segunda-feira, 4 de junho de 2012

O receituário tucano

Analista do Morgan Stanley sugere que Brasil construa pontes em vez de eliminar pobreza


O Brasil tem a tendência de limitar seu próprio crescimento por ser “viciado” em proteger seus cidadãos com benefícios sociais custosos, como o Bolsa Família, o que torna o país vulnerável à inflação. A polêmica análise é do economista indiano Ruchir Sharma, chefe de mercados emergentes do banco de investimentos Morgan Stanley, em um recente artigo publicado na revista norte-americana Foreign Affairs. O texto, uma adaptação do livro Breakout Nations — In Pursuit of the Next Economic Miracles (Nações em Ascensão — Em Busca dos Próximos Milagres Econômicos, em tradução livre), mostra como, mesmo em meio à grave crise provocada pelos exageros do neoliberalismo, esta ideologia continua sendo difundida.


Em seu texto, Sharma afirma que durante os dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) o Brasil se tornou um exemplo de mercado emergente responsável no campo financeiro e capaz de incluir 30 milhões de pessoas classe média, reduzindo a desigualdade de renda com programas como o Bolsa Família. O dinheiro destas iniciativas veio, prossegue Sharma, da alta nos preços das commodities e, com a tendência de queda nos valores destes itens, os programas sociais se tornaram inviáveis, passando a sacrificar o crescimento do País. “O Brasil precisa entender que poderia bancar essa iniciativa [a redução da pobreza e da desigualdade] somente graças a um período de vasto crescimento global que começou em 2003″, diz em um trecho do artigo. Em outra parte, o economista é mais incisivo (chega a definir o Bolsa Família como, talvez, o mais generoso programa de bem-estar social entre os países emergentes): “A assistência reduziu a desigualdade, mas à custa do crescimento.”


A análise neoliberal do indiano atrela os gastos do governo na área social (40% de acordo com seus critérios) com os problemas da indústria. Segundo Sharma, a verba usada para gastos sociais é oriunda do aumento de impostos que deixa as empresas com menos dinheiro para investir em treinamento, tecnologia e equipamentos, comprometendo assim a produtividade da indústria. Para Sharma, até mesmo políticas como acesso gratuito à educação e saúde, além do “alto” salário mínimo do país, fazem do Brasil um país “muito conservador”, sendo necessário cortar gastos com o bem-estar social, simplificar os impostos e modernizar o sistema de pensão e de segurança social.


Sharma conclui seu pensamento dizendo que é preciso aproveitar o capital estrangeiro que entra no País por causa das altas taxas de juros para investir em infraestrutura crítica para a exportação e não para sustentar programas de distribuição de renda. Segundo o analista, o Brasil deve seguir o exemplo da China: abertura para o comércio global, com baixos níveis de juros para fornecer capital barato e financiar rodovias, pontes e portos. Ou seja, fica a mensagem de que é mais importante construir ferrovias e pontes, por exemplo, que eliminar a pobreza.


Textos como o de Ruchir Sharma mostram a resiliência da ideologia neoliberal, apoiada, em grande parte, na desfaçatez de muitos de seus adeptos. O Morgan Stanley, para quem Sharma trabalha, foi um dos gigantes do sistema bancário norte-americano fortemente afetado pela crise de 2008. No auge da crise, o banco chegou a registrar queda acima de 50% em suas ações da bolsa. O Morgan Stanley só foi salvo graças a um procedimento considerado um pecado pelos neoliberais, a intervenção do estado. Afundada, a instituição precisou deixar o status de banco de investimento e virar uma “holding de bancos” para ter acesso aos empréstimos concedidos pelo FED (Banco Central dos EUA). No total, recebeu empréstimos de mais de 100 bilhões do governo americano. A última trapalhada do Morgan Stanley foi ser subscritor da oferta pública do Facebook, cujas ações sofreram vertiginosa queda dias depois do IPO.


Para entender o texto de Sharma, é preciso compreender a natureza de seu autor. O indiano escreve como um analista de banco, cujo objetivo é lucrar e não administrar um país. Por isso, como boa parte dos neoliberais, defende a aplicação de um receituário de corte de gastos a qualquer preço, mesmo que isso sacrifique a população de baixa renda e não leve em conta que o dinheiro injetado na economia por programas de redistribuição de renda contribua para incentivar o comércio, a gerar empregos e movimentar a economia.


Gabriel Bonis, CartaCapital

Control C + Control Veja


No centro do furacão desde que vieram à tona suas relações no mínimo pouco éticas com os bandidos da quadrilha de Carlinhos Cachoeira, a revista Veja parece ter perdido toda a noção de ridículo. Sua capa desta semana é uma farsa: o “documento” que a semanal da Abril alardeia ter sido produzido pelo PT como estratégia para a CPI de Cachoeira é, na verdade, um amontoado de recortes de reportagens de jornais, revistas e sites brasileiros.



Confira neste link (clique AQUI) os fac-símiles do suposto “documento” que a revista apresenta com “exclusividade” e compare com os outros links no decorrer deste texto.


Segundo a revista, os trechos que exibe fariam parte de um “documento preparado por petistas para guiar as ações dos companheiros que integram a CPI do Cachoeira”. Mas são na realidade pedaços copiados e colados diretamente (o manjado recurso Ctrl C+ Ctrl V dos computadores) de reportagens de terceiros, sem mudar nem uma vírgula. O primeiro deles: “Uma ala poderosa da Polícia Federal, com diversos simpatizantes nos meios de comunicação, não engole há muito tempo o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal” saiu de uma reportagem de 6 de abril do site Brasil 247, um dos portais de notícia, aliás, que os colunistas online de Veja vivem atacando com o apelido de “171″ (número do estelionato no código penal). Mas quem é que está praticando estelionato com os leitores, no caso? (confira clicando AQUI).



Outro trecho do “documento exclusivo” de Veja é um “copiar e colar” da coluna painel da Folha de S.Paulo do dia 14 de abril: “Gurgel optou por engavetar temporariamente o caso. Membros do próprio Ministério Público contestam essa decisão em privado. Acham que, com as informações em mãos, o procurador-geral tinha de arquivar, denunciar citados sem foro privilegiado ou pedir abertura de inquérito no STF”. (Confira AQUI)



Mais um trecho do trabalho de jornalismo “investigativo” com que a Veja brinda seus leitores esta semana: “Em uma conversa entre o senador Demóstenes Torres e o contraventor Carlinhos Cachoeira, gravada pela Polícia Federal (…)”, é o lead de uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo do dia 28 de abril (leia AQUI).



Pelo visto, os espiões da central Cachoeira de arapongagem, que grampeavam pessoas clandestinamente para fornecer “furos” à Veja, estão fazendo falta à semanal da editora Abril…


Cynara Menezes, CartaCapital



Arrastão no Carlota: a culpa é do PT


E seria mesmo, se o partido fosse governo em SP, mas como quem está aí são os tucanos...
No mais tucano dos bairros paulistanos, Higienópolis da família Safra, do Jô Soares e do ex-presidente Fernando Henrique, assiste-se a uma onda de arrastões a restaurantes bacanas. Na semana passada, foi a vez do Carlota, da renomada chef Carla Pernambuco. Os bandidos chegaram perto do fechamento da casa, fizeram a limpa e saíram sem ser incomodados. Outros endereços gastronômicos elegantes das redondezas já haviam sofrido o mesmo tipo de ataque, e o remédio vai sendo o reforço da segurança privada.


