domingo, 30 de agosto de 2009

JORNALISMO CLOACA

Publicada em:30/08/2009


O velho moralismo dos tempos de Carlos Lacerda está a todo vapor neste agosto que termina. No dia 24 último, quando completavam 55 anos do suicídio de Getúlio Vargas liguei o rádio ao acordar e levei um susto. Um jornalista da CBN bradava indignado contra a compra pelo Palácio do Planalto de toalhas de rosto e de banho de fio egípcio. Imaginei que tinha recuado no tempo ou estava tendo um pesadelo. Naquela crise de agosto de 1954, a UDN (União Democrática Nacional), que de democrática não tinha nada, pois vivia pregando o golpe, falava em mar de lama no Catete etc e tal. Agora, entre outras acusações, a CBN, do sistema Globo de rádio, se indignava contra as toalhas de fio egípcio.

Os políticos da UDN que passaram o tempo todo na porta dos quartéis tentando convencer a oficialidade sobre a necessidade de derrubar Getúlio Vargas, depois Juscelino Kubitschek e em seguida João Goulart, deixaram herdeiros neste 2009. Agora passam o tempo todo denunciando, criando fatos com repercussão na mídia conservadora hegemônica com o visível objetivo de desviar a atenção de temas relevantes relacionados com o futuro de um Brasil soberano. E o 24 de agosto remete a Era Vargas, que FHC jurou riscar do mapa, à Carta Testamento e ao suicídio de Getúlio, às riquezas petrolíferas nas mãos dos brasileiros, à IV Frota estadunidense rondando as riquezas petrolíferas do pré-sal e assim sucessivamente.

Aí surge o tal comentarista da CBN, do sistema Globo de rádio, para “denunciar” os gastos com as toalhas de fio egípcio, numa repetição grotesca da rádio Globo em 1954. Aí vem o colunista político Merval Pereira (será coincidência?) bradar contra a Era Vargas com um comentário intitulado “filhote do getulismo”, comparando o sindicalismo daquela época com o atual. O objetivo de Pereira é um só: palanque de uma candidatura tucana. O colunista de O Globo é de fato um filhote de um colunista reacionário dos anos 50 - recentemente elogiado pelo próprio Merval - de nome João Neves da Fontoura, que até o fim da vida escreveu contra o seu ex-correligionário Getúlio Vargas e criticava tudo o que passava por perto de nacionalismo.

Enfim, tais reflexões fazem parte da história contemporânea brasileira, que ainda precisa ser contada sem a visão distorcida do conservadorismo. Mas se o leitor imagina que as distorções e manipulações midiáticas se resumem a Era Vargas ou aos veículos de imprensa das Organizações Globo, enganam-se. Na edição de 26 de agosto último, a revista Isto É, no mais puro estilo Veja, editou matéria exemplo típico de manipulação da informação, que pode ser denominada “jornalismo cloaca”. Com o título “O lobista de Chávez”, a matéria de página inteira, assinada por Claudio Dantas Siqueira, mentia de cabo a rabo, exatamente com o objetivo de induzir o leitor a se posicionar contra a Telesul, um importante canal televisivo de integração, e o governo da República Bolivariana da Venezuela.

A raivosa Isto É queimava o combativo jornalista Beto Almeida com informações mentirosas, porque ele participa como diretor independente, ou seja, sem representar qualquer país, da diretoria da Telesul. De quebra, a matéria “informava” que o Governador Roberto Requião fez um convênio com o canal de integração, apresentando um telejornal da Telesul na TV E do Paraná.

O jornalismo cloaca da Isto É ainda por cima selecionou o senador tucano Álvaro Dias para questionar o jornalista Beto Almeida, que também é dos quadros da TV Senado, onde ingressou por concurso. E assim sucessivamente.

Não é à toa que alguns analistas vêem o dedo de algum serviço de inteligência na elaboração de matérias como a apresentada pela Isto É. Cabe agora a própria revista responder a tais insinuações e apresentar alguma justificativa para demonstrar que o objetivo da matéria foi apenas jornalístico. Podem crer que vai ser uma tarefa impossível, pois pela forma como foi escrita está na cara a origem da pauta.

Por estas e muitas outras, chegou a hora de os brasileiros tomarem conhecimento da necessidade urgente de abrir a discussão sobre a questão da democratização dos meios de comunicação. O que não pode mais ser permitido é os barões da mídia continuarem manipulando ao bel prazer e toda vez que são questionados responderem com acusações infundadas, misturando alhos com bugalhos, ou seja, liberdade de expressão e de imprensa com liberdade de empresa. A hora é essa!

Em tempo: a briga Globo x Record deveria sensibilizar os parlamentares em Brasília a criarem uma CPI sobre a mídia. Seria a oportunidade de os brasileiros conhecerem com mais detalhes as graves acusações que foram divulgadas de um lado e do outro.
Mario Augusto Jakobskind, Direto da Redação.

Portalões pensam em cobrar acesso


Por necessidade, jornais voltam a cogitar sites pagos

Gustavo Casadio

Direto de São Paulo

Grandes empresas de comunicação têm dado sinais de que vão começar a cobrar pela oferta de seu conteúdo digital. Em meados de julho, Lionel Barber, editor do britânico Financial Times, afirmou que "quase todas" as organizações de mídia estarão cobrando por seu conteúdo online dentro de um ano. A prática, que já foi mais comum no começo das operações destas empresas na internet, deve voltar por uma questão de necessidade, apontam especialistas.

Em maio, o dono da News Corporation, Rupert Murdoch, já havia dado o prazo de um ano para começar a cobrar pelo acesso ao conteúdo digital de suas publicações. O executivo disse ao jornal britânico The Guardian que estava encorajado pelo sucesso deste modelo de negócio adotado em um de seus periódicos, o The Wall Street Journal. O jornal de finanças cobra pela leitura a quase todos seus artigos, deixando acesso livre a apenas algumas matérias ou só às primeiras frases.

Para o professor de comunicação da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo Eugenio Trivinho, as empresas sabem que a decisão de cobrar pelo conteúdo é antipática frente ao internauta. Contudo, tornou-se uma necessidade diante da situação financeira destas companhias.

"Não é algo definitivo, como o acesso livre ao material parece que também não foi. Tudo é uma questão de necessidade imediata", diz Trivinho.

O consultor em comunicação Alexandre Secco concorda com a tese de que a cobrança só é motivada por uma posição crítica na qual se encontram as empresas de comunicação. "O fluxo de dinheiro nos jornais caiu dramaticamente. Muitos jornais quebraram. Neste momento eles pensam 'é melhor eu ter menos leitores pagando do que quebrar'".

Pesquisa feita este ano pela consultoria PricewaterhouseCoopers aponta que os leitores veem as notícias do dia a dia, conhecidas como hard news, como commodities, algo que podem achar com qualidade similar tanto em veículos gratuitos quanto naqueles que cobram pela informação. Contudo, estes mesmos leitores estariam dispostos a pagar por um material premium, com matérias analíticas.

"Somente um conteúdo muito específico pode ser pago. As grandes audiências não vão migrar para o conteúdo pago", diz o diretor geral do Terra no Brasil, Paulo Castro. Procurados, UOL e Abril não se manifestaram sobre o assunto.

Tentativa e erro

Para Edson Crescitelli, professor de marketing da Universidade de São Paulo (USP), a estratégia é apenas mais uma tentativa de as publicações se adaptarem ao mundo digital. Ele diz que a dificuldade dos veículos de comunicação impressos em elaborar um modelo de negócios de sucesso na internet vem do fato de a rede de computadores ter acabado com o "monopólio da informação".

"Na internet você pode pagar pela informação, mas também ter acesso a ela de graça. É como se eu tivesse, numa banca, acesso a um jornal pago e a um grátis, com a mesma informação. A internet foi construída numa cultura de que a informação é de graça. Por que o Google faz tanto sucesso? Porque ele é baseado num processo de gratuidade. Quando os jornais começaram a cobrar, eles viram que ficou difícil. A solução então foi abrir a informação - mas aí veio o problema da receita", diz Crescitelli.

A pesquisa da Pricewaterhouse mostra que 62% dos leitores se disseram dispostos a pagar por informação online, enquanto 100% pagariam pelo conteúdo impresso. No entanto, a consultoria espera que a disposição dos consumidores em pagar por conteúdo online aumente nos próximos anos, em paralelo ao crescimento do e-commerce.

Em julho, o The New York Times afirmou que pode anunciar neste mês o sistema de cobrança por seu conteúdo digital, atualmente gratuito. Contudo, o próprio diário nova-iorquino já adotou o modelo pago, mas, em 2007, aboliu o sistema alegando que os ganhos com esta receita tinham sido menores do que o crescimento com venda de anúncios online. Na época, a empresa disse esperar a geração de US$ 10 milhões com conteúdo pago, mas a projeção não foi alcançada.


Na época em que anunciou a liberação total de seu site, o NYT citou a experiência frustrada de cobrança feita pelo The Los Angeles Times, que viu seu tráfego despencar após início da tarifação.

Para Crescitelli, a volta da cobrança não acontece pelo fato de as empresas de comunicação terem achado a fórmula ideal para atuar na internet. "É uma questão de sobrevivência. O Google ganha com patrocínio. Mas as outras empresas não conseguiram equacionar isso direito. Não se trata de deficiência, é porque é um processo novo. Algumas empresas se adaptam e outras não e vão sumir".

Experiência de sucesso

O consultor em comunicação Alexandre Secco alerta que são poucos os casos de sucesso de cobrança por conteúdo de veículos de comunicação online. Contudo, para ele, é possível dizer que a tendência, pelo menos nos Estados Unidos, é a volta deste modelo.

"A The Economist sempre cobrou e nunca ninguém reclamou. É um modelo que inspira muita gente. É uma das poucas publicações neste momento de crise que não foi abalada", diz o consultor.

"É uma questão de segmentação. A Reuters, a Bloomberg oferecem conteúdo pago, tabelas, índices em tempo real. Mas é um público muito restrito que se interessa por este tipo de informação. Acho que um modelo de negócio aberto, para uma audiência de milhões, ou um modelo pago para alguns milhares podem sobreviver", diz Castro, do Terra.

