamento zero ficou como o desenvolvimento sustentável e camiseta do Che Guevara. Todo mundo usa ou é a favor, sem saber direito o significado. Mas quando ajo contra o boi pirata, querem cortar o meu pescoço."


A análise dos números do sistema Deter, divulgados ontem, precisa levar em conta a quantidade de nuvens na região. Assim, o desmatamento registrado pelos satélites em julho, quando 77% da região estava livre de nuvens, é resultado da ação das motosserras nos meses anteriores, quando havia mais nuvens impedindo a "visão" dos satélites.


A área de devastação registrada em julho - 836 quilômetros quadrados- é a maior do ano. Ainda assim, é 56% menor do que a média do ritmo de desmatamento registrado nos meses de julho desde 2003.


Em 12 meses, a área desmatada somou 4.375 quilômetros quadrados. Comparado aos 12 meses anteriores, a queda foi de quase 50%.


Os municípios de Novo Progresso e Altamira, no Pará, foram os que mais desmataram em julho. O Estado registrou, no ano, o maior aumento da área desmatada.

Petrobras é a 2º empresa mais lucrativa das Américas

Não perder de vista que o sonho dos demotucanos é vender esta fonte de riqueza. Dia não à pretensão da tucanalha maldita.A Petrobras se tornou no segundo trimestre deste ano a segunda empresa mais lucrativa das Américas, segundo levantamento da consultoria Economatica, que exclui as companhias canadenses e considera apenas as de capital aberto.

A petrolífera brasileira lucrou US$ 3,963 bilhões no período de abril a junho, ficando atrás apenas do Citigroup, que obteve ganhos de US$ 4,279 bilhões. Esses resultados colocam a Petrobras como a companhia mais lucrativa das Américas no setor não financeiro e mais lucrativa da América Latina em todos os setores.



MAIORES LUCROS


América Latina e EUA



1) Citigroup Bancos 4,279
2) Petrobras Petróleo e gás 3,963
3) Exxon Mobil Petróleo e carvão 3,950
4) Goldman Sachs Bancos 3,435
5) Berkshire Hathaway Seguros 3,295
6) AT & T Telecom 3,276
7) BankAmerica Bancos 3,224
8) Johnson & Johnson Remédios e outros 3,208
9) Wells Fargo Bancos 3,172
10) Intl. Bus Machine Computadores e periféricos 3,103
Empresa Setor Lucro (US$ bi)

Atrás do Citigroup e da Petrobras no ranking dos dez maiores lucros das Américas no trimestre, aparecem apenas empresas dos Estados Unidos. O terceiro lugar ficou com a Exxon Mobil, seguido de Goldman Sachs e Berkshire Hathaway.

América Latina


Considerando apenas a América Latina, as empresas brasileiras ocupam oito posições entre os dez maiores lucros trimestrais. Atrás da Petrobras aparece em segundo lugar a mexicana America Movil (da área de telecomunicações, dona da Claro).

Em seguida estão três bancos nacionais: o Itaú Unibanco (com lucro de US$ 1,317 bilhão), o Banco do Brasil (US$ 1,203 bilhão) e o Bradesco (US$ 1,177 bilhão).

A Vale aparece em sexto da América Latina, com ganhos de US$ 752 milhões. AmBev (US$ 705 milhões), Braskem (US$ 592 milhões) e Itaúsa (US$ 516 milhões) vêm em seguida. O décimo lugar é da mexicana Telefs de México (de telecomunicações e emissoras de TV e rádio), com lucro de US$ 450 milhões.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O BRASIL MUDOU




Fonte:Desabafo Brasil.

Pastoral da Terra apoia atualização de índice de produtividade

Terça-feira, 1 de setembro de 2009


SÃO PAULO - Leia a íntegra da nota Dom Ladislau Biernaski, presidente da Comissão Pastoral da Terra


"Pela Atualização dos Índices de Produtividade

O anúncio pelo Presidente Luís Inácio Lula da Silva de atualização dos índices de produtividade da terra desencadeou uma furiosa campanha da bancada ruralista contra a medida, apoiada por grande maioria da poderosa mídia, pelo Ministro da Agricultura Reinhold Stephanes usando para isso da mentira e de argumentos falaciosos, destinados a enganar a opinião pública e a derrubar a iniciativa governamental.



A CPT Nacional vem, pois, a público mostrar o outro lado da moeda.

Está de parabéns o senhor Presidente por este gesto histórico que trará um grande e benéfico desenvolvimento para todo o nosso povo.

Ao assinar esta atualização, atrasada há mais de 30 anos, Lula estará simplesmente cumprindo a Lei Agrária 8.629, de 25 de fevereiro de 1993 que, no artigo 11 determina o seguinte: "Os parâmetros, índices e indicadores que informam o conceito de produtividade serão ajustados periodicamente, de modo a levar em conta o progresso científico e tecnológico da agricultura e o desenvolvimento regional". Ora, o estudo "Fontes e Crescimento da Agricultura Brasileira" divulgado em julho de 2009 pelo próprio Ministério da Agricultura revela que de 1975 a 2008 a taxa de crescimento do produto agropecuário foi de 3.68 % ao ano. No período de 2000 a 2008, o crescimento foi de 5.59 como média anual. Em 1975 produziam-se 10,8 quilos de carne bovina por hectare; hoje são 38.6 quilos; a produção de leite por hectare multiplicou-se por 3.6 e a de carne e aves saltou de 372,7 mil toneladas em 1975, para 10.18 milhões em 2008, segundo o mesmo estudo.

A comparação com outros países demonstra que, no Brasil, o crescimento do PTF (Produtividade Total dos Fatores) foi o mais elevado: 4,98% entre 2000 e 2008. Na China, de 2000 a 2006 foi de 3.2%. Nos Estados Unidos, entre 1975 e 2006 foi de 1.95%. Na Argentina, de excepcionais recursos naturais, foi, de 1960 a 2000, de 1.84%.

A conclusão óbvia a que se chega é que por trás desta guerra da bancada ruralista, teimando em manter os velhos índices de produtividade de 1975 está o intento de preservar o latifúndio improdutivo das empresas nacionais e estrangeiras, desconsiderando a função social da propriedade, estabelecida na nossa Constituição Federal, continuando o Brasil, assim, o campeão mundial do latifúndio depois de Serra Leoa.

Eles levantam repetidamente o número de 400 mil propriedades rurais que seriam afetadas pela medida, inviabilizando assim toda a produção agrícola no país. Na realidade este número corresponde a apenas 10 % das propriedades rurais, embora ocupem 42,6% das terras. Com efeito, das 4.238.447 propriedades cadastradas pelo Incra, 3.838.000, ou seja, 90 % não seriam afetadas pela medida. São estas propriedades as que garantem 70 % do alimento que é posto na mesa dos brasileiros. Ao passo que essas outras 400 mil, com o ferrenho apoio da bancada ruralista, são as que recorrem ao governo para adiar indefinidamente o pagamento de suas dívidas com os bancos, como a imprensa tem noticiado com frequência.

À crítica à anunciada medida juntou-se também uma raivosa criminalização dos movimentos de trabalhadores no campo, da forma mais generalizada e iníqua. Entretanto o que se vê no nosso campo é o deprimente espetáculo da multiplicação dos acampamento de sem-terra que se sujeitam, por anos a fio, a condições inumanas de vida na fila da realização, um dia, do sonho da terra prometida de viver e trabalhar.

Os dados de ocupações de terra e de acampamentos, registrados pela CPT e divulgados anualmente mostram um quadro preocupante. Onde há maior concentração de sem-terra é onde o número de assentamentos é menor. E isso justamente ao lado de áreas improdutivas, que a atualização dos índices poderia facilmente disponibilizar para assentamento das famílias. Em 2007, no Nordeste se concentraram 38,3% das ocupações e acampamentos envolvendo 42,5% das famílias, No Centro-Sul, aconteceram 49,5% das ações envolvendo 43,5% das famílias. Porém os assentamentos promovidos pelo governo aconteceram na sua maioria na Amazônia, onde há mais disponibilidade de terras públicas, distantes dos centros habitados. Fica claro, pois, que onde há mais procura por terra, no Nordeste e no Centro-Sul, há menos disponibilidade de terras. E um dos fatores que limita esta disponibilidade são os índices defasados de produtividade. Ao lado disso, no Sul, onde foram assentados somente 2,6% das famílias, estas tiveram uma participação de 42,06% do total da produção nacional de grãos. Portanto a atualização dos índices de produtividade poderá disponibilizar muito mais áreas em regiões mais propícias ao cultivo de grãos, onde há mais busca por terra e onde a tradição agrícola é mais forte.

Diante de tudo isso a CPT Nacional declara que a alvissareira atualização dos novos índices de produtividade da terra, tantas vezes protelada, é uma exigência de justiça social. Mas a superação da secular estrutural injustiça social no campo e do resgate da dívida social para com os excluídos da terra, vítimas da nefasta política do sistema corrupto e violento que defende a ferro e fogo a arcaica estrutura agrária alicerçada no latifúndio, só se concretizará quando se colocarem em nossa Constituição limites para a propriedade da terra. Então, a partir disso, será possível uma real democratização ao acesso a terra.