Na Jovem Pan, nesta segunda-feira 4 em que escrevo, dá-se conta de mais de 500 carros furtados na Lapa, bairro de características diferentes, mais popular, classe média média, este ano. E se diz que outros mais de 500 automóveis foram levados ao longo do ano passado. Uau! Mil carros subtraídos de seus proprietários num só bairro...


No Brooklin, onde eu moro, durante um congestionamento, semana passada, dois sujeitos saltaram dos carros imediatamente à minha frente, calças com estampa de camuflagem, um deles com o que me pareceu uma 7.65 na mão, e tranquilamente abriram o porta malas do Celta com placa de Mato Grosso do Sul, número 2223, que ocupavam, e ali jogaram duas mochilas. Tava na cara que continham produto de roubo. Não me viram olhando a cena. Poderiam ter atirado. Procurei, pelos quinze minutos seguintes, um carro da polícia para prestar informações – e, normal, não encontrei.


Discute-se, agora, se agentes da Rota, como contou uma testemunha, mataram um acusado de ser bandido na beira de uma avenida, mas, independentemente de culpa ou inocência, é certo que aquela equipe matou, em troca de tiros, seis integrantes do PCC – o Primeiro Comando da Capital, organização criminosa que já fez o que quis em São Paulo, e se reorganiza, agora, a olhos vistos, para voltar a fazer o que quiser fazer. É, amigos, o PCC, que nunca se foi, agora voltou com tudo, pronto para aterrorizar geral.


Ninguém na mídia sublinha, neste contexto de clara ineficiência da máquina da segurança pública, as responsabilidades do governador Geraldo Alckmin, do PSDB. Ele é o responsável primeiro pela segurança pública, a quem as polícias civil e militar devem obediência e seguem a orientação. Mas Alckmin é tucano, fundador de ficha 007.


Se o governador do Estado mais poderoso da Federação fosse do PT, eu que não sou petista pegunto: haveria a mesma condescendência? Cartas para a redação.

Bordoni acusa Perillo de ter feito caixa dois

Bordoni acusa Perillo de ter acertado pagamento por fora
"Na última campanha, em acertei diretamente com Marconi, no escritório político", disse jornalista; ele alega ter sido pago com dinheiro de empresa laranja de Carlinhos Cachoeira, para fazer campanha de rádio; "Ele acertou R$ 120 mil, mais R$ 50 mil como bônus por vitória"



Acusado de mentiroso pelo governador Marconi Perillo, o jornalista Luís Carlos Bordoni deu novos detalhes sobre as negociações que resultaram no pagamento a ele, por uma empresa laranja de Carlinhos Cachoeira, de R$ 90 mil por serviços prestados na campanha eleitoral de Perillo, em 2010. O acerto foi feito, segundo Bordoni, diretamente com o então candidato a governador. A nova acusação sobre Perillo foi feita em entrevista à TV Anhanguera, e tem tudo para repercutir, à noite, no Jornal Nacional, da rede Globo.


 
Abaixo, notícia do portal Diário de Goiás sobre a denúncia:

Diário de Goiás _ALTAIR TAVARES - Em entrevista à TV Anhanguera, veiculada no Bom dia Goiás de hoje, o jornalista Luís Carlos Bordoni contestou a versão da assessoria do governador Marconi Perillo, sobre o pagamento de dívida de prestação de serviços na campanha eleitoral de 2010.

 
Via telefone, Bordoni detalhou detalhes da negociação que, segundo ele, foi feita diretamente com o então candidato a governador, Marconi Perillo:

 
- "A última campanha eu acertei diretamente com ele, no escritório político dele, na Ricardo Paranhos (alameda). Ele me chamou na sala isolada e acertamos os detalhes. Eu havia pedido R$ 200 mil. Ele pediu a redução par R$ 120 mil, mais um bônus de R$ 50 mil em caso de vitória.

Quem pediu o número da conta foi o Seu Lúcio, por isso que eu peço a quebra do sigilo telefônico para mostrar as ligações que ele fez pedindo a conta. Inclusive me lembro duma delas quando ele disse: Olha, aquele dinheiro da mídia está saindo daqui, tá bom? Eu não temo acareação com ninguém não! Eu até faço questão dela. Eu não rompi nada. Ele rompeu! Ele me chamou de mentiroso, ele me chamou de irresponsável. Durante todas as campanhas que eu fiz, pedindo voto pra ele, eu também era irresponsável, eu era mentiroso?

Eu não tenho nada a ver com essa historia de origem de dinheiro. Eu recebi por um trabalho prestado. E não foram os R$ 33 mil alegados não. Os R$ 33 mil são da nota fiscal de uma parcela. Somente de uma parcela. E o restante? Como é que eles explicam então os outros dois depósitos feitos na conta da minha filha: um pela Pantoja e outro por um cidadão que é pessoa física?"


 
As perguntas de Bordoni sobre os outros depósitos não estão esclarecidas.

À TV Anhanguera o governador Marconi Perillo anunciou que deve entrar na Justiça contra o jornalista, Luís Carlos Bordoni.

 
O jornalista Luís Carlos Bordoni, que fez a campanha de Marconi Perillo em 2010, afirmou que quer falar à CPI, conforme informou o jornal O Estado de São Paulo.

 
Na sexta-feira a Assessoria de Perillo divulgou uma nota dizendo que o jornalista é mentiroso e irresponsável e que Luís Carlos Bordoni recebeu R$ 33 mil, não restando nenhuma dívida A nota afirmava que Lúcio Fiúza não participou da contratação ou pagamento de valores na campanha de 2010 e finaliza dizendo que o governador vai entrar na Justiça contra Bordoni, nesta segunda-feira.

 
Nesse domingo, o Governo do Estado divulgou uma nova nota, divulgada pela TV Anhanguera. A Assessoria de Marconi Perillo diz que o governador nunca tratou de nenhum pagamento com nenhum prestador de serviço durante a campanha.Com informações do Brasil 247

A Veja deu agora para plagiar

Veja faz plágio do 247 e atribui documento ao PT


Veja faz plágio do 247 e atribui documento ao PT 


A reportagem de capa deste fim de semana da revista Veja produziu algo inacreditável: a revista copiou trechos de uma reportagem de abril deste ano do 247 e atribuiu “documento” ao PT; seria a prova de que o partido e o ex-presidente Lula teriam como um dos seus alvos na CPI o ministro Gilmar Mendes


247 – No início de abril deste ano, começaram a circular, na internet, vários rumores sobre uma viagem de Gilmar Mendes a Berlim. No dia 5 do mesmo mês, publicamos, no 247, uma reportagem intitulada “Movimento na web tenta intimidar Gilmar Mendes”. Primeira frase: “Uma ala poderosa da Polícia Federal, com diversos simpatizantes nos meios de comunicação, não engole há muito tempo o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal”.


 
Neste fim de semana, a mesma frase está reproduzida num “documento” que Veja atribui ao PT, como prova de que o partido tinha em Gilmar um de seus alvos preferenciais na CPI do Cachoeira. A legenda, chamada “Plano de ataque”, diz que , “depois da tentativa frustrada de intimidação patrocinada pelo ex-presidente Lula, o PT produziu um documento repleto de insinuações contra o ministro Gilmar Mendes e os alvos preferenciais do partido na CPI”.

