terça-feira, 10 de junho de 2014

Quanto mais democracia, melhor



Um fantasma ronda o Brasil: o fantasma da democracia participativa. Após a edição do Decreto n. 8.243, em 23 de maio deste ano, que instituiu uma “Política Nacional de Participação Social”e um “Sistema Nacional de Participação Social”, estranhamente, uma chuva de críticas foi dirigida ao Governo Federal. Acusam Dilma de enveredar pelo bolivarianismo.

O Decreto visa "articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil”(art. 1o).

Pelo que vi, o Decreto apenas organiza um conjunto de meios de participação que, na prática, já existem e, com isso, permite que áreas nas quais existe pouca participação aprendam com a experiência de áreas, como a saúde, nas quais há já uma longa experiência de participação.

Prevê o Decreto, como órgãos do Sistema: "I - conselho de políticas públicas; II - comissão de políticas públicas; III - conferência nacional; IV - ouvidoria pública federal; V - mesa de diálogo; VI - fórum interconselhos; VII - audiência pública; VIII - consulta pública; e IX - ambiente virtual de participação social.” Os três primeiros são dirigidos à discussão/formulação da própria política de participação. A ouvidoria já existia, na estrutura da Controladoria Geral da União. No Governo Federal existem mais de cem ouvidorias. Mesas de diálogo já são práticas comuns em vários órgãos e políticas públicas. Audiências públicas e consultas públicas estão previstas em diversas leis e, mesmo quando não expressamente previstas, já funcionam como instrumentos para aperfeiçoamento de políticas em construção. Fóruns interconselhos são recomendáveis. Como qualquer um sabe, há um número enorme de conselhos funcionando na Administração - na União e nos Estados e Municípios. Como diferentes políticas públicas podem ter implicações recíprocas (por exemplo, um programa de saúde nas escolas), é bom que existam canais institucionalizados para o diálogo entre os conselhos que participam de suas formulações. Ambientes virtuais de participação nada mais é que o aproveitamento do potencial enorme que a internet tem, para permitir mais vozes na formulação de políticas.

A celeuma criada por alguns revela que há um medo difuso de instrumentos de democracia direta em certos partidos políticos e setores da mídia.

Ao contrário dos críticos do Decreto, acho que a organização, em um instrumento normativo, das diversas formas de participação aperfeiçoa a democracia. Precisamos de mais democracia, de uma Administração mais infiltrada pela participação popular.

A Constituição de 1988 trouxe o que alguns chamam de uma “democracia semi-direta”. O Parágrafo único do Art. 1o define: "Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”. Infelizmente, poucas vezes, desde 1988, os instrumentos de democracia direta previstos na Constituição foram utilizados. Temos uma prática de consulta direta ao povo menor do que, por exemplo, os Estados Unidos.

Outras formas de participação da sociedade na tomada de decisões importantes para a Administração foram sendo introduzidas, para o bem de nossa democracia. Um exemplo elogiável é a prática, bastante difundida nos municípios, de construção participativa dos orçamentos. O orçamento participativo não está previsto na Constituição. A responsabilidade pela construção do Projeto de Lei Orçamentária continua do Chefe do Executivo, que o encaminha ao Legislativo. No entanto, ele divide a tarefa com a sociedade civil, por meio de plenárias e conferências, deixando abertos canais de participação. Ouve, mas continua com o poder de enviar a proposta ao Legislativo.

A Constituição traz já, em algumas áreas, deveres específicos para o Executivo de abertura de sua atividade à participação popular.

Na Seguridade Social - conceito que inclui Saúde, Previdência Social e Assistência Social - a Constituição deixou já institucionalizada a necessidade da participação de entidades da sociedade civil na Administração. O parágrafo único do art. 194, que institui objetivos da Seguridade Social, prevê "caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados.”. O art. 198, III, da Constituição, inclui a "participação da comunidade” como uma das diretrizes do Sistema Único de Saúde. O art. 204, II, da mesma forma, consagra a "participação da população, por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis” como uma diretriz da Assistência Social.

O Sistema Nacional de Cultura, previsto no art. 216-A - introduzido pela Emenda Constitucional n. 71/2012 - prevê como um dos seus princípios de organização a "democratização dos processos decisórios com participação e controle social”.

Caberia, aqui, o absurdo argumento de que a participação da sociedade civil organizada na Administração apenas estaria autorizada onde expressamente o constituinte a previu? Quando a participação não estaria prevista na Constituição, estaria proibida? Não vejo qualquer fundamento nesse raciocínio.