Goiânia, 01 de setembro de 2009.


Dom Ladislau Biernaski

Presidente da Comissão Pastoral da Terra"

O pré-sal, O Globo e seu delírio privatista

01 de Setembro de 2009

O jornal O Globo, órgão central das poderosas e multimidiáticas Organizações Globo, perdeu as estribeiras com os projetos do governo Lula para o pré-sal. Além do editorial Delírio estatista, a edição desta terça-feira (1º) traz a manchete Regras estatizantes para pré-sal assustam mercado e, na capa do caderno de economia, De volta para o passado.

Por Bernardo Joffily

O diário da família Marinho ostenta em todos os títulos sua indignação com o "nacionalismo" e o "estatismo" das propostas presidenciais. Mas o editorial é qualquer coisa.

"Visão estreita" de quem?

"Esse novo arcabouço regulatório que o governo Lula pretende estabelecer se distancia do que seria racional, e se aproxima de um delírio, algo somente explicável pela visão ideológica estreita que formuladores de política pública sempre nutriram dentro da atual administração", investe o editorialista.

"O preocupante [...] é a motivação dessa mudança, a visão estreita de que a abertura do mercado é prejudicial ao Brasil. [...] O governo [...] adota o sistema de partilha de produção, situando o Brasil ao lado de países com regimes políticos autoritários ou pouco democráticos, com estruturas tributárias muitas vezes frágeis e vulneráveis à corrupção", conclui.

O jornal carioca puxa a brasa para a sardinha do Rio de Janeiro – que hoje abocanha 67% dos royaltes pagos pela Petrobras: comemora que "o presidente Lula, pelo menos, acabou recuando na idéia de concentrar excessivamente nas mãos da União recursos que poderão resultar da exploração de novas áreas do pré-sal, ficando a decisão final com o Congresso". Mas isso é um detalhe. O eixo do editorial é o privatismo delirante.

Petrobras, enfraquecida ou forte demais?

O "gancho" que sustenta o editorial, e a manchete, é que as ações da Petrobras caíram 4,4% nas bolsas de São Paulo e Nova York. O recuo expressou o temor de investidores privados com o anúncio de que a empresa será capitalizada em US$ 50 bilhões, o que diluiria o valor de cada ação. No dia seguinte os papéis da estatal brasileira voltaram a subir, pois o pacote de Lula evidentemente fortalece a Petrobras.

Aliás, o próprio editorial o reconhece, ao reclamar do "modelo de partilha da produção, que terá apenas uma companhia operadora, a Petrobras, cuja participação compulsória nos consórcios que poderão se formar será de no mínimo 30%".

O Globo não se incomoda com a incoerência de um texto que acusa Lula enfraquecer e fortalecer em excesso a estatal. A única lógica que lhe interessa é a do privatismo. Sua queixa é que "o Estado brasileiro voltou com tudo ao setor petrolífero" e "os braços estatais surgem via fortalecimento da Petrobras, criação da estatal Petro-Sal, e o novo formato para a exploração no país", como diz o artigo sobre o marco regulatório, também pesadamente editorializado.

O Globo não aprendeu com Alckmin

Difícil será o jornal da família Marinho ganhar a opinião pública com tão pobres argumentos. O debate que se iniciou nesta semana, no Congresso Nacional e na cidadania, recoloca de fato com ênfase a realação eontre o público e o privado na economia brasileira. Mas é de se prever que o presidente Lula, com sua proposta de encarar o pré-sal como "patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro", irá ganhar mais uns pontinhos em sua já estratosférica popularidade. E que o privatismo delirante de gente como o editorialista do Globo fique ainda mais isolado em suas trincheiras midiático-oposicionistas.

Na eleição presidencial de 2006, o candidato do Globo, Geraldo Alckmin (PSDB), já pagou um alto preço por sua imagem de privateiro. Todos recordam a desesperada manobra de Alckmin ao aparecer na reta final da campanha exibindo um blusão com as siglas de uma dúzia de estatais, aflito para se livrar da pecha que lhe custou não poucos votos.

Porém depois disso veio ainda a crise mundial capitalista, que tomou conta do planeta a partir de Wall Street, santuário número um da "livre iniciativa". O Globo parece quanto não ter se dado conta do quanto ela é também uma crise da ideologia do pensamento único privateiro – ou, para usar as palavras de Lula, de que "os países e os povos descobriram que, sem regulação e fiscalização do Estado, o deus-mercado é capaz de afundar o mundo num abrir e fechar de olhos".

"Que venga el toro"...

Por fim, a conexão do novo marco regulatório com as eleições de 2010. No Globo, ele ficou confinado à coluna Panorama Econômico, a cargo da interina Regina Alvarez, para quem "o discurso presidencial, com forte viés nacionalista, deixou claro que o governo tem pressa porque a sucessão presidencial ocupa corações e mentes".

É claro, Regina Alvarez, que existe uma conexão pré-sal-2010. Mas deste ponto de vista o governo Lula com certeza não tem o menor motivo para tratar do assunto "a toque de caixa". Longe disso. O pedido de urgência na tramitação dos projetos tem outros motivos. Mas ninguém viu o Planalto roer as unhas de impaciência durante os longos 22 meses em que o marco regulatório foi examinado por uma comissão interministerial.

Quanto mais se discutir o pré-sal, daqui para outubro de 2010, mais feliz da vida ficará o presidente, assim como sua candidata confessa, Dilma Rousseff, que até derramou uma lágrima comovida durante a cerimônia desta segunda-feira. O discurso de Lula, com todas as suas afirmações provocativas, políticas e até ideológicas, deixou isso claro. Ele deve estar pensando, como os espanhóis: "Que venga el toro". Para Lula, em 2010, nada viria mais a calhar que um touro privatista – quem sabe aquele que serve de símbolo a Wall Street –, enfurecido pelas bandeirolas da crise global, arremetendo furioso contra a Petrobras. Alckmin que o diga. Vermelho.

Arrogância tucana


O anão do Orçamento Sérgio Guerra, aquele mesmo que levou a filha, a custa de recursos públicos, para acompanhá-lo aos EUA na época que o infame contraiu uma maldita no estômago, em palestra para tucanos, disse:

O PSDB ‘não tem o direito de perder as eleições’. " Toda vez que a ministra apareceu, ela diminuiu’. ‘Dilma falando nos ajuda’. O tucano afirmou, porém, que o PSDB tem problemas a resolver.

Esses tucanos corruptos, vendilhões do patrimônio nacional, diziam a mesma coisa no ano de 2005, no auge do Valerioduto e o que se viu foi uma estupenda vitória de Lula no ano de 2006.

Ano que vem, 7 anos depois, vai ocorrer a mesma coisa.

Já pensou quando Dilma for para TV, para os palanques dizer que os tucanos gostam de privatização, que são antinacionalistas? A provar maior disso é a luta que os demotucanos travam no Congresso Nacional contra o novo marco regulatório da PETROBRAS, contra o Pré-sal.

Já pensou os frutos do PAC, do Programa Minha Casa Minha Vida aparecendo em 2010?

Já pensou Dilma ir para TV dizer que o Brasil, com Lula, enfrentou a maior crise econômica dos últimos 100 anos, no entanto, não teve nenhum abalo?

Já pensou Dilma ir para TV dizer que ela vai ser a continuação do governo consagrado de Lula?


Já pensou Dilma ir para TV dizer que os tucanos passaram mais de 8 anos boicotando o Brasil?


Dilma não precisa dizer mais nada, basta dizer o que neste comentário foi dito.


Não tem para ninguém.

Lula sugere “cheiradinha no pré-sal” para acalmar Congresso

PSDB quer privatizar a Petrobras. Pense nisso.

Bem, as palavras de Sérgio Anão do Orçamento Guerra são provas incontestes que o corrupto PSDB ainda sonha em privatizar a PETROBRAS.O povo brasileiro não pode deixar que isso ocorra.


01 erça-feira, 1 de setembro de 2009


Senador defende o atual modelo de exploração de petróleo, que permite parcerias com o setor privado

Carol Pires - AE


BRASÍLIA - O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), fez, há pouco, um duro discurso contra a adoção do modelo de partilha na exploração do petróleo na camada do pré-sal defendido pelo governo. "Não podemos transformar nosso futuro, o futuro dos nossos filhos, netos, bisnetos, em vítima de um presente irresponsável, míope, leviano, oportunista, a pretexto de esticar a presença no poder de um partido cansado de uma aliança forçada, sem ideias próprias sobre o Brasil e os brasileiros, a não ser a de curtir as benesses das nomeações, aparelhamento e das comissões", disse Guerra, em plenário.

Guerra defendeu o atual modelo para exploração do petróleo em águas profundas, que permite parcerias com o setor privado e tem interferência mínima do governo. "O crescimento da Petrobras nesta década proveio, em primeiro lugar, da Lei do Petróleo a que o PT se opôs, votada em 1997, e que atraiu investimentos privados, além dos públicos, para a prospecção e exploração do óleo", relembrou o senador.