Fica claro, portanto, que Veja plagiou reportagem do 247 e atribuiu um de seus trechos ao PT, no que seria um plano maligno para desmoralizar as instituições no Brasil. Curiosamente, era uma reportagem em que tratávamos Gilmar como alvo de uma tentativa de intimidação – e não como alguém que tivesse feito algo de errado em Berlim.


 
Veja reproduz ainda outro trecho da matéria do 247. Um que diz que “um possível encontro do ministro Gilmar Mendes, do STF, com o senador Demóstenes Torres, em Berlim, já vem sendo usado como instrumento pelos que pretendem ressuscitar a Satiagraha”.


 
Portanto, o que Veja atribui ao PT é apenas uma reportagem do 247. Repita-se: uma reportagem em que Gilmar aparece mais como vítima do que como vilão da história.


 
Deve-se a descoberta à jornalista Cynara Menezes, de Carta Capital, que publicou o texto Control C + Control Veja em seu blog. Leia:

Control C + Control Veja


 
No centro do furacão desde que vieram à tona suas relações no mínimo pouco éticas com os bandidos da quadrilha de Carlinhos Cachoeira, a revista Veja parece ter pedido toda a noção de ridículo. Sua capa desta semana é uma farsa: o “documento” que a semanal da Abril alardeia ter sido produzido pelo PT como estratégia para a CPI de Cachoeira é, na verdade, um amontoado de recortes de reportagens de jornais, revistas e sites brasileiros.


Confira neste link os fac-símiles do suposto “documento” que a revista apresenta com “exclusividade” e compare com os outros links no decorrer deste texto: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/o-manual-do-pt-para-instrumentalizar-a-cpi-do-cachoeira


Segundo a revista, os trechos que exibe fariam parte de um “documento preparado por petistas para guiar as ações dos companheiros que integram a CPI do Cachoeira”. Mas são na realidade pedaços copiados e colados diretamente (o manjado recurso Ctrl C+ Ctrl V dos computadores) de reportagens de terceiros, sem mudar nem uma vírgula. O primeiro deles: “Uma ala poderosa da Polícia Federal, com diversos simpatizantes nos meios de comunicação, não engole há muito tempo o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal” saiu de uma reportagem de 6 de abril do site Brasil 247, um dos portais de notícia, aliás, que os colunistas online de Veja vivem atacando com o apelido de “171″ (número do estelionato no código penal). Mas quem é que está praticando estelionato com os leitores, no caso?




Outro trecho do “documento exclusivo” de Veja é um “copiar e colar” da coluna painel da Folha de S.Paulo do dia 14 de abril: “Gurgel optou por engavetar temporariamente o caso. Membros do próprio Ministério Público contestam essa decisão em privado. Acham que, com as informações em mãos, o procurador-geral tinha de arquivar, denunciar citados sem foro privilegiado ou pedir abertura de inquérito no STF”.




Mais um trecho do trabalho de jornalismo “investigativo” com que a Veja brinda seus leitores esta semana: “Em uma conversa entre o senador Demóstenes Torres e o contraventor Carlinhos Cachoeira, gravada pela Polícia Federal (…)”, é o lead de uma reportagem do jornalO Estado de S.Paulo do dia 28 de abril.




Pelo visto, os espiões da central Cachoeira de arapongagem, que grampeavam pessoas clandestinamente para fornecer “furos” à Veja, estão fazendo falta à semanal da editora Abril…

domingo, 3 de junho de 2012

Vazou mais um vídeo secreto da mídia!


Do Blog O Cafezinho, do Miguel do Rosário

A blogosfera e a imprensa adentraram o fim de semana disputando quem revela mais escândalos bombásticos. A CPI do Cachoeira engrenou de vez, e já se tornou uma generosa fornecedora de denúncias. O governador Marconi Perillo, ao que parece, foi rifado pelas principais forças políticas, incluindo o último bastião que o blindava: a mídia e seu próprio partido, o PSDB.

O caso Gilmar versus Lula criou uma quase unanimidade, no caso negativa, contra o ministro. Nem os jornalões aguentaram seu destempero histérico. Suas catilinárias contra blogs que o criticam varreram para longe a credibilidade que ele já não possuía.

Entretanto, o Cafezinho conseguiu mais um vídeo secreto. Trata-se de um comício realizado às escondidas entre o Líder Supremo do PUM (Partido Unificado da Mídia) com representantes da classe média tradicional (também conhecidos como “homens e mulheres bons”), vindos de várias partes do Brasil. Eles falam em alemão porque não gostam da língua portuguesa, considerada subdesenvolvida, o que me obrigou a um duro trabalho de tradução e legendagem.

Vale a pena conferir:



Em editorial, Folha expõe encruzilhada da mídia



Em editorial, Folha expõe encruzilhada da mídia


Grupo de comunicação brasileiro com maior presença na web, a Folha, dirigida por Otávio Frias Filho, defende novas regras na rede para proteger seu conteúdo; a saída jurídica, no entanto, não é trivial, uma vez que a internet celebra a liberdade

Brasil 247De todos os conglomerados de comunicação do País, o grupo Folha, dirigido por Otávio Frias Filho, é o que ostenta a melhor posição na internet. Controla o maior portal de notícias, o Uol, e tem o jornal, a Folha de S. Paulo, com maior número de seguidores no Twitter e de amigos no Facebook.


 
A internet, no entanto, é uma oportunidade ou uma ameaça para a Folha? A julgar pelo editorial publicado neste domingo, o grupo Folha se sente ameaçado. No texto “Regras na rede”, o jornal defende mecanismos de proteção do direito autoral e cita que, nos Estados Unidos, cada reportagem de jornais impressos é reproduzida, em média, 4,4 vezes na rede.


 
Isso se deve ao fato de que a internet reduz a zero o custo de reprodução, enquanto persiste o custo pela produção de conteúdo. Essa é, de fato, a grande encruzilhada da mídia. Como atribuir valor a algo que, instantes depois, pode estar sendo reproduzido em outros portais ou sites?


 
O modelo defendido pela Folha é o do chamado paywall – o muro de proteção, que permite ao leitor online acessar apenas parte do conteúdo, como faz, por exemplo, o The New York Times. Caso seja assinante, o leitor tem acesso ao conteúdo na íntegra.

 
Ocorre que a Folha não tem o menor controle sobre seus assinantes (e sobre os amigos de seus assinantes) e não pode impedi-los de reproduzir notícias interessantes nas redes sociais ou mesmo nos seus blogs pessoais. É por isso que todos esses muros são tão permeáveis.

 
No mundo ideal dos grandes grupos de comunicação, o Congresso sancionaria uma lei impedindo qualquer tipo de reprodução de conteúdo. E, assim, Folha, Globo, Estadão e demais organizações de mídia iriam administrando, de forma organizada, a morte inevitável do papel.

 
No entanto, restringir a reprodução de qualquer conteúdo seria também uma forma de censura. Uma coerção à livre circulação da informação. E note-se que os próprios jornais reproduzem, com frequência, conteúdo de terceiros. Se uma revista semanal publicar um furo de reportagem num sábado, no domingo esta mesma reportagem terá sido reproduzida nos jornais. A internet apenas acelera o processo. O furo das 12h pode ser reproduzido às 12h01.

 
No mundo de hoje, com a efervescência da blogosfera e o desenvolvimento das redes sociais, dificilmente será possível criar uma lei que atenda aos interesses apenas das famílias que controlam os meios de comunicação tradicionais. Especialmente porque a notícia publicada deixa de ser uma propriedade de quem a publicou para se transformar também num fato.

