segunda-feira, 11 de maio de 2015

Casa Grande brasileira importa escravos das Filipinas

Autor: Miguel do Rosário
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(A executiva Kely Alves, 41, com a babá de seus três filhos, a filipina Realiza Santandan, 42)
Eu vivo repetindo para meus amigos que não sou comunista. Nem socialista.

Nos tempos de faculdade, escapei desses rótulos me autointitulando anarquista, a saída mais confortável para quem não sabe o que é.

Tenho dito que sou apenas um cidadão que acredita em democracia, em justiça social, que vê o Estado como um instrumento para reparar a nossa grotesca desigualdade social.

Sou naturalmente um apaixonado pelas histórias de luta da classe trabalhadora, desde os plebeus romanos, até as marchas dos operários das minas de carvão da Inglaterra, que invadiam as cidades, braços dados, exigindo controle do preço do pão. E um estudioso de todas as revoluções sociais: a russa, a francesa, a americana, a cubana, etc.

Provavelmente tenho o que chamam de “identificação de classe”, incentivado pela modéstia do meu saldo bancário.

Às vezes, por provocação, digo que sou um capitalista “de esquerda” (uma vez falei isso a um antiesquerdista – sou amigo ao menos de um cara assim, talvez por ser ele também antitucano e antimídia – e a sua namorada, que o acompanhava, rebateu imediatamente: “são os piores!”)

Enfim, considero-me um pacato capitalista progressista, se é que isso faz algum sentido, cheios de ambições pequeno burguesas. Quero comprar um bom apartamento, viajar o mundo, beber bons vinhos, ganhar dinheiro (honestamente, óbvio), conquistar meu tempo para ler muitos e muitos livros. Quero fazer tudo isso e morar num país com justiça social, sem crianças vagando famintas pelas ruas, com um regime democrático autêntico. Essa é a minha razão de votar na esquerda.

Mas não adianta. Os amigos me lançam olhares risonhos, incrédulos, continuam a me tratar como um comunista.

Meus familiares, então, receio que alguns me achem um bolchevique sanguinário. Tudo por culpa, provavelmente, dessa cultura autoritária típica de todo continente americano, de norte a sul, em que qualquer escrúpulo social é tachado de degeneração jacobina. Até Obama é acusado, pelos radicais, de ser um vermelho. E não só por americanos. O brasileiríssimo Olavo de Carvalho também acha.

Eu não dou a mínima para o que pensam de mim. Uso um chaveiro do partido comunista apenas porque o acho bonito e prático (vem com abridor de garrafinhas longneck), e prefiro mil vezes que pensem que sou comunista do que, por exemplo, um neonazista. Ou um coxinha.

De fato, nunca estaria numa manifestação em que se pede intervenção militar, ou em que alguém, do alto do carro de som, manda Montesquieu tomar naquele lugar; não admitiria participar de algo assim nem que essas pessoas estivessem lá no final da passeata e eu no início.

Se alguém um dia me vir num protesto assim, pode me mandar internar, pelo amor de deus, que o caso é grave.

No entanto, ao ler a matéria abaixo, da Folha, sobre a importação de domésticas das Filipinas, passo a me entender um pouco mais, e também porque as pessoas me associam, com tanta desenvoltura, a certas ideologias.

É uma matéria que me leva a duvidar de minhas quiçá ingênuas convicções republicanas, e a me perguntar se eu não seria, de fato, um bolchevique enrustido, de mim mesmo. Até porque, entre pensar como essas pessoas pensam e ser um bolchevique, eu não hesitaria um segundo, e me alistaria imediatamente nas fileiras do exército vermelho.

Separei algumas frases:

- As babás filipinas são tipo os médicos cubanos, mas sem pagar pedágio para o Fidel.
(…) O casal morou 11 anos fora, em vários países. No último posto, Brunei, tinham uma empregada filipina. “[Ela] Era incrível, fazia compras, limpava, cozinhava e dirigia. Ela até lavava o carro!”, conta. “No Brasil, babá é só babá, cozinheira só cozinha e empregada só limpa.”
- (…) o povo filipino gosta de servir.
*
Diante dessa burguesia escravocrata brasileira, determinada a transmitir aos filhos esses valores (disseminados amplamente em nossas novelas), de que existem pessoas nascidas exclusivamente para lhes servir, como escravos domésticos, eu sinto vontade de rasgar meus moderados escrúpulos pequeno burgueses e gritar, com toda a força dos meus pulmões:

– Viva la revolución!

*
Reproduzo abaixo, para registro histórico.

Na Folha.

Empresa ‘importa’ babás e domésticas das Filipinas para o Brasil
PATRÍCIA CAMPOS MELLO
DE SÃO PAULO
10/05/2015 02h00
“Good morning Liza! Milk, please”. É assim que os filhos da executiva Kely Alves, 41, conversam com sua babá filipina no café da manhã.

Realiza Santandan, 42, começou a trabalhar em outubro do ano passado na casa de Kely, na zona oeste de São Paulo. Liza não fala português. As crianças, de 10, 4 e 2 anos, não falam muito inglês.

“A língua é o de menos: passaram mais de dez babás por aqui e nenhuma dava certo, porque ficavam de má vontade”, conta Kely. “A Liza está sempre bem humorada e eu preciso até pedir para ela parar de trabalhar; o povo filipino gosta de servir.”

Com dificuldade para encontrar empregadas que aceitem dormir no serviço, famílias de classe média alta estão trazendo domésticas das Filipinas.

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(Adriano Vizoni/Folhapress. A filipina Amy Villariez, 33, com a patroa Thalita Assis, 35)

A agência Global Talent já trouxe 70 filipinas para trabalharem de babá, empregada ou cozinheira. A empresa cuida da seleção das mulheres em Cingapura e da papelada no Ministério do Trabalho.

As filipinas entram no Brasil com visto de trabalho válido por dois anos, renováveis por mais dois, e ganham de R$ 1.800 a R$ 2.000 por mês.

O contratante paga R$ 6.000 para a agência e a passagem da empregada. Os patrões garantem cumprir a legislação, com limite de oito horas de trabalho por dia, folgas e benefícios como o INSS.

“A maioria dos que contratam são expatriados que querem uma empregada que fale inglês e brasileiros que moraram fora”, diz Priscila Rocha Leite, sócia da agência Home Staff, que oferece o serviço da Global Talent para as clientes da sua agência.

“As babás filipinas são tipo os médicos cubanos, mas sem pagar pedágio para o Fidel.”

O país tem tradição de exportação de mão de obra para trabalhos domésticos –são 10 milhões de filipinos no mundo todo.

“Aqui o salário é melhor, consigo mandar mais dinheiro para minha família”, diz a filipina Amy Villariez, 33, que trabalha desde dezembro para uma família no Rio. Ela sustenta a filha de nove anos e a mãe na terra natal.

Quando morava em seu país, Amy trabalhava em um supermercado e ganhava US$ 200 por mês. Depois, mudou para Cingapura para trabalhar de babá. Tinha lá só uma folga por mês e não podia nem pôr o celular para carregar, porque os patrões reclamavam do gasto de energia.

Não podia usar o wi-fi, então “roubava” a senha do vizinho. Só comia o que sobrava e ganhava US$ 300 por mês. No Brasil, Amy ganha R$ 2.000, mais R$ 100 por sábado, e folga todos os domingos. Todo mês, manda US$ 200 para casa.

“É uma vantagem minhas filhas crescerem falando inglês e acho que estou ajudando a Amy a melhorar a vida dela também”, diz Thalita Assis, 35, advogada, que vive com o marido, executivo da Shell, as filhas gêmeas de um ano e Amy na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio.

O casal morou 11 anos fora, em vários países. No último posto, Brunei, tinham uma empregada filipina. “[Ela] Era incrível, fazia compras, limpava, cozinhava e dirigia. Ela até lavava o carro!”, conta. “No Brasil, babá é só babá, cozinheira só cozinha e empregada só limpa.”

REGULAMENTAÇÃO

A importação de empregadas filipinas se tornou possível desde uma regulamentação de 2012 do Ministério do Trabalho, que permite a contratação de mão de obra estrangeira por pessoas físicas, e não apenas empresas.