O senador tucano acusou o presidente da República de "enganar o povo" ao criticar o modelo "privatizante" na exploração do petróleo adotada no governo Fernando Henrique Cardoso. E, ainda na opinião do senador, Lula tenta, com este discurso, "enfiar" a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República "pela goela do seu partido e dos seus aliados".

"O presidente engana de novo quando diz que a vida da Petrobras foi ameaçada no governo passado. Isso nunca aconteceu. A Constituição de 1988, que assegura à União a propriedade do subsolo, foi mantida. A Petrobras não só continuou como foi fortalecida. Lula inventa espantalhos e os espanca, antecipando a estratégia eleitoral de sua fraca candidata, que ele mesmo está enfiando pela goela de seu partido e dos seus aliados", disse Guerra.

O PSDB e do DEM criticam o caráter de urgência constitucional dado aos quatro projetos sobre a exploração do petróleo do pré-sal, o que Sérgio Guerra chama de "um verdadeiro acinte". "As reservas do pré-sal foram anunciadas em novembro de 2007. O governo andou devagar: somente 22 meses depois apresenta ao Congresso um projeto de lei que ninguém conhecia, em torno do qual não houve nenhum debate prévio, e pretende dar aos parlamentares um tempo mais de sete vezes menor para deliberarem a respeito. A urgência constitucional requerida representa um verdadeiro acinte ao Congresso Nacional", criticou.

Com IPI reduzido, governo Lula evita demissão de 60 mil trabalhadores, diz Ipea

01/09/2009

Embora o governo federal tenha deixado de arrecadar R$ 1,817 bilhão no primeiro semestre com a redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para automóveis, houve um aumento de R$ 1,258 bilhão na receita com outros tributos federais devido às vendas impulsionadas pela desoneração.

Com isso, o custo do benefício fiscal aos cofres públicos ficou em R$ 559 milhões, de acordo com levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado nesta terça-feira (1º). Segundo João Sicsú, diretor de estudos macroeconômicos da entidade, a medida ajudou a manter entre 50 mil e 60 mil empregos diretos e indiretos na economia brasileira no primeiro semestre. "Desonerar nem sempre dá um resultado negativo", afirmou.

Esse número só considera as vagas em empresas ligadas à associação e não leva em conta outras partes da cadeia, como os postos de trabalho gerados por autopeças, concessionárias, revendedoras e seguradoras.

As perdas na arrecadação de tributos devem ter sido ainda menores, acrescentou Sicsú, porque o estudo não considerou os impostos estaduais, como o ICMS (Imposto sobre

Circulação de Mercadorias e Serviços), nem as receitas previdenciárias. "É uma estimativa bastante conservadora."

Foram levados em conta no cálculo: PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), Imposto de Renda, Imposto de Importação e IPI, sem incluir, no entanto, a parcela referente a automóveis.

Ainda segundo o estudo, a redução desse imposto gerou uma venda adicional, no atacado, de 191 mil automóveis e comerciais leves, como picapes e utilitários, no primeiro semestre deste ano, o que representa 13,4% do total contabilizado nesse período (1,422 milhão).

Em junho, quando as montadoras comemoraram recorde histórico de emplacamentos no mês, foram vendidos no atacado 287 mil. Desse total, 43 mil são atribuídos à diminuição de IPI.

A indústria automotiva foi uma das principais beneficiadas pelas medidas anticíclicas do governo federal, com a isenção de IPI para automóveis de 1.000 cilindradas e redução para os de até 2.000 desde dezembro do ano passado e até o fim deste mês. A partir de outubro, as alíquotas começam a subir, até voltarem ao percentual original em janeiro.

Chupa, tucana vagabunda, que é de uva!

Oposição sem rumo


Engraçado, essa oposição corrupta, cansada e invejosa adora urgência na instalação de uma CPI, agora, quando é para discutir e votar um projeto de interesse da Nação, não tem pressa nenhuma.Ora, noventa dias é tempo suficiente para o Congresso Nacional votar mais de uma dúzia de projeto de lei.Façam o seguinte, senhores da oposição ao Brasil: votem contra o projeto.É muito mais honesto votar contra o projeto de lei que ficar procurando desculpa para não votar.

01/09/2009

Oposição quer retirada do pedido de urgência para projetos do pré-sal

A votação em regime de urgência dos quatro projetos referentes à exploração do pré-sal ainda incomoda a oposição no Congresso Nacional. Nesta terça-feira (1º), a bancada do DEM reuniu-se para acompanhar uma palestra sobre o tema e definir a estratégia para a votação das propostas enviadas pelo Executivo. A ideia é defender a retirada do pedido de urgência.


"O governo já retirou a urgência tantas vezes, por que não agora?", afirmou o líder do partido na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), ao final da reunião. Ele classificou como "absurdo" o recuo do governo, que enviou os projetos ao Legislativo com pedido de urgência depois do "acerto feito para que tramitasse normalmente". "O objetivo principal do governo é desviar o foco. Essa matéria (pré-sal) não é urgente, pode ser elaborada com todas as opiniões a serem apresentadas em debates aqui na Câmara".

Caiado deverá se reunir com os líderes do PSDB, José Aníbal (SP) e do PPS, Fernando Coruja (SC), para acertar uma posição conjunta contra a urgência na votação.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se na noite de domingo com os governadores de São Paulo, José Serra (PSDB), do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), Estados donos da maior produção de petróleo no país. Ao final do encontro, a notícia era a de que apenas um projeto seria enviado ao Congresso, sem regime de urgência.

Contudo, após reunião com ministros e líderes da base governista, pouco antes da cerimônia de apresentação das propostas do marco regulatório, o governo recuou e decidiu apresentar quatro propostas, todas com pedido de urgência. Assim, o prazo para tramitação na Câmara e no Senado deverá ser de 90 dias.

O governador José Serra defendeu um debate maior da questão, ao final da cerimônia desta segunda. "Não vai haver tempo bom, hábil, razoável, para que se discuta um projeto que tem implicações para as próximas décadas. O que está se discutindo agora não é algo que terá efeito daqui a três anos, quatro anos, cinco anos; é coisa para dez, 15 anos em diante", disse.

Os tormentos de quem ousou enfrentar o Clã Mendes

A odisseia de Capistrano

Redação CartaCapital

Em 3 de outubro de 2008, o notário Erival Capistrano cometeu o imperdoável pecado de afrontar o mais poderoso clã político de Diamantino, Mato Grosso. Eleito prefeito pelo PDT, Capistrano venceu nas urnas, por apenas 418 votos, Juviano Lincoln, do PR, candidato da família do ministro Gilmar Mendes, presidente do STF. Desde então, manter-se à frente da prefeitura tem sido uma odisseia. Empossado em 1º de janeiro de 2009, ele já foi afastado duas vezes, em um espaço de sete meses, por conta de decisões do Poder Judiciário estadual. Em 31 de março, dois meses depois de empossado, Erival Capistrano teve o mandato cassado pelo juiz Luiz Fernando Kirche, da 7ª Vara Eleitoral de Mato Grosso. O juiz, então recém-transferido para Diamantino, acatou a representação da coligação de Lincoln que acusou o prefeito de aceitar uma doação de campanha de 20 mil reais feita a partir de um recibo com assinatura, supostamente falsificada, do agricultor Arduíno dos Santos. Em novembro de 2008, Santos depôs no Ministério Público e confirmou a doação. Dois meses depois, decidiu mudar o depoimento e negou ter dado o dinheiro para a campanha do PDT.

Em 23 de junho, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso acatou, por sete votos a zero, um recurso impetrado pelo PDT e Capistrano foi reempossado na prefeitura. Em 18 de agosto, no entanto, o presidente do TRE, desembargador Evandro Stábile, por meio de uma medida cautelar, suspendeu os efeitos da decisão e o reconduziu a Lincoln. O detalhe curioso é que Stábile foi um dos sete juízes a votar a favor da recondução de Capistrano, menos de dois meses antes de mudar de posição.

A nova saída de Capistrano tem provocado diversas manifestações populares em Diamantino, mas a volta dele à prefeitura vai depender da análise do caso pelo TSE. Até 2008, o município havia sido governado por Chico Mendes (PR), irmão caçula de Gilmar Mendes, alvo de dezenas de denúncias de superfaturamento e desvio de verbas da prefeitura – mesmo assim, jamais incomodado pela Justiça local.

Governo Lula destina R$ 10 bilhões para plano habitacional em 2010


01/09/2009

Folha Online

Com um volume inédito de recursos em subsídios para a população de baixa renda, o novo plano habitacional do governo Lula é a principal inovação do projeto de Orçamento da União para o ano eleitoral de 2010, informa reportagem de Gustavo Patu, publicada nesta terça-feira pela Folha.

Batizado de Minha Casa, Minha Vida, o programa terá, segundo dados parciais divulgados ontem, R$ 10 bilhões para despesas a fundo perdido, a maior parte destinada a famílias com renda até três salários mínimos. Pelas regras já definidas pelo governo, as famílias mais pobres pagarão prestações mensais que vão variar de R$ 50 a 10% de sua renda.

Em tese, os gastos deveriam começar com R$ 6 bilhões até dezembro, mas, a quase totalidade do dinheiro, que nem foi incluído ainda no Orçamento de 2009, ficará mesmo para o próximo ano.