 
E os fatos devem ser cobertos, analisados e interpretados por outros veículos de comunicação, com total liberdade e sem nenhum tipo de restrição ou censura.

 
Como é o caso do editorial da Folha, que reproduzimos abaixo:

 
Regras na rede

 
É preciso criar normas que protejam os produtores de conteúdo num mundo em que os avanços tecnológicos criam situações inéditas

Na opinião do ministro Gilson Dipp, do Superior Tribunal de Justiça, que defende o endurecimento de penas para violações ao direito autoral, as fraudes propiciadas pelas novas tecnologias se traduzem no Brasil em acintoso desprezo pelo trabalho intelectual.


 
Dipp, que preside a comissão de especialistas criada pelo Senado para elaborar um anteprojeto de novo Código Penal, tocou no aspecto central: os avanços tecnológicos criaram situações que não são contempladas pela atual legislação. Com isso, ficam desprotegidos os responsáveis pela criação de conteúdos.


 
De fato, nem o Código Penal nem a Lei de Direitos Autorais (LDA) dispõem sobre a internet -pelo simples fato de que suas normas datam de 1940 e 1998, respectivamente. É preciso, portanto, que esse vazio seja preenchido de maneira eficaz e criteriosa, sem condescendência, mas também sem os exageros e sobreposições típicos da febre legislativa brasileira.

Após ampla consulta pública realizada em 2010, a proposta de reforma da LDA transitou entre o Ministério da Cultura e a Casa


 
Civil. Lá permanece até hoje.

São muitos os desafios a serem enfrentados pela nova legislação.


 
No que tange ao uso de conteúdos sem autorização, por exemplo, a internet criou um problema nada trivial. Pesquisa realizada nos Estados Unidos há três anos mostrou que cada reportagem de jornal norte-americano era total ou parcialmente reproduzida em sites -sem autorização- 4,4 vezes, em média. No caso de conteúdo produzido pelos principais diários, a repetição chegava a 15 cópias.


 
No mercado de livros, há casos semelhantes. Estudo da empresa antipirataria Attributor mostrou que cerca de 3 milhões de pessoas buscam na internet, diariamente, versões gratuitas não autorizadas dos 90 livros mais vendidos pelo portal Amazon, levando a um prejuízo potencial de US$ 3 bilhões.

No campo das indústrias fonográfica e audiovisual, a pirataria ou o compartilhamento de conteúdos tornaram-se corriqueiros.


 
Regular esse ambiente não é tarefa fácil, mas a dificuldade não a faz menos necessária. É preciso estabelecer limites e criar normas que protejam o investimento em conteúdo e os direitos autorais na rede mundial de computadores.

 
Sob o pretexto enganoso de que a internet deveria ser território "livre", esbulha-se o trabalho alheio e se desestimula toda forma de atividade intelectual realizada segundo padrões profissionais.

 
A criação de produtos intelectuais, de informação e de entretenimento, seja no mundo físico, seja no digital, demanda custos e esforço. Assegurar os dividendos não é um ato opressor. Ao contrário, é o mecanismo elementar que garante a geração de conteúdos de qualidade.

Mensalão e CPI do Cachoeira disputarão as eleições


O público vem sendo enganado sobre a CPMI do Cachoeira. A mídia e a oposição vêm tentando vender que se trata de uma investigação que atingirá os dois lados, mas não é verdade

Eduardo Guimarães






As eleições municipais de 2012 ocorrerão sob o signo dos escândalos. De um lado, o inquérito do mensalão deverá ser julgado pelo STF em pleno processo eleitoral. Todavia, a CPMI do Cachoeira tem potencial para anular e até para superar a estratégia com a qual a direita demo-tucano-midiática esperava arrasar o PT eleitoralmente neste ano.


Na Folha de São Paulo de hoje (domingo), uma charge curiosa. Caricaturas de Lula e de sua esposa olham para nuvens negras no céu, ao que ela diz a ele que é melhor entrarem em casa porque “vai chover mensalão”. Trata-se de um recado da mídia: ela pretende transformar em show os trabalhos no Supremo.


Todavia, faltou combinar com os russos. Por mais que tente ignorar a CPMI e exacerbar a cobertura do julgamento no STF, este poderá ser empanado pelas revelações escabrosas que a investigação parlamentar deve fazer essencialmente contra a oposição e a mídia.


O público vem sendo enganado sobre a CPMI do Cachoeira. A mídia e a oposição vêm tentando vender que se trata de uma investigação que atingirá os dois lados, que Lula não sabia o que fazia quando incentivava a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, que, agora, iria se voltar contra os seus criadores.


O que digo agora não é uma opinião: foi tudo jogo de cena. A CPMI irá recair essencialmente sobre o PSDB, o DEM e a mídia. Há cerca de 40 gigabites de vídeos, áudios e fotos misturados (propositalmente?) que ainda irão demorar semanas para ser organizados, levados à CPMI e depois “vazados” para a opinião pública.


E, para rivalizar com o estardalhaço que a mídia fará em torno do julgamento do mensalão, os protagonistas da investigação parlamentar serão Marconi Perillo, José Serra, a Veja e a Globo. Isso sem falar que serão produzidos elementos que poderão desmoralizar o julgamento que ocorrerá paralelamente no STF.


Mas não é só. Ao menos um juiz que poderá estar julgando o mensalão deve entrar na alça de mira da CPMI. Gilmar Mendes é o terceiro personagem de peso “da oposição” que fontes fidedignas garantem que protagonizará o contraponto ao que a mídia chama de “julgamento do século”.


Reportagem da Folha.com deixa ver quanta coisa deverá surgir em relação a Gilmar. Matéria que saiu timidamente no UOL e que foi enterrada rapidamente, além de jamais ter chegado a qualquer outro meio de comunicação exibiu laudo de perícia de análise da frequência de voz do ministro do STF Gilmar Mendes durante a entrevista que deu à Globo sobre seu encontro com Lula.

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Na análise de um total de 3 minutos de trechos da entrevista, foram detectadas 11 ocorrências de “alto risco”, cinco de “provável risco” e duas de “baixo risco”.


“Alto risco é uma maneira de dizer que a pessoa está mentindo”, afirma o perito responsável pela análise, Mauro Nadvorny.


Nadvorny é diretor-presidente da empresa Truster Brasil, que produz a tecnologia que detecta sinais de tensão, estresse, medo, embaraço e excitação em arquivos de voz. De acordo com Nadvorny, esses fatores permitem situar declarações em uma escala de veracidade.


O laudo indicou “alto risco” de fraude nos trechos em que o magistrado diz que o mensalão “entrou na pauta das conversas”, que “o presidente tocou várias vezes na questão da CPMI” e no trecho em que Mendes diz ter “nenhuma relação, a não ser relação de conhecimento e de trabalho funcional com o senador Demóstenes”.


Veja a seguir alguns dos trechos da entrevista de Gilmar Mendes considerados “fraudulentos e suspeitos” pelo laudo de Nadvorny, acompanhados da conclusão do perito:


Gilmar Mendes: “Este assunto entrou na pauta das conversas”


Laudo: De acordo com a análise do software, o ministro Gilmar Mendes não está sendo verdadeiro quando afirma que o assunto (mensalão) entrou na pauta das conversas.
Gilmar Mendes: “E aí o presidente disse da importância do julgamento do

 mensalão, que se possível não se julgasse esse ano porque não haveria objetividade”


Laudo: De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes está sendo verdadeiro quando afirma que o presidente Lula teria dito que não haveria objetividade. Não é possível concluir que ele tenha dito algo sobre a importância do julgamento não acontecer este ano.


