segunda-feira, 3 de junho de 2013

A herança de FHC


A avaliação de seus mandatos captada em pesquisas explica o motivo de Alckmin e Serra não terem defendido o seu legado. O que fará Aécio Neves?



por Marcos Coimbra
 

Enquanto não surgir coisa mais avançada, as pesquisas de opinião continuarão a ser a melhor maneira de interpretar o pensamento da população a respeito das questões coletivas. Sem elas, ficamos com o que acha cada indivíduo ou dizem os grupos mais organizados e loquazes. Os sentimentos e atitudes da maioria permanecem ignorados. É como se não existissem.

Mas as pesquisas estão aí. E permitem uma compreensão dos juízos e as expectativas dos que não se expressam, não mandam cartas ou postam comentários na internet. Há outras formas de fazê-lo, mas nenhuma mais confiável.

Realizá-las não é extravagância ou privilégio. Não custam tanto e um partido político poderoso, como, por exemplo, o PSDB, pode encomendar as suas. Nem um jornal ficará pobre se tiver de contratar alguma.

Por que então as oposições brasileiras as usam tão parcimoniosamente? Por que, se é simples conhecê-la, os partidos e a mídia oposicionista desconsideram a opinião pública?  Tome-se uma velha ideia: as três derrotas sucessivas dos tucanos para o PT teriam sido causadas pela insuficiente defesa da “herança de Fernando Henrique”. Sabe-se lá por que, é uma hipótese que volta e meia reaparece, como se fosse uma espécie de verdade profunda e houvesse evidências a sustentá-la.

Nas últimas semanas, ela retornou ao primeiríssimo plano. Em seu discurso inaugural como presidente nacional do PSDB, o senador mineiro Aécio Neves disse que seu partido se equivocou ao não valorizar o “legado” das duas administrações de FHC. Em suas palavras: “Erramos por não ter defendido, juntos, todo o partido, com vigor e convicção, a grande obra realizada pelo PSDB”.

Salvo uma ou outra manifestação de cautela, a mídia conservadora aplaudiu o pronunciamento. Os “grandes jornais” gostaram de Aécio ter assumido uma tese com a qual sempre concordaram. Faltava-lhes um paladino e o mineiro ofereceu-se para o posto.

E os cidadãos comuns, o que pensam desse “legado”?

Em pesquisa recente de âmbito nacional, o Vox Populi tratou do assunto. Em vez de subscrever (ou atacar) a tese, apenas identificou o que a população pensa a respeito. 

Os entrevistados foram solicitados a avaliar 15 áreas de atuação do governo Dilma Rousseff. Depois, a comparar o desempenho de cada uma nos governos dela e de Lula com o que apresentavam quando Fernando Henrique Cardoso era presidente. As avaliações de todas as políticas nos governos petistas são superiores. Em nenhuma se poderia dizer que, para a população, as coisas estavam melhores no período tucano.

Consideremos algumas: na geração de empregos, 7% dos entrevistados disseram que FHC atuou melhor, enquanto 75% responderam que Lula e Dilma o superaram. Na habitação, 3% para FHC e 75% para Lula e Dilma. Nos programas para erradicar a pobreza, 4% ficaram com FHC e 73% com os petistas. Na educação, o tucano foi defendido por 5% e os petistas por 63%. Na política econômica, em geral, FHC foi avaliado como melhor por 8%, enquanto Lula e Dilma, por 71% dos entrevistados.

No controle da inflação, FHC teve seu melhor resultado: para 10%, ele saiu-se melhor que os sucessores, mas 65% preferiram a atuação de Lula e Dilma no controle de preços.

Na saúde e na segurança, os petistas tiveram as menores taxas de aprovação, mas mantiveram-se bem à frente do tucano: na primeira, Lula e Dilma foram considerados melhores por 46% dos entrevistados. Na segurança, por 45%. FHC, por sua vez, por 7% e 6%.

No combate à corrupção, FHC teria atuado melhor que seus sucessores para 8%, enquanto 48% dos entrevistados afirmaram ter Lula e Dilma sido superiores.

Os políticos e as empresas jornalísticas são livres para crer no que quiserem. Enéas Carneiro era a favor da bomba atômica. Levy Fidelix é obcecado pela ideia de espalhar aerotrens pelo Brasil. Os partidos de extrema-esquerda lutam pelo comunismo. Há quem queira recriar a velha Arena da ditadura.

Ancorar uma campanha presidencial na “defesa do legado de FHC” é um suicídio político. Nem Serra nem Alckmin quiseram praticá-lo. A derrota de ambos nada tem a ver com o fato de não terem feito tal defesa. O problema nunca foi estar distantes demais dos anos FHC, mas de menos.

Resta ver como se comportará, na prática, Aécio Neves. E o que dirão seus apoiadores, quando perceberam que também ele procurará fazer o possível para se afastar do tal “legado”.


Mudança suspeita



Às vésperas da aposentadoria, Roberto Gurgel, em parceria com a mulher, altera de forma inexplicável um parecer e aceita acusações falsas contra o deputado Protógenes Queiroz




Em boa medida, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, caminhava para uma aposentadoria tranquila. Desde a sua recondução ao cargo, em 2011, havia se tornado símbolo de um moralismo seletivo e, por consequência, ídolo da mídia. O desempenho no julgamento do “mensalão” petista o blindou de variados lapsos e tropeços, digamos assim, entre eles o arquivamento das denúncias contra o senador goiano Demóstenes Torres, dileto serviçal do bicheiro Carlos Cachoeira, como viria a demonstrar a Operação Monte Carlo.

A três meses de se aposentar, Gurgel decidiu, porém, unir-se à frente de apoio ao banqueiro Daniel Dantas. E corre o risco de se dar muito mal. Em uma decisão inusual no Ministério Público Federal, ele e sua mulher, a subprocuradora-geral da República Claudia Sampaio, alteraram totalmente um parecer redigido por eles mesmos um ano e três meses antes. Não é só a simples mudança de posição a despertar dúvidas no episódio. Há uma diferença considerável entre os estilos do primeiro e do segundo texto. E são totalmente distintas a primeira e a segunda assinatura da subprocuradora-geral nos pareceres.