O projeto de Orçamento foi entregue ontem ao Congresso pelo ministro do Planejamento Paulo Bernardo. O detalhamento dos números, porém, só será feito nesta terça-feira. Bernardo disse não acreditar em uma eventual resistência da oposição ao novo programa. "Acho que vai haver um reconhecimento de todos de que é importante manter o subsídio do programa.

Oposição corrupta e invejosa é contra o desenvolvimento do Brasil

É o que eu costumo dizer: essa oposição invejosa e corrupta nem trepa nem sai de cima.

Pré-sal: oposição promete resistência no Congresso

"A bola é do Congresso", diz Lula sobre o pré-sal

Desmatamento da Amazônia Legal caiu 65% no último ano

01/09/2009

O desmatamento na Amazônia Legal caiu 65% no último ano. De agosto de 2008 a julho deste ano, foram derrubados 1.766 km² de florestas, ante os 5.031 km² degradados nos 12 meses anteriores. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), com base em de informações do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD).

A redução foi mais expressiva nos estados de Mato Grosso (-79%), Rondônia (-74%), Pará (-55%), Tocantins (-52%), Amazonas (-21%) e Roraima (-6%). Houve aumento na proporção de área desmatada no Acre (+3%), embora o acréscimo em termos absolutos no estado tenha sido pequeno – de apenas 1 km².

O SAD indica um aumento de 93% no desmatamento em julho de 2009 em comparação com julho de 2008. Mas, para os pesquisadores do Imazon, parte dessa degradação pode ter ocorrido em meses anteriores, quando a cobertura de nuvens sobre o Pará estava acentuada e impedia a captura de imagens por satélite. “Aproximadamente 55% do desmatamento detectado corresponde a áreas que estavam cobertas por nuvens em maio e junho de 2009”, pondera o relatório do Imazon.

O deputado Leonardo Monteiro (PT-MG), integrante da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, destaca o esforço do governo federal para conter o desmatamento. “O cuidado com as florestas exige não apenas medidas punitivas, mas também um trabalho de conscientização da sociedade”, afirmou o parlamentar que destacou a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
*Confira a íntegra do relatório


www.informes.org.br

Só falta denunciar o líder da quadrilha

Segunda-feira, 31 de agosto de 2009


MP denuncia ex-prefeitos por envolvimento com 'Sanguessugas'

O Estado de S. Paulo

BELO HORIZONTE - O Ministério Público Federal (MPF) em Montes Claros informou nesta segunda-feira, 31, que ofereceu denúncia contra nove ex-prefeitos de oito municípios do norte de Minas e o ex-deputado federal e atual vereador em Belo Horizonte, Cabo Júlio (PMDB), por crimes decorrentes do chamado esquema da Máfia das Sanguessugas. Foi denunciado também João Pereira Teixeira, ex-chefe de gabinete do então deputado federal Cleuber Carneiro (PTB). Por participação no esquema de fraudes em licitações e apropriação de dinheiro público na compra de ambulâncias e de equipamentos hospitalares, o MPF ajuizou ação de improbidade administrativa contra Carneiro.

Foram acusados formalmente ainda o empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin - proprietário da Planam Comércio e Representação -, advogados e 24 servidores públicos municipais que integravam as comissões municipais de licitação. Eles foram denunciados por fraude nos procedimentos licitatórios destinados à aquisição de ambulâncias e de equipamentos que seriam usados para equipar os veículos.

Conforme o MPF, em todos os casos houve superfaturamento, com sobrepreço que variou de 21,66% a 64,30%. A Procuradoria da República apurou ainda o cometimento de outros crimes como adulteração da qualidade do bem - veículo já usado era entregue como novo ou não apresentava todos os equipamentos previstos em edital -, falsidade ideológica, corrupção e aplicação indevida de verbas federais da saúde.

Os recursos eram provenientes de emendas ao Orçamento da União, patrocinadas pelos ex-deputados federais. Carneiro destinou emendas para sete municípios: Bonito de Minas, Brasília de Minas, Cônego Marinho, Espinosa, Pedras de Maria da Cruz, Mirabela e Varzelândia. Já a cidade de Ibiracatu recebeu recursos provenientes de emenda do ex-deputado Cabo Júlio.

Os parlamentares, de acordo com o MPF, tinham "papel fundamental nas fraudes, já que eram os responsáveis pelo direcionamento das verbas aos municípios, condicionando-as à realização de licitações nos moldes arquitetados pelos criadores do esquema".

Em relação a Carneiro, em alguns casos, o contato era feito, em nome do deputado, por seu assessor, João Pereira Teixeira. As acusações contra os ex-deputados e o assessor foram confirmadas pelos próprios prefeitos em depoimentos à Polícia Federal.

No último dia 10, a 7ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte condenou Cabo Júlio a devolver a quantia de R$ 143 mil "indevidamente acrescida ao seu patrimônio" e a pagar multa correspondente a três vezes o valor - em decisão judicial que, segundo o MPF, foi a primeira vitoriosa em Minas contra a Máfia dos Sanguessugas.

Improbidade

Carneiro, que já responde a uma ação penal na Justiça Federal do Mato Grosso por participação no esquema, é agora réu também em ação de improbidade administrativa ajuizada pelo MPF em Minas. O então deputado federal, conforme a acusação, aderiu ao esquema cobrando 10%, "a título de comissão", sobre o valor dos recursos destinados.

Em 2003, Carneiro apresentou três emendas contemplando os sete municípios de sua base eleitoral, o norte mineiro. O MPF pede na ação a decretação da indisponibilidade dos bens do ex-deputado, pagamento de multa, suspensão dos direitos políticos e a proibição de contratar com o poder público ou receber incentivos fiscais pelo prazo de 10 anos. Solicita ainda a condenação do ex-deputado por dano moral coletivo em valor "não inferior" a R$ 500 mil.


"Ao introduzir e enquistar no Norte do Estado de Minas Gerais a odiosa 'máfia das ambulâncias', Cleuber Carneiro atraiçoou seu eleitorado, vilipendiando a essência do voto no sistema de democracia representativa: a confiança do povo na boa gestão da coisa pública", afirma o MPF na ação.

O Estado não conseguiu localizar nesta segunda-feira, 31, o ex-deputado pelo PTB e seu ex-chefe de gabinete. A assessoria do vereador Cabo Júlio prometeu encaminhar um posicionamento, mas até o fim da tarde não o havia feito.


Novo marco regulatório: o Brasil no caminho certo


Terça-feira, 1 de setembro de 2009


Novas regras para o petróleo são 'virada nacionalista' do Brasil, diz 'NYT'


- O novo marco regulatório para a exploração do petróleo no Brasil, anunciado na segunda-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, representa "uma virada nacionalista" para o Brasil, segundo afirma reportagem publicada nesta terça-feira pelo diário americano The New York Times.

"O governo brasileiro propôs mudanças às leis existentes na segunda-feira para dar o papel principal no desenvolvimento das reservas-chave de petróleo em águas profundas para a gigante estatal da energia, a Petrobras, em detrimento das rivais estrangeiras", observa o diário.

"O novo marco regulatório do país representa uma virada nacionalista para o Brasil", diz a reportagem, que comenta que os campos descobertos nos últimos dois anos podem transformar o Brasil em uma grande potência mundial de energia.

A reportagem comenta que as novas regras, que ainda dependem de aprovação do Congresso, "confinariam as empresas estrangeiras a papéis mais subservientes à Petrobras e a uma nova estatal do petróleo ainda a ser criada".

Divisão social

Já o diário econômico americano The Wall Street Journal destaca que, para cumprir sua promessa de financiar o desenvolvimento do país com os recursos provenientes do petróleo, Lula "terá que ter sucesso onde gerações de governos latino-americanos, do México à Bolívia, falharam: transformar a riqueza de vastos recursos naturais no motor do desenvolvimento".

"O Brasil, com alguns dos maiores estoques do mundo de minério de ferro e prata, tem uma das maiores diferenças entre os ricos e os pobres", diz a reportagem.

O jornal comenta que para superar os desafios tecnológicos para explorar os novos campos, a quilômetros de profundidade sob uma camada de rocha e sal, o país precisará de ajuda, mas "poderá não atrair a colaboração de que necessita a menos que ofereça aos parceiros termos mais lucrativos".

A reportagem do Wall Street Journal observa ainda que as ações da Petrobras "caíram na segunda-feira, em parte por causa da preocupação de que o governo terá uma participação maior na companhia".

O jornal lembra ainda que "alguns observadores questionam a suposição básica de que a extração do petróleo é certa", já que a britânica BG Group e a americana Exxon anunciaram no mês passado não terem encontrado petróleo em suas áreas de concessão, apesar de a Petrobras ter dito que a maioria de suas perfurações de teste encontraram petróleo.

Eleições

O diário espanhol El País relata que o presidente Lula anunciou "um novo dia da independência" com as novas regras para a exploração do petróleo, "com o olhar voltado para as eleições presidenciais que acontecerão em outubro do ano que vem".

O jornal observa que o projeto anunciado pelo governo foi enviado em regime de urgência ao Congresso, que terá agora 90 dias para discuti-lo e votá-lo.