O estudo da Price conclui que embora haja uma disposição maior a pagar por conteúdos analíticos, as notícias encaradas pelo leitor como commodities também precisam fazer parte da oferta. Para a consultoria, um mix entre notícias de graça e conteúdo especializado pago seria uma boa estratégia.

Para Crestelli, o desafio de encontrar um modelo de negócio rentável é muito maior para as empresas de comunicação tradicional do que para os veículos nascidos na internet. "O Google nasceu assim, ele nasceu com esse DNA . Mas para um jornal com 100 anos é mais difícil".

» 'Sunday Times' planeja site com conteúdo pago.
Terra.

Liberdade de imprensa e publicidade enganosa


Escrito por Waldemar Rossi

28-Ago-2009


"Um dia depois de ter despejado de forma violenta 800 famílias em Capão Redondo, o governo de São Paulo (leia-se governo Serra) tem a cara de pau de publicar um anúncio de uma página nos jornais divulgando a sua ‘política de habitação popular’ " (nota publicada no CMI – Centro de Mídia Independente).


Pela internet é possível ainda ter acesso a algumas informações que a mídia brasileira nega aos seus leitores ou freqüentadores audiovisuais. É o caso da nota acima, que não foi divulgada pela imprensa. A nota virtual veio acompanhada de fotos de mais uma propaganda enganosa do governo de São Paulo (de José Serra). Acompanhando o título publicitário "Habitação popular no Estado de São Paulo é assim: A gente faz. E faz bem feito", vêm quatro fotos arrumadinhas de algumas pessoas que mostram sua "satisfação" em receber moradia popular. A foto de cada pessoa ou família vem junto a um subtítulo: "Acredite; Sonhe; Respire; e Comemore".

A nota da internet, por sua vez, traz, acompanhando os mesmos subtítulos, outras quatro fotos revelando a forma violenta com que a polícia estadual – de responsabilidade exclusiva do governador José Serra – promoveu o despejo de 800 famílias de Capão Redondo, entre tantos outros despejos criminosos, despejos determinados pela "justiça" estadual. Nessas fotos que contrastam com a publicidade oficial aparecem: crianças desalojadas na rua (Acreditem); morador tentando salvar alguma coisa de seu barraco (Sonhe); fumaça das bombas de gás exalando no meio dos barracos (Respire); povo aglomerado desalojado do seu abrigo (Comemore).

Além dessas propagandas enganosas, cheias de meias-verdades, os governantes têm ao seu dispor toda a cobertura da imprensa, com comentários dos mais elogiosos sobre suas "obras populares". Enquanto para o povo restam comentários desairosos, tentando passar para a opinião pública que se trata de criminosos, de "invasores", negando as informações mais importantes de que são pessoas e famílias inteiras injustiçadas por esta sociedade discriminatória. Injustiçadas pelas políticas públicas que satisfazem aos interesses do capital, pela concentração de rendas, pela sonegação dos seus direitos elementares, pela sonegação de impostos, comandada por uma elite econômica hipócrita e maquiavélica (no seu mau sentido).

A liberdade de imprensa é uma das grandes farsas que imperam no sistema burguês gerador e administrador desse capitalismo selvagem, que cria desigualdades brutais, miséria e a barbárie.

A Imprensa, segundo as leis internacionais, é sempre uma concessão do Estado e deveria ser UNIVERSAL, isto é, concedida e aberta a todos os cidadãos. Mas está toda ela reservada para o mesmo capital. Seus "proprietários" são participantes do mesmo capital, e por isto se torna elitista e sonega o direito à verdadeira expressão da vontade e das legítimas reivindicações populares. Uma mídia que seleciona suas notícias, sempre voltadas para defender os interesses dos exploradores, mas que impede a veiculação de informações importantes de interesse do povo, sobretudo as geradas pela reação do movimento social que contesta os desmandos que são praticados neste país.

A prática da liberdade de imprensa no Brasil se compara ao exercício da política oficial, cujos políticos eleitos pelo povo, tendo suas campanhas eleitorais financiadas pelos detentores das terras, dos bancos, das indústrias e do comércio, se julgam donos do país, isentos de julgamentos dos seus crimes e com direito a praticar toda sorte de bandalheira. Mas que não têm competência para governar segundo os interesses de toda a nação.

Assim é a prática da mídia no Brasil: tendo obtido a concessão se julga possuidora de todos os direitos, incluído o "direito" de desinformar e de corromper ideologicamente a opinião pública. De tal forma que, cada vez mais, se torna necessário um amplo trabalho de informações desenvolvido pelas forças populares organizadas, capaz de, com o tempo, despertar a consciência crítica do povo, animando-o a assumir as rédeas da condução do nosso país, determinando o que pode e o que não pode ser praticado pelos políticos e pelos meios de comunicação social. E, acima de tudo, se for o caso, cassar mandatos e concessões. Sem isto não haverá democracia para o povo.

Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

Planos antidemocráticos de Serra para o pré-sal?



30 de Agosto de 2009

Segundo afirma o colunista Kennedy Alencar, na Folha de S.Paulo deste domingo (30), "o governador José Serra tem dito em conversas reservadas que as regras propostas por Lula [para o petróleo do pré-sal] poderão ser modificadas pelo próximo presidente da República". Ou seja, por ele, Serra, que imaginaria até que as regras "poderiam ser alteradas por medida provisória". Pergunta: e onde fica a democracia?

Por Bernardo Joffily

Kennedy Alencar parece não se dar conta – ou pelo menos não passa recibo – da truculência da hipótese que descreveu. Se não, vejamos.

Lula pretende propor projetos de lei: três, talvez quatro, sobre o marco regulatório do petróleo do pré-sal. Eles tramitarão no Congresso. Serão debatidos na sociedade – que é tudo que o presidente quer, pois é o tipo de debate conveniente a quem pretende eleger o(a) sucessor(a).

Já Serra (Kennedy apresenta o tucano como "líder em todas as pesquisas sobre a sucessão presidencial de outubro de 2010"), diz, segundo o jornalista, "que, aprovadas as regras propostas por Lula, elas poderiam ser alteradas por medida provisória pelo futuro presidente. Não há decisão tomada, mas Serra cogita mudar as regras, caso seja eleito."

"O governador paulista – prossegue Kennedy – tem simpatia pelo modelo atual".

Que Serra tenha simpatias, é um direito. "É legítimo debater", escreve Kennedy. Mas um debate democraticamente submetido à sociedade, à cidadania e ao Parlamento, pode, depois de convertido em leis, ser revogado por uma simples canetada do – autopresumido – "próximo presidente da República"?

"É um debate legítimo", repete Kennedy. "O atual governo e o PSDB deveriam expor claramente quais são suas ideias sobre a forma de explorar o pré-sal. O debate está apenas começando do ponto de vista público. Os projetos de Lula vão sair do Palácio do Planalto para chegar ao Congresso Nacional. É uma riqueza imensa que está em jogo. É bom que cada ator político de peso revele suas verdadeiras intenções."

Tudo bem, é sensato esse raciocínio de Kennedy. Mas não "é bom" nem democrático que um dos atores cogite de tratorar o resultado do debate legítimo caso venha a empunhar a caneta capaz de assinar medidas provisórias.

Compreende-se e desculpa-se que Serra, como presidenciável da oposição, torça o nariz para o fato do pré-sal ter sido descoberto e estar tendo seus parâmetros de exploração no governo Lula. Afinal, lembra Kennedy, "é uma riqueza imensa".

Mas a hora de Serra expor o que defende para o pré-sal é agora, a partir desta segunda-feira, 31 de agosto, ou, se tiver pressa, no jantar com Lula esta noite no Palácio da Alvorada. De qualquer modo, é junto com a sociedade e o Legislativo. Não depois que o debate tiver se concluído. E nunca a canetaços de medida provisória – um recurso que em tese estaria à disposição de Lula, mas que este descartou por respeito à necessidade de discutir da forma mais ampla, democrática e exaustiva possível o que a nação deve fazer com a "riqueza imensa" do pré-sal.


Fonte:Portal Vermelho

São Paulo não tem comando



Estado de São Paulo registra recorde de roubos


30/08 -2009

Agência Estado


No prmeiro semestre do ano, o Estado de São Paulo registrou 130 mil casos de roubo. Trata-se de um recorde nas estatísticas.

Os picos históricos ocorrem tanto nas cidades grandes, como São José dos Campos e Jundiaí, quanto nas médias e pequenas de todas as regiões paulistas. A região de Presidente Prudente - com 53 cidades, 50 delas com menos de 40 mil habitantes - foi onde os registros mais cresceram: 54% em relação ao mesmo semestre de 2008.

Conforme o ranking de roubos feitos pelo Estado, entre os 645 municípios paulistas, cidades com economias ricas e problemas históricos em segurança - como Praia Grande, Diadema, São Paulo, Santo André, São Bernardo, São Vicente, São Caetano, Santos e Campinas - lideram a lista entre as cidades com mais de 100 mil habitantes. Só seis dos 73 municípios com essa densidade populacional registraram quedas nos índices de roubos.

Os dados mostram ainda que esse crime aumenta principalmente em cidades antigamente mais calmas e menos populosas. Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, teve o maior crescimento no semestre: 113%. Várzea Grande Paulista e Jandira, segundo e terceiro lugares, também tiveram aumento acima de 100%.

Um mau começo para Marina

30/08/2009

PV é alvo de denúncias de corrupção e pode perder repasses


Folha de S.Paulo, em Brasília

Em contraste com a euforia de lançar a senadora Marina Silva (AC) candidata à Presidência, o PV convive com denúncias de corrupção e com a ameaça de suspensão dos repasses do fundo partidário, que hoje responde por cerca de 80% da receita da legenda.

A apresentação de notas fiscais frias e a não comprovação de gastos com viagens e diárias (feitos com recursos públicos do fundo) levaram o corpo técnico do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a sugerir a rejeição das contas do partido de 2004, 2005 e 2006 nos últimos pareceres disponíveis.

Se o plenário do TSE referendar o entendimento dos auditores em pelo menos um dos processos, o repasse será suspenso por 12 meses. A receita estimada em 2010 se aproxima dos R$ 7 milhões.

Revelado pela Folha em junho do ano passado, o esquema de uso de notas frias é agora comprovado, em parte, pelos técnicos do tribunal.