Gilmar Mendes: “O presidente tocou várias vezes na questão da CPMI, desenvolvimento da CPMI, o domínio que o governo tinha sobre a CPMI”


Laudo: De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes não está sendo verdadeiro quando afirma que o presidente Lula tocou no assunto da CPMI.


Gilmar Mendes: “Então eu disse a ele: ‘com toda franqueza, presidente, eu vou lhe dizer uma coisa, parece que o senhor está com alguma informação ‘confusa’”


Laudo: De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes está sendo verdadeiro quando afirma que disse ao presidente Lula que ele estava com uma informação “confusa”.


Gilmar Mendes: “ ‘O senhor não está devidamente informado, eu não tenho nenhuma relação, a não ser relação de conhecimento e de trabalho funcional com o senador Demóstenes”


Laudo: De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes não está sendo verdadeiro quando afirma que não tem nenhuma relação com a matéria da CPMI.


Gilmar Mendes: “Aí então eu esclareci a viagem de Berlim, (…) me encontrara com o senador em Praga porque isso foi agendado previamente, ele tinha também uma viagem para Praga, então nos deslocamos até Berlim. Eu vou um pouco a Berlim, como o senhor vai a São Bernardo


Laudo: De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes não está sendo verdadeiro quando afirma que se encontrou com o senador (Demóstenes) em Praga para ir a Berlim (para visitar sua filha) numa viagem previamente agendada.


Gilmar Mendes: “Claro que houve a conversa sobre o Mensalão, o Jobim sabe disso”


Laudo: De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes muito provavelmente não está sendo verdadeiro quando afirma que a conversa existiu e que Jobim sabe disso.


A análise de Nadvorny foi feita voluntariamente, com o software de análise de voz da Truster Brasil, o mesmo usado pelos serviços de inteligência das polícias do Rio Grande do Sul e do Distrito Federal.


“A tecnologia faz uma varredura em todo o arquivo de voz para estabelecer uma linha básica e aponta os techos em que a fala foge dessa linha, o que indica, em diferentes graus, que a pessoa não está sendo verdadeira”, diz Nadvorny.


Segundo ele, nos trechos em que o programa aponta “alto risco”, há praticamente certeza de que a pessoa está mentindo. “Isso porque a natureza humana não é construída para mentir. Quando a pessoa mente, ela está sob estresse”, afirma.


A razão do estresse de Gilmar é uma só: ele mente. E mente porque, como já se disse aqui neste blog, a iniciativa dele e de Serra de colocarem na Veja aquela matéria sobre sua reunião com Lula não passou de uma vacina contra o que supõem que há na CPMI contra si mesmos.


Todavia, o alto nível de estresse de Gilmar no vídeo – que nem precisava de perícia para ser notado, bastando que o espectador tenha assistido com olhos de ver – se deve justamente ao fato de que nem ele, nem Serra, nem Veja, nem o resto do PIG sabem ao certo o que há contra todos no imenso material da Polícia Federal que ainda está sendo analisado.


A mídia vai tentando uma tática diversionista. Primeiro, tentou impedir a criação da CPMI. Depois, tentou vender que o governador Agnelo Queiroz tinha mais indícios contra si do que Marconi Perillo.
Com a CPMI funcionando, a mídia veio com aquela história de “acordão” a fim de desmoralizá-la. Desmontada a versão com a convocação dos dois governadores, agora tenta-se fazer com as denúncias de Luiz Antonio Pagot (ex-diretor do Dnit) que atingem Serra em cheio, o mesmo que tentaram fazer com Agnelo e Perillo.


Também será em vão. As denúncias de Pagot atingem o PSDB (José Serra e Geraldo Alckmin) e pouco oferecem contra o PT. Falam de doações de campanha para Dilma, Serra e Alckmin, mas as doações a Dilma foram legais (registradas), enquanto que as feitas aos tucanos foram ilegais (caixa 2). Isso porque umas constam na prestação de contas do PT e as outras não constam das do PSDB.


Essa estratégia de comparar o incomparável terá o mesmo destino da tramóia midiática que pretendeu igualar evidências fracas contra Agnelo às evidências extremamente pesadas que existem contra Perillo. Com o avanço dos trabalhos da CPMI, tudo será esclarecido.


Não haverá acordo entre PT, PSDB e mídia. A charge da Folha explica por que. Oposição e mídia pretendem usar o mensalão para arrasar o PT eleitoralmente e para desmoralizar a memória sobre o governo Lula. Por que o PT faria acordo? Muito pelo contrário. Petistas trabalham freneticamente para fazer a CPMI avançar.

O PiG já não acredita na tese do mensalão

Verdades incômodas sobre o mensalão


O leitor que tiver paciência de ler esta nota até o fim terá elementos melhores para julgar o debate envolvendo Lula e Gilmar Mendes.

Escrevi em nota anterior que o pano de fundo deste conflito envolve o ambiente político em torno do mensalão.

Uma das partes tem interesses em politizar o debate no ponto máximo. A outra tem esperança de convencer os ministros a apoiar-se em argumentos de natureza técnico, no exame das provas.

A leitura do relatório do delegado da Polícia Federal Luiz Flávio Zampronha, disponível na internet, é rico em detalhes e bastante completo na abordagem.

Só para o leitor ter uma ideia da radicalização da situação. Tratado pela imprensa, o relatório já foi exibido como prova definitiva da existência do mensalão. Também foi apontado como prova do contrário.
 
 
 
Em suas conclusões, o relatório mostra que se o PT não pode estar feliz com as denúncias apuradas, a oposição não tem o direito de festejar por antecipação.

É por isso que o julgamento é aguardado com tensão. Todo mundo espera um proveito político mas ninguém sabe o que pode acontecer.

Ninguém quer prestar atenção ao relatório.

Zampronha juntou os fios dos empréstimos bancários e dos contratos de publicidade do Banco do Brasil e concluiu que houve sim desvio de dinheiro público para pagar os compromissos assumidos pelo PT. Os dados estão lá.

O PT pode alegar, corretamente, que o mensalão de Delúbio Soares é igual ao mensalão mineiro e até pode dizer que o esquema dos tucanos mineiros está melhor demonstrado. Tudo isso é verdade. Mas a culpa de Marcos Valério em Minas pode até ajudar a denúncia em seu devido lugar. Mostra que o esquema do PT tinha antecedentes.

Mas nada disso ajuda a demonstrar que ele era inocente quando se juntou ao PT.

Pelo relatório, petistas e não petistas que deixaram sua assinatura em algum documento oficial terão dificuldades muito grandes para demonstrar que são inocentes.

O problema, para a oposição, é que essas conclusões estão longe de demonstrar a culpa dos 38 réus. Pior ainda. Para quem transformou José Dirceu no cérebro e gênio do mal, a investigação da Polícia Federal é uma decepção.
 
 
 
Evitando mencionar hipóteses que estão na mente de muitas pessoas, mas não podem ser comprovadas com fatos, o relatório não apresenta uma linha contra Dirceu.
Embora Zampronha não dê entrevistas, é fácil concluir o que aconteceu.
A culpa de Dirceu não foi registrada pela equipe de policiais encarregada de apurar os fatos capazes de incriminá-lo. Não há provas contra ele.