"A pressa para aprovar um novo marco regulatório tem uma leitura dupla: por um lado, Lula não quer deixar muita margem de manobra para que a oposição faça uma sangria num projeto que já vem sendo criticado por vários grupos políticos", diz o texto.

"Em segundo lugar, também não convém ao líder brasileiro que estas discussões acabem se misturando com a campanha eleitoral prevista para o próximo ano", afirma o jornal.

A reportagem observa que Lula terá o reconhecimento político de que o Brasil está se convertendo em uma potência petrolífera de primeira ordem, mas que não gostaria de enfrentar o desgaste político diante de um eventual enfrentamento com o Congresso em plena corrida presidencial.

"Para o presidente brasileiro, a prioridade é que sua candidata, a superministra Dilma Rousseff, ganhe as eleições de 2010 para o Partido dos Trabalhadores (PT)", diz o jornal.

Combate à pobreza

O jornal britânico The Guardian relata em sua reportagem que Lula "prometeu injetar bilhões de petrodólares na guerra contra a pobreza após as maiores descobertas de petróleo da década".

"Ele afirmou que a nova legislação que está propondo permitirá que os lucros sejam usados para 'cuidar' da educação e da pobreza de uma vez por todas", diz a reportagem.

O Guardian comenta que a descoberta dos novos campos de petróleo a partir de novembro de 2007 levaram o Brasil a suspender os leilões de concessão de novos blocos para a exploração de petróleo "para dar ao governo uma parcela maior dos lucros".

"Lula deve criar um 'fundo social' com o objetivo de canalizar os lucros com o petróleo para iniciativas de redução da pobreza e poderia dar um controle maior dos campos de petróleo 'estratégicos' ao governo", diz a reportagem.

Segundo o jornal, "companhias estrangeiras de petróleo reagiram com nervosismo à especulação sobre a nova legislação, preocupadas de que terão um papel menor na futura exploração na região".

O diário econômico Financial Times observa que as incertezas sobre o novo regime, aliadas à queda no preço do petróleo, provocaram uma queda de mais de 8% nas ações da Petrobras na última semana. BBC Brasil .

Leia discurso histórico de Lula

31 de Agosto de 2009

Lula faz discurso de olho no petróleo, na história e em 2010


O pré-sal é "patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira ao encaminhar sua proposta para a megajazida petrolífera. Em um "dia histórico", Lula não recorreu a improvisos, que costumam conter as suas declarações mais incisivas. Porém o longo discurso lido e medido nem por isso foi menos politizado, de olho no petróleo, mas também na história e igualmente nas eleições de 2010.

"Não se pode ainda dizer, com certeza, quantos bilhões de barris o pré-sal acrescentará às reservas brasileiras. Mas já se pode dizer, com toda segurança, que ele colocará o Brasil entre os países com maiores reservas de petróleo do mundo", previu o presidente. As estimativas sobre o tamanho do pré-sal variam muito, chegando a 70 bilhões e até 100 bilhões de barris. O governo por enquanto trabalha sobriamente com 50 bilhões.

"Tempos de pensamento subalterno"

Uma das passagens mais fortes marcou as diferenças com a administração Fernando Henrique Cardoso. Sem citar nomes, Lula disse que em 1997, quando se estabeleceram as atuais regras petrolíferas, "o mundo vivia um contexto em que os adoradores do mercado estavam em alta e tudo que se referisse à presença do Estado na economia estava em baixa".

"Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil no nome, a companhia passaria a ser a Petrobrax – sabe-se lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro", afirmou Lula.

"Foram tempos de pensamento subalterno. O país tinha deixado de acreditar em si mesmo. Na economia, campeava o desalento. O Brasil não conseguia crescer, sofria com altas taxas de juros, de desemprego, e juros estratosféricos, apresentava dívida externa elevadíssima e praticamente não tinha reservas internacionais. Volta e meia quebrava, sendo obrigado a pedir ao FMI ajuda, que chegava sempre acompanhada de um monte de imposições. Além disso, não produzíamos o petróleo necessário para nosso consumo. Ferida, desestimulada e desorientada, a Petrobras vivia um momento muito difícil."

"Hoje, nós vivemos um quadro é inteiramente diferente", prosseguiu Lula. Destacou a crise global, onde "os países e os povos descobriram que, sem regulação e fiscalização do Estado, o deus-mercado é capaz de afundar o mundo num abrir e fechar de olhos". Valorizou "o papel do Estado, como regulador e fiscalizador" e voltou a citar os feitos de seu governo na economia e em especial na Petrobras.

"Em suma, os tempos e o ambiente no mundo são outros. A situação da economia brasileira é outra. O Brasil e o prestígio do Brasil são outros. A Petrobras é outra. E outra também é a situação do mercado do petróleo", resumiu Lula.

Três diretrizes contra os "perigos"

Para Lula, a riqueza do pré-sal, "bem explorada e bem administrada, pode impulsionar grandes transformações no Brasil, consolidando a mudança de patamar de nossa economia e a melhoria das condições de vida de nosso povo".

"Mas o pré-sal também apresenta perigos e desafios", advertiu ele. E lembrou a sina de "países pobres que descobriram muito petróleo" mas "continuaram pobres", pouis "o que era uma dádiva transformou-se numa verdadeira maldição".

Para evitar esse risco, "determinei três diretrizes básicas", osque orientam projetos de lei enviados ao Congresso.

"Primeira: o petróleo e o gás pertencem a todo o povo brasileiro". Portanto, "a maior parte da renda gerada" permanecerá nas mãos do povo.

"A segunda diretriz é de que o Brasil não vai se transformar num mero exportador de óleo cru". Exportará gasolina, óleo diesel e produtos petroquímicos, "que valem muito mais", geram empregos e "uma poderosa indústria fornecedora dos equipamentos e serviços".

"A terceira diretriz: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos, torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro. Sua principal destinação deve ser a educação das novas gerações, a cultura, o meio ambiente, o combate à pobreza e uma aposta no conhecimento científico e tecnológico, por meio da inovação. Vamos investir seus recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos, nossos netos, nosso futuro."

O novo marco regulatório

Com esses objetivos, Lula defendeu a mudança do marco regulatório para o pré-sal. "Seria um grave erro manter na área do pré-sal, de baixíssimo risco e grande rentabilidade, o modelo de concessões, apropriado apenas para blocos de grande risco exploratório e baixa rentabilidade", afirmou. E justificou assim o sistema de partilha, onde "a União continuará dona da maior parte do petróleo e do gás".

Segundo Lula, o modelo de partilha permitirrá ao Estado controlar o processo de produção e "calibrar" seu ritmo, "de acordo com os interesses nacionais, sem se subordinar às exigências do mercado".

"Dessa maneira, ficará mais fácil para o Brasil contornar os riscos inerentes à produção excessiva, que poderia inundar o país de dinheiro estrangeiro, desorganizando nossa economia – aquilo que os especialistas chamam de doença holandesa", argumentou o presidente.

A Petrosal, "imprescindível"

Para gerir os contratos de partilha, o governo propõe acriação de uma nova empresa estatal, a Petrosal. A Petrosal "não concorrerá com a Petrobras" mas será "a representante dos interesses do Estado brasileiro, o olho atento do povo brasileiro, acompanhando e fiscalizando".

"Em vários países que adotaram o modelo de partilha, empresas com esse caráter revelaram-se imprescindíveis para defender os interesses públicos e nacionais nas negociações e na gestão de contratos e processos complexos e sofisticados como os que caracterizam a indústria petrolífera", argumentou Lula.

O novo Fundo, "uma mega-poupança"

O governo propõe também a criação do Fundo Social, que será responsável pela administração da renda do petróleo.

"De um lado, o novo fundo será uma mega-poupança, um passaporte para o futuro, que preservará e incrementará a renda do petróleo por muitas e muitas décadas. Os rendimentos do fundo serão canalizados, prioritariamente, para a educação, a cultura, o meio ambiente, a erradicação da pobreza e a inovação tecnológica. Vamos aproveitá-los para pagar a imensa dívida que o país tem com a educação e para permitir que a aplicação do conhecimento científico seja, na verdade, a nossa maior garantia do nosso futuro", disse Lula.

"De outro lado, o novo fundo funcionará, também, como um dique contra a entrada desordenada de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento dos milhões e milhões de brasileiros."

Já "a nossa querida e orgulhosa Petrobras" será fortalecida com o "status especial" de "única empresa operadora" no pré-sal. E a União fortalecerá sua participação acionária na empresa, no valor "de até 5 bilhões de barris equivalentes de petróleo.

"Benditos amigos do dinossauro"

O discurso também rendeu várias homenagens aos lutadores pelo petróleo no passado, "chamados de fanáticos e maníacos, de lunáticos", como Monteiro Lobato. E também aos "que saíram às ruas em todo o país na campanha do 'O Petróleo é nosso', uma batalha travada em condições duríssimas. Basta ler os jornais da época, alguns em circulação até hoje, que ridicularizavam a campanha nacionalista. E eu digo: bendito nacionalismo, que permitiu que as riquezas da nação permanecessem em nossas mãos", disse Lula, alfinetando a mídia de hoje.