Um dos casos citados nos pareceres foi a inclusão de uma nota no valor de R$ 4.866 emitida pela Corinne Decorações. O documento fiscal é de 2005, mas a empresa foi extinta oito anos antes, segundo a Receita.

A descrição do trabalho é genérica: "serviços diversos, inclusive na área de visual de candidatos e apresentadores".

O partido também entregou ao menos sete notas de empresas fantasmas, que não existem nos endereços informados, para justificar gastos de R$ 130 mil com criação digital, marketing e gravação de programas de TV.

Na contabilidade de 2005, os servidores do TSE apontam a ausência de documentos que comprovem gastos de R$ 92 mil. Entre os papéis entregues, há um contrato de aluguel que só teve início em 2008.

Em 2006, segundo os técnicos, não há comprovação de R$ 37,8 mil que teriam sido gastos com passagens aéreas e R$ 76,8 mil com diárias, boa parte atribuída ao presidente da legenda, José Luis Penna.

Após os pareceres pela rejeição das contas, os ministros relatores dos processos abriram prazo para que o PV apresente justificativas.

Agora, poderão reenviar os processos para nova análise do corpo técnico ou, se julgarem que as informações são suficientes, elaborar os votos pela aprovação, aprovação com ressalvas ou rejeição das contas. O voto é julgado pelo plenário. Não há prazo definido.

O PV informou que só soube pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) do "defeito" de notas fiscais e afirmou que contratou uma auditoria externa, em andamento, para analisar a documentação.

A secretária de assuntos jurídicos do PV, Vera Lúcia da Motta, disse que não houve má-fé e que o partido está se esforçando para dar as explicações pedidas pelo tribunal.


O PIG jogou a toalha II:Indústria ganha fôlego e pode ter exagerado nas demissões

Esse é o cara


A indústria brasileira pode ter exagerado ao cortar mais de 580 mil postos de trabalho de novembro a março, prevendo um cenário que acabou não se concretizando. A produção aumentou todos os meses do primeiro semestre deste ano, mas as vagas fechadas no primeiro trimestre ainda não foram reocupadas.

Segundo dados do IBGE e do Ministério do Trabalho, o semestre terminou com 63 mil empregos a menos que em dezembro (queda de 0,64%), enquanto a produção das empresas subiu 16% no mesmo período.

Especialistas ouvidos pelo UOL consideram que os empresários do setor podem ter demitido mais que o necessário no final do ano passado e início de 2009, sobretudo no segmento automobilístico. Mas ressalvam que, naquele momento de forte crise internacional, seria muito difícil prever que a recuperação ocorreria tão cedo, ainda que em ritmo lento.

"Se você está andando de carro e de repente enfrenta um nevoeiro, você enfia o pé no breque. Isso é do ser humano: diante da insegurança, a preservação", diz o economista Paulo Francini, diretor da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

"Os empresários demitiram além da conta porque tinham a ideia de que a crise seria mais grave. Mas não podemos castigá-los", avalia o professor de economia Julio Gomes de Almeida, da Unicamp. "Houve um exagero também no corte do crédito. Errar, numa situação dessa, não é um demérito", acrescenta.

A indústria fechou postos de trabalho nos três primeiros meses de 2009, mesmo com a produção em leve alta, e passou a abrir vagas a partir do quarto (veja tabela abaixo).

COMPORTAMENTO DA INDÚSTRIA DURANTE A CRISE
set/08 149.928 1,5
out/08 10.296 -1,4
nov/08 -105.652 -7,1
dez/08 -359.773 -12,6
jan/09 -43.552 2,2
fev/09 -53.512 2
mar/09 -19.144 0,9
abr/09 13.563 1,2
mai/09 18.544 1,2
jun/09 21.099 0,2
jul/09 52.124 não disponível
Mês Emprego (var. em número) Produção (var. em porcentagem) Fonte: Caged e IBGE

Almeida considera que a geração de empregos no setor desde abril ocorreu não apenas porque a atividade industrial passou a crescer, mas também porque as demissões no final de 2008 e início de 2009 foram "exageradas". Ele acredita que esse processo de correção ainda está em curso, o que significa que a indústria deve continuar contratando nos próximos meses.

Francini, da Fiesp, considera que o emprego na indústria caiu em todos os meses do ano até julho, e prevê que agosto será o primeiro mês em que as contratações vão superar as demissões.

Ele lembra que os cortadores de cana são formalmente considerados trabalhadores da indústria, uma vez que são empregados das usinas. Sem contar esse segmento, em que sempre há demissões no fim do ano e contratações no começo, a indústria paulista demitiu mais do que contratou em todos os meses de 2009, segundo dados da Fiesp. Uol. 30/08/2009.

O LEITOR NÃO É IDIOTA


Por Jorge Furtado

Os jornais e programas jornalísticos cada vez mais são feitos imaginando-se leitores e espectadores que só leiam, escutem e vejam as manchetes, sem dar bola para o texto da notícia ou para o que dizem debatedores e entrevistados. (1)

No neo-jornalismo brasileiro – simbolicamente fundado quando a palavra “suposta” ganhou a capa de revistas e jornais – a leitura da notícia desmente a manchete, desmoralizando a um só tempo o repórter, o editor e o leitor, num strike suicida, como um jogador de boliche que atira a bola para cima. Talvez a antiga imprensa esteja certa e eu faça parte de uma ridícula minoria, espécie em extinção que ainda lê o texto das notícias e raciocina por conta própria, mas sinto informar que para nós, antigos fãs das letras miúdas, tão pagando um micão!

Não vou mudar de assunto, tenho mais o que fazer. Só voltarei a levar a antiga imprensa a sério quando responderem de maneira aceitável e adulta a pelo menos algumas das perguntas que eles mesmos fizeram tantas vezes:

1. De onde veio o dinheiro do dossiê? E quem estava no vídeo abraçados com sanguessugas?

2. O que aconteceu com a faxineira que, segundo o delegado Edmilson Pereira Bruno, teria roubado o cd com a foto dos aloprados?

3. Já sabemos quem quebrou o sigilo do Francenildo (2), mas quem quebrou o sigilo bancário de Freud Godoy? Gabeira ou o Estadão? (3)

4. A Folha já conseguiu provar que a ficha digital é digital ou ainda está procurando o original de papel pra ter certeza?

5. Até quando vão sustentar a versão de Lina Vieira sobre a reunião com Dilma? O que aconteceu com a versão “19 de novembro”? Quem chamou Dilma de mentirosa, vai pedir desculpas?

6. Até quando vão sustentar a versão Demóstenes/Veja do grampo sem áudio do Gilmar?

7. Até quando vão sustentar a história da “grampolândia”? E a versão de Nelson Jobin, que tanto ajudou na defesa do brilhante Dantas, de que a Abin fazia escutas clandestinas? Como os 5 milhões de grampos viraram 7 mil?

8. Até quando vão continuar sendo pautados, sem críticas, por Demóstenes Torres, Heráclito Fortes, Agripino Maia, Ronaldo Caiado e Artur Virgílio? (4)

9. Até que ponto vão transformar os jornais que líamos e os programas que víamos em panfletos eleitorais de José Serra? Devolver o poder ao Psdb paulista tem tanta importância assim, a ponto de liquidar, a um só tempo, com a credibilidade de toda a antiga imprensa brasileira? (“É o pré-sal, estúpido!”) .
10.Até quando vão esconder os nomes dos políticos que receberam caixa dois de Furnas?

11. E cadê o Picasso do INSS?
Terrornews.

MARINA NÃO PODE SER APENAS VERDE

Minha caixa postal, e imagino que a de muitas pessoas Brasil afora, tem recebido frequentemente mensagens de um movimento pró Marina Silva à presidência da República. Acho interessante todo tipo de articulação cidadã, principalmente quando mostra disposição para a política, mas é preciso cuidado para não cair em um falso ideal de pureza, ignorando as forças que se juntam em torno de uma candidatura.

Acho Marina Silva uma pessoa adorável e respeitável e daria a ela meu voto sem problemas. Mas sua candidatura, se tem como objetivo se situar no campo da esquerda, deveria representar um avanço em relação ao atual governo, indo mais fundo no que se deixou de fazer, não apenas nas questões ambientais.

Marina, por sua trajetória, deveria referendar os avanços sociais do governo Lula, a contenção do modelo privatista que dominava o país até sua eleição e propor levar adiante a reforma agrária e política, até para evitar se tornar refém das velhas e viciadas estruturas, que geram os equívocos éticos e as alianças espúrias.

Uma candidatura de Marina para conquistar um eleitorado popular não pode se tornar, mesmo involuntariamente, aliada dos interesses contrários ao atual governo, que se aproveitam de qualquer oportunidade para tentar desmoralizá-lo. Marina tem que se recusar a ser transformada na Lina Vieira da disputa eleitoral, convertida em heroína por afrontar a candidata do governo, quando antes era atacada por aparelhar a Receita Federal.

Marina deve se lembrar muito bem que diversas forças que hoje incensam a sua candidatura à presidência até bem pouco tempo a consideravam uma ecochata, inimiga do progresso. Se hoje ela serve para dividir o campo da esquerda e reduzir as chances de Lula fazer o seu sucessor, amanhã será tratada como ele por contrariar interesses do capital e seus representantes.

A candidatura de Marina, se vier a acontecer, não pode ser uma candidatura da zona sul, hostil ao subúrbio e aos mais necessitados. Não pode trazer o discurso do moderno contra os jurássicos, tão ao gosto neoliberal. Não pode estar atrelada a partidos que governaram o país com um modelo totalmente pró-mercado que trouxe prejuízos gigantescos. Tampouco pode estar ligada aos partidos mais conservadores do espectro político, que abrigam os ruralistas e representantes do agronegócio, tão contrários às causas que mais preza.

Por estar em um partido pequeno, Marina só terá chances de se eleger e, principalmente, governar, se estiver aliada a outras legendas. É preciso ver quem serão os aliados preferenciais e o que representam. Enfim, a candidatura de Marina para vingar de fato precisa ser madura e não apenas verde.


Mair Pena Neto, Direto da Redação.