O ministério ainda não tem dados exatos sobre empregadas filipinas no Brasil. Segundo Aldo Cândido, coordenador-geral de imigração no Ministério do Trabalho, o empregador precisará pagar todos os encargos, até o FGTS, quando for regulamentada a nova PEC das domésticas.

Leonardo Ferrada, 29, sócio da Global Talent, está fechando um acordo para importar mão de obra filipina para hotéis, de olho na Olimpíada de 2016 no Rio.

Tijolaço.

Yousseff é cúmplice do PSDB que a direita resolveu sacrificar para extinguir o PT

"(...) O frisson do momento é a delação premiada de Alberto Youssef. Mas quem é Youssef? Um mergulho num passado não tão distante mostra que ele foi um dos doleiros usados pelo então operador do caixa do PSDB, Ricardo Sérgio, para "externalizar", num linguajar ao gosto da legenda, propinas da privatização selvagem dos anos 1990".

"Youssef é velho de guerra tanto em delitos como em delação premiada. Já fez uma em 2004, na época da CPI do Banestado, quando se comprometeu a nunca mais sair da linha. O tamanho de sua confiabilidade aparece em sua situação atual. Está preso de novo. Quem diz é o Ministério Público: "Mesmo tendo feito termo de colaboração com a Justiça (...), voltou a delinquir, indicando que transformou o crime em verdadeiro meio de vida". É num sujeito com tal reputação que oposicionistas apostam suas fichas (...)".

{Trecho do artigo "Vazamento premiado e o fator Yousseff", de Ricardo Melo, na Folha de S. Paulo.}
Todos os seres vivos e mortos deste pequeno planeta sabem e compreendem, até mesmo os coxinhas paneleiros analfabetos políticos, quanto mais as pessoas sensatas, e, por serem assim, são realistas e sábias, que a direita partidária, sob a liderança do PSDB, certos setores do MP, do Judiciário e principalmente a imprensa de negócios privados "rifaram" para o alto o doleiro Alberto Yousseff. Porém, retiraram o colchão de ar que o impediria de se machucar na queda, bem como o traíram, porque, seguramente, tal cidadão é cúmplice e foi o arrecadador de dinheiro para as campanhas eleitorais passadas dos tucanos.

Entretanto, dentre os muitos operadores das campanhas do PSDB, duas pessoas se destacaram para arrecadar valores monetários: Alberto Yousseff e Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, operador notório das campanhas do senador José Serra e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, responsável maior pela selvagem Privataria Tucana, que visou, sobretudo, desmantelar o Estado nacional e entregar, de bandeja, o patrimônio público brasileiro construído, no decorrer de décadas, por sucessivas gerações, que jamais se recusaram a pensar o Brasil para desenvolvê-lo e, por sua vez, conquistar sua independência.

Quem conhece e é íntimo do doleiro Yousseff são os políticos do PSDB e do DEM, apesar de que na política todo mundo sabe quem é quem, o que fez e o que deixou de fazer, mesmo quando se tenta esconder, porque nos altos escalões da República tudo se vaza, por mais que haja cuidado para que informações de Estado, segredos de Justiça e crimes cobertos por uma fina camada de verniz sejam escondidos da imprensa de mercado e manipulados quando se trata de informar o grande público — a sociedade.
Os tucanos e seus principais aliados, a "grande imprensa livre" — como gostam de enfatizar certos coxinhas paneleiros, que desconhecem os bastidores da imprensa empresarial e dos partidos políticos —, o MP e o Judiciário, perceberam, e há muito tempo, que é necessário imolar alguns aliados incômodos, como o Yousseff, do que ficar também no olho do furacão, como se encontra o PT, que desde que venceu as eleições de 2014, anda não pôde respirar e muito menos ter algum momento de tranquilidade para governar e colocar em prática seu programa de governo, tão diversificado e criterioso, que levou o Partido dos Trabalhadores a governar o Brasil pela quarta vez consecutiva.

Contudo, a esquerda brasileira, progressista e desenvolvimentista, que ousou, inclusive, efetivar uma diplomacia independente e não alinhada aos Estados Unidos, apesar de saber que a direita brasileira é uma das mais poderosas e perversas do mundo, jamais pensou que, após estar no poder há 12 anos, ficaria imprensada contra o muro no dia seguinte às eleições de outubro de 2014, sem ter tempo ao menos para administrar o País e mostrar ao povo brasileiro o que está a ser feito e realizado.

Apesar de reações tímidas e setoriais por parte dos parlamentares e governantes do PT, a avalanche empresarial e direitista, com o apoio financeiro e propagandístico do governo dos Estados Unidos, transforma o Brasil, o País latino-americano mais poderoso, em um alvo de uma propaganda política virulenta, somente similar ao que houve na Argentina e na Venezuela, quando o casal presidencial, Néstor e Cristina Kirchner, e a dupla bolivariana, Hugo Chávez e Nicolás Maduro, tornaram-se alvos de uma conspiração internacional, à frente as burguesias apátridas desses dois países, que até hoje sofrem com uma forte campanha negativa orquestrada pelas mídias conservadoras e pelos segmentos mais ricos da sociedade, que até hoje conspiram contra a democracia e a emancipação desses povos.

Alberto Yousseff foi escolhido pela direita brasileira para ir à forca. Todavia, ele tem boca, língua e um cérebro que grava suas memórias. Ele "entrega" o PT, em Curitiba, a capital brasileira onde a reação à vitória eleitoral de Dilma Rousseff é mais virulenta e que tem o apoio logístico e de pessoal do próprio Estado, que a presidenta Dilma Rousseff administra e comanda. Ou se esqueceram dos delegados federais aecistas, que fizeram campanha contra o PT e atacaram, desrespeitosamente, o ex-presidente Lula? Ou do juiz Sérgio Moro, com suas decisões de primeira instância, cujo principal propósito é fazer do PT um partido proscrito, porque implicar o caixa de campanha do PT e de seus principais dirigentes à operação Lava Jato viabiliza a criminalização do partido por meio da partidarização e da ideologização da PF e da Justiça Federal do Paraná.

Porém, era só o que faltava acontecer no Brasil. Depois da truculência, da seletividade e da partidarização de juízes de direita do STF, que se basearam na armadilha jurídica conhecida por "domínio do fato", para prender, sem prova de culpabilidade, lideranças petistas históricas e de grandeza nacional, a exemplo de José Genoíno e José Dirceu, agora querem extinguir o maior e mais importante partido brasileiro de todos os tempos, organicamente inserido na sociedade em quase todos seus matizes. Um partido que não revolucionou, mas modificou, profundamente, as relações sociais e econômicas até então impostas ao povo brasileiro, que se livrou da fome, da miséria absoluta e teve acesso, sem sombra de dúvida, ao mercado de consumo, à educação e ao emprego.

De repente, o MP e a Justiça do Paraná, onde atuam políticos de oposição, que agem de forma feroz, não se preocupam com a realidade dos fatos e nem observam os limites do jogo democrático, a exemplo de Álvaro Dias, Beto Richa e Fernando Francischini, resolvem "pisar na jaca" para influenciar a política nacional, porque estão a serviço, indubitavelmente, dos interesses do establishment e das candidaturas a presidente do PSDB. Um estado que politicamente nunca liderou a política nacional e que ora se faz presente por intermédio de caprichos de funcionários públicos togados, que resolveram fazer política partidária, porque optaram pelos interesses de uma direita que não se conforma de não ter mais o controle total do status quo.

Aos estúpidos que não enxergam a um palmo do nariz, vos direi: o que está em jogo neste momento é a criminalização e o indiciamento do PT e de seus principais dirigentes, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, que, coincidentemente, venceram quatro eleições. Ambos políticos socialistas e trabalhistas, que enfrentam uma frente conservadora tão violenta, que faz com que setores importantes da sociedade vislumbrem suas quedas como políticos e mandatários e comemorem uma possível extinção do PT. Fatos estes que não ocorrerão, porque, no Brasil, viceja o regime democrático, cujo alicerce é a Constituição e o Estado de Direito. Existem instâncias judiciais mais elevadas que a do senhor juiz Moro, realidade esta que, sem dúvida, inviabilizará os desejos atávicos de vingança e de ilegalidade constitucional da direita brasileira, legítima herdeira da escravidão.