"Rendo homenagem muito especial, por fim, a todos os que defenderam a Petrobras quando a empresa passou a ser tratada como uma herança maldita do período jurássico. Benditos amigos e companheiros do dinossauro, que sobreviveu à extinção, deu a volta por cima, mostrou o seu valor. E descobriu o pré-sal – patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro", afirmou.

"Olho para trás e vejo que há algo em comum em todos esses momentos, algo que unifica e dá sentido a essa caminhada, algo que nos trouxe até aqui e ao dia de hoje: é, sinceramente, a capacidade do povo brasileiro de acreditar em si mesmo e no nosso país. Foi em meio à descrença de tantos que querem falar em seu nome... O povo – principalmente ao povo – devemos esse momento atual."

"É como se houvesse uma mão invisível – não a do mercado, da qual já falaram tanto, mas outra, bem mais sábia e permanente, a mão do povo – tecendo nosso destino e construindo nosso futuro. Não creio que seja uma coincidência o fato de a Petrobras ter descoberto as grandes reservas do pré-sal justamente num momento da vida política nacional em que o povo também descobriu em si mesmo grandes reservas de energia e de esperança. Num momento em que o país, deixando para trás o complexo de inferioridade que lhe inculcaram durante séculos, aprendeu como é bom andar de cabeça erguida e olhar com confiança para o futuro."

Lula propôs o debate dos projetos de lei não só no interior do Congresso Nacional mas também com governadores e prefeitos, além de dizer estar seguro "de que o povo brasileiro entrará de corpo e alma nesse debate tão importante para o destino do Brasil e para o futuro dos nossos filhos", sobre um assunto que " interessa a todos e depende de todos". "Quero convocar cada brasileiro e cada brasileira a participar desse grande debate", chamou Lula.

Veja a íntegra do discurso de Lula:



"Minha querida companheira Marisa Letícia,
Excelentíssimo senhor presidente do Senado, José Sarney,
Excelentíssimo presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer,
Ministra Dilma Roussef, ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República; ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, em nome dos quais cumprimento todos os ministros aqui presentes,
Quero cumprimentar todos os governadores que vieram ao lançamento do pré-sal,
Quero cumprimentar as autoridades dos Superiores Tribunais aqui de Brasília,
Quero cumprimentar os nossos amigos senadores e deputados que estão presentes,
Quero cumprimentar os membros do corpo diplomático,
Quero cumprimentar os prefeitos aqui presentes,
Em nome dos empresários eu gostaria de cumprimentar o nosso companheiro José Sérgio Gabrielli, presidente da nossa gloriosa Petrobras,
E o Luciano Coutinho, presidente do BNDES,

Minhas amigas e meus amigos,

Hoje é um dia histórico.

O governo está enviando ao Congresso Nacional sua proposta do marco regulatório para a exploração de petróleo e gás no chamado pré-sal.

Estou seguro de que, nos próximos meses, os deputados e senadores, recolhendo também as contribuições de governadores e prefeitos, aperfeiçoarão as propostas do governo, trabalhando com responsabilidade, espírito público, compromisso com o país e, sobretudo, muita visão de futuro.

Estou seguro também de que o povo brasileiro entrará de corpo e alma nesse debate tão importante para o destino do Brasil e para o futuro dos nossos filhos.

Porque esse não é um assunto apenas para os iniciados e especialistas. Nem é tampouco um tema que deva ficar restrito somente ao parlamento. Ao contrário, ele interessa a todos e depende de todos.

Por isso mesmo, quero convocar cada brasileiro e cada brasileira a participar desse grande debate. Trabalhadores, donas de casa, lavradores, empresários, intelectuais, cientistas, estudantes, servidores públicos, todos podem e devem contribuir para que tomemos as melhores decisões.

Minhas amigas e meus amigos,

O chamado pré-sal contém jazidas gigantescas de petróleo e gás, situadas entre cinco e sete mil metros abaixo do nível do mar, sob uma camada de sal que, em certas áreas, alcança mais de 2 mil metros de espessura.

Não se pode ainda dizer, com certeza, quantos bilhões de barris o pré-sal acrescentará às reservas brasileiras. Mas já se pode dizer, com toda segurança, que ele colocará o Brasil entre os países com maiores reservas de petróleo do mundo.

Trata-se de uma das maiores descobertas de petróleo de todos os tempos. E em condições extremamente importantes: as reservas encontram-se num país de grandes dimensões, de grande população e de abundantes recursos naturais. Um país que conta com um regime político estável e instituições democráticas em pleno funcionamento. Um país pacífico que faz questão de viver em paz com seus vizinhos. Um país que possui uma economia sofisticada, com um parque industrial diversificado, uma agropecuária de ponta e um setor de serviços moderno. Um país que, tendo dado passos importantes na superação das desigualdades sociais, encontrou seu caminho e está maduro para dar um salto no desenvolvimento.

Como já disse em outra oportunidade, o pré-sal é uma dádiva de Deus. Sua riqueza, bem explorada e bem administrada, pode impulsionar grandes transformações no Brasil, consolidando a mudança de patamar de nossa economia e a melhoria das condições de vida de nosso povo.

Mas o pré-sal também apresenta perigos e desafios. Se não tomarmos as decisões acertadas, aquilo que é um bilhete premiado pode transformar-se em fonte de enormes problemas. países pobres que descobriram muito petróleo, mas não resolveram bem essa questão, continuaram pobres.

Outros caíram na tentação do dinheiro fácil e rápido. Passaram a exportar a toque de caixa todo o óleo que podiam e foram inundados por moedas estrangeiras. Resultado: quebraram suas indústrias e desorganizaram suas economias. E, assim, o que era uma dádiva transformou-se numa verdadeira maldição.

Para evitar esse risco, desde o primeiro instante, determinei à comissão de ministros que preparou o marco regulatório do pré-sal que trabalhasse em cima de três diretrizes básicas.

Primeira: o petróleo e o gás pertencem ao povo e ao Estado, ou seja, a todo o povo brasileiro. E o modelo de exploração a ser adotado, num quadro de baixo risco exploratório e de grandes quantidades de petróleo, tem de assegurar que a maior parte da renda gerada permaneça nas mãos do povo brasileiro.

A segunda diretriz é de que o Brasil não quer e não vai se transformar num mero exportador de óleo cru. Ao contrário, vamos agregar valor ao petróleo aqui dentro, exportando derivados, como gasolina, óleo diesel e produtos petroquímicos, que valem muito mais. Vamos gerar empregos brasileiros e construir uma poderosa indústria fornecedora dos equipamentos e dos serviços necessários à exploração do pré-sal.

A terceira diretriz: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos, torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro. Sua principal destinação deve ser a educação das novas gerações, a cultura, o meio ambiente, o combate à pobreza e uma aposta no conhecimento científico e tecnológico, por meio da inovação. Vamos investir seus recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos, nossos netos, nosso futuro.

Ao examinar os projetos de lei que estamos enviando hoje ao Congresso, depois de tanto trabalho e estudo, vejo com satisfação que eles estão em perfeita sintonia com essas diretrizes.

Minhas amigas e meus amigos,

Uma mudança importante no marco regulatório será a adoção do modelo de partilha de produção no pré-sal e em outras áreas de potencial e características semelhantes. É uma mudança absolutamente necessária e justificada.

Estamos vivendo hoje um cenário totalmente diferente daquele que existia em 1997, quando foi aprovada a Lei 9.478, que acabou com o monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e instituiu o modelo de concessão.

Naquela época, o mundo vivia um contexto em que os adoradores do mercado estavam em alta e tudo que se referisse à presença do Estado na economia estava em baixa. Vocês devem se lembrar como esse estado de espírito afetou o setor do petróleo no Brasil. Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil no nome, a companhia passaria a ser a Petrobrax – sabe-se lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro.

Foram tempos de pensamento subalterno. O país tinha deixado de acreditar em si mesmo. Na economia, campeava o desalento. O Brasil não conseguia crescer, sofria com altas taxas de juros, de desemprego, e juros estratosféricos, apresentava dívida externa elevadíssima e praticamente não tinha reservas internacionais. Volta e meia quebrava, sendo obrigado a pedir ao FMI ajuda, que chegava sempre acompanhada de um monte de imposições.

Além disso, não produzíamos o petróleo necessário para nosso consumo. Ferida, desestimulada e desorientada, a Petrobras vivia um momento muito difícil. Tinha dificuldades de captação externa e não contava com recursos próprios para bancar os investimentos. Nessa época, é bom lembrar – e a Dilma já falou – o preço do barril do petróleo estava em torno de US$ 19.

Hoje, nós vivemos um quadro é inteiramente diferente. Em primeiro lugar, os países e os povos descobriram na recente crise financeira internacional que, sem regulação e fiscalização do Estado, o deus-mercado é capaz de afundar o mundo num abrir e fechar de olhos. O papel do Estado, como regulador e fiscalizador, voltou, portanto, a ser muito valorizado.