O alvo principal da ação é o deputado federal Protógenes Queiroz, delegado federal responsável pela Operação Satiagraha, investigação que levou à condenação em primeira instância de Dantas a dez anos de prisão. Há duas semanas, Gurgel e Claudia Sampaio solicitaram a José Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal, o prosseguimento de um inquérito contra o parlamentar que a própria dupla havia recomendado o arquivamento. Pior: basearam sua nova opinião em informações falsas provavelmente enxertadas no processo a pedido de um advogado do banqueiro, o influente ex-procurador-geral da República Aristides Junqueira.

É interessante entender a reviravolta do casal de procuradores. Em 20 de outubro de 2011, documento assinado pela dupla foi enviado ao STF para tratar de questões pendentes do Inquérito nº 3.152, instaurado pela 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo. A ação contra Queiroz, iniciada pelo notório juiz Ali Mazloum, referia-se a pedidos de quebra de sigilo telefônico do então delegado federal, de Luís Roberto Demarco, desafeto de Dantas, e do jornalista Paulo Henrique Amorim, alvo de inúmeros processos judiciais do dono do Opportunity. O parecer foi encaminhado ao Supremo por causa do foro privilegiado assegurado ao delegado após sua eleição a deputado federal em 2010.

Nesse primeiro texto, Gurgel e Claudia Sampaio anotam: “O Ministério Público requereu a declaração de incompetência do citado juízo para processo e julgamento do feito (...); a declaração de nulidade da prova colhida de ofício pelo magistrado na fase pré-processual, bem como o desentranhamento e inutilização”.

O segundo parecer é completamente diferente. Em 12 de março deste ano, o casal solicita a Toffoli vistas dos autos. Alegam, no documento, que um representante de Dantas os procurou “diretamente” na PGR com “documentos novos”. O representante era Junqueira, e os “documentos novos”, informações sobre uma suposta apreensão de dinheiro na casa de Queiroz e dados acerca de bens patrimoniais do delegado. Tudo falso ou maldosamente distorcido.

Apenas seis dias depois, em 18 de março, Gurgel e sua mulher encaminharam a Toffoli outro documento. Tratava-se do encadeamento minucioso de todas as demandas de Dantas transcritas para o papel, ao que parece, pelo casal de procuradores. Ao que parece, pois o estilo do segundo texto destoa de forma inegável da redação do primeiro. Em 11 páginas nas quais consideram “fatos novos trazidos pela defesa de Daniel Dantas”, o procurador-geral e a esposa afirmam ter cometido um equívoco ao solicitar o arquivamento do inquérito em 2011.

O novo parecer acolhe velhas teses de Dantas para explicar seus crimes. Segundo o banqueiro, a Satiagraha foi uma operação montada por desafetos e concorrentes interessados em tirá-lo do mercado de telefonia do Brasil. O Opportunity era um dos acionistas da Brasil Telecom e há quase uma década vivia em litígio com os demais sócios, a Telecom Italia e os maiores fundos de pensão do País.

A mentira incluída pelos procuradores no pedido de reabertura do caso diz respeito à apreensão de 280 mil reais em dinheiro na casa de Queiroz durante uma busca e apreensão determinada pela 7ª Vara Federal de São Paulo em 2010. Segundo Gurgel e Claudia Sampaio, “haveria registro até mesmo de conta no exterior”, e insinuam, com base em “indícios amplamente noticiados na imprensa”, que o deputado do PCdoB teria um patrimônio “absolutamente incompatível” com as rendas de funcionário público. Citam, na lista de suspeitas, dois imóveis doados ao hoje parlamentar por um delegado aposentado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, José Zelman.

“É incrível, mas o procurador-geral da República plantou provas falsas em um processo do STF a pedido do banqueiro bandido Daniel Dantas”, afirma Queiroz. E Toffoli não só acatou o pedido da Procuradoria Geral como, na sequência, autorizou a quebra do sigilo bancário do deputado e o sigilo telefônico de Demarco. Postas sob segredo de Justiça, as medidas tomadas pelo ministro do STF só foram informadas ao deputado há 15 dias. Sua primeira providência foi exigir do STF uma certidão dos autos de apreensão e busca citados pelo Ministério Público. O parlamentar foi à sala de Toffoli. Recebido pela chefe de gabinete Daiane Lira, saiu de mãos vazias.

Queiroz solicitou a mesma certidão a Mazloum, que o condenou em 2010 a três anos de prisão por vazamentos de informações da Satiagraha. Uma fonte acima de qualquer suspeita, portanto. Segundo o parecer enviado a Toffoli por Gurgel e senhora, Mazloum ordenara a busca que resultou na apreensão dos tais 280 mil reais. O juiz enviou a certidão ao STF, mas não sem antes declarar publicamente a inexistência de qualquer apreensão de dinheiro na residência do delegado. “Isso é fantasia. Em nenhum momento apareceu qualquer apreensão de dinheiro. Acho grave uma acusação baseada em informações falsas”, afirmou o juiz na quarta-feira 29 ao blog do jornalista Luis Nassif.

O deputado encaminhou uma representação contra o procurador-geral no Conselho Nacional do Ministério Público. Na queixa, anexou diversas informações, entre elas escrituras de seus imóveis. Os documentos provam que seu patrimônio atual foi erguido na década de 1990, quando atuava como advogado e antes de ingressar na Polícia Federal. Zelman, padrinho de batismo de Queiroz, doou ao afilhado dois imóveis em 2006, bem antes da Satiagraha, portanto.

Os procuradores também miraram em Demarco, ex-sócio do Opportunity que travou uma longa batalha judicial contra Dantas.