Ao ouvir a sociedade civil organizada, ao abrir à maior participação, o Executivo não altera qualquer elemento do esquema organizatório funcional previsto na Constituição. Tal qual a prática do orçamento participativo, O Presidente continua com os mesmos poderes. Será ele que, no comando da Administração federal, dará a última palavra sobre o agir do Executivo. O Legislativo não é atingido em nada.


Aliás, é bom lembrar que, no Império, eram regulares as audiências nas quais Dom Pedro II ouvia reclamações de populares contra órgãos públicos. Seria o Rei um percursor do bolivarianismo? Paciência!


Gustavo Ferreira Santos-Professor de Direito Constitucional da UFPE.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

O vídeo que a Globo bloqueou



O jornalista Tino Marcos, da Globo, deu uma entrevista ao Domingão do Faustão pedindo apoio do povo para a Copa. Faustão não gostou.A globo também não, e mandou bloquear o vídeo.Com a ajuda providencial do guerreiro Stanley Burburinho, o vídeo foi recuperado.Veja aqui o que Tino Marcos fala sobre Dilma Rousseff.Regulação da mídia, já.


https://www.facebook.com/photo.php?v=4054822544332&set=vb.1695121008&type=2&theater

É cada doido que aprece no PiG



Li ontem um artigo de um sujeito que diz ser advogado e anarco-monarquista que chega a dar pena o texto, dado a tamanha desonestidade intelectual do autor do textículo.

O nome do cara é Erick Vizolli. Vizolli possui um blog com o título LiberZone.

Vizoli, depois de fazer uma digressão história sobre a Revolução da Rússia, começa bater pesado no Decreto 8.243/2014, que trata da participação popular nos atos da Administração Pública federal.

Vizolli não gosta da sociedade civil, de democracia e muito menos do povo.

Diz Vizolli,  “sociedade civil”, para o Decreto, significa “movimentos sociais”. Aqueles mesmos que, como todos sabemos, são controlados pelos partidos de esquerda – em especial, pelo próprio PT. Não se enganem: a intenção do Decreto 8.243 é justamente abrir espaço para a participação política de tais movimentos e “coletivos”.

Diz mais o falso jurista, muita atenção a esse ponto, que é de extrema importância. O Decreto tem um conceito preciso daquilo que é considerado como “sociedade civil”. Dela fazem parte não só o “cidadão” – eu e você, como pessoas físicas – mas também “coletivos, movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”. Ou seja: todos aqueles que promovem manifestações, quebra-quebras, passeatas, protestos, e saem por aí reivindicando terra, “direitos” trabalhistas, passe livre, saúde e educação – MST, MTST, MPL, CUT, UNE, sindicatos… Pior: há uma brecha que permite a participação de movimentos “não institucionalizados” – conceito que, na prática, pode abranger absolutamente qualquer coisa.

Segundo esse doente mental, todos esses movimentos sociais são ligados ao PT.Ora, só uma pessoa totalmente afetada por uma grave doença mental para dizer uma coisa dessas.Todo mundo sabe que quem deu inicio às manifestações de junho de 2013 foi o MPL, que não tem vínculo com o PT.Todos sabem também que o MTST, que fez um acordo hoje com o governo Dilma, não é ligado ao PT, ao contrário, o movimento é liderado pelos antipetistas PSOL e PSTU. A propósito, se o Decreto combatido por Vizolli fosse aplicado logo de início essas manifestações realizadas pelo MTST não teriam ocorridos.

Mas Vizolli não parou por aí, e arrematou:

Segundo o monarquista, "a administração pública é engessada, estagnada. Não no sentido definido no artigo d’O Globo que linkei acima (demora na tomada de decisões), mas em outro: os cargos decisórios desse “poder Legislativo paralelo” passam a ser ocupados sempre pelas mesmas pessoas. Suponhamos, em um esforço muito grande de imaginação, que o PT perca as eleições presidenciais de 2018 e seja substituído por, digamos, Levy Fidelix e sua turma. Com a reforma promovida pelo Decreto 8.243 e a ocupação de espaços de deliberação por órgãos não eletivos, seria impossível ao novo presidente implantar suas políticas aerotrênicas: toda decisão administrativa que ele viesse a tomar teria que, obrigatoriamente, passar pelo crivo de conselhos, comissões e conferências que não são eleitos por ninguém, não renovam seus quadros periodicamente e não têm transparência alguma. Ou seja: ainda que o titular do governo venha a mudar, esses órgãos (e, mais importante, os indivíduos a eles relacionados) permanecem dentro da máquina administrativa ad eternum, consolidando cada vez mais seu poder".