Por isto, a atenção das mídias, dos magnatas bilionários de imprensa e de seus empregados de confiança a mais um depoimento do doleiro Alberto Yousseff, em Curitiba. A imprensa burguesa espera por delações que atinjam a presidenta Dilma Rousseff para se iniciar seu processo de impedimento, bem como desconstruir a imagem de Lula, pois este político pode ser candidato a presidente, em 2018, com muitas possibilidades de vitória.

Acontece que o juiz Sérgio Moro vai ter de comer muito feijão para poder extinguir o maior partido trabalhista e de esquerda do País, sem, entretanto, ser legalmente e duramente questionado. Dizem que decisão judicial não se discute. Por sua vez, decisão político-partidária se discute. Quando um juiz resolve ser um andarilho dessas veredas tortuosas, é sinal de que ele resolveu sair de sua confortável redoma judiciária para encarar as agruras e os obstáculos da política.

Mais do que Dilma, o alvo é Lula. Temos uma burguesia que insiste em tratá-lo como "peão" de fábrica e não como um ex-presidente reconhecido internacionalmente e que saiu do poder com 92% de aprovação. Arrogante, a Casa Grande se reporta ao político trabalhista como se ele, um dos maiores presidentes que governaram a República Federativa do Brasil, fosse medrar ou simplesmente baixar a cabeça. Ledo engano. Lula tem seus defeitos, mas, seguramente, a covardia não é um deles. A verdade é que a direita que está a fazer o papel de juíza no Paraná está com muita dificuldade para provar o envolvimento dos mandatários petistas com corrupção e por isto está a rasgar a Constituição e o Código Penal.

É como se a direita, de forma uníssona, se transformasse no ex-governador do Pará e ex-ministro da ditadura militar, Jarbas Passarinho, que, de acordo com os historiadores, afirmou ao presidente, marechal Costa e Silva, quando da assinatura do Ato Institucional nº 5: "Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência". E é exatamente assim que o PSDB e seus aliados da Justiça e do MP agem e se comportam. Às favas a legalidade constitucional e a estabilidade institucional. O que vale é derrubar o PT do poder mesmo com as eleições encerradas.

Às favas os mais de 54 milhões de votos concedidos à Dilma Rousseff pelo povo brasileiro. Às favas a autoridade dos tribunais superiores, a exemplo do STF e do STJ. Às favas as decisões do STF e da PGR contra o impeachment de Dilma e o indiciamento de Lula sobre supostos crimes que os mandatários trabalhistas cometeram. Às favas o direito de defesa de quem é acusado por um doleiro criminoso, que foi preso em 2004, fez deleções à Justiça e incorreu em novos crimes, até ser preso novamente, sendo que a intenção dos togados do Paraná é incriminar o PT, derrubar a presidenta Dilma e inviabilizar a candidatura de Lula, em 2018. Só não enxerga quem não quer. Ou enxerga, mas, hipócrita, aposta no golpe e na ilegalidade.

Yousseff é dos tucanos. Sempre o foi. Doleiro velho conhecido deles. E o PSDB, os jornalistas dos magnatas bilionários e seus togados vestidos de preto fingem que não sabem dessa história. Todos a dar uma de joão sem braço. Engessar o Governo popular de Dilma é de enorme necessidade política para a oposição. Por seu turno, mais do que engessá-lo é imperativo destruí-lo para depois fazer do PT um partido extinto em pleno regime democrático e de direito. O doleiro é cúmplice do PSDB, que a imprensa de mercado e a direita partidária resolveram sacrificar. Yousseff é cria do PSDB. É isso aí.


Davis Sena Filho

Davis Sena Filho é editor do blog Palavra Livre


 Em tempo: o articulista esqueceu de dizer que o advogado de Yosseff é o senhor Antonio Figueiredo Basto, ex-ocupante de cargo comissionado no governo Beto Richa.

domingo, 10 de maio de 2015

O casamento do Dr Kalil é um retrato perfeito do Brasil.

Noivos e padrinhos
                                                      Noivos e padrinhos


Será que Lula e Dilma têm noção do desgaste de imagem que é comparecer a um casamento com tamanha ostentação como foi o do cardiologista Roberto Kalil Filho?

Presumo que sim.

E acho também que eles não faziam ideia de que o casamento atrairia tanta atenção. Era para ter uma cobertura limitada à Caras, não fosse um grupo de paneleiros que irrompeu, para alegria da imprensa.
O noivo é evidentemente alguém apaixonado pelo poder. Em seu primeiro casamento, nos anos 1980, os padrinhos foram o general Figueiredo, o último da ditadura, e Maluf, em quem se via então um bom potencial para chegar ao Planalto.

Agora, os padrinhos foram Lula, Dilma e Serra.

Caso haja um terceiro casamento, bastará ver quem estará na presidência.

Minha reflexão número 1, ao ver este tipo de coisa, é: que falta faz um Mujica no Brasil.

Simplicidade, simplicidade e ainda simplicidade. O exato oposto do que se viu ontem no casamento.
E hipocrisia em doses colossais.

O jornalista Ricardo Noblat, presente, postou uma foto em que sua mulher sorri, triunfalmente, ao lado de Dilma, as duas em cintilantes vestidos de noite.

Como tantos articulistas da Globo, Noblat vive de bater em Dilma e em Lula. Foi ele que, pouco tempo atrás, escreveu que Dilma tinha tido uma guerra de cabides com uma empregada.

Noblat escreveu na ocasião: “Uma pessoa que não ama seus semelhantes, ou que não sabe expressar seu amor por eles, não pode ser amada.”

Mas, pelo visto, pode ser bajulada, ou se deixar bajular.
Dilma com Rebeca Noblat
                                    Dilma com Rebeca Noblat


Dilma não teria como fugir de uma foto tão repulsiva pelo cinismo sorridente? Existe, é claro, a possibilidade de que ela não soubesse de quem se tratava.

Fora disso, é incompreensível e, para mim, inaceitável.

Na noitada paulistana, genuínos mesmo em sua estupidez e ignorância desumanas, apenas os paneleiros que foram gritar as bobagens de sempre que lêem na mídia que os imbeciliza e os manipula.

O casamento de Kalil é um retrato da promiscuidade política que tanto atrapalha o avanço social do Brasil.

É muita confraternização e pouco atrito. E sem atrito, sem confronto, você não remove privilégios e mamatas que fizeram do Brasil uma das eternas capitais mundiais da desigualdade.

Jamais entendi o seguinte.

Roberto Marinho foi um dos patronos do golpe, e um dos responsáveis pelos mais de vinte anos de duração de uma ditadura cheia de mortes, torturas e perseguições.

Depois, manipulou um debate que custou a Lula uma eleição.

E o mesmo Lula, ao chegar enfim ao poder, não apenas comparece ao enterro de Marinho e faz um elogio fúnebre inteiramente dissociado da realidade como decreta luto oficial de três dias.

Enquanto isso, no mundo das coisas concretas, o governo do PT continuou, ano após ano, a colocar meio bilhão de reais em publicidade na Globo – um dinheiro que financiaria o exército de Mervais, Jabores, Kamels, Wacks et caterva.

Você entende?

Eu não.

Ah, sim. Faltaram os irmãos Marinhos no casamento de Kalil.

Mas eles estavam representados por Noblat e sua mulher, aquela da foto festiva com Dilma.

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Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

A República dos Patetas

Eram três os patetas, Moe, Larry e Curly.

Isso lá nos Esteites. Por aqui, Jô Soares anuncia, para horror das velhas meninas, que no Brasil, quais Gremlins, os patetas se multiplicaram em progressão aritmética. Temos uma verdadeira República de Patetas, disse o ex-gordo.

Aécio, napoleônico, seria o presidente dessa patética república. Uma nação paralela, que vive os simulacros da mídia velha como se fossem a realidade.

Acometido por delírios e alucinações, o neto de Tancredo tenta se livrar do destino do avô, aquele que foi sem nunca ter sido.

Por isso, o jovem Neves já avisou que ele é o verdadeiro presidente, o legítimo. Como se estivesse em um sanatório, tomou posse, botou faixa presidencial e passou a fazer discursos enfurecidos contra a “outra” presidenta, a leviana.

Obstinado e obcecado por arrancá-la do palácio à força e lá se aboletar, olhos vidrados; essa é a cachaça dele.