O PRÉ-SAL É NOSSO


Domingo, 30 de Agosto de 2009



Cerimônia, marcada para amanhã, será inspirada na campanha nacionalista O petróleo é nosso, da criação da Petrobrás

Vera Rosa , Estadão


O governo quer transformar o anúncio do marco regulatório do pré-sal, previsto para amanhã, em grande trunfo político para impulsionar a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010.

Inspirada na campanha nacionalista "O petróleo é nosso", que embalou a criação da Petrobrás, nos anos 50, a cerimônia para divulgar o modelo de exploração do pré-sal foi preparada sob medida para reunir aliados e adversários.

Pressionado pelos governadores do Rio, Sérgio Cabral, e do Espírito Santo, Paulo Hartung - ambos do PMDB -, Lula deve manter a regra atual de cobrança de royalties, enquanto o Congresso não aprovar uma proposta definitiva. O presidente não quer mexer no vespeiro de mudar a fatia destinada a Estados como Rio e Espírito Santo - de governos aliados ao Planalto e à candidatura de Dilma - num ano pré-eleitoral.

Lula foi convencido de que alterar o pagamento de royalties, agora, dificultaria a tramitação dos projetos de lei e aposta nas negociações no Congresso e em novas rodadas de conversa com governadores.

A decisão, porém, dividiu o governo.

Dos 27 governadores convidados para a cerimônia, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, apensa 17 haviam confirmado presença até sexta-feira. O Planalto espera o comparecimento de 3 mil pessoas, entre políticos, empresários, artistas, representantes de sindicatos e de movimentos sociais.

Antes da solenidade, Lula fará uma reunião ministerial e do Conselho Político - formado por presidentes e líderes dos partidos que compõem a coalizão governista - para anunciar as medidas.

Dilma será a estrela da festa. Coordenadora da comissão interministerial que preparou a nova regulamentação, ela fará uma exposição sobre o tema. Mas foi avisada pelos responsáveis por sua estratégia de comunicação que é preciso "traduzir" o pré-sal para a população.

Conhecida por cuidar de assuntos árduos, a chefe da Casa Civil tem sido treinada para ser mais simpática e política. A ordem é não se alongar demais em temas técnicos. Para explicar a camada do pré-sal, por exemplo, o governo vai recorrer a expressões como "patrimônio do País", "futuro do Brasil" e "riqueza do povo" nas campanhas publicitárias.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), também apresentará o novo trunfo político do governo na cerimônia, que será encerrada com um discurso ufanista de Lula. Na tentativa de tirar dividendos políticos do pré-sal, de agora em diante, o Planalto vai bater na tecla de que o governo do PSDB queria privatizar a Petrobrás.

O mote será repisado à exaustão para abafar a CPI da Petrobrás no Congresso.

Dilma, Lobão e o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, tiveram várias divergências nos últimos meses. A ministra, por exemplo, achava que a participação da Petrobrás nos consórcios deveria ser definida caso a caso.

A Petrobrás virou o jogo: não apenas conseguiu participação mínima de 30%, expressa em lei, como será contratada diretamente nos campos mais estratégicos e será a operadora única de todos os blocos.

Reunião entre os dois ministros para discutir ajustes na proposta do marco regulatório, marcada para a tarde deste sábado, foi adiada para hoje.

Os projetos de lei serão enviados amanhã ao Congresso, em regime de urgência. Um deles prevê a criação de uma estatal para administrar as reservas do pré-sal, o outro estabelece um fundo de desenvolvimento social para aplicar os recursos em educação, saúde e inovação tecnológica e um terceiro propõe o sistema de partilha da produção.

Na prática, o governo quer reforçar a Petrobrás e aumentar o controle estatal na empresa às vésperas da eleição de 2010, embora saiba que a exploração comercial não ocorrerá antes de 2015.

O PIG jogou a toalha:Brasil sai da crise mundial maior do que entrou

Esse é o cara.
É duro para o PIG escrever uma notícia dessas. Há um ano atrás o PIG, os demotucanos davam o Brasil como quebrado. Viam na quebra do Brasil a esperança para o PSDB retornar ao poder na eleição de 2010. O resultado está ai. O governo Lula pegou uma crise, diga-se de passagem, a maior de todos os tempos, gerada no coração do capitalismo e vai sair maior do que entrou. Não tem preço.
Sábado, 29 de agosto de 2009

Às vésperas do mês em que se completa um ano da crise global, o otimismo com o País tornou-se consenso

O Estado de S. Paulo

RIO - O Brasil saiu da turbulência global maior do que entrou. Às vésperas do mês em que se completa um ano da crise iniciada com a concordata do Lehman Brothers, em 15 de setembro, o otimismo com o País tornou-se consensual. “O fato de que o Brasil passou tão bem pela crise tinha mesmo de instilar confiança”, diz Kenneth Rogoff, da Universidade Harvard, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para Jim O’Neill, do Goldman Sachs, e criador da expressão Bric (o grupo de grandes países emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China), “o Brasil passou por essa crise extremamente bem, e pode crescer a um ritmo de 5% nos próximos anos”.


As medidas do Brasil contra a crise



G-20 e a crise (até abril 2009)


O crescimento de importância do Brasil e de outras economias emergentes é uma das características do novo mundo surgido com a crise econômica. Para comentar essa e várias outras mudanças, o Estado ouviu oito grandes economistas estrangeiros e brasileiros: Rogoff; O’Neill; Barry Einchengreen, da Universidade de Berkeley; José Alexandre Scheinkman, de Princeton; Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio gestor do Gávea Investimentos; Edmar Bacha, consultor sênior do Itaú BBA e codiretor do Instituto de Estudo de Políticas Econômicas - Casa das Garças (Iepe/CdG); Affonso Celso Pastore, consultor e ex-presidente do BC; e Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco.

Pastore observa que a recessão no Brasil foi curta, de apenas dois trimestres, comparada a quatro em países como Estados Unidos, Alemanha e França. Goldfajn nota que há os países que estão saindo da recessão no segundo trimestre e os que estão saindo no terceiro - o Brasil está entre os primeiros, com várias nações asiáticas. “Mesmo no primeiro trimestre, se olhar mês contra mês, há números fortes de crescimento no Brasil”, acrescenta.

Para Goldfajn, a crise foi um teste de estresse para diversos países, no qual alguns passaram, outros não, alguns tiveram nota boa e outros nota ruim. “Acho que o Brasil tirou nota boa, e agora está todo mundo olhando e dizendo ‘esse cara é bom’”, diz Goldfajn.



Uma das principais razões para o sucesso do Brasil em enfrentar a crise, segundo Pastore, é que ela pegou o País com o regime macroeconômico adequado - câmbio flutuante, bom nível de reservas, inflação controlada, superávit primário, dívida pública desdolarizada e caindo em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB). Essa solidez combinou-se com o sistema financeiro capitalizado, pouco alavancado, que estava proibido pela regulação de operar com os ativos perigosos, como os títulos estruturados no mercado americano de hipotecas subprime. “Uma das lições da crise é que países que tinham uma abordagem equilibrada da regulação do mercado financeiro, como Brasil, Austrália, Canadá , não tiveram crise bancária”, diz O’Neill.

A política anticíclica, baseada em corte de impostos e ampliação de gastos públicos, também ajudou, embora esta segunda parte seja criticada pelos efeitos de médio prazo. Para Pastore, os aumentos do funcionalismo e do Bolsa-Família tiveram efeitos contracíclicos, mas “por coincidência”, já que foram decididos antes da crise. “O defeito é que, se fosse política contracíclica mesmo, teria de expandir gastos transitórios, e não permanentes.”

Para a maioria dos economistas, o aumento dos gastos públicos correntes reduz o espaço do investimento, e impede que o Brasil cresça a um ritmo ainda mais forte do que os 4% a 5% que estão sendo previstos. “Não é nem preciso dizer que há um monte de coisas que o Brasil poderia fazer para crescer mais rápido”, comenta Rogoff.

De qualquer forma, o sucesso diante da crise jogou o Brasil no radar dos investidores. “À medida que continuarmos a crescer mais que o mundo, é natural que o País receba um aporte muito grande de investimentos estrangeiros diretos”, diz Pastore, acrescentando que eles aumentaram, mesmo com recessão e queda de lucros nos países que sediam as empresas que investem no Brasil.

A contrapartida dos fluxos de capital é o câmbio valorizado e o déficit em conta corrente, o que significa que o mundo está financiando o Brasil para consumir muito (o que implica poupar pouco) e investir ao mesmo tempo. Segundo Goldfajn, os brasileiros serão um dos povos convocados, junto com os asiáticos, a preencher o espaço deixado pelo fim da exuberância do consumidor americano, atolado em dívidas e necessitado de reconstruir seu patrimônio.

sábado, 29 de agosto de 2009

América Latina adotará modelo brasileiro dos Pontos de Cultura

28 de Agosto de 2009

O projeto Pontos de Cultura - implementado pelo governo federal - servirá de exemplo para toda a América Latina. A ALACP (Articulação Latinoamericana: Cultura e Política) vai definir, na próxima semana, uma proposta de projeto de lei que implemente nos países do continente programas semelhantes à iniciativa brasileira. O debate ocorre nos próximos dias 3 e 4, em Brasília, e a proposta final será enviada ao Parlamento do Mercosul, o Parlasul, e aos parlamentos dos países do bloco.

Para o assessor político do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos, que compõem o comitê executivo da ALACP), Edélcio Vigna, o Pontos de Cultura tornou-se referência para o projeto por "não ser apenas um apoio financeiro".

O Pontos de Cultura apoia projetos desenvolvidos pela sociedade civil, selecionados por editais públicos. Ele não segue um padrão de instalações físicas, de programação ou de atividades. Aposta na transversalidade das atividades culturais e na gestão compartilhada entre o poder público e a comunidade.

"As organizações que recebem os recursos do projeto Pontos de Cultura realizam outras articulações dentro de suas comunidades, elas são pontos de radiação", defendeu Vigna. "As políticas de incentivo à cultura estão sendo desenvolvidas [nos países do Cone Sul] da maneira mais tradicional: financiando eventos", lamentou.

Para ele, se esse apoio à cultura for implementado nos países do Cone Sul, "poderá ajudar na articulação entre todos esses países". "Esse projeto estimula a finalidade da cultura, que é de integrar os povos, as comunidades", disse.

