sábado, 8 de agosto de 2009

Os vizinhos da Colômbia desconfiam do uso que os EUA fazem de sete bases situadas em seu solo

08/08/2009


A disputa para estabelecer uma certa ordem estratégica na América Latina - como na Europa do século 19 - sofreu sua primeira comoção grave com o acordo entre Colômbia e EUA para o uso por militares americanos de sete bases em solo colombiano. E o fato de esse projeto ser perseguido por primas-donas de signos opostos - o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o do Brasil, Lula da Silva - complica ainda mais as coisas.


O presidente colombiano, Álvaro Uribe, diz ter os propósitos mais apolíticos - a luta contra o narcotráfico - e afirma que as bases não são uma ameaça para ninguém. Mas tanto na versão de Chávez, que pretende formar uma coalizão "anti-imperialista", isto é, ainda sob a presidência de Obama, contra o que representa Washington, como na de Lula, que busca a criação de um bloco de ação comum sob a suave direção de Brasília, Bogotá altera esse incipiente equilíbrio de forças com o que constitui a afirmação de um forte ato de poder. Uribe nunca quis, e agora deixa isso claro, que existisse esse bloco latino-americano, nem sob a égide de Chávez nem, embora sem acrimônia, patrocinado por Lula.

Mas a reação na América Latina foi negativa e por isso o presidente teve de sair em disparada para dar explicações. No Peru de Alan García, Álvaro Uribe recebeu a única e verdadeira boa acolhida; Michelle Bachelet, no Chile, entoou a conhecida cantiga de que cada país é soberano, como também fez, mas de forma especialmente seca, Fernando Lugo no Paraguai, o que equivale a não se comprometer; mas a reação de Cristina Fernández, na Argentina, e de Evo Morales, na Bolívia, foi previsivelmente negativa, como o tom menor de Tabaré Vázquez no Uruguai, e educada mas decisiva a de Lula, no Brasil.

E se a operação visa obrigar os EUA na perspectiva de um terceiro mandato de Uribe, sobre o qual o presidente logo terá de se definir, as consequências não mudam. Sempre houve um consenso internacional em favor do processo de integração da América Latina, e seria vão pensar que pudesse não envolver o plano político. E Espanha e a UE têm motivos para ver com interesse essa nova arquitetura de Lula para a Ibero-América. Mas a Colômbia, por razões de política interna, diz que não.
Fonte:EL PAÍS


Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Um comentário:

Anônimo disse...

Lulla e Chávez estão sempre juntos nas questões que realmente interessam ao facinoroso Foro de São Paulo, ao bolivarianismo e ao "excesso de democracia". Qual foi a reclamação que o "Cel." Lulla da Silva fez, de fato, no que concerne à escalada armamentista da Venezuela, às malas de dinheiro enviadas para intervir em outros países, à ccoperação militar entre a Venezuela e a Rússia, e ao envio de dinheiro e desvio de armamento pesado para as mãos dos narcoterroristas das Farc?
É muita hipocrisia! Chávez e Lulla têm tudo a ver um com o outro!