A população dessa republiqueta, essa patota, é formada por homens de bens, que se auto intitulam homens de bem. Uma malta de sonegadores de impostos que bravateiam contra a corrupção dos outros e se calam ao verem professores sendo torturados em praça pública.

Os patetas andam sempre em bando por ruas e avenidas, vestidos como jogadores de futebol, xingando os mais inomináveis palavrões enquanto rezam o terço e cantam o hino brasileiro, tudo ao mesmo tempo.

Quando há pronunciamentos oficiais da chefe do Estado real, os democráticos patetas debruçam-se sobre suas varandas gourmet e dão colheradas no fundo das caçarolas.

Depois de muito bater panela, madame se senta e vê a novela. Aliviada, cumpridora do cívico dever.

Os mais notáveis representantes dessa republiqueta é um adolescente de ascendência asiática de nome Kim, um roqueiro decadente de barba encanecida, uma jornalista justiceira, uma piriguete da alta sociedade, um mauricinho mentiroso, um comediante sem graça, um deputado-pastor gay e homofóbico, um batman de araque e um bombadão de cérebro anabolizado.

Patético, o Pequeno Kim mostra a bunda flácida enquanto caminha até Brasília para... para quê mesmo? Ah, para pedir o impedimento da presidenta.

Os Revoltados Online se converteram numa fajuta igreja eletrônica, estão sempre a pedir grana a seus fiéis, os Retardados Online, dizem que é para pagar trios elétricos e carros de som, eles apreciam a arte de fazer barulho.

O licantropo roqueiro escreveu as bases filosóficas que doutrinam a patetada, o livro chama-se Manifesto do Nada na Terra do Nunca, uma joia.

Perturbado e contraditório, o encanecido roqueiro atira pedras nas empresas públicas com a mão direita e com a mão esquerda pede patrocínio a estas mesmas estatais, para os seus shows cada vez mais vazios.

A socialite piriguete vai à Miami e mostra, com exclusividade, a nova loja da Barbie, toda vestida de rosa, como uma bonequinha. Tudo que é fútil lhe é útil.

Pululam musas loiras a despir-se em avenidas no que eles chamam de protestos, exibindo silicones, botoxes, lipos e cartazes: “vai pra Cuba, vai pra Venezuela, vai pra União Soviética... vem pra rua.

Na República dos Patetas, a mídia faz o jogo sujo de mentir, omitir e entreter os midiotas. Ninguém se importa, os patetas odeiam a realidade. Só acreditam no próprio delírio. Nada é levado à sério.

A jornalista que ontem, sisuda, era âncora do jornal mas patético da TV, hoje faz pole dance pelas manhãs no mesmo canal, sorridente.

É xingar palavrão e rezar o terço.

Nunca contradiga um pateta, isso pode lhe custar algumas patadas. Eles são como o cachorro do Beto Richa, rangem os dentes e mordem qualquer um que queria lhes revelar a realidade.

Palavra da salvação.

Lelê Teles

Jornalista e publicitário. Roteirista do programa Estação Periferia (TV Brasil), apresentador do programa Coisa de Negro (Aperipê FM) e editor do blog FALA QUE EU DISCUTO


Depois de Dilma, Lula

 
O ex-presidente, ainda dono de um capital eleitoral extraordinário, é para o PT candidato inescapável em 2018


É um fato notório que Lula intensificou e mudou a agenda para voltar ao cenário, com força e vontade, em um dos momentos mais conturbados do processo político. Cabe perfeitamente nesta nova rotina do ex-presidente o discurso feito em 1º de Maio, no Vale do Anhangabaú, na capital paulista, quando jogou no ar duas afirmações capazes não só de intrigar os eleitores em geral, animar os “queremistas” em particular, como também de deixar a oposição pálida de espanto.

Inicialmente, o valente metalúrgico emergido das históricas jornadas de greves no fim dos anos 1970 insinuou: “Não me chame para a briga, que eu sou bom de briga. Não tenho intenção de ser candidato, mas gosto de brigar”. Posteriormente, com a voz mais inflamada, afirmou: “Eu volto. Está aceito o desafio”.

Não parece apenas um jogo verbal de palanque com irônico conteúdo. Pela primeira vez, de público ao menos, Lula encara o tema e não descarta a possibilidade de voltar a disputar a eleição presidencial de 2018. Faz sentido o que ele disse? Sim. Há razões fortes para acreditar no retorno de Lula à peleja. Suas palavras não soaram somente como ameaça e, por isso, tem se mantido como alvo preferencial da mídia conservadora. 

Lula precisa proteger a cria. O Partido dos Trabalhadores atravessa uma crise brutal, a partir das confusões em que se meteu. Fragilizado, sofre ataques pesados dos adversários e, eventualmente, de certos aliados.

Os petistas estão sendo caçados. Os desacertos partidários, estimulados pelo ódio de classe, favorecem isso. Só a força singular do ex-presidente pode resgatar o PT e restabelecer as virtudes de uma agremiação que completa 25 anos de vida.

A pesquisa Datafolha de meados de abril tem informações importantes em torno da eleição. Apesar do fogo pesado que sofre, se o pleito fosse hoje, Lula teria 29% das intenções de voto. Quase um empate técnico com Aécio Neves, com 33%.

Mas há outro reforço para o potencial eleitoral do ex-presidente. Na resposta à pergunta sobre o melhor presidente do Brasil, ele tem vantagem folgada sobre FHC. A sondagem indicou outra incômoda resposta: Getúlio Vargas (1883-1954), quase 60 anos após a morte, mantém honrosos 6% (tabela). 

Lula e Vargas são bons vinhos da mesma pipa. 

Com esse capital, Lula não pode pensar em simplesmente ir para  casa, após Dilma cumprir mais quatro anos de mandato. Além dele, não há alternativa nos quadros do PT, considerando, principalmente, a conjuntura adversa. Alguém pode apontar um só outro nome consistente, capaz de bom desempenho no confronto eleitoral com a direita?

Lula aposta que, em 2018, a economia estará recuperada. Esse seria fator fundamental. A recuperação é tão essencial como o conselho de Maquiavel ao Príncipe: se tiver de fazer o mal, deve fazê-lo de uma só vez. 

É o caso do controvertido ajuste fiscal?

Governo PT x PSDB

Os tucanos corruptos estão apresentando umas inserções com o fim de desgastar Dilma e o PT.São cínicos, filhos das putas Vamos comparar quem causou mais danos ao país nesses últimos 24 anos. 

Não tem comparação.


Governo do PT na visão do PSDB:




Governo do PSDB na visão de toda sociedade brasileira:


sábado, 9 de maio de 2015

Boa tarde

O golpe para privatizar a Petrobras funciona assim

Coxinha fofinha


Reguffe defende concurso público para ministros do STF, STJ e TCU

Eu apoio essa ideia.

Da Redação | 07/05/2015, 15h33 - ATUALIZADO EM 07/05/2015, 17h07

Momentos após a promulgação nesta quinta-feira (7) Emenda Constitucional 88, oriunda da PEC da Bengala (PEC 42/2003), que ampliou de 70 para 75 anos a idade de aposentadoria obrigatória de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), demais tribunais superiores e Tribunal de Contas da União (TCU), o senador Reguffe (PDT-DF) defendeu em Plenário o preenchimento desses cargos por meio de concurso público. A inovação consta de proposta de emenda à Constituição (PEC 52/2015) de sua autoria, apresentada esta semana.

— O Judiciário hoje sofre um total tráfico de influência, onde interesses os mais variados tentam predominar. É claro que há juízes e ministros sérios e independentes. Mas não é correto um modelo onde o indicado vai julgar as ações de quem o indicou. Isso não é bom para a democracia e a sociedade brasileira — disse Reguffe.

Além dos ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do TCU, a PEC 52/2015 estabelece a exigência de concurso público — de provas e títulos — para escolha dos conselheiros dos Tribunais de Contas dos estados e dos municípios. Outra novidade é a nomeação dos selecionados para mandatos de cinco anos.

— Com o mandato de cinco anos, mais pessoas neste país vão ter oportunidade de chegar aos tribunais superiores. A vitaliciedade não é boa. É preciso oxigenar o sistema — afirmou Reguffe.

A PEC 52/2015 está em tramitação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), mas ainda não há indicação de relator.