Não há uma denúncia nem uma testemunha. O próprio Roberto Jefferson, que fez acusações políticas a Dirceu em 2005, não apontou um caso específico nem uma situação precisa. Aliás: quem voltar à entrevista de Jefferson a Renata Lo Prete, na Folha, irá encontrar palavras em que ele testemunha a reação de Dirceu de crítica ao próprio Delúbio. Jefferson contou a Lo Prete que, ao ser informado do que ocorria, Dirceu até deu socos na mesa. (Ele também disse que Lula chorou).

Puro teatro maquiavélico, você pode dizer. Coisa de tem treinados profissionais do crime. São todos farsantes, mentirosos…Esses políticos são todos iguais. Quem sabe?

Falando para os autos, Jefferson também não falou sobre o esquema de “compra de votos no Congresso” nem de “compra de consciências”. Jefferson repete nos vários depoimentos que deu à Polícia que jamais votou em projetos do governo em troca de dinheiro. Lembra que ele e sua bancada estavam de acordo com as propostas de Lula. Dá exemplos.

Fala que o problema é que os petistas combinaram e não entregaram recursos para a campanha de 2004.

Jefferson, neste aspecto, concorda com aquilo que Delúbio sempre disse. Era dinheiro de campanha.

Já estou ouvindo um grito do leitor do outro lado: “P…que p…!”

“Não é possível!”

“O PML enlouqueceu de vez!”

“Não percebe que a Polícia Federal faz o que o governo quer?”

Todos nós temos direito a uma opinião sobre o caso e seus protagonistas mas, acionada pela Procuradoria Geral da República, aquela que denunciou o governo pela montagem de uma “organização criminosa”, a Polícia Federal chegou a outro caminho.

Não demonstra o “mensalão”. Tampouco aponta para José Dirceu. Mas incrimina quem foi apanhado numa operação que implicava em desvio de recursos públicos. Não é pouca coisa, num país de altíssima impunidade. Mas não irá agradar quem acredita que estava tudo provado e demonstrado sobre a “quadrilha criminosa.”

Isso quer dizer que o Supremo irá seguir as recomendações da Polícia Federal? Nem de longe. Cada ministro tem o direito a suas convicções e próprias conclusões. O relatório da Polícia Federal pode inspirar alguns ministros, a maioria, a minoria, ou nenhum. Com certeza não será um julgamento unânime como a votação sobre cotas.

Não é inteiramente bom para nenhum lado. Nem totalmente ruim.


 
Revista Época

Boa noite!

SE Gilmar Mendes

Em atenção ao que inspirou o ministro do STF Celso de Melo, quando declarou sobre o que o ex-presidente Lula teria dito por acaso, quem sabe, talvez e por hipótese, nestas palavras:


“A conduta do ex-presidente da República, se confirmada, constituirá lamentável expressão ... Se ainda fosse presidente da República, esse comportamento seria passível de impeachment... Se confirmado esse diálogo entre Lula e Gilmar, o comportamento do ex-presidente mostrou-se moralmente censurável”


Inspirado em Celso de Melo, e na mais alta consideração às possíbilidades da verdade na fala de um ministro do STF, mais conhecido por Gilmar Mendes, seguem estas mui mal traçadas linhas que Rudyard Kipling cometeria, ou quem sabe, talvez, se vivesse hoje no Brasil, se não fosse estranho ao sentimento de justiça, se não tivesse o seu genial talento, se fosse outra pessoa, se não escrevesse o que escreveu, enfim, se:

SE Gilmar Mendes


Se és capaz de conservar o teu bom senso e a calma,
Quando todos pedem a conta do teu passeio em Berlim

E te acusam disso os malditos;

Se és capaz de confiar em ti, quando todos duvidam
E, no entanto, finges que nem duvidam;

Se és capaz de esperar, sem perderes a esperança
de uma salvação acima do registro de fitas gravadas

E de gravata e sem bravata não caluniares os que te espiam;

Se és capaz de sonhar com a Veja sem que o sonho te domine
E com a capa sonhar sem reduzir tal obsessão em vício;

Se és capaz de enfrentar o Triunfo da turba e o Desastre ,
Sem tratar esses ferradores com o breque “me ferrastes!”

Se és capaz de ouvir as falsidades que disseste
Mudadas em trapos de Kipling de Norte a Leste;

Se és capaz de ouvir as falas gravadas de tua vida celular
Sem gritares stop, pois esses tolos tolos são de matar;

Se és capaz de queimar todo o dinheiro que te coçe
Num risco de tornar o impulso em lance de tosse
E louco perder e recomeçar tuas funções de bigamias
E nunca brecar um suspiro das perdas loucas que mias;

Se és capaz de forçar teu coração e nervos e novo brio
E fazê-los servirem quando não servem, não dão pio
Nem aguentam a onda, nem nadam nem falam i ou u,
Exceto o vil que sei do DEM te grita: aguenta, tio!

Se és capaz de toques no crau com ar sério e casto
Ou de servir ao PIG sem doce pose de capacho;

Se nem de foice ou Love fremes, quem te arde, ó tu?
Se ao menos cantes ziuziu, bates e tomas tutu ;
E fio quente Nextel fazes nele conversas todo minuto
Os sessenta segundos valendo mais que a distância muito;

Se assim fores, em farsas e versões que inibem até o mar

Se assim Mentes, não serás um homem, Dom Gilmar.


Urariano Mota - RecifeÉ pernambucano, jornalista e autor de "Soledad no Recife", recriação dos últimos dias de Soledad Barret, mulher do cabo Anselmo, executada pela equipe do Delegado Fleury com o auxílio de Anselmo.Direto da Redação


Dilma vem para fazer História

Quem não se lembra da crônica política de dois anos atrás que, diante da iminência da vitória da candidata Dilma Roussef, rotulava-a como inexperiente, pronta para ser engolida, seja pela previsível subserviência ao que seria o seu inventor (Lula) seja pela matreirice corporativista de um congresso formado basicamente por raposas da política, por aproveitadores e fisiológicos? Quem não se recorda do conceito de “pau mandado” que lhe tentaram impingir em relação ao ex-presidente, eminência parda para quem a presidenta eleita apenas esquentaria o lugar para um hipotético retorno do líder petista ?


Um mínimo de honestidade dessa turma de críticos, alicerçada nos atos e fatos que vêm marcando o governo Dilma, já deve estar mexendo com determinadas convicções então levantadas, ao menos por parte dos realmente bem intencionados. E não é por acaso que mesmo alguns setores da mídia que se pautam permanentemente pelas tentativas de desestabilizar o poder constituído pelo povo, mesmo esses estão mais cautelosos nas observações e análises sobre as posturas da Presidenta, que hoje desfruta dos mais altos índices de aceitação conferidos nos últimos anos a um mandatário nacional. E então, claro, voltam suas baterias para o Lula, contando com a cumplicidade de alguns golpistas e de muitos figurões da República. ... E elegem o “mensalão” petista (que, diga-se, tem mesmo que ser julgado e, se for o caso, punido) como o nosso mais sério delito de corrupção, esquecendo o seu irmão gêmeo mineiro, a compra de votos para a reeleição, as denúncias da Privataria Tucana e tudo mais que, em nosso país, está se transformando numa cachoeira, ou, se quiserem, numa enxurrada . Mas esse é um outro assunto...