A economia do Brasil vive também um novo momento. De 2003 a 2008, crescemos em média, 4,1% ao ano. Nos últimos dois anos, nosso crescimento foi superior a 5%. Nesse período, o país gerou cerca de onze milhões de empregos com carteira assinada. O desemprego caiu de 11,7% para 8%, em 2008. Hoje, as taxas de juros atuais são as menores de muitas décadas em nosso país.

Não só pagamos a dívida externa pública, como acumulamos reservas superiores a US$ 215 bilhões. E mais: reduzimos de modo consistente a miséria e as desigualdades sociais. Mais de 30 milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza e 2 milhões ingressaram... e 20 milhões ingressaram na nova classe média, fortalecendo o mercado interno e dando vigoroso impulso à nossa economia.

O fato é que hoje temos uma economia organizada, pujante e voltada para o crescimento. Uma economia que foi testada na mais grave crise internacional desde 1929 e saiu-se muito bem na prova. Não só não quebramos, como fomos um dos últimos países a entrar na crise e estamos sendo um dos primeiros a sair dela. Antes, éramos alvo de chacotas e de imposições. Hoje, nossa voz, a voz do Brasil, é ouvida lá fora com muita atenção e com muito respeito.

Meus queridos companheiros e companheiras,

Desde o primeiro instante, meu governo deu toda força à Petrobras. Passamos a cuidar com muito carinho do nosso querido dinossauro. Os recursos da empresa destinados à pesquisa e ao desenvolvimento deram um salto de US$ 201 milhões, em 2003, para R$ 960 milhões, em 2008.

A companhia voltou a investir, aumentou a produção, abriu concursos para contratação de funcionários, encomendou plataformas, modernizou e ampliou refinarias, além de construir uma grande infra-estrutura de gás natural e entrar também na era de biocombustíveis.
Deixamos claro que nossa política era fortalecer, e não debilitar, a Petrobras. E a companhia – estimulada, recuperada e bem comandada – reagiu de forma impressionante.

Resultado: a Petrobras vive hoje um momento singular. É o orgulho do país. É a maior empresa do Brasil. É a quarta maior companhia do mundo ocidental. Entre as grandes petroleiras mundiais, é a segunda em valor de mercado. É um exemplo em tecnologia de ponta. Descobriu as reservas do pré-sal, um feito extraordinário, que encheu de admiração o mundo e de muito orgulho os brasileiros. É uma empresa com crédito e autoridade internacionais. Tanto que, nos últimos meses, levantou cerca de US$ 31 bilhões em empréstimos. Seus investimentos previstos até 2013 somam US$ 174 bilhões.

E ainda para ajudar, para completar, o preço do barril de petróleo oscila hoje em torno de US$ 65, mais do triplo do que em 1997.

Em suma, os tempos e o ambiente no mundo são outros. A situação da economia brasileira é outra. O Brasil e o prestígio do Brasil são outros. A Petrobras é outra. E outra também é a situação do mercado do petróleo.

Minhas amigas e meus amigos,

Também não há termos de comparação entre as áreas que vinham sendo exploradas até agora e as áreas do pré-sal.

No pré-sal, os riscos exploratórios são baixíssimos. A taxa de sucesso dos poços operados pela Petrobras na área é de 87%, sendo que nos blocos situados na Bacia de Santos ela é de 100%. Foram 13 poços perfurados. E nos 13 comprovou-se a existência de grandes quantidades de óleo e gás, com excelentes perspectivas de viabilidade econômica.

Nessas circunstâncias, seria um grave erro manter na área do pré-sal, de baixíssimo risco e grande rentabilidade, o modelo de concessões, apropriado apenas para blocos de grande risco exploratório e baixa rentabilidade.

No modelo de concessões, a União, proprietária do subsolo, permite que as companhias privadas procurem petróleo, mediante o pagamento de uma taxa chamada bônus de assinatura. Se elas encontrarem óleo ou gás, podem extraí-lo e comercializá-lo como quiserem. São donas do petróleo arrancado das entranhas da terra, porque, a partir da boca do poço, a União perde os direitos de propriedade, recebendo apenas uma parcela pequena da renda do petróleo, na forma de royalties e participações especiais.

Já no modelo de partilha, que prevalece em todo o mundo em áreas de baixo risco exploratório e grande rentabilidade, a União continuará dona da maior parte do petróleo e do gás mesmo depois de sua extração. Nesse modelo, o Estado não transfere toda a propriedade do óleo para grupos privados, mas fecha contratos para a exploração e a produção em determinada área – diretamente com a Petrobras ou, mediante licitação, no caso de outras companhias.

No modelo de partilha, as empresas são remuneradas com uma parcela do óleo extraído, suficiente para cobrir seus custos e investimentos e ainda proporcionar uma rentabilidade adequada ao risco do projeto. Já o Estado fica com a maior parte dos lucros da exploração e produção de petróleo, parte esta bem superior ao que recebe hoje no regime de concessão. A regra do modelo de partilha é clara: nas licitações, vence a empresa que oferecer a maior parcela do lucro da operação para o Estado e para o povo brasileiro.

Amigas e amigos,

Como no modelo de partilha a maior parte do petróleo, mesmo depois de extraído, continuará a pertencer ao Estado, ela controlará o processo de produção. Assim, ela poderá definir claramente o ritmo de extração, calibrando-o de acordo com os interesses nacionais, sem se subordinar às exigências do mercado. Dessa maneira, ficará mais fácil para o Brasil contornar os riscos inerentes à produção excessiva, que poderia inundar o país de dinheiro estrangeiro, desorganizando nossa economia – aquilo que os especialistas chamam de doença holandesa.

Além disso, poderemos produzir petróleo nas condições que mais convêm ao país. E desse modo poderemos aproveitar a riqueza do petróleo, que Deus nos deu, para produzir mais riqueza ainda com o nosso trabalho.

Dessa forma, consolidaremos uma poderosa e sofisticada indústria petrolífera, promoveremos a expansão da nossa indústria naval e converteremos o Brasil num dos maiores pólos mundiais da indústria petroquímica do mundo.

Trabalhando com essa perspectiva, encomendaremos – e produziremos aqui dentro – milhares e milhares de equipamentos, gerando emprego, salário e renda para milhões de brasileiros.

Minhas amigas e meus amigos,

Para gerir os contratos de partilha e os contratos de comercialização de petróleo e gás, zelando pelos interesses do Estado e do povo brasileiro, estamos criando uma nova empresa estatal na área do petróleo, a Petrosal.

Ela não concorrerá com a Petrobras, já que não participará da prospecção ou da exploração de petróleo e gás. Sua missão é inteiramente diferente. A nova estatal será, isso sim, a representante dos interesses do Estado brasileiro, o olho atento do povo brasileiro, acompanhando e fiscalizando a execução dos contratos firmados na área do pré-sal.

Será uma empresa enxuta, com corpo técnico altamente qualificado, formado por profissionais com experiência comprovada. Em vários países que adotaram o modelo de partilha, empresas com esse caráter revelaram-se imprescindíveis para defender os interesses públicos e nacionais nas negociações e na gestão de contratos e processos complexos e sofisticados como os que caracterizam a indústria petrolífera.


Minhas amigas e meus amigos,

Se vocês estão cansados, imaginem eu. Outra novidade importante é a criação do Fundo Social. Ele será responsável pela administração da renda do petróleo e pela sua aplicação em investimentos seguros e de boa rentabilidade, tanto no Brasil como no exterior.

De um lado, o novo fundo será uma mega-poupança, um passaporte para o futuro, que preservará e incrementará a renda do petróleo por muitas e muitas décadas. Os rendimentos do fundo serão canalizados, prioritariamente, para a educação, a cultura, o meio ambiente, a erradicação da pobreza e a inovação tecnológica. Vamos aproveitá-los para pagar a imensa dívida que o país tem com a educação e para permitir que a aplicação do conhecimento científico seja, na verdade, a nossa maior garantia do nosso futuro.

De outro lado, o novo fundo funcionará, também, como um dique contra a entrada desordenada de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento dos milhões e milhões de brasileiros.

Assim, a renda gerada pela produção do pré-sal será administrada de forma planejada e inteligente. E seu ingresso na economia nacional será dosado de modo a fortalecê-la e a impulsioná-la, jamais a desorganizá-la.
Minhas amigas e meus amigos,

Não poderia deixar de prestar aqui uma sincera homenagem à Petrobras, a sua diretoria e a todo o seu corpo de funcionários.

A descoberta do pré-sal, que coloca o Brasil num novo patamar no cenário mundial, não foi fruto do acaso ou de um golpe de sorte. Ao contrário, ela só foi possível graças ao talento, à competência e à determinação da Petrobras. E também, é claro, graças ao revigoramento da empresa nos últimos anos, à recuperação da sua autoestima e aos investimentos crescentes em pesquisa e prospecção.

Poucas empresas no mundo têm hoje a experiência da Petrobras na exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. E nenhuma empresa petrolífera conhece e é capaz de obter resultados tão expressivos em nossa plataforma submarina como ela. Trata-se de um ativo, de um patrimônio de enorme valor, que deve ser bem e de forma extraordinária aproveitado.