Mujica: 'Lula jamais falou em mensalão comigo

  

"Lula jamais falou em mensalão nas conversas comigo. Uma vez me disse que, por ter uma minoria parlamentar, o chantageavam. Se os jornalistas escreveram isso, é por conta deles. Aliás, nunca falei com nenhum presidente ou com qualquer brasileiro sobre mensalão. E olha que já falei com muitos brasileiros", disse o ex-presidente do Uruguai, José Mujica, ao jornalista Rodrigo Cavalheiro; "Ele me falou das pressões e das chantagens, pedidos ou exigências de governos e políticos locais para dar os votos que o governo precisava, em certa medida", completou; segundo Mujica, Lula foi o exemplo que seguiu no período em que governou o Uruguai; "Tomei Lula como modelo, um progressista que nunca procurou a tensão. Agora vemos no País uma tensão que não é benéfica para o Brasil


247 - O ex-presidente do Uruguai, José Mujica, concedeu uma entrevista ao jornalista Rodrigo Cavalheiro, do Estado de S. Paulo, em que encerrou a polêmica criada pelo jornal O Globo, que ontem relatou uma suposta 'confissão' relacionada ao chamado 'mensalão' (saiba mais em 'Confissão' de Lula a Mujica é mais um crime de imprensa).

"Lula jamais falou em mensalão nas conversas comigo. Uma vez me disse que, por ter uma minoria parlamentar, o chantageavam. Se os jornalistas escreveram isso, é por conta deles. Aliás, nunca falei com nenhum presidente ou com qualquer brasileiro sobre mensalão. E olha que já falei com muitos brasileiros", disse Mujica.

O ex-presidente foi mais específico sobre as pressões recebidas por Lula. "Ele me falou das pressões e das chantagens, pedidos ou exigências de governos e políticos locais para dar os votos que o governo precisava, em certa medida. Mas nada de dinheiro ou de corrupção. [Falava] de troca de favores, de empregos nos Estados, de obras públicas. Disse que elas lhe custaram muitíssimas dores de cabeças."

Em outro trecho da entrevista, Mujica afirmou que o governo Lula foi o modelo que ele tentou seguir no Uruguai. "Tomei Lula como modelo, um progressista que nunca procurou a tensão. Agora vemos no País uma tensão que não é benéfica para o Brasil."

Mujica falou ainda sobre o movimento que pede o impeachment da presidente Dilma Rousseff. "O Brasil parece ter meios de multiplicar a pressão sobre os governos. Há uma técnica, teorizada inclusive, que está sendo aplicada no País. É uma tática para atingir um governo civil sem usar a violência. É um golpe sem armas, sem usar a violência. Se aproveitam de falhas do caráter humano para poder derrubar um governo que acaba de ser reeleito."

Guilerme Fiuza é um canalhão



Há gente que não merece nem uma cuspida na cara, de tão suja que já é.

Esse é o caso de Guilherme Fiuza, o fracassado autor-ator de seriados da Rede Globo.

Mesmo já sabendo do desmentido da notícia sobre a tal confissão de Lula à Mujica, no portal das Organizações Globo, o G1, esse moleque safado, amante de uma dama tão casta que apareceu na TV bêbada e mostrando os belos seios, usa o espaço em que escreve, no Globo, para repercutir ainda mais uma notícia mentirosa.

Segundo o verme Fiuza, o ex-presidente bonzinho do Uruguai, José Mujica, contou que o ex-presidente bonzinho do Brasil, Lula da Silva, se sentiu culpado pelo mensalão. Está registrado e agora publicado em livro: segundo o companheiro Mujica, Lula lhe confidenciou que o mensalão era “a única forma de governar o Brasil”. 

Como já afirmado pelo autor do livro, o que Lula disse a Mujica é que é difícil governar o Brasil sem conviver com chantagens e 'coisas imorais.E é verdade isso.Com um Congresso achacador feito o do Brasil é muito difícil governar esta porra.Fiuza sabe disso, ocorre que é tão desonesto intelectualmente que prefere mentir a dizer a verdade.

O factoide sobre Mujica e o mensalão é mais um golpe baixo para atingir Lula 2018


 
Eles

 A campanha contra Lula 2018 produziu mais um capítulo infame. O Globo “revelou” que Lula teria dito a Pepe Mujica que sabia do mensalão. A história teria sido tirada da recém-lançada biografia de Mujica, “Una oveja negra al poder”, dos jornalistas uruguaios Andrés Danza e Ernesto Tulbovitz.

O trecho que serviu para esquentar a matéria desmente a manchete. Hove uma reunião em Brasília nos primeiros meses de 2010. Segue o que se passou:
‘Lula não é um corrupto como Collor de Mello e outros ex-presidentes brasileiros’, disse-nos Mujica, ao falar do caso. Ele contou, além disso, que Lula viveu todo esse episódio com angústia e com um pouco de culpa. ‘Neste mundo tive que lidar com muitas coisas imorais, chantagens’, disse Lula, aflito, a Mujica e [o vice] Astori, semanas antes de eles assumirem o governo do Uruguai. ‘Essa era a única forma de governar o Brasil’, se justificou. Os dois tinham ido visitá-lo em Brasília, e Lula sentiu a necessidade de esclarecer a situação.
A frase sobre “a única forma de governar o Brasil” é um complemento daquela sobre “as coisas imorais, chantagens”. Você precisa de uma dose grande de má fé para enxergar a tal “confissão” ou o sonhado “Eu sabia”.

O próprio Danza declarou ao G1: “O que Lula transmitiu ao Mujica foi que é dificil governar o Brasil sem conviver com chantagens e ‘coisas imorais’”.

Danza e Tulbovitz trabalham na revista Búsqueda, que, na descrição do jornal, é uma das “semanais mais respeitadas do Uruguai” (é remotíssima a possibilidade dos jornalistas do Globo haverem folheado uma Búsqueda na vida).

Eles acompanham a trajetória de Mujica desde 1998 e afirmam que tiveram encontros pessoais toda semana. As conversas foram utilizadas na obra de 303 páginas.

Mujica fala bem e bastante e o livro tem diversas passagens que, retiradas do contexto, viram fofocas ao gosto do freguês. Sobre seu vice Danilo Astori, por exemplo: “Falta-lhe sex appeal. Sempre está para ser presidente e vai continuar aí porque não tem picardia, lhe falta maldade. Danilo não tem isso, é puramente racional e não alcança o coração das pessoas. Ele pode ser admirado, não amado. Outro problema que tem é falar uma língua que as pessoas não entendem um caralho. Isso é um pecado capital para ganhar votos.”

A respeito de seu sucessor Tabaré Vásquez: “Outro dia eu o vi perto de Anchorena sem nenhuma maquiagem. Tabaré é dos que se produzem. Mas eu o vi sem nada e está velho. Psicologicamente, ele e Astori estão mais velhos do que eu. Ser jovem é um pouco louco e Tabaré não vai cometer nenhuma loucura”.

O ex presidente Julio María Sanguinetti é “um capo, um encantador de serpentes”. Depois do episódio em que chamou Cristina Kirchner de “velha” e o marido Néstor de “caolho”, Mujica teria falado em seu país: “Eu caguei. Estraguei tudo, puta que o pariu”.
E por aí vai.

O Institulo Lula não respondeu, por enquanto. Mujica provavelmente não vai falar nada porque não há nada a falar. Segundo a biografia, ele quase não usa computadores. “Estou cansado de ler idiotices”, diz. Batata.

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Sobre o Autor
Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Desembargador de Pernambuco quer mamar por mais cinco anos

 Que país é esse, onde os próprios aplicadores da lei fazem de tudo para violá-la?


Pernambuco 247 - Os desembargadores pernambucanos são os primeiros do país a aderir à PEC da Bengala, que alterou de 70 para 75 anos a idade para aposentadoria compulsória. Apesar da PEC da Bengala, aprovada esta semana pelo Congresso, tratar apenas dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Tribunal de Contas da União e tribunais superiores, uma liminar foi concedida para que o desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) Nivaldo Mulatinho de Medeiros Correia Filho tenha o direito de se aposentar somente aos 75 anos.

O desembargador conseguiu no dia anterior em que completaria 70 anos um mandado de segurança, assinado pelo também desembargador Bartolomeu Bueno, proibindo que o TJPE desse início ao seu processo de aposentadoria. "Defiro a liminar perseguida no sentido de determinar que a autoridade indigitada coatora se abstenha de aposentar o impetrante aos 70 (setenta) anos de idade, até o julgamento da presente Ação Mandamenta", disse Bueno em sua sentença.