O projeto está sendo considerado como um primeiro passo para a elaboração de uma legislação regional. O objetivo é definir políticas articuladas entre os países do Cone Sul, que poderão ser ampliadas para toda a América do Sul.

A ALACP considera que o Mercosul tem enfatizado, desde sua criação (1991), questões ligadas à política e economia, deixando de lado pontos fundamentais como educação e cultura.

A proposta ainda está sendo concluída. Nos dias 3 e 4, durante o Seminário Cultura e Protagonismo Social na América Latina, ela será definida pela ALACP, especialistas e protagonistas sociais de diversos países da região. Os participantes também vão discutir questões como diálogo intercultural, integração regional e oportunidades para um desenvolvimento sustentável.

O projeto de lei será novamente debatido no final de setembro, em São Paulo. O grupo está recebendo auxílio dos consultores legislativos do Senado brasileiro e do Ministério da Cultura (MinC), do governo federal, responsável pelo projeto Pontos de Cultura.

Em novembro, em Buenos Aires, a proposta final do Projeto de Norma (como são denominados os projetos de lei do Parlasul) será apresentada ao Parlamento do Mercosul.

Fonte: Adital

Alvaro Botox Dias vai ter assessoria de empresa concorrente da PETROBRAS


Empresa americana vai assessorar tucanos na CPI da Petrobrás. Como é que é?

Paulo Henrique Amorim, Conversa Afiada

O Conversa Afiada recebeu o e-mail abaixo de uma fonte ligada à indústria do petróleo:

“O Senador Alvaro Dias declarou que o partido está em negociação com uma empresa de Houston, nos Estados Unidos, para auxiliar seu trabalho na CPI da Petrobras. E diz mais “Foi a única empresa até agora que topou nos ajudar porque não é daqui e deve trabalhar para as concorrentes da Petrobrás. Na próxima semana devemos ter muito mais munição”.

As motivações do PSDB aos poucos vão ficando claras. Para atacar um patrimônio nacional busca apoio em uma concorrente nos Estados Unidos, país que tem enorme interesse no enfraquecimento da Petrobras, já que pretende que suas empresas de petróleo ganhem importante fatia do pré-sal. Para isso contam com um senador tucano, que se dispõe a fazer o jogo do capital internacional contra a empresa brasileira.

Depois de tentar mudar o nome da empresa para PETROBRAX, agora os tucanos se dispõem a prestar relevantes serviços aos concorrentes de nossa maior empresa. Mas, sobre isso, a imprensa não fala uma linha.

Álvaro Dias deverá se encontrar com representantes de uma empresa de Houston na próxima semana para fechar contrato de investigação sobre a Petrobras. Dias deixou subentendido que a investigação que ficará a cargo da tal empresa pode ultrapassar a análise dos documentos enviados à CPI. O senador falou sobre essa questão com jornalistas do Globo, Estadão e Folha. Mas não deu detalhes.
Outro senador que estaria envolvido nos contatos com a empresa é Sérgio Guerra, mas ele se nega a falar sobre o assunto.”

O Conversa Afiada, na segunda-feira, perguntará ao senadores Álvaro Dias e Sérgio Guerra os termos da colaboração dos tucanos com a empresa americana para desestabilizar a Petrobrás e meter a mão no pré-sal.

O Conversa Afiada convida os amigos navegantes a fazer o mesmo.

O e-mail de Álvaro Dias é: alvarodias@senador.gov.br

Galeano: 'Bases dos EUA ofendem dignidade e inteligência'

29 de Agosto de 2009

Em entrevista concedida em Quito a Fernando Arellano Ortiz, do observatório latino-americano Cronicón,* o escritor uruguaio Eduardo Galeano denuncia: “A presença norteamericana em bases militares da Colômbia não só ofende a dignidade da América Latina, mas também a inteligência”. Para Galeano, "é muito positivo" que a Frente Ampla, uma coalizão de esquerda, governe hoje o Uruguai, embora ele "não coincida com tudo o que se faz". Veja a íntegra, traduzida por Emir Sader.


Galeano: 'Um tempo de esperança' na região

Cronicón: Depois de 200 anos da emancipação da América Latina, pode-se falar de uma reconfiguração do sujeito político nesta região, levando em conta os avanços políticos que se traduzem em governos progressistas e de esquerda em vários países latinoamericanos?

Galeano: Sim, há um tempo aberto de esperança, uma espécie de renascimento que é digno de celebração em países que não chegaram ainda a ser independentes, apenas começaram um pouquinho a sê-lo. A independência é uma tarefa pendente para quase toda a América Latina

Cronicón: Com toda a irrupção social que se vem dando ao longo do hemisfério, se pode dizer que há uma acentuação da identidade cultural da América Latina?

Galeano: Sim, eu acho que sim e isto passa certamente pelas reformas constitucionais. Ofendeu a minha inteligência, além de outras coisas que senti, o horror deste golpe de Estado em Honduras que invocou como causa o pecado cometido por um Presidente que quis consultar o povo sobre a possibilidade de reformar a Constituição, porque o que queria Zelaya era consultar sobre a consulta, nem sequer era uma reforma direta. Supondo que fosse uma reforma da Constituição, que seja bem vinda, porque as constituições não são eternas e para que os países possam realizar-se plenamente têm que reformá-las.

Eu me pergunto: o que seria dos EUA se seus habitantes continuassem obedecendo à sua primeira Constituição? A primeira Constituição dos EUA estabelecia que um negro equivalia às três quintas parte de uma pessoa. Obama não poderia ser Presidente porque nenhum país pode ter como mandatário as três quintas partes de uma pessoa.

Cronicón: Você reivindica a figura do presidente Barack Obama por sua condição racial, mas o fato de manter ou ampliar a presença norteamericana mediante bases militares na América Latina, como está acontecendo agora na Colômbia com a instalação de sete plataformas de controle e espionagem, não desdiz das verdadeiras intenções desse mandatário do Partido Democrata, e simplesmente segue ao pé da letra os planos expansionistas e de ameaça de uma potência hegemônica como os EUA?

Galeano: O que acontece é que Obama não definiu muito bem o que quer fazer nem em relação à America Latina, as relações nossas, tradicionalmente duvidosas, nem tampouco em outros temas. Em alguns espaços há uma vontade de mudança expressa, por exemplo, no que tem a ver com o sistema de saúde que é escandaloso nos EUA, se você quebra a perna, tem que pagar até o fim dos teus dias a dívida com esse acidente.

Mas em outros espaços não, ele continua falando de “nossa liderança”, “nosso estilo de vida” em uma linguagem excessivamente parecida com as dos anteriores. Me parece muito positivo que um país tão racista como esse e com episódios de um racismo colossal, descomunal, escandaloso, ocorridos há quinze minutos em termos históricos tenha um presidente seminegro. Em 1942 ou seja médio século, nada, o Pentágono proibiu as transfusões de sangue negro e aí o diretor da Cruz Vermelha renunciou ou foi renunciado porque se negou a aceitar a ordem dizendo que todo sangue é vermelho e que era um disparate falar de sangue negro, e ele, Charles Drew, era negro e um grande cientista, o que fez possível a aplicação do plasma em escala universal.

Então um país que fizesse um disparate como proibir o sangue negro ter agora Obama como presidente é um grande avanço. Mas por outro lado, até agora eu não vejo uma mudança substancial. Aí está, por exemplo, o modo como seu governo enfrentou a crise financeira. Pobrezinho, eu não gostaria de estar na sua pele, mas a verdade é que acabaram recompensando os especuladores, os piratas de Wall Street que são muitíssimo mais perigosos que os da Somália porque estes assaltam apenas aos naviozinhos na costa, mas os da Bolsa de Nova York assaltam todo o mundo. Eles foram finalmente recompensados; eu gostaria de começar uma campanha em princípio comovido pela crise dos banqueiros com o lema: “adote um banqueiro”, mas desisti porque vi que o Estado assumiu essa responsabilidade. E da mesma forma com a América Latina, que parece não ter muito claro o que fazer.

Os EUA estiveram mais de um século dedicados à fabricação de ditaduras militares na America Latina. Então, na hora de defender uma democracia como no caso de Honduras, diante de um claríssimo golpe de Estado, vacilam, tem respostas ambíguas, não sabem o que fazer, porque não tem prática, lhes falta experiência, há mais de um século trabalham no sentido oposto, então compreendo que a tarefa não é fácil. No caso das bases militares na Colômbia, não só ofende a dignidade coletiva da América Latina, mas também a inteligência de cada um de nós, porque que se diga que sua função vai ser combater as drogas, por favor, até quando! Quase toda a heroína que se consome no mundo provem do Afeganistão, quase toda, dados oficiais das Nações Unidas que todo mundo pode ver na internet. E o Afeganistão é um país ocupado pelos EUA e como se sabe os países ocupantes tem a responsabilidade do que acontece nos países ocupados, portanto tem algo que ver com este narcotráfico em escala universal e são dignos herdeiros da rainha Vitória que era narcotraficante.

"Não se pode ser tão hipócrita"

Cornicón: A rainha britânica que introduziu por todos os meios no século 19 o ópio na China através de comerciantes da Inglaterra e dos EUA

Galeano: Sim, a celebérrima rainha Vitória da Inglaterra impôs o ópio à China ao longo de duas guerras de trinta anos, matando uma quantidade imensa de chineses, porque o império chinês se negava a aceitar essa substância dentro de suas fronteiras que estava proibida. E o ópio é o pai da heroína e da morfina, justamente. Então aos chineses lhes custou muito, porque a China era uma grande potência que podia ter competido com a Inglaterra no começo da revolução industrial, era a oficina do mundo, e a guerra do ópio os arrasou, os converteu em uma piltrafa, aí entraram os japoneses como anel ao dedo, em quinze minutos. Vitória era uma rainha traficante e os EUA, que tanto usam a droga como pretexto para justificar suas invasões militares, porque disso se trata, são dignos herdeiros desta feia tradição. Me parece que já é hora que acordemos um pouquinho, porque não se pode ser tão hipócrita. Se vão ser hipócritas que o sejam com mais cautela. Na América Latina temos bons professores de hipocrisia, se querem podemos em um convênio de ajuda tecnológica mútua emprestar-lhes alguns hipócritas nossos.