Por isso mesmo, a Petrobras terá um status especial no marco regulatório do pré-sal. Será a única empresa operadora nessa província. Outras empresas poderão ter participação, inclusive majoritária, nos consórcios que explorarão os blocos contratados. Mas a operação – vale dizer, a exploração, o desenvolvimento, a produção e a desativação das instalações – estará sempre a cargo da nossa querida e orgulhos Petrobras.

Além disso, as reservas do pré-sal, que pertencem ao Estado e ao povo brasileiro, oferecem uma excelente oportunidade para que a União fortaleça a Petrobras para enfrentar os novos desafios. Nesse sentido, estamos enviando projeto de lei ao Congresso Nacional autorizando a União a promover aumento de capital da companhia. O valor total do aumento de capital será aquilo que a ministra Dilma já falou, de até cinco bilhões de barris equivalentes de petróleo, obviamente, relativos às jazidas contíguas às áreas que a empresa já detém no pré-sal.

Nos termos da lei, os acionistas minoritários que desejarem participar dessa chamada de capital poderão adquirir ações da companhia, o que contribuirá para reforçar economicamente nossa maior empresa nesse momento decisivo.

Se os acionistas minoritários não exercerem integralmente seus direitos de opção, a capitalização promovida pela União implicará aumento da participação do povo brasileiro no capital total da Petrobras.

Minhas amigas e meus amigos,

Nesse momento em que o Brasil discute o melhor caminho para se tornar um grande produtor mundial de petróleo, quero render minhas homenagens a todos os brasileiros que lutaram para que este sonho se transformasse em realidade.

Em primeiro lugar, homenageio os que acreditaram quando era mais fácil descrer. E não deram ouvidos às aves de mau agouro que, durante décadas, apregoaram aos quatro ventos que o Brasil não tinha petróleo. Foram, por isso, chamados de fanáticos e maníacos. Ainda bem que houve fanáticos que nos ensinaram a duvidar dos preconceitos e a ter fé em nossas próprias forças.

Rendo minha homenagem também aos que se insurgiram contra a ladainha que proclamava que, mesmo que o Brasil tivesse petróleo, não teria competência para explorá-lo. E que deveria deixar essa tarefa para o capital estrangeiro. Muitos foram tachados de lunáticos, prisioneiros de uma idéia fixa, como o grande e saudoso Monteiro Lobato, porque teimaram em lutar para que o Brasil explorasse suas riquezas. Benditos lunáticos que ensinaram o país a enxergar longe, em tempos de escuridão, e iluminaram os caminhos dos que vieram depois.

Rendo minha homenagem ainda aos que saíram às ruas em todo o país na campanha do “O Petróleo é nosso”, levando o presidente Getúlio Vargas a instituir o monopólio estatal do petróleo e a criar a Petrobras. Foi uma batalha travada em condições duríssimas. Basta ler os jornais da época, alguns em circulação até hoje, que ridicularizavam a campanha nacionalista. E eu digo: bendito nacionalismo, que permitiu que as riquezas da nação permanecessem em nossas mãos.

Rendo homenagem muito especial, por fim, a todos os que defenderam a Petrobras quando ela foi atacada ao longo de sua história – e ainda hoje – e aos funcionários e petroleiros que se mantiveram de pé quando a empresa passou a ser tratada como uma herança maldita do período jurássico. Benditos amigos e companheiros do dinossauro, que sobreviveu à extinção, deu a volta por cima, mostrou o seu valor. E descobriu o pré-sal – patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro.

Olho para trás e vejo que há algo em comum em todos esses momentos, algo que unifica e dá sentido a essa caminhada, algo que nos trouxe até aqui e ao dia de hoje: é, sinceramente, a capacidade do povo brasileiro de acreditar em si mesmo e no nosso país. Foi em meio à descrença de tantos que querem falar em seu nome... O povo – principalmente ao povo – devemos esse momento atual.

É como se houvesse uma mão invisível – não a do mercado, da qual já falaram tanto, mas outra, bem mais sábia e permanente, a mão do povo – tecendo nosso destino e construindo nosso futuro. Não creio que seja uma coincidência o fato de a Petrobras ter descoberto as grandes reservas do pré-sal justamente num momento da vida política nacional em que o povo também descobriu em si mesmo grandes reservas de energia e de esperança. Num momento em que o país, deixando para trás o complexo de inferioridade que lhe inculcaram durante séculos, aprendeu como é bom andar de cabeça erguida e olhar com confiança para o futuro.

Muito obrigado, companheiros
."

Lula:"O Estado e o povo" vão ganhar com o novo marco regulatório do pré-sal

01/09/2009

O novo marco regulatório para o pré-sal prevê uma maior participação "do Estado e do povo" nos ganhos com a produção e a comercialização do petróleo do que o atual modelo de concessão. A afirmação é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao responder a pergunta do aposentado Aderaldo de Melo Pedroza em sua coluna semanal. "Os recursos obtidos irão para um fundo destinado à educação, à ciência e tecnologia e ao combate à pobreza", afirmou.

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Questionado se não seria melhor o governo utilizar a estrutura da Petrobrás, em vez de criar uma nova estatal para cuidar da exploração do pré-sal, Lula defendeu que a nova empresa pública não vai atuar na exploração e na produção do petróleo como faz a Petrobras. Para ele, a atual estatal "será fortalecida" com a mudança.

Além do pré-sal, o presidente falou sobre a burocracia nos projetos do governo e comentou a duplicação da BR-101 Norte. Veja a coluna semanal completa abaixo:

Aderaldo de Melo Pedroza, 82 anos, aposentado de Vitória (ES) - O governo está com intenção de criar uma nova estatal para a exploração do pré-sal. Não é melhor utilizar a estrutura da Petrobras, em vez de criar uma nova empresa?

Lula: Nós estamos vivendo um momento histórico. Com as descobertas do pré-sal, o Brasil caminha para se tornar um dos maiores produtores de petróleo do mundo. E nós precisamos cuidar com carinho dessa riqueza, que vai representar uma virada na economia e nas ações sociais do País. Para isso, estamos definindo um novo Marco Regulatório para o pré-sal. No novo modelo de partilha, a participação do Estado e do povo nos ganhos com a produção e comercialização de petróleo será bem maior do que no atual modelo de concessões. Os recursos obtidos irão para um fundo destinado à educação, à ciência e tecnologia e ao combate à pobreza. A nova empresa pública, que cuidará de tudo isso, não vai atuar na exploração e na produção do petróleo como faz a Petrobras que, aliás, será fortalecida. A nova empresa vai gerir os contratos firmados com as companhias privadas e fiscalizar sua execução. O modelo é parecido com o da Noruega, que tem a Statoil, correspondente à Petrobras, e criou a Petoro, empresa com menos de cem funcionários, para administrar as reservas. Da mesma forma, teremos uma empresa enxuta, formada por especialistas, e que será o olho atento do povo brasileiro na defesa dos interesses do País.

Jair de Moraes Soares, 56 anos, auxiliar de escritório do Rio de Janeiro (RJ) - O senhor já disse que a burocracia "emperra o desenvolvimento" e que a máquina da fiscalização tornou-se maior do que a da produção. Como diminuir a burocracia para que os projetos de infraestrutura saiam do papel?

Lula - Nas décadas de 80 e 90, o Estado parou de investir e as estruturas de execução de projetos foram sucateadas. Na outra ponta, houve o crescimento das estruturas de controle. Criou-se uma grande teia que envolve e amarra as ações governamentais. Com a minha chegada ao governo e a retomada dos grandes investimentos - são R$ 646 bilhões em milhares de obras do PAC - foi que sentimos esse bloqueio. A fiscalização é necessária, mas não se justifica a paralisação de obras importantes, com prejuízos aos cofres públicos, diante de supostas irregularidades que muitas vezes se revelam, no final, inexistentes. O governo está atuando para superar esses entraves. Entre as medidas legislativas do PAC, enviadas ao Congresso em 2007, há alterações que buscam mais eficiência nas licitações. Há também propostas de alteração dos procedimentos do TCU, instituindo prazo máximo para decidir sobre processos licitatórios paralisados liminarmente. Também estamos investindo nas carreiras de gestores públicos que possam garantir continuidade e rapidez aos projetos estratégicos.

Elias Bezerra da Silva, 48 anos, servidor estadual de Recife (PE) - Gostaria de saber se as verbas para a duplicação da BR-101 Norte estão garantidas e quando vão se acelerar as obras?

Lula - A BR-101 no Nordeste vai do Rio Grande do Norte à Bahia, passando pela Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, e é fundamental para o turismo e o escoamento da produção local. A BR-101 faz a conexão com diversas outras rodovias, ferrovias, aeroportos e portos, sendo um dos principais eixos da malha de transportes do Nordeste. Com recursos de R$ 3 bilhões, que estão garantidos por se tratar de uma obra do PAC, estamos duplicando 1.025 km da rodovia na Região. Desse total, 217 km já estão concluídos, 177 km têm obras em execução e 630 km encontram-se na fase da elaboração dos projetos e em licitação. Em relação a Pernambuco, onde você mora, a duplicação será da divisa com a Paraíba até a cidade de Palmares, com a extensão de 195 km. Desse total, já concluímos 72 km e o restante tem previsão de término para outubro de 2010.