Segundo a alegação do desembargador, a carreira da magistratura tem caráter nacional, o que asseguraria que ele tivesse os mesmos direitos dos ministros das cortes mais altas.

"Entende que, com a aprovação e promulgação desta emenda pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, ele, impetrante, adquiriu o direito de ser mantido no cargo que hoje ocupa, não mais podendo ser compulsoriamente aposentado aos 70 anos, que completará no dia 08 de maio de 2015. Afirma o impetrante, que, por se tratar de magistrado deste Tribunal de Justiça, sua aposentadoria compulsória somente poderá ocorrer aos 75 anos, com fundamento no citado aludido artigo 40 da CF/88, com a nova redação dada pela Emenda Constitucional nº 88/2015", justificou Bueno em sua decisão.

Boa noite

Ocupando os pesadelos de Geraldo Julio(PSB-PE)



Viva o Ocupe Estelita!


CHUPA PETRALHAS!"


Algo havia acontecido. De repente, dezenas de tweets, comentários no Facebook e mesmo mensagens inbox chegavam trazendo o grito de guerra da neo-direita. Havia algo errado. Além, claro, do erro na concordância verbal e da falta de vírgula e de argumentos.

Curioso, fui diretamente ao UOL - pois se há um lugar que é repositório constante de retórica reacionária, é este portal (eu poderia ter ido ao site da Veja, mas a Vigilância Sanitária barrou o acesso a este título aqui no meu escritório).

Em dez segundos, a causa da gritaria: "Lula confessou a Mujica que sabia do mensalão".

Uau. "Realmente, esta era uma informação bombástica.", pensei. "Claro, não fazia o menor sentido: MESMO que soubesse, por que Lula confessaria algo assim a Mujica? E MESMO que Lula tivesse confessado, por que Mujica revelaria isso? Mas certamente o UOL não publicaria uma mentir..." HHAHAHAHAHAAHHA.

Respirei fundo, parei de rir e cliquei na notícia. Ou "notícia".

Vi que a informação havia sido gerada no Globo e extraída da biografia de Mujica escrita por dois autores uruguaios. Li o trecho que os jornalistas de O Globo usavam como prova de que Lula sabia do mensalão.

De imediato, notei que as frases pareciam tiradas do contexto original. Notei também que a manchete trazia a palavra "confissão" sem aspas, mas que a matéria em si usava as aspas, o que era revelador. Finalmente, percebi que os "jornalistas" (com aspas) haviam inserido um "(o mensalão)" antes de uma frase na qual Lula confessaria ter sido obrigado a lidar com algo. Também revelador. Se eu quisesse colocar um "(o dildo gigante)" na mesma frase, poderia, claro - e a notícia ficaria ainda mais chamativa. Mas isto não a transformaria em realidade.

Pensei em escrever algo sobre o assunto, mas fiquei com preguiça. É CLARO que se tratava de uma matéria mentirosa. Sim, havia sido reproduzida por veículos que supostamente deveriam ser referência de bom jornalismo, mas há muito desisti de ver isso no Brasil, um país onde todas as principais emissoras de tevê, publicações impressas e portais na Internet reproduzem o modo "Fox News" de operar.

As mensagens de "CHUPA PETRALHAS" continuaram. Eu poderia apontar que o fato de ser de esquerda não faz de mim um "petista", mas a vontade de corrigir a concordância era ainda maior e eu havia resistido. Deixei pra lá.

Tuitei (ei, me "SEGUE LEITORES": http://www.twitter.com/pablovillaca) que o Globo estava claramente manipulando a informação e imediatamente fui chamada de "canalha" por alguns integrantes desta neo-direita que ama insultar e teme argumentar. Um deles chegou a dizer que estava com o livro à sua frente e que confirmava a informação. Eu e outros leitores pedimos fotos do livro, mas ele disse apenas que "petista era tudo preguiçoso". Pensei em novamente apontar a diferença entre ser de esquerda e ser petista, mas a construção da frase me incomodava mais e ainda assim ignorei o impulso.

E, então, um dos AUTORES do livro se manifestou oficialmente. Desmentindo a informação de O Globo, é claro, e afirmando categoricamente que Lula nada falou sobre o "mensalão". (Para aqueles que ainda se interessam por um conceito chamado "fato", um dos links para o desmentido é http://g1.globo.com/…/lula-diz-que-teve-de-lidar-com-coisas…). 

Por alguns segundos, considerei que todos aqueles que reproduziram a "confissão" de Lula deveriam estar embaraçados: Noblat, colunistas da Veja, "jornalistas" de UOL, Globo, etc. Certamente ficariam envergonhados por terem espalhado uma informação calunios.... HAHAHAHAHAAHAHA.
Ai, ai. Eu me divirto sozinho.

Pensei no estado da imprensa brasileira: 

O Globo divulgou que Lula havia confessado saber sobre o mensalão. Um dos AUTORES do livro no qual a "confissão" estaria DESMENTIU.

Época divulgou que o Ministério Público estava investigando Lula. O Ministério Público DESMENTIU.

Sherazade disse que black blocs haviam sido presos entre os professores no Paraná. A Defensoria Pública do estado DESMENTIU.

E, ainda assim, esta neo-direita brasileira abraça esta mídia e espalha as informações mentirosas em páginas e perfis no Facebook e no Twitter - sempre acompanhadas de insultos a qualquer um que aponte os erros factuais. E ainda assim esta neo-direita não hesita em afirmar sempre "agir em nome da ética e contra a corrupção".

Certamente devem sentir vergonha diante da hipocris... 

HAHAhaaaaa... Interrompi a gargalhada.

A situação era triste demais para despertar o riso.


Pablo Villaça

Esse é o deputado canalha que gosta de bater em mulher



Uma produção do sempre ousado Soldadinho de chumbo.#LuteComoMulher
Posted by Jandira Feghali on Sexta, 8 de maio de 2015

Mais uma mentira das Organizações Globo cai por terra

'Confissão' de Lula a Mujica é mais um crime de imprensa




Digam-me, o que falta para o governo do PT regulamentar os meios de comunicação?

O jornal O Globo cometeu nesta sexta-feira 8 um crime de imprensa contra o ex-presidente Lula, que já foi alvo, no fim de semana, de uma reportagem de capa comprovadamente mentirosa da revista Época, do mesmo grupo. De acordo com matéria do jornal, intitulada "Mujica, em livro, relata confissão de Lula sobre mensalão", o ex-presidente brasileiro teria dito ao ex-presidente uruguaio, sobre o escândalo, que "essa era a única forma de governar o Brasil".

A associação ao caso do 'mensalão', no entanto, foi negada pelo jornalista Andrés Danza, um dos autores do livro-reportagem "Uma ovelha negra no poder", que relata os cinco anos de governo de Pepe Mujica. Segundo ele, Lula não se referia a esse caso específico quando declarou a Mujica já ter lidado com "muitas coisas morais" e "chantagens" e que "essa era a única forma de governar o Brasil".

"Não, Lula estava falando sobre as 'coisas imorais' e não sobre o mensalão. O que Lula transmitiu ao Mujica foi que é difícil governar o Brasil sem conviver com chantagens e 'coisas imorais'", escreveu Danza, por e-mail, em resposta ao portal G1, curiosamente do mesmo grupo. De acordo com a reportagem, o Instituto Lula informou que não iria se manifestar sobre o livro. No livro, que será lançado no Brasil "em poucos dias", de acordo com Danza, Mujica elogia Lula, dizendo que ele não era corrupto.

Leia abaixo o trecho do qual o jornal O Globo tirou a conversa, o comentário do blog O Cafezinho sobre a interpretação, afirmando que não houve "confissão" nenhuma, e nota do Instituto Lula, que destacou que a matéria do Globo foi desmentida pelo G1, site que também pertence às Organizações Globo:

"Lula teve que enfrentar um dos maiores escândalos da História recente do Brasil: o mensalão, uma mensalidade paga a alguns parlamentares para que aprovassem os projetos mais importantes do Poder Executivo. Compra de votos, um dos mecanismos mais velhos da política. Até José Dirceu, um dos principais assessores de Lula, acabou sendo processado pelo caso.