Cornicón: Há exatamente nove anos, você disse em uma entrevista concedida em Bogotá a mim a seguinte frase: “Deus livre a Colômbia do Plano Colômbia”. Qual é agora sua reflexão em relação a esse país andino que enfrenta um governo autoritário entregue aos interesses dos EUA, com uma alarmante situação de violação de direitos humanos e com um conflito interno que segue sangrando-o?

Galeano: Além disso, com problemas gravíssimos que se foram agudizando com a passagem do tempo. Eu não sei, te digo, quem sou eu para dar conselhos à Colômbia nem aos colombianos, além disso sempre estive contra esse costume ruim de algumas pessoas que se sentem em condições de dizer o que cada país tem que fazer. Eu nunca cometi esse pecado imperdoável e não vou cometê-lo agora com a Colômbia, só posso dizer que tomara que os colombianos encontrem seu caminho, tomara que o encontrem, ninguém pode impor-lhes de fora, nem pela esquerda, nem pela direita, nem pelo centro, nem por nada, serão os colombianos que devem encontrá-lo. O que eu posso dizer é que eu testemunho as coisas.

Se há um tribunal mundial que alguma vez chegue a julgar a Colômbia pelo que se diz da Colômbia: país violento, narcotraficante, condenado à violência perpétua, eu vou dar testemunho de que não, de que esse é um país carinhoso, alegre e que merece um destino melhor.

Reivindicando a memória de Raúl Sendic

Cornicón: Há muitos anos, talvez umas quatro décadas, havia um personagem em Montevidéu que se reunia com um jovem desenhista chamado Eduardo Hughes Galeano com o propósito de lhe dar idéias para a elaboração de suas caricaturas, chamado Raúl Sendic, o inspirador da Frente Ampla do Uruguai...

Galeano: E o dirigente guerrilheiro dos Tupamaros, mesmo se naquele momento ainda não o era. É verdade, quando eu era criança, quase catorze anos, e comecei a desenhar caricaturas, ele se sentava a olhar e me dava idéias, era um homem bastante mais velho que eu, com certa experiência, e ainda não era o que foi depois: o fundador, organizador e dirigente dos Tupamaros. Me lembro o que disse a Emilio Frugoni que naquela época era dirigente do Partido Socialista e diretor do semanário em que eu publicava umas caricaturas precoces, assinalando para mim: “Este vai ser ou presidente ou grande delinqüente”. Foi uma boa profecia e terminei sendo grande delinqüente.

Cornicón: O fato de que hoje a Frente Ampla está governando o Uruguai e que um ex-guerrilheiro como Pepe Mujica tenha possibilidade de ganhar as eleições constitui uma reivinidicação à memória de Sendic?

Galeano: Sim e de todos os que participaram em uma luta longa para romper o monopólio de dois, exercido pelo Partido Colorado e pelo Partido Nacional durante quase toda a vida independente do país. A Frente Ampla surge há pouco tempo no cenário político nacional e me parece muito positivo que esteja governando agora, aparte de que eu não coincida com tudo o que se faz e além disso creio que não se faz tudo o que se deveria fazer. Mas isso não tem nada que ver porque finalmente a vitória da Frente Ampla foi também uma vitória da diversidade política que eu creio que é a base da democracia. Na Frente coexistem muitos partidos e movimentos diferentes, unidos claro em uma causa comum, mas com suas diversidades e diferenças, e eu as reivndico, para mim isso é fundamental.

Cornicón: O que representa para você como uruguaio o fato de que um dirigente emblemático da esquerda como Pepe Mujica, ex-guerrilheiro tupamaro, tenha amplas possibilidades de chegar à Presidência da República?

Galeano: Com alguma sorte, não vai ser fácil, vamos ver o que acontece, mas eu acho que é um processo de recuperação, as pessoas se reconhecem justamente no Pepe Mujica porque ele é radicalmente diferente dos nossos políticos tradicionais, na sua linguagem, até no seu aspecto e tudo o mais, por mais que ele tratou de se vestir como cavalheiro fino, não cai bem nele, e expressa muito bem uma necessidade e uma vontade popular de mudança. Acho que seria bom que ele chegasse à Preisdência, vamos ver se isso acontece ou não. De qualquer maneira, o drama do Uruguai como o do Equador, certamente, país em que estamos conversando neste momento, é a hemorragia de sua população jovem. Ou seja, a nossa é uma pátria peregrina; no seu discurso de posse o presidente Rafael Correa falou dos exilados da pobreza e a verdade é que há uma enorme quantidade de uruguaios muito mais do que se diz, porque não são oficiais as cifras, mas não menos de 700 ou 800 mil uruguaios em uma população pequeniníssima, porque nós no Uruguai somos 3 milhões e meio, essa é uma quantidade imensa de gente fora, todos ou quase todos jovens, então ficaram os velhos ou as pessoas que já cumpriram essa etapa da vida em que a gente quer que tudo mude para se resignar a que não mude nada ou que mude muito pouco.

Tijolos coloridos para armar mosaicos

Cornicón: Depois de seus reputados livros As veias abertas da América Latina, publicado em 1970, e Espelhos, editado em 2008, que relatam histórias da infâmia, o primeiro sobre nosso continente e o outro de boa parte do mundo, há espaço para continuar acreditando na utopia?

Galeano: O que faz “Espelhos” é recuperar a história universal em todas suas dimensões, em seus horrores, mas também em suas festas, é muito diferente de “As veias abertas da América Latina”, que foi o começo de um caminho. “As veias abertas” é quase um ensaio de economia político, escrito em uma linguagem não muito tradicional no gênero, por isso perdeu o concurso da Casa das Américas, porque o jurado não o considerou um livro sério. Era uma época em que a esquerda só acreditava que o sério era o chato, e como o livro não era chato, não era sério, mas é um livro muito concentrado na história política econômica e nas barbaridades que essa história implicou para nós, como nos deformou e nos estrangulou. Em compensação, “Espelhos” tenta abordar o mundo inteiro recolhendo tudo, as noites e os dias, as luzes e as sombras, são todas histórias muito curtinhas, e há também uma diferença de estilo. “As veias abertas” tem uma estrutura tradicional, e a partir daí eu tentei encontrar uma linguagem própria minha, que é a do relato curto, tijolos coloridos para armar os grandes mosaicos, um estilo como o dos muralistas, e cada relato é um pequeno tijolo que incorpora uma cor, e um dos últimos relatos de “Espelhos” evoca uma recordação da minha infância que é verdadeiro; é que quando eu era pequenininho acreditava que tudo o que se perdia na Terra ia parar na Lua, estava convencido disso e me suprendeu quando chegaram os astronautas à Lua porque não encontraram nem promessas traídas, nem ilusões perdidas, nem esperanças rompidas, e então eu me perguntei: se não estão na Lua, onde estão? Será que não estão aqui na terra, esperando-nos?

* Fonte: http://www.cronicon.net

O PIG não se conforma

Curioso que ninguém viu essa sanha por justiça por parte do PIG, e de seus analistas, quando o empresário-ministro Mendes soltou, na calada da noite, o mafioso Daniel Dantas.Pouco importa saber o que esses "analistas" pensam A lei é mole, mas é lei. Pronto!Sabe o que mais: vocês vão ter que engolir Palocci. Palocci, à luz da justiça criminal, é um homem livre, queira ou não queira o PIG, queiram ou não queiram os seus leitores encabrestrados. Não se fala mais nisso. Ah! o PIG tem uma chance de recorrer da decisão: é só acionar o Tribunal Internacional da Hipocrisia.


Há indícios contra Palocci, dizem juristas

Avaliação é de que fator político pesou no STF, mas placar apertado expôs tendência pela abertura de ação


Havia motivos suficientes para abertura da ação penal contra o deputado e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP), sustentam procuradores da República, advogados criminalistas e juristas que seguem a linha de entendimento de quase metade da composição do Supremo Tribunal Federal (STF). Para esses profissionais da área do direito, o placar apertado do julgamento - cinco votos contra a ação, quatro a favor -, expõe a tendência em mandar Palocci para o banco dos réus. "Foi um julgamento atípico, que revela a influência política sobre o Judiciário", aponta o advogado Alberto Carlos Dias. "É questão clara de status, 99,9% dos brasileiros na situação do ex-ministro seriam réus a essa altura", acusa o jurista Luiz Flávio Gomes.

Na longa sessão de quinta-feira no STF, prevaleceu o voto do ministro Gilmar Mendes, relator, pela exclusão de Palocci da ação penal por quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, em 2006. "A lei não incrimina o mero acesso aos dados ou informes bancários pelos servidores, gerentes e administradores das instituições autorizados ao seu manuseio, ou a simples extração de um extrato por qualquer deles", assinalou Mendes, em 46 páginas.

Rejeição de denúncia é fato comum na corte. Em 2008, somente 7 de 73 denúncias foram acatadas. Este ano, foram recebidas 7 denúncias, de 41.

?CASUÍSMO?

"O julgamento evidenciou, mais uma vez, o casuísmo das decisões do STF", avalia a procuradora Janice Ascari. "A instrução processual é o momento de trazer as provas, tanto da defesa quanto da acusação. Apesar da jurisprudência e doutrina, o STF subverteu a lógica e decidiu contra a sociedade".

Ela rechaça a tese do presidente do STF com o artigo 29 do Código Penal. "Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade. Pode não haver indícios de que Palocci participou da quebra do sigilo, mas o fato de ele ter se reunido com o presidente da Caixa naquela mesma noite não seria motivo para recebimento da denúncia?"

Para o promotor de Justiça Aroldo Costa Filho, um dos autores da denúncia contra Palocci no caso da máfia do lixo, havia elementos para o recebimento da denúncia. "Os telefonemas e encontros em horários inoportunos, além de outros aspectos relacionados na denúncia, principalmente no que se refere ao interesse. Palocci era o único interessado na quebra. Na fase do recebimento da denúncia, diz a lei, deve haver indícios, não prova cabal, da autoria e da materialidade do crime."