Eu vou dizer um negócio:se cair uma chuva de cangalhas do Céu vai cair todinha nas costas de Vizolli.


A parte boa  desse trecho do  "testículo" de Vizolli é que ele admite que Dilma vai ganhar a eleição de 2014.No mais, é burrice ou desonestidade intelectual.

Ora, se Levy Fidelix(a propósito, Vizolli escolheu Levy mas quer mesmo é que Aécio vença) ganhar a eleição de 2018 é só revogar o Decreto.Simples assim.Se o presidente pode propor e aprovar emenda a Constituição, com muito mais razão pode revogar um Decreto.Portanto, não tem essa de os indivíduos permanecerem ad eternum na máquina administrativa.Até porque o objetivo do aludido Decreto não é de o individuo fazer parte da máquina administrativa, mas a de opinar sobre ações do governo, no formato do Orçamento Participativo.

Engraçado no artigo  é que Vizolli se socorre de Reinaldo Azevedo, Roberto Campos, Rui Mesquita para meter pau no Decreto 8.243/2014.Por aí se tira o nível intelectual desse maluco.

Governo federal e sem-teto anunciam fim dos protestos






O líder Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos, anunciou na tarde desta segunda-feira, 09, em uma coletiva no centro da capital paulista, o entendimento com o governo federal e o fim da jornada de manifestações em São Paulo durante a Copa.

O governo federal se comprometeu a construir 2 mil habitações populares onde está a ocupação Copa do Povo, na zona leste de São Paulo. Não serão necessárias desapropriações porque a construtora Viver será contratada pelo governo para fazer as habitações. Além disso, o governo vai formar uma comissão nacional de combate aos despejos forçados.

Ampl
O programa federal Minha Casa Minha Vida será modificado. Hoje as entidades de movimentos por moradia podem construir mil unidades de forma simultânea. Com a mudança, poderão ser construídas 4 mil unidades simultaneamente. Dessa forma, das 800 mil unidades do programa previstas, as entidades poderão construir 80 mil.

Plano Diretor

Segundo Boulos, não haverá manifestações contra a Copa. "Haverá, sim, manifestações pela votação do Plano Diretor na Câmara", disse. Boulos ainda disse que "o Plano Diretor não é só uma proposta para transformar a Copa do Povo em moradia popular, é um projeto bom para toda cidade e de interesse da população". "Não podemos deixar que interesses escusos do mercado imobiliário ditem o ritmo de trabalho dos vereadores."
Sob pressão do MTST e da própria gestão Fernando Haddad (PT), a presidência da Câmara Municipal marcou sessão para esta terça-feira, 10, às 11 horas, na tentativa de acelerar a segunda votação do Plano Diretor. Nesta segunda à noite, líderes dos movimentos de moradia vão se reunir com vereadores para pressionar por uma data final do plano.Estadão.

domingo, 8 de junho de 2014

Os bicudos de Minas Gerais estão desesperados


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Marcos Pestana(PSDB-MG), que vem a ser aquele deputado que foi preterido na disputa do governo de Minas pelo mensaleiro Pimenta da Veiga(PSDB-MG), não gostou nadinha da visita que Dilma Rousseff fez hoje à Belo Horizonte.

Como sabido, na capital mineira, Dilma inaugurou o Centro de Operações da Prefeitura de Belo Horizonte (Cop), onde ficarão concentradas as ações estratégicas de trânsito e segurança durante a Copa, e entregou 19 ambulâncias para expansão do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na cidade.

Pois bem.Marco Pestana que, ao invés de ir trocar as fraudas dos gêmeos de Aécio Neves lá no Rio de Janeiro, preferiu ficar em BH para criticar nossa presidente, disse:

"Na verdade, essas obras estão sendo feitas com recursos próprios da prefeitura de Belo Horizonte e do governo do Estado. Os valores que a presidente diz que direciona para as obras vêm da Caixa Econômica Federal, na forma de empréstimos, que deverão ser quitados pela prefeitura, com juros".

Ora, desde quando os recursos vindo da Caixa Econômica não são do governo federal? Claro que são. E para que o prefeito, o governador os obtenhas com facilidades é preciso uma ação política do governo. Sempre foi e será assim.

Outra coisa: desde quando o SAMU foi criado pelo prefeito de Belo Horizonte? Pelo que sabemos, o SAMU foi idealizado pelo ex-ministro da Saúde e hoje senador, Humberto Costa(PT-PE), no primeiro governo Lula.Não foi o PSDB-PSB quem criou.

Esses bicudos corruptos pensam que o povo é bobo.Vão pagar o que roubaram do povo, idiotas.

