quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Tarso Genro está com peninha do DEMO

Que vá pro inferno o DEMO e seus parceiros

Lucas Ferraz e Tales Faria, iG Brasília

BRASÍLIA - Autodeclarado político de esquerda, o ministro da Justiça, Tarso Genro, defende a existência de um partido político forte de direita no Brasil, pelo bem da “democracia”. Ao ser indagado sobre o escândalo de corrupção do DEM no Distrito Federal, Tarso diz que não seria “bom se o partido perdesse sua potência política”.

Um dos ministros mais polêmicos do governo Lula, Tarso Fernando Herz Genro, 62 anos, deixa sua pasta no início de 2010 para assumir de vez a pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Sul pelo PT. No governo federal desde o início do primeiro mandato de Lula, em 2003, Tarso foi ministro da Educação, da Coordenação Política e assumiu a presidência do Partido dos Trabalhadores no auge do mensalão, em 2005, quando o partido viveu um de seus mais espinhosos momentos.


Em entrevista ao iG, o ministro da Justiça defende a reforma política como forma de evitar escândalos como o que atingiu o PT, o PSDB, na reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais, no final dos anos 90, e agora o DEM. Reconhece que o seu partido não se “refundou”, como ele havia sugerido, e critica quem “demoniza” a política por causa dos recentes casos de corrupção. “Não é verdade que a política no Brasil é especialmente podre”, afirma ele. “Mas sabemos que não existe uma formação política pura, uma comunidade de anjos”.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

iG - O que o senhor achou do escândalo envolvendo o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda?

Tarso Genro - Enquanto não tivermos uma reforma política, com financiamento público, isso tende a repetir. Acontecimentos como esse ocorrem com base em três possibilidades: erro do gestor, desonestidade ou relações espúrias com outras pessoas ou empresas para campanhas eleitorais.

iG – O senhor foi alçado presidente do PT na época do mensalão. Que conselho daria ao DEM agora?

Tarso - Dizer a verdade. Agora, não se trata do DEM. Os inquéritos não são feitos contra partidos ou grupos ideológicos, mas em torno de fatos, que repercutem em pessoas que podem ou não ser ligadas a partidos. Vincular aos partidos gera uma demonização da política que não é boa para a democracia.

iG – O DEM, nos últimos anos, perdeu muito de seu espólio político. Essa crise pode ser um prenúncio de seu fim?

Tarso - Não, os partidos têm que aprender a sair dessas situações. Temos que ter um partido forte de direita no Brasil, não seria bom para a democracia brasileira se o DEM perdesse sua potência política. A questão da corrupção vai sair da agenda do processo eleitoral. O debate será mais elevado com a inserção do Brasil na cena internacional. Essa movimentação que o Lula fez não permite mais que nossas discussões sejam meramente paroquiais.

iG – O PT se refundou, como o senhor defendia?

Tarso - Não. O processo de renovação ou refundação do PT é de alta complexidade. Ele não se resolve em um período. Inclusive a própria tensão sobre a refundação baixou muito em cima das necessidades permanentes da governabilidade, da necessidade do PT de se articular para defender o governo Lula. Mas esse movimento vai continuar. Quando disse refundação, falava em novos fundamentos, e eles serão sempre necessários.

iG – O que o mais recente escândalo muda no jogo eleitoral em 2010?

Tarso - Vai depender dos políticos. Essa discussão em ano eleitoral é casuística e não contribui em nada. Tende a incriminar partidos, o que não é positivo. A lição que temos que tirar disso é continuar um ataque frontal às ilegalidades contra o Estado brasileiro e procurar ressalvar a esfera da política. Não é verdade que a política no Brasil é especialmente podre. Tem pessoas que cometem crimes e ilegalidades em todas as esferas de poder, profissões e classes sociais.

iG - Mas o eleitor não faz essa distinção.

Tarso - Estou me referindo ao comportamento que deve ter as elites políticas. Até porque sabemos que não existe uma formação política pura, uma comunidade de anjos. Em nenhum lugar. Temos que proteger a esfera política para proteger a democracia.

iG - O Sr. não acha que poderia ajudar mais a Dilma Rousseff no Sul?

Tarso - É o que pretendo fazer logo que sair daqui. No Rio Grande do Sul o palanque mais forte que a Dilma tem é o nosso.

iG – Não seria mais forte se o PMDB e o PT estivessem juntos?

Tarso - Basta o PMDB nos apoiar, pois somos o palanque mais forte. A tradição do Rio Grande do Sul é o PMDB coordenar uma coalizão política e a gente outra. Esse sempre foi o espectro do segundo turno. Lá o PMDB é majoritariamente oposição ao presidente Lula. Não é justo cobrar do PMDB um apoio a nós. Assim como é justo que eles não se sintam desfalcados sem o PT. Temos que conviver com duas candidaturas. Se for vontade do PMDB, vão ter dois ou mais palanques para a Dilma.

iG - E se a Dilma subir no palanque do PMDB?

Tarso - Não nos opomos. Quem ajudou a formar essa coalizão política com o PMDB fui eu, quando era ministro da Coordenação Política. A idéia da coalização é dar estabilidade ao governo central. Nas regiões em que ela não pode se reproduzir têm que se adaptar. Agora, a estabilidade política e a governabilidade do país não podem ficar prejudicadas pelas regiões.

2 comentários:

Enoque disse...

QUÊ QUE ISSO COMPANHEIRO???

O TERROR DO NORDESTE disse...

Enoque, se Tarso quer que o DEMO não se acabe é porque ele está com pena deste partido corrupto.Eu tenho pena uma ova, que se danem os demos.