"Decisão judicial se cumpre, mas essa vem ao contrário de toda a jurisprudência, toda a doutrina e a letra da lei", argumenta José Carlos Cosenzo, presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público. "Havendo indícios, a dúvida é em favor da sociedade. Para julgar, a dúvida recai em favor do réu. A decisão do STF é claramente política. O que se verificou foi a situação do denunciado, porque havia elementos de sobra para abrir a ação. Qualquer juiz de instância inferior receberia a denúncia."

O criminalista José Roberto Batochio, defensor de Palocci, avalia que "simples indícios" não bastam. "É preciso que haja indícios idôneos. Indícios inidôneos não servem. O inquérito produziu a prova plena de que não foi Palocci quem mandou quebrar o sigilo ou teve qualquer participação na divulgação dos dados."

?TEMERÁRIO?

A tese central do presidente do STF é que a atividade em qualquer instituição financeira pressupõe acesso a dados confidenciais. "Trata-se, na grande parte das vezes, de cumprimento de dever funcional ou legal e seria absolutamente temerário e casuístico pretender responsabilizar penalmente um funcionário baseado na eventual intenção que o levou a examinar os dados bancários do cliente A ou B. A separação entre conduta lícita e ilícita, para fins penais, seria perigosamente subjetiva."

Não é o que pensa o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Ele aponta "concerto de atividades, todas tendentes a revelar situação fática que pudesse vir em prejuízo de Francenildo e também não deixam dúvidas quanto à autoria dos delitos". Além de Palocci, foram denunciados o ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso e o ex-assessor de imprensa do Ministério da Fazenda Marcelo Netto.

O procurador destacou que "não pode nem sequer ser considerada" a alegação da defesa de que Palocci e Mattoso podiam ter livre acesso à movimentação de Francenildo. "Não está em causa se o ministro da Fazenda e o presidente da Caixa podem, no exercício de suas funções, ter notícia de movimentações financeiras atípicas para comunicá-la aos órgãos competentes. O que se aponta como delituoso é que essa notícia, obtida em razão do cargo, seja utilizada para fins pessoais."

"Quando o sujeito não tem status, abre-se a ação", diz o advogado e ex-juiz Luiz Flávio Gomes. "Acontece com qualquer mortal desse Brasil. O resultado foi 5 a 4. Já é, por si só, sinal de que uma mínima base existia para o processo." AE. 29/08/2009.

Saudades da Marcha


28/08/2009

Mino Carta

Não consegui evitar a célebre furtiva lacrima vertida no melodrama e pelos espíritos hipersensíveis. Foi por causa do Estadão de terça 25. Comovido, descobri que o jornal, digno estandarte da mídia nativa, pretende maior eficácia na “fiscalização dos grandes contribuintes” em vez de penalizar “velhinhos e aposentados”.

Talvez a escolha não configure surpresa para o grande público da grande imprensa (grande? Talvez caiba mais o adjetivo imenso, no masculino e no feminino). Para mim, é. Sempre me ocorre recordar a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Postei-me na esquina da rua Marconi com a Barão de Itapetininga, centro de São Paulo, e a vi passar enquanto o então governador, Adhemar de Barros, sobrevoava de helicóptero, a dedilhar as contas de um rosário.

Deslizavam sobre o asfalto os pés bem calçados dos sócios do Harmonia e do Paulistano, acompanhados por seus fâmulos de pés não tão bem calçados. Vinham depois os sócios de outros clubes menos aristocráticos, a começar pelo Pinheiros, ex-Germânia, traziam domésticas em lugar de mordomos, quituteiras, jardineiros, motoristas, aias. Um ou outro cabeleireiro. Pedicuros, estes podem fazer falta.

Os jornalões, a começar pelo Estado de S. Paulo, celebraram então o apoio da classe média à causa da liberdade ameaçada, contra Deus e a família. A deles. Sei da minha ignorância, e a confesso: nunca entendi o conceito de classe média no Brasil, país onde 95% dos cidadãos ganham de 800 reais por mês para baixo. Média no meio do quê? Os amigos economistas, alguns caríssimos, tentam colocar-me na bissetriz correta ao sabor de critérios para mim indevassáveis. Cheguei, às vezes, a meditar a respeito, e agora me arrependo. Na Barão transitavam os privilegiados, os donos do poder. Ou, se quiserem, os grandes contribuintes, que a mídia sempre defendeu por serem da turma.

Perlustro, com a inextinguível dificuldade, a mídia nas suas manifestações hodiernas, via editoriais, colunas, artigos, coberturas jornalísticas (jornalísticas?) e leio e ouço a afirmação categórica de que uma rebelião da Receita está em pleno andamento.

Depois da grita em torno das últimas do contumaz Sarney, a mídia cria o motim dos fiscais, e o mantém nas manchetes com sofreguidão. Tudo se faz para atapetar de pedras graúdas o caminho do governo, na perspectiva de 2010. A evocação do passado é inevitável. Recordo, porém, o adágio dos pensadores: a história costuma repetir-se como caricatura. Sim, parece até que a mídia está aí a programar uma nova marcha, sem dar-se conta da mudança do cenário, por mais evidente. O pessoal não prima pelo brilhantismo.

Vamos aos fatos, como recomenda o verdadeiro jornalismo, este mar que a mídia nativa não navega. Houve é uma alteração mais ou menos profunda nos quadros da Receita. Sem razão alguma para questionar o afastamento de Jorge Rachid um ano atrás pelo ministro Mantega, e a nomeação em seu lugar de Lina Maria Vieira, não cabe agora discutir a demissão da secretária. Trata-se de cargos de confiança, e como tais têm de ser encarados. Se houve tentativa de rebeldia, foi por parte de dona Lina e, no mínimo, enveredou pelo patético. Não extrapola disso a rebelião da Receita.

A inconformada protetora de velhinhos e aposentados, eleita a heroína dos eternos defensores dos grandes contribuintes, foi demitida, de fato, por incompetência e forte tendência ao lazer. Não justifica espanto, e assim seria em qualquer latitude, que os apaniguados de dona Lina saíssem com ela. Voltamos, porém, à pauta useira: qualquer pretexto serve para atacar o governo Lula.

Sem deixar de falsear informações, manipular, omitir, mentir, todas práticas que distinguem o nosso jornalismo. Há jornalistas e há sabujos, está claro. Desconfio que estes prestem seus serviços aos derradeiros sonhadores de uma nova marcha.

Insegurança pública:casa de secretário de Serra é assaltada em SP



29 de agosto de 2009

Cinco homens usando máscaras cirúrgicas invadiram na manhã de sexta-feira a casa do secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho , Guilherme Afif Domingos, localizada no bairro Jardim Paulistano, em São Paulo. Segundo a polícia, foram levados 3 mil euros, 3 relógios, celulares e diversas jóias. A polícia procura os ladrões.

Segundo o boletim de ocorrência, divulgado pela Secretaria de Segurança Pública, o grupo chegou à casa dizendo ter uma "encomenda" para o dono da casa. Uma das empregadas tentou pegar o pacote mas, com o peso, pediu ajuda de uma colega, que abriu o portão. A casa foi invadida em seguida.

Os homens teriam ficado na residência por cerca de 30 minutos e chegaram a ameaçar os familiares de Afif para saber onde ficava o cofre de jóias. A ocorrência foi registrada no 15° Distrito Policial (Itaim Bibi).
Redação Terra

Sérgio Cabral e o 'projeto Robin Hood' de Lula para o pré-sal

29 de Agosto de 2009

O governador Sérgio Cabral (PMDB) – importante aliado do presidente Lula em 2010 – não tem um pingo de razão em sua grita de que o Rio de Janeiro vai "perder" com o "espírito de Robin Hood" das regras para o petróleo do pré-sal, a serem apropostas pelo Planalto nesta segunda-feira (31). O Rio não vai perder um centavo. Mas não se justifica que os estados mais ricos fiquem com todo o dinheiro de uma riqueza que é da União.

Por Bernardo Joffily


O mapa e a tabela ao lado ilustram o conteúdo da questão: a megajazida petrolífera descoberta pela Petrobras costeia justamente os estados com maior renda per capita do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Espírito Santo (além do Paraná, sexto colocado).

Como o pré-sal está a centenas de quilômetros da costa, não se justifica que se aplique á renda que virá dele os critérios atuais. Mas estes continuarão a valer para a extração em terra, e em áreas da plataforma continental próximas da costa.

A grande mídia, que nunca tratou Cabral com simpatia, dessa vez parece alinhar-se com o governador. O colunista do Globo Ricardo Noblat afirmou neste sábado que "nenhum outro estado perderá tanto quanto o Rio".

Não é verdade. O Rio não perderá um tostão.

Mas o Brasil pobre precisa ganhar com o pré-sal. Afinal, o petróleo pertence à União, ou seja, ao Brasil como um todo. Seria uma perversidade e uma injustiça se essa riqueza viesse a ser um fator de concentração ainda maior da renda no país.

Os argumentos do governador

Cabral não concorda. É até compreensível, para quem deve enfrentar uma concorrida disputa para reeleger-se em 2010. Mas sob a ótica do país ele não tem razão.

"Esta discussão virou uma panacéia". É um espírito de Robin Hood, de tirar dinheiro dos que têm direito para distribuir para todos os estados", reclamou o governador nesta sexta-feira (28), insistindo na inverdade de "tirar" dinheiro.

“Que conversa de Robin Hood é essa? Está bom! Vamos então pegar a riqueza da soja no Rio Grande do Sul e o minério de Minas Gerais e distribuir”, insistiu, com ironia.

Petróleo no jantar do Alvorada

Neste domingo, Cabral janta no Palácio da Alvorada, com Lula e os governadores Paulo Hartung (Espírito Santo) e José Serra (São Paulo). No seu arroubo anti-Robin Hood, ele chegou a propor que Lula adiasse o anúncio do novo marco regulatório para o petróleo do pré-sal, marcado, com pompa e circunstância, para segunda-feira. O governo federal achou a ideia descabida, uma tentativa de interferir na agenda do presidente da República.

Lula vai dizer durante o encontro que o anúncio marcará apenas o início das discussões. Quem quiser modificar alguma das ideias do governo, poderão fazê-lo durante a tramitação das propostas no Congresso e o debate com a sociedade brasileira. Nesse debate, é impensável que a posição de Sérgio Cabral venha a prosperar.