Essa é Copa das Copas

A Copa da não-notícia

Por Wilson Ferreira
A grande mídia esperou até o último instante, aguardando talvez alguma “bala de prata” que prejudicasse, suspendesse ou, no mínimo, colocasse em xeque a realização da Copa do Mundo no Brasil. Um evento que se tornou uma verdadeira dor de cabeça para uma mídia que assumiu explicitamente a oposição política. Mas a Copa vai começar e agora nada pode passar impune: uma nova etapa da guerrilha semiológica iniciada no ano passado se inicia. A pauta negativa, “recomendação” interna da TV Globo para todos os jornalistas na cobertura da Copa, revela uma novidade no paiol das bombas semióticas: a não-notícia. Produto das revistas de celebridades e das coberturas esportivas extensivas como Olimpíadas e Copa do Mundo, elas agora estão sendo turbinadas politicamente por meio de duas estratégias semióticas: fazer o espectador confundir causa e efeito dos acontecimentos e a armadilha da generalização nas indefectíveis enquetes.

Desde as grandes manifestações de junho do ano passado, a grande mídia (que de início execrou como vandalismo e infantilismo político para, logo depois, procurar inseri-las no plot narrativo da oposição na proximidade de ano eleitoral – mensalão, PEC 37 etc.) mobilizando uma pesada artilharia semiótica de construção de textos e imagens que sintetizem em um frame, fotograma, parágrafo, legenda de foto etc. um conjunto de percepções e fragmentos ideológicos. Chamamos esse arsenal de recursos retóricos e semiológicos de “bombas semióticas”.Continue lendo

Perderam, coxinhas!

 Turistas estrangeiros desembarcam no galeão e elogiam chegada ao Rio


RIO - A movimentação no saguão de desembarque dos Terminais 1 e 2 do Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Galeão, estava tranquila no início da tarde deste sábado. Os turistas chegaram em voos espaçados, sem tumulto nos salões de desembarque e sem formação de filas de táxis e ônibus na saída. Durante a Copa do Mundo, o Rio receberá pouco mais de 89 mil visitantes estrangeiros e outros 460 mil brasileiros, segundo estimativa do Ministério do Turismo. Pelos cálculos da Riotur serão 400 mil de fora e 450 mil brasileiros.

Logo no desembarque, os visitantes se deparavam com um estande de informações sobre a cidade e meios de transporte. Um guia também era distribuído gratuitamente aos interessados. Também nos pontos de ônibus e táxis, equipes com coletes da Copa auxiliavam os recém-chegados, dando orientações sobre seus destinos.

Rivalidades futebolísticas à parte, um grupo de argentinos elogiou o desembarque e a rapidez na imigração.

— Tudo foi muito tranquilo. Fizemos todo o desembarque em menos de meia-hora, sem qualquer confusão. Todas as informações necessárias foram dadas a nós rapidamente. Agora, é só esperar o Messi — brincou a portenha Ivana Marisquerena.

A amiga de Ivana, Paula Albertini, que estava acompanhada dos também argentinos Paulo Peres e Ezequiel Calandria, sentiu falta de uma lan house no saguão principal, mas logo viu que haviam redes de internet wi fi disponíveis.

Já o alemão Wofgang Schweiler elogiou a limpeza do aeroporto e disse ter ficado satisfeito com a chegada no Rio.

— Desembarcar no Brasil foi até melhor do que em muitos aeroportos da Europa, como o de Heathrow, que é sempre muito tumultado. As pessoas aqui estão informadas e são muito alegres, o que torna a chegada muito especial — elogiou o alemão.

Com nacionalidade brasileira e americana, Maurício Silva veio de Washington D.C. e desembarcou com o pai e o irmão. Além de visitar o Rio, sua família irá assistir a partida de Irã e Nigéria em Curitiba.

— Consegui pegar meus ingressos para os jogos no Terminal 1 e foi rápido. Daria nota 8 para este aeroporto — avaliou.

O Rio será a cidade que mais vai receber turistas estrangeiros. Segundo pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ), a média de ocupação para o período de jogos está em 82,5%, mas a expectativa é de que fique acima dos 90%, podendo chegar a 98% na partida final no Maracanã.