Com base em notícias publicadas pelo site Consultor Jurídico, de propriedade de Márcio Chaer, dono de uma assessoria de imprensa e um grande amigo do ministro Gilmar Mendes, Gurgel e Claudia Sampaio voltam a uma espécie de bode na sala, um artifício batido recorrentemente evocado pelos advogados do banqueiro: a investigação em Milão de crimes de espionagem cometidos por dirigentes da Telecom Italia. A tese de Dantas, sem respaldo na verdade, diga-se, é que os italianos financiavam seus desafetos no Brasil, inclusive aqueles infiltrados no governo federal e na polícia, para persegui-lo.

 Procurado por CartaCapital, Demarco preferiu não comentar o caso, mas repassou três certidões (confira AQUIAQUI e AQUI) da Procuradoria da República de Milão que informam não existir nenhum tipo de investigação contra ele em território italiano.

Dantas costumava alardear, segundo o conteúdo de escutas telefônicas da Operação Satiagraha, que pouco se importava com decisões de juízes de primeira instância por ter “facilidades” nos tribunais superiores. De fato, logo após ser preso e algemado por Queiroz em 2008, conseguiu dois habeas corpus concedidos pelo ministro Gilmar Mendes em menos de 48 horas. Um recorde. As motivações de Toffoli ao atender o pedido de Gurgel e Claudia Sampaio sem checar a veracidade das informações continuam um mistério. A assessoria do ministro informou que ele não vai se manifestar sobre o assunto por se tratar de processo sob segredo de Justiça

Imprensa esportiva reacionária adentra o gramado



Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre



Há muitos meses percebi que os colunistas, comentaristas, repórteres, âncoras e blogueiros da velha imprensa corporativa passaram a fazer comentários, ilações e até mesmo a ironizar e desprezar, de forma sistemática, os megaeventos esportivos que vão acontecer no Brasil. Estranho. E explico por quê. Como pode os jornalistas, por exemplo, da CBN, do Sportv, da Globo, da Band, da Jovem Pan, do jornal Lance!, da revista Placar, do Esporte Espetacular, da ESPN, da Fox Sports e do Globo Esporte serem contra eventos que propiciarão lucros gigantescos às empresas nas quais eles trabalham? Respondo: pode.

O jornalista esportivo por vontade própria ou a mando de seu chefe editor ou diretor passou a fazer também oposição ao Governo Federal.  Como qualquer ser que respira — mesmo se viver na ignorância e na alienação —, o jornalista esportivo tem instinto de preservação e de sobrevivência, sendo que o seu problema maior se traduz na preservação do emprego, que se soma ao reacionarismo arraigado em seus valores de classe média. Dos valores elencados, o principal deles é o de se livrar da companhia das massas, porque acreditam em um mundo VIP, onde se sintam “especiais” e bafejados pela sorte e pelos olhares e os cuidados dos deuses.

A maioria dos jornalistas esportivos é originária da classe média. Através das gerações aprenderam a desprezar e a menosprezar o Brasil e tudo o que representa o brasileiro, bem como, ultimamente, alinharam-se aos jornalistas de política e de economia da imprensa de negócios privados, porque passaram a fazer também uma campanha insidiosa, pérfida e sem trégua aos governantes trabalhistas, que assumiram, constitucionalmente, há 11 anos o poder no Brasil por meio das urnas, ou seja, conquistaram a maioria dos votos do povo brasileiro.

Eu quero dizer que os jornalistas esportivos ‘adentraram o gramado’, como afirmavam os narradores antigos, e passaram a fazer uma injusta e intolerante campanha contra, inclusive, os interesses da Nação, porque se juntaram, a mando de seus patrões, a seus colegas das editorias política e econômica, como forma de fazer uma frente que desqualifique o trabalhador brasileiro e desmoralize o governo da presidenta trabalhista Dilma Rousseff, além de atingir, sem sombra de dúvida, o ex-presidente Lula, cujo governo trabalhista garantiu que a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas fossem realizadas no Brasil.

Os jogos e os eventos esportivos vão fazer com que o País deixe como herança à população um legado em infraestrutura, receba bilhões em recursos financeiros no decorrer desta década, realidades que vão fomentar ainda mais a economia interna, e, consequentemente, vão propiciar a criação de milhares de empregos, além de fazer com que o Brasil fique exposto à mídia mundial, que vai mostrar o País a todos os povos, que, curiosos, poderão, um dia, visitá-lo como turistas e ajudar a desenvolver ainda mais a economia brasileira. Quaisquer governos ou povos desejam ou querem ser sedes de jogos com visibilidade planetária. Quem rema contra a maré, para variar, são sempre os mesmos portadores de complexo de vira-latas: a imprensa burguesa, a direita partidária, setores atrasados do empresariado urbano e rural e a classe média tradicional, que consome os produtos de péssima qualidade editorial da imprensa de mercado.
Mesmo assim a campanha nebulosa da imprensa esportiva não cessa. É intermitente. As grandes corporações de comunicação deste País vão ganhar dinheiro a rodo com a realização dos grandiosos eventos. A Globo e os seus canais fechados, por exemplo, vão lucrar como nunca lucraram, mas mesmo assim, por causa de ideologia e preconceitos históricos, apostam no “suicídio” financeiro, no fracasso dos jogos, e dão tiros nos pés, porque o ódio é incomensurável. A verdade é que as nossas “elites” brancas, reacionárias, perversas, colonizadas e de passado escravagista preferem aplicar o veneno em si mesmas do que cooperar para que o Brasil e seu povo se tornem um sucesso no que diz respeito a realizar os eventos esportivos, com competência somada à alegria tão comum ao povo brasileiro.

Todos os setores e segmentos da economia vão ter lucros. Cresci a ver os jornalistas esportivos a choramingar misérias porque o Brasil estava há décadas a não receber e realizar eventos esportivos internacionais. Era o sonho dos empresários midiáticos e de seus empregados, que, diuturnamente, apregoam o “fracasso” e a “incompetência” do Brasil. Até a África do Sul foi sede de uma Copa do Mundo, mas o Brasil, que é um País industrializado, a sexta maior economia do mundo e que sempre teve tudo por causa de sua competência, como bem comprova a privatização de suas estatais, porque só vende quem tem o que vender, não vai conseguir fazer uma Copa do Mundo, talvez porque vai faltar bolas e apitos, o que, sobremaneira, vai inviabilizar os jogos e a vinda de milhões de turistas. Dá um tempo, né? É o complexo de vira-lata e a baixa estima na veia!