Atualmente, o estado do Rio de Janeiro – e 87 dos seus 92 municípios – recebe 67% de todos os royaltes pagos pela exploração de petróleo no país. No caso das participações especiais (outra forma de remuneração pela extração), a percentagem sobe para inacreditáveis 95%.

A proposta do presidente Lula não propõe que se "tire" nada dessa renda. Os royaltes e participações continuarão ajudando o Rio a se recuperar do esvaziamento que sofreu 50 anos atrás com a transferência da capital para Brasília. Mas seria inconcebível que o mesmo viesse a acontecer com a renda do pré-sal. Esta tem que ajudar o Brasil como um todo, inclusive na superação das iniquidades regionais e sociais.

Brasil quer quebrar patentes para retaliar EUA

Sábado, 29 de Agosto de 2009

O governo federal já conta com uma nova medida provisória que permitirá a adoção de retaliações contra os Estados Unidos, por meio da quebra de patentes. O projeto, mantido em sigilo, está apenas esperando que na segunda-feira a Organização Mundial do Comércio (OMC) autorize o Brasil a aplicar sanções em direitos de propriedade intelectual.

Nessa data, a entidade máxima do comércio vai anunciar, após sete anos de disputa, o valor e a forma pela qual o Brasil poderá retaliar os EUA pelas irregularidades no comércio de algodão.

A guerra começou em 2002 e atravessou todo o governo George W. Bush. Mas os EUA utilizaram todos os mecanismos para retardar a condenação. Os subsídios ao algodão foram condenados pela OMC, numa decisão que simbolizou a vitória dos países em desenvolvimento contra o sistema agrícola dos países ricos, que há 40 anos provocava distorções.

O problema é que o governo americano nunca retirou os subsídios. O Brasil também já havia sido autorizado a retaliar em 2005, mas preferiu um entendimento com Washington, esperando que o subsídio fosse suspenso sem que fosse necessária alguma sanção, que causaria um desgaste político.

De novo, nada ocorreu. O Brasil, em julho do ano passado, decidiu pedir o direito de retaliar os americanos em US$ 2,5 bilhões. Os americanos questionaram o valor e alertaram que apenas aceitariam retaliação de pouco mais de 1% do valor defendido pelo Brasil, de US$ 30 milhões. Uma decisão sobre qual seria o montante deveria ter sido dada ainda em 2008. Mas a direção da OMC vem adiando a decisão diante da pressão política.

Na prática, trata-se de um dos casos mais polêmicos do comércio internacional. As retaliações são autorizadas pela OMC sempre que um país ganha uma disputa comercial e o governo condenado não cumpre a determinação dos juízes. A sanção seria uma forma de penalizar o país por não seguir as regras internacionais e, ao causar prejuízos, pressionar para que as irregularidades sejam corrigidas.

O Brasil tem pelo menos duas formas de aplicar as retaliações. Uma seria elevando as tarifas para bens americanos. Mas o governo avalia que essa seria uma forma limitada de pressionar o governo americano em um setor que financiou parte da campanha de Barack Obama. Com exportações de mais de US$ 800 bilhões por ano, os americanos não se sentiriam pressionados a mudar suas práticas por causa de uma retaliação que, no máximo, chegaria a US$ 2,5 bilhões durante alguns anos.

A segunda opção, preferida por parte do Itamaraty, é tentar aplicar retaliações em outros setores, como patentes e serviços audiovisuais. A ideia é que um produto importado com patente possa ser produzido localmente como retaliação, suspendendo o direito de propriedade intelectual. AE.

PV + DEM + PSDB + PR + PPS + PP + PTB + PDT + PMN + PSC + PHS + PTN = PMDB

Raro na oposição, PV se alia até a "motosserra de ouro" para governar

Adotado pela senadora Marina Silva (AC) para disputar as eleições presidenciais de 2010, o Partido Verde (PV) faz parte da base governista na ampla maioria dos Estados brasileiros, de acordo com um levantamento do UOL Notícias. A legenda esteve ao lado até do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), premiado pela ONG ambientalista Greenpeace com o "Motosserra de Ouro" há quatro anos.

Somando os 26 Estados e o Distrito Federal, o PV, mesmo com poucos redutos no Brasil inteiro, como Guarulhos (SP) e Natal, só não auxiliou últimos anos as coalizões governistas de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Tocantins, Pernambuco e Sergipe. O partido não elegeu nenhum governador em 2006.

A sigla também dá suporte ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e indicou Juca Ferreira ao Ministério da Cultura. Em troca, oferece o apoio da maior parte da sua bancada de 14 deputados federais. A exceção mais clara a esse posicionamento em Brasília é a do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), próximo do governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

Até em Estados onde não elegeu representantes para a Assembleia Legislativa, casos do Acre, governado pelo petista Binho Marques, e do Distrito Federal, do governador José Roberto Arruda (DEM), o PV faz parte da base aliada e indica membros da administração pública.

Na maioria dos Estados, o PV conta com um ou dois parlamentares. Em São Paulo e Minas Gerais ficam as representações verdes mais expressivas: sete entre 94 deputados paulistas e sete entre 77 mineiros.

Essa flexibilidade permitiu ao PV indicar integrantes nos governos de todos os principais pré-candidatos para as eleições de 2010. Participa da gestão federal, que deve ter a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) como porta-bandeira e também conta com secretários nas gestões tucanas de São Paulo, de Serra, e Minas Gerais, com Aécio Neves.

Como construir o discurso de Marina Silva na provável candidatura dela à Presidência da República em 2010 se o partido é tão entranhado nos governos dos principais adversários da ex-ministra do Meio Ambiente do presidente Lula?

"Não somos muito oposição nem muito governo em lugar nenhum", afirmou o vereador por São Paulo José Luiz Penna, presidente nacional do PV. "Somos um partido aberto a quem quiser construir um programa novo. É como dizíamos: não estamos à esquerda nem à direita. Estamos à frente."

Apoio regional

Na região Norte, onde está a maior parte da Floresta Amazônica, o PV está à frente de gestões de diferentes matizes partidárias: é da base de Ivo Cassol (sem partido-RO), Binho Marques (PT-AC), Ana Júlia Carepa (PT-PA), Waldez Góes (PDT-AP) e José de Anchieta Júnior (PSDB-RR). Faz oposição a dois peemedebistas, Eduardo Braga (AM) e Marcelo Miranda (TO).

No Centro-Oeste, além de participar do governo de Maggi, criticado internacionalmente devido aos números de desmatamento no Estado , a sigla apóia o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), e conta com um subsecretário de Meio Ambiente.


O PV já teve representante no secretariado de Goiás, mas, segundo um assessor do governador Alcides Rodrigues (PP), perdeu o espaço porque estava "sem densidade eleitoral que justificasse". Mas mantém canais de comunicação com o governo, disse o assessor.

Nos três Estados do Sul, o PV só tem representante na Assembleia Legislativa do Paraná e integra a base do governador Roberto Requião (PMDB). A legenda ocupa a Secretaria do Meio Ambiente. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o partido participou de coligações de oposição aos governadores Yeda Crusius (PSDB) e Luiz Henrique da Silveira (PMDB).

No Nordeste, o PV tem apenas um reduto expressivo: o Maranhão, que faz parte da Amazônia Legal. O expoente do partido é o deputado Zequinha Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) e foi oposição ao governador cassado Jackson Lago (PDT). Voltou ao governo estadual com o retorno de Roseana Sarney (PMDB).

Na Bahia, o partido costuma orbitar em torno do PT do governador Jaques Wagner e nunca caminhou ao lado do grupo do falecido governador Antonio Carlos Magalhães. Em Alagoas, ocupa cargos na Secretaria do Meio Ambiente do governador Teotônio Vilela Filho (PSDB).

No Rio Grande do Norte, Estado onde administra a capital Natal com Micarla de Souza, o PV não tem membros da administração pública e seu único deputado estadual tem posição independente, mas muitas vezes compõe com a governadora Wilma de Faria (PSB).

É oposição aos governadores do Sergipe, Marcelo Déda (PT), de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e da Paraíba, José Maranhão (PMDB). No caso paraibano, o partido governou ao lado de Cássio Cunha Lima (PSDB), que acabou cassado no fim do ano passado.

No Piauí, nem o partido, nem o governo estadual nem a Assembléia Legislativa informaram a posição do PV em relação à administração de Wellington Dias (PT).

Falta de crítica

Entre agosto de 2008 e junho deste ano, o Pará foi o Estado que mais desmatou, com 47% do total registrado no período, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em seguida aparece Mato Grosso, com 30%.

Os deputados estaduais da sigla não deixam de observar esses números e fazer críticas pontuais, tanto no Pará como em outros Estados. Mas em ampla maioria, dizem interlocutores do partido, não são como o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), que faz oposição aberta ao Palácio do Planalto. Preferem manter a interlocução com o poder estadual e, de preferência, ganhar cargos.


"O PV é um partido fisiológico, tem muito pouco a ver com o PV alemão ou o PV francês, que são mais coesos. Esses optam por ficar fora do poder se for necessário e são mais próximos da esquerda desencantada com as experiências de comunismo na Europa e na China", disse o cientista político David Fleischer, professor da Universidade de Brasília (UnB).

"Não sei se a entrada da Marina Silva vai ajudar a refundar o partido de verdade, mas é fato que há muito a ser mudado se quiserem fazer um partido sério. Hoje é um partido de pequenos líderes regionais com um poder bastante limitado", afirmou.

Os dois expoentes mais antigos da sigla, Penna e o vereador carioca Alfredo Sirkis, e já estiveram ao lado de políticos com visões diferentes entre si: o ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia (DEM), a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT). Hoje colaboram com as gestões de Eduardo Paes (PMDB) e Gilberto Kassab (DEM), adversários dos dois antecessores.

Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, o partido também está à frente da coalizão governista de Aécio, que disputa com Serra a indicação tucana para concorrer à Presidência da República.

"Temos como pontuar nossas diferenças com eles, em especial na questão ambiental. Não é nosso único tema, há muito para se discutir sobre educação, habitação e por aí vai", diz Penna. "Mas mesmo participando desses governos nós temos espírito crítico para saber onde precisa melhorar. E nosso partido vai melhorar também para ter mais autonomia nessa crítica."Uol.