Read more: http://oglobo.globo.com/esportes/copa-2014/turistas-estrangeiros-desembarcam-no-galeao-elogiam-chegada-ao-rio-12759588#ixzz3443H6nIQ

Para eles, seu voto basta, e sua participação não é bem vinda





















Uma das colunas que mais presta serviço a causas obscurantistas no Brasil celebrava, esta semana, o fato de que dez partidos aliaram-se no Congresso Nacional contra o Decreto 8.243, que cria a Política Nacional de Participação Social e o Sistema Nacional de Participação Social. Participação popular, para os brutos, deve reduzir-se ao voto em urna. E pronto. O restante da atividade política é atribuição dos poderes constituídos, segundo eles. É a mesma gente que concebe o Judiciário como uma espécie de poder “moderador” dos demais poderes da República, coisa que jamais foi seu papel; o fazem, decerto, por ser esse o único poder que não é constituído por sufrágio universal. Confiam pouco no voto popular e na participação social. 


O horror que a ideia de mais participação causa na parcela da mídia alinhada à agenda de oposição não é surpreendente. Afinal, a democracia em nosso país tem-se construído apesar dessa gente, não com ela. O que considero, mesmo, surreal é partidos políticos se declararem e atuarem contra a participação popular e depois pedirem votos ao povo que alegam não ter legitimidade para monitorar, avaliar e promover o controle social das políticas públicas. É como dizer, claramente, que a legitimidade da cidadania se encerra e se resume no ato de votar – em eleições para eleger representantes nos governos e no Congresso, que fique claro.
Os dez partidos são DEM, PPS, PSDB, PR, PRB, SDD, PV, PSD, PROS e PSB
O caso mais notório, não há como deixar de reconhecer, é o do Partido Socialista Brasileiro, o PSB de Eduardo Campos e Marina Silva. Há pouco se gerou um debate, que em minha opinião era tolo, em torno do fato de que alguma liderança do partido sugeriu retirar do manifesto de fundação, um documento histórico, as referências mais claras ao marxismo enquanto horizonte estratégico – como a socialização dos meios de produção, por exemplo. Com a atual postura, o PSB já não precisa mexer em seu manifesto porque ele já não tem significado algum. É espantoso que forças políticas que pretenderam dar ares de “primavera brasileira” às manifestações de junho de 2013, inclusive conclamando a população a manifestar-se com o mesmo ímpeto durante a Copa do Mundo e que, ademais, auto proclamam-se a “nova política”, aliem-se ao conservadorismo para manter o modelo de política velho, oxidado e autorreferente contra o qual se mobilizaram milhões de cidadãos, sobretudo os jovens.
Há que se reconhecer que esta, como muitas outras, são batalhas que o Governo Federal – e o PT – postergaram, sabe-se lá os motivos, para momentos mais que inoportunos; não basta mencionar a boa e velha cantilena da correlação de forças na sociedade. A esperar por essa condição ideal na chamada correlação de forças, damos por fato a ideia de que mudanças dependem, fundamentalmente, de quem é contra elas. Batalhas podem ser pedidas ou ganhas, mas a correlação de forças só muda com discussão de ideias. E é redundante reconhecer aqui a miséria do debate político no Brasil; qual ideia, grande ou pequena, para o país está em debate hoje? Sou por demais pessimista ao não conseguir enxergar nenhuma?
O fato é que a imaginação dos nossos companheiros – sou filiado ao PT – limitou-se à elevação do tema da inclusão social e econômica à condição de estratégia de desenvolvimento mas sem apontar, no entanto, qual sociedade queremos construir e sob quais valores. E agora temos de discutir mobilidade nas cidades que ajudamos a inundar de carros, por exemplo. O problema não é da péssima qualidade da política de comunicação dos governos petistas, como comumente se diz, frente a uma mídia corporativista, oligárquica e com agenda própria; a questão é que não fomos capazes, até aqui, de trabalhar verdadeiramente a construção de significados em torno de pautas como essa da participação social. Na temática da qual me sinto mais apropriado, a juventude, não construímos uma só ideia marcante para as novas gerações. Nenhuma.
Mesmo a alegação, verdadeira, de que a Política Nacional de Participação Social como instituída no Decreto é fruto de uma construção, ela própria, resultado de amplos processos participativos e que, metodologicamente, leva-se tempo para a máxima concertação dos pontos estruturantes, eu considero que ainda não justifica a tão pouca incidência desse debate. A Copa do Mundo é um exemplo; tivemos sete anos para promover processos que dessem o devido significado à realização do maior evento comercial do mundo em nosso país, mas não o fizemos, a ponto de hoje termos de justificar diuturnamente sua realização.
À parte esse contexto difícil, o Decreto 8.243 é o marco institucional cujo teor mais dialoga com as manifestações de junho de 2013; muito mais, aliás, que as pautas conservadoras com que o Congresso Nacional buscou responder mais à mídia que aos manifestantes. Agora, é necessário enfrentar a argumentação dos que querem que a atividade política permaneça sendo um privilégio oligárquico ou de classe social. Para definir campo nesse debate, acho que a pergunta que cabe é: você daria seu voto a quem não quer que sua participação tenha validade institucional? Eu não. O figurino de Justo Veríssimo é o ideal para os políticos que são contrários a instrumentos de participação social. Para quem não se lembra, é a criação do genial Chico Anísio como arquétipo do político paroquial e corrupto. Uma de suas citações caberia bem a quem quer derrotar a proposta da Política Nacional de Participação Social. Do povo, diria Justo Veríssimo, eles querem duas coisas: o voto e distância.