'Lula não é um corrupto como Collor de Mello e outros ex-presidentes brasileiros', disse-nos Mujica, ao falar do caso. Ele contou, além disso, que Lula viveu todo esse episódio com angústia e com um pouco de culpa. 'Neste mundo tive que lidar com muitas coisas imorais, chantagens', disse Lula, aflito, a Mujica e Astori, semanas antes de eles assumirem o governo do Uruguai. 'Essa era a única forma de governar o Brasil', se justificou. Os dois tinham ido visitá-lo em Brasília, e Lula sentiu a necessidade de esclarecer a situação."


NOTA À IMPRENSA
Site G1, da Globo, desmente matéria de O Globo sobre Mujica e Lula

São Paulo, 8 de maio de 2015,

O site de notícias G1, das Organizações Globo, ouviu Andrés Danza, um dos autores do livro "Una oveja negra al poder", sobre o ex-presidente do Uruguai, José Mujica. O autor desmentiu qualquer tipo de "confissão" sobre o mensalão e portanto negou a manchete publicada hoje por O Globo.

O autor foi perguntado sobre matéria e respondeu que Lula e Mujica não estavam conversando sobre o mensalão quando Lula se referiu a conviver com chantagens como "a única forma de governar o Brasil".

Reproduzimos abaixo o trecho em que o autor do livro nega expressamente que a frase de Lula fosse uma referência ao mensalão (link aqui) e encaminhamos anexo o print da matéria:

"Questionado se Lula se referia especificamente ao mensalão ou a 'coisas imorais" ao falar sobre 'a única forma de governar o Brasil', um dos autores do livro respondeu por e-mail ao G1: 'Não, Lula estava falando sobre as 'coisas imorais' e não sobre o mensalão. O que Lula transmitiu ao Mujica foi que é dificil governar o Brasil sem conviver com chantagens e 'coisas imorais', escreveu Andrés Danza."

Lamentamos que uma vez mais a imprensa brasileira se utilize de imprecisões para gerar interpretações equivocadas e divulgar mentiras.Brasil-247

Lula dá um "soco" na cara de jornalista bandido da Época

Época questiona Lula por contrato da era FHC



 Depois de publicar uma denúncia fajuta contra o ex-presidente Lula na semana passada, a revista Época, da Editora Globo, decidiu dobrar sua aposta no erro; nesta sexta-feira, o repórter Thiago Bronzatto procurou o Instituto Lula com uma série de questões sobre os financiamentos do BNDES ao metrô de Caracas, na Venezuela; a obra, executada pela Odebrecht e financiada pelo banco brasileiro de fomento, foi contratada ainda no governo FHC, em 2001; além de responder, o Instituto Lula também divulgou a íntegra da mensagem enviada pelo repórter, desnudando o chamado 'método Época de jornalismo'; perguntas chegaram no fim da manhã e o prazo para respostas terminava às 16h; resposta de Lula também mandou um direto no queixo da revista das Organizações Globo; "informamos que o ex-presidente Lula não considera esta revista uma fonte de informação digna de crédito"; leia a íntegra



247 - Depois de publicar uma acusação comprovadamente falsa contra o ex-presidente Lula, sobre uma investigação que não existe (leia mais aqui), a revista Época, da Globo, decidiu dobrar sua aposta no erro e na desinformação.

Nesta sexta-feira, o repórter Thiago Bronzatto enviou uma série de perguntas ao Instituto Lula, em que o ex-presidente é questionado por um financiamento do BNDES a uma obra iniciada no governo FHC.

Leia, abaixo, a nota do Instituto Lula, que contém também as perguntas enviadas pelo repórter:

Respostas à revista Época sobre Venezuela

Recebemos nesta sexta-feira (8) novas perguntas da Revista Época (seguem abaixo) para sua edição de amanhã. As perguntas voltam para um assunto tratado pela revista em matéria publicada pelo mesmo repórter, Thiago Bronzatto, no dia 3 de abril de 2015, na qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não foi ouvido, mesmo com a matéria se referindo ao ex-presidente (http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2015/04/irregularidades-nas-obras-da-odebrecht-na-venezuela.html).

Na época, o BNDES respondeu a matéria, apontando vários equívocos nela. Segue a nota:http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Sala_de_Imprensa/Comunicados/2015/20150407_cartaepoca.html 

Esperamos que a revista ao repetir a matéria ao menos não repita os erros do mês passado.

Segue abaixo a resposta que foi enviada para a revista nesta tarde.


Caro Thiago,

Como deve ser de seu conhecimento, os financiamentos do BNDES para a construção do metrô de Caracas, na Venezuela, tiveram início em contratação datada de 13 de dezembro de 2001, antes, portanto, do governo do ex-presidente Lula. O valor inicial desta contratação foi de U$ 107 milhões, conforme relatório assinado pelo então presidente do BNDES, em conformidade com uma política de incentivo às exportações de serviços brasileiros. Naquela ocasião, o presidente da Venezuela, país contratante, era Hugo Chávez.

Como deve ser também de seu conhecimento, ao longo de seu governo o ex-presidente Lula manteve reuniões trimestrais com o então presidente Chávez, para tratar de temas bilaterais e regionais. O encontro a que se refere, em maio de 2009, insere-se neste quadro.

Como também deve ser de seu conhecimento, depois que deixou o governo o ex-presidente Lula continuou mantendo contatos com chefes de Estado e de Governo de outros países, nas viagens que faz ao exterior ou recebendo-os no Brasil. Em 2011, Lula viajou para Caracas para realizar uma palestra contratada pela Odebrecht, realizada no Hotel Marriott de Caracas, às 10h do dia 2 de junho de 2011, para empresários, diplomatas e autoridades governamentais, e noticiado então pela Folha de S. Paulo. Na viagem, Lula foi recebido pelo então presidente Hugo Chávez. O ex-presidente Lula não é parte citada em qualquer procedimento investigatório de que tenha conhecimento, por parte do Ministério Público ou do Tribunal de Contas da União. Quanto aos procedimentos do TCU relativos ao financiamento de exportações de serviços brasileiros, já noticiados pela revista ÉPOCA em 3 de abril e mencionados em sua mensagem, informamos que o ex-presidente Lula não considera esta revista uma fonte de informação digna de crédito.

Assessoria de Imprensa do Instituto Lula

Mensagem do repórter de Época, Thiago Bronzatto, ao Instituto Lula

Tudo bem?

Estamos fazendo uma matéria para a próxima edição da revista Época deste fim de semana sobre o financiamento concedido pelo BNDES para a construção do metrô de Caracas. Eu gostaria, portanto, de esclarecer algumas dúvidas com vocês que dizem respeito ao senhor ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Seguem abaixo as minhas questões:

1-) Em maio de 2009, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o então presidente da Venezuela Hugo Chávez em Salvador. Nesse encontro, foi discutida a liberação de uma linha de crédito do BNDES para a construção do metrô venezuelano?

2-) Naquela ocasião, o ex-presidente Lula sabia que a Odebrecht seria a responsável pela obra?

3-) Em junho de 2011, o ex-presidente Lula viajou para a Venezuela para se encontrar com o então presidente Hugo Chávez. O que foi discutido nesse encontro?

4-) Essa viagem foi paga pela Odebrecht? Por quê?

5-) O senhor ex-presidente Lula tem conhecimento de que o financiamento concedido pelo BNDES para a construção do metrô venezuelano está sendo investigado tanto pelo TCU quanto pelo MPF?

O meu prazo final é hoje às 16h.

Qualquer dúvida, estou nos contatos abaixo.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Por quem e por quantos dobram panelas e caçarolas?

E Moro não teve resposta para Cerveró


Alguém tem que deter este da direita
Alguém tem que deter este da direita

Detesto a palavra “chocante”. Os sábios sempre disseram que ela é tola, porque não há nada de novo sob o sol, tudo se repete, e nada portanto deve chocar ou provocar perplexidade.

Isto posto, é um documento histórico o vídeo que está circulando na internet em que Nestor Cerveró, ex-Petrobras, se dirige ao juiz Sérgio Moro.

Por ser um tremendo dum clichê, não gosto de citar Kakfa e seu clássico Processo, em que um personagem é posto num tribunal sem ter a menor noção do que fez.

Mas é kafkiana a situação de Cerveró.