A Presidenta não titubeou no caso dos ministros que se viram envolvidos em denúncias de malversação, tráfico de influência ou coisas do gênero. Com sabedoria de estadista, administrou as crises – que muitos pretendiam avassaladoras – e deixou que o bom senso (ou o rabo preso) dos envolvidos encaminhasse as soluções de afastamento. Recusou o rótulo pejorativo de faxineira, e afirmou-se pela sobriedade e seriedade com que foi equacionando os problemas. Nas substituições que fez, deixou clara uma posição de independência em relação a muitos interesses da sua própria base política de apoio, apostando no técnico contra o político, na eficiência contra a demagogia.


É bem nítido que o nosso sistema político de composições para a malfadada “governabilidade” tem impedido muitas vezes a Presidenta de fazer valer seus propósitos. Mesmo assim, até pelas reações corajosas de Dilma, poucas vezes a sociedade brasileira pôde perceber tão claramente esse jogo espúrio de pressões e contrapressões que ainda marcam o cenário nada republicano de nossa política.


De qualquer forma, a Presidenta vem impondo sua marca, cada vez mais particular, na condução de assuntos que, embora de interesse de todo o povo brasileiro, são (ou eram) tidos como intocáveis. Um deles : os juros cobrados no sistema bancário. Dilma não economizou críticas – em horário nobre e rede nacional – às exorbitâncias praticadas e não apenas cobrou medidas da rede particular como usou os bancos oficiais como elementos de concorrência, em uma linguagem que o “mercado” certamente entende ...


A criação da Comissão da Verdade , acompanhada da verdadeira profissão de fé da Presidenta , e a transparente Lei do Acesso, são ações que, embora tardias, finalmente surgem agora como irreversíveis conquistas da cidadania, marcas adicionais no perfil de estadista da Presidenta.


Se Dilma não pôde – como queriam os ambientalistas – vetar totalmente o escandaloso Código Florestal aprovado no Congresso, nem por isso cedeu aos ruralistas naquilo que considerou mais relevante para a preservação de nossas florestas e para a afirmação de princípios éticos como o da não anistia aos grandes desmatadores.


São apenas alguns exemplos, dentre muitos , que justificam os números que as repetidas pesquisas estão revelando. Agora mesmo leio nos jornais a publicação, pelos Ministérios da Saúde e da Justiça, de lei que criminaliza a exigência, por parte de entidades de saúde particulares , de cheque-caução para atendimento médico de urgência, tipificando a exigência como crime de omissão de socorro. Sabemos todos da “caixa preta” que envolve esse e outros assuntos ligados aos planos de saúde.


Evidentemente, nem tudo são ou serão flores no âmbito federal. Há muitos desafios pela frente. Dilma reafirmou em recente pronunciamento que seu compromisso é com o crescimento econômico do país, com inclusão social e sustentabilidade. Lamentavelmente, a permanente tentativa dos nossos partidos de fazer valer a política do “toma lá dá cá” não são práticas que desaparecerão em um repente, por milagre ou por espasmo. Dilma , nesse âmbito, às vezes tem que empenhar-se em dobrar alguns dos seus próprios companheiros de partido...


Mas o caminho da Presidenta, esperamos todos , deve ser o do enfrentamento do fisiologismo reinante. Aproveitando-se dos exitosos índices que o país vem revelando no cenário mundial – que garante aos brasileiros uma relativa tranquilidade em meio à crise geral -penso que está na hora de fazer valer sua merecida popularidade para trocar, gradativamente, o comprometido apoio de políticos discutíveis pelo indiscutível apoio popular. Nas ruas, se for o caso, quando necessário, na velha tradição das grandes causas públicas.

Rodolpho Motta LimaAdvogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.Direto da Redação


O paradoxo do ministro


Gilmar Mendes errou e erra feio, mas seu voto no julgamento do “mensalão” será jurídico, não político

Hélio Doyle


O passar dos dias permite que episódios nebulosos em seus primeiros momentos fiquem mais claros. Assim que a Veja divulgou o que teria ocorrido em um encontro do ex-presidente Lula com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, no escritório do ex-ministro Nélson Jobim, surgiram as dúvidas e os questionamentos, de um lado e de outro. E vieram, como não poderia deixar de ser, as inevitáveis especulações e explorações políticas.


Agora, com as coisas mais nítidas, a pergunta que mais se faz é: o que Gilmar Mendes queria com sua versão histriônica e escandalosa do encontro com Lula? O que o ministro, polêmico e polemizador por natureza, objetivava ao divulgar, um mês depois do fato, sua versão da conversa que teve com Lula? As especulações, por quem não trata do tema sob paixão política e partidária, agora, se concentram nisso.


Nenhum adversário de Lula, ou opositor do governo, vai reconhecer, mas quem errou mesmo, e feio, foi Gilmar Mendes. Lula não é mais presidente, não é um agente público. Deveria ter evitado falar do “mensalão”, se falou mesmo, mas não cometeu nenhum crime. Poderia ter sido mais cuidadoso e não falar do assunto com um juiz que já demonstrou, várias vezes, sua antipatia visceral ao PT e à esquerda, e simpatia entusiasta pelos tucanos e demistas, com os quais trabalhou no Palácio do Planalto. E que, como mostram viagens, festas, conversas telefônicas e voos 0800, é, ou era, amigo íntimo de Demóstenes Torres.


Gilmar Mendes errou ao aceitar ir ao escritório de um advogado militante, Nélson Jobim, mesmo que lá não estivesse Lula. Errou em dobro ao ir sabendo que encontraria o ex-presidente às vésperas do julgamento do “mensalão”. Não fica nada bem para um juiz visitar advogados em seus escritórios, essa é uma regra universal e vigora até na Venezuela, que Gilmar Mendes abomina, e na Alemanha, para onde viaja como rotina, segundo ele próprio.


Se Gilmar Mendes ouviu Lula e se sentiu agredido, deveria ter imediatamente comunicado o fato pelo menos ao presidente do tribunal que integra. Não o fez, a não ser um mês depois. E, quando resolver contar, espalhou sua versão para várias pessoas, para que não pudesse ser responsabilizado pela publicação em Veja. Todo jornalista conhece essa tática de dispersão.


Mas Gilmar continuou sua sequência de erros. Foi desnecessariamente agressivo e descortês em suas declarações, indignas de um magistrado. Manifestou juízos políticos que deveria evitar. Confessou que gastou quase R$ 20 mil dos cofres públicos para uma viagem desnecessária à Espanha e à Alemanha, durante 13 dias – deixando, pois, acumular os seus processos e faltando a julgamentos em uma gazeta oficializada que, infelizmente, vem se tornando comum no STF.


O último erro – mas talvez não o derradeiro – foi defender a retirada de publicidade de empresas do governo em blogs que considera “sujos” porque, segundo ele, “atacam as instituições”. Pode até ser que a publicidade seja questionável em volume e valores, pode ser que alguns blogs estejam exagerando nos ataques, mas defender esse tipo de restrição a meios de comunicação não fica nada bem para um ministro do STF. Principalmente porque ele não é uma “instituição”, como talvez pense ser. E, afinal, Veja é revista “limpa”?


Mas todos os erros de Gilmar Mendes e suas ainda desconhecidas intenções ao deflagrar uma crise não impedem que o julgamento dos réus do “mensalão” seja justo e correto. Os 11 ministros estão sob forte pressão dos dois lados, como é natural, e se houver alguma pressão que considerem ilegítima devem denunciá-la imediatamente (o que Gilmar Mendes não fez). Mas todos eles, inclusive Gilmar Mendes, sabem que estarão participando do que pode ser o julgamento de suas vidas, e que precisam ter fortes argumentos e embasamento jurídico para condenar ou para absolver.