Carlos Odas

Como a Globo manipula a justiça brasileira através do Instituto Innovare


O Innovare é discutido pelo comando da Globo, na sede da emissora: Roberto Irineu Marinho está de costas, de camisa axul, no primeiro plano
O Innovare é discutido pelo comando da Globo, na sede da emissora: Roberto Irineu Marinho está de costas, de camisa axul, no primeiro plano
Poucas coisas são tão destrutivas quanto uma má iniciativa disfarçada de boa.
É o caso do Instituto Innovare, com o qual as organizações Globo mantêm relações abjetamente promíscuas com o sistema judiciário brasileiro.
O Innovare é uma iniciativa da Globo alegadamente dedicada a reconhecer boas práticas nos tribunais. O que ocorre no entanto é a negação da melhor prática que pode haver em qualquer justiça de qualquer país: a distância saudável e intransponível entre juízes e mídia.
O ministro Ayres Britto é o atual presidente do conselho superior do Innovare.
Ele saiu diretamente do supremo – no qual teve trágico papel no julgamento do mensalão — para os braços do Innovare, portanto da Globo.
Na última premiação do Innovare estavam presentes Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e Roberto Irineu Marinho, presidente da Globo. A cerimônia recebeu uma cobertura extraordinariamente longa do Jornal Nacional. Foram 2 minutos e meio de reportagem.
Numa demonstração de quando é ambivalente a relação do governo com a Globo, também o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, estava lá. O Ministério da Justiça é um dos patrocinadores de uma entidade que conspurca a noção essencial de justiça.
Gilmar dá palestra
Gilmar dá palestra
Como você pode pretender que a justiça brasileira julgue qualquer processo da Globo com o mínimo de isenção? O fato é de que com seu estilo de não deixar feridos a Globo ocupou o judiciário brasileiro.
São vividas as lembranças de Ayres Britto abraçado a Merval Pereira, quando este lançou um livro sobre o mensalão. Era uma imagem repulsiva quando se pensa na independência que o judiciário tem que manter da mídia, mas mesmo assim, Ayres e Merval trataram de divulgá-la alegremente.
Fora tudo o Innovare promove palestras – uma fonte certeira de dinheiro fácil.
E quem são os palestrantes em sua maior parte? Exatamente aqueles em que você está pensando, Barbosa, Mendes e por aí vai.
Qualquer prática na justiça brasileira é insignificante se ela não for precedida da mãe de todas a boas práticas – a independência, em relação à a mídia e por extensão ao poder econômico.
O Innovare, por isso, muito mais que uma premiação, é uma chaga para o país.

Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Brasileiros deveriam sentir vergonha da imprensa, não do seu país


O jornalista Luis Nassif publica texto exemplar, no qual mostra o crime de lesa-pátria que a imprensa brasileira vem cometendo, ao incutir na população um negativismo exacerbado, fabricado, com evidente intenção política-partidária, principalmente em relação à Copa do Mundo.
O texto está reproduzido abaixo na íntegra.

Acrescento apenas a ele uma observação: o brasileiro não tem nenhum motivo para se envergonhar de seu país, que, apesar de todos os percalços, vence as dificuldades de um momento histórico delicado, com a persistência da mais grave crise econômica que o mundo já viveu desde 1929, e constrói um futuro digno e cheio de esperança para as futuras gerações. 
Mas tem todos os motivos para se envergonhar da imprensa que tem.
Segue o artigo:

Neymar chutou de chaleira a uruca da mídia

Na Internet, o jornalão envia repórteres para identificar falhas em todos os estádios. A manchete principal foi mais ou menos assim: “Estádio de Fortaleza tem vigas à mostra”. Foi a única coisa que teve para dizer. A construção do estádio, a arquitetura, a valorização do entorno, tudo foi varrido para baixo do tapete do negativismo.
Na página de cobertura da Copa desse mesmo portal, as últimas notícias são assim: “Governo reconhece que metade dos estádios na Copa terá internet lenta”, “CNN faz alerta para prostituição infantil em Fortaleza”, “Governo paga viagem e gringos sofrem tentativa de assalto no Rio”.
Os “Brasinhas” – tira que se popularizou nas redes sociais – não resistiu ao prato saboroso. O amiguinho de azul encontra outro amiguinho com bandeira dos EUA e comemora: “Ser chique, hoje, é torcer contra o Brasil”. O amiguinho pondera: “Mas... e se ele ganhar”. Ganha um catiripapo na orelha: “Deixa de pensar negativo”.