Ele, educada mas incisivamente, pergunta a Moro como pode estar preso há cinco meses sem nenhuma prova contra ele.

Cerveró lembra, mais de uma vez, que a base das acusações contra ele são uma reportagem, e logo de quem – da revista Veja.

Apenas para lembrar: a Veja pratica o que seu chefe de redação chamou de “jornalismo de exceção”.

Isso quer dizer o seguinte: a revista não tem o menor compromisso com os fatos, com a verdade, com provas.

É contra o PT? Publique-se. Ah, mas a Justiça vai punir acusações não comprovadas, você, um cara de bem, vai dizer.

Lamento, mas respondo com uma gargalhada. Faz parte do sinistro ambiente jornalístico brasileiro uma absurda impunidade, na Justiça, para os crimes da imprensa.

Cerveró diz ter pensado que a Polícia Federal trabalhasse com evidências mais profundas que “reportagem de revista”.

Presumo que seja uma ilusão dele e de muitos brasileiros bem intencionados.

Com uma voz notavelmente fraca para quem projeta a imagem de super-heroi, Moro admite a importância da Veja na prisão de Cerveró. Acrescenta, obliquamente, que há mais que a reportagem da Veja para justificar, aspas, a prisão de Cerveró.

Mas não consegue dizer nada que faça sentido quando Cerveró lhe pergunta: “O quê?”

Cerveró conta que foi preso ao voltar da Europa, com a família, no final do ano. Disseram contra ele que não avisara que tinha passaporte espanhol.

E quem avisa? Quem sai dizendo: “Tenho passaporte espanhol!”?
É 100% Kafka.

Cerveró conta também que foram bloqueados espalhafatosamente dezenas de milhões em sua conta, mas no final havia nela apenas 100 000 reais.

A casa em que Cerveró estava morando também pesou contra ele. A razão é que Cerveró não é dono e nem estava pagando aluguel.

O vídeo não mostra a parte em que Cerveró dá sua explicação.

Mas ali está Moro dizendo a seguinte frase: “O senhor não acha estranho (não pagar aluguel)?”

Temos então o seguinte: Moro, sem nenhuma prova, e lá se vão cinco meses, acha estranho. E isso parece ser bastante para confinar alguém na prisão.

Sem argumentos para enfrentar as perguntas, Moro lembra, a certa altura, que quem está sendo interrogado é ele, Cerveró.

Alguém precisa deter Moro.

O que ele está promovendo, sob os aplausos criminosos e interesseiros da mídia, é um atentado contra o Estado de Direito.

Você, na estranha (o adjetivo usado por Moro vale para ele) concepção de justiça do juiz, é culpado até prova em contrário.

E é suspeito com base na, Deus do céu, Veja.

Onde o STF para frear os abusos de Moro? Onde o ministro da Justiça?

Quem indenizará Cerveró pelos meses de cadeia e assassinato de caráter caso – uma possibilidade real – fique claro que as acusações, como milhares de outras denúncias da Veja, são falsas?

Minha sugestão é o que dinheiro indenizatório saia do bolso de Moro, e ele que cobre a Veja.
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Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

A estranha história de Roberto Freire, o escroque que agrediu Jandira Feghali





O único político brasileiro da oposição (que se diz da oposição) que aplaudiu José Serra, o Elias Maluco eleitoral, por ter anunciado que agora é hora de destruir Lula, foi o senador Roberto Freire, presidente do Partido Popular Socialista (PPS, a sigla que sobrou do assassinato do saudoso Partido Comunista, melhor escola política brasileira do século passado). Disse: "Serra presta um serviço à democracia".

Para Roberto Freire, "desconstruir", destruir, eliminar o principal candidato da oposição e das esquerdas (com 42% nas pesquisas) é um "serviço à democracia". Gama e Silva nunca teve coragem de dizer isso. Armando Falcão também não. Nem mesmo Newton Cruz. Só o delegado Fleury. Ninguém entendeu. Porque não conhecem a história de Roberto Freire.
Aprovado pelo SNI

Em 1970, no horror do AI-5, quando tantos de nós mal havíamos saído da cadeia ou ainda lá estavam, muitos sendo torturados e assassinados, o general Médici, o mais feroz dos ditadores de 64, nomeou procurador (sic) do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) o jovem advogado pernambucano Roberto João Pereira Freire, de 28 anos.

Não era um cargozinho qualquer, nem ele um qualquer. "Militante do Partido Comunista desde o tempo de estudante, formado em Direito em 66 pela Universidade Federal de Pernambuco, participou da organização das primeiras Ligas Camponesas na Zona da Mata" (segundo o "Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro", da Fundação Getulio Vargas-Cpdoc).

Será que os comandantes do IV Exército e os generais Golbery (governo Castelo), Médici (governo Costa e Silva) e Fontoura (governo Médici), que chefiaram o SNI de 64 a 74, eram tão debilóides a ponto de nomearem procurador do Incra, o órgão nacional encarregado de impedir a reforma agrária, exatamente um conhecido dirigente universitário comunista e aliado do heróico Francisco Julião nas revolucionárias Ligas Camponesas?

Os mesmos que, em 64, na primeira hora, cassaram Celso Furtado por haver criado a Sudene, cataram e prenderam Julião, e desfilaram pelas ruas de Recife com o valente Gregório Bezerra puxado por uma corda no pescoço, puseram, em 70, o jovem líder comunista para "fazer" a reforma agrária.

Não estou insinuando nada, afirmando nada. Só perguntando. E, como ensina o humor de meu amigo Agildo Ribeiro, perguntar não ofende.

Sempre governista


Em 72, sempre no PCB (e no Incra do SNI!) foi candidato a prefeito de Olinda, pelo MDB. Perdeu. Em 74, deputado estadual (22.483 votos). Em 78, deputado federal, reeleito em 82. Em 85, candidato a prefeito de Recife, pelo PCB, derrotado por Jarbas Vasconcellos (PSB). Em 86, constituinte (pelo PCB, aliado ao PMDB e ao governo Sarney). Em 89, candidato a presidente pelo PCB (1,06% dos votos).

Reeleito em 90, fechou o PCB em 92, abriu o PPS e foi líder, na Câmara, de Itamar, com cujo apoio se elegeu senador em 94 e logo aderiu ao governo de Fernando Henrique. Em 96, candidato a prefeito de Recife, perdeu pela segunda vez (para Roberto Magalhães).

Agora, sem condições de voltar ao Senado, aliou-se ao PMDB e PFL de Pernambuco, para tentar ser deputado. Uma política nanica, sempre governista, fingindo oposição.

Agente de FHC

Em 98, para Fernando Henrique comprar a reeleição, havia uma condição sine qua non: impedir que o PMDB lançasse Itamar candidato a presidente. Sem o PMDB, a reeleição não seria aprovada. Mas o PMDB só sairia para a candidatura própria se houvesse alianças. E surgiram negociações para uma aliança PMDB-PPS, uma chapa Itamar-Ciro.

Fernando Henrique ficou apavorado. E Roberto Freire, agente de FHC, o salvou, lançando Ciro a presidente. Isolado, o PMDB viu sua convenção explodida pelo dinheiro do DNER, Itamar sem legenda e a reeleição aprovada.

Durante quatro anos, Roberto Freire saracoteou nos palácios do Planalto e da Alvorada, sempre fingindo independência, mas líder da "bancada da madrugada" (de dia se diz oposição, de noite negocia no escurinho do governo).

Quinta-coluna

No ano passado, na hora de articular as candidaturas a presidente, o PT (sobretudo o talento e a competência política de José Dirceu) começou a pensar numa aliança PT-PPS, para a chapa Lula-Ciro. Itamar disse que apoiava. O PSB de Arraes também. Fernando Henrique, o PSDB e Serra se apavoraram. Mas Roberto Freire estava lá para isso. Novamente lançou Ciro, para impedir uma aliança das oposições com Ciro vice de Lula.

Fora dos cálculos de FHC e Roberto Freire, Ciro começou a crescer. Mas, quando o PFL, sem Roseana, quis apoiar Ciro, dando espaços nos estados e na TV, Roberto Freire, aliado em Pernambuco de Marco Maciel, o líder da direita do PFL, vetou o PFL com Ciro. Como se chama isso? Uns, "agente". Stalin chamava "quinta-coluna".

Sebastião Nery