sábado, 9 de abril de 2011

Pochmann: Mídia trata cenário econômico nacional como se fosse 'pronto-socorro'

O Brasil tem a possibilidade de se tornar uma liderança mundial diante das transformações por que passa a economia internacional, segundo Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Durante seminário realizado na capital paulista nesta sexta-feira (8), ele criticou a cobertura da mídia, que trata o cenário econômico nacional como se fosse um "pronto-socorro".

Ele abriu o seminário "Rumos da Economia no Brasil", organizado pela revista Brasileiros, como parte de uma série de eventos temáticos semelhantes. Pochmann defendeu a discussão e adoção de um modelo de desenvolvimento que garante a superação de problemas sociais que ainda persistem. "É inaceitável que estejamos pensando em ser a quinta (maior) economia mundial com problemas sociais do século passado", criticou.

Ao mesmo tempo, lembra o economista, o desenvolvimento representa uma transformação estrutural, com possbilidades de o país se tornar uma liderança internacional. Isso ocorre especialmente porque se projeta uma perspectiva de um mundo multipolar, com vários países puxando o crescimento econômico. "Não está definido como vai ser, mas é certeza de que os Estados Unidos não vão vai puxar crescimento. A China vai atender por parte disso, mas há espaço para o Brasil responder por outra parcela, como liderança sul-americana", opinou.

Bom sinal

"Debater quais são os caminhos do desenvolvimento é um bom sinal, porque em décadas passadas, havia só uma via, que era a do Consenso de Washington", elogiou. O economista lembrou que a agenda neoliberal começou a ser aplicada na década de 1970 e expandiu-se até tornar-se praticamente única no mundo.

A doutrina atribuía exclusivamente a agentes de mercado a busca do desenvolvimento, sem qualquer papel para o Estado. Na terça-feira (5), o diretor geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss, um dos órgãos que difundiram políticas alinhadas a esses princípios, admitiu que a agenda é passado.

O presidente do Ipea distribuiu elogios ainda às medidas adotadas pelo governo federal em 2008 e 2009 para conter o impacto da crise financeira internacional. Nesse contexto, disparou críticas à cobertura da mídia. "A imprensa discute só as emergências da economia, como se fosse um paíe de pronto-socorro", alfinetou.

Ele referiu-se a gargalos e problemas pontuais que prejudicam o crescimento de determinados setores. "É evidente que é relevante a discussão sobre esses pontos, porque envolvem decisões do dia a dia, mas são ierrelevantes neste momento em que miramos soluções de médio e longo prazos", avaliou.

Educação para o futuro

Os investimentos em educação e formação foram também temas tratados por Pochmann no evento. "O conhecimento passou a ter um caráter estratégico, e não só crianças e jovens estudam. O Brasil precisa pensar que adultos precisam estudar a vida toda", opinou. Ele acredita que é necessário investir para melhorar o sistema universitário e diminuir evasão.

"O país precisa reprogramar políticas públicas para o cenário demográfico que se coloca em 2030", apontou. Para aquela década, espera-se um envelhecimento da população, com natalidade menor e uma estrutura de pirâmide etária semelhante à encontrada atualmente em países europeus. "Uma população mais velha e menos alunos nas escolas será uma situação inédita, e é preciso pensar como lidar com isso", sustentou.

Rede Brasil Atual

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