Contudo, sabemos que o Brasil foi sede de uma Copa no já longínquo ano de 1950. O Brasil rural, onde quase 70% da população morava no campo realizou a Copa. Agora em pleno século XXI, no terceiro milênio, o Brasil, o seu governo trabalhista e os trabalhadores brasileiros não têm competência, segundo a nossa imprensa alienígena, derrotista, negativista e de essência arbitrária. Tornou-se impossível ouvir, assistir e ler as "abobrinhas" e ter paciência com a insensatez e a total falta de sabedoria de tais escribas, agentes da derrota, da baixa estima e do ódio ao Brasil. Antes, os jornalistas esportivos eram proibidos de comentar sobre política e até mesmo falar sobre economia.

Entretanto, com o advento dos megaeventos no Brasil em um tempo em que os mandatários eleitos são do campo trabalhista e do PT, a ordem nas redações é para boicotar as Copa das Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas até esses eventos começar. A partir daí, como sempre, as aves de mau agouro, os abutres dão um tempo, pois afinal eles têm que comer carniça, que se traduz em  ganhar muito dinheiro, para logo depois de encerrado os jogos recomeçar a flagelação e a desqualificação de quem proporcionou tamanhas festas esportivas. Afinal, as eleições presidenciais vão ser realizadas em outubro de 2014.

A direita brasileira é assim: uma das mais perversas e poderosas do mundo. Os senhores da casa grande não vão dar água a quem necessita, no caso o Brasil. Onde e quando se viu os senhores de escravos e os seus capatazes de classe média a cooperar e a se solidarizar? Se alguém viu é porque está completamente equivocado, desnorteado ou de porre. A corrente dos entreguistas e colonizados que não desejam um Brasil independente, soberano e com seu povo emancipado é, na verdade, o campo político mais antigo do País e composto por escravagistas desde 1500, em que seus latifúndios estão, geração após geração, disseminados, simbolicamente, nas mentes, na cultura, nas estruturas sociais e no imaginário da classe média tradicional e de grande parte dos donos dos meios de produção.

E é por isto que jornalistas de política, de economia e agora os esportivos estão escalados no mesmo time, a compor uma grande frente contra o Brasil e o povo brasileiro. Quando, certo dia, os trabalhistas do PT saírem do poder, talvez tudo que é feito neste País vai merecer os aplausos dos escribas reacionários e dos pequenos mussolinis das classes média e rica. Mesmo assim me arrisco a afirmar que os barões da imprensa, se tiverem de escolher, sempre optarão pelos interesses dos grandes bancos e dos trustes internacionais e dos governos imperialistas, a exemplo da Inglaterra, da França e principalmente dos EUA. Eles são autoritários, arrogantes, presunçosos com o Brasil, a África e a América Latina.

Por sua vez, falam grosso com a Bolívia e o Paraguai, e fino com os EUA e a Inglaterra. Essas pessoas se transformam em seres subservientes, venais, colonizados e pusilânimes quando tratam com seus senhores, que dominam o capitalismo em âmbito mundial e financiam e propagam a guerra por meio de invasões armadas de pirataria e rapinagem, como ocorreu e ocorre com a Líbia, o Iraque, o Afeganistão, a Palestina e a Síria, cuja oposição armada é financiada pelas potências ocidentais, por intermédio da Otan, da CIA e do Departamento de Estado dos EUA. A imprensa esportiva reacionária adentrou o gramado. Este lamentável campo, sem ter conhecimento e discernimento para meter a mão em tal cumbuca. A maioria dos jornalistas esportivos, por ideologia ou meramente oportunismo, aposta no fracasso dos eventos. Contudo, eles vão, mais uma vez, perder o jogo para o povo brasileiro

domingo, 2 de junho de 2013

Torturadores: animais em circulação



Os que me conhecem bem sabem que não sou muito condescendente com a espécie a que pertenço. Para  mim, o ser humano ainda está bem distante de atingir a um estágio que efetivamente o distinga, no que realmente interessa,   dos chamados seres irracionais. Penso que, a despeito de todas as conquistas tecnológicas e materiais,  ainda nos situamos em uma espécie de Idade das Cavernas. A inveja, a perfídia, a calúnia, a traição, a violência, o egoísmo, o preconceito nos mínimos atos de cada dia, os  genocídios que se perpetram de forma  permanente,  as guerras sem sentido, enfim, todos os repetidos atos  de barbárie   cometidos diuturnamente no planeta não me permitem uma visão otimista, mas a constatação de que, mudando-se os tempos, os cenários e os atores, o enredo continua o mesmo.

O otimismo, admito, pode ser, em muitos casos, um componente  propulsor, um móvel que traz consigo o entusiasmo para novas conquistas e a esperança de que tudo venha a melhorar. Ele é importante em alguns momentos, mas será sempre uma atitude romântica, dissociada do real. As verdadeiras mudanças,  se vierem – e cada vez acho mais complicado isso – terão que vir do juízo crítico, da denúncia, do comprometimento com a luta pelas causas comuns a todos os homens, que envolvem a superação das injustiças e desigualdades.

Esse quase desabafo vem a propósito de tema muito debatido, mas que nunca é demais repisar, somando mais uma voz à de quantos ainda têm a capacidade de verdadeiramente revoltar-se. Quando leio um depoimento como o da cineasta Lúcia Murat que, jovem ainda, no aceso dos seus vinte e poucos anos,  por buscar  um mundo mais justo, teve a sua vida marcada pela vilania de outros seres ditos “humanos”, é difícil ficar eufórico com o apregoado desenvolvimento ou progresso da Humanidade.

Procure ler na íntegra o que ela narra, episódios que passam pela ação efetiva de sádicos animalizados, entre eles militares de alta patente e médicos, que ela claramente nomeia.  Procure ler sobre os espancamentos que sofreu, sobre os choques no pau de arara que envolviam uma “viagem”  pelos seios, pela vagina, pela boca. Procure conhecer  a moderníssima técnica de interrogatório que passava pelo “passeio” de baratas pelo corpo, introduzidas na vagina.   Procure saber a verdade.

Leia o depoimento da cineasta, não esquecendo que tudo isso se fazia na mais absoluta clandestinidade, em porões da ditadura, com pessoas que, oficialmente, não estavam presas, porque essa era uma lei da repressão, para permitir a prática das torturas sem contestação, além dos convenientes “desaparecimentos”.

Quando leio os argumentos dos que defendem a validade desses métodos irracionais, confesso a dificuldade de aceitar  que a minha espécie tenha chegado à tão falada civilização...  Nada justifica a tortura. Nada. O torturador está abaixo do mais irracional dos animais, até porque não se conhece qualquer animal que torture membros da sua espécie, ou mesmo de outra. Os animais irracionais disputam território, disputam comida e matam por isso, mas não torturam. A tortura se situa em um grau inferior ao da irracionalidade.

No caso em questão, que é emblemático, submeteu-se uma jovem com seus ideais – e por causa de seus ideais – à saga de pessoas sórdidas, sádicas, que cobrem de indignidade e de vergonha aqueles a que serviam. Todos no mesmo saco. E não tem desculpa o martírio,  com choques elétricos e sevícias de todo tipo,  imposto a uma pessoa que, pelo idealismo, acreditava poder  mudar um  mundo de injustiças. É inaceitável.

A Comissão da Verdade foi criada justamente porque o inaceitável  não pode ter prescrição. Muitos desses monstros estão aí , à solta, ainda se justificando. São animais em circulação. Não podem ser nivelados aos que se opuseram à ditadura, mesmo aos que, por força da luta, praticaram a violência armada, mas não a tortura. Guerrilheiros e componentes de movimentos clandestinos contra o poder arbitrário sempre existiram, mas têm sido, historicamente,  diferenciados dos algozes que combatem. Não é por outra razão que Che Guevara é um ícone planetário, estampado como exemplo em todos os cantos do mundo, enquanto  do seu assassino ninguém conhece o nome.    

Os torturadores, com ou sem uniforme, pertencem à categoria dos seres abjetos que fazem, pela extrema maldade, um mundo pior. E se indivíduos desse quilate ainda estão soltos por aí, em circulação, têm que ser punidos. Não há, não pode haver,  anistia para a barbárie, muito menos a partir de uma lei que, todos sabemos, ainda foi votada em tempos de ditadura.

Era Tristão de Athaide, se não me engano, que costumava usar a metáfora de que os jovens são incendiários e que, quando ingressam na idade madura, viram bombeiros. Pode ser. Minha vivência me permite admitir que isso é verdade para muitos, mas não para todos. De qualquer forma,  a Humanidade tem tido necessidade desses incêndios juvenis que a fazem, de tempos em tempos, refletir sobre os seus caminhos. Que o diga a Primavera Árabe, um exemplo bem próximo.  A então jovem Lucia Murat –  como tantos outros jovens que lutaram contra a ditadura – representava  os metafóricos incendiários que atuavam nos anos 60/70, com o fogo das ideias por um mundo melhor.

Felizmente, apesar de tudo, Lúcia Murat ainda hoje mostra a incendiária  coragem dos que não se deixaram vencer , ainda que coexistindo com a covardia dos que fizeram, a ainda fazem, a apologia da indignidade, sob a confortável complacência dos nem sempre inocentes bombeiros de plantão.

Sobre o autor deste artigoRodolpho Motta LimaAdvogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.

O “Mau Dia Brasil” e os seus maus conceitos


Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

O que sai da boca deles é o que pensam os Marinho. Mas é preciso se esforçar tanto?

Eu fico a lamentar e jamais surpreso quando tenho o desprazer de assistir ao jornal “global” e matutino conhecido como “Bom Dia Brasil”, que deveria se chamar “Mau Dia Brasil”. Os jornalistas Chico Pinheiro, Renata Vasconcellos, Miriam Leitão, Renato Machado, Carla Vilhena, Alexandre Garcia e Zileide Silva se dedicam a praticar a postura oposicionista de seus patrões Marinho contra o Governo Federal administrado pelos trabalhistas, bem como se esmeram para fazer caras e bocas, que talvez nem atores profissionais e consagrados conseguissem performances tão “perfeitas” na arte de representar.

Esses jornalistas, uns por ideologia, como o direitista Alexandre Garcia, e outros simplesmente para garantir o emprego e o status social conquistado, a exemplo dos restantes já citados, vivem em um mundo à parte e coberto por uma redoma de cristal. Seu eu estiver enganado, não tenho como não fazer tais afirmativas, pois, acredito, é o que eles passam para o telespectador mais atento e por isso mais difícil de ter a cabeça feita pelos jornais de mercado, que, indubitavelmente, são os porta-vozes da direita escravagista brasileira, assim como dos banqueiros e dos trustes e governos internacionais.

A luta desses jornais e jornalistas de direita contra o desenvolvimento, a soberania do Brasil e as conquistas do povo brasileiro são de uma mesquinhez e perversidade, que não lhes permitem se orientar sobre os fatos e os momentos históricos pelos quais o Brasil e seu povo estão a vivenciar há quase 11 anos, o que, sobremaneira, é confirmado pelos números e índices econômicos gigantescos, além da sensação de bem-estar social e da crença em dias melhores por parte da população. Realidades inegáveis, até mesmo para os jornalistas que, diuturnamente, mostram, nos meios de comunicação, um Brasil derrotado, negativo, fracassado, incompetente e que não tem condições de ser o senhor de seu destino.

São pessoas que elaboram ou editam um jornalismo, sobretudo, direcionado para a classe média tradicional e, inegavelmente, para os ricos, que, intolerantes, preconceituosos e dominados que são pelos seus DNA colonizados e complexados, não aceitam que o Brasil se torne, definitivamente, um País desenvolvido e proprietário de seus interesses políticos, geográficos e econômicos. É a história a ser escrita pelo povo brasileiro e a tentativa de as “elites” alienígenas e por isto entreguistas de reescrevê-la conforme os meios que lhes são intrínsecos às suas verves: a mentira, a manipulação, a confusão e, se necessário for, o conflito a ter como essência a violência pura e simples, a exemplo do golpe civil-militar de 1964.

O “Mau Dia Brasil” é um jornal televisivo, que reflete e exemplifica toda a imprensa burguesa em geral. A imprensa racista, sectária, classista e irreversivelmente golpista. A imprensa de mercado, corporativa, que se preocupa somente e antes de tudo com os seus negócios privados. Por isto e por causa disto, temos um jornalismo que não condiz com a realidade que vivemos e muito menos retrata a competência e o dinamismo laboral do trabalhador brasileiro. É uma imprensa que confunde propositalmente o público com o privado, a opinião pública com a publicada, pois a sua verdade é a má-fé intelectual.

A imprensa de rapina e que aposta na divisão do País e na adesão da população aos seus interesses. Só que tal sistema midiático não tem programa de governo e projeto para o País. Não tem compromisso histórico com o nosso desenvolvimento, pois alienígena e totalmente voltado à edificação de uma sociedade individualista, sovina, consumista e, consequentemente, violenta. Vivemos a ditadura da imprensa, das mídias, último bastião das classes abastadas e das grandes corporações a ser superado para que o povo brasileiro possa, enfim, ter, de fato, uma democracia popular e não somente representativa, que inclua e acolha a todos, sem preconceitos de cor, classe e credo, e, por seu turno, transforme o Brasil em um País realmente desenvolvido e democrático. O “Mau Dia Brasil” tem de rever seus maus conceitos. É isso aí.




A morte de Veja e das outras semanais



Ninguém duvida da força da Internet nos dias que correm. A web está cada dia mais presente na vida das pessoas, desde aquelas que fazem suas compras online até às que buscam nessa mídia alternativa a opinião independente e o democrático debate de ideias.

O Direto da Redação, que vai completar 12 anos ininterruptos no próximo dia 3 de agosto,  surgiu exatamente com esse propósito, o de despertar no leitor uma consciência crítica sobre os problemas que afetam o nosso dia a dia. Por isso, rejeitamos a mesmice do pensamento único que nos é imposto pela mídia tradicional, representada pelos chamados “jornalões” , pelos noticiários televisivos e pelas revistas semanais, com raras exceções.

Com esse pensamento é que vou abrir o espaço da minha coluna de hoje para transcrever o artigo do jornalista Paulo Nogueira, sobre o melancólico final de uma grande revista semanal de informações dos EUA.  Paulo, que vive em Londres,  é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo. 

Deixo com você, portanto, prezado leitor, as reflexões de Paulo Nogueira sobre a agonia das revistas semanais de informação e o futuro das demais mídias.



O melancólico final da Newsweek.



Nada mostra tão bem o declínio das revistas semanais quanto a agonia da Newsweek, que durante décadas foi a influente e admirada número dois do mundo, com uma circulação de 3 milhões de exemplares.

Na redação da Veja, nos anos 1980, a Newsweek e a líder Time eram acompanhadas com rigor e com devoção pelos jornalistas, incluído eu em meu começo de carreira.

Nesta semana, soube-se que, mais uma vez, ela está à venda. Só que ninguém quer comprar os restos mortais.

A Newsweek foi virando pó com a ascensão da internet. Foi perdendo leitores, anunciantes, repercussão e, finalmente,  razão de ser.

Já nos estertores, passou do grupo que controla o Washington Post para as mãos da editora Tina Brown, que comandava então o site Daily Beast.  As duas marcas ficaram sob a órbita de Tina.

No final do ano passado, a edição impressa deixou de circular. Se não fosse o aviso, ninguém teria notado, tão irrelevante já tinha ficado a revista na Era Digital.

Agora, o site foi posto à venda. A empresa quer se dedicar à marca Daily Beast.

É difícil imaginar que apareça candidato.  No New York Times, alguém notou, melancolicamente, que não é uma revista à venda, com jornalistas: é apenas uma marca.

E uma marca de um passado longínquo. O caso da Newsweek não mostra apenas quanto a internet destruiu a indústria tradicional de mídia. (Há pouco tempo, a Time Warner tentou se desfazer de sua divisão de revistas, mas não encontrou quem quisesse comprar.)

A agonia da Newsweek revela, também, um fato duro para as companhias jornalísticas: as grandes marcas do papel não transferem seu prestígio para a internet. Não surpreende que a empresa prefira se concentrar no Daily Beast e não na Newsweek.

No Brasil, o quadro é o mesmo, com o natural atraso de alguns anos que caracteriza a mídia nacional em relação à americana e à europeia.

A principal revista brasileira, a Veja, é uma sombra do que foi. Os esforços extraordinários para manter a circulação em 1 milhão – a mesma em vinte anos – não têm impedido uma queda calculada em 4% ao ano.

Tenho para mim que o fim iminente e inevitável das revistas semanais de informação amargurou enormemente Roberto Civita em seus últimos anos.

Tenho para mim, também, que parte dos excessos da revista se deveu a uma desesperada tentativa de manter a relevância a qualquer preço.

O fato é que a internet vai transformando rapidamente as demais mídias em defuntos.

A próxima parada, liquidados jornais e revistas, é a televisão.

O futuro da tevê está na Netflix, no YouTube e na Amazon, que vai produzir conteúdo em vídeo.  Marcas tradicionais – a Globo no Brasil – vão enfrentar um processo parecido com o que vitimou a Newsweek e tantos outros títulos nobres da Era do Papel.

A Globo só consegue manter a receita publicitária – sem a qual não é nada – graças ao expediente do BV, o Bônus por Volume, que acorrenta a ela as agências de publicidade.

Mas o grilhão só se explica com audiências monstruosas. Porque é o terror de perder essas audiências – com um boicote da Globo — que faz os anunciantes aceitarem uma coisa tão ruim para eles.

Sem grandes audiências, a amarra se vai. Os anunciantes se despedirão da Globo (e do BV abominado) e vão buscar seus consumidores onde eles estão: na internet. Não no Faustão, não no Fantástico, não nas novelas.

A internet vai fazer com a Globo o que governo nenhum conseguiu fazer: acabar com o monopólio. Pela via da desaparição de expectadores.

O jornalista Paulo Nogueira, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo

Eliakin Araujo, Direto da Redação

sábado, 1 de junho de 2013

O jeito PSDB de ajudar os pobres




Autor:Rei Lux

Falta de tucanos e outras aves reduz produção de palmito juçara


 Daqui a pouco vai faltar tucano político no Brasil.





O que a extinção de tucanos em trechos de Mata Atlântica têm a ver com a oferta de palmito nos supermercados? Absolutamente tudo, diz um grupo de pesquisadores de Brasil, México e Espanha.

Em artigo publicado na última edição da revista americana Science, cientistas observaram que nos remanescentes da floresta onde a ave desapareceu há mais de 50 anos por causa de caça ou desmatamento, as sementes do apreciado - e ameaçado - palmito juçara são menores do que nas matas que conservavam os tucanos.

A relação entre as duas espécies ocorre porque a palmeira dá frutos de variados tamanhos, mas os grandes são comidos, e dispersados, somente por aves de bico também grande, como tucanos. Nos locais onde o animal foi extinto, a palmeira acaba tendo de se contentar com as aves menores, como os sabiás, para ter suas sementes dispersadas.

Só que o pequeno bico do passarinho só consegue comer os frutinhos, de modo que apenas eles vão resultar em novas árvores - invariavelmente palmeiras que só darão sementes pequenas. A conclusão dos pesquisadores é que, com o passar dos anos (talvez um século - uma mixaria em termos evolutivos), a perda da fauna está funcionando como vetor de seleção natural da palmeira, eliminando as árvores de sementes grandes.

O problema, explica Mauro Galetti, pesquisador da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro e líder do estudo, é que os frutos pequenos são mais vulneráveis porque perdem água mais facilmente que os grandes. "Se a concentração cai a menos de 20% de água, não há germinação Um perigo diante de cenários futuros de aquecimento global e redução das precipitações. Uma população inteira que dê só sementes pequenas, se ocorrer uma seca, pode não gerar nenhuma nova árvore", afirma.

"No ano passado, teve uma seca forte. Só de olhar para a mata já vimos que não germinou nada. Se isso se repetir no longo prazo, não vai mais ter palmito." Ao longo de cinco anos, até o ano passado, pesquisadores coletaram mais de 9 mil sementes de 22 populações de palmeiras, espalhadas em pequenos fragmentos e em áreas de floresta contínua da Mata Atlântica entre o Paraná e o sul da Bahia. Em sete deles - seis em São Paulo e um no Rio de Janeiro -, não havia mais sementes grandes. São justamente as áreas que sofreram o impacto humano há mais tempo.

Olhando registros históricos, pesquisadores observaram que a partir do século 19 as florestas ali foram reduzidas para produção de café e depois cana-de-açúcar. Nos mesmos locais, tucanos e outras aves grandes, como as arapongas, eram raros ou estavam localmente extintos.

Antes de concluir que a existência apenas de sementes pequenas estava ligada à ausência dos tucanos, os pesquisadores investigaram uma série de variáveis ambientais, como clima, fertilidade do solo, cobertura florestal. "Só a falta dos bichos fazia diferença", diz Galetti.

Ele lembra que o palmito juçara já está fortemente ameaçado pela ação de palmiteiros ilegais nos fragmentos de mata que ainda existem. A palmeira, por lei, não pode ser cortada. Seu consumo só pode ocorrer em condições sustentáveis. "Mas o que vemos hoje é o oposto disso. Parques da Serra do Mar têm mais palmiteiros e caçadores que turistas, pesquisadores e moradores juntos."

Por Giovana Girardi (Agência Estado)

Gurgel mostra sua fé



Roberto Gurgel, o mais controvertido dos procuradores na história da República, tomou e toma decisões que marcaram e marcarão de forma melancólica o desfecho do mandato dele na Procuradoria-Geral em agosto.
Uma dessas decisões, a mais recente, é o fato de Gurgel ter mandado para as profundezas do arquivamento a ação que envolve os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL) e João Capiberibe (PSB).  Ambos, em tese, da base governista. Na prática, não.
Gurgel, ao contrário de Geraldo Brindeiro, que engavetava tudo que o governo FHC queria engavetado, tem ido muito além do engavetar ou desengavetar. Ele deu clara noção de sua orientação política.
Há outras diferenças. Fiquemos, por enquanto, no fato de que o procurador-geral ora desengaveta, ora engaveta. Engavetou, por exemplo, o caso citado acima.
O episódio ocorreu em 1999, quando Randolfe era deputado estadual e Capiberibe, governador do estado. Nesse período, conforme denúncia feita por Fran Soares Junior (PP), Randolfe teria recebido dinheiro além do salário regulamentar para votar projetos de interesse do governador. Há conversas gravadas, periciadas, entre Capiberibe e o deputado João Brandão, com menção clara sobre isso.
Randolfe, a única flor do PSOL no Jardim do Senado, nega tudo. E justifica alguns recibos que assinou. Não justifica todos ou tudo. Há recibos, assinados por Randolfe, reconhecidos como legais por análise feita pelo perito Ricardo Molina. Há também gravações em áudio, periciadas, que reforçam a denúncia.
Se fosse possível admitir dúvidas em favor de Randolfe, seria impossível engolir o arrazoado de Gurgel que conduziu a representação para o arquivo sob a alegação de que os fatos narrados na representação “são inverídicos”.
Eis algumas razões em contrário:
– Não houve montagem dos áudios.
– O procurador-geral faz “exercício argumentativo” para deduzir que “a representação noticiou fatos inverídicos”.  Também faz descaso das provas apresentadas, indiferente ao fato de que só a perícia pode averiguar a veracidade da prova técnica.
– Gurgel foi além de sua competência. O Ministério Público analisa as questões de direito. As de fato competem exclusivamente a peritos.
– A acusação diz que não apresentou todos os recibos assinados por Randolfe, porque teriam sido recolhidos pela Polícia Federal. Gurgel poderia averiguar. Oficiaria à PF sobre os recibos e, se existissem, os submeteria a exame pericial.
Gurgel navega orientado por bússola política e com a frieza de um frade de pedra. É possível perceber a linha que norteia as decisões que toma. Não é uma linha reta. Bem avaliada, nota-se, porém, como é definida. Por isso é possível supor que, só aparentemente, a decisão beneficia Randolfe e Capiberibe. O arquivamento, falho e apressado, mantém sobre os dois um incômodo ponto de interrogação.

Mauricio Dias-CartaCapital

Aécio deve pedir desculpas aos mineiros por beber demais





Diz num dos trechos da nota emitida, na quinta-feira, por Aécio Neves:

"Pedir desculpas ao país não é humilhação, é um gesto de grandeza e responsabilidade. Como seria também repreender publicamente os membros do governo que, de forma leviana, atacaram a oposição e os que mentiram – e mantiveram a mentira- ao país sobre o episódio".Quem deve pedir desculpas aos mineiros é Aécio Neves, que tem como costume violar as leis de trânsito, cheirar pó e ficar embriagado num bar repleto de cliente.Que sujeito mais descarado esse Aécio.O cara é tão ridículo que tem o desplante de dizer na mesma nota:"Esse é mais um exemplo concreto do importante serviço prestado pela imprensa ao país, e das razões pelas quais não podemos permitir a implantação do controle de mídia defendido pelo PT".É muita cara de pau desse rei do pó acusar o PT de querer implantar o controle da mídia. Quem bem sabe fazer isso é esse improbo, que controla toda a mídia comercial de Minas Gerais e ainda cala a mídia independente, como fez com o Novo Jornal.Sujeito estúpido, enganador!

Brasil x Brazil


capitalism isnt working
“Capitalism isn’t working”, gritam milhões de europeus sobre a crise que arrasa a economia de meio mundo desde 2008. O destino da humanidade é algum formato de socialismo. Como e quando isso se dará é outra história.
E a história dá voltas. Se há um obstáculo que a impede de fluir na direção do equilíbrio social, repete o ciclo até conseguir. Leve o tempo que levar. É o caso das esquerdas sul-americanas. Golpes de estado, ditaduras, perseguição e assassinatos, censura, opressão… só adiaram a necessidade dos governos se voltarem para o resgate da cidadania de milhões.
Por que eu me preocupo com essas questões que nem atingem a mim, meus familiares e amigos? Por que eu luto para que milhões de pessoas que não conheço e jamais vou conhecer recebam algum tipo de vantagem por parte do governo? O que eu tenho a ver com o Zé que mora na favela e tem 5 filhos pra criar? Por que eu não vivo minha vida, cuidando de mim e dos meus, e que o resto que se dane?
Porque me incomoda demais que essas milhões de pessoas desconhecidas vivam na miséria. É questão de dignidade, amor próprio. É essa minha consciência, que não admite  que eu me conforme com a “sorte e destino alheios”. Poderia sair por aí distribuindo sopa pra morador de rua. Mas não sou Madre Tereza. Sei que a desigualdade social abismal em que vivemos tem origem e pode ser revertida na origem.
Nossa ditadura durou 21 anos e os governos militares foram um fracasso total. Endividaram o país, aprofundaram os abismos sociais, aparelharam a mídia em nome da Casa Grande e deixaram a senzala à sua própria sorte. E aqui estamos, novamente, correndo o risco de regredir, por conta da orquestração midiática aliada a grupos fascistóides que encrustaram-se nas fileiras do PSDB. O “plano” é desalojar o PT do poder a qualquer custo. Seja através do STF, seja através da desconstrução de todos os índices que gritam que o Brasil é um dos poucos países que melhor enfrentam a crise mundial.
Há que se admitir que depois de tantas lambanças do tipo “bolinha de papel”, os reaças se organizaram e mostram um teco de disciplina na conspiração atual. Enquanto a realidade mostra ao povo um país que tirou milhões da miséria absoluta, a ficção midiática mostra um país à beira de todo tipo de catástrofes.
Uma das frentes de ataque ao governo trabalhista do PT é a teoria segundo a qual, “trair e inflacionar, é só começar”. A mídia, instruída por alguma central golpista oculta, tenta resgatar e instalar a cultura da inflação para desestabilizar a economia – que é o pilar principal de sustentação do atual governo.
Outra vertente é a campanha “somos vira-latas sim, milorde e nos desculpamos pela arrogância de querer sediar os maiores eventos esportivos do planeta”. Aí está a chave do futuro próximo: a Copa do Mundo e as Olimpíadas. É curioso. O Brasil, eterna pátria dos melhores jogadores de futebol do planeta, é desqualificado por sua própria imprensa para realizar a competição. E quando algum jogador brasileiro se mostra acima da média, deve ser exportado o mais rápido possível. Somos vira-latas. Não merecemos que jogadores como Neymar insistam em permanecer no Brasil. Não merecemos, também, que o governo atual seja a marca da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Pior ainda: Deus nos livre de ganharmos essa Copa e de termos o melhor desempenho da história nos Jogos Olímpicos de 2016!
Não duvido nada que grupos similares ao CCC de 1968 estejam preparando “acidentes” para desmoralizar o país na Copa das Confederações. Não duvido nada de que esses grupos estejam por trás da boataria sobre o fim do Bolsa Família. A única dúvida que tenho é se eles terão sucesso em sua empreitada.

Fonte:O que será que me dá.