Todo esse episódio não significa que o ministro Gilmar Mendes abriu seu voto, apesar do estardalhaço que fez. Ele erra quando sai dos autos para assumir um protagonismo político que não lhe cabe, e quando esquece o recato que deve ser característica de um juiz. Seu voto, porém, será jurídico, não será político. Mais do que nunca.No Brasil 247

O Brasil não merece isso

Aécio relança política do café com leite


Aécio relança política do café com leite


Para evitar futuras divisões entre Minas e São Paulo, chapa presidencial seria formada por ele e pelo senador paulista Aloizio Nunes Ferreira em 2014; rodízio entre paulistas e mineiros acabou em 1930



247 – A política do café com leite, em que políticos mineiros e paulistas se alternavam no comando do País na Velha República, e que foi encerrada em 1930, por Getúlio Vargas, estaria sendo relançada por Aécio Neves. O político tucano, pré-candidato do PSDB em 2014, estaria articulando uma chapa com um paulista na vice. Seria o senador Aloizio Nunes Ferreira, um dos mais ferrenhos serristas, numa demonstração de que as seções mineira e paulista do PSDB chegariam unidas a 2014, evitando a divisão que marcou a última disputa presidencial.


 
A especulação foi levantada pelo jornalista Gerson Camarotti, da Globo, que entrevistou ambos no Senado e gravou um vídeo (assista aqui).

Leia, abaixo, o texto de Camarotti:


 
Preocupados com a divisão do partido para 2014, os tucanos articulam os bastidores uma chapa formada pelos senadores Aécio Neves (PSDB-MG), para presidente, e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), para vice. Nos bastidores, a chapa foi batizada de “café com leite”.


 
É uma referência a política do café com leite, que ocorreu no Brasil na República Velha (até 1930). Na ocasião, havia um revezamento entre presidentes de São Paulo (produtor de café) e de Minas Gerais (produtor de leite).

Com essa chapa, os tucanos tentam amenizar as resistências do ex-governador José Serra (SP) ao nome de Aécio, já que Aloysio é muito próximo dele. Até o recente anúncio de sua candidatura à prefeitura de São Paulo, Serra trabalhava para ser presidenciável do partido pela terceira vez. Teve que abortar seus planos depois que Aécio ganhou espaço interno.


 
Agora, a tentativa é de unificar o partido. Pelo menos no Congresso, Aécio e Aloysio já mostram entrosamento. E falaram pela primeira vez sobre a chapa “café com leite” e conversa com o Blog no salão azul do Senado.

A força da imagem do PT

 
Ao contrário do que se costuma pensar, o sistema partidário brasileiro tem um enraizamento social expressivo. Ao considerar nossas instituições políticas, pode-se até dizer que ele é muito significativo.
Em um país com democracia intermitente, baixo acesso à educação e onde a participação eleitoral é obrigatória, a proporção de cidadãos que se identificam com algum partido chega a ser surpreendente.
Se há, portanto, uma coisa que chama a atenção no Brasil não é a ausência, mas a presença de vínculos partidários no eleitorado. Conforme mostram as pesquisas, metade dos eleitores tem algum vínculo.

 
Seria possível imaginar que essa taxa é consequência de termos um amplo e variado multipartidarismo, com 29 legendas registradas. Com um cardápio tão vasto, qualquer um poderia encontrar ao menos um partido com o qual concordar. Mas não é o que acontece. Pois, se o sistema partidário é disperso, as identificações são concentradas. Na verdade, fortemente concentradas.


O Vox Populi fez recentemente uma pesquisa de âmbito nacional sobre o tema. Deu o esperado: 48% dos entrevistados disseram simpatizar com algum partido. Mas 80% desses se restringiram a apenas três: PT (com 28% das respostas), PMDB (com 6%) e PSDB (com 5%). Olhado desse modo, o sistema é, portanto, bem menos heterogêneo, pois os restantes 26 partidos dividem os 20% que sobram. Temos a rigor apenas três partidos de expressão.


Entre os três, um padrão semelhante. Sozinho, o PT representa quase 60% das identidades partidárias, o que faz que todos os demais, incluindo os grandes, se apequenem perante ele. Em resumo, 50% dos eleitores brasileiros não têm partido, 30% são petistas e 20% simpatizam com algum outro – e a metade desses é peemedebista ou tucana. Do primeiro para o segundo, a relação é de quase cinco vezes.


A proeminência do PT é ainda mais acentuada quando se pede ao entrevistado que diga se “simpatiza”, “antipatiza” ou se não tem um ou outro sentimento em relação ao partido. Entre “muita” e “alguma simpatia”, temos 51%. Outros 37% se dizem indiferentes. Ficam 11%, que antipatizam “alguma” coisa ou “muito” com ele.


Essa simpatia está presente mesmo entre os que se identificam com os demais partidos. É simpática ao PT a metade dos que se sentem próximos do PMDB, um terço dos que gostam do PSDB e metade dos que simpatizam com os outros.


Se o partido é visto com bons olhos por proporções tão amplas, não espanta que seja avaliado positivamente pela maioria em diversos quesitos: 74% do total de entrevistados o consideram um partido “moderno” (ante 14% que o acham “ultrapassado”); 70% entendem que “tem compromisso com os pobres” (ante 14% que dizem que não); 66% afirmam que “busca atender ao interesse da maioria da população” (ante 15% que não acreditam nisso).


Até em uma dimensão particularmente complicada seu desempenho é positivo: 56% dos entrevistados acham que “cumpre o que promete” (enquanto 23% dizem que não). Níveis de confiança como esses não são comuns em nosso sistema político.


Ao comparar os resultados dessa pesquisa com outras, percebe-se que a imagem do PT apresenta uma leve tendência de melhora nos últimos anos. No mínimo, de estabilidade. Entre 2008 e 2012, por exemplo, a proporção dos que dizem que o partido tem atuação “positiva na política brasileira” foi de 57% a 66%.


A avaliação de sua contribuição para o crescimento do País também se mantém elevada: em 2008, 63% dos entrevistados estavam de acordo com a frase “O PT ajuda o Brasil a crescer”, proporção que foi a 72% neste ano.


O sucesso de Lula e o bom começo de Dilma Rousseff são uma parte importante da explicação para esses números. Mas não seria correto interpretá-los como fruto exclusivo da atuação de ambos.


Nas suas três décadas de existência, o PT desenvolveu algo que inexistia em nossa cultura política e se diferenciou dos demais partidos da atualidade: formou laços sólidos com uma ampla parcela do eleitorado. O petismo tornou-se um fenômeno de massa.


Há, é certo, quem não goste dele – os 11% que antipatizam, entre os quais os 5% que desgostam muito. Mas não mudam o quadro.


Ao se considerar tudo que aconteceu ao partido e ao se levar em conta o tratamento sistematicamente negativo que recebe da chamada “grande imprensa” – demonstrado em pesquisas acadêmicas realizadas por instituições respeitadas – é um saldo muito bom.


É com essa imagem e a forte aprovação de suas principais lideranças que o PT se prepara para enfrentar os difíceis dias em que o coro da indústria de comunicação usará o julgamento do mensalão para desgastá-lo.


Conseguirá?


Marcos Coimbra 

CartaCapital