***

Ontem, quando o ex-atleta e comentarista esportivo da ESPN norte-americana, Alexis Lalas, desembarcou no Galeão, foi cercado por repórteres ávidos por más notícias. Para decepção geral, ele se declarou encantado com a estrutura encontrada.
Em sua página no Twitter elogiou a rapidez e a sinalização do aeroporto e declarou que em nenhum aeroporto dos EUA o desembaraço da bagagem foi tão  rápido. Ironizou o fato de ter desembarcado no Rio e não ter nenhum “órgão” roubado. E, depois de um passeio em Copacabana, elogiou a “gente bonita, o clima bom e a segurança visível”.

***

Há dois anos, a cobertura sistemática da Copa não reservou um espaço sequer para o feito nacional, com seus inúmeros atores, para preparar o país para a maior Copa da história. Divulgaram apenas a exceção, os problemas usuais em preparativos dessa ordem, e transformaram em regra.
Não conseguiram apenas comprometer o maior momento de marketing da história do país, espalhar a má imagem do país por todo o mundo: desprezaram  um imenso esforço conjunto juntando governo federal, governos estaduais de todos os partidos, prefeitos de capitais, Polícia Federal, Ministério Público, secretários de transporte, de segurança, técnicos em mobilidade urbana, especialistas em turismo,  bancos públicos, empresas de engenharia, fundos de investimento.

***
Em São Paulo, os esforços juntaram governo federal, estadual e municipal. Esse mesmo trabalho foi feito em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Fortaleza.
Ao jogar para baixo o moral nacional, com a única intenção de atuar politicamente, os grupos de mídia demonstraram que seus interesses particulares estão acima do próprio interesse nacional e até de seus anunciantes.
Em nenhum momento participaram de nenhuma etapa de construção desse evento. Mas se tornaram os maiores beneficiários, recebendo um volume recorde de verbas de patrocínio.

***
Julgaram que estavam cravando a bala de prata na testa de Dilma, atribuindo a ela todos os problemas, independentemente de serem da alçada do governo federal, estadual ou municipal, de clubes esportivos. Mas acertaram a bala no centro da autoestima nacional.

Mas ontem, enquanto Neymar encantava o mundo com seus passes, São Paulo parecia viver um feriado: ruas desertas para que os paulistanos esquecessem as manchetes e celebrassem o país e a Seleção. Como se dissessem, “vocês não vão matar a alegria”.

Latifundiários da mídia, tremei!



Em terras gaúchas, o governo do estado passou a reservar 20% das verbas publicitárias para as mídias locais, regionais e comunitárias. Um começo do que pode se tornar uma política pública nacional.
por Coletivo Intervozes — publicado 06/06/2014 15:09, última modificação 06/06/2014 16:59

* Por Bruno Marinoni
O Rio Grande do Sul sancionou uma nova lei que reserva 20% das verbas publicitárias do Executivo, Legislativo e Judiciário do Estado para as chamadas mídias locais, regionais e comunitárias. A medida redistribui a aplicação do dinheiro público, antes direcionada, prioritariamente, ao oligopólio midiático.
Se a lei já valesse no ano de 2013, por exemplo, no qual foram gastos cerca de R$ 52 milhões com propaganda oficial pelo Executivo Estadual do Rio Grande do Sul, teríamos R$ 10,4 milhões fomentando o desenvolvimento de pequenas iniciativas em terras gaúchas. Embora a proposta não vá além dos limites do que poderíamos considerar um misto contraditório de “intervencionismo” com “liberalismo clássico” (o Estado alimentando a fé de que o fomento da concorrência é a solução para os nossos males), a desconcentração do poder privado é uma ação importante em um setor que, ao longo de toda sua história, foi dominado pelo oligopólio empresarial e pela exploração comercial.
Os grandes grupos de comunicação no país funcionam como verdadeiros centros de gravidade que parasitam os recursos públicos. Os governos, interessados em autopromoção, injetam dinheiro nas empresas de mídia que concentram as maiores audiências, o maior número de leitores, etc. Assim conseguem mais visibilidade para os seus feitos e colhem os frutos nos períodos eleitorais. O oligopólio se fortalece e aumenta sua capacidade de concentrar público e atrair dinheiro do Estado. Está dado o círculo vicioso.
É preciso vontade política e dispositivos legais que façam com que a propaganda oficial se transforme numa política pública de fomento da pluralidade e da diversidade. A comunicação social, para a maioria dos nossos governos, é pensada como um instrumento de autopromoção, e não um direito que precisa ser garantido a todos e todas. Como resultado, tem-se o giro de uma engrenagem que concentra o poder econômico e ideológico-cultural nas mãos dos mesmos donos da mídia e o poder político nas mãos das mesmas elites regionais e nacionais. A população, em geral, é alijada desse sistema.
O passo dado pelo Rio Grande do Sul é pequeno, mas importante no sentido de democratizar a comunicação e fazer dela um direito garantido. É preciso vincular essa medida a critérios que garantam maior participação da população na formulação das políticas públicas e maior diversidade na distribuição dos meios de comunicação e dos recursos.
Em outros estados do país e no Congresso Nacional propostas parecidas estão tramitando. Vale a pena buscar saber mais e apoiar essas iniciativas para que o impacto abra uma brecha que nos permita imprimir uma dinâmica diferente na história da comunicação do país, até hoje, restrita ao âmbito particular dos interesses das elites político-econômicas.
*Bruno Marinoni é epórter do Observatório do Direito à Comunicação, doutor em Sociologia pela UFPE e integrante do Conselho Diretor do Intervozes

Aécio quer uma estátua para FHC




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sábado, 7 de junho de 2014

Pense nisso

O jornalismo imundo do PiG

Dilma inaugura viaduto de acesso ao Beira Rio no RS



Tem jeito não. A ordem do PiG é falar mal do governo até o mês de outubro.O PiG não publica uma só matéria positiva em relação ao governo Dilma, ao contrário, só negativa.Nesta matéria, a desonestidade intelectual do jornalista é flagrante. Veja que o responsável pela construção da obra é a prefeitura de Porto Alegre, mas a jornalista deixa para dizer isso lá no meio da matéria.Pior do que o Estadão é o Grupo Folha, que fez questão de abrir a chamada no Uol dizendo que Dilma inaugurou uma obra inacabada. Eu vou dizer um negócio: Dilma Rousseff é uma guerreira, não sei como suporta tanto massacre.

A presidente da República, Dilma Rousseff, participou da abertura ao tráfego do viaduto Pinheiro Borda, na manhã deste sábado, na zona sul de Porto Alegre, em rápida cerimônia ao lado do prefeito, José Fortunati (PDT), do governador Tarso Genro (PT) e de outras figuras políticas do Estado, como o ex-governador Olívio Dutra (PT). A obra inaugurada, no entanto, ainda não está totalmente funcional em seu objetivo, que é facilitar o acesso ao Estádio Beira Rio durante a Copa do Mundo.

A construção do viaduto, de responsabilidade da prefeitura, sofreu diversos atrasos e chegou a ser dúvida para o Mundial. Mesmo concluída, inicialmente só a parte superior do viaduto, no sentido zona sul-centro, vai funcionar. Consultado pela reportagem, o secretário municipal de Gestão, Urbano Schmidt, disse que falta apenas instalar a sinalização para liberar a parte inferior, no sentido centro-zona sul. "O entulho já foi tirado, agora colocaremos os semáforos", afirmou. A expectativa, segundo ele, é que tudo esteja funcionando no decorrer desta semana.
O viaduto faz parte de um projeto de mobilidade urbana que incluiu duplicações nas avenidas Padre Cacique e Edvaldo Pereira Paiva. Segundo a prefeitura, mais de 45 mil veículos circulam por dia na região. Dilma chegou ao local por volta das 10 horas, visitou as instalações e conversou com operários que trabalharam na obra.
Não estava previsto que a presidente falasse com a imprensa, mas ela alterou a programação para lamentar a morte do ex-jogador Fernandão, um dos maiores ídolos do Internacional de Porto Alegre, que também foi treinador do clube. Ele morreu na madrugada deste sábado em um acidente de helicóptero. "Fernandão era um exemplo de caráter, além de um grande jogador", disse. "Deixará saudades em todos nós."
A presidente já deixou o local e segue para a cidade de São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre, onde deve inaugurar a fábrica de semicondutores HT Micron. Dilma chegou ontem a Porto Alegre, quando participou de um evento do PT gaúcho para oficializar a chapa que terá Tarso Genro concorrendo à reeleição e de Olívio Dutra ao Senado